sábado, 26 de novembro de 2011

Folha de São Paulo: Presidente da OAB é acusado de advogar contra o Estado do Pará


A Folha de São Paulo de hoje, 26, informa que o paraense Ophir Cavalcante Junior, presidente nacional da OAB, é acusado de advogar contra o Estado do Pará, apesar de ser procurador do mesmíssimo  Estado do Pará – embora, é verdade, esteja em licença remunerada do cargo há mais de 13 anos, com vencimentos que girariam em torno de R$ 20 mil por mês.

Os contratos do escritório de Ophir com empresas públicas estaduais e o processo no qual ele atua em defesa da AGF Seguros, numa ação ajuizada pelo Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Pará, o Ipalep, estão aqui, em mais uma reportagem exclusiva da Perereca da Vizinha: http://pererecadavizinha.blogspot.com/2011/11/contratos-com-empresas-publicas.html

A reportagem da Perereca embasou Representação (denúncia) protocolada no Ministério Público contra Ophir pelos advogados  Eduardo Imbiriba e João Batista Vieira dos Anjos, na semana passada. A acusação é de improbidade administrativa e patrocínio infiel.

Imbiriba e João Batista são também os autores de uma Ação Popular para que Ophir devolva aos cofres públicos o R$ 1,5 milhão que teria recebido ao longo de sucessivas licenças remuneradas do cargo de procurador, que seriam ilegais (http://pererecadavizinha.blogspot.com/2011/11/ophir-cavalcante-junior-debaixo-de-bala.html).  
  
Aqui a reportagem da Folha deste sábado:

“DE BELÉM

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, é acusado de advogar contra o Estado do Pará, do qual é procurador licenciado.

A acusação se baseia no fato de que o escritório de advocacia de Ophir prestou serviços jurídicos contra o Instituto de Previdência da Assembleia Legislativa do Pará. 

Ele atribui o ataque a uma tentativa de retaliação.

A Associação de Procuradores do Pará afirma que não há impedimento em advogar contra um órgão da administração pública indireta que possua autonomia financeira e administrativa.

O caso é objeto de representação protocolada na semana passada no Ministério Público do Pará por um grupo insatisfeito com o presidente nacional da OAB. 

A briga começou em outubro, após a OAB decretar intervenção na seccional do Pará por supostas irregularidades na venda de terreno. 

Com a intervenção, o presidente da OAB-PA, Jarbas Vasconcelos, foi afastado. 

Um dos autores da representação contra Ophir é Eduardo Imbiriba, conselheiro da seccional paraense. 

Ele entrou com uma ação na Justiça, há duas semanas, afirmando ser ilegal a licença remunerada que Ophir mantém há 13 anos. A ação pede a devolução de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos. 

"As acusações são [...] fruto de retaliação do presidente afastado da OAB-PA e de seus prepostos", diz Ophir. 

O escritório de advocacia de Ophir Cavalcante defendeu a empresa AGF Seguros em uma ação movida em 2003 pelo Instituto de Previdência da Assembleia. 

O instituto, na ação, pede que a seguradora realize o pagamento de indenizações devidas. Em 2008, um acordo foi firmado entre as partes e o pagamento foi efetuado. 

Imbiriba afirma que, ao ir contra o instituto, Ophir atuou contra a Fazenda Pública do Estado do Pará. 

"Não existe impedimento quando o órgão possui personalidade jurídica própria, autonomia administrativa e financeira", afirmou à Folha o presidente da Associação de Procuradores do Estado do Pará, Antônio Bernardes Filho. Ele ressaltou que falava sobre o assunto em tese, sem examinar o caso concreto. (AGUIRRE TALENTO)”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Não deixe de ler na postagem mais embaixo: fraudes na Assembléia Legislativa do Pará desviaram R$ 120 milhões só nos últimos cinco anos.

Segup garante que governo economizou dinheiro com novo contrato entre a PM e a Delta Construções. Mas admite que contrato antigo continua em vigor.


Recebi da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado o release abaixo, que rebate (é claro que sem acusar o golpe...) as matérias publicadas neste blog sobre o Pregão Eletrônico realizado pela Segup, que teve como grande vencedora a Delta Construções - que, aliás,  é completamente “esquecida” pela Secom...

Publico o release na íntegra; acredito que é dever a concessão de tal espaço.


Infelizmente, tenho um trabalho pesado para fazer neste final de semana e que preciso entregar com certa urgência.

Mas na semana que vem vou dar uma destrinchada nas afirmações do governo.

Desde já, no entanto, intriga o fato de a Segup admitir que ainda permanece em vigor o antigo contrato entre a Delta e a PM, apesar de considerá-lo bem menos econômico do que o novo contrato. Isso, do ponto de vista da gestão pública, é quase uma confissão de culpa.

Diz um trecho do release:

“O contrato anterior, assinado na gestão da ex-governadora Ana Júlia ainda continua em vigência. Cancelá-lo representaria retirar imediatamente das ruas, de uma vez só, todos os mais de 400 veículos locados pelo Sistema de Segurança. Uma coisa impossível de se fazer, porque inviabilizaria o policiamento na capital e no interior’, explica o secretário adjunto de Segurança Pública, Cláudio da Costa Lima. O contrato antigo está sendo extinto aos poucos, com a substituição paulatina dos veículos. A cada mês a quantidade de carros e os valores pagos pela locação é menor”.

Ora, o novo contrato entre a PM e a Delta foi assinado em 15 de julho e publicado no Diário Oficial no dia 21 daquele mesmo mês (leia a matéria do terceiro link acima).

Então, como é que, passados mais de quatro meses, ainda não se pode tirar das ruas os veículos antigos, sob pena de “inviabilizar o policiamento na capital e no interior”?

Quer dizer que a Delta “vendeu” ao Governo uma coisa que não tinha condições de entregar?

Ou seja, a empresa se comprometeu a alugar ao Governo uma xis quantidade de veículos que não tinha capacidade de colocar nas ruas imediatamente?

Se é assim, por que é que não é simplesmente substituída pelas demais licitantes, por quebra de contrato? 

Ou também as demais licitantes, quando fizeram os lances no Pregão, não tinham condições de entregar os carros à PM?

Rrrrrealmente esse “causo” está cada vez mais enrolado...

Abaixo, o release da Secom:

“Pará dá exemplo com economia na locação de veículos por pregão eletrônico

Os preços mais baixos obtidos pelo Governo do Pará com o pregão eletrônico, realizado este ano para locação de veículos destindos à área de Segurança Pública, estão levando órgãos de outros Estados a aderir à ata da licitação. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, o Corpo de Bombeiros da Paraíba, a Prefeitura de Campo Largo (PR) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná estão entre alguns dos entes públicos que aderiram ao processo, para economizar gastos com a locação ou aquisição de veículos.

O contrato assinado durante a gestão da ex-governadora Ana Júlia Carepa previa o pagamento de R$ 20 milhões – R$ 10 milhões anuais - por dois anos de locação de 400 veículos tipo Palio 1.0, sem ar condicionado, e de 50 veículos do tipo Palio Weekend, com motor 1.6, sem ar condicionado e equipados apenas com sinalizadores e rádios analógicos. No contrato atual, no valor de R$ 14 milhões para um ano, estão sendo locados veículos com qualidade muito superior. São 352 Palios Weekends e 92 Pick-Ups Ranger, que possuem custo duas vezes e meia maior do que os Palios e são muito mais adequadas para o policiamento, principalmente no interior do Estado.
    
A economia obtida pelo Governo do Pará na locação de novos veículos para a área de Segurança Pública aparece mais ainda na análise do preço por item. No contrato assinado pela gestão anterior, cada Palio Weekend custou R$ 34.495,20, ao ano. Com o pregão realizado este ano pelo governo estadual, os veículos Palio Weekend, também com potência 1.6, tiveram o valor da locação reduzido para R$ 26.737,20 ao ano, e agora estão equipados com cela, rádios digitais, sinalizadores, rastreadores, grafismo, ar condicionado e direção hidráulica.

Redução global - Só o rádio digital custaria pelo menos R$ 4 mil a mais por ano, no valor do aluguel de cada uma das Weekends. Porém o governo conseguiu viabilizar a tecnologia e ainda obter uma economia de R$ 7.758 por veículo ao ano. Isso representa uma redução de custos global superior a R$ 2,73 milhões anuais, quando se compara o preço anterior de locação das Weekends com o atual. A gestão pública sai ganhando, já que o governo conseguiu mais, por um preço menor.

“O contrato anterior, assinado na gestão da ex-governadora Ana Júlia ainda continua em vigência. Cancelá-lo representaria retirar imediatamente das ruas, de uma vez só, todos os mais de 400 veículos locados pelo Sistema de Segurança. Uma coisa impossível de se fazer, porque inviabilizaria o policiamento na capital e no interior”, explica o secretário adjunto de Segurança Pública, Cláudio da Costa Lima. O contrato antigo está sendo extinto aos poucos, com a substituição paulatina dos veículos. A cada mês a quantidade de carros e os valores pagos pela locação é menor.

Cláudio Lima acrescenta que a economia de custos, a transparência do processo e a universalização do acesso têm consolidado o pregão eletrônico como a modalidade de licitação mais adequada para os agentes públicos. “O pregão eletrônico permite que qualquer empresa participe da licitação. No caso da locação de veículos para a área de Segurança, 13 empresas participaram, das quais três eram de outros Estados: Ceará, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, informa o secretário adjunto.

Comprasnet - Os pregões eletrônicos das administrações públicas brasileiras são realizados por meio do site Comprasnet, mantido pelo Banco do Brasil. Todos os lances e atos ocorridos durante a licitação são registrados em atas eletrônicas, que podem ser acessadas por qualquer cidadão, em uma área específica do site.

Os lances, dentro de um pregão eletrônico, são realizados em duas fases. Na primeira, o pregoeiro abre o leilão e deixa que os participantes apresentem os seus lances. Depois que o leilão é aberto, o pregoeiro digita o comando “iminência de encerramento” e, a partir daí, o sistema passa a funcionar automaticamente, encerrando, de forma aleatória e sem qualquer interferência humana. “Quando o leilão entra em iminência de encerramento é que começa de fato, porque os participantes têm pressa em apresentar seus lances, uma vez que ninguém sabe quando o sistema vai encerrar o período de lances. Pode durar 10 minutos, 20 minutos, cinco minutos. Ninguém sabe”, explica Cláudio Lima.

No caso do pregão eletrônico dos veículos do Sistema de Segurança realizado este ano, o secretário adjunto da Segup, para ilustrar como a concorrência é acirrada, conta que, no item três do leilão – locação de veículo tipo passeio Hatch Back – viatura policial, o vencedor levou a melhor ao apresentar, no último momento antes do fechamento do sistema, um lance apenas um centavo inferior ao penúltimo lance.

Após encerrar automaticamente, o sistema Comprasnet também divulga e registra de imediato na ata eletrônica o vencedor de cada um dos itens licitados. “Apenas depois desse processo é que as empresas vencedoras entram na fase de apresentação dos documentos, e que o Estado vai analisar se estão habilitadas ou não a oferecer o produto, checar se estão regulares. Até então, ninguém pode impedir que qualquer empresa, desde que devidamente registrada no site Comprasnet, participe de qualquer pregão eletrônico”, acrescenta Cláudio Lima.

Clique aqui para acessar a ata completa no site Comprasnet do pregão Segup” (Nota da Perereca: não veio o link).

Fraudes na Assembléia Legislativa desviaram mais de R$ 120 milhões só nos últimos cinco anos. Quantidade de dinheiro vivo que deixou a Casa dificulta as investigações.


As fraudes na Assembléia Legislativa do Estado teriam provocado um rombo superior a R$ 120 milhões, apenas nos últimos cinco anos.

A estimativa é do promotor de Justiça Nelson Medrado, que coordena as Promotorias de Direitos Constitucionais e Patrimônio Público e investiga os escândalos da Alepa.

Os cálculos do promotor incluem todos os tipos de transações irregulares já detectadas naquela Casa: funcionários fantasmas, licitações fraudulentas, pagamentos irregulares, por exemplo, que teriam resultado em uma sangria de R$ 2 milhões por mês, apenas nos últimos cinco anos. 

O problema, agora, é redesenhar a trilha dessa montanha de dinheiro, coisa que exige um trabalho hercúleo dos promotores.

É que o esquema de fraudes era até “infantil”, como diz Medrado, devido, por exemplo, à quantidade de “laranjas” e às visíveis ligações que mantinham com as empresas que participavam dessas transações. Ou, ainda, pelo fato de as firmas que realizavam obras na Alepa não estarem, muitas vezes, nem sequer inscritas no CREA, o conselho regional de Engenharia e Arquitetura. 

Mas o desvio de dinheiro, ele sim, foi muito, mas muito bem elaborado.

“Há muitos cheques sem endosso e que não eram depositados, mas, pagos na boca do caixa. Muitas das empresas estão inscritas no Simples e não tinham de fazer retenção de Imposto de Renda. Foi tudo dirigido para não deixar rastros”, observa.

E completa: “eles (os participantes das fraudes) saíam com malas de dinheiro de dentro do banco”.

A quantidade de dinheiro vivo que deixou a Alepa nesse período dificulta as investigações.

Mas identificar essa trilha, com um trabalho minucioso, é fundamental  para se chegar a todos os envolvidos e, também, para evitar que algum deles escape, ao longo do processo, por alguma brecha legal. 

Isso resulta num volume de trabalho quase tão impressionante quanto a “bufunfa” em jogo: cada vez que o MP tem de analisar uma carta convite, que é a modalidade mais simples de licitação, é preciso ouvir pelo menos três empresários – ou seja os representantes das empresas que, em tese, teriam de ter participado do certame.

Só na última quarta-feira Medrado encarou uma maratona de nove depoimentos. 

E só funcionários fantasmas foram denunciados, nos últimos meses, mais de 50. 

Quer dizer: são dezenas, centenas de depoimentos a realizar, além de pilhas e pilhas de documentos que precisam ser lidos, analisados e comparados.

Mesmo assim, enquanto investiga o paradeiro dessa grana, Medrado avança sobre outro período igualmente palpitante: os anos de 2004, 2005 e 2006, quando a Alepa esteve sob o comando do ex-deputado Mário Couto, hoje senador pelo PSDB.

Couto antecedeu o peemedebista Domingos Juvenil na presidência da Casa – e Juvenil, como se sabe, já está todo enrolado em processos judiciais, devido às denúncias apresentadas contra ele pelo Ministério Público.

MPF requisita informações sobre transferência para o hospital Divina Providência de equipamentos doados pelo SUS para Breves e Cametá


O procurador da República Alan Rogério Mansur Silva, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, enviou ofício ao secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, requisitando informações sobre a transferência para o hospital Divina Providência, em Marituba, de equipamentos doados pelo SUS para a implantação de dez leitos de UTI Neonatal nos municípios de Breves e Cametá.

A transferência foi noticiada pela Perereca (aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com/2011/11/sespa-transfere-para-o-hospital-divina.html), após vários comentaristas anônimos chamarem a atenção para esse fato.

A Resolução 192 da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde do Pará( CIB-SUS-PA) que aprovou esse remanejamento está publicada no Diário Oficial do Estado de 07 de novembro deste ano, caderno 3, página 13, mas pode ser lida na íntegra no link acima.

No ofício, Mansur dá 15 dias para que a Sespa esclareça as condições que irão nortear  o uso desses equipamentos no Divina Providência.

O ofício foi encaminhado ontem. Eis a íntegra dele:

“OFÍCIO Nº9420/2011-PRDC/PR/PA-RJ

Belém, 24 de novembro de 2011.
A Sua Senhoria o Senhor
HÉLIO FRANCO DE MACEDO JÚNIOR
Secretário Executivo de Estado de Saúde do Pará
Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará – SESPA
Av. Conselheiro Furtado, nº 1597
CEP 66.040-100 Belém/PA
Assunto: Requisição de informações

Senhor Secretário,

Cumprimentando-o, reporto-me ao Inquérito Civil Público Nº 1.23.000.000609/2011-90, instaurado devido a necessidade de se realizar controle dos procedimentos realizados pelos Hospitais Regionais, da qualidade dos serviços prestados e da aplicação dos recursos públicos.

Com vistas a dar continuidade à instrução do referido apuratório, requisito a Vossa Senhoria, com base no art. 129, VI, da Constituição Federal e art. 8º, II, da Lei Complementar nº 75/93, no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento deste expediente, que informe quais as condições de utilização dos equipamentos encaminhados ao Hospital Divina Providência, como será a remuneração pela SESPA dos serviços prestados por este Hospital denominado filantrópico e, se for o caso, como se dará eventual remuneração ou contraprestação do Hospital Divina Providência pelo recebimento dos equipamentos indicados na Portaria CIB 192/2011.

Atenciosamente,

ALAN ROGÉRIO MANSUR SILVA
Procurador da República
Procurador Regional dos Direitos do Cidadão
91 3299 0100 - www.prpa.mpf.gov.br
Rua Domingos Marreiros, 690, Umarizal - CEP 66055-210 - Belém/PA”