sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Estranho “padre” não demonstra compaixão pelas vítimas da covid e prefere discutir impostos. Apesar de usar batina, Kelmon não é reconhecido como sacerdote pela Igreja Ortodoxa. E apesar de acusar Lula de corrupção, é aliado de Roberto Jefferson, que está inelegível por ter sido condenado por corrupção.





Você notou a falta de compaixão do “padre” Kelmon, no debate da Globo?

Soraya Thronicke perguntou quantas extremas-unções foram dadas por Kelmon, durante a pandemia de covid, que matou 686 mil brasileiros.

Mas a resposta dele foi de uma frieza assustadora.

Ele não se mostrou entristecido com tamanha tragédia.

Não lamentou a dor dos pais que perderam os seus filhos, e dos filhos que perderam os seus pais.

Nada disse sobre os doentes que morreram sozinhos, sem receberem ao menos um carinho daqueles a quem tanto amavam.

Não disse nem ao menos “que Deus console vocês”, às famílias dessas pessoas.

Aliás, nem sequer deu graças a Deus, pelas mortes terem diminuído.

Em vez disso, mudou de assunto para falar de... impostos, e criticar Soraya.

Pouco depois, perguntou, parecendo até meio irritado: "só se morre de covid neste país?"

E deixou-me a impressão de que por pouco não repetiu uma das frases de Bolsonaro, seu ídolo: “E daí?”, “Não sou coveiro”, “Vão ficar chorando até quando?”

Kelmon era candidato a vice-presidente da República, na chapa de Roberto Jefferson, do PTB.

Só acabou candidato a presidente porque a Justiça Eleitoral barrou a candidatura de Jefferson, que está inelegível por ter sido condenado por corrupção.

O próprio Bolsonaro, que Kelmon tanto defende, tem o governo envolvido em escândalos de corrupção.

Como é o caso do Orçamento Secreto, através do qual ele liberou bilhões de reais para o Centrão, para a compra de veículos e equipamentos superfaturados.

Como é o caso do escândalo do MEC, com propinas pagas em barras de ouro e dinheiro escondido em pneus de caminhonete.

Isso sem falar no escândalo das rachadinhas e nos 51 imóveis, incluindo mansões cinematográficas, que a família de Bolsonaro comprou, com R$ 26 milhões em dinheiro vivo. 

Mas apesar de tais companhias, Kelmon, à maneira dos fariseus, ainda acusou Lula de corrupção, durante o debate.

O mais grave, porém, é que há fortes indícios de que ele nem padre é.

Seria apenas, como disse Soraya, “um padre de festa junina”.

A Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil afirmou que ele nunca foi sacerdote, dela ou de igrejas ortodoxas-irmãs, aqui ou no resto do mundo: https://www.instagram.com/p/Ci_JUG5Akda/?utm_source=ig_embed&ig_rid=f49a60b5-0336-4d08-a760-ba9e03a0f1bc

Kelmon alegou, porém, que é sacerdote de uma tal Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, que, aliás, confirmou a sua alegação.

O problema é que essa tal igreja peruana não é reconhecida pelas demais agremiações ortodoxas: https://www.igrejasirianortodoxa.org/2021/03/esclarecimento-sobre-igreja-catolica.html

Triste situação a que chegaram as igrejas do Brasil, devido à essa mistura de política com religião, incentivada por Bolsonaro, para a obtenção de votos.

Uma mistura explosiva, que já contaminou com o ódio as nossas igrejas evangélicas, fazendo com que um evangélico baleasse outro, durante um culto da Congregação Cristã do Brasil: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/09/pm-que-baleou-fiel-em-igreja-apos-briga-politica-esta-arrependido-diz-irmao-de-vitima.shtml

E que agora ameaça contaminar, também, a Igreja Católica Ortodoxa, até com padre de mentirinha.


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Se quiser saber mais sobre Kelmon:

1-Reportagem publicada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, mostrando que ele “se passa” por padre : https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2022/08/vice-de-roberto-jefferson-se-passa-por-padre-ortodoxo-sem-pertencer-a-igreja.ghtml

2-A confusão em que ele se envolveu, na Bahia, ao tentar instalar uma “igreja”, em uma área quilombola, sem autorização dos moradores.

Aqui: https://www.faroldabahia.com/noticia/apos-denuncia-farol-da-bahia-investiga-caso-de-padre-falso-que-atua-na-ilha-de-mare?fb_comment_id=4082494411807679_4086428764747577

E aqui: https://www.faroldabahia.com.br/noticia/sem-mostrar-documentos-que-provem-a-ordenacao-kelmon-luis-de-souza-reforca-ser-padre-nas-redes-sociais

3-Reportagem reproduzida no site “Conversa Afiada”, em 2010, mostrando a ligação entre a Associação Theotokos, presidida por Kelmon, e o Integralismo, que é a versão brasileira do fascismo, do ditador italiano Benito Mussolini, que também inspirou o nazismo da Alemanha de Hitler: https://www.conversaafiada.com.br/video/2010/10/17/videos-como-a-igreja-catolica-de-guarulhos-ia-dar-o-golpe-do-panfleto

Na época, descobriu-se que o domínio do site da Associação Theotokos (theotokianos.org.br) estava registrado em nome da “Casa de Plínio Salgado”, o fundador da Ação Integralista Brasileira.

Em 2010, o vice-presidente da Theotokos seria Victor Emanuel Vilela Barbuy, presidente nacional da Frente Integralista Brasileira (FIB), até pelo menos 2018.

Em seu site, aliás, a FIB recomenda o voto em todos os candidatos do PTB, incluindo o “padre” Kelmon.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

É LULA de novo, com Fé em Deus e a força do povo!



Lembra do tempo do Lula, mano?

Aquilo sim é que era tempo bom!...

Gás barato, comida barata...

A gente fazia até churrascada!...

Chamava os vizinhos, os amigos...

Tomava uma gelada, contava piada...

E virava até dançarino e cantor!...

O Brasil crescendo, emprego crescendo, salário crescendo...

Os filhos tudo estudando e até virando doutor!...

Sonhos, tantos sonhos, que a gente escondia no peito...

Porque achava que era impossível, que era sonhar demais...

Mas que, de repente, a gente conseguiu realizar!...

Lembra do tanto de dinheiro que a gente tinha no bolso?

Lembra que a gasolina custava só 2 reais e 60 centavos?

Lembra que a gente já nem falava dessa tal de inflação?

O mundo inteiro elogiando o Brasil, e a gente tudo orgulhoso!...

Pela primeira vez, um país sem tanta fome!...

Pela primeira vez, um país mais humano!...

Pela primeira vez, um Brasil de todos!...

Pela primeira vez, de verdade, a nossa amada mãe gentil!...

Um Brasil-menino, tão cheio de cor, tão de vida...

Um Brasil tão distante desse Brasil que taí...

É gente pedindo esmola, catando comida no lixo...

É o preço de tudo que não para de subir.

É pai e mãe de família sem conseguir trabalho.

É criança chorando de fome, dormindo com fome, morrendo de fome!...

É o Brasil tudo destruído, devastado!... 

É nosso povo tudo largado, no maior abandono...

Mas fica triste não, mano, que o 2 de outubro tá logo ali...

E o voto da gente, com a força de Deus, ninguém vai roubar.

Tá vendo aquela estrelinha no céu, mano?

É o Lula chegando de novo, nos braços do povo!...

É a esperança voltando a brilhar nos céus do Brasil!...


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Publicado no Facebook em 30/04/2022

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Debate da Band: Lula pasteurizado não consegue rebater Bolsonaro. Mas presidente é desmascarado pelas mulheres, as estrelas da noite.




Lula foi muito melhor na entrevista ao Jornal Nacional do que no debate da Band.

Deve ter sido convencido pelos marqueteiros a ser menos Lula, a não ir pra cima de Bolsonaro, o que é um equívoco.

É claro que Lula precisava falar sobre as medidas anticorrupção de seus governos.

Mas deveria, sim, ter citado os muitos escândalos de corrupção de Bolsonaro.

Como a propina em barras de ouro e as Bíblias profanadas, com fotos do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Como o bilionário “Orçamento Secreto”, talvez o maior escândalo de corrupção deste país.

Como o superfaturamento até de vacinas, durante a pandemia.

O “Lulinha Paz e Amor” não cai bem nessas horas: é insosso, não fede nem cheira, soa falso.

Deixa a impressão de que o ex-presidente foi anestesiado ou abduzido, para lhe retirarem algumas das suas melhores qualidades.

Como a capacidade de emitir respostas firmes, certeiras e destemidas.

Mas o pior é que ignorar os casos de corrupção do atual governo, é como que passar um atestado de bons antecedentes a Bolsonaro.

E se não fosse a senadora Simone Tebet, que denunciou principalmente os escândalos ocorridos na pandemia, Bolsonaro sairia do debate como se nada houvesse a desaboná-lo; como se as denúncias contra ele não passassem de fake news.

Já na primeira pergunta do debate, Bolsonaro indagou sobre as acusações de corrupção contra os governos de Lula.

Um samba de uma nota só totalmente previsível.

Um flanco que o ex-presidente não quis ou não soube aproveitar.

Ele poderia ter dito a Bolsonaro: “Mas que moral o senhor tem pra acusar alguém de corrupção?”

E aí, poderia ter falado sobre os principais escândalos de Bolsonaro.

E fecharia, com chave de ouro, lembrando as medidas anticorrupção de seus governos, os sigilos de 100 anos decretados por Bolsonaro e os constantes afastamentos de delegados da PF.

No entanto, Lula se limitou a falar sobre as suas medidas anticorrupção.

Mais tarde, lembrou dos sigilos de 100 anos.

De resto, nada.

Ou melhor: também levantou a bola dos escândalos da CPI da Covid, para Tebet chutar.

Mas ela, depois de falar da corrupção apurada pela CPI, engatou críticas às acusações de corrupção contra os governos do ex-presidente, dos quais o partido dela fez parte, aliás.

Um dos principais equívocos da campanha de Lula foi acreditar na possibilidade de se esquivar de determinados temas.

Um equívoco que atrasa a concepção de uma estratégia correta, até porque persistente, apesar dos choques de realidade.

É o caso das denúncias de corrupção, cuja explicação já deveria estar clara, concisa e na ponta da língua, até para servir a eventuais contra-ataques.

É o caso, também, da pauta dos costumes, da qual a campanha de Lula só agora está descobrindo o peso, ao não conseguir virar votos entre boa parte dos evangélicos.

Não fossem os ataques de Bolsonaro à jornalista Vera Magalhães e à Simone Tebet, o atual presidente teria até conquistado alguns votos nesse debate.

Tanto por causa do desempenho de um Lula pasteurizado, quanto devido às mentiras que ele, Bolsonaro, contou em profusão, os números absurdos que citou, sem que fosse contestado devidamente.

É verdade que Ciro Gomes também poderia ter feito essa contestação.

No entanto, ele preferiu colocar Lula e Bolsonaro no mesmo patamar e atacar os dois, de forma até mais incisiva do que fez Tebet.

Uma típica tentativa cirista de se equilibrar em um centro inexistente, em uma disputa entre a Democracia e o nazifascismo.

De qualquer forma, penso que caberia é a Lula esse papel de desconstrução de Bolsonaro.

E não apenas porque se trata de seu principal oponente, mas porque a capacidade de comunicação de Lula torna compreensíveis mesmo os temas mais complicados.

Um brinde, portanto, às mulheres, as grandes estrelas desse debate.

Ao atacar Vera Magalhães de forma asquerosa, apenas porque ela cumpria a sua função jornalística, Bolsonaro mostrou, mais uma vez, e ao vivo e em cores para milhões de brasileiras, todo o seu desprezo às mulheres, cujos votos vinha tentando conquistar.

E ao cerrarem fileiras em defesa da jornalista, as senadoras Simone Tebet e Soraya Thronicke responderam à altura, a esse comportamento troglodítico.

Tebet lembrou os ataques que sofreu, por parte de aliados do presidente e das redes de fake news bolsonaristas, quando integrava a CPI da Covid.

E além de enfrentar Bolsonaro com um sonoro “eu não tenho medo do senhor”, ainda perguntou: “por que é que o senhor tem tanta raiva das mulheres?”

Mas foi de Soraya Thronicke a melhor resposta ao presidente.

“Quando homens são tchutchucas com outros homens, mas vêm pra cima da gente (das mulheres) feito Tigrão, eu fico realmente braba”, disse ela, lembrando o apelido de Bolsonaro de “Tchutchuca do Centrão”.

Espera-se que a campanha de Lula corrija os equívocos que vimos, no debate da Band.

Ele é o único com chances reais de derrotar Bolsonaro. 

Mas o Lula pasteurizado é que nem o rapaz da Bombril: todo mundo conhece e acha um amor.

Só que ninguém apostaria nele nem sequer um tostão furado, para comandar um país como o Brasil.

Já o Lula verdadeiro, o líder das pesquisas, fala com honestidade e destemor, responde à altura às provocações, empolga quem o escuta. 

Fala também sobre a fome, a inflação, a situação desesperadora dos brasileiros, muito mais do que falou nesse debate.

Uma pena que tenha sido anestesiado ou abduzido.

FUUUIIIII!!!!!

domingo, 28 de agosto de 2022

Lula e a cova dos leões




Tenho minhas dúvidas se Bolsonaro irá ao debate deste domingo.

À primeira vista, tal ida mais parece suicídio político, devido ao seu desequilíbrio emocional, despreparo e diminuta inteligência.

Mas não se pode esquecer de que ele está cercado por uma equipe de profissionais de marketing.

Assim, se ele for, será dentro de uma estratégia para criar, talvez, um fato político que o mantenha na “crista da onda”.

Ou, quem sabe, para tentar vitimizar-se, até com o recurso às lágrimas de crocodilo.

Ou, ainda, para atrair Lula para uma armadilha.

Afinal, se Bolsonaro na última hora não comparecer, ou se retirar logo após o início do debate, as baterias dos demais candidatos tendem a se voltar contra Lula.

Especialmente, as baterias de Ciro Gomes.

Então, Lula não deveria ir?

Em geral, a recomendação do marketing a candidatos que possuem tão ampla vantagem nas pesquisas, com possibilidade de vencer a eleição já no primeiro turno, é para que evitem se expor desse jeito.

Mas não creio que isso se aplique a Lula, tendo em vista a sua capacidade de comunicação, o processo de satanização que sofreu e a conjuntura do país.

Quer se goste dele ou não, é forçoso admitir que Lula é um fenômeno de comunicação popular.

Ele consegue se fazer entender por todas as camadas sociais, e se fazer acreditar por boa parte delas.

Não bastasse isso, também emociona a plateia, como se estabelecesse um link direto com o coração daqueles que o escutam.

A entrevista ao Jornal Nacional deixou patente a inteligência, o preparo e a capacidade de comunicação desse senhor, que quase não esquentou os bancos escolares.

Mas que soube agarrar cada oportunidade de aprender, que Deus e a vida lhe ofereceram.

Foi assim que se tornou PhD das profundezas humanas: daquilo que se esconde por trás das dezenas de máscaras que todos usamos, para conter e dissimular o animal em nós.

Foi assim que compreendeu a necessidade de ler e se preparar para conviver com os intelectuais que há décadas o cercam, para não acabar virando uma Maria vai com as outras.

Foi assim que aprendeu a rever, interiormente, cada uma das batalhas que enfrentou: não para chorar e quedar-se inerte, com pena de si mesmo. Mas para extrair lições dos erros, acertos, circunstâncias, e seguir em frente, ombros eretos e cabeça erguida.

Lula é um forte. Mas possui uma qualidade que nem sempre os fortes possuem: a solidariedade para com os mais fracos.

A nobreza de sentimentos que leva a estender as mãos aos caídos, por enxergar neles um espelho da sua própria humanidade.

Foi esse homem de inteligência luminosa, a quem as circunstâncias negaram os bancos escolares, mas que se doutorou na escola da vida, que os brasileiros viram na entrevista ao Jornal Nacional.

Diante dele, dois dos mais renomados jornalistas brasileiros.

E o local, uma espécie de cova dos leões.

A poderosa Rede Globo, habituada a eleger e a derrubar governos.

A máquina de manipulação das massas que a ditadura militar impulsionou.

E que teve papel estratégico na tentativa de destruição da imagem de Lula.

Não fosse ele também um gigante da comunicação, é possível que nem pudesse andar pelas ruas, sem acabar humilhado.

Provavelmente, todos os políticos quereriam distância dele.

Mas o que vemos é justamente o oposto: milhões de pessoas se reúnem para ouvi-lo, nas ruas e através dos veículos de comunicação.

E os políticos, de todos os partidos, disputam até a simples possibilidade de usar o nome dele em suas campanhas.

E lá estava Lula na cova dos leões, na última quinta-feira (25/08), capturando a atenção de milhões de brasileiros.

Ao final da entrevista, ouviram-se gritos de comemoração e até foguetório, em várias cidades, em um clima de jogo vitorioso da seleção brasileira.

Pudera: na cova dos leões, em vez de medo e nervosismo, Lula mostrou segurança, tranquilidade, competência.

Em vez de abaixar a cabeça, olhou nos olhos de William Bonner, e até sorriu das perguntas do jornalista.

Não para debochar, ou como se apenas já as esperasse.

Mas por perceber que as armadilhas que lhe atiravam, crentes talvez de que sucumbiria, eram uma oportunidade ímpar para se defender da máquina de moer gente a que foi submetido, ao longo de décadas.

Lula saiu ainda maior daquela entrevista.

E a Rede Globo ainda menor, dado o envergonhado e insincero pedido de desculpas, que se resumiu ao reconhecimento de que Lula não deve nada à Justiça.

Como se só isso fosse suficiente, depois de todos os anos que aquela emissora gastou, para ajudar a encarcerá-lo.

Mas o desempenho de Lula mostrou o quanto o palanque televisivo pode ajudá-lo a conquistar os votos de que precisa, para liquidar essa fatura ainda no primeiro turno.

Sua inteligência, preparo, coragem, equilíbrio emocional, domínio da palavra, capacidade de se comunicar com as massas, formam um conjunto de qualidades que nenhum outro presidenciável possui.

Um conjunto de qualidades que, quando levado massivamente ao distinto público, gera um impacto positivo naqueles que não o conhecem, além de vencer a resistência daqueles que acreditaram nas campanhas difamatórias contra o ex-presidente.

Também a conjuntura recomenda a participação de Lula no debate deste domingo, e nos demais.

As ameaças bolsonaristas às eleições fatalmente se tornarão ainda mais agudas, em um eventual segundo turno.

Haverá, certamente, ainda mais derramamento de sangue e de dinheiro.

Um clima de terror como nunca vimos, na história recente deste país.

Assim, é preciso avançar não apenas nas redes sociais e no trabalho de formiguinha, que é extremamente eficaz para a conquista de votos.

É preciso, também, ocupar todos os espaços possíveis nos palanques eletrônicos, o que significa comparecer a debates e entrevistas.

Deus protegeu e iluminou o Lula até na cova dos leões.

Certamente, Ele vai protegê-lo e iluminá-lo em qualquer lugar.


FUUUIIIII!!!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Criminosos falsificam vídeo com Renata Vasconcellos e pesquisa eleitoral, para colocar Bolsonaro à frente de Lula. Cuidado: as falsificações de áudios e vídeos, com avançadas técnicas de computador, estão apenas começando. Por incrível que pareça, essas técnicas permitem até “ressuscitar” pessoas. E as fraudes são tão perfeitas que podem até enganar você.




Na semana passada, um vídeo que circulava nas redes sociais assustou políticos e jornalistas.

Nele, a apresentadora do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos, anunciava uma pesquisa do Ipec na qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, teria 44% das intenções de voto, contra apenas 32% do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Motivo do susto: o vídeo é falso.

Na pesquisa verdadeira do Ipec, é Lula quem tem 44% das intenções de voto, contra 32% de Bolsonaro.

Mas o vídeo falsificado ficou tão perfeito que deixou muita gente de cabelo em pé, com medo das notícias falsas (fake news) que ainda aparecerão nesta campanha eleitoral.

Foi assim: os criminosos gravaram um pedaço do Jornal Nacional, do último 15 de agosto, no qual Renata Vasconcellos falava sobre a nova pesquisa do Ipec.

E aí, no pedacinho em que ela anunciou o resultado da pesquisa, eles substituíram a voz dela por uma voz parecida, lendo o resultado falso.

Também trocaram o gráfico verdadeiro, que apareceu no Jornal Nacional, por um gráfico falso, para mostrar Bolsonaro na frente.

Tudo usando técnicas tão avançadas de montagem de vídeos, que até os pais da Renata Vasconcellos podem ter acreditado que aquela voz falsa era dela.

Essas técnicas são chamadas de “deepfake”, uma expressão inglesa que significa “mentiras profundas”.

E você precisa saber o que é “deepfake”, para não acabar enganado.

Porque, com essas técnicas, é possível fazer com que qualquer pessoa apareça fazendo ou dizendo coisas horríveis.

Como, por exemplo, que é “adorador de satanás” ou “a favor da pedofilia”.

E o pior é que tudo parece tão real, tão verdadeiro, que você pode acabar acreditando.

Por incrível que pareça, com deepfake dá até para “ressuscitar” pessoas.

E até “conversar” com o morto.


O que é deepfake?


Sabe aqueles aplicativos dos smartphones, que trocam a cara e a voz de um famoso, pela sua cara e voz?

A técnica é a mesma.

Só que os vídeos e áudios feitos com deepfake, para campanhas eleitorais, têm uma aparência muito mais verdadeira, para que consigam enganar o eleitor. 

Funciona assim: o falsificador pega um computador “poderoso” e coloca nele um monte de vídeos daquele político.

Aí, pega um programa de deepfake, para manipular, ou seja, “mexer”, nessas imagens de vídeo.

Um programa é uma espécie de “pacote de instruções”, para que um computador faça determinadas coisas.

Tá ligado no Word, que você usa para escrever seus trabalhos da escola, um hino da igreja, ou o seu currículo?

Pois é: o Word é um programa que “diz” ao computador como escrever tudo isso.

Os programas de deepfake examinam todo o rosto do político, que está nas imagens colocadas no computador: o formato, a cor, os movimentos de seus olhos, a maneira como ele movimenta a boca.

Também examinam a maneira como ele fala, como ele diz as coisas.

Aí, o falsificador grava um vídeo, no computador, falando as coisas que ele quer botar na boca do político. Faz até os gestos que ele quer que o político apareça fazendo.

O programa de deepfake mistura, então, todos esses materiais, e cria uma imagem do político, repetindo, com a voz e o corpo dele, tudo aquilo que o falsificador falou e fez naquele vídeo que gravou.

Ou seja: o deepfake cria uma espécie de “fantasma de computador”, uma coisa que só aconteceu no computador.

Aí, o vídeo falso é espalhado nas redes sociais.


Deepfake até “ressuscita” pessoas


Com deepfake dá até para “ressuscitar” pessoas.

Em 2019, um museu da Flórida, nos Estados Unidos criou, com deepfake, mais de 100 vídeos do pintor espanhol Salvador Dali, que morreu em 1989.

Os vídeos foram espalhados em várias áreas do museu e, segundo reportagens na internet, dava até para “bater papo” com o pintor: https://www.youtube.com/watch?v=faKicQeLHuo

Isso acontece porque as técnicas de deepfake usam “inteligência artificial”, que é quando a máquina aprende e toma decisões, com base nas informações que recebeu.

Sabe quando você faz uma pesquisa no Google e ele lhe sugere um monte de sites?

Ou quando um aplicativo do seu smartphone mostra o caminho que você deve seguir, para chegar a um lugar?

Tudo isso usa inteligência artificial, como vários outros programas que a gente utiliza no dia a dia. 


Deepfake é usado também para piadas


Há gente que usa deepfake apenas para fazer vídeos de humor.

É o caso do jornalista Bruno Sartori, que fez aquele vídeo famoso, com as caras e as vozes de Lula e Bolsonaro, nos corpos das atrizes da novela “A Usurpadora”: https://www.youtube.com/watch?v=H9iB1Jzq8Ac

E é o Bruno quem mostra como um áudio falso pode enganar direitinho as “tias do zap”, ou seja, aquelas senhoras que acreditam em tudo que é notícia falsa, que elas recebem no WhatsApp e Telegram.

Ouça o áudio falso da ex-presidenta Dilma Rousseff, que o Bruno fez com deepfake e mandou para a tia dele: https://www.youtube.com/watch?v=EUz9E-geuz8


Com deepfake, todo cuidado é pouco


Acho que já deu para entender que deepfake, quando usada para o mal, pode ser muito perigosa, já que engana direitinho as pessoas.

Coisa que é ainda mais preocupante porque já existe, no Brasil, uma grande fábrica de notícias falsas, contra a Democracia e as eleições.

Então, fique esperto, para não ser enganado.

Veja, nesta reportagem da TV Cultura de São Paulo, como se defender desses áudios e vídeos falsos: https://www.youtube.com/watch?v=uSSTPSWg8Jk

Veja, também, este vídeo muito bom, de 2020, da Justiça Eleitoral, sobre deepfake: https://www.youtube.com/watch?v=K_FNhNIM9JY

Aqui, um vídeo de 2019, do Gilmar Lopes, do E-Farsas, com 8 dicas para identificar notícias falsas:https://www.youtube.com/watch?v=ep6BabAPOwU

Aqui, notícia do UOL sobre o vídeo falsificado com a Renata Vasconcelos e a pesquisa do Ipec: https://www.youtube.com/watch?v=X3tU01FDPhA

Aqui, notícia do G1 sobre o caso: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/eleicoes/noticia/2022/08/17/e-fake-video-que-mostra-bolsonaro-com-44percent-das-intencoes-de-voto-na-pesquisa-ipec-divulgada-em-15-de-agosto-de-2022.ghtml

 

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Boa parte dessa matéria foi extraída de reportagem publicada pela Perereca da Vizinha, em 11 de maio deste ano, e que pode ser lida aqui: https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/05/voce-viu-um-video-em-que-o-seu.html

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Você sabe o que é o STF?


 


O STF é o Supremo Tribunal Federal.

Ele é o mais importante tribunal do Brasil.

Porque é o grande defensor, o guardião, da nossa Constituição, a maior de todas as nossas leis.

Mas o STF e os tribunais não fazem as leis.

Quem faz as leis são as câmaras de vereadores, assembleias legislativas e o Congresso Nacional.

E aí o STF e todos os tribunais julgam as pessoas, os processos, de acordo com o que essas leis determinam.

Agora, imagine que a Justiça brasileira é uma escada.

No primeiro degrau está aquele juiz que fica no fórum, no tribunal perto da sua casa.

No segundo degrau estão os tribunais que ficam nas capitais dos estados, e onde os juízes são chamados de “desembargadores”.

No terceiro degrau estão os tribunais superiores, que ficam em Brasília, e onde os juízes são chamados de “ministros”.

No quarto e último degrau está o nosso STF, que também fica em Brasília, é um tribunal superior, e onde os juízes também são chamados de “ministros”.

Só que como o STF está na parte mais alta da escada, é ele quem bate o martelo, quando as decisões de outros juízes e tribunais desrespeitam os direitos que a Constituição garante pra nós.

Imagine o seguinte: tem um delegado que não vai com a sua cara e, do nada, resolve lhe prender.

Aí o seu advogado vai atrás de tudo que é juiz e tribunal, mas todos eles dizem que o delegado está certo e que você tem mais é que ficar preso.

Sabe quem é que vai lhe socorrer? O STF.

Porque o STF vai dizer: não, negativo, a Constituição diz que um cidadão não pode ser preso desse jeito, só porque deu na telha de alguém. Pra prender um cidadão, tudo tem de estar nos conformes, como manda a Lei.

Mas não são apenas cidadãos vítimas de prisões ilegais que recorrem, se queixam, ao STF.

Governadores, prefeitos, deputados, senadores, Ministério Público, entidades e até o presidente da República também enviam as suas queixas ao STF, sempre que acham que a Constituição está sendo desrespeitada, por alguma lei, decreto ou decisão.

E depois de estudar o caso, os juízes do STF se reúnem num grande salão, chamado plenário, pra decidir se aquela lei, decreto ou decisão está ou não está de acordo com a Constituição.

Se estiver de acordo, continua valendo.

Se não estiver, perde a validade.

Mas então por que é que o Bolsonaro vive atacando o STF, se esse tribunal apenas protege a nossa Constituição?  

É por isto mesmo: porque o STF protege a nossa Constituição.

O problema é que Bolsonaro não quer respeitar nenhuma lei, nem mesmo a Constituição.

Mas o STF diz pra ele mais ou menos assim: Peralá! O senhor é presidente da República, mas é um cidadão. E todos os cidadãos têm, sim, que respeitar a Lei.

Lembra da pandemia de covid?

O Bolsonaro não queria fechar o comércio, não queria fazer nada pra impedir que essa doença se espalhasse.

E queria até mesmo impedir que os governadores e prefeitos fizessem alguma coisa.

Mas o STF decidiu que os prefeitos e governadores podiam, sim, agir contra essa doença.

Podiam, sim, fechar o comércio, tudo aquilo que não fosse serviço essencial, pra impedir que essa doença se espalhasse.

Porque, pela Lei, não é só o Governo Federal, que é chefiado pelo Bolsonaro, que tem poder pra tomar medidas na Saúde: governadores e prefeitos também têm esse poder.  

E se não fossem os governadores, prefeitos e o STF é provável que essa doença tivesse matado três vezes mais brasileiros, do que os 678 mil que já matou.

É por causa dessa defesa corajosa da nossa Constituição, que o STF vem sofrendo uma série de ataques, numa onda de violências como o Brasil nunca viu.

Em 2020, bolsonaristas chegaram a disparar foguetes, fogos de artifício, na direção daquele tribunal, lembrando um bombardeio.

No ano passado, o deputado bolsonarista Daniel Silveira incentivou os seus seguidores, nas redes sociais, a invadir o STF e espancar os juízes.

Na mesma época, as criminosas redes de mentiras (fake news), comandadas por aliados de Bolsonaro, espalhavam calúnias, xingamentos e ameaças contra esses juízes.

E agora, com as eleições já pertinho, voltam as ameaças de invasão do STF, e até contra a vida desses juízes.

Tudo porque Bolsonaro sabe que vai perder pra Lula, como mostram todas as pesquisas.

Por isso, ele quer fraudar as eleições e ameaça até não aceitar o resultado das urnas, a vontade do povo.

Mas, novamente, ele encontra no nosso STF uma grande barreira em defesa da nossa Constituição.

Daí toda essa fúria dele e dos seus fanáticos e arruaceiros.

 

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Se você quiser saber mais sobre o STF veja aqui: https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfInstitucional

E aqui: https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfHistorico

E leia sobre a prisão, no último 22 de julho, do bolsonarista que ameaçou pendurar, “de cabeça para baixo”, os juízes do STF: https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2022/07/bolsonarista-que-ameacou-cacar-lula-e-ministros-do-stf-e-preso/

Aqui, a postagem da Perereca sobre o “perdão” dado por Bolsonaro a Daniel Silveira, que incentivou seguidores a espancar ministros do STF: https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/04/bolsonaro-perdoa-criminoso-condenado.html

E aqui, matéria do G1 sobre os fogos lançados por bolsonaristas contra o STF: https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/06/14/grupo-de-apoiadores-de-bolsonaro-lanca-fogos-de-artificio-contra-o-predio-do-stf.ghtml

quarta-feira, 27 de julho de 2022

O que esperar para 7 de Setembro? Bolsonaristas podem tentar destruir as urnas eletrônicas? E o que é que vamos fazer com Bolsonaro, que não para de tramar contra a Democracia?


 


Bolsonaro é um sujeito perverso, que sempre defendeu a tortura e a matança de adversários.

Para ele, os únicos que importam, além dele mesmo, são os seus familiares mais próximos e as pessoas que lhe são momentaneamente úteis.

É paranoico, imaturo, mitômano, instável, inconfiável.

E agora é, também, um animal acuado, armado e desesperado.

No comando de um exército de militares golpistas, bandidos de todo tipo e cidadãos fanatizados.

Muitos deles dispostos a arriscar até a vida em defesa de seu “mito”, que não terá nenhum pudor em utilizá-los no cometimento de crimes, para salvar o próprio pescoço.

Bolsonaro sabe que vai perder as eleições, e teme ser preso, devido aos crimes que cometeu.

Provavelmente, quando assumiu o governo, ele e os seus militares pretendiam dar um golpe.

Em seus delírios, imaginavam que seriam recebidos, no Brasil e no mundo, como “salvadores da moral e dos bons costumes”.

Mas a resistência das forças democráticas, a derrota de Trump e o repúdio mundial à invasão do Capitólio acabaram lhes mostrando que a realidade seria outra.

Todos os veriam como aquilo que realmente são: uma horda de militares golpistas, bandoleiros, religiosos fundamentalistas e alucinados, sedentos por dizimar pretos, pobres, gays, índios, feministas, e por saquear as riquezas do próprio país.

Um bando de hipócritas desequilibrados, que se imaginam “heroicos cavaleiros”, em uma delirante cruzada em prol do patriarcado.

Assim, com anos de atraso, Bolsonaro e os seus militares constataram o óbvio: se dessem um golpe, não conseguiriam se manter no poder, devido às enormes transformações do jogo das forças políticas, no Brasil e no mundo, nestes 58 anos que nos separam de 1964.

Em semanas ou meses, acabariam sufocados, ou pelas forças leais à Constituição, ou por um bloqueio econômico mundial.

Restou-lhes, portanto, apostar na fraude eleitoral.

Daí terem intensificado os ataques ao STF e ao TSE, para que os ministros deixassem “a boiada passar”.

Afinal, a fraude reduziria, significativamente, a velocidade de resposta, dentro e fora do Brasil, devido ao tempo necessário à comprovação.

Isso lhes permitiria avançar, e muito, em seu projeto ditatorial, alterando leis e corroendo a Democracia.

O problema é que nada do que têm feito lhes dá alguma esperança de que essa fraude se concretize.

O seu lance mais ousado foi a PEC dos Auxílios, que está liberando bilhões à população, às vésperas das eleições, em uma escancarada tentativa de compra de votos.

No entanto, esses brilhantes estrategistas da Terra Plana não consideraram o básico, em seus planos.

Como a reação das oposições, que, previsivelmente, estão mostrando que toda essa “bondade” acaba depois das eleições.

Como a sagacidade da nossa população, já habituada às benesses eleitoreiras, e a reconhecer um “sangue ruim”, como é o caso de Bolsonaro, que a jogou na miséria e no abandono.

Como o fato de que parte dessa ajuda financeira beneficiará categorias que já votam majoritariamente em Bolsonaro (caminhoneiros, taxistas), o que significa um baixo retorno eleitoral.

Todas as análises levam a crer, aliás, que essa PEC não terá grande impacto na tendência apontada em quase todas as pesquisas: a vitória de Lula, talvez já no primeiro turno.

E é possível que tenha sido essa constatação que deixou Bolsonaro ainda mais desesperado, a ponto de cometer a patética reunião com 50 embaixadores.

Nos mais de 45 minutos daquele encontro, a sua única afirmação correta foi: “Eu me sinto até envergonhado deste momento, dado o que está acontecendo no nosso país”. 

Uma frase que todos os brasileiros, com um mínimo de decência e sensatez, repetem todos os dias, desde 2019.

Todo o resto de sua “palestra” foi um festival de mentiras e ataques às urnas eletrônicas.

E, também, aos ministros Édson Fachin, o atual presidente do TSE; Luís Roberto Barroso, o ex-presidente; e Alexandre de Moraes, o presidente que assume no mês que vem.

A impressão que me ficou é que Bolsonaro queria vitimizar-se, para atiçar os seus fanáticos.

Mas, sobretudo, desgastar e pressionar o TSE, para que os seus militares conseguissem acesso à totalidade dos sistemas das urnas eletrônicas. Possivelmente, para tentar inutilizá-las.

O primeiro problema (do ponto de vista dele) é que essas urnas não podem ser conectadas a nenhum tipo de rede, já que não possuem equipamentos para tal.

Além disso, programas não certificados, que se tente introduzir nelas, fazem com que acabem bloqueadas.

Há checagem dos equipamentos, programas e votação, em várias etapas, com boletins de urna, chaves aleatórias, senhas e assinaturas eletrônicas, por exemplo.

Ou seja: invadir tais sistemas, para alterar informações, é quase impossível, mesmo para habilidosos hackers russos, como aqueles que teriam se encontrado com parte da comitiva de Bolsonaro, quando ele esteve na Rússia, em fevereiro deste ano.

Penso que a extrema dificuldade de “emprenhar” as urnas, acabou levando à uma aposta na inutilização.

E se esse raciocínio estiver correto, vai nesse sentido a convocação de Bolsonaro, em 24/07, aos seus fanáticos, para o próximo 7 de Setembro: “Vamos às ruas pela última vez”.

Como Bolsonaro é um sujeito desequilibrado, não se pode descartar que essa frase seja apenas uma manobra para desviar o foco da situação do país, ou até para se manter em evidência.

Uma manobra desastrada, é verdade, já que pode turbinar o voto útil em Lula, ainda no primeiro turno.

No entanto, creio que é bem mais possível que essa frase tenha sido uma "senha", para a utilização dos seus fanáticos em uma invasão do TSE e TREs, para a destruição das urnas eletrônicas.

Ao fim e ao cabo, ele juraria que não teve nada a ver com isso.

E quem pagaria o pato seriam esses fanáticos, que acabariam presos, ou até mortos, em confrontos com as forças de segurança.

É claro que estou apenas especulando. Mas vamos supor que esse raciocínio esteja correto.

Se essa destruição acontecesse, as eleições teriam de ser adiadas.

Ou para um momento mais propício a Bolsonaro, daqui a um ou dois anos; ou por poucos meses, através da adoção do voto impresso, que é facílimo de fraudar.

Mas vamos supor, também, que o TSE e os TREs se prevenissem e as hordas fossem repelidas: o que é que faríamos com Bolsonaro?

O assassinato do petista Marcelo Arruda e o juramento dos fanáticos bolsonaristas, na convenção do PL, de dar a vida pela “liberdade”, indicam que, dificilmente, conseguiremos evitar novos episódios sangrentos, nestas eleições.

Mesmo que a convocação para o 7 de Setembro seja apenas mais uma cortina de fumaça, é forçoso admitir que muitos bolsonaristas são, hoje, verdadeiras bombas prestes a explodir.

E continuam a ter essa agressividade estimulada, todos os dias, seja pelas redes de fake news comandadas pelo "Gabinete do Ódio", seja pelos discursos do presidente.

Então, mesmo que nada aconteça em 7 de Setembro, persiste a pergunta: o que é que vamos fazer com Bolsonaro, nestes meses que nos separam da eleição e posse do novo presidente?

quinta-feira, 14 de julho de 2022

A violência bolsonarista: temos de resistir a esses perversos. Pelo futuro dos nossos filhos. Pelo futuro do Brasil.




No último sábado (09/07), o petista Marcelo Arruda estava em sua festa de aniversário, com amigos e familiares.

O bolsonarista Jorge Guaranho parou o carro na porta do salão de festas e começou a xingar todo mundo de “vagabundo”.

Pediram pra ele que fosse embora.

Mas antes de ir embora, ele prometeu voltar, pra matar todo mundo.

E quando Jorge Guaranho voltou, já foi disparando tiros pra dentro do salão de festas, onde havia adultos e crianças.

Mesmo ferido, Marcelo Arruda, que era guarda municipal, conseguiu balear o bolsonarista.

Se não tivesse conseguido, talvez tivesse ocorrido uma chacina.

Marcelo foi assassinado por um fanático bolsonarista apenas por ser petista.

Segundo testemunhas e vídeos na internet, foi isso o que aconteceu.

O resto é conversa fiada de Bolsonaro e dos bolsonaristas, que tentam confundir você.

Os bolsonaristas não querem que você perceba o quanto eles são violentos e intolerantes.

O perigo que eles representam pra todos nós.

Imagine você, na sua festa de aniversário, comemorando com a sua família e com os seus amigos.

E aí chega um fanático, um criminoso, chamando todo mundo de “vagabundo” e atirando nas pessoas.

Bolsonaro e os seus fanáticos querem aterrorizar, silenciar, destruir todos os seus opositores, pra continuarem no poder.

Para eles é totalmente “normal” cometer todo tipo de crimes.

E ainda têm a cara de pau de dizer que estão lutando pela “liberdade” e pelo “bem”.  

“Liberdade” para agredir?

 “Liberdade” para matar?

“Bem” que assassina um pai de família na frente de seus filhos?

Repare no comportamento dos fanáticos bolsonaristas, nas ruas e nas redes sociais.

Eles xingam todo mundo de “vagabundo” e “vagabunda”.

Eles perseguem, ameaçam e agridem pessoas, inclusive jornalistas e juízes.

Eles não conseguem respeitar quem pensa diferente.

E o que é que Bolsonaro faz?

Você já viu Bolsonaro pedindo que esses fanáticos parem com essa violência?

Que eles parem de ameaçar e agredir os outros, e que respeitem a Democracia?

Pelo contrário: ele facilitou a venda de armas pra esses fanáticos. 

E incentiva o ódio contra as oposições. 

Como quando gritou, na campanha eleitoral de 2018: "Vamos fuzilar a petralhada".

Essa seita violenta precisa ser contida.

Porque se Bolsonaro se reeleger, e ele e os seus fanáticos se tornarem ainda mais poderosos, nada mais os deterá.

Todos os dias teremos casas invadidas, com gente sendo espancada, e até assassinada.

Exatamente como aconteceu na Alemanha nazista.

E não, não será “mera coincidência”.

Como diz o professor Michel Gherman, o bolsonarismo é NAZISTA (https://www.youtube.com/watch?v=ddXjpDOAylc&t=6s).

E se você desconhece os bárbaros crimes cometidos pelos nazistas, quando conseguiram dominar a Alemanha, leia esta matéria aqui: https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/03/voce-sabia-que-os-nazistas-eram-tao.html

Os nazistas assassinavam até bebezinhos e mulheres grávidas, idosos, deficientes físicos e mentais, sufocados com gases venenosos.

Aliás, eles faziam até capas de livros com a pele de prisioneiros assassinados.

Não podemos silenciar.

Não podemos recuar.

Não podemos permitir que esses nazistas continuem no comando do Brasil.

Não podemos permitir que eles se tornem ainda mais poderosos.

O assassinato de Marcelo Arruda, morto a tiros na frente de sua esposa e filhos, em uma festa de aniversário, é um exemplo de até onde pode chegar a perversidade dos nazistas brasileiros.

Mas nós temos de RESISTIR.

E RESISTIR pacificamente, com a força do nosso voto.

Temos de dizer a eles, com a força do nosso voto, que não suportamos mais toda essa intolerância, ódio e perversidade deles.

Temos de dizer a eles que queremos um Brasil de paz, de prosperidade, de esperança, para todos os brasileiros.

Um Brasil que mata a fome, em vez de matar de fome e de doenças a milhões de brasileiros.

Em 2 de outubro, vamos arrancar esses nazistas do poder.

Pelo futuro dos nossos filhos e netos.

Pelo futuro do nosso povo.

Pelo futuro do nosso Brasil.


FUUUUIIIIII!!!!!

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A PEC do Desespero



 

A PEC 1/2022, apelidada de “PEC do Desespero”, é sim uma astuciosa jogada política.

Irresponsável, antidemocrática, inconstitucional, tentativa descarada de compra de votos, capaz de arrebentar com a Responsabilidade Fiscal e com a legislação eleitoral, é verdade.

Mas nem por isso menos astuciosa.

Tanto assim, que emparedou as oposições no Congresso Nacional, obrigando-as a votar a favor dela.

No Senado Federal, o resultado foi acachapante: apenas um senador (José Serra) votou contra.

Mas sem querer passar pano para os senadores oposicionistas, é o caso de se perguntar: como eles poderiam votar contra esse projeto, quando temos 33 milhões de brasileiros passando fome, e os nossos caminhoneiros em pé de guerra?

Além disso, mesmo que votassem contra, essa PEC seria aprovada, já que Bolsonaro e o Centrão detêm a maioria dos votos no Congresso.

Então, penso que foi preciso respirar fundo e engolir essa “coisa”, para evitar maiores prejuízos.

Porque o foco é derrotar Bolsonaro e eleger Lula, junto com o maior número possível de deputados e senadores oposicionistas, a fim de garantir-lhe condições de governabilidade.

E se as oposições perderem o foco, Lula talvez nem consiga se eleger ou acabar o seu mandato. E aí, teremos décadas e décadas de autoritarismo, destruição do Brasil e matança do nosso povo.

Por isso, também é preciso muito cuidado com as reações contra essa PEC.

Reagir com o fígado pode acabar queimando os deputados e senadores oposicionistas, ou até inflando o “Serrismo”, uma das paixões dos grandes veículos de comunicação, banqueiros, empresários&afins, sempre em busca de uma “terceira via”.

Além disso, reações impensadas podem acabar contribuindo para emparedar, também, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde 2019, o STF e o TSE estão sitiados pelo bolsonarismo.

E o que eles menos precisam, nos próximos meses, é da ira da população mais pobre e dos caminhoneiros, e de um embate com o Congresso, cujo resultado pode ser desmoralizante para esses tribunais.

Afinal, se esse caso chegar ao TSE e ao STF, eles só terão três alternativas: colocar essa PEC em banho-maria, até depois das eleições; referendá-la e, por conseguinte, à toda a violência que ela representa contra a Constituição, a legislação eleitoral e a responsabilidade fiscal; e restabelecer o império da Lei.

Todas as alternativas são péssimas. Mas a última, que pode despertar a ira de grande parte da população e levar a um embate com o Congresso, talvez seja o ganho colateral pretendido pelo bolsonarismo e pelo Centrão.

É verdade que essa PEC foi como um soco no estômago das oposições, já que ela cria um vale-tudo eleitoral, incluindo uma escancarada tentativa de compra de votos, como creio que nunca vimos, desde a redemocratização.

Mas de nada adianta ficar chorando em alguma sarjeta.

Quando tudo isso acabar, abra uma grade de cerveja e chore copiosamente, ao som do “Garçom”, por tudo o que Brasil teve de engolir, para ganhar esta eleição.

Até lá, é preciso reagir, e reagir como um exército muito bem treinado, por todas as eleições já enfrentadas até aqui.

É preciso mostrar à população que essa PEC é só para Bolsonaro tentar ganhar a eleição. É esse o ponto principal.

Afinal, tudo acaba em dezembro. E se ele conseguir se reeleger, serão mais quatro anos de fome e de abandono.

Esse tipo de esclarecimento não é nenhuma novidade ou mistério para os oposicionistas.

E para reforçar esse trabalho, há até o fato de que Bolsonaro e o Centrão nunca fizeram nada pela população mais pobre e pelos caminhoneiros, apesar do enorme aumento dos combustíveis e da quantidade de gente na “fila do osso”, e até catando restos de comida em carros de lixo.

Mas é preciso é explicar toda essa história com palavras que a população domina, e não em economês e juridiquês.

Vale sempre lembrar os números do TSE: em 2020, 43,11% do eleitorado brasileiro possuía, no máximo, o fundamental completo.

Eram 6,572 milhões de analfabetos (4,44%); 11,574 milhões de pessoas que apenas liam e escreviam (7,82%); 35,771 milhões com o fundamental incompleto (24,18%); e 9,859 milhões com o fundamental completo (6,67%).

Fora outros 22,9 milhões (15,48% do eleitorado) que possuíam o ensino médio incompleto.

São pessoas que tiveram de largar os estudos para trabalhar e para criar os filhos.

Fora de sua área de trabalho e de seu cotidiano, elas possuem, é claro, um universo de palavras e de conhecimentos muito limitado.

Então, o esforço de comunicação tem de ser, principalmente, das oposições, com formatos de comunicação e linguagem bem simples.

Essas pessoas serão o principal alvo do bolsonarismo e de suas redes de fake news, na tentativa de virar esta eleição.

E se as oposições perderem a batalha da comunicação, aí sim o bicho vai pegar...

Acredito que os professores, principalmente os que atuam no ensino fundamental, podem ter um papel extraordinário nessa batalha.

E que é preciso apostar, cada vez mais, em vídeos e postagens com ilustrações, fotografias e pouquíssimo texto, porque, em geral, bem mais eficazes.

Muitos vídeos que circulam na internet são muito bons.

Outros, porém, pecam porque não trazem um título, uma pergunta forte e chamativa, para despertar a curiosidade das pessoas, ou até porque o autor se utiliza de palavras difíceis, ou busca abordar tanta coisa, que acaba em um emaranhado.

É verdade que a “PEC do Desespero” pode melhorar a situação eleitoral de Bolsonaro.

Já tínhamos os bilhões distribuídos aos parlamentares do Centrão, via emendas do relator, para as campanhas eleitorais deles.

Agora, teremos mais de R$ 41 bilhões para uma tentativa de compra de votos, na cara dura.

Tudo isso pode empurrar a eleição para o segundo turno.

E, no segundo turno, fazer com que Lula vença Bolsonaro por uma reduzida diferença de votos.

Tais hipóteses são ruins, já que ajudariam a turbinar os questionamentos bolsonaristas, acerca das eleições.

No pior dos cenários, a PEC do Desespero, os bilhões liberados para o Centrão e outras medidas que ainda virão, podem até levar à reeleição de Bolsonaro e à eleição de um Congresso ainda pior do que o de hoje, se é que isso é possível, sem a ressurreição das múmias do Egito...

No entanto, pelo que já li, parece-me bem mais possível que essa PEC acabe se revelando um tiro no pé.

Isso porque os gastos com ela ultrapassarão o limite (o “teto”) das despesas do Governo Federal para este ano, sem que se saiba ao certo de onde virá o dinheiro para esse gasto extra.

É um fato que gera desconfiança entre empresários, banqueiros, investidores.

Daí que o dólar tende a subir. E, com ele, os combustíveis, a inflação, a comida etc...

Ou seja: os efeitos perversos de toda essa armação podem é acabar empurrando ladeira abaixo as candidaturas de Bolsonaro e de seus parças do Centrão.

Então, é importante não morrer de véspera, que nem peru: não ficar entrando em pânico, a cada nova armação desse pessoal.

Já disse aqui várias vezes: Bolsonaro não vai dar golpe, simplesmente porque não há condições objetivas para isso. Se houvesse, já teria dado.

O que ele quer é fraudar as eleições, e vai fazer de tudo para isso.

Ele e os seus parças têm a máquina na mão.

E o poder da máquina pública, especialmente a federal, é semelhante ao do Império, em Guerra nas Estrelas: ameaça, compra, subjuga, prende, arrebenta.

Assim, é preciso estar espiritualmente preparado para o que ainda vem por aí.

Não dá para ficar imaginando, por causa dos resultados das pesquisas eleitorais, que esta eleição será fácil.

Pelo contrário: será é dramática até o fim.

Mas também não se pode desanimar: as oposições têm condições, sim, de vencer esta eleição.

E acredito, sim, que vencerão.

Contra a máquina, contra todo o dinheiro, contra todas as ameaças, contra todas as armações e maracutaias.

Mas para isso é preciso ser ágil: estar sempre pronto a contra-atacar, em vez de sentar e chorar.

Espelhe-se no Lula, esse senhor de cabeça já branquinha, que enfrentou tantas perdas, tantos perigos, mas que além de nunca desistir, é rápido e certeiro no contra-ataque.

Ou, em último caso, siga o conselho do combativo companheiro Alckmin: respire fundo, abra as janelas e deixe entrar a luz.

FUUUIIII!!!!