terça-feira, 28 de junho de 2022

Não, minion, essa dor não vai passar...




Sabe, minion, você pode acabar com todos os gays e feministas do mundo.

Mas nada disso mudará um centímetro da sua vida.

Você continuará mergulhado nessa amargura infinita.

Você continuará se arrastando por esses dias longos e sem sentido, dolorosamente iguais.

O problema é que você resolveu procurar a culpa pela sua dor no lugar errado.

Ou melhor: você resolveu se esconder em um mundo de fantasias e enchê-lo de espantalhos, para ter a quem culpar.

É cômodo, não é?, dizer que não conseguimos o “reconhecimento” a que temos direito, por culpa daquela feminista ou daquele gay.

É fácil, não é?, gritar por aí que o passado é que era bom, porque, hoje em dia, os gays e as mulheres já não sabem “o seu lugar”.

É bom, não é minion?, viver de certa forma a vida dessas pessoas: andar sempre a vigiá-las, saber o que dizem, o que fazem, o que pensam.

E até xingá-las, ofendê-las, feri-las, vê-las também a sentir dor...

Enquanto bem lá no fundo da alma, lá onde ninguém enxerga, a gente tenta sufocar toda a admiração que sente por elas.

Ah, quem dera se pudéssemos trocar de lugar com elas!...

Quem dera se pudéssemos ser aquela mulher independente, que não dá satisfações a ninguém, e que ainda por cima tem todo aquele corpão!...

Quem dera, se pudéssemos ser aquele gay tão de bem com a vida, que apesar de todos os preconceitos é tão admirado e feliz!...

Quem dera, se pudéssemos ser aquelas princesas e príncipes encantados, que lutam contra dragões, bruxas e encantamentos, e realizam todos os sonhos do mundo!

Quem dera se, num passe de mágica, pudéssemos deixar de ser quem realmente somos: velhos, tristes, desiludidos e com todo esse pavor de olhar para dentro de nós!...

Onde foi que nos perdemos de nós mesmos, minion?...

Quando foi que decidimos nos conformar com esse vazio; com essa vida que não tem nada a ver com a vida que imaginamos para nós?...

Lembra, minion, quando você era jovem e sonhava em ser um grande engenheiro, médico, advogado, artista, empresário?

Ou até uma esposa e mãe extraordinária, ao lado de um marido amoroso, que fizesse você se sentir a mais maravilhosa mulher do mundo?

Lembra que você passava horas imaginando como seria a sua vida? 

O orgulho dos seus pais, da sua mulher, do seu marido, dos seus filhos.

As homenagens que receberia, a aprovação e a admiração dos seus vizinhos e amigos, por tudo aquilo que você conseguiu conquistar.

Lembra quando você encontrou aquele amor de novela?

Lembra que você passava horas imaginando como seria quando estivessem velhinhos, cercados de netos, os cabelos branquinhos, mas com os olhos ainda a refletir todo aquele sentimento, tão vasto quanto o mar?

Mas e hoje, minion?

Cadê as homenagens que você achou que receberia?

Cadê a admiração dos seus filhos?

Cadê os seus amigos, minion?

Cadê aquele amor tão imenso que você sentiu, e que também sentiram por você?

Não, você não vai encontrar respostas na vida dos gays e das feministas, que você tanto gosta de espiar.

Eles não têm nada a ver com essa coisa horrível em que a sua vida se transformou.

Eles não têm nada a ver com toda essa amargura e com todo esse ódio que tomaram conta de você.

Eles são apenas os espantalhos que você arranjou, para não ter de encarar a raiva que sente de você mesmo e dessa sua vida sem sentido.

Não, minion, não há como fazer o mundo voltar ao passado.

Não há como fazer desaparecer um casamento infeliz, um trabalho que a gente odeia, as derrotas ou as perdas que sofremos ao longo da vida.

Tudo isso ficará em nós para sempre, com as marcas que deixaram em nosso coração.

E se a gente quiser recomeçar, é o hoje, o presente, que tem de ser o ponto de partida.

E toda essa nova jornada, em busca daquilo que a gente quer, acontecerá no mundo real, e não nesse mundo de fantasias em que você se fechou.

Porque não há reza, oração, "meditação quântica", “Ratanabá” ou palavra mágica que faça a realidade desaparecer.

E mesmo que você insista em sonhar para sempre, a realidade ao seu redor e esse vazio em seu peito continuarão exatamente iguais.

Sabe, minion, vou lhe contar um segredo: o mundo sempre foi o mesmo, nas cavernas, na Idade Média, ou no Século 21.

Sempre cheio de ameaças, perigos, proibições, desaprovações, e forças que a gente não consegue controlar.

E o que faz a diferença é o quanto a gente luta para conseguir o que realmente quer.

É isso que faz com que cada uma das nossas conquistas tenha um sabor sem igual.

É isso o que nos torna tão especiais aos olhos de nós mesmos.

É isso o que faz com que nos respeitemos, em vez de vivermos à espera do reconhecimento ou da aprovação dos outros.

Não há outra saída, minion.

Ou você enfrenta a realidade e luta pelo que deseja, ou continuará se arrastando com toda essa dor.

Liberte-se dessas mentiras do WhatsApp: são elas que estão lhe impedindo de enxergar a realidade e se livrar de toda essa amargura.

Acorde, minion!

Tenha coragem, acredite em você!

Lute, minion, lute pela sua felicidade, antes que seja tarde demais.

FUUUIIIII!!!!!

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Bolsonaro prepara armadilha para o povo brasileiro: queda dos preços dos combustíveis à custa do ICMS vai gerar buraco bilionário nas contas dos estados e municípios. Saúde e Educação serão prejudicadas: só o Fundeb perderá R$ 19 bilhões. Manobra eleitoreira não evitará novos aumentos: verdadeiros culpados da alta dos combustíveis são o PPI da Petrobras e a desvalorização do real. Lucro da Petrobras aumentou 3.718%. Entre 2016 e o ano passado, inflação foi de 17,7%, mas gasolina subiu 73%, e o gás, 192%, nas refinarias. Em 2021, acionistas da Petrobras lucraram R$ 101 bilhões. Buraco nas contas dos estados e municípios terá de ser tapado com dinheiro de impostos e vai explodir no colo do próximo presidente.




Bolsonaro e o Centrão preparam uma armadilha para o povo brasileiro: a redução dos preços dos combustíveis à custa da diminuição do ICMS, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que é a principal fonte de recursos dos estados e municípios.

Tudo para tentar melhorar a situação eleitoral do atual presidente da República, já que todas as pesquisas indicam que ele será derrotado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, talvez já no primeiro turno das eleições, em 2 de outubro.

A artimanha custará caro à população, principalmente a mais pobre: a súbita perda do dinheiro do ICMS provocará um rombo bilionário nos orçamentos dos estados e municípios, já a partir deste ano.

Com isso, haverá menos dinheiro para a Saúde, a Educação e a Segurança, por exemplo, que irão piorar ainda mais.

Só o Fundeb, que é o fundo que financia a educação básica das escolas públicas, poderá perder mais de R$ 19 bilhões.

Mas, com a artimanha, Bolsonaro e o Centrão esperam conseguir uma diminuição dos combustíveis até as eleições, para convencer os eleitores de que a culpa da alta de preços é dos governadores e do ICMS.

Depois das eleições, seja o que o diabo quiser.

O problema é que essa manobra eleitoreira tem tudo para não funcionar, além de criar uma bomba que explodirá no colo do próximo presidente.

Economistas fizeram as contas e descobriram que a redução do ICMS dos combustíveis para 17%, como querem Bolsonaro e o Centrão, diminuirá o preço da gasolina em uns poucos centavos (veja adiante).

Além disso, mesmo que se cortem todos os impostos dos combustíveis, a tendência é que eles continuem a subir.

Isso porque Bolsonaro se recusa a mexer nos verdadeiros culpados pelo problema: o Preço de Paridade Internacional (PPI) e a política de desvalorização do real.

O PPI foi adotado pela Petrobras em outubro de 2016, pelo então presidente da República, Michel Temer, pouco depois do golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff.

Com o PPI, a Petrobras passou a reajustar os preços dos combustíveis, nas suas refinarias aqui no Brasil, de acordo com o preço do petróleo no mercado internacional, onde o comércio é feito em dólares.

Assim, sempre que os preços sobem lá fora, sobem também aqui.

A coisa toda piorou com a política econômica de Bolsonaro, que levou à forte desvalorização do real em relação ao dólar.

Um fato que beneficia, por exemplo, os milionários do agronegócio, que estão entre os principais apoiadores do presidente, e passaram a exportar mais, já que os seus produtos ficaram mais baratos para outros países.

O resultado é que se vê: alta dos combustíveis, aumento da inflação, empobrecimento da população.

E tudo isso apesar de o Brasil ser um grande produtor mundial de petróleo; de os custos de produção da Petrobras terem até caído; e de ela ser uma empresa estatal, que deveria ter uma finalidade social, como sempre ocorreu desde a sua criação, em 1953.

O PPI e a desvalorização do real trazem lucros impressionantes para os acionistas da Petrobras.

O maior desses acionistas é o próprio Governo Federal, comandado por Bolsonaro.

É ele que indica o presidente da empresa e poderia, se quisesse, até acabar com o PPI (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2022/05/12/bolsonaro-poder-petrobras.htm).

No entanto, ele não fez e nem fará isso, já que entre os acionistas da Petrobras também estão milionários e bilionários, do Brasil e do exterior.


Acionistas da Petrobras lucraram R$ 101 bilhões, em 2021


No ano passado, enquanto a população brasileira sofria com a alta dos combustíveis, a Petrobras anunciava um lucro de R$ 106 bilhões, o maior de sua história.

Desse total, R$ 101 bilhões foram entregues aos seus acionistas Aqui: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/petrobras-eleva-pagamento-de-dividendos-a-acionistas-em-2021-total-passa-de-r-101-bilhoes/ 

E aqui: https://www.brasildefato.com.br/2022/05/06/bancos-aplaudem-e-petrobras-reafirma-compromisso-com-gasolina-cara-e-lucro-alto 

Já no primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido da empresa bateu novo recorde: R$ 44,5 bilhões.

Um lucro 3.718% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado.

As suas receitas líquidas com a venda de óleo diesel cresceram 54,5%; com a venda de gasolina, 75,3%; com o gás de cozinha, 23%; com querosene de aviação, 122,3%, também em relação ao primeiro trimestre de 2021.

Os dividendos que ela distribuiu os acionistas foram de R$ 48,5 bilhões (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/05/petrobras-lucra-r-445-bi-e-anuncia-r-485-bi-em-dividendos.shtml ).

Veja o Relatório de Desempenho da empresa: https://drive.google.com/file/d/1qFOOAQdAUrMxi3KsfNFyF1OFl5CUEbLL/view?usp=sharing

“O foco da Petrobrás hoje é gerar e distribuir valor, principalmente para acionistas privados. Mais de 45% são investidores estrangeiros, com ações da Petrobrás nas bolsas de São Paulo e de Nova Iorque”, diz Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, a Federação Única dos Petroleiros.

“Os gestores da empresa socializam os investimentos e privatizam os lucros. Quem paga os dividendos para os grandes fundos de investimentos nacionais e internacionais é o povo brasileiro” (https://www.cut.org.br/noticias/petrobras-registra-novo-superlucro-e-acionistas-vao-embolsar-mais-r-48-bilhoes-0291).

Segundo Nota Técnica do DIEESE, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, a gasolina subiu 73,3%, nas refinarias da Petrobras; o diesel subiu 54,8%, e o gás de cozinha, 192%, entre outubro de 2016, quando ela adotou o PPI, e 2 de março do ano passado.

No mesmo período, a inflação foi de apenas 17,7%.

Mais: em 2019, o Brasil se tornou o 10º produtor mundial de petróleo e o seu parque de refino era o 9º do mundo.

Para completar, o custo de produção, nas refinarias da Petrobrás, caiu 31%, entre 2016 e 2020.

Leia a íntegra da Nota: https://drive.google.com/file/d/1BVXZW-tshB5UzdlymIcsnST9hXk2pYA0/view?usp=sharing


Bolsonaro recorre ao Centrão e ataca cofres estaduais


Mas para não mexer nos lucros bilionários da Petrobras, Bolsonaro resolveu atacar os cofres estaduais e municipais.

No último 25 de maio, com o apoio do Centrão, ele conseguiu que a Câmara dos Deputados aprovasse um projeto de lei limitando em 17% o ICMS dos combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transportes coletivos.

Agora, o projeto se encontra no Senado Federal, onde deverá ser votado na próxima segunda-feira (13/06), e a tendência é que seja aprovado também.

O problema é que a redução do ICMS vai provocar uma queda de preços muito pequena e temporária.

Segundo o Instituto Combustível Legal e analistas ouvidos pela rede de TV CNN, a maior queda do litro da gasolina será de R$ 1,15, no estado do Rio do Janeiro.

As outras maiores reduções ocorrerão nos estados de Minas Gerais (R$ 0,94), Piauí (R$ 0,91), Rio Grande do Sul (R$ 0,86) e Goiás (R$ 0,85). Em São Paulo, ela será de apenas 48 centavos (https://www.cnnbrasil.com.br/business/teto-do-icms-reducao-na-gasolina-pode-chegar-a-r-115-por-litro-dizem-economistas/).

O próprio autor do projeto, o deputado federal Danilo Forte, do partido União Brasil, disse à imprensa que estima uma queda de 9% a 12%, no preço da gasolina, e de 11% no preço da energia.

Mas isso, é claro, se as empresas baixarem seus preços nos mesmos percentuais, coisa em que ninguém acredita.

Até porque os governadores congelaram o ICMS, em novembro do ano passado, e mesmo assim os preços dos combustíveis continuaram subindo.

Assim, os bilhões de reais de arrecadação que os estados e municípios já perderam com esse congelamento, e que deveriam ter beneficiado toda a população, acabaram, aparentemente, nas mãos de uns poucos.

“O ICMS sobre o óleo diesel está congelado desde novembro do ano passado, quando o combustível estava custando R$ 4,90, e hoje já está R$ 7,00. Essa diferença foi para o bolso de quem? O consumidor se beneficiou? Claro que não”, disse o governador da Bahia, Rui Costa, no último dia 8, durante reunião entre os governadores e senadores (https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/06/08/combustiveis-governadores-resistem-ao-plp-18-e-negociacoes-sobre-icms-continuam).

Além disso, basta um novo aumento de preços, nas refinarias da Petrobras, em decorrência do PPI e da desvalorização do real, para que os combustíveis voltem a subir.


Perda do Fundeb pode chegar a R$ 19 bilhões


Mas o pior é que a súbita redução do ICMS para 17% será devastadora para os estados e municípios, e para a população em geral.

A perda de recursos, para os estados e municípios, poderá ser de até R$ 83,5 bilhões por ano, diz o Comsefaz, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (https://comsefaz.org.br/novo/index.php/2022/05/26/camara-aprova-projeto-devastador-para-as-financas-de-estados-e-municipios/).

Se isso ocorrer, alerta a ONG “Todos Pela Educação”, o Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, perderá até R$ 19,2 bilhões, ainda neste ano.

Com isso, os municípios que mais dependem do Fundeb poderão enfrentar dificuldades para tocar obras em andamento, operacionalizar o transporte escolar, e até mesmo para “honrar” os salários dos trabalhadores da Educação.

“Comparativamente, R$ 19 bilhões é mais do que a União destinou para a complementação da União ao Fundeb em 2021 e é praticamente cinco vezes o valor do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para 2022”, diz a nota da ONG (https://drive.google.com/file/d/10yW5quDRKVFJlvb5Txv7OJvdlNGiEXSm/view?usp=sharing).

No Pará, a previsão é que os 144 municípios amarguem uma redução de quase R$ 1,2 bilhão de ICMS, até 2024, segundo um levantamento da CNM, a Confederação Nacional dos Municípios (https://drive.google.com/file/d/1ianzEYzHCPp_brcN-z4Q4nRsPK5KBEBL/view?usp=sharing).

No Governo do Estado, o cálculo é de uma perda de até R$ 1,760 bilhão, em seis meses, e de R$ 2,759 bilhões, em um ano, o que levará à redução de recursos da Saúde e da Educação, e também dos repasses a outros poderes, como o Judiciário e a Defensoria Pública, com impactos nos serviços à população mais vulnerável.

Segundo um documento publicado há poucos dias pela Fecombustíveis, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, hoje a menor alíquota de ICMS da gasolina tipo C é de 23%, no estado do Mato Grosso.

Acre, Amapá, Amazonas, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo cobram 25%.

Rondônia cobra 26%; Espírito Santo e Distrito Federal, 27%.

Bahia e Pará, 28%

Alagoas, Ceará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins, 29%

Goiás e Mato Grosso do Sul, 30%; e o Maranhão, 30,5%.

Minas Gerais e Piauí, 31%

A maior alíquota, de 34%, é cobrada pelo estado do Rio de Janeiro, onde é esperada a única queda de preços acima de 1 real por litro, apenas em se tratando de ICMS (https://drive.google.com/file/d/1F1NvI99gRjPSJ4fbwkfvKM4_LoQWfWcz/view?usp=sharing).


Governo Federal tem R$ 4,8 trilhões. Todos os estados, somados, R$ 1,120 trilhão


São os municípios que cuidam de praças, iluminação pública, limpeza das ruas, ensino básico, UPAs, prontos socorros.

Já os governos estaduais tratam do saneamento, fornecimento de água, segurança pública, atendimento hospitalar, ensino médio e até universitário, construção e manutenção de estradas estaduais, por exemplo.

Mesmo assim, é o Governo Federal quem abocanha a maioria dos impostos recolhidos da população.

Só para este ano, o orçamento do Governo Federal supera R$ 4,8 trilhões.

Já os orçamentos de todos os 27 estados e Distrito Federal somam cerca de R$ 1,120 trilhão.

A disparidade de recursos obriga a que os estados recorram ao Governo Federal, sempre que enfrentam graves dificuldades financeiras.

E o que se comenta, nos bastidores políticos, é que um dos objetivos dessa redução do ICMS é fazer com que os governadores tenham de recorrer a Bolsonaro, que assim poderia tentar negociar o apoio deles à sua reeleição.

Afinal, como disse à CNN o economista Alexandre Schwartsman, tudo o que os estados poderão fazer para compensar tais perdas é “basicamente, sentar na sarjeta e chorar”.

Segundo Schwartsman, as perdas de ICMS praticamente eliminarão o superávit dos estados, gerando uma situação “absolutamente devastadora”.

Além disso, não resolverão a alta dos combustíveis, “que não tem rigorosamente nada a ver com o ICMS”.

Para ele, tudo o que se vai conseguir com essa redução tributária é “ferrar” as contas dos estados e “provocar um desastre, e um desastre que não será daqui a 5 anos, mas que nos espera já no ano que vem” (https://www.youtube.com/watch?v=cgcb2hsc0hM).


Uma bomba para o próximo presidente


Um dos grandes problemas dessa perda de recursos é que ela ocorrerá no meio do ano e distante da elaboração do próximo PPA, o Plano Plurianual.

Por força de Lei, o Poder Público tem de obedecer a um planejamento de seus gastos.

Um dos principais instrumentos desse planejamento é o PPA, que define os objetivos para os próximos quatro anos, e como é que eles serão alcançados.

O PPA traz até mesmo uma estimativa, ano a ano, do crescimento da arrecadação e das despesas.

E é com base nesse plano que os estados e municípios fazem os seus orçamentos anuais: eles pegam a estimativa dos recursos que terão para aquele ano e distribuem pelos diversos setores, programas e ações em que deverão ser gastos.

A redução do ICMS, no meio de um ano e distante do próximo PPA, pega esse bonde andando e o obriga a desacelerar, ou até mesmo a parar.

Até porque grande parte dos orçamentos dos estados e municípios são feitos de recursos que não podem ser tirados daqui e colocados ali, como a gente faz em casa.

Há as chamadas “verbas carimbadas”, que têm de ser gastas em um determinado setor, como é o caso do dinheiro do Fundeb.

Outro tanto se destina a pagamentos que não dá para dar calote. E, às vezes, nem para adiar.

É o caso dos salários dos servidores públicos e do pagamento dos fornecedores de materiais para os hospitais, por exemplo.

É o caso das dívidas milionárias que os estados e municípios já possuem, e que, se não pagarem, acabarão em uma espécie de SPC/Serasa federal, ficando sem empréstimos para as obras que estão realizando, ou que pretendem realizar, já que estão previstas no PPA.

Assim, a súbita perda de recursos pode obrigar a cortes do “custeio”, que são as despesas para o funcionamento da máquina pública: luz, água, combustíveis, materiais para os postos de saúde, por exemplo.

Pode obrigar até mesmo a demissões.

Pode obrigar, ainda, ao corte dos investimentos: em geral, obras de construção civil, que aquecem a economia e geram milhares de empregos.

Ainda pior, porém, é se nem esses cortes resolverem o problema e a redução do ICMS provocar, como diz Schwartsman, a “eliminação do superávit” dos estados.

Porque isso significa que vários deles se tornarão deficitários, ou ainda mais deficitários.

Em outras palavras: os estados e municípios que já possuem menos dinheiro do que as despesas que têm, ou seja, que são deficitários, poderão acabar em situação desesperadora.

Já os estados e municípios que têm mais dinheiro do que aquilo que gastam, poderão acabar deficitários.

Os rombos nos orçamentos, de Norte a Sul do Brasil, obrigarão o Governo Federal a arranjar dinheiro público, dinheiro de impostos, para repassar aos estados e municípios, que, sem isso, não terão como pagar as suas contas.

Só que há um problema: o Governo Federal também já é deficitário. E se resolver “imprimir dinheiro”, acabará alimentando a inflação.

É uma bomba impressionante, que vai explodir no colo do próximo presidente da República.

E tudo para não mexer nos lucros bilionários dos acionistas da Petrobras, e ainda "fazer média" junto ao eleitor.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Não vai ter golpe. E se tiver não se sustenta. O maior perigo é a tentativa de Bolsonaro de fraudar as eleições.




 Jurei a mim mesma que não voltaria a esse assunto.

Mas uma série de artigos alarmistas me obrigam a isso.

Então, vamos combinar: não, não vai ter golpe. E, se houver, não se sustenta.

Simplesmente porque não existem condições objetivas para isso.

As pessoas falam em golpe como se tudo se resumisse a colocar uns tanques fumacentos nas ruas, para tentar fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Parece até que estamos em um paraíso dos sonhos golpistas, onde os militares colocam os tanques nas ruas e todo mundo fica só olhando, tipo colunista social apreciando o “styling” da milicada...

Pior: tais pessoas parecem não compreender que tão importante quanto dar um golpe é mantê-lo, sustentá-lo, diante das reações internas e externas.

Ora, se até a Rússia, que é uma superpotência militar, está tendo dificuldades para sustentar a invasão da Ucrânia, imaginem o que aconteceria se esses militares neonazistas dessem um golpe, no Brasil.

Será que alguém realmente acredita que a América Latina, os Estados Unidos e a Europa ficariam quietinhos?

A Rússia tem um gigante econômico ao lado dela, que é a China.

E mesmo assim, a Rússia está balançando, devido a esse bloqueio econômico mundial.

Então, imaginem o que aconteceria com o Brasil, diante de um bloqueio semelhante.

Creio que o nosso complexo de vira-lata é que dificulta enxergar a importância estratégica deste país para o mundo, e até para o futuro da Humanidade.

Nós não temos “apenas” um enorme território.

Somos gigantescos, também, em termos populacionais e, principalmente, em termos de reservas florestais e minerais.

Como, então, imaginar uma indiferença mundial diante de um golpe neonazista, nesta que também é uma das maiores democracias do mundo?

Mas não há “apenas” obstáculos internacionais a um golpe: os obstáculos internos são enormes também.

Bolsonaro e os seus militares “viagrados” não contam com o apoio do STF, da imprensa, dos governadores, do Senado Federal, e da maioria da população.

Os golpistas enfrentam resistência também na Câmara dos Deputados, e até mesmo em parte das Forças Armadas e das nossas polícias. 

É que até parte do Centrão e setores das Forças Armadas e das polícias já perceberam que Bolsonaro é um sujeito inconfiável, perverso, paranoico e com a maturidade de uma criança de 5 anos.

Ou seja: até alguns que gostariam de apoiá-lo, já entenderam o risco de se tornarem as suas próximas vítimas.

É verdade que ele possui uma bandidagem muito bem armada: militares neonazistas, milicianos, grileiros, garimpeiros que estupram meninas indígenas e destroem rios e florestas; criminosos fantasiados de empresários, contrabandistas de minérios e de madeira, “pastores” que lavam dinheiro para o crime organizado, e por aí vai.

Bem vistas as coisas, ele inaugurou a “República da Bandidagem”.

Tudo com “cidadãos de bem”; tudo com gente da “melhor qualidade”...

Mas, apesar de bem armados, é muito improvável que esses criminosos conseguissem prevalecer, diante das multidões que tomariam as ruas e das forças da Legalidade.

E ainda que conseguissem, acabariam estrangulados, em pouquíssimo tempo, por um bloqueio econômico mundial.

Na verdade, o que Bolsonaro está tentando, neste momento, não é um golpe: ele ainda se encontra no Plano A, que é a tentativa de fraudar as eleições, o que tornaria mais lentas e complicadas as reações internas e externas.

Porque até você provar que houve fraude e convencer meio mundo de que essa fraude foi suficiente para interferir no resultado das eleições, ele já terá avançado, e muito, na corrosão da nossa Democracia.

Ora, ele comprou o Centrão, blindando-se contra um impeachment.

Mas não esperava que fosse preciso muito mais do que um cabo e um soldado, para dobrar o Judiciário e garantir a sua permanência no poder, para além de 2022.

Foi isso que o levou, e aos seus sectários e militares “viagrados”, a “sitiar” o STF e o TSE com crescentes ameaças, para que os ministros daqueles tribunais deixem a manada passar.

O que Bolsonaro quer é que as suas redes de fake news ajam livremente; que os bolsonaristas ameacem e agridam as oposições e os eleitores à vontade; que a sua propaganda eleitoral utilize toda sorte de ilegalidades (recursos públicos, agentes públicos, comícios em igrejas, contribuições empresariais), sem que nada lhe aconteça.

Quer que os seus correligionários possam comprar, com dinheiro público, equipamentos para espionar as oposições; que os seus aliados-raiz e do Centrão desviem verbas públicas, para campanha eleitoral e compra de votos, sem que sejam incomodados.

Ou seja, o que Bolsonaro quer é que os ministros do STF e do TSE, que são humanos e podem acabar temendo por suas vidas, fechem os olhos para os crimes que ele e os seus militares já cometeram, e que ainda pretendem cometer, para concretizar uma grande fraude eleitoral.

Por isso, em vez de ficarmos nos angustiando com a possibilidade distante de um golpe, precisamos é nos concentrar na possibilidade bem mais factível e imediata, que é a tentativa de fraude eleitoral, pelo bolsonarismo.

Precisamos apoiar o STF e o TSE, porque se Bolsonaro conseguir passar por cima deles, aí a coisa toda ficará, realmente, muito feia.

Uma iniciativa muito importante aconteceu, há poucos dias, quando um grupo de senadores resolveu se articular, para apoiar o STF e o TSE.

Mas é preciso que as entidades civis também se organizem, para fazer o mesmo.

E que a gente também compartilhe mensagens de apoio ao STF, ao TSE, à Democracia e às eleições.

Igualmente urgente é que realizemos um trabalho de formiguinha, mas também articulado, para resolver essa parada logo no primeiro turno.

Porque, em um eventual segundo turno, eles saberão exatamente onde perderam e por que perderam, já que terão mapeado os resultados do primeiro turno.

E aí, com essas informações em mãos, partirão para o tudo ou nada, derramando ainda mais dinheiro, aumentando as ameaças contra as oposições e os eleitores das áreas mais pobres, inundando ainda mais as redes sociais com fake news e, quem sabe, até inviabilizando o funcionamento de seções eleitorais que registraram maiores quantidades de votos oposicionistas.

No entanto, não podemos ficar apenas no combate à ameaça de fraude: temos de continuar batendo na fome, na inflação, no desemprego, no preço da gasolina, no sofrimento do nosso povo.

Precisamos fixar no eleitorado que o responsável por tudo isso é, sim, Bolsonaro (e é urgente um bordão para isso), ao mesmo tempo em que também fixamos que Lula é a nossa única esperança de recuperar aquele Brasil infinitamente mais feliz, que um dia tivemos.

Notem que Bolsonaro está tentando desesperadamente se livrar da responsabilidade pelo desastre econômico de seu governo, e que isso pode estar “colando” fora da bolha dos minions, como aconteceu com a pandemia.

Ao mesmo tempo, ele já até admite, publicamente, que os mais pobres viviam melhor no tempo de Lula, mas atribuindo tal fato a meras diferenças conjunturais.

Isso sinaliza que ele vai apelar cada vez mais para o tatibitati, o senso comum, o que é preocupante, já que vivemos em um país onde quase 64 milhões de eleitores (mais de 43% do eleitorado) possuíam, em 2020, no máximo, o primeiro grau completo.  

Tudo isso vai exigir que a gente “mastigue”, cada vez mais, as explicações dos nossos principais problemas econômicos.

Porque as imprescindíveis comparações entre os dois governos só farão efeito se, de fato, forem compreendidas, internalizadas.

Já deu para perceber que não temos tempo a perder, agora, com esse negócio de golpe, não é?

Então, vamos nos concentrar nas muitas frentes, bem mais urgentes, nas quais precisamos lutar.


FUUUUIIIIII!!!!!

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Você viu um vídeo em que o seu candidato diz que é “adorador de satanás” ou “a favor da pedofilia”? Cuidado, é deepfake! Vídeos feitos com avançadas técnicas de computador, para enganar você.


 

Você é fã de um político.

Mas aí, você vê um vídeo, ou ouve uma gravação, no WhatsApp, Telegram ou Facebook, em que ele diz coisas revoltantes.

Por exemplo: que é “a favor da pedofilia” ou “adorador de satanás”.

Cuidado: desconfie do que está vendo e não passe adiante esse vídeo.

A imagem e a voz são do político, mas tudo não passa de uma grande falsificação feita em computador.

Sabe aqueles aplicativos dos smartphones, que trocam a cara e a voz de um famoso, pela sua cara e voz?

A técnica é a mesma.

Ela é chamada de “deepfake”, uma expressão inglesa que pode ser traduzida como “mentiras profundas”.

Só que os vídeos e áudios políticos, feitos com deepfake, têm uma aparência muito mais verdadeira, para que consigam enganar o eleitor.  

Funciona assim: o falsificador pega um computador “poderoso” e coloca nele um monte de vídeos daquele político. Ou várias gravações da voz daquele político, se pretende criar apenas um áudio.

Aí, pega um programa de deepfake, para manipular, ou seja, “mexer”, nessas imagens de vídeo ou gravações de voz.

Um programa é uma espécie de “pacote de instruções”, para que um computador faça determinadas coisas.

Tá ligado no Word, que você usa para escrever seus trabalhos da escola, um hino da igreja, ou o seu currículo?

Pois é: o Word é um programa que “diz” ao computador como escrever tudo isso.

Os programas de deepfake examinam todo o rosto do político, que está nas imagens colocadas no computador: o formato, a cor, os movimentos de seus olhos, a maneira como ele movimenta a boca.

Também examinam a maneira como ele fala.

Tudo para imitá-lo com perfeição.

Aí, o falsificador grava um vídeo, no computador, falando as coisas que ele quer botar na boca do político. Faz até os gestos que ele quer que o político apareça fazendo.

E sabe o que é que vai acontecer?

O programa de deepfake vai criar uma imagem do político, vestido com as roupas dele, e repetindo com a voz e o corpo dele, tudo aquilo que o falsificador falou e fez naquele vídeo que gravou.

É como se o deepfake trocasse o rosto, corpo, roupa e voz do falsificador, pelo rosto, corpo, roupa e voz do político.

Se for preciso, dá até para fazer correções, para que tudo fique tão perfeito que até a mãe do político vai achar que é ele.

E aí o vídeo falso é espalhado nas redes sociais.

Há gente que usa deepfake apenas para fazer vídeos de humor.

É o caso do jornalista Bruno Sartori, que fez aquele vídeo com os rostos e as vozes de Lula e Bolsonaro, nos corpos das atrizes da novela “A Usurpadora”: https://www.youtube.com/watch?v=H9iB1Jzq8Ac

E é o Bruno quem mostra como um áudio falso pode enganar direitinho as “tias do zap”, ou seja, aquelas senhoras que acreditam em tudo que é notícia falsa (as chamadas “fake news”), que elas recebem no WhatsApp e Telegram.

Veja o áudio falso da ex-presidenta Dilma Rousseff, que o Bruno fez com deepfake e mandou para a tia dele: https://www.youtube.com/watch?v=EUz9E-geuz8

Por incrível que pareça, com deepfake dá até para “ressuscitar” pessoas.

Em 2019, um museu da Flórida, nos Estados Unidos criou, com deepfake, mais de 100 vídeos do pintor espanhol Salvador Dali, que morreu em 1989.

Os vídeos foram espalhados em várias áreas do museu e, segundo reportagens na internet, dava até para “bater papo” com o pintor: https://www.youtube.com/watch?v=faKicQeLHuo

Isso acontece porque as técnicas de deepfake usam “inteligência artificial”, que é quando a máquina aprende e toma decisões, com base nas informações que recebeu.

Sabe quando você faz uma pesquisa no Google e ele lhe sugere um monte de sites? Ou quando um aplicativo do seu smartphone mostra o caminho que você deve seguir, para chegar a um lugar?

Tudo isso usa inteligência artificial, como vários outros programas que a gente utiliza no dia a dia.  

Acho que já deu para entender que deepfake, quando usada para o mal, pode ser muito, mas muito perigosa, já que engana direitinho as pessoas.

Até porque a gente costuma acreditar em vídeos e áudios, não é?

Além disso, boa parte da nossa população não sabe o que é deepfake.

Tudo isso é ainda mais preocupante porque já existe, no Brasil, uma grande fábrica de notícias falsas, que espalha mentiras, nas redes sociais, contra a Democracia, as eleições e os adversários do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a Polícia Federal teria até descoberto, em 2020, que um dos cabeças dessa fábrica criminosa de notícias falsas é um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro:  https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/pf-identifica-carlos-bolsonaro-como-articulador-em-esquema-criminoso-de-fake-news.shtml

Ou seja: é bem possível que a campanha eleitoral deste ano seja inundada por vídeos e áudios falsos, produzidos com deepfake.

Então, fique esperto, para não ser enganado.

Veja, nesta reportagem da TV Cultura de São Paulo, como se defender desses áudios e vídeos falsos: https://www.youtube.com/watch?v=uSSTPSWg8Jk

E veja também este vídeo muito bom, de 2020, da Justiça Eleitoral, sobre deepfake: https://www.youtube.com/watch?v=K_FNhNIM9JY

E aqui, um vídeo de 2019, do Gilmar Lopes, do E-Farsas, com 8 dicas para identificar notícias falsas: https://www.youtube.com/watch?v=ep6BabAPOwU

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Uma seita perigosa: violência bolsonarista atinge vários estados e inclui até assassinato. Padre de 82 anos é agredido verbalmente e tem de entrar em programa de proteção. Homem é atropelado e quebra a perna, depois de empurrado contra um carro. Casal com camisas vermelhas leva chutes e socos. Ministros do STF são ameaçados de espancamento. Agressões contra jornalistas batem recordes. Mesmo assim, os bolsonaristas dizem defender a “liberdade” e a Constituição. É esse o Brasil que você quer deixar para os seus filhos?




Nos últimos três anos, os bolsonaristas têm espalhado uma grande mentira, para enganar os brasileiros.

Todos os dias, eles afirmam, nas redes sociais, que defendem a “liberdade de opinião” e a Constituição.

Só que os fatos mostram o contrário: parte deles são pessoas intolerantes, e até mesmo violentas, que agridem qualquer um, por qualquer coisa: um esbarrão, um simples comentário, uma camiseta vermelha.  

A Perereca da Vizinha separou 12 casos de violências bolsonaristas, para exemplificar essa agressividade, em geral contra a liberdade dos outros, o que é uma afronta à Constituição.

Na escolha dos casos, dei preferência àqueles noticiados por veículos de comunicação conhecidos, e já sob o governo de Bolsonaro. Apenas 1 deles, por ser o mais grave de todos até hoje, é de 2018, época da eleição.

A lista não inclui as agressões a jornalistas, nem as ofensas e ameaças, nas redes sociais, contra jornalistas, magistrados, artistas, políticos e cidadãos geral, por apoiadores do presidente.

E isso por um motivo simples: elas são tantas e cotidianas, que precisariam de várias postagens como esta.

Segundo um Relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), foram mais de mil agressões contra veículos de comunicação e jornalistas, entre 2019 e o ano passado, emplacando recordes na série histórica, iniciada na década de 1990.

Em 2019, no primeiro ano do governo de Bolsonaro, as 208 agressões representaram 54% a mais do que no ano anterior. Já em 2020, esse número saltou para 428 agressões e, no ano passado, fechou em 430.

O maior agressor é o próprio Bolsonaro, que descredibiliza os veículos de comunicação e já xingou jornalistas de “canalha”, “quadrúpede”, “picareta” e “idiota”, além de mandá-los “calar a boca”.

Com tal comportamento de seu líder, o resultado não poderia ser outro: bolsonaristas transformaram os jornalistas em um de seus alvos preferenciais.

Em maio de 2020, por exemplo, o fotógrafo Dida Sampaio, do jornal Estado de São Paulo, foi jogado no chão e levou chutes e socos, quando cobria uma manifestação bolsonarista, em Brasília. Fotógrafos que tentavam defendê-lo, foram empurrados. Jornalistas de outros veículos de comunicação foram insultados:https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,profissionais-do-estadao-sao-agredidos-com-chutes-murros-e-empurroes-por-apoiadores-de-bolsonaro,70003290864.

Em 12 de outubro do ano passado, o cinegrafista Leandro Matozo, da Globo News, cobria as festividades de Nossa Senhora de Aparecida, às proximidades da Basílica, no interior do estado de São Paulo, quando foi agredido por um bolsonarista com uma cabeçada no rosto, o que provocou sangramentonasal: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/10/4955045-se-eu-pudesse-mataria-voces-bolsonarista-agride-cinegrafista-em-aparecida.html.

Acesse o Relatório da Fenaj, que relata as agressões do ano passado contra jornalistas e veículos de comunicação: https://fenaj.org.br/

E depois de ler esta postagem, pergunte a si mesmo: É esse o Brasil que eu quero deixar para os meus filhos? 



Os 12 casos listados pelo blog:

 

1-Em 2020, no estado do Rio Grande do Sul, bolsonaristas agrediram quatro pessoas, entre elas uma mulher e um homem que estavam com camisas vermelhas e passavam perto de uma manifestação. 

Veja aqui: https://sul21.com.br/ta-na-rede/2020/04/bolsonaristas-agridem-ao-menos-quatro-pessoas-em-ato-pro-golpe-em-porto-alegre/

Aqui: https://revistaforum.com.br/brasil/2020/4/19/video-bolsonarista-agride-mulher-com-soco-no-rosto-pontapes-durante-manifestao-no-rs-73301.html

E aqui: https://www.youtube.com/watch?v=c6uLslawBEY


2-No ano passado, eles agrediram verbalmente um padre, de 82 anos, no estado do Ceará, e chegaram a invadir uma missa, por discordarem de seus sermões. A perseguição foi tanta, que o padre Lino Allegri teve de entrar no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, e a polícia montou um esquema de segurança, às proximidades da igreja.

Veja aqui: https://www.msnoticias.com.br/editorias/politica-mato-grosso-sul/bolsonaristas-agridem-padre-de-82-anos-programa-de-protecao-defendera/124967/.

E aqui: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/07/20/a-violencia-verbal-era-muito-pesada-diz-padre-hostilizado-por-dizer-mensagem-contra-o-presidente-em-fortaleza.ghtml


3-Em agosto do ano passado, no estado do Rio de Janeiro, o economista Eduardo Debaco, de 49 anos, foi atropelado, quebrou a perna e teve de passar por uma cirurgia, depois que um bolsonarista o empurrou contra um carro. Tudo porque Debaco comentou que o bolsonarista estava sem máscara.

Veja aqui: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2021/08/25/video-mostra-briga-com-homem-atropelado-no-rj-vitima-acusa-bolsonarista.htm

E aqui: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/08/01/homem-diz-ter-sido-agredido-e-empurrado-contra-um-carro-por-manifestante-bolsonarista-em-ipanema.ghtml


4- Ainda no ano passado, em Brasília, eles xingaram e empurraram o servidor público aposentado Anamin Lopes Silva, que também teria sido agredido com chutes e socos. Tudo porque Anamin teria criticado o governo. Ele e jornalistas tiveram de se abrigar no prédio do Ministério da Saúde, que acabou alvo de uma tentativa de invasão, por bolsonaristas:

Aqui: https://www.metropoles.com/brasil/homem-perseguido-por-bolsonaristas-na-esplanada-relata-agressoes

E aqui: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/09/bolsonaristas-tentam-invadir-ministerio-da-saude-em-brasilia.shtml


5-Em fevereiro do ano passado, no Rio de Janeiro, bolsonaristas bateram em um homem que usava muleta (Edson Rosa, de 50 anos), porque ele carregava uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Édson ainda tentou fugir, mas foi chutado e jogado no chão. Um dos bolsonaristas chegou até a lhe aplicar uma gravata: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/apoiadores-de-silveira-agridem-manifestante-com-placa-de-marielle-em-frente-a-pf/


6-Em junho do ano passado, no Rio Grande do Sul, um bolsonarista agrediu manifestantes, e tentou até mesmo bater em uma mulher. Tudo porque eles exibiam faixas contrárias ao presidente da República: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2021-06-21/apoiador-de-bolsonaro-agride-manifestantes-no-rio-grande-do-sul-video.html


7-Em outubro do ano passado, também no Rio Grande do Sul, bolsonaristas invadiram a Câmara Municipal de Porto Alegre e agrediram vereadores, em uma manifestação contra a obrigatoriedade do passaporte da vacina. Um deles exibiu até um cartaz com um símbolo do nazismo, o regime mais perverso da História da Humanidade, que matou 6 milhões de judeus, incluindo bebezinhos, grávidas e deficientes físicos e mentais:

Veja aqui, sobre a invasão da Câmara: https://catracalivre.com.br/cidadania/ostentando-suastica-bolsonaristas-agridem-vereadores-de-porto-alegre/

E também aqui: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/10/20/manifestante-antivacina-expoe-cartaz-com-suastica-na-camara-de-porto-alegre.htm

E aqui, para saber mais sobre o nazismo e os laços entre o bolsonarismo e os novos nazistas: https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/03/voce-sabia-que-os-nazistas-eram-tao.html


8-Em novembro do ano passado, no estado de Minas Gerais, um bolsonarista agrediu integrantes do movimento negro, porque eles distribuíam panfletos convocando para uma manifestação contra Bolsonaro. Um dos rapazes, de 19 anos, recebeu um soco e um chute e teve o celular destruído, ao tentar filmar o agressor: https://bhaz.com.br/noticias/bh/bolsonarista-agride-integrantes-de-movimento-negro-no-centro-de-bh/#gref


9- Também no ano passado, no mês de setembro, uma bolsonarista agrediu duas vendedoras de roupas, no Rio de Janeiro. Tudo porque elas vendiam camisetas com os rostos de Lula e Marielle Franco, além de panos de chão com o rosto de Bolsonaro. A bolsonarista chutou produtos expostos na barraca e teria chegado a dizer: “Vocês tinham que morrer de fome, tinha que quebrar isso tudo”: https://oglobo.globo.com/politica/vendedora-detalha-agressao-de-bolsonarista-que-reagiu-com-violencia-camisetas-com-imagens-de-lula-marielle-pano-de-chao-com-cara-de-bolsonaro-25210778


10- Em maio de 2020, bolsonaristas agrediram enfermeiros, que homenageavam os colegas que haviam morrido na pandemia. Um dos agressores, que teria até cuspido no rosto de um dos enfermeiros, seria evangélico e, na época, funcionário fantasma do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. 

Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=k0zAQre2Yps

Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=xk18JOxFCuI

E aqui: https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2020/05/05/interna_nacional,1144446/bolsonarista-agrediu-enfermeira-e-do-ministerio-dos-direitos-humanos.shtml


11-Também em 2020, no mês de março, no estado de São Paulo, bolsonaristas agrediram com socos e chutes um homem que passava perto de uma manifestação. Tudo porque teria  esbarrado em um deles. Uma pessoa também teria sido baleada, durante a manifestação: https://ponte.org/em-protesto-por-bolsonaro-em-sp-uma-pessoa-e-baleada-e-outra-agredida/


12-Mas a violência bolsonarista começou ainda em 2018, antes da eleição de Bolsonaro à Presidência. O caso de maior repercussão foi o assassinato, em outubro daquele ano, no estado da Bahia, do mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, o “Moa do Katendê”.

Ele era eleitor do PT e foi morto, com 12 facadas nas costas, por Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, apoiador de Bolsonaro. Ambos estavam em um bar e acabaram discutindo, por causa de suas posições políticas. Paulo Sérgio foi, então, até a sua casa, onde pegou um facão, para assassinar o capoeirista. Em 2019, ele foi condenado a 22 anos de prisão.

Aqui: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2018/10/17/investigacao-policial-conclui-que-morte-de-moa-do-katende-foi-motivada-por-briga-politica-inquerito-foi-enviado-ao-mp.ghtml

E aqui: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/11/21/acusado-de-matar-moa-do-katende-a-facadas-apos-discussao-por-politica-na-bahia-e-condenado.ghtml 



Defesa da liberdade? Mas quando!


Então, é o caso de perguntar: você acha que pessoas assim realmente defendem a “liberdade” e a Constituição?

Na verdade, os bolsonaristas usam a palavra “liberdade”, para defender crimes.

O que eles querem é ofender, ameaçar e agredir as pessoas, sem que nada lhes aconteça.

É um tipo de violência política que nunca vimos, nessas proporções, na história recente do Brasil.

E o objetivo é claro: intimidar os outros, para que todos façam apenas o que eles querem e consideram o “certo”.

É verdade que nem todos os bolsonaristas são assim: vários deles são apenas cidadãos desinformados, ou até que sofreram uma espécie de lavagem cerebral, através das redes bolsonaristas de notícias falsas.

Mas também é verdade que muitos deles são, de fato, violentos.

O exemplo mais famoso é o deputado “bombadão” Daniel Silveira, que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a quase 9 anos de prisão (https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/04/stf-lava-alma-do-brasil-e-decide.html), e que Bolsonaro safou da cadeia, através de um perdão especial, chamado graça.

Em vídeos na internet, Silveira chegou a incentivar os seus seguidores a invadir o STF e espancar os ministros daquele tribunal.

Também pediu o fechamento do STF, a instituição responsável pela defesa da Constituição. 

E até que o governo decretasse um novo AI-5, o ato institucional que empurrou o Brasil para a fase mais repressiva da ditadura militar de 1964.

A Constituição garante, a todos os cidadãos, o direito às liberdades democráticas. 

Mas essas liberdades têm limites: elas terminam onde começam os direitos dos outros. 

Ameaçar e agredir pessoas porque pensam diferente de você, e até defender uma ditadura, para impor aos outros aquilo que você pensa, não é liberdade democrática: é autoritarismo. E crime, também. 

E é essa diferença que os bolsonaristas se recusam a entender.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Bolsonaro perdoa criminoso condenado pelo STF e se torna avalista de violências contra os ministros daquele tribunal.



Imagine, caro leitor, se um bandido dissesse para uma gangue invadir a sua casa e lhe encher de porrada.

E aí, você chamava a polícia e o bandido ia preso.

Mas, ao chegar na delegacia, o delegado resolvia “perdoar” aquele sujeito, porque era amigo dele.

Você não acha que esse delegado também seria responsável, se aquela gangue acabasse invadindo a sua casa, para lhe espancar?

Pois foi mais ou menos isso o que Bolsonaro fez, ao “perdoar” o criminoso condenado Daniel Silveira, deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

No último dia 20 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Ou seja, o tempo inteiro na cadeia, sem botar a cara na rua.

E por quê?

Porque Silveira havia espalhado vídeos na internet, defendendo várias medidas ilegais, criminosas, para impedir o livre funcionamento daquele tribunal.

Ele chegou a incentivar que os seus seguidores invadissem o STF e espancassem os juízes (que lá são chamados de “ministros”).

Defendeu, também, que os juízes fossem "destituídos", ou seja, botados pra fora, através de decretos iguais aos da ditadura militar. 

E até que o tribunal fosse fechado pelos militares.

Tudo porque ele queria amedrontar, coagir, os juízes do STF, onde ele é investigado, por causa de vários crimes que teria cometido.

Ou seja: Silveira NÃO foi condenado por causa de suas “opiniões”, como espalham por aí os mentirosos bolsonaristas, através das suas redes de notícias falsas.

Silveira foi condenado porque cometeu crimes.

Crimes, principalmente, contra a Democracia e a Constituição, já que elas não podem ser respeitadas, cumpridas, sem o livre funcionamento do Judiciário, que é quem faz cumprir as leis.

A Democracia e a Constituição nos garantem a Liberdade Democrática, que é o direito de viver como quisermos, de dizer o que pensamos, de lutar contra injustiças e por uma vida melhor, por exemplo.

Mas essa Liberdade, esse direito, tem limites: vai apenas até onde começa a Liberdade, o direito, das outras pessoas.

Mais ou menos como os limites do terreno de uma casa.

Porque se não existissem limites, até o ladrão poderia alegar que tem o “direito”, a “liberdade”, de lhe roubar, não é?

Liberdade Democrática é uma coisa.

Já perseguir, ameaçar e agredir não é Liberdade Democrática: é crime.

Mas é essa “liberdade” para cometer crimes que os bolsonaristas defendem. 

E mentem dizendo que estão defendendo  a “liberdade de opinião” deles.

O que eles querem é ofender, caluniar, agredir, ameaçar todo mundo, sem que nada lhes aconteça.

E o maior exemplo disso é o que fez Bolsonaro, após a condenação de Silveira.

No começo da noite de ontem, 21 de abril, menos de 24 horas depois que o STF condenou Silveira, Bolsonaro fez um decreto dando um perdão especial, chamado “graça”, a esse deputado, que é seu amigo e defensor.

Tenho 42 anos de Jornalismo e nunca ouvi falar de um presidente da República que “perdoasse” um criminoso que estivesse ameaçando juízes do STF.

É um fato muito, muito grave, já que transforma o presidente em uma espécie de avalista das ameaças e violências contra aquele tribunal e aqueles juízes.

É quase como se ele dissesse: “vão lá, façam lá, que eu garanto que vocês não serão punidos”.

E isso é uma afronta, um desrespeito, à Democracia e à Constituição.

Como é que um presidente pode usar do seu cargo para proteger um criminoso condenado, só porque é seu amigo?

E, ainda por cima, colocando em risco a segurança dos juízes daquele tribunal onde esse criminoso é investigado?

No decreto em que perdoa o seu amigo, Bolsonaro alega, entre outras coisas, que deu esse perdão a Silveira por causa da “liberdade de expressão”.

Ou seja, por causa do direito que a gente tem de dizer a nossa opinião sobre isto ou aquilo, o que de fato é fundamental para a Democracia.

Mas aí eu pergunto: e se alguém espalhasse vídeos na internet, incentivando as pessoas a espancar Bolsonaro e os filhos dele, será que ele ainda acharia que isso é “liberdade de expressão”?

E quanto a você, leitor: e se alguém andasse por aí tentando convencer os seus vizinhos a lhe espancar, você acharia que isso é “liberdade de expressão”?

É claro que isso não é “liberdade de expressão”: isso é crime.

Parece até coisa de traficante ou de miliciano, que ameaça juízes e policiais, para escapar da cadeia.

Mas é um sujeito assim que Bolsonaro se apressa a socorrer.

E até tenta enganar você, dizendo que é por causa da “liberdade de expressão”.

Quando a verdade é que ele fez isso para agradar a fuleiragem bolsonarista que o segue.

E, também, porque ele está furioso com o STF, que é quem está barrando o seu projeto de fraudar as eleições, acabar com a Democracia e se tornar um ditador.


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Veja a postagem do blog sobre o julgamento do STF que condenou Silveira: 

https://pererecadavizinha.blogspot.com/2022/04/stf-lava-alma-do-brasil-e-decide.html