sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Basta de salvadores da pátria de araque!



 

Em 2018, mais de 57 milhões de brasileiros votaram em um “salvador da pátria” de araque, crentes de que ele resolveria todos os nossos problemas.

Resultado: gás de cozinha a 100 reais. Gasolina a 7 reais. 14 milhões de desempregados. Milhões de brasileiros passando fome. Gente disputando osso de boi, carcaça de frango e até revirando caminhão de lixo, para ter o que comer.

Daria para falar dias e dias sobre toda a desgraça provocada por Bolsonaro e a sua nuvem de gafanhotos, que assaltam os cofres públicos de maneira como nunca vimos neste país.

Uma gente tão perversa que foi capaz de atrasar a compra de vacinas, para realizar maracutaias bilionárias, enquanto milhares de brasileiros morriam de covid.

Vimos esses sujeitos queimando florestas, assassinando animais.

Vimos essa gente maligna acabando com o Bolsa Família e colocando no lugar um auxílio eleitoreiro, que só vai durar até o ano que vem.

Vimos essa gente ruim que nem a peste retirando os nossos direitos trabalhistas e destruindo a Educação e a Ciência.

Vimos esse “salvador da pátria” de araque destruindo até o futuro dos nossos filhos e netos, que não terão emprego. Ou, quando conseguirem emprego, será em regime de semiescravidão, com salários miseráveis e sem contrato de trabalho.

Mas, acima de tudo, vimos mais de 600 mil irmãos brasileiros morrendo de forma horrível, sufocando, e sem poderem receber nem mesmo um enterro digno, enquanto Bolsonaro até caçoava de todo esse sofrimento.

Já são quase três anos de destruição do Brasil e de matança do povo brasileiro.

Uma longa e tenebrosa noite, que nenhum de nós jamais esquecerá.

E agora, enquanto ainda choramos tantos mortos, eis que surge outro “salvador da pátria” de araque, também prometendo acabar com todos os nossos problemas: o ex-juiz Sérgio Moro.

Um ex-juiz sem qualquer compromisso nem com a Justiça, nem com o Brasil.

O juiz que comandou a operação Lava-Jato, que quebrou as nossas grandes empresas de construção civil, levando ao desemprego milhões de trabalhadores, e jogando o Brasil num pesadelo que parece não ter fim.

Um juiz que depois foi trabalhar em um escritório de advogados, lá nos Estados Unidos, para ajudar as empresas que ele mesmo havia quebrado!

Mal comparando, é como se um operário, na calada da noite, destruísse todo o seu pátio, e no dia seguinte viesse lhe oferecer os serviços dele!

Um ex-juiz que condenou tanta gente inocente. E em condenações tão injustas, tão sem provas, que estão sendo anuladas, jogadas no lixo, pelo Judiciário.

Imagine se você é acusado de alguma coisa e tem o azar de pegar um juiz assim. Imagine o seu desespero, sabendo que é inocente, mas que mesmo assim ele vai lhe condenar...

E depois de tudo isso, Sérgio Moro ainda tem a cara de pau de dizer que está preocupado com o Brasil, que ele mesmo ajudou a destruir.

Não, não há diferença alguma entre Moro e Bolsonaro.

Bolsonaro se elegeu prometendo combater a corrupção, e muitos caíram no papo-furado dele.

E isso apesar de Bolsonaro ter quase que uma vida inteira “dedicada” à corrupção, com o seu esquema de “rachadinhas”, que nada mais são do que o roubo de dinheiro público, através de funcionários fantasmas.

Moro também promete combater a corrupção.

Mas ele foi trabalhar para ajudar empresas que ele mesmo havia acusado de corrupção.

Ele usou funcionários públicos e dinheiro público para perseguir e condenar inocentes.

Ele usou funcionários públicos e dinheiro público para satisfazer interesses pessoais.

Como que alguém que age assim é honesto?

Como que alguém que age assim vai combater a corrupção?

Espero que você tenha aprendido a lição, com esse “salvador da pátria” de araque, que é Bolsonaro.

Espero que todo o povo brasileiro pare de acreditar nesses perversos, com as suas falsas promessas, que só servem para que consigam se eleger.

Eles estão se lixando se morremos de doença e de fome.

Eles estão se lixando se não temos emprego, se não temos comida, e se os nossos filhos e netos não terão futuro.

Nós não precisamos de “salvadores da pátria”: é em mim e em você, é em cada um de nós, que está a força para transformar este país.

Médicos, enfermeiros, professores, advogados, jornalistas, artistas, garis, policiais, trabalhadores em geral, e até pequenos e grandes empresários, que dão o sangue por suas empresas, todos nós, juntos, é que construiremos o Brasil que sempre sonhamos.

Um Brasil onde as pessoas não tenham de revirar o lixo, para ter o que comer.

Um Brasil que proteja e eduque as nossas crianças.

Um Brasil que reprima a violência contra mulheres, negros, gays, índios e todo e qualquer ser humano.

Uma pátria verdadeiramente amada, que proteja as nossas florestas, os nossos animais, as nossas riquezas, as nossas indústrias, a nossa ciência, as nossas religiões.

Uma pátria verdadeiramente amada, que respeite toda a nossa extraordinária diversidade: de povos, de “raças”, de tradições, de costumes, de crenças, de opiniões.

Basta de “salvadores da pátria”! Chega!

Quem nós precisamos como líder da grande reconstrução do Brasil é alguém que já tenha provado o seu compromisso com este país.

É alguém que já tenha conseguido unir os irmãos brasileiros em uma grande corrente de solidariedade, para combater a miséria e colocar dinheiro no bolso de cada cidadão.

É alguém que já tenha nos ajudado a construir uma época de prosperidade, como nunca vimos antes neste país.

Eu sei quem é esse líder, e você sabe também.

É aquele cidadão que teve a vida inteira revirada por tudo que é jornalista, por tudo que é policial e Ministério Público.

E que mesmo não tendo sido encontrado nada contra ele, foi jogado numa prisão. Tudo porque cometeu o “crime” de ajudar a construir um Brasil mais desenvolvido, mais solidário e mais humano.

É aquele cidadão, que apesar de todas as injustiças e de todas as perdas que sofreu, nunca desistiu de lutar.

É aquele cidadão que em vez de ficar com promessa, com papo furado, FAZ ACONTECER.

Porque é igualzinho a mim e a você: sabe o que é suar a camisa, sabe o que é trabalhar, para cavar o pão de cada dia.

Juntos, unidos, com ele a nos liderar, tiramos milhões de irmãos brasileiros da miséria, colocamos milhões de crianças na escola, milhões de jovens nas universidades. Ajudamos a que milhares de cidadãos realizassem o sonho de abrir uma empresa, para melhorar de vida.

E agora, novamente com a liderança dele, vamos reconstruir este país.

Vamos resgatar o Brasil de toda essa desgraça, de toda essa destruição, provocada por Jair Bolsonaro e Sérgio Moro.

Nós, cidadãos, junto com esse grande líder, já fizemos isto acontecer uma vez: já realizamos sonhos que pareciam impossíveis.

E agora, mais uma vez unidos, mais uma vez com a liderança dele, vamos novamente realizar o que parece impossível, e transformar a história deste país.

FUUUIIIII!!!!

sábado, 6 de novembro de 2021

Marília Mendonça e a intolerância



 

Confesso que não conhecia Marília Mendonça.

E o “confesso” é preocupante.

Eis que soa a mim mesma como se tivesse cometido algum pecado ou crime.

No entanto, a escolha do verbo foi proposital: ele tem sido usado por várias pessoas que dizem o mesmo que acabei de dizer.

Mas nem esse verbo, com um implícito pedido de desculpas, tem evitado os ataques àqueles que “ousam” dizer que desconheciam Marília Mendonça, ou que não gostam das músicas dela.

Quem “confessa” tais “heresias” é chamado de “metido a sabichão” ou “a inteligentezinho”.

Enfim, um “intelectualzinho” preconceituoso, por seu “desprezo” à cultura popular.

Esse interdito ao diferente tem nome: é intolerância.

Talvez decorrente destes tempos que estamos a viver; talvez inerente ao gregarismo humano.

Afinal, todos somos macacos.

E os nossos primos mais próximos, os chimpanzés, costumam se espalhar em círculo, de forma a que todos possam ver, ao vivo e em cores, o que todos estão a fazer.

Sim, é possível que esse controle social faça parte de nossa essência, assim como a fuxicada que dele, em geral, decorre.

Tenho todo o direito de desconhecer Marília Mendonça, ou até de não gostar da música dela, assim como você tem todo o direito de conhecer e de gostar.

Gostos são como a pele, que a gente mostra por aí todos os dias, quando sai às ruas, mas que continua sendo nossa, e só nossa.

O fato de alguém “confessar” que não sabe quem foi essa moça, ou que não gosta da arte dela, não faz desse alguém um ser “desprezível”, um “exibicionista” que se pretende “superior aos demais”.

É apenas uma questão de gosto – e só!

Você pode adorar aquele filé que postou no Face, acompanhado de uma saladinha.

O outro pode gostar só da saladinha, porque é vegano.

Já eu posso gostar de uma pratada de espaguete à bolonhesa, com feijão preto e um ovo estrelado por cima.

E aí?

O que é que isso depõe contra mim, ou até lhe afeta, se o meu paladar é diferente do seu?

Mas aí você pode dizer: ah, mas você é uma despirocada!

E eu serei forçada a lhe responder: mano, todo ser humano é um despirocado!

A “despirocação” é o resultado necessário desse embate cotidiano e perpétuo entre os instintos, a consciência de si e a cultura.

E a suposta “normalidade” é que esconde muitas vezes aberrações, como é o caso dos psicopatas.

Muitos são considerados cidadãos exemplares, por seu comportamento condizente com o padrão comunitário, até que se descobre o que eles andam realmente a fazer.

É verdade que há intelectuais que desprezam o brega, por exemplo, pela forte carga emocional que ele possui.

Mas isso muitas vezes decorre dessa falsa oposição, dessa falsa relação de excludência, entre razão e emoção.

Hoje a Ciência já sabe que a “racionalidade” precisa desesperadamente da emoção; do bom funcionamento das áreas cerebrais responsáveis pelo processamento das emoções.

Ambas, razão e emoção, têm de trabalhar juntas.

E é a interação entre elas a gerar aquilo que reconhecemos como humano.

No entanto, a existência de tal preconceito não me autoriza a proclamar que qualquer intelectual ou que qualquer pessoa que não goste de sertanejo, brega ou de “sofrência” está sendo preconceituoso, um sujeito “de nariz empinado”.

Perdoe-me, mas esse é um raciocínio tosco. E intolerante. E que também revela a busca de aprovação dos seus gostos pelas demais pessoas.

Nossos gostos iniciais vêm da família e de outros grupos sociais bem próximos de nós.

E talvez por isso mesmo eles possuam uma forte carga emocional, que nos acompanhará pelo resto da vida.

Mas conforme crescemos, esses gostos vão mudando, pela formação, pela diversificação de grupos sociais, e até mesmo com a chegada da maturidade e da velhice.

E eles muitas vezes são tão voláteis, que mudam até com a ocasião ou com o nosso estado de espírito.

Eu mesma, quando bebia, tinha uma espécie de tara: precisava, desesperadamente, ouvir o Reginaldo Rossi...

Tomei muito porre ao som do “Garçom”!...

Hoje, como não bebo mais, a tara desapareceu.

Fiquei, é claro, um pouco melhor por parar de beber: menos despirocada e diz que um pouco mais “lúcida”...

Mas ouvir ou não ouvir o Reginaldo não me tornou nem melhor, nem pior.

Era um gosto, apenas. E não uma traço de personalidade.

Então, pense duas vezes antes de sair por aí, nas redes sociais, xingando ou depreciando as pessoas apenas por terem gostos diferentes dos seus.

É claro que a música, a poesia, a literatura, as artes de um modo geral, exercem sobre nós um encantamento que só as relações afetivas, com nossos parceiros, filhos, amigos, conseguem também exercer.

Mas isso, em vez de nos colocar em pé de guerra, deveria era ser um motivo a mais para nos tornarmos mais tolerantes.

Afinal, o encantamento que sentimos por isto ou aquilo é o mesmíssimo que o outro também sente por aquilo de que gosta.

E a sua sensação do “não-gostar” é a mesmíssima que o outro sente também.

Respeite o outro: o gosto, a opinião, o espaço, a vida do outro!

Você não é única pessoa inteligente e com direitos neste mundo.

E nem o outro é uma extensão ou uma propriedade sua.

Queria também deixar aqui o meu lamento pela morte da Marília Mendonça.

Não por sua música, que, como já disse, desconheço.

Mas pelo fato de ser uma menina de 26 anos, com idade de ser minha filha, que se foi de maneira tão brusca e prematura.

Lamento por seu filhinho, ao que li, com apenas dois aninhos, que crescerá sem o carinho de sua mãe.

E lamento, sobretudo, pela mãe da Marília, cuja dor, neste momento e pelo resto da vida, é a pior que qualquer ser humano pode sentir...

Tenho certeza de que Deus recebeu essa menina em Sua luz.

E peço que Ele conforte todos aqueles que tanto a amavam.

E que Console os milhões de fãs que viram na história e na música de Marília uma inspiração para as suas próprias vidas.

FUUUIIIII!!!! 

 

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Esta postagem foi corrigida, já que uma leitora do blog me alertou, no Face, que Marília deixou um filhinho, e não uma filhinha como eu havia escrito. Peço  perdão aos leitores pelo equívoco.