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Perereca pede licença aos leitores para retirar o benefício da dúvida que concedeu ao Diário do Pará e ao repórter Ismael Machado, na postagem “A incrível barriga dos 900 casos de raiva humana”. Ela está aqui:
http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/03/incrivel-barriga-dos-900-casos-de-raiva.html
A matéria publicada, hoje, pelo Diário, sob o título “Museu Goeldi confirma casos de raiva humana”, não deixa dúvidas de que todo esse bafafá não envolve apenas equívoco – e sim, má-fé.
Na matéria de hoje, jornal e repórter deixam claro que sabem, sem sombra de dúvida, que os 830 casos citados na reportagem de domingo (e que foram arredondados para 900) não se referem à raiva humana, mas, a casos de ataques de morcegos a seres humanos.
E da mesma forma que focinho de porco não é tomada, o fato de 900 pessoas terem sido atacadas por morcegos não significa que tenham contraído a doença.
Mesmo assim, jornal e repórter insistem em usar o peso de uma instituição como o Museu Goeldi, para tentar criar uma dúvida inexistente.
É lamentável que o Diário do Pará enverede por esse caminho.
O mais correto, o mais sensato, seria admitir o erro – e creditá-lo, em boa parte, ao confuso release que embasou a matéria.
Ao lutar contra os fatos, para tentar manter uma informação falsa, o Diário do Pará bate no fundo do poço, em termos de ética e de credibilidade.
Não se pode dizer, no entanto, que isso seja surpresa: afinal, quem o comanda não tem nem cacife, nem pulso, para evitar que seja assim.
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Em tempo:
Preparava-me para postar o texto acima, quando resolvi dar uma passada no site do Museu Goeldi.
Lá, encontrei a seguinte nota de esclarecimento:
“A Assessoria de Comunicação do Museu Paraense Emílio Goeldi esclarece que no parágrafo:
“Alberto Begot, médico veterinário da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) explica que as agressões de morcegos em crianças também são maioria no Pará. Dados parciais mostram que as agressões por morcegos em humanos tiveram uma diminuição a partir de 2005. “É importante lembrar que em 2003 não houve nenhum caso de raiva registrado no Pará”, afirma Begot. Em 2005 foram 8.601 casos registrados. Já em 2009 foram 830. Essa quantidade de casos se baseia no número de doses de vacinas aplicadas pelo Estado.”
que consta da matéria da Agência Museu Goeldi, e reproduzido na matéria postada no Diário do Pará online de 14/3/2010, os casos a que se refere o texto são de agressões de morcegos a humanos. A informação consta de apresentação em Power Point do veterinário da Sespa, Alberto Begot, participante do Simpósio sobre Raiva Humana realizado durante o XXVIII Congresso Brasileiro de Zoologia - Biodiversidade e Sustentabilidade, de 7 a 11 de fevereiro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, Belém, Pará. Realização: SBZ/MPEG/UFPA”
Para quem quiser conferir, a nota está aqui:
http://www.museu-goeldi.br/sobre/NOTICIAS/16_03_2010b.html............................
Atualizada às 16h12: Recebi, há pouco, nota de esclarecimento encaminhada pela Assessoria de Comunicação do Museu Goeldi.
Abaixo, a íntegra do documento:
"Belém, 17 de março de 2010
Nota de Esclarecimento
Vimos nos manifestar acerca de matéria “Museu Goeldi confirma casos de raiva humana”, assinada pelo jornalista Ismael Machado, publicada, hoje (17/3/2010) na página 7, do caderno Belém, do jornal Diário do Pará.
A Assessoria de Comunicação esclarece que o Museu Goeldi não foi procurado pelo jornalista, portanto não poderia, como alega, ter confirmado as informações sobre casos de raiva humana. A Agência Museu Goeldi tratou do tema em cobertura jornalística durante evento científico, fazendo uso de informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Saúde Pública, presente ao evento.
Na matéria original da Agência Museu Goeldi, publicada no Portal do Museu Goeldi em 11 de fevereiro de 2010, os casos mencionados são de agressões de morcegos a humanos e não de raiva como equivocadamente afirma o jornalista Ismael Machado.
Não sendo o Museu Goeldi o órgão que desenvolveu o estudo sobre raiva humana, mas apenas o que noticiou os dados enquanto promotor do evento científico no qual os mesmos foram divulgados, não podemos ser a fonte de informação para confirmar ou não os fatos em debate.
O código de ética do jornalismo é bastante claro em suas regras: o jornalista deveria buscar a fonte especializada nas informações divulgadas, ou checar aquelas citadas no texto original. Mas, o que transparece neste episódio é a utilização errada dos dados que constam da matéria, utilizando incorretamente o nome do Museu Goeldi.
Reiteramos o que já dissemos em Nota de Esclarecimento publicada no Portal do Museu Goeldi, no dia de ontem, 16 de março de 2010: a matéria da Agência Museu Goeldi foi escrita com dados fornecidos pelo veterinário da Sespa, Alberto Begot, participante do Simpósio sobre Raiva Humana realizado durante o XXVIII Congresso Brasileiro de Zoologia- Biodiversidade e Sustentabilidade, de 7 a 11 de fevereiro de 2010. O veterinário citado referiu-se às agressões de animais conforme informado na matéria.
Nos parece particularmente estranha a polêmica um mês após a circulação da matéria da Agência Museu. Versões editadas desta notícia foram publicadas por vários veículos da imprensa local e nacional[1], entre os quais o Diário do Pará, no dia 12 de fevereiro, quando não causou celeuma e tão pouco foi questionada.
A Agência Museu Goeldi tem como principal objetivo produzir e distribuir conteúdo jornalístico sobre temáticas amazônicas. Para isso, conta com fontes especializadas, reconhecidas nacional e internacionalmente e demandadas diariamente pela imprensa local, nacional e internacional. Formada por profissionais de reconhecida competência e responsável pela formação de outros tantos profissionais atuantes no mercado, a Agência Museu Goeldi, vinculada à Assessoria de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi, ao produzir e distribuir conteúdos, autoriza e estimula o seu uso pelos inúmeros veículos que atende, mas repudia de forma veemente o uso indevido e deturpado das informações que veicula".
(Os grifos são da Assessoria do Museu)