Há uns anos, quando o PSDB estava no poder, no Pará e no Brasil, era “moda”, entre jornalistas e intelectuais, ser de oposição aos tucanos.
Quando a gente dizia que era tucano, as pessoas torciam o nariz e despejavam em cima da gente um monte de críticas.
E se a gente dizia que admirava o governador Almir Gabriel, era um Deus nos acuda: alguns, menos sutis, chegavam até a insinuar que éramos movidos a dinheiro, ou até por alguma assessoria.
Era um tempo em que as pessoas até nos segredavam possíveis irregularidades cometidas pelos tucanos, apenas para nos fazer “virar a casaca” e nos levar a acreditar que o PSDB não é o grande partido que, efetivamente, é.
E penso que a herança do PSDB ainda precisa ser historicamente resgatada, para as novas e futuras gerações.
Que desconhecem o que era o inferno da hiperinflação.
Que desconhecem a batalha que deve ter havido, inclusive dentro do próprio partido, para propor avanços – que, num país escravocrata, parecem até coisa de revolucionário – como é o caso das cotas universitárias e das bolsas de auxílio à superação da pobreza extrema.
E eu penso que, sabe-se lá por que, o PSDB sempre pareceu ter enorme vergonha de suas realizações sociais.
Tá bem, eu concordo: a gente não pode ficar se gabando do que é, simplesmente, uma obrigação.
A gente não pode ficar “vendendo” às pessoas um direito delas, como se fosse um favor, uma “benemerência” da nossa parte, porque isso nos tornaria exatamente iguais a tudo o que sempre combatemos.
Mas o fato é que nem mesmo a estabilização econômica o PSDB conseguiu fixar no coração das pessoas como um ganho extraordinário, que teve como protagonistas alguns de seus mais brilhantes quadros.
E, talvez, o problema seja, novamente, o fato de a estabilização econômica ter repercutido, justamente, no bolso dos mais pobres...
Quer dizer: talvez só Freud explique o problema desse partido em assumir a sua identificação com os mais pobres...
Ora, não estamos nessa luta porque somos uma elite desocupada, que, de repente, sem ter o que fazer, resolveu demonstrar a sua “peninha” pelo Zé da esquina.
Estamos nessa luta porque acreditamos na igualdade, porque acreditamos na Democracia, porque acreditamos na Cidadania.
Porque, no fundo, todos sabemos que devemos tudo o que somos à sociedade que nos fez.
Sabemos que somos entes coletivos, que não subsistiriam uma semana, um mês, fora de uma coletividade.
E sabemos que inexiste diferença entre nós e o outro, que sobrevive na miséria absoluta.
E que aquele ser que está naquela miséria tem, sim, o mesmíssimo direito que nós, não apenas a uma vida melhor, mas, a uma vida Cidadã.
E, é claro, eu sempre disse aos companheiros petistas (e alguns morrem de raiva de mim por isso): “vocês são iguaizinhos a nós; todos somos cuspidos e escarrados; somos, todos, farinha do mesmo saco”.
Mas voltemos àquela época em que era quase um “pecado” ser tucano.
Já naquela época, eu era o que ainda sou hoje em dia: inabalada e inabalavelmente tucana.
Não porque queira, é verdade, mas porque o meu coração é tucano.
Se amanhã abrir a boca para falar alguma coisa, as pessoas vão perceber que o meu “discurso” é tucano, porque vem do fundo do coração.
Então, não posso negar isso, porque o PSDB, na verdade, está em mim como uma segunda pele...
Mas também sou jornalista.
E não posso, pelo fato de o meu partido estar no poder, me eximir de fiscalizá-lo.
Penso que abrir mão dessa condição de fiscalizar o Poder – qualquer que seja o governante dele revestido – implicaria, em primeiro lugar, trair o próprio ideário tucano.
Lutamos tanto pela Democracia, pela Cidadania, pela Igualdade... Lutamos tanto pela ética na política, que, quando nos vemos entre um governante do nosso partido e o nosso dever de fiscalizá-lo, é nosso Dever nem mesmo titubear...
Sei que alguns dirão: “mas, companheira, isso é ingenuidade! Você está a fazer o jogo da direita!”.
E penso que há aqui uma “diferençazinha” entre nós e os companheiros petistas.
Nós não somos massa de manobra. Nós não nos prestamos a simples “rebanho”.
Nós, em verdade, temos consciência da Cidadania e do Poder que ela nos dá.
Não pensamos isso ou aquilo porque fulano ou sicrano acha que a gente deve pensar assim ou assado.
Pensamos porque pensamos. E queremos que a dona Maria, o seu José, o seu Joaquim e a dona Madalena também aprendam a pensar por eles mesmos.
E se amanhã pensarem contra nós, que ótimo! É sinal de que aprenderam a pensar sozinhos, mesmo que julguemos isso um equívoco...
Nós, tucanos, somos infinitamente democráticos. E é isso que nos move – creio...
Tudo isso, caro leitor, nem é para você – é para mim...
Almir Gabriel foi o meu primeiro amor na política. Nunca mais vou amar e respeitar um político como amei e respeitei Almir Gabriel.
Uma vez, cheguei a dizer a uns colegas que até me sentia incomodada com aquela admiração que sentia por Almir, porque, mesmo a entrevistá-lo para a assessoria de imprensa do Governo, não conseguia perguntar o que devia, porque me sentia intimidada, diante daquele homem que me parecia sobre-humano...
Por isso, só eu sei a dor que senti quando investiguei as histórias de Chico Ferreira e de Marcelo Gabriel.
Só eu sei – ninguém mais!...
Mas se tivesse de investigar novamente, investigaria.
Ao contrário do que imagina o PT, nós, os tucanos, temos, sim, um enorme compromisso com a Ética e com a Democracia.
Nós, os tucanos, somos muitas vezes melhores do que muito petista que anda pela rua gritando isso ou aquilo.
Mas sei que estou sozinha nessa empreitada de fazer Jornalismo, apesar de ser o meu partido no poder.
Os companheiros petistas, apesar de na oposição, olharão para mim com desconfiança, por perceberem um quadro tucano que não podem nem convencer, nem comprar.
E os companheiros tucanos me olharão como uma “traíra”.
Fazer o quê?... No vai da valsa que é a vida, só sei que fui, sou e sempre serei... Eternamente tucana!...
FUUUUUUUIIIIIII!!!!!!!!!!
PS: e como já disse há uns anos, Viva Aécio! Aécio, o nosso JK do Século 21!
Pra vocês!




