segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eternamente tucana!

Há uns anos, quando o PSDB estava no poder, no Pará e no Brasil, era “moda”, entre jornalistas e intelectuais, ser de oposição aos tucanos.

Quando a gente dizia que era tucano, as pessoas torciam o nariz e despejavam em cima da gente um monte de críticas.

E se a gente dizia que admirava o governador Almir Gabriel, era um Deus nos acuda: alguns, menos sutis, chegavam até a insinuar que éramos movidos a dinheiro, ou até por alguma assessoria.

Era um tempo em que as pessoas até nos segredavam possíveis irregularidades cometidas pelos tucanos, apenas para nos fazer “virar a casaca” e nos levar a acreditar que o PSDB não é o grande partido que, efetivamente, é.

E penso que a herança do PSDB ainda precisa ser historicamente resgatada, para as novas e futuras gerações.

Que desconhecem o que era o inferno da hiperinflação.

Que desconhecem a batalha que deve ter havido, inclusive dentro do próprio partido, para propor avanços – que, num país escravocrata, parecem até coisa de revolucionário – como é o caso das cotas universitárias e das bolsas de auxílio à superação da pobreza extrema.

E eu penso que, sabe-se lá por que, o PSDB sempre pareceu ter enorme vergonha de suas realizações sociais.

Tá bem, eu concordo: a gente não pode ficar se gabando do que é, simplesmente, uma obrigação.

A gente não pode ficar “vendendo” às pessoas um direito delas, como se fosse um favor, uma “benemerência” da nossa parte, porque isso nos tornaria exatamente iguais a tudo o que sempre combatemos.

Mas o fato é que nem mesmo a estabilização econômica o PSDB conseguiu fixar no coração das pessoas como um ganho extraordinário, que teve como protagonistas alguns de seus mais brilhantes quadros.

E, talvez, o problema seja, novamente, o fato de a estabilização econômica ter repercutido, justamente, no bolso dos mais pobres...

Quer dizer: talvez só Freud explique o problema desse partido em assumir a sua identificação com os mais pobres...  

Ora, não estamos nessa luta porque somos uma elite desocupada, que, de repente, sem ter o que fazer, resolveu demonstrar a sua “peninha” pelo Zé da esquina.

Estamos nessa luta porque acreditamos na igualdade, porque acreditamos na Democracia, porque acreditamos na Cidadania.

Porque, no fundo, todos sabemos que devemos tudo o que somos à sociedade que nos fez.

Sabemos que somos entes coletivos, que não subsistiriam uma semana, um mês, fora de uma coletividade. 

E sabemos que inexiste diferença entre nós e o outro, que sobrevive na miséria absoluta.

E que aquele ser que está naquela miséria tem, sim, o mesmíssimo direito que nós, não apenas a uma vida melhor, mas, a uma vida Cidadã.

E, é claro, eu sempre disse aos companheiros petistas (e alguns morrem de raiva de mim por isso): “vocês são iguaizinhos a nós; todos somos cuspidos e escarrados; somos, todos, farinha do mesmo saco”.

Mas voltemos àquela época em que era quase um “pecado” ser tucano.

Já naquela época, eu era o que ainda sou hoje em dia: inabalada e inabalavelmente tucana.

Não porque queira, é verdade, mas porque o meu coração é tucano.

Se amanhã abrir a boca para falar alguma coisa, as pessoas vão perceber que o meu “discurso” é tucano, porque vem do fundo do coração.

Então, não posso negar isso, porque o PSDB, na verdade, está em mim como uma segunda pele...

Mas também sou jornalista.

E não posso, pelo fato de o meu partido estar no poder, me eximir de fiscalizá-lo.

Penso que abrir mão dessa condição de fiscalizar o Poder – qualquer que seja o governante dele revestido – implicaria, em primeiro lugar, trair o próprio ideário tucano.

Lutamos tanto pela Democracia, pela Cidadania, pela Igualdade... Lutamos tanto pela ética na política, que, quando nos vemos entre um governante do nosso partido e o nosso dever de fiscalizá-lo, é nosso Dever nem mesmo titubear...

Sei que alguns dirão: “mas, companheira, isso é ingenuidade! Você está a fazer o jogo da direita!”.

E penso que há aqui uma “diferençazinha” entre nós e os companheiros petistas.

Nós não somos massa de manobra. Nós não nos prestamos a simples “rebanho”.

Nós, em verdade, temos consciência da Cidadania e do Poder que ela nos dá.

Não pensamos isso ou aquilo porque fulano ou sicrano acha que a gente deve pensar assim ou assado.

Pensamos porque pensamos. E queremos que a dona Maria, o seu José, o seu Joaquim e a dona Madalena também aprendam a pensar por eles mesmos.

E se amanhã pensarem contra nós, que ótimo! É sinal de que aprenderam a pensar sozinhos, mesmo que julguemos isso um equívoco...

Nós, tucanos, somos infinitamente democráticos. E é isso que nos move – creio...

Tudo isso, caro leitor, nem é para você – é para mim...

Almir Gabriel foi o meu primeiro amor na política. Nunca mais vou amar e respeitar um político como amei e respeitei Almir Gabriel.

Uma vez, cheguei a dizer a uns colegas que até me sentia incomodada com aquela admiração que sentia por Almir, porque, mesmo a entrevistá-lo para a assessoria de imprensa do Governo, não conseguia perguntar o que devia, porque me sentia intimidada, diante daquele homem que me parecia sobre-humano...

Por isso, só eu sei a dor que senti quando investiguei as histórias de Chico Ferreira e de Marcelo Gabriel.

Só eu sei – ninguém mais!...

Mas se tivesse de investigar novamente, investigaria.

Ao contrário do que imagina o PT, nós, os tucanos, temos, sim, um enorme compromisso com a Ética e com a Democracia.

Nós, os tucanos, somos muitas vezes melhores do que muito petista que anda pela rua gritando isso ou aquilo.

Mas sei que estou sozinha nessa empreitada de fazer Jornalismo, apesar de ser o meu partido no poder.

Os companheiros petistas, apesar de na oposição, olharão para mim com desconfiança, por perceberem um quadro tucano que não podem nem convencer, nem comprar.

E os companheiros tucanos me olharão como uma “traíra”.

Fazer o quê?... No vai da valsa que é a vida, só sei que fui, sou e sempre serei... Eternamente tucana!...

FUUUUUUUIIIIIII!!!!!!!!!!

PS: e como já disse há uns anos, Viva Aécio! Aécio, o nosso JK do Século 21!

Pra vocês!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sindicato dos Urbanitários confirma: dono da Porte Engenharia é funcionário da Celpa. E genro de Jatene ganha quase igual a um desembargador


O Sindicato dos Urbanitários confirmou a informação de um anônimo na caixinha da postagem “o fator Izabela e o abalo estrutural do Governo do Pará”: o engenheiro Ernani Antonio Guilhon da Silva, um dos donos da Porte Engenharia, a construtora responsável pelo edifício Wing é, de fato, funcionário da Celpa.

Segundo o Sindicato, Ernani é engenheiro da Celpa desde 1983, mas desde 2005 se encontra afastado do trabalho e recebe auxílio-doença.

O comentário postado no blog dá conta de que, aquando da privatização da Celpa (que ocorreu em 1998) Ernani teria sido remanejado para a antiga Sepof e colocado para trabalhar no FDE, o Fundo de Desenvolvimento do Estado. Na época, o atual governador do Pará, Simão Jatene, seria o secretário da Sepof e os jornais locais levantaram suspeitas de desvio de recursos no processo de privatização da Celpa.

Dois dos filhos de Jatene, Izabela e Alberto, e a ex-mulher do governador, Heliana, são proprietários de apartamentos no Wing, segundo afirmou hoje o síndico do prédio, Zé Luís Nogueira (leia a postagem anterior).

 “A família do governador tem apartamentos lá. Cada filho (de Jatene) tem um apartamento e a Heliana também”, disse ele.

Cada apartamento no Wing, localizado na área mais valorizada de Belém, o bairro do Umarizal, estava avaliado, até o abalado estrutural do edifício no último final de semana, em mais de R$ 1 milhão.

“Sou funcionária aposentada da SEPOF e lembro quando um dos donos da PORTE ENGENHARIA, o Sr. Ernani Antonio Guilhon da Silva, por lá chegou cedido das Centrais Elétricas do Pará, pouco antes da privatização, cujo processo era coordenado á época pelo atual governador do Estado.
Lembro que da CELPA pré-privatizada foram salvos alguns escolhidos a dedo do governo para continuarem como servidores públicos fugindo dos dissabores da iniciativa privada.
O competente engenheiro foi lotado logo na fiscalização das obras do FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico do Estado) que 11 entre 10 dos funcionários da SEPOF sabe bem pra que serve”, escreveu o comentarista anônimo.

O Sindicato dos Urbanitários, no entanto, não soube dizer se Ernani chegou, de fato, a ser cedido a algum órgão público, como é o caso da Sepof, aquando da privatização da Celpa.

O blog entrou em contato com os funcionários Sônia Andrade e Jorge Sauma, da Porte Engenharia, mas não conseguiu falar com Ernani e nem confirmar (ou descartar) tal informação.

Apartamento oferecido a R$ 1,6 milhão.

A Perereca da Vizinha também localizou na internet dois anúncios de venda de apartamentos no edifício Wing, antes do abalo estrutural do último final de semana.

Um deles era anunciado a R$ 980 mil; outro, por até R$ 1,6 milhão. Veja aqui:
O blog conversou com corretores imobiliários e com o dono de um apartamento, para obter informações sobre o preço desses imóveis na planta, já que comentaristas anônimos afirmam que, na época do lançamento, há quatro anos, eles seriam bem mais baratos (até 50% a menos).

O blog, porém, não conseguiu obter uma informação precisa sobre isso – nem com funcionários da Porte Engenharia.

“Esses apartamentos foram entregues há mais de dois anos e eu não tenho o valor preciso para te passar”, disse Jorge Sauma.

Ele recomendou que ligasse para os corretores da Porte, mas nenhum deles atendeu a ligação.

Há pouco, Jorge disse que ainda não havia conseguido tal informação e que, assim que a obtivesse, telefonaria - o que ainda não ocorreu.

Um corretor de imóveis (de outra empresa) disse se lembrar que os apartamentos do Wing teriam sido vendidos na planta, em 2007, a R$ 500 mil ou R$ 600 mil.

Mas outro corretor garantiu que o preço na planta foi, na verdade, de R$ 800 mil. “Eu me lembro disso”, afirmou. 

Esse corretor (o segundo) também se mostrou descrente quanto a uma informação repassada ao blog por um morador do Wing, de que um apartamento financiado ali poderia ter prestações em torno de mil reais (o que, aliado a um condomínio de R$ 800,00, não o tornaria tão inacessível aos filhos e à ex-esposa do governador).

“Para comprar um apartamento de R$ 800 mil, você tem de pagar 30% para a construtora, durante a obra. Aí tem a entrada, paga em parcelas. Mas não tem como a prestação ficar em mil reais, a não ser que dê uma entrada boa”, disse.

O corretor também observou a necessidade de realizar a atualização monetária, para se ter uma idéia mais precisa de quanto o valor pago na planta significaria, de fato, hoje em dia.

Genro de Jatene ganha quase igual a um desembargador

O blog  também tentou contato com Izabela Jatene, filha do governador e coordenadora do Propaz, mas ela não retornou a ligação.

No entanto, a Perereca conseguiu descobrir, no Diário Oficial do Estado, que Ricardo Augusto Garcia de Souza, o marido de Izabela, recebe hoje uma remuneração quase igual a de um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado.

Ele foi nomeado chefe de Gabinete do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) no dia 2 de fevereiro deste ano, pelo novo presidente da Casa, José Carlos Araújo, ex-vereador do PSDB.

Até então, Ricardo era Assessor Especial II no TCM, mas há informações de que já teria exercido a Chefia de Gabinete em 2005. Na época, o presidente do TCM era o ex-deputado Aloysio Chaves, a quem Ricardo já assessorava há alguns anos. O governador era também Simão Jatene, o sogro de Ricardo.

De acordo com o Demonstrativo de Pessoal do TCM, publicado na página 8 do caderno 4 do Diário Oficial do Estado (DOE) do último 07 de outubro, o salário de Ricardo no mês de agosto foi de R$ 15.370,04 – mas, com as gratificações, ele acabou levando para casa R$ 23.988,24.

Detalhe: em fevereiro, quando ele assumiu o cargo, o salário da Chefia de Gabinete era de R$ 5.163,48, mas acabou chegando a R$ 22.564,40 com as gratificações (pelo menos é isso o que consta nas páginas 8 e 9 do caderno 3 do DOE de 25 de março deste ano).

Também segundo o DOE, havia no TCM, em janeiro deste ano, cinco assessores especiais II com vínculo, cujos vencimentos somavam R$ 13.411,34, mas que acabavam levando para casa R$ 49.950,24, devido a gratificações.

Outro 23 assessores especiais II não possuíam vínculo. Para eles, os vencimentos somavam R$ 86.184,57. Mas, com as gratificações, aquilo que ganhavam acabava somando R$ 332.075,83.

Veja aqui:
Policial ameaça Perereca da Vizinha

Hoje, também,  o policial Aldemar Cardoso ligou para o blog, para rebater afirmações de comentaristas  - e, também, para ameaçar esta blogueira.

“Não tenho culpa de ser bem assíduo ( no trabalho) e de meu pai ter deixado um patrimônio grande para mim. Pago R$ 22 mil de Imposto de Renda anualmente e o meu patrimônio pessoal é todo explicado no Imposto de Renda”, disse ele.

E,  depois, ameaçou: “meça as suas palavras, porque se você disser mais uma linha eu te processo até o último centavo”.

Segundo ele, esta jornalista anda a investigar a vida dele – o que não é verdade. Até o meu telefonema foi um simples retorno a uma ligação dele, já que não pude atendê-lo antes, pois estava fazendo uma entrevista (como ele conseguiu meu telefone? Não sei). 

A revolta dele, ao que parece, se deve a comentários da caixinha da postagem “O fator Izabela e o abalo estrutural do governo do Pará”.

Lá, anônimos questionaram o fato de Aldemar, um policial (e a nomeação no Diário Oficial que está na caixinha, eu conferi, é verdadeira) possuir um apartamento avaliado em mais de R$ 1 milhão.

“Sou policial porque gosto e, na hora em que quiser sair da polícia, vivo muito bem”, disse ele, “Estudei a minha vida inteira em colégio pago, mas acho que a realização pessoal é o mais importante”.

Na opinião dele, o problema é o estereótipo de que “policial tem que ser preto, bandido e morar em uma favela. Infelizmente, existe esse preconceito”.

Contou que a ficha funcional dele contém 32 elogios, “até de ministro do Supremo”.

Mas como continuasse exaltado e devido às ameaças que fez, aproveitei para perguntar, de chofre, já que ele afirmou que estava a gravar a ligação: “foi o governador ou assessoria dele que mandou o senhor ligar para me ameaçar?”.

Aldemar respondeu que não é “pau mandado” de ninguém, que é um funcionário público concursado e desligou o telefone.

A pergunta, caro leitor, deveu-se ao fato de, há uns dez anos, quando investigava o escândalo da Medserve, ter também recebido, lá pelas tantas, a ligação de um delegado de polícia.

Extra!Extra! Filhos do governador Jatene e ex-mulher dele são donos de apartamentos no edifício Wing.



O síndico do edifício Wing, Zé Luís Nogueira, acaba de afirmar ao blog que dois filhos do governador Simão Jatene e a ex-mulher dele, Heliana, são, de fato, proprietários de apartamentos naquele prédio. No Wing, até o abalo estrutural do último final de semana, o valor de um apartamento oferecido na internet chegava a até R$ 1,6 milhão.

Zé Luíz Nogueira disse por telefone à Perereca que o prédio é administrado por uma empresa de nome Lotus. Mas afirmou que no Wing, um prédio de 26 andares, só havia um inquilino. 

Segundo ele, porém, tanto Heliana, quanto Izabela Jatene Souza e Alberto Lima da Silva Jatene, os filhos mais velhos do governador, são, de fato, proprietários de apartamentos naquele prédio.

“A família do governador tem apartamentos lá. Cada filho (de Jatene) tem um apartamento e a Heliana também”, disse ele.

A Perereca volta já com novas informações.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O fator Izabela e o abalo estrutural do Governo do Pará.

Sempre que se mete a dar declarações à imprensa, Izabela Jatene coloca o pai, o governador Simão Jatene, numa saia justa.

Primeiro foram as declarações durante o escândalo da menina que teria sido estuprada na Penitenciária Heleno Fragoso.

Izabela pôs-se a falar na qualidade de coordenadora do Propaz, um programa mantido pelo Governo do Estado.

Logo, surgiram suspeitas de nepotismo, talvez, cruzado, já que Izabela não estaria sendo remunerada pelo Governo do Estado, mas, participaria do programa através da UFPa.

Agora, Izabela volta à berlinda com o abalo na estrutura do Wing, um luxuoso edifício às proximidades da Doca de Souza Franco, o metro quadrado mais caro de Belém.

As declarações de Izabela ao jornal O Liberal desta segunda-feira, induzem a crer que a filha de Jatene é  proprietária de um apartamento naquele edifício – um ap, até o abalo estrutural, com valor de mercado superior a R$ 1 milhão.

Aliás, na mesma reportagem, há o depoimento de um morador do Wing que conta ter adquirido seu imóvel por R$ 850 mil e tentava revendê-lo, até a semana passada, por R$ 1,3 milhão.

E mesmo com a maior boa vontade do mundo, é impossível não ficar a se perguntar o seguinte: como é possível que Izabela, uma menina nova, na faixa dos 30 e poucos anos, possua um apartamento com valor de mercado superior a R$ 1 milhão?

Ora, Izabela é funcionária pública, professora da UFPa. O marido ou ex-marido dela (também um garotão) é (ou foi) funcionário público, no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Além disso, os pais dela, Simão Jatene e Heliana, também sempre foram funcionários públicos. 

Então, de onde veio o dinheiro para a compra de um apartamento avaliado em mais de R$ 1 milhão?

E vejam que não se está a falar de outras propriedades que Izabela eventualmente possua, nem na decoração de seu ap – coisa que também não sai barato.

Só a decoração de uma cozinha de boa qualidade deve ficar em torno de R$ 10 mil.

E é difícil, muito difícil de acreditar que, a morar na Doca, num apartamento de R$ 1 milhão, Izabela cozinhasse num fogareiro a carvão...

Mas, a reportagem de O Liberal também traz outras informações inquietantes.

No prédio, que foi inaugurado há uns dois anos, também residiria “outro” filho de Jatene.

E esse “outro filho” só pode ser “Beto” Jatene, eis que o governador só teve dois filhos com a primeira esposa, Heliana -  e os filhos que perfilhou, a partir do casamento com a segunda esposa, Ana Maria, ainda são adolescentes.

Ora, Beto Jatene também é (ou foi) funcionário público, salvo engano, no Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

Beto também é um garotão, assim como a esposa dele, Luciana Labad Jatene, igualmente servidora pública, no Tribunal de Justiça do Estado (TJE).

Quer dizer: a não ser que existam heranças ou fortunas familiares envolvidas nessa história, não dá para entender como um grupo de funcionários públicos conseguiu adquirir pelo menos um apartamento de mais de R$ 1 milhão na Doca de Souza Franco.

Isso porque, com os salários dos funcionários públicos estaduais, nem com uma vaquinha turbinada (um bingão regado a cervejão) seria possível tamanha façanha...

Não se sabe se o ap de Beto Jatene pertence a ele ou a Luciana, ou se o casal é apenas inquilino do Wing.

Mas as declarações de Izabela levam a crer que ela é, sim, a dona do ap onde mora. 

E um ap desse valor, ainda que financiado, levaria, certamente, a um dispêndio mensal impressionante, para nós, pobres mortais.

E a pergunta que fica é: será que esse “causo” não poderia ser enquadrado como “sinais exteriores de riqueza”, caso o funcionário público em questão não fosse a filha do governador do Pará? 

Com a palavra, o Ministério Público.

II

Há uma coisa que aprendi, nesta longa trajetória de jornalista: dinheiro deixa rastro.

Não tem jeito: o sujeito vai comprar um ap, um barco, uma fazenda – e tudo isso ficará registrado em algum lugar. Ou, pelo menos, haverá indícios do não-registro, ou de registro subestimado, de propriedade.

Nas eleições do ano passado, Jatene declarou à Justiça Eleitoral bens inferiores a R$ 1,2 milhão.

A lista está aqui:

Edificio Francisco Barbosa
R$98.000,00
Terreno Edificado com casa
R$58.000,00
Banco Itau
R$15.364,00
Banco Do Brasil
R$63.389,00
Conta Corrente
R$35.040,00
Titulo Clube
R$24.000,00
Barco De Aluminio Com Motor
R$34.760,00
Terreno e construção de casa em São Caetano De Odivelas
R$110.000,00
Tres Salas Comerciais Conext
R$130.534,00
Banco Itau
R$59.152,00
Brasilprev
R$44.857,00
Veiculo Soretnto Kia
R$129.000,00
Banco Do Brasil Bb Lp Estilo
R$98.000,00
Banco Do Brasil Cc
R$40.894,00
Citroen C3
R$49.900,00
Fiat Strada
R$37.136,00
Em Caixa
R$10.000,00
Raphael Cunha (empréstimo)
R$23.338,00
Paracuri Comercio De Gas
R$68.984,00
Ed Xavante
R$45.000,00
Valor total dos bens declarados:
R$1.175.348,00

Nem vou falar do valor atribuído às salas no Edifício Connext, cuja foto está aqui:



Nem do valor de um ap no edifício Francisco Barbosa, na Marques de Herval, no bairro da Pedreira, que tem apartamentos oferecidos, na internet, por até R$ 250 mil.

Também não sei quanto Jatene declarou nas eleições de 2002 – nunca fui buscar isso e o PT, na campanha passada, estranhamente, não se interessou por tal comparação.

Mas, hoje, o importante aqui são duas constatações.

A primeira é que Jatene, por toda a vida um funcionário público, possuía, no ano passado, bens declarados no valor de quase R$ 1,2 milhão, apesar, supõe-se, da divisão de patrimônio anterior, aquando da separação da primeira esposa, Heliana.

É claro que, nos últimos 30 anos, ocupou vários cargos importantes – inclusive, como braço direito de Jader Barbalho no (hoje extinto) Ministério da Reforma Agrária... 

Mesmo assim, ainda que tivesse, nos últimos 30 anos, um salário mensal equivalente, hoje, a R$ 10 mil líquidos, isso equivaleria a ganhos em torno de R$ 4 milhões, nas últimas três décadas. 
  
E isso explicaria o patrimônio que declara e o que teria dividido com Heliana, além, é claro, do que deve ter gastado em 30 anos, mesmo que tivesse vivido como um monge budista, sem cair na tentação dos pães e patês da Maison Du Pain...

Mas não explicaria nem a origem do ap de Izabela, e nem de Beto Jatene – se é que o ap no edifício Wing pertence, de fato, a Beto. 

E o problema aqui é que todos eles – Jatene, Heliana, Izabela, Beto e os respectivos cônjuges – têm, sim, de explicar a origem desse dinheiro, já que todos eles são, ou foram, servidores públicos.

Trata-se, em suma, de demonstrar que serviram ao público, em vez de se servirem dele...

Em suma: se o Ministério Público quiser, já tem aqui elementos suficientes para começar a investigar os bens dos servidores públicos Simão Jatene, Heliana Jatene, Izabela Jatene, Beto Jatene e respectivos cônjuges. A levantar a cadeia dominial dos imóveis em que cada um deles reside, inclusive, do apartamento que Jatene ocupava até ser reeleito governador do Estado.

Mas a questão é a seguinte: o MP fará isso, ou continuará a entreter o distinto público, neste grande circo romano, apenas com os desmandos da Assembléia Legislativa?

III

Para ajudar o nosso brioso MP, deixo aqui a informação de que os arquivos deste blog, relativos e a 2006 e a 2007, possuem uma alentada coleção de reportagens acerca do impressionante aumento patrimonial de um cidadão chamado Eduardo Salles, que vem a ser sobrinho do governador Simão Jatene.   

Uma busca aos arquivos processuais da Justiça Federal no Pará também trará aos nossos promotores muito a investigar.

Isso sem falar, é claro, das transações relacionadas à venda da Celpa e às doações eleitorais, nas últimas campanhas ao Governo.
Mas voltemos ao fator Izabela.

Penso que a filha de Jatene, quer por gostar de holofotes, quer por querer ajudar o pai, ou quer por, genuinamente, se interessar por questões sociais, acabou por abrir um flanco que, se bem explorado, poderá abalar o Governo – e de forma imprevisível.

E, sejamos, honestos: nenhum de nós escolhe a família ou temos controle sobre os “pacotes” que a genética nos traz.

Mas Izabela é uma menina até inteligente, com potencial para buscar o próprio caminho, sem a sombra do paizão.

Se tem, de fato, interesse social, poderia, por exemplo, criar uma ONG, que, sem recursos do Governo, ajudasse a mobilizar a sociedade para a defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.

O que não pode é Izabela imaginar que, cada vez que o paizão ascende ao governo, ela, automaticamente, recebe uma espécie de “direito de autoridade”, mais compatível com os impérios.

Quem foi eleito foi Jatene – e não Heliana, Izabela, ou Beto.

Bem faria Izabela se tentasse se espelhar em Ana Maria, que, ao menos, e apesar da parentada, tenta ser minimamente discreta. 

FUUUUUUUUUIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!



PS: o blog ainda não voltou ao normal, só deve voltar na segunda-feira. Mas, não resisti à tentação de comentar esse assunto.







Pra vocês!