segunda-feira, 19 de abril de 2010

Belo Monte: procurador pede recurso da PGR ao STJ


O MPF protocolou nesta segunda-feira, 19, recurso para que seja revista a decisão de suspender a liminar que impedia o leilão da Usina de Belo Monte, no Pará, expedida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) na última sexta-feira, 16.


No recurso, o procurador regional Renato Brill de Góes pede que a matéria seja avaliada com urgência em sessão da Corte Especial do tribunal. Fazem parte da Corte Especial 17 dos 26 desembargadores do Tribunal.


Foi encaminhada ainda solicitação à Procuradoria Geral da República para ajuizar recurso também no Superior Tribunal de Justiça. O pedido será avaliado pelo Núcleo de Tutela Coletiva da PGR, que fará a distribuição do processo para um dos subprocuradores gerais.


Veja a íntegra do recurso: http://www.prr1.mpf.gov.br/noticias/SLAT.Agravo%20regimental.%20AHE%20Belo%20Monte.pdf
(Fonte:Ascom/MPF)

FHC e o mito Luís Inácio




Vale pena ler aqui http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-04-01_2010-04-30.html#2010_04-19_08_16_36-10045644-019/04/2010
matéria postada por Josias de Souza sobre a entrevista de Fernando Henrique Cardoso.


Um pedacinho dela:

“Em entrevista concedida na noite passada, Fernando Henrique Cardoso aceitou a tese de que Lula tornou-se um “mito”.


Foi instado a comentar um raciocínio atribuído ao sociológico Hélio Jaguaribe: um mito só pode ser “contraposto” por outro mito.


“Não necessariamente”, disse FHC. “Às vezes não precisa contrastar o mito. Deixa o mito. Pelé foi um mito. Isso não impediu que houvesse o Ronaldo”.


Ele falou ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. Noutro trecho, FHC foi instado a explicar a impermeabilidade de Lula ‘Teflon’ da Silva.


Por que nada de ruim gruda no presidente? FHC listou dois motivos: “Primeiro, a situação econômica é boa. O segundo é que ele é muito bom pra comunicar”.


Acha que Lula é a cara do brasileiro? “De um certo tipo de brasileiro, sim”, FHC assentiu. “Mas ele tem um lado macunaímico forçado demais”, alfinetou”.


A entrevista na íntegra está aqui:


http://www.band.com.br/canallivre/videos.asp

Eternas discussões

Do leitor Tito Klautau:


"Prezados jornalistas.


Apesar de não conhecer pessoalmente a maioria de vocês, saibam que sou leitor assíduo (diário) de vossos blogs e colunas, pois os coloco entre as melhores fontes de informações sobre o Estado do Pará.


Estou escrevendo um texto procurando traçar um perfil das diversas atividades que meu Pai, Aldebaro Cavaleiro de Macedo Klautau, desenvolveu ao longo dos seus 75 anos de vida.


Ao ler o discurso por ele proferido, como orador da turma, na colação de grau dos advogados de 1929 da, então, Faculdade Livre de Direito do Pará, senti que muito do que foi dito naquela ocasião, poderia ser repetido hoje, pois estaria tratando de assuntos que ainda são constantes na vida dos brasileiros.


Como vocês estão postando matérias sobre as"baixarias" nas campanhas eleitorais, resolvi enviar, em arquivo anexo a este email, as duas primeiras páginas do discurso acima referido.


No discurso, feito há oitenta anos atrás, se mudarmos "palácio de Monroe" por "Praça dos Três Poderes", considero que atualizamos a fala de meu pai.


Concordam?


Abraços do Tito Klautau".


Abaixo, o discurso. E Tito tem toda a razão: é atualíssimo.



“A cadeia de São José, vergonhosa afronta à civilização dos povos cultos”

O Brasil atravessa uma fase de vida agitada, cheia de graves e terríveis apreensões.


A luta política domina todos os espíritos e todas as classes sociais se movimentam em torno do grande problema da sucessão presidencial. Alistar eleitores, conseguir adeptos a um ou outro candidato, é hoje a questão dominante no seio de nossas sociedades, e a preocupação maior de nossos dirigentes.


Grande motivo de júbilo para os corações patriotas!


O Estado brasileiro parece querer ressurgir, com dignidade e desassombro, de servilismo torpe a que já se ia acostumando.


Podemos, atualmente, dizer, com justa consolação: No Brasil já há luta eleitoral. É, na verdade, o primeiro passo para a almejada existência do livre exercício do voto. O povo, a grande massa constitutiva da nacionalidade nossa, procura compreender melhor o seu valor e se enche de vitalidade.


É digno de calorosos elogios o movimento que ora se desenrola no campo de nossa vida pol1tica. Desoladora, porém, é a atitude dos membros do Congresso Federal, circunscrevendo quase que completamente a sua ação a pueris discussões sobre as virtudes e os defeitos dos nomes ilustres, apontados ao sufrágio de seus concidadãos, nas próximas eleições de março vindouro.


Discursos eloqüentíssimos, orações que empolgam são proferidas nas Câmaras legislativas federais, sem outro interesse que amesquinhar os adversários e receber os aplausos apaixonados do povo curioso que vai ocupar as galerias.


Senhores. Outra e não essa é a missão de nossos parlamentares. A propaganda eleitoral deve ser feita em outros campos e por outros meios. Ai estão a imprensa e a tribuna popular.


O Congresso não foi criado para ser teatro de exibições, nem arena para ai se digladiarem, por interesses quase sempre pessoais, os nossos ilustres Licurgos.


Há tantos e tão urgentes assuntos a resolver no Brasil.


O de que mais precisamos não é encarado como o deveria ser pelo nosso poder legislativo.


Inteiramente esquecidos de seus deveres primordiais, estão muitos congressistas brasileiros.


Necessária se torna uma reação no sentido de transformar as sessões que se realizam no palácio de Monroe, em esperançosas fabricas do progresso da Nação. E isso só conseguiremos se os nossos legisladores, compenetrados da elevada missão que lhes conferiu o voto popular, elaborarem, para submeter as discussões de seus pares, projetos de relevante importância sobre as questões mais palpitantes, que afetam bem de perto a vida da nacionalidade.


A debatida e nunca solucionada questão de extermínio ao analfabetismo é ainda encarada pelos representantes do povo com uma indiferença pungentemente contristadora.


A instrução superior, principalmente, tende a se constituir, dentro em breve, um privilégio das classes protegidas da fortuna.


E, será assim, encarecendo e dificultando cada vez mais o ensino, taxando com exorbitância as contribuições escolares, que poderemos conseguir a diminuição da grande percentagem de analfabetos que, infelicitando a Nação, entrava o progresso do seu povo? Certamente que não.


Ao lado desse revoltante desprezo a que se acha lançada a alfabetização da nossa gente, assoma por sua capital importância, a desafiar as atenções de nossos governantes, o estado deplorável da quase unanimidade das prisões no Brasil.

 (Vou pedir que o Tito mande o restante do discurso. Afinal, parece que toca em outra discussão atualíssima: o sistema carcerário)


Faleiro cai na blogosfera

Ex-líder do governo na Assembléia Legislativa, Aírton Faleiro é o mais novo blogueiro da praça. Aqui: http://airtonfaleiro.blogspot.com/

Ofir Loyola inaugura o melhor parque de radioterapia do Norte e Nordeste



O mais moderno Parque Radioterápico do Norte/Nordeste e um dos mais bem equipados do país será entregue nesta terça-feira, 20, pelo Governo Popular, no Hospital Ofir Loyola, referência em oncologia. Foram cerca de R$ 9 milhões em investimentos e o hospital inaugurará, também, a Divisão de Medicina Nuclear. Trata-se do maior investimento no setor em toda a história do hospital.


Serão entregues um tomógrafo simulador, uma braquiterapia e um acelerador linear (Varian 2100 C), que vão melhorar a qualidade de atendimento aos pacientes, um avanço histórico para o tratamento do câncer no Pará. Os equipamentos de última geração permitirão que o Ofir Loyola atenda entre 250 e 300 pacientes por dia. Isso representa o fim das filas para o tratamento de radioterapia no estado.


"Estes novos serviços consolidam o Ofir Loyola como centro de excelência em oncologia, com a mais alta tecnologia para diagnóstico e tratamento dos pacientes da rede pública", afirma o diretor geral do HOL, Dr. Paulo Soares.


Todos os novos equipamentos são importados e já passaram pela adequação às normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Em um espaço de 1.650 metros quadrados, o HOL vai concentrar três aceleradores, um cobalto, uma braquiterapia nova e dois simuladores.


Qualidade - Definido pelo Ministério da Saúde como o único Centro de Alta Complexidade em Oncologia da região Norte, o Hospital Ophir Loyola, prestes a completar 100 anos, está agora preparado para o futuro, oferecendo qualidade máxima em serviços.


O Governo do Estado contratou mais quatro médicos especialistas em oncologia, médicos que necessitam de alta qualificação, para atender a grande demanda de pacientes. O hospital contava com apenas três radioterapeutas. Com sete radioterapeutas, o hospital supera metas. A média atual de atendimentos é de 115 pacientes novos por semana, além dos que já estão em tratamento.


Atendendo 100% SUS, o HOL oferece assistência digna, especializada e integral aos pacientes na área de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Antes mesmo de o Ofir Loyola inaugurar o parque radioterápico, o hospital já havia normalizado o atendimento de pacientes em radioterapia e segue convocando os pacientes da capital e interior do estado para a antecipação de consultas.


Medicina Nuclear


A Divisão de Medicina Nuclear, que também será inaugurada nesta terça no Hospital Ofir Loyola, representou um investimento de mais de R$ 1,6 milhão. O novo serviço dispõe de equipamentos como o Gama Câmara e se equivale à estrutura de grandes centros de excelência do Brasil para diagnóstico e tratamento de tumores malignos e outras doenças.


(Fonte: Secom, com informações da Ascom/HOL e pequenas modificações do blog. A foto é de Elcimar Neves).

Belo Monte: o saudosismo ultraconservador do PT



O PT tem de acabar com essa história de tratorar a sociedade brasileira.


Essa, aliás, é uma postura arrogante e autoritária que até desmerece a história de um partido que emergiu dos movimentos sociais.


É preciso “gastar cuspe”, convencer. Discutir Belo Monte democraticamente, com o conjunto da sociedade brasileira, em especial os amazônidas.


Mas, debater de verdade – e não num arremedo de audiências públicas, articuladas para dar um ar de legalidade a esse projeto.


Não pode o PT, por interesses simplesmente eleitoreiros, diga-se de passagem, ignorar a sociedade civil organizada, de cuja vitalidade, aliás, depende a própria Democracia.


E é preciso que o PT compreenda que não está a lidar com o falecido ACM ou com um Paulo Maluf da vida – mas, com cidadãos que se dedicam, há décadas, a defender os interesses coletivos.


Não basta dizer que Belo Monte não repetirá os erros do passado. É preciso provar tal assertiva.


E é preciso, também, parar com essa falácia de que os países do Primeiro Mundo, para se desenvolver, destruíram as suas florestas.


Ora, se é para retroagir, a repetir os erros do passado, por que nos indignarmos diante da invasão de países menos desenvolvidos, ou do extermínio de outras culturas?


Por que não explorarmos o trabalho fabril de mulheres e crianças?


Na verdade, essa insistência no binômio desenvolvimento/devastação, com a desculpa de que foi a base do desenvolvimento dos séculos anteriores, é argumento simplesmente insustentável.


E, paradoxalmente, no caso do PT, um saudosismo ultraconservador.


Porque tentar empurrar Belo Monte goela abaixo da sociedade brasileira é repetir, sem tirar nem por, os erros, a arrogância e o autoritarismo do regime militar.


É preciso parar Belo Monte e exaurir o debate.


É preciso respeitar a Democracia e os movimentos sociais.


Quem se opõe a Belo Monte não o faz no interesse próprio ou por querer “perpetuar a pobreza na Amazônia”.


O que se quer é encontrar formas menos nocivas de progresso.


Um progresso, afinal, compatível com o avanço tecnológico e a pujança democrática deste Terceiro Milênio.


FUUUUIIIIIIII!!!!!!!!!

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Aqui, para quem quiser conhecer, a análise de vários especialistas sobre o Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte.



http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_online%20(3).pdf

Entidades distribuem nota de protesto contra liberação de Belo Monte



Prelazia do Xingu, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Greenpeace e mais de 80 entidades, do Brasil e do exterior, emitiram nota de protesto contra a decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 1 Região, Jirair Megerian, que cassou liminar a impedir o licenciamento e leilão da usina de Belo Monte.


Abaixo, a nota das entidades:


“Nota contra a decisão autoritária do TRF 1a Região no caso da usina de Belo Monte


Há trinta anos os povos indígenas, os ribeirinhos, os pequenos agricultores e todos os demais povos que vivem à beira do rio Xingu lutam contra a transformação do rio numa sequência de hidrelétricas. E o fazem porque sabem que sem ele não têm como sobreviver.


Há vinte anos a sociedade brasileira e internacional tomou conhecimento do absurdo plano elaborado durante o governo militar de instalar 6 grandes hidrelétricas no rio Xingu, e, na alvorada do regime democrático, conseguiu reagir para impedir que esse desastre ocorresse, e o projeto foi enterrado.


Há dez anos a Eletronorte, empresa estatal de energia, responsável pela construção das usinas de Balbina (AM) e Tucuruí (PA), dois dos maiores desastres socioambientais do país, voltou a apresentar um projeto para construir hidrelétricas no rio Xingu, alegando agora que seria apenas uma, denominada Belo Monte.


Mesmo sozinha, essa usina poderia provocar grandes impactos: uma área alagada maior do que a cidade de Porto Alegre (RS); a construção de gigantescos canais para desviar o rio de seu curso natural, equivalentes em dimensão ao canal do Panamá; o secamento de mais de 100 km do rio, onde vai passar menos de 20% da quantidade normal de água, com grande probabilidade de se criar um verdadeiro colapso ecológico numa região de altíssima biodiversidade, e que é local de moradia para centenas de famílias de indígenas e ribeirinhos, cujos direitos humanos seriam seriamente afetados pelo projeto.


E isso para construir uma usina que, apesar de custar muito mais do que os R$ 20 bilhões anunciados pelo Governo Federal – financiados com empréstimos e subsídios públicos, dinheiro do contribuinte brasileiro - vai funcionar a plena potência em no máximo 3 meses do ano, e que em outros 3 ou 4 meses não vai gerar nem 10% da capacidade instalada.


Há três anos a Eletronorte deu início ao licenciamento ambiental de Belo Monte, junto ao Ibama. Apesar do longo tempo em que desenvolve o projeto, elaborou estudos ambientais que não detalhavam as consequências da obra na vida das pessoas e dos ecossistemas da região.


Essa realidade foi apontada não só por um painel independente formado por 40 especialistas, como também pelos técnicos do Ibama, que, após meses analisando e reanalisando os estudos, pediram o aprofundamento de alguns pontos essenciais.


Como alguns deles demandariam mais vários meses de realização, a Eletrobrás apresentou meros arremedos, que no final de janeiro deste ano foram considerados insuficientes pelos técnicos do Ibama para se tomar qualquer decisão, pois grandes incertezas ainda pairavam no ar.


Assim mesmo a diretoria do Ibama, politicamente pressionada pela Casa Civil da Presidência da República, mas contrariando a legislação brasileira, deu aval para a obra em 1o de fevereiro, deixando para avaliar vários dos principais possíveis problemas socioambientais depois que a obra já estiver pronta (!).


O Ministério Público Federal, que sempre acompanhou o caso, preparou duas ações judiciais para evitar essa ilegalidade, reunindo estudos e argumentos que demonstrassem ao Judiciário o atropelo das regras estabelecidas.


O Juiz Federal de Altamira (PA) analisou durante uma semana os argumentos apresentados e, no dia 14/04, numa decisão amplamente lastreada na Constituição Federal e na legislação nacional, decidiu uma das ações, suspendendo a realização do leilão para concessão da usina, marcado para 20/04. A outra ainda está sendo analisada.


Apesar de todos os argumentos jurídicos, irrefutáveis, apresentados na ação do MPF e que fundamentaram a decisão do Juiz de Altamira; apesar das inúmeras evidências de irregularidades na licença concedida; apesar dos muitos anos em que esse projeto vem sendo debatido pela sociedade; apesar de ser de conhecimento público que essa será uma usina que custará muito ao país, mas que gerará relativamente pouca energia; apesar de ser função do Judiciário julgar com base na lei e nos fatos, o Desembargador Federal Jirair Megerian, Presidente do Tribunal Regional Federal da 1a Região, em menos de 24 horas, cassou a decisão que paralisava o leilão, sem analisar nenhum dos argumentos expostos na ação.


Alegou, apenas, que as populações indígenas afetadas não estavam ameaçadas porque “a emissão da licença prévia e a realização do leilão não implicam na construção imediata de Belo Monte”, ao mesmo tempo em que afirma que “a não realização do leilão traria graves prejuízos à economia pública”, pois atrasaria o início das obras da usina (!).


Não aceitamos que uma questão dessa importância seja decidida dessa maneira.


Não é possível que um juiz, por acreditar, sem nenhum fundamento, que a não construção da obra no prazo imposto pelo Ministério de Minas e Energia traria graves prejuízos econômicos ao país, feche os olhos para as várias ilegalidades do processo e coloque o respeito à lei como elemento secundário.


O Judiciário não pode se furtar a respeitar a lei, como nenhum outro órgão democrático pode.


Brasília, 19 de abril de 2010


Assinam:


Movimento Xingu Vivo para Sempre – MXVPS; Amigos da Terra – Amazônia Brasileira; Instituto Socioambiental – ISA; Prelazia do Xingu; Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP; Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB; Conselho Indigenista Missionário – CIMI; Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB; Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF; Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB; Movimento de Mulheres do Campo e Cidade do Pará; Movimento de Mulheres Regional Transamazônica e Xingu; Fórum dos Direitos Humanos Dorothy Stang Regional Transamazônica e Xingu; Movimento de mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade; Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Porto de Moz; Comitê de Desenvolvimento Sustentável Porto de Moz; Sindicato das Trabalhadoras Domésticas Região Transamazônica e Xingu; Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará -SINTSEP/PA; Fórum das Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP; Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB; Associação Floresta Protegida; Associação dos Indios Moradores de Altamira; Conselho Indígena de Altamira – COIA; Associação do Povo Indígena Juruna do Xingu; Associação do Povo Indígena Xikrin do Bacajá; Grupo de Articulação dos Direitos Indígenas de Altamira; Centro de Defesa dos Direitos Indígenas de Altamira – CDDI; União das mulheres indígenas da Amazõnia Brasileira – UMIAB; Associação Nacional de Ação Indigenista da Bahia; Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém – FAMCOS; Organização pelo Desenvolvimento da Amazônia com Direitos Humanos - ONDAS-DH; Fórum da Amazônia Ocidental – FAOC; Fórum da Amazônia Oriental – FAOR; Associação de Desenvolvimento da Agroecologia e Economia Solidária - ADA AÇAÍ; Centro de Educação e Assessoria Popular – CEAP; Conselho Municipal da Cidade de Porto Velho; Operação Amazônia Nativa – OPAN; Associação para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável – ADEIS; Grupo de Defesa da Amazônia – GDA; Organização Não Governamental Arirambas – ARIRAMBAS; Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura; Rede Brasileira de Arteducadores; União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES); Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP; Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB; Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes – APACC; Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre, Belém/PA; Fundação Tocaia; Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais; Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé; Rede Jubileu Sul Brasil; Justiça Global; IBASE; Rede Brasileira de Justiça Ambiental; Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH; Instituto Brasileiro de Inovações Sociedade Saudável - IBISS-CO; Greenpeace-Brasil; Instituto Ambiental Vidágua; Comitê Independente por Justiça Ambiental - C.I.J.A; Forum Brasileiro de Economia Solidaria – FBES; Rede Alerta contra o Deserto Verde; Terræ Organização da Sociedade Civil; Iterei – Refugio Particular de Animais Nativos; Centro de Referência do Movimento da Cidadania pelas Águas Florestas e Montanhas Iguassu Iterei; Associação Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins - APA-TO; Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc; Amigos da Terra Brasil; Organização Universalista em Direitos Humanos – U.S.O.S.; Instituto Amazônia Solidaria e Sustentável – IAMAS; Associação Global de Desenvolvimento Sustentado; Grupo Ambientalista da Bahia – Gamba; Centro de Pesquisa e Assessoria Esplar; Frente Cearense Por uma Nova Cultura de Àgua; Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS; ABONG; Instituto de Pesquisas em Ecologia Humana; Instituto Terramar; Forum Mudanças Climaticas e Justiça Social; Associação de Saúde Ambiental- TOXISPHERA; Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte – APROMAC; International Rivers, EUA; Amazon Watch – EUA; Asociación Interamericana para la Defensa del Ambiente – AINDA; Otros Mundos AC/Chiapas – México; Survival International”.

sábado, 17 de abril de 2010

Puty, Couto e Élida Braz no “Jogo Aberto”

O ex-chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, será um dos entrevistados do programa “Jogo Aberto” deste sábado, na Rádio Tabajara FM 106.1, produzido e apresentado pelo jornalista Carlos Mendes e com participação do jornalista Francisco Sidou.


Puty disse que havia 90% de chance de ir ao programa, mas até o meio-dia não havia confirmado sua participação. Se aparecer, falará sobre temas como reeleição de Ana Júlia e a relação PT- PMDB.


O programa também exibe entrevista em que o senador Mário Couto faz polêmicas declarações sobre o governo estadual e sobre a governadora Ana Júlia Carepa.


Ao vivo, do estúdio, André Lobato, o Caveira, e sua mulher, Élida Braz, falam sobre a nomeação-demissão de Élida pelo governo em razão da repercussão do fato na imprensa local e nacional.


O julgamento do pedido de cassação do mandato do prefeito Duciomar Costa, feito pelo Ministério Público Eleitoral (procurador Ubiratan Cazetta) é outro assunto do programa.


Das ruas, o repórter Mário Filé ouve o povo sobre o julgamento do prefeito.


A Tabajara FM pode ser sintonizada no rádio, no celular ou pela Internet, no endereço http://www.radiotabajara.com.br/

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O sujo e o mal lavado

Há umas duas semanas que ando profundamente incomodada com o nível acanalhado desta campanha eleitoral.


Não há discussão de programa, não há crítica consistente às políticas do governo.


Tudo se resume a baixarias, até com o recurso à mentira pura e simples.


Assim, a campanha vai se transformando numa enorme fuxicada, até com essa coisa imunda, ofensiva a todas as mulheres, de criticar Ana Júlia Carepa apenas por seus namorados ou pelo uísque que bebe.


O Pará tem, pela primeira vez em sua história, uma mulher no comando da administração pública.


E, verdade seja dita, não é uma mulher qualquer.


É uma mulher de raça, de guerra.


Uma mulher que não se contentou com um mero sobrenome, ou em ser uma simples dondoca.


Uma mulher que foi à luta, para conquistar o próprio espaço e o próprio nome.


Uma mulher que abriu caminho na política, que é um mundo dominado pelos homens.


Já era de se esperar, portanto, a reação virulenta de alguns homens que ainda ontem caíram de alguma árvore e nem se deram conta disso.


Já disse aqui e vou repetir: nunca vi essas vestais de Bataclan criticarem nem Jatene, nem Almir, nem Jader, nem Gueiros pelas amantes que tiveram e pela cachaça que emborcaram.


Nunca vi esses fariseus atirarem pedras em governantes homens – mesmo que esses governantes homens tenham transformado o Governo e o Estado num autêntico bordel.


Como era mesmo o nome daquela sobrinha com quem o Jader se casou? Como era mesmo o nome daquela amante a quem o Jatene deu um DAS bacana, e que tinha a idade da filha dele? Como era mesmo o nome daquela amante que o Almir pendurou na Assembléia Legislativa? Será que alguma dessas vestais de Bataclan sabe me dizer?


Ah, eu me esqueci!...Pra essas “Perpétuas de calças” esse negócio de sexo tem de ser ruim pra mulher. Porque mulher só pode fazer sexo é com a carteira deles, né mermo?


E ainda me vem esse bicheiro, esse porco, esse canalha desse Mário Couto – que só é senador no Brasil, onde o Senado virou habeas corpus de tudo que é contraventor – a falar mal do uísque (vejam só!) do uísque que a Ana Júlia bebe.


Esse fariseu, esse hipócrita, que, sabe-se lá quantas vezes, ficou de lambaio, enquanto o Almir emborcava garrafas e garrafas de scotch...


E ainda me vem o PSDB, que falava tanto em ética, a defender a imundície de um sujeito como o Mário Couto. O senador do bicho e da tapioca. O senador que até as pedras de Belém sabem muito bem como se elegeu...


E ainda me vêm os fiéis do PSDB – sim, porque, no Pará, o PSDB virou seita evangélica – a repisar a manicure, o piloto...


Mas será que esse partido virou uma simples central de fofocas, um simples tanque de lavadeiras? Mas será que esse partido, que ficou doze anos no poder, não tem proposta de governo?


E aí me vêm falar de nepotismo.


Sério, minhas queridíssimas vestais de Bataclan: quem é que, no Pará, pode falar de nepotismo? Os Barbalho? O Jatene?


Não que eu defenda o nepotismo – considero o nepotismo, sim, uma praga.


Mas, sinceramente: quem é que nesta nossa infeliz província pode falar mal da Ana Júlia e do governo por causa de nepotismo?


Mas aí alguém vai falar da nomeação da Élida Braz como assessora especial do governo.


E aí, embora revoltada, porque não entendo como se pode nomear a Élida Braz para uma assessoria de governo, serei obrigada a dizer: menos mal.


Ou vocês acham que há despautério maior do que o Carlos Santos como governador do estado?


Ou vocês acham que é “coisa menor” ter o Santino e o Vieira, por quatro longos anos, no comando da Segurança Pública do Pará?


Pra mim, o que existe claramente em tudo isso é aquela velha história do sujo que se põe a criticar o mal lavado.


Coisa que faz a festa dessas vestais de Bataclan, que nunca disseram um ai em relação ao Carlos Santos ou ao Santino e ao Vieira.


A política paraense precisa superar essa coisa infeliz de satanizar adversário ou ficar usando a vida alheia como mote de campanha.


Porque, se for passar a peneira na vida de cada um, não vai sobrar nem esta redatora.


Todos nós viemos da luta contra a ditadura – não há nenhum de nós que não tenha estado nesse front...


E o que a gente precisa é se respeitar mais.


O que a gente precisa é politizar o nosso eleitorado e quebrar com séculos de dominação, a bafejar o nosso povo e o nosso estado com a esperança de uma nova história.


Penso que o espelho, companheiros, é excelente conselheiro. Porque, ao nos revelar as rugas da Humanidade, nos torna, também, mais tolerantes.


Ou Jader, Jatene e Ana Júlia e todos os que possuem comando agem no sentido de segurar a galera, ou teremos uma das campanhas eleitorais mais sórdidas de todos os tempos.


O Pará não merece isso. O eleitor, o cidadão paraense, não merece isso.


Aliás, nenhum de nós, pela própria história de vida que construímos, merece isso também.


FUUUUIIIIIIII!!!!!!!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Justiça suspende leilão e licença de Belo Monte

A Justiça Federal determinou a suspensão da licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte e o cancelamento do leilão, marcado para a próxima terça (20/04). O juiz Antonio Carlos de Almeida Campelo concedeu medida liminar (urgente) por ver “perigo de dano irreparável”, com a iminência da licitação.


A decisão é fruto da apreciação de uma das duas ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público Federal tratando das irregularidades do empreendimento. Trata, especificamente, da falta de regulamentação do artigo 176 da Constituição Federal, que exige edição de lei ordinária para o aproveitamento de potencial hidráulico em terras indígenas.


“Resta provado, de forma inequívoca, que o AHE Belo Monte explorará potencial de energia hidráulica em áreas ocupadas por indígenas que serão diretamente afetadas pela construção e desenvolvimento do projeto”, diz o juiz na decisão.


Além de suspender a licença prévia e cancelar o leilão, o juiz concordou com as outras medidas solicitadas pelo MPF: que o Ibama se abstenha de emitir nova licença, que a Aneel se abstenha de fazer novo edital e que sejam notificados o BNDES e as empresas Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Vale do Rio Doce, J Malucelli Seguradora, Fator Seguradora e a UBF Seguros.


A notificação, diz o juiz, é “para que tomem ciência de que, enquanto não for julgado o mérito da presente demanda, poderão responder por crime ambiental”. As empresas também ficam sujeitas à mesma multa arbitrada contra a Aneel e o Ibama em caso de descumprimento da decisão: R$ 1 milhão, a ser revertido para os povos indígenas afetados.


O MPF aguarda ainda julgamento de outro processo, também da semana passada, em que questiona irregularidades ambientais na licença concedida à Belo Monte.


(Fonte: Ascom/MPF)

Tucanos saem em defesa de Mário Couto

O PSDB acaba de divulgar nota em que rebate nota emitida pelo PT, ontem, em defesa da governadora Ana Júlia Carepa. Aqui http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/04/em-defesa-de-ana-pt-repudia-declaracoes.html

Abaixo, a íntegra do documento tucano.
Volto logo mais ou amanhã.

NOTA À IMPRENSA



O PSDB do Pará, diante da nota divulgada à imprensa pelo PT, vem a público dizer o que segue.


O senador Mário Couto cumpre rigorosamente o seu papel constitucional ao avaliar o governo Ana Júlia Carepa, e se o faz negativamente é porque, como representante do povo do Pará, reproduz o que pensa e sente a maioria da população.


O PT, repetindo comportamento já conhecido, não gosta de ser criticado e não aceita que a sua governadora seja avaliada por outros partidos. Mas deve reconhecer que o discurso do senador Mário Couto não é uma voz isolada, tanto que, na nota, o PT não arrisca uma palavra em defesa do governo. No dia-a-dia, em suas andanças em busca da reeleição, a própria governadora Ana Júlia Carepa tem sentido na pele a reação popular, conforme notícias da imprensa.


A mesma reação popular, a que o senador Mário Couto deu voz ao discursar no Congresso Nacional, é o reflexo do estado de abandono do Pará e das pessoas. O povo sente insegurança, convive diariamente com uma violência desmedida. A saúde está sucateada, crianças morrem na Santa Casa, os doentes de câncer vão se tratar em Teresina, o Ofir Loyola passou de referência nacional a hospital sem remédios nem equipamentos. O Pará é campeão em mortes pela gripe H1N1. As estradas estão destruídas. A educação está falida e os kits escolares vêm se somar aos muitos escândalos que rondam várias secretarias e órgãos do governo, conforme noticiado rotineiramente pela imprensa.


Esse é o retrato acabado do governo do PT, que, na oposição, sabe falar e criticar, sempre de forma irresponsável, mas, uma vez com o poder nas mãos, não sabe realizar. Ana Júlia e o PT tiveram tempo para cumprir suas promessas de campanha, mas até hoje nada fizeram. Iludiram os eleitores com discursos sobre mudanças, e só o que deixam são mudanças para pior.


É bem ilustrativo que, apesar de tantos atrativos, o Pará tenha perdido a Copa de 2014 para o Amazonas e, mais recentemente, o Grand Prix de Atletismo para o Rio, evento esportivo de grande envergadura, que já se realizava aqui no nosso Estádio Olímpico do Mangueirão desde 2002. Incompetência é o nome que se dá a isso. Esse governo não faz nada de novo. E sequer mantém o que já havia sido conquistado pelo povo.


Mas o PT, na tentativa de desvirtuar o debate, como é seu costume, fala em “preconceito” contra a mulher. Ora, o Pará está repleto de mulheres competentes em todos os níveis, inclusive em cargos de suma importância, e todas são devidamente reconhecidas. Os governos do PSDB tiveram inúmeras mulheres em cargos-chave, inclusive como vice-governadora, e todas bem avaliadas em suas funções.


O PSDB tem muito orgulho da história que construiu e das grandes lideranças que projetou e que, em doze anos de governo, deixaram marcas indeléveis e saudades na memória do povo, em realizações que engrandeceram o Pará e melhoraram a vida dos paraenses. Infelizmente, em quase quatro anos de PT, o Pará só fez andar para trás.


Por fim, o PSDB lamenta que o PT, no afã de defender sua governadora do indefensável, tenha resvalado para a baixaria. Esse é mais um traço do PT: o partido de Ana Júlia Carepa acha que pode falar de todos, mas ninguém pode falar dele.


O Pará está farto disso.

Belém, 14 de abril de 2010.


Senador Fernando Flexa Ribeiro
Presidente do PSDB do Pará

O angu da propaganda: Governo e DC3 negam subcontratação. Mas Digital confirma ligação entre Link e DC3



A Secretaria de Comunicação (Secom) negou, ontem, a contratação da empresa Link Propaganda para atuar na publicidade do Governo do Estado.


“Não contratamos ninguém. Apenas soubemos que eles (a Link) procuraram o PT, para oferecer serviços”, disse um assessor.


Segundo ele, a Secom desconhece a existência de algum contrato entre a Link e a DC3, uma das empresas que venceram a licitação da publicidade oficial, já que não possui ingerência sobre entes privados.


Mas, assegurou, “não houve subcontratação para o governo”.


O publicitário Glauco Lima, um dos donos da DC3, também negou a subcontratação e até que possua “acordo operacional” com a empresa baiana.


Mas, um funcionário da Digital, a produtora de boa parte dos programas publicitários do governo confirma: a Link presta consultoria à DC3 e até participa de reuniões na Digital.



A versão de Glauco Lima




“Na verdade, não existe contrato da Link no Pará” – disse Glauco, ontem, ao blog – “O que acontece é que, nesse período pré-eleitoral, há uma grande movimentação das grandes redes (de propaganda). A Propeg, por exemplo, também já andou por aqui”.


Ele negou que exista até mesmo um “acordo operacional” entre a DC3 e a Link, conforme noticiado em vários blogs, apesar de explicar que acordos desse tipo – que não costumam resultar em contratos formais ou valores pré-estabelecidos - são muito comuns no setor.


Glauco rebateu as afirmações de que a DC3 seria uma empresa de parca capacidade financeira, cujo único cliente de grande porte seria o Governo do Estado – daí as especulações de que o contrato com a Link encobriria uma triangulação, para custear a reeleição da governadora Ana Júlia Carepa com dinheiro público.


Segundo ele, a DC3 possui vários clientes de grande porte.


É o caso, por exemplo, do Banco da Amazônia (Basa), que a agência atende em nove estados, e da gigante Facepa, cuja conta, em todo o Norte e Nordeste, também pertence à DC3.


Ou, ainda, da Duelo (que produz diversas bebidas alcoólicas, entre as quais o Ice); da Supersport, que possui dez lojas de artigos esportivos na Região Norte, e do sistema de ensino Universo.


Glauco acentuou a impossibilidade de uma empresa do tamanho da DC3, que possui 25 funcionários, sobreviver exclusivamente da conta do governo, que é dividida com mais sete agências - até porque o grosso da verba publicitária (cerca de 80%) é destinado aos veículos de comunicação.


E lembrou que o aprimoramento das agências de propaganda é uma exigência do próprio mercado, atribuindo as críticas que tem recebido, por essa busca de parcerias, ao período eleitoral.


“Muita gente pensa que agência (de propaganda) é só para fazer jogo de palavras. Mas, devido à profissionalização, temos é de buscar uma rede de parcerias, para atender os nossos clientes. Estamos, por exemplo, conversando com um grupo de São Paulo, para a promoção de vendas. Mas, como estamos no período eleitoral, as pessoas distorcem tudo. E se eu disser que estamos conversando com uma agência de São Paulo, vão logo dizer que estou terceirizando a conta do governo”, queixou-se.


E repisou: “A Link é uma rede nacional. Mas, nem um acordo operacional fechamos, ainda, com ela”.


De acordo com o publicitário, é o porte da agência a impulsionar essa busca de parceiros. “O governo não tem nada a ver com essa história. É muita inverdade”, protestou.


Perguntei-lhe se é a DC3 que está pagando a hospedagem dos funcionários da Link. Ele garantiu que não.


E também garantiu não saber se a Link “está pagando aluguel da sala, uma sala de reunião, que eles usam na Digital (a produtora de boa parte dos comerciais do governo). Mas não sei qual o vínculo deles com a Digital, que é independente”.


Perguntei-lhe se é verdade, como se especula nos blogs, que dá expediente na Digital. Glauco, novamente, negou:


_Não é que dê expediente lá. A maioria dos programas do governo é feita lá e, por isso, vou lá acompanhar isso. É normal acompanhar a realização do comercial. Mas, qualquer coisa que a gente faça agora é mal interpretada.


Glauco disse acreditar que a Link está no Pará “por conta própria”, em busca de alguma campanha política.


E observou que não há nada de inusitado nisso – afinal, a empresa MCI, de Daniel Lavareda, trabalhou para o tucano Simão Jatene, e a Verve, do Ceará, atuou na campanha de Helder Barbalho, em Ananindeua.


Disse que leu em um blog baiano que a Link iria trabalhar na campanha de reeleição da governadora Ana Júlia Carepa, mas não encontrou nada a respeito disso no site da própria Link.


E também não acredita que o governo tenha contratado a empresa para a área publicitária, já que há oito agências licitadas, para esse tipo de serviço.


“Até a marca do governo foi escolhida através de concorrência” – lembrou – “E não tem nem como o Governo fazer esse tipo de contratação que estão dizendo”.


Mesmo assim, perguntei-lhe o que pensaria, como paraense, caso o governo contratasse, de fato, a empresa baiana. Disse ele:


“A minha opinião é que se vier com profissionalismo, com expertise, pode vir. Só não aceito é baixar o nível da concorrência. Já entrei no Ceará e todo mundo torcia o nariz para mim. O Pedro Galvão, por exemplo, já fez campanha fora, o que é motivo de muito orgulho pra gente. Se trouxer expertise, agregar para o mercado, todo mundo ganha. E se eu disser que não aceito empresas como a Link e a Verve, não posso me arvorar a entrar no Maranhão e no Piauí”.


E acrescentou: “Agora, é claro que esses grupos de fora têm muito mais capacidade de investimento. E nós temos é de nos preparar, investir em qualidade, principalmente recursos humanos, já que agência de propaganda é, sobretudo, gente. Tem que ter inteligência – e isso não custa barato”.


Perguntei-lhe, enfim, por que não desmentiu as informações que davam conta da contratação da Link pela DC3.


A resposta dele: “Estou conversando com você, porque você tem uma história no jornalismo. Mas o nível está tão baixo que não dá nem para responder. Se fossem acusações consistentes, de nível... Além disso, eu teria de parar de trabalhar só para responder a essas acusações, e ainda colocadas de maneira anônima”.



Digital confirma ligação Link/DC3



O problema é que as explicações de Glauco Lima não batem com as afirmações da Digital.


Um dos diretores da empresa, Anderson Reis, disse que a Link não possui sala na Digital. Aliás, não possui nem mesmo relações com a Digital – e sim, com a DC3.


E esclareceu: “Eles (a Link) já vieram aqui. Tem uma sala de reunião que a gente reúne sempre. Ela (a Link) reúne com a DC3, com a gente, com o diretor dos comerciais, o Fausto”.


Mas, observou, “o Glauco é que trouxe a Link”.


Anderson explicou que a Digital, como toda produtora de vídeo, faz, eventualmente, trabalhos para os governos, através das agências.


Mas não tem “comando” sobre as peças publicitárias, já que apenas executa os roteiros que lhe são entregues.


“A estratégia é fora da nossa alçada”, acentuou.


Disse que “eles (a Link) estão dando consultoria para a DC3”. Mas desconhece se há ingerência da empresa baiana nos roteiros dos comerciais do governo, que são repassados à Digital pela DC3.


Perguntei-lhe, então, se as reuniões na Digital giram em torno dos programas do governo.


A resposta dele: “Eles se reúnem, não sei se pelo governo. Mas, pelo fluxo de trabalho, acho que estão tratando da campanha”.


Depois, afirmou que nem conhece os funcionários da Link – um homem e uma mulher: “Eles são superdiscretos. Nem transitam pela empresa. Nem na ilha de edição vão”. E que “eles vêm aqui para conversar com a DC3”.


Antes, logo no início da nossa conversa telefônica, Anderson também disse que os funcionários da Link aparecem na Digital duas vezes por semana.


Mas, depois de muitas e insistentes perguntas, emendou: “A Link começou a aparecer aqui na quinta-feira da semana passada, veio aqui umas duas vezes. São duas pessoas que vêm sempre, um homem e uma mulher, mas, não me foram apresentados. Eles vêm com o Glauco. Não é uma equipe grande, como já disseram por aí. Aqui nem tem espaço para isso”.


Anderson disse, ainda, que não tem idéia de onde essas duas pessoas estão hospedadas e garantiu que os funcionários da Digital nunca receberam ordens diretas da Link, em relação aos programas do governo.


Pedi, então, para falar com o diretor de programas, o Fausto, mas Anderson informou que ele havia saído.


O blog também tentou contato, na tarde de ontem, com o diretor da Link Propaganda, Édson Barbosa, em Salvador.


Uma secretária da diretoria, que se identificou como Célia, ficou de repassar meus telefones a Barbosa, mas ele não retornou a ligação.


Também tentei contato novamente com Glauco Lima, para falar acerca das declarações de Anderson Reis, mas ele não atendeu os meus telefonemas.


À noite, tentei falar com o presidente do PT, João Batista, para saber se o partido possui contrato com a Link, mas ele se encontrava em reunião.



Sem hospedagem



No hotel Expresso XXI da Batista Campos, um funcionário de nome Gilberto disse não haver nem hóspede, nem reserva, em nome da Link, da DC3, ou do Governo do Estado, mas que havia um hóspede “pelo marketing do governo, em nome de uma pessoa do governo”, no Expresso XXI de Nazaré.


Mas, no Expresso XXI de Nazaré, uma funcionária de nome Juliana, que trabalha nas reservas do hotel, desmentiu a informação.


“Não tem nenhum hóspede pago pelo Governo. É pagamento direto ou pelas agências de turismo – nenhuma de propaganda”, informou.


E disse, sobre a observação de Gilberto: “Eles (do outro Expresso) não têm acesso ao nosso sistema”.


Na verdade, o mal entendido parece ter sido causado pela transferência de uma hóspede do Expresso da Batista Campos para o da avenida Nazaré, que disse estar a serviço do governo.


O problema é que essa hóspede, além de pagar a conta diretamente, é funcionária do Iphan.


No hotel, também não há ninguém hospedado pela DC3 ou por Glauco Lima.


No cadastro, Juliana conseguiu localizar um cidadão de nome Édson Barbosa, que esteve hospedado lá entre 23 a 25 de março deste ano, mas, por cortesia do estabelecimento.


Além disso, a procedência desse Édson Barbosa é São Paulo.


A Perereca também voltou ao site da Link, mas, ao contrário do que tem sido afirmado nos blogs, não encontrou nenhuma referência ao Governo do Pará.


A origem do angu de caroço em que se transformou a propaganda do governo parece ser o blog Notas da Bahia, do jornalista Giorlando Lima, que noticiou, em 29 de março deste ano:


“A Link Propaganda, de Salvador, está com a cara na rua. Outdoors da agência estão espalhados pelas principais avenidas de Salvador, nos quais ela se vende como uma agência nacional.


Enquanto isso, uma pequena equipe já está em Belém há uma semana, cuidando das preliminares da campanha em busca da reeleição da governadora Ana Júlia.


A agência de Edson Barbosa fechou um belíssimo contrato para um trabalho que, por enquanto, está sendo considerado difícil.


Ana Júlia teve um ano de 2009 muito complicado e a aprovação do seu governo caiu, tendo como principal reflexo uma rejeição alta e baixa intensidade nas pesquisas de intenção de voto, comentam por lá.


A governadora do Pará foi alvo de uma forte campanha negativa, com críticas duras e resvalando para o lado pessoal, até o meio do ano passado, da parte dos dois principais grupos de mídia do Pará: O ORM, ou Liberal, da família Maiorana, com rádios, jornais e TV, e a RBS, de Jader Barbalho, que inclui um jornal, rádios e uma televisão.


Em julho, o esforço dos articuladores políticos do governo e a ameaça de eleição de Jader Barbalho ao governo do Estado – algo que os Maiorana têm como um pesadelo – trouxeram o Liberal para o lado da governadora.


Pouco mudou, em verdade.


O PSDB decidiu-se pelo ex-governador Simão Jatene, reconhecido como competente e que está andando muito pelo interior do estado e apareceria revezando-se com Jader Barbalho na liderança das pesquisas de intenção de votos.


Os jaderistas dizem que o chefe do PMDB paraense está muito bem no cenário e ganharia a eleição.


O PT ainda tenta trazê-lo – com a força da sua mídia e o PMDB junto -, mas a esmagadora maioria dos peemedebistas do Pará querem candidato próprio.


Se isso acontecer, Edinho Barbosa e sua Link terão muito trabalho.


Difícil, mas não impossível.


Primeiro porque a governadora Ana Júlia, apesar da rejeição de agora, tem carisma e muita energia para se recuperar.


E depois porque competência nessa área é o que não falta a Edson Barbosa e a hoje sua Link. Isso todo mundo sabe, mesmo os que não gostam dele”.


( http://notasdabahia.com/2010/03/29/a-link-e-pt-no-para-agencia-ja-comecou-o-trabalho-la-2/ )

Só depois, no começo de abril, é que a possibilidade de contratação da Link, para atuar na campanha de reeleição da governadora, foi noticiada pelo blog do Bacana ( http://blogdobacana-marcelomarques.blogspot.com/)
E pelo Espaço Aberto (http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/ )

Já o acordo operacional entre a Link e a DC3 saiu, na mesma época, no blog do Hiroshi Bogéa (http://hiroshibogea.blogspot.com/ )

No último dia 12, a notícia também apareceu no blog Oportunidades Belém, da publicitária Lorena Goretti (http://oportunidadesbelem.blogspot.com/)

Em nenhuma dessas oportunidades houve críticas à DC3 ou a Link, pelos autores das postagens.


No entanto, nenhuma dessas informações foi desmentida.