segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O PSDB e seu Versalhes imaginário



O PSDB precisa de um banho de povo. Mas o problema é se há tempo para isso até outubro.

Há uns meses, os tucanos andavam embriagados pelo clima de “já ganhou” de José Serra.

A dura realidade das pesquisas mostrou, porém, a possibilidade de um novo naufrágio.

Daí, talvez, a hesitação de Serra em dar o pontapé na campanha presidencial: o inesperado crescimento de Dilma (inesperado apenas para os tucanos) vai transformando a Presidência numa aventura, em tudo oposta à reeleição ao Governo de São Paulo.

Lembro que este blog já dizia, há alguns meses, que era muito cedo para fazer previsões quanto às eleições paraenses.

E um dos fatores de incerteza era justamente o desempenho de Dilma Rousseff.

Não se sabia se emplacaria – mas também não havia como afirmar o oposto, até pelas inegáveis qualidades dela, o peso da máquina e o fenômeno eleitoral chamado Luís Inácio Lula da Silva.

Com a arrogância de sempre, porém, os tucanos preferiram ignorar tudo isso.

Repetiam que Dilma não tinha chances porque era uma desconhecida e uma pesadíssima mala – como se o Serra não fosse também...

Hoje, o clima de “já ganhou” do tucanato vai dando lugar a uma enorme ressaca.

Faltou-lhe perceber que entrará em campo para enfrentar a máquina – e a máquina de um governo extremamente popular.

Os tucanos tiveram oito anos para descer o salto e não o fizeram.

Insistiram em apenas torcer o empinado nariz para o operário de parca instrução.

Não investiram na tradução popular de seu programa de governo.

Não tiveram a humildade de aprender com o luminoso comunicador que é Luís Inácio.

Não conseguiram nem mesmo carimbar os programas sociais que conceberam e dos quais os petistas acabaram por se apropriar.

Partido sem massa, sem povo, o PSDB não conseguiu cultivar nem mesmo um saudável orgulho em relação ao muito que fez pelo povo brasileiro.

Não conseguiu se livrar desse mau espírito, desse encosto de nobreza decadente.

Daí que não consiga acertar nem o mote da campanha: não sabe o que vender, nem como vender.

Bem vistas as coisas, o PSDB é um dos pais de Lula.

Ao manter-se encastelado em seu Versalhes imaginário; ao adotar como única estratégia a ridicularização do “operário-Jeca” do Palácio do Planalto; ao não se preocupar em traduzir em linguagem popular os males do aparelhamento e do gigantismo do Estado, o PSDB cavou um fosso cada vez mais profundo em relação aos “filhos do Brasil”.

Por isso a facilidade de Lula em se transformar em “guia” e “pai” de todos eles.

Em tal contexto, a candidatura de Serra é emblemática e problemática.


Emblemática porque representa o ideal tucano do governante iluminado, mesmo que a expressar-se em chinês.

Problemática porque o cenário exigiria alguém com a leveza e a juventude de um Aécio Neves.

Quem sabe nos próximos quatro anos os tucanos consigam compreender, afinal, que não é o povo que tem de vir ao partido.

Mas o partido é que tem de ir ao encontro do povo.

O adeus a Neuton Miranda



O blog registra – e lamenta profundamente – o falecimento de Neuton Miranda, presidente estadual do PC do B.

Conhecemo-nos na década de 80 e sempre o achei um sujeito pra lá de bacana – aliás, penso que essa opinião é geral, unânime.

A última vez que o vi foi na festa de 30 anos do PT – sim, lá estava ele, com o mesmo jeitão calmo e delicado.

Fará uma falta danada, ao Brasil e ao Pará.

Minhas condolências à família biológica e a sua enorme família: o PC do B.

Abaixo, a matéria publicada na tarde de ontem no site do PC do B:


PCdoB lança nota de pesar pela

morte de Neuton Miranda


O presidente do PCdoB do estado do Pará, camarada Neuton Miranda, faleceu neste sábado, 20 de fevereiro, vítima de um fulminante ataque cardíaco. O presidente nacional do partido, Renato Rabelo e o Comitê Estadual do PCdoB do Pará lançaram notas de pesar pela morte do militante comunista. O enterro será realizado na terça-feira (23/2).

Neuton Miranda estava em serviço, distribuindo títulos de propriedade de terras a populações ribeirinhas no município de Belterra, região de Santarém , no Pará.

Neuton Miranda era membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil e presidente do Comitê Estadual do Pará. Já foi deputado estadual e candidato ao Senado. Estava exercendo também importante função no governo federal, como Diretor do Patrimônio da União no Pará. Neuton era militante do Partido Comunista do Brasil há 38 anos. Foi líder estudantil e diretor da União Nacional dos Estudantes em 1968. Era casado com a professora universitária Leila Mourão e tinha uma filha, Janaína.


A camarada Socorro Gomes, que se encontra em missão do Conselho Mundial da Paz no Nepal e só retorna ao Brasil na noite da próxima terça feira, declarou, por telefone, estar "chocada e profundamente consternada com a morte do camarada Neuton Miranda".

Socorro, foi deputada federal pelo Pará e integrante da direção daquele estado atuou com Neuton durante mais de um quarto de século, nos esforço de construir o partido no estado. Socorro disse que a morte de Neuton é uma "perda irreparável". Ela expressou a certeza de que os comunistas paraenses irão transformar a dor em mais espírito de luta em nome dos interesses do povo paraense e dos comunistas do estado.


O pesar de Renato Rabelo


Este é também o tom da nota publicada pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, que traz o seguinte trecho: "Os novos e os veteranos militantes que com Neuton têm se empenhado nesta nova etapa partidária no Estado saberão seguir o seu exemplo e ocupar o seu lugar na nossa trincheira de luta".


A nota do Comitê Estadual do Pará inicia em tom de profundo respeito: "Estão a meio pau as bandeiras do Brasil, do Pará e do PCdoB". E ambas valorizam a trajetória militante e o exemplo revolucionário deixados por Neuton Miranda.

O corpo de Neuton será velado a partir da tarde deste domingo (21/2) no salão nobre da Assembleia Legislativa do estado do Pará e será sepultado em Belém, capital do estado, na manhã da próxima terça-feira (23/2).

Membros de todas as instâncias de direção do PCdoB comparecerão ao velório e ao sepultamento, e o partido deve divulgar nota de pesar pelo falecimento.


A nota de pesar do PC do B paraense


Saudações ao Comunista Neuton Miranda



Estão a meio pau as bandeiras do Brasil, do Pará e do PCdoB.
Morreu Neuton Miranda.

Vítima de um ataque fulminante do coração, Neuton estava a trabalho em Belterra, cidade do Oeste paraense, onde encerrou uma vida marcada pela dedicação integral à luta por uma sociedade socialista. Isso desde a década de 60, quando militava no movimento estudantil e participava da Ação Popular.

Neuton Miranda nasceu em Marabá e era estudante de Matemática em Belo Horizonte quando atendeu ao chamado da luta do povo. Vice-presidente da UNE na gestão de Honestino Guimarães, foi perseguido pela ditadura militar, sendo obrigado a viver clandestino em seu próprio país. No mais duro período repressivo, no ano de 1972, decidiu somar fileiras ao Partido Comunista do Brasil. Decretada a Anistia, foi destacado pelo seu partido para reorganizar o PCdoB no Pará, ao lado de Paulo Fonteles e Neco Panzera.

Em 1984, em um último espasmo da ditadura, Neuton chegou a ser preso em Belém, acusado de reorganizar o PCdoB. Foi deputado estadual da legenda comunista entre 1992 e 1994, com atuação destacada em defesa dos trabalhadores e na luta pelo direito de morar. Chegou a ser presidente da COHAB, na gestão de Almir Gabriel, rompendo publicamente com este após o Massacre de Eldorado dos Carajás. Neuton também foi Secretário Municipal de Habitação no Governo do Povo e há cinco anos era Superintendente do Patrimônio da União.

Na SPU, liderava um trabalho pioneiro de concessão de uso do solo que beneficia mais de 60 mil famílias paraenses, desde ribeirinhos a moradores da grande Belém, naquilo que se tornou o maior programa de regularização fundiária em área metropolitana do país.

Era presidente estadual do Partido Comunista do Brasil e membro de seu Comitê Central. Deixa esposa, filha, mãe, irmãos. E uma história honrada, de coerência, combatividade, trabalho e luta. Não acumulou riquezas, mas era um colecionador de amigos e admiradores, além de contar com gratidão de milhares de pessoas a quem ajudou com o seu trabalho.

Neuton Miranda foi um exemplo a ser seguido, um revolucionário. Seu desaparecimento nos deixa a todos consternados. No entanto sabemos que quem morre lutando pelo progresso sempre vai servir ao propósito da vida.
Viver e lutar pela vida são o legado de Neuton Miranda.
Partido Comunista do Brasil


Comitê Estadual do Pará

Lula aumenta DAS em 119% e gastos atingem R$ 1,2 bi





No Jornal O Globo:





"BRASÍLIA - Além de inchar a máquina com mais funcionários públicos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também inflou o número de cargos de confiança e está gastando mais com essas nomeações sem concurso - grande parte fruto de indicações políticas.



Dados recentes do Ministério do Planejamento - revelados em reportagem de Gustavo Paul e Cristiane Jungblut do jornal "O Globo" desta segunda-feira - apontam que, entre 2002 e 2009, o número de cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) aumentou 24,6%, passando de 18.374 para 22.897. Já as despesas com essas e outras funções gratificadas do Executivo passaram de R$ 555,6 milhões em 2002 para R$ 1,222 bilhão em 2009, um salto de 119,9%.


É com esses cargos DAS que o governo federal pode contratar técnicos qualificados de fora do serviço público e apadrinhados políticos, sem concurso.

No período de sete anos, esse tipo de indicação teve um crescimento de 35%, passando de 4.189 em 2002 para 5.678 em novembro passado. E a participação desse contingente no total dos comissionados foi a que deu o maior salto: passou de 22,8% do total para 27%.


Um estudo sobre o perfil dos ocupantes de cargos da alta administração no governo Lula - apresentado pela pesquisadora Camila Lameirão, da Fundação Getulio Vargas, no 2 Congresso do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), em Brasília - identificou um forte engajamento social, político e sindical nesses profissionais.


Baseado em uma amostra dos ocupantes de DAS 5 e 6 e de cargos de Natureza Especial (NE), o estudo mostra que, no atual governo, 25,9% desses profissionais são filiados a partidos políticos, sendo que 80% deles declararam ser do PT.


Em 2010, os gastos com a folha de pessoal dos três poderes chegarão a 5,09% do PIB. E o governo ainda pagará um parcela do reajuste dado, a partir de 2008, a 1,4 milhão de servidores. Só para o Poder Executivo, a parcela a ser paga este ano tem o custo de R$ 6,6 bilhões".


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http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/02/21/gastos-do-governo-com-funcoes-gratificadas-crescem-119-chegam-r-1-2-bi-915905184.asp

Serra e o fim da era paulista na política




O artigo abaixo, do jornalista Luís Nassif, foi reproduzido pelo Ananindeua Debates, que o encaminhou à Perereca via e-mail.




"Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?
Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.



Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para a aposentadoria ou para segundo plano.



Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.



Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.



De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:



1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.



2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.




O balanço que virá




O clima eleitoral de hoje, mais o poder remanescente de Serra, dificulta a avaliação isenta do seu governo. Esse quadro – que vou traçar agora – será de consenso no ano que vem, quando começar o balanço isento do seu governo, sem as paixões eleitorais e sem a obrigatoriedade da velha mídia de criar o seu campeão a fórceps. Aí se verá com mais clareza a falta de gestão, a ausência total do governador do dia-a-dia da administração (a não ser para inaugurações), a perda de controle sobre os esquemas de caixinha política.



Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.



Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.



Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.



No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.



O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.




O fim das ideias




O Serra que emergiu governador decepcionou aliados históricos. Mostrou-se ausente da administração estadual, sem escrúpulos quando tornou-se o principal alimentador do macartismo virulento da velha mídia – usando a Veja e a Folha – e dos barra-pesadas do Congresso. Quando abriu mão dos quadros técnicos, perdeu o pé das ideias. Havia meia dúzia de intelectuais que o abastecia com ideias modernizantes. Sem eles, sua única manifestação “intelectual” foi o artigo para a Folha criticando a posição do Brasil em relação ao Irã – repetindo argumentos do seu blogueiro -, um horror para quem o imaginava um intelectual refinado.



É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.



Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.



Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.




O personalismo exacerbado




Principalmente, chamaram a atenção dois vícios seus, ambos frutos de um personalismo exacerbado – para o qual tantas e tantas vezes FHC tinha alertado.



O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.



O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.



O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.



O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.



Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.



No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.



O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.



Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de resgatar esses quadros para o partido.



Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.



O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.



Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.



A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra".




O endereço do Luís Nassif está aqui:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/21/serra-e-o-fim-da-era-paulista-na-politica/#more-49188



E o endereço do Ananindeua Debates está aqui:
http://ananindeuadebates.blogspot.com/



Dilma: "Você acha que sou um poste?"



Na Revista Época:




Em sua primeira entrevista como candidata à Presidência, a ministra Dilma Rousseff desafia os adversários a demonstrar maior experiência de governo do que ela




Eumano Silva, Guilherme Evelin e Helio Gurovitz





Dilma Rousseff já fala como candidata à presidência. Falou pela primeira vez numa entrevista a ÉPOCA, concedida na última quinta-feira, dia de abertura do Congresso do PT que a aclamou como o nome do partido para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Escolhida candidata por Lula, Dilma se apresenta como a melhor alternativa para dar continuidade aos projetos do atual governo. E faz questão de rebater a acusação dos adversários de que seja apenas um títere do presidente: “Duvido. Duvido que os grandes experientes em gestão tenham o nível de experiência que eu tenho. Duvido”. Mas, questionada sobre a possibilidade da volta de Lula em 2014, Dilma aceita a hipótese. “Sem sombra de dúvida, ele pode. O presidente chegou a um ponto de liderança pessoal, política, nacional e internacional que o futuro dele é o que ele quiser”, diz a ministra-chefe da Casa Civil – posto de Dilma até 2 de abril, quando deverá deixar o cargo para disputar as eleições presidenciais.



Na entrevista de quase duas horas, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República, Dilma expôs suas credenciais para comandar o Brasil, debateu planos de governo e falou claramente o que pensa sobre temas como o tamanho do Estado na economia, as privatizações, o aborto, a descriminalização das drogas, o câncer e a iminência de se tornar avó. Dilma chegou e saiu sorridente – como uma candidata pronta para desfazer a imagem da tecnocrata inflexível com que foi frequentemente caracterizada antes de sonhar com o Palácio do Planalto.





ÉPOCA – O que qualifica a senhora para ser presidente da República?
Dilma Rousseff
– O governo Lula deu um passo gigantesco. Construiu um alicerce em cima do qual você pode estruturar a transformação de que o Brasil precisa. A partir de 2005, o presidente me deu a imensa oportunidade de coordenar o segundo governo dele. Estávamos enfrentando uma crise muito forte (o escândalo do mensalão) e uma disputa que tentava inviabilizar o governo. Ainda não tínhamos conseguido implantar a estabilidade de forma definitiva. A inflação e as contas públicas estavam sob controle, mas o crescimento ainda era baixo. As reservas também. Aí o investimento entrou na ordem do dia, e modificamos o jogo no segundo mandato do governo Lula. Tive a oportunidade de entrar exatamente nessa grande crise.




ÉPOCA – Em algum momento o presidente disse que a senhora seria candidata?
Dilma –
O presidente nunca chegou para mim e disse: “Você vai ser a sucessora do meu governo”. Ele avaliou que participei da elaboração das principais políticas: o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o pré-sal, a TV Digital, a banda larga nas escolas. Todos os projetos do governo, de alguma forma, passaram pelo presidente e por mim. Uma das coisas que me credenciam para ser presidente é que conheço hoje o governo brasileiro de forma bastante circunstanciada, precisa e profunda. E conheço as necessidades para dar continuidade a esses projetos.




ÉPOCA – O que seria, num eventual governo da senhora, o passo seguinte?
Dilma –
No Brasil, os governos sistematicamente não tinham projeto de desenvolvimento econômico-social que incluísse todos os brasileiros. A grande novidade do governo Lula é o olhar social. Não só porque estendemos benefícios econômicos aos mais pobres. Há uma profunda mudança cultural e moral quando você torna a população mais pobre do Brasil legítima interessada no desenvolvimento. A reação ao Bolsa Família mostra a aversão elitista a políticas sociais num país com a desigualdade do Brasil. Quando chamam o Bolsa Família de “bolsa-esmola”, é porque veem a política social como uma coisa ultrapassada. Alguns dizem que essa é a continuidade do passado. Não é. É a maior ruptura com o passado. Não dá para falar: “Eu fiz o Bolsa Família antes”. Ah é? Fez para quantos? O que buscamos é uma política para cuidar dos 190 milhões. Se você perguntar para mim: “Tá completo?”. Vou falar: “Nããão”.



ÉPOCA – Como presidente, o que a senhora faria que o governo Lula não fez? Como imprimiria sua marca?
Dilma –
Vou participar até o dia 2 de abril do imenso esforço deste governo para mudar o Brasil. Isso me dá condições de olhar para a frente e falar que você não faz em oito anos uma transformação tão profunda. Há coisas que precisam de mais tempo para maturar. Talvez eu dê mais impulso e acelere mais, se eu ganhar a eleição, mas você vai precisar de uma sucessão de governos. Um exemplo: toda a política de inovação em pesquisa tecnológica. Conseguimos fazer um pedaço. Mas é preciso fazer no futuro muito mais: desenvolver uma cadeia de inovação para fármacos, uma para nanotecnologia, cuja infraestrutura já começou a ser feita. Entrar na economia do conhecimento é fundamental na próxima gestão. Teremos de dar suporte às universidades públicas, que estavam sucateadas, voltar a fazer pesquisa básica, dar suporte para termos trabalhadores especializados no ensino médio. Isso leva décadas.




ÉPOCA – Que papel a senhora vê para o Estado nesse processo? Ele tem de ser dono de empresas? Ou estabelecer regras para garantir um ambiente estável para os negócios prosperarem?
Dilma –
Os países ocidentais e desenvolvidos organizaram seus Estados para dar suporte à sociedade e às empresas privadas. Tanto é assim que um dos maiores compradores e organizadores da demanda privada nos EUA é o Pentágono, né? Essa discussão de Estado empresário é uma discussão da década de 50. Não é a deste momento no Brasil. Agora, somos contra a privatização de patrimônio público ou de estatais como Petrobras, Furnas, Chesf, Eletrobrás, Banco do Brasil, a Caixa. Essa é uma posição de governo que não tem nada a ver com Estado empresário, mas com a preservação do patrimônio público.




Leia o restante da entrevista:




Parte 2: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI122895-15223-2,00-DILMA+VOCE+ACHA+QUE+SOU+UM+POSTE.html


Parte 3: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI122895-15223-3,00-DILMA+VOCE+ACHA+QUE+SOU+UM+POSTE.html


Parte 4: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI122895-15223-4,00-DILMA+VOCE+ACHA+QUE+SOU+UM+POSTE.html


A tese da terceira via

Do blog do Zé Carlos



"Existe hipótese para uma terceira via no Pará? Tem gente confundindo terceira via com uma terceira candidatura. É muito parecido, mas não é a mesma coisa.



Terceiro ou quarto nomes estão rodando pelos bastidores da política, tentando se viabilizar.



Fala-se que o prefeito Duciomar Costa avalia essa possibilidade, dizem que Jader está entusiasmado por uma pesquisa em que aparece empatado com Simão Jatene.



Almir Gabriel fez da terceira via o combate ao colonialismo da Vale e a Jatene, pauta principal das suas conversas.



Até um madeireiro-aventureiro, que tentou negociar terras da União com a própria União, chamado Luís Tremonte, viu neste terceiro nome uma brecha para vender ilusões.



Terceira via, meus amigos, é algo mais complexo, pressupõe um terceiro projeto. Uma forma diferente de gerir os negócios do Estado e resolver os problemas da população. O povo, mas inteligente que muitos políticos, sabe fazer a diferença entre terceiro nome e terceira via.



O Pará já experimentou duas administrações de Jader Barbalho. Três do PSDB e experimenta uma primeira do PT. Aqui temos três projetos. Qual seria hoje um projeto novo de Pará? De onde poderia surgir? A aliança PTB-PR que hoje administra Belém? O meu Partido Verde?



Jader, embora ameace sair candidato a Governador, isso não vai acontecer. A maior aventura que o líder do PMDB está disposto a fazer é tentar uma vaga a senador, isso se a governadora Ana Júlia e o PT convencerem Paulo Rocha a recuar, pois Jader, depois do que aconteceu com Elcione, não confia que o PT votará nele, nem como segunda opção.
Sobra então as alternativas PTB-PR ou PV.



O PTB-PR não apresentaram até agora uma projeto estadual, capaz de atrair aliados. Nunca disseram qual as suas propostas para a questão do desenvolvimento, da segurança pública, das questões tributárias. A maioria dos prefeitos destes partidos foi eleita graças ao apoio da Governadora Ana Júlia.



O Partido Verde tem uma propostas de desenvolvimento para o Pará e a Amazônia, tem candidato a presidência. Mas será que conseguiríamos montar aliança para viabilizar uma terceira via? Esse é o nosso dilema.



No inicio do processo eleitoral até que surgiu um nome com cara de terceira via. O empresário e ex-prefeito de Paragominas Sidiney Rosas. Sidiney tentou construir uma opção liberal, que reunisse bons administradores, sérios empresários e honestos políticos. Esta opção apresentava como cartão de visita a boa e competente administração feita em doze anos, que transformaram paragobala em Paragominas.



Sidney experimentou oposição do próprio PSDB, onde sofreu muitos golpes internos e concluiu que os tucanos paraenses só podem ir até Castanhal. Depois de lá fica proibido avançar.



Para mim não existe hipótese de terceira via capaz de travar um debate de programa e projeto. O que existe é terceiro nome, mas isso em qualquer eleição democrática sempre vai existir.



Não precisa tanto esforço para identificar o que está por trás da tese da terceira via. Basta apenas ver quem está falando nisso. São pessoas com novas idéias? Com novas práticas? Não! Ah, que peninha.



Então, incautos, prestem atenção. Almir quer o terceira nome para mostrar ao PSDB quem é que manda e derrotar Jatene. Jader quer o terceiro nome para enfraquecer a Ana Júlia e aumentar o cacife nacional do seu partido, e com isso, negociar melhores condições futuras.



Ah, as pesquisas. Nem eles acreditam nela. Pois a melhor frase sobre pesquisa foi dita pelo mestre Jader: “Pesquisa é igual exame pré-operatório, só presta perto da cirurgia”



http://zecarlosdopv.blogspot.com/

Conferência Internacional de Cidades Inovadoras 2010




Entre os dias 10 e 13 de março, Curitiba receberá mais de 80 especialistas de todo o mundo que irão debater caminhos para a construção de realidades urbanas mais inovadoras, prósperas e humanizadas.




Uma iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010) trará experiências de sucesso em planejamento urbano, sustentabilidade, mobilidade, gestão e políticas públicas, entre outras, que transformaram cidades em ambientes propícios ao desenvolvimento econômico, social e ambiental.



Entre os nomes de peso que participarão da conferência estão Steve Johnson (EUA), autor de seis best-sellers que influenciaram desde ações de planejamento urbano até a luta contra o terrorismo; Pierre Lévy (Canadá), filósofo que estuda o conceito de inteligência colet iva; Marc Giget (França), diretor-fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e Inovação; Jaime Lerner (Brasil), arquiteto e urbanista, ex-prefeito de Curitiba; Jeff Olson (EUA), arquiteto e urbanista envolvido em projetos que contemplam espaços verdes e meios de transporte alternativos; Marc Weiss (EUA), presidente do Global Urban Development e líder do projeto Climate Prosperity; Clay Shirk (EUA), professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet e de New Media na New York University; e o arquiteto Mitsuru Senda (Japão).



A lista completa e o currículo dos palestrantes estão no site www.cici2010.org.br



Representantes de mais de 50 cidades, de todos os continentes, já confirmaram presença na CICI2010. O evento acontecerá dentro da área de mais de 80 mil metros quadrados do Cietep, sede da Fiep no Jardim Botânico que tem localização estratégica, com acesso fácil e rápido ao Aeroporto Internacional Afonso Pena e a apenas 5 quilômetros do centro de Curitiba. São esperados cerca de 1.500 inscritos, que participarão de uma série de atividades durante os quatro dias da conferência.



“A inovação é o único caminho para construirmos uma sociedade sustentável. E para que as empresas brasileiras e todo o País inovem é preciso, antes de tudo, que nossas cidades sejam inovadoras”, afirma o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures. “A CICI2010 será uma grande oportunidade para que possamos pôr nossas cidades definitivamente na rota da inovação”, acrescenta.



Copromovida pelas prefeituras de Curitiba, Lyon (França), Bengaluru (Índia) e Austin (Estados Unidos) e com apoio institucional das Nações Unidas, a conferência é dirigida a empresários, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e interessados em inovação.



O evento está dividido em quatro grandes temas: “O reflorescimento das cidades”, com experiências de inovações sociais e tecnológicas para a construção de um novo ambiente urbano; “A reinvenção do governo a partir das cidades”, que trará inovações em gestão e experiências de inovações políticas e da cidade como sistema vivo; “A governança do desenvolvimento nas cidades”, uma mostra de experiências de inovações para o desenvolvimento local e apresentação de experiências de inovações para a sustentabilidade; e “Cidade-rede e redes de cidades”, que servirá para a formação do núcleo da Rede de Cidades Inovadoras.



Paralelamente à CICI2010 serão realizados outros eventos integrados, c omo a Conferência Internacional sobre Redes Sociais, o 1º Encontro Internacional de Cidades de Médio Porte e o 2º Encontro de Governos Locais da Índia, Brasil e África do Sul. E será lançado o projeto “Curitiba, Cidade Inovadora 2030”, que visa transformar a cidade e sua região metropolitana em um espaço propício à inovação, à educação e ao surgimento de uma indústria mais sustentável.



Inscrições – As inscrições para a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras podem ser feitas pelo site
www.cici2010.org.br


Até 21 de fevereiro, o pacote completo para acompanhar o evento, com acesso liberado a toda a programação da conferência, tem preço promocional de R$ 440,00. Estudantes têm 50% de desconto. Também é possível adquirir pacotes menores, para acompanhar uma ou mais conferências da noite, onde estarão alguns dos principais palestrantes da CICI2010. O pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou depósito bancário.


(Fonte: Planeta Voluntários)


Saiba mais: www.cici2010.org.br


Presidenciáveis do PSOL realizam debate em Belém




No blog O jornalismo dá asas, da Cleide Magalhães:




"Debate entre os pré-candidatos do PSOL à Presidência da República: Martiniano Cavalcante Neto, João Batista Araújo (Babá) e Plínio de Arruda Sampaio.


Em Belém, o debate será no dia 25 de fevereiro (quinta-feira), às 18h, no Auditório da Faculdade de Medicina da UFPA, que fica na avenida Generalíssimo Deodoro esquina com a Bernal do Couto (em frente à Santa Casa).


Vale a pena conferir e conhecer as propostas, pois o debate e a informação são elementos fundamentais para o desenvolvimento da democracia e ajudam a decidir o voto".



Contatos:
Max Costa
Executiva Estadual do PSOL/Pará
maxandre@hotmail.com



http://ojornalismodaasas.blogspot.com


Estágio no MPF em Santarém



Estão abertas, até 3 de março, as inscrições ao processo seletivo do Ministério Público Federal (MPF) para estagiários em Direito, em Santarém.


A seleção é para o quadro de reserva da instituição, havendo previsão de preenchimento imediato de três vagas.


As inscrições estão sendo realizadas das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira.


Os estudantes que quiserem participar do concurso devem fazer a inscrição na Procuradoria da República no município, que fica na avenida Barão de Rio Branco, 252, centro.


É preciso levar cópias da carteira de identidade e do CPF, acompanhadas dos documentos originais.


Para mais informações, acesse o edital do processo seletivo no site
www.prpa.mpf.gov.br



(Fonte: Ascom/MPF)


Governadora recebe prefeitos de Rurópolis e Trairão



A governadora Ana Júlia Carepa recebeu em audiência, na semana passada, Aparecido Florentino da Silva e Vilson Gonçalves, prefeito e vice-prefeito de Rurópolis, respectivamente.


Aparecido Silva agradeceu o apoio da governadora ao município.


Ana Júlia ressaltou que esse é o perfil do seu governo, atender a todos os municípios, fazendo com que as políticas públicas cheguem a toda a população.


"Temos feito grande esforço para fortalecer a presença do poder público em todas as regiões do estado", disse ela.


O prefeito de Trairão, Danilo Vidal, acompanhado de seu vice, Izael Torres, também foi recebido pela governadora, que garantiu o repasse de uma patrulha mecanizada ao município.


"É um sonho se transformando em realidade", disse o prefeito Danilo Vidal, após o anúncio.


"Quem não plantava, vai começar a preparar o terreno; quem plantava, vai aumentar a produção. Sem falar no mercado de frete, que vai voltar a ser movimentado. Nós lhe agradecemos muito, governadora", acrescentou.


O prefeito destacou que a melhoria das estradas e vicinais também aumentará o lucro dos produtores: "Antes, na venda de 100 cachos de banana, um produtor conseguia R$ 150,00. Mas ficava apenas com R$ 50,00, pois o restante era reservado para pagar o frete".


O vice, Izael Torres, lembrou que os benefícios do Programa Estadual de Microcrédito Solidário (CredPará). "O CredPará fez muita gente que não tinha recursos, apostar na experiência no plantio de árvores e hoje está colhendo os frutos", garantiu Izael.


Ao todo, foram repassados R$ 180 mil aos produtores de Trairão.


O líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Aírton Faleiro, acompanhou as duas audiências.



(Ascom deputado Aírton Faleiro, com alterações do blog)



sábado, 20 de fevereiro de 2010

Extra, Extra! Jader e PT reúnem na terça para “acertar ponteiros” no PA



Será uma semana de muito tititi na política paraense.


Na próxima terça-feira (23), PT e PMDB sentarão para mais uma rodada de negociações, em torno da reeleição da governadora Ana Júlia Carepa.


O encontro acontecerá às 19 horas, em Brasília.


Estarão presentes o morubixaba peemedebista, Jader Barbalho, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e os presidentes nacional e regional do PT, José Eduardo Dutra e João Batista.


Segundo uma fonte petista, a intenção é que os dois partidos acertem os ponteiros já nesse encontro.


Depois, será marcado um tête-à-tête entre Jader e Ana Júlia, “para bater o martelo”.



II


O PT corre contra o tempo para recompor a relação do Governo com o PMDB, seu principal aliado nas eleições de 2006.


Os petistas trabalham até com um prazo fatal para o fechamento da aliança: o final deste mês.

Para viabilizar essa recomposição, os petistas mexeram no núcleo do governo, antes monopolizado pela Democracia Socialista (DS), a minúscula tendência da governadora Ana Júlia Carepa (leia a postagem “Aliança: PMDB é o alvo das mexidas no núcleo do governo”

http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/02/alianca-pmdb-e-o-alvo-das-mexidas-no.html )


Mas o problema é saber se ainda há condições de salvar o casamento mais problemático da política paraense.


III


Na tarde de ontem, a Perereca conversou com uma fonte muito próxima a Jader.


Perguntei-lhe como o cacique peemedebista viu a mexida no núcleo do governo estadual.


A resposta da fonte: “Ele (Jader) acha que é um problema interno do PT. É uma queda de braço entre aqueles que controlam o partido e aqueles que controlam o governo. Mas, continua havendo resistência do grupo que controla o governo. Mas, tudo isso é indiferente. Não facilita o diálogo com o PMDB, porque o problema é de confiabilidade. E não é uma simples troca, a mudança de uma pessoa (do chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, da DS, por Everaldo Martins, da tendência Unidade na Luta) que vai alterar essa relação. São gestos muito concretos que podem mudar a visão do PMDB”.


E acrescentou: “Já estamos organizando as nossas tropas para a guerra. No momento oportuno, vamos dizer contra quem vamos fazer a guerra”.


Disse que Jader não está fechado nem com o PT, nem com o PSDB, mas, “com o PMDB”.


Por isso, não descarta a possibilidade de ele ser candidato ao Governo do Estado.


“O que é que pode impedir o Jader de ser candidato ao Governo?” - perguntou a fonte – “Em três pesquisas, ele está na frente disparado e tem a menor rejeição. As intenções de voto dele, em Belém, são mais que o dobro do segundo colocado. Ele tem, também, dois terços da Região Metropolitana e dois terços do Nordeste do Pará. Mas, é claro, há o quadro nacional: o PMDB não tem candidato à Presidência da República; só quem tem é o PT e o PSDB. Agora, que estamos estruturados, ninguém duvide. E ninguém duvide de que participaremos, decisivamente, do futuro do estado”.


Quanto a um eventual risco de prisão, caso se candidate – e perca – a eleição para um cargo majoritário, a fonte respondeu: “O Jader será candidato à majoritária, decididamente – senador ou governador. Quanto à questão do mandato, qualquer um pode ficar sem mandato. E veja: o Arruda (governador do Distrito Federal, preso devido ao escândalo do mensalão do DEM) tem mandato. E você sabe muito bem onde ele está”.


Segundo ele, a decisão acerca do futuro político de Jader (se candidato ao Governo ou ao Senado) “será tomada de forma amadurecida. Não pode ser como a de Almir, na base da vaidade. É a luta pelo poder que move os partidos – nada mais”.


Lembrou que Jader tem em torno de 50% das intenções de voto para o Senado e, quando se trata do segundo voto (serão duas cadeiras ao Senado em disputa) ele ultrapassa os 60%.
De acordo com a fonte, a decisão de Jader levará em conta “o conjunto do partido, no Pará e no Brasil”.


Disse, também, que o PMDB já está com “chapa completa”, para os candidatos a deputado estadual, e possui, também, “uma bela chapa”, para a Câmara dos Deputados.


Malina que só ela, a fonte também falou sobre o passatempo de Jader no último feriadão: “Ele passou o Carnaval montando o mapa do estado, nas cores verde, amarela e vermelha...”


A fonte esquivou-se de estabelecer a margem de possibilidade de uma aliança com o PT. Mas, observou: “Também não temos por que nos desencantar com o PT e esquecer os doze anos de governos tucanos. Achar que esquecemos aqueles doze anos... Nós nos recusamos a passar um atestado de amnésia”.


Lembrou que Jader “não faz política com o fígado” e que, por isso, conversa com todos os partidos, sem restrições pessoais a quem quer que seja. Sempre politicamente e sem que haja nisso algum conteúdo emocional.


Enfatizou, ainda, que, aos 65 anos, Jader já ocupou praticamente todos os cargos públicos almejados por um político, à exceção, apenas, da Presidência da República.

E observou: “Ele (Jader) não é nenhum iniciante. Mas tem a obrigação de conduzir o PMDB da melhor maneira”.


Perguntei-lhe se não é, afinal, uma boa proposta, aquela apresentada ao PMDB pelo PT: uma vaga ao Senado, a Vice-Governadoria e mais 30% do Governo, com a Secretaria de Transportes (Setran), também com grande capilaridade, para substituir a Secretaria de Saúde (Sespa).


A resposta da fonte: “O problema é de confiabilidade, puramente. Hoje, é uma coisa, mas, daqui a 90 dias, revogam tudo. Então, vamos nos queixar ao Dom Taveira? O que esse grupo de imaturos (os integrantes da DS) destruiu foi isso. Política se faz com confiança”.


Por isso, diz a fonte sobre o troca-troca na Casa Civil: “Quando se trata com um grupo de adolescentes, fica complicado. Assim, isso (a mexida na Casa Civil, com a ascensão de Everaldo Martins) não muda nada”.


Sobre Cláudio Puty, ironiza: “O Jader só vai dar valor ao Puty depois das eleições. O que sabemos é que ele nunca disputou nem grêmio estudantil. Não o conhecíamos, nunca ouvimos falar nele. E ficar vendo problemas, para quem enfrentou o ACM (Antonio Carlos Magalhães)!... Pelo amor de Deus!... O Jader não dá nem confiança”.


Sobre a possibilidade de Helder Barbalho vir a ser o vice de Ana, diz a fonte: “Quem disse que seria o Helder o vice? Quanto vale o Odair Corrêa?”


Segundo a fonte, Jader não está preocupado nem mesmo com a eventual candidatura ao Senado, “até porque, nas condições em que se encontra (nas pesquisas), ele ganha até como livre atirador”.


O que preocupa o cacique peemedebista é “a segurança para o conjunto”.


Ou, como diria Jader, segundo a fonte: “Como vai ser esse palanque, o tratamento ao partido? E depois de confirmada a permanência por mais quatro anos? E quem garante o comportamento desses adolescentes?”


A fonte diz que o PMDB confia “no próprio taco” e que espera que, até o final de março, o quadro de alianças esteja definido.


Repisa que as sondagens do PMDB que apontam Jader na cabeça foram feitas “para consumo interno e pelo melhor grupo de pesquisas do país”.


Daí que, no momento, a posição de Jader é “armar o exército e ver o que é mais conveniente ao PMDB”.


E observa, acerca da responsabilidade que pesa sobre os ombros do cacique peemedebista: “Imagine ele, Jader, no palanque, com a vaga já garantida para o Senado, mas, assistindo os companheiros sendo triturados! Ele tem a obrigação de tomar conta de seu grupo e de protegê-lo”.


Lembra que Almir “pagou um preço altíssimo pela derrota, pela vaidade”. Mas, que há uma coisa que Jader também não aceitará: “Ele (Jader) não vai aceitar ficar na política, assistindo renovar um governo onde um grupo vai triturar os companheiros”.


Por isso, o PMDB terá de analisar “as garantias” dadas pelo PT.
E o importante é não ficar “num estado de perplexidade”.


E salienta: “Sabemos a realidade do estado inteiro, quem é quem de cada lado. O importante é isto: estar armado. Porque não dá para ir se organizar depois”.


Acentua que o silêncio de Jader não significa imobilidade. E até comenta: “O Jader é um perigo quando está em silêncio”.

Negou que Jader esteja “agastado” com o PT.


Mas, com ironia, reconheceu um sentimento bem pior: “Ele reconhece que tem um sentimento que não é de ódio, mas, de indiferença. Até nos relacionamentos pessoais, essa sempre foi a grande defesa dele (Jader). Ele não sente ódio, mas, também não sente falta. E não tem culpa de ser assim. Ele luta com entusiasmo, mas, não perde uma noite de sono”.


A fonte lembra que Jader respeita seus adversários e que essa, talvez, seja a sua última eleição.


Se for ao Senado, terminará o mandato aos 73 anos e estará “mais do que na hora de parar”.


O morubixaba – o maior da política paraense, nos últimos quarenta anos – teria até comentado, acerca do incontornável tempo: “Não pretendo ficar fazendo visagem”.


Sobre a possibilidade aventada nos bastidores tucanos – e divulgada na Perereca – de que o ex-governador Almir Gabriel estaria articulando uma chapa, com o apoio do PMDB, com o ex-senador Luiz Otávio Campos para o governo, diz a fonte:

_Imagine o Almir organizando, com o PMDB, a candidatura do Pepeca (Luiz Otávio) como grande expressão eleitoral!... Isso não é de uma extravagância?... A gente vê cada especulação, que até se pega rindo sozinho... A gente não sabe como está o Almir, inclusive, psicologicamente...


E sobre a rejeição de Ana Júlia, que, de acordo com as pesquisas do PMDB, estaria altíssima, em mais de 60%, a fonte diz que não sabe se será possível reverter.


Mas, observa: “Política é como nuvem. E a pesquisa olha apenas o momento”.

Editorial



Está nas mãos da cidadã Ana Júlia Carepa a possibilidade de reeleger-se governadora.



Depende dela, e só dela, a vitória nas urnas – talvez em grau infinitamente maior do que o ocorrido em relação a qualquer governante que a precedeu.



Dona de um carisma e de uma carreira brilhante; mulher que abriu caminho sozinha num território dominado pelos homens, Ana sempre foi muito maior que o PT.



No entanto, ao alcançar o Governo, como que traiu seus eleitores.



Afinal, perdeu-se nos braços de uma corrente sectária, que sequer lhe tem o devido respeito: seus “iluminados” a consideram “sem estofo” para discutir questões programáticas.



É um triste fim para uma mulher que é, reconhecidamente, uma guerreira.



E que, justamente por ser mulher e guerreira, teria a obrigação de ser suficientemente inteligente para escapar às armadilhas da política.



Minha xará, infelizmente, mostrou-se uma grande parlamentar, mas, uma péssima governadora.



E por um fato que, de tão simples, chega a ser absurdo: Ana não conseguiu se compreender como a dona da caneta; aquela que quer, pode e manda.



Daí que tenha acabado como liderada – e não como líder – da própria e diminuta tendência.



Obviamente, que os “iluminados” da DS, essa tendência geneticamente trêbada, dirão que tal análise não passa de um “equívoco” deste blog.



Dirão, certamente, que não consigo enxergar a política de forma democrática – e apenas pelo modus operandi da classe dominante.



Tudo balela, lári-lári. Tudo uma “caatinga verbal” para esconder o fato.



E o fato é que líder é aquele que comanda.



Pode ser um líder autoritário – daqueles que batem na mesa e não ouvem ninguém.



Pode ser um líder democrático, que sabe “ler” as almas dos liderados e concertar as suas aspirações.



Pode ser o meio termo de tudo isso, eis que a liderança, como tudo na vida, é feita de uma possibilidade infinita de colorações.



Mas o líder, o verdadeiro líder, sempre terá as rédeas nas mãos. Sempre estará à frente, e nunca a reboque, da massa – e muito menos de meia dúzia de “profetas”.



Lembro que no ping-pong que fiz com Ana perguntei-lhe se nunca tinha pensado em deixar a DS e ela disse que não.



Insisti. Perguntei por que. E ela respondeu, então, que é a tendência dela, a corrente na qual acredita.



Tudo bem. Minha xará tem o direito de ser o que quiser.



Tem o direito de apostar umas boas fichas para fortalecer um pensamento, um ideário, que considera o mais justo para a sociedade.



No entanto, tem de compreender o básico: quem votou, não votou na DS – votou na cidadã Ana Júlia Carepa, e numa proposta de governo e de sociedade infinitamente mais amplas.



Daí que não pode governar para meia dúzia de sectários – mas, para o conjunto dos que a elegeram. E até para aqueles que nem votaram nela: afinal, ela se tornou a representante da esperança de sete milhões de paraenses.



Ana repete isso, mas, na prática, não compreende isso.



Não consegue perceber que seu governo pertence ao PT, ao PMDB, ao PSB, ao PC do B – e até ao PSDB e ao DEM, por que não?



Em nome da Democracia, minha xará, em verdade, adota uma postura antidemocrática: contempla um grupelho, e não a maioria. E nem se dá ao trabalho de perguntar o porquê de esse grupelho ser um grupelho, sem qualquer ressonância social.



É muito fácil adotar a postura de que só você é o bacana, o bambambam, e todo o resto da Humanidade é feita de ignorantes “manipulados pela ideologia do sistema”.



Mas, me explique aí, querida: por que é que PT e PSDB, que possuem propostas avançadíssimas para o imaginário da sociedade brasileira, conseguiram se cacifar a tal ponto de polarizar as aspirações dessa mesmíssima sociedade?



Por que é que até o PSOL e o PSTU possuem mais ressonância social que a DS? – e a DS que tem a máquina na mão?



Mas será que os companheiros do PSOL e do PSTU são direitistas?



Será que os companheiros do PT e do PSDB, que estão aí nas ruas, fumados, a lutar, não fizeram nada de bom por este Brasil e por este Pará?



Será que nós, tucanos, petistas, comunistas, socialistas somos todos uns loucos e só restaram como bons, “normais”, os iluminados da DS?



Mas não vê logo que isso é coisa de doido?



Tenho com os petistas excelentes relações, que vêm de uns 30 anos.



Não me entendo com eles, temos porradas homéricas, e sobram até gozações de parte a parte, porque eles sabem que sou uma tucana assumida – e assumida ainda nos tempos em que ser tucana fazia com que tudo que é intelectual torcesse o nariz.



Mas, guardo com esses companheiros – e eles em relação a mim – um respeito imenso.



E nesses dias, com esse respeito e essa intimidade, conversei com muitos companheiros petistas.



E até ouvi deles – vejam só! - elogios ao Serra, à capacidade técnica e democrática do Serra, que teve, quando ministro da Saúde, estupendos técnicos petistas em sua equipe, que o ajudaram a realizar a administração formidável que efetivamente realizou.



Da mesma forma, já ouvi elogios de companheiros petistas à postura democrática do Jatene.



E eu mesma sou testemunha dessa postura, eis que vi muitos técnicos petistas a trabalhar com o Jatene.



Não sei se o PSDB tem condições de retornar ao governo.



E tal consideração não leva em conta, apenas, a questão objetiva, das condições materiais.



É certo que possui nomes fortes – Serra, Aécio, Jatene – e fontes de financiamento não lhe faltarão.



Mas penso que a permanência do PT no governo traz duas vantagens aos tucanos.



A primeira é que o PT, como detém o controle das ruas, tem condições de ousar reformas que um tucano, se ousasse, acabaria em uma fogueira.



A segunda é que o PSDB, no exílio, tem reais condições de se transformar em um partido político – e não essa geringonça, essa mistureba fisiológica em que se transformou, por ter nascido e logo alcançado o poder.



Mas, continuo convencida, da mesma forma que o companheiro Lula, que qualquer resultado, Dilma ou Serra, será muito bom para o Brasil.



E da mesma forma penso em relação ao Pará: qualquer resultado, Jatene ou Ana, será muito bom para o nosso povo.



Só lamento é que a companheira Ana, minha xará, tenha se deixado levar por esse micro-hospício que é a DS.



Desde o começo do Governo que bato nessa tecla – e quem se der ao trabalho de ler os arquivos deste blog verá o que falei sobre a queda de Carlos Guedes e de Charles Alcântara – duas cabeças arejadas e, portanto, pra lá de avançadas, nessa tendência enlouquecida.



Quem se der ao trabalho de pesquisar neste blog, verá o que escrevi sobre a ascensão de Fábio Castro ao comando da Comunicação do governo – e tudo o que escrevi a respeito dele se tornou quase que uma premonição.



Paranormalidade? Mediunidade? Não. Simplesmente, visão política.



E é por essa mesmíssima visão política que digo: lamento que a minha xará, cuja história é tão parecida com a minha que não dá nem pra negar e evitar a simpatia; que ela não tenha percebido que está, em verdade, cercada de parasitas. Que a sua DS é, na verdade, “uma coisa” de carraças. E que se não se livrar delas, fatalmente, afundará com elas.



Lembro que, em 2006, a minha mãe, que já tem mais de 80 anos, saiu de casa só para votar em Ana.



Lembro que ao conversar com minha mãe percebi que a simpatia dela pela Ana vinha de uma identificação com a história da própria filha – e que ela nunca perdoaria nem mesmo o doutor Almir por falar mal de uma mulher que abriu caminho, sozinha, no mundo.



Não posso negar a simpatia que tenho pela minha xará: somos Pagus.



Também sei do respeito que ela tem por mim – e embora isso tenha ficado bem claro no ping-pong que ela me concedeu, nunca falei disso, até porque não tenho essa frescura e tenho um lado meio anarquista de não gostar de intimidade com poderosos.



Mas, hoje, uso deste blog para falar abertamente com a minha xará – até pelo fato de ela ter sido uma boa fonte da Perereca; até pelo fato de ela ter me dado, no passado, aquilo que mais amo: informação.



Ou Ana se livra da DS, ou a DS a levará a afundar-se no esquecimento destinado aos “profetas”; no ridículo destinado aos pseudo-iluminados de todos os tempos.



Nenhuma dessas figuras da DS tem luz própria – rigorosamente nenhuma! – só a Ana.



E ela tem de parar de se deixar usar, como espécie de escada, por essas pessoas.



E ela tem de parar de pensar que eles são “bonzinhos” – não são, não.



Quem é “bonzinho” é reconhecido assim pelos outros, instintivamente, no rosto, na voz.



E eu só lamento é que a Ana – uma mulher cinqüentona, pra lá de rodada, ainda não tenha percebido isso.



São carraças – “doutoras”, mas, carraças.



E, para carraças, nada melhor que um bom inseticida.



Por incrível que pareça, querida, se estivesse no teu lugar, eu ainda preferiria observar o Barbalhão e o Gerson Peres.



Eles, pelo menos, têm voto.



E tu tens de compreender isto: ou se tem voto, ou tudo o que gente pretende realizar desce pelo esgoto.



O resto, xará, é tese de acadêmico que, de política, não entende lhufas!




FUUUUIIIIIIII!!!!!





P.S. Volto daqui a pouco, uma vez que ouvi uma tonelada de políticos ontem.



Notas importantes: O PR reúne prefeitos , na segunda-feira, às 19 horas, no Crowne Plaza. Rolará, é claro, a tendência do partido.



Almir dá palestra sobre saúde na quinta-feira, 25, às 19 horas, no auditório do Cesupa, na Almirante Barroso. Adivinhem pra quem vai sobrar?



Mário Cardoso festeja aniversário dia 26, na Estação das Docas, e lança blog.



Daqui a pouco, na Perereca.


Pagu!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Aliança: PMDB é o alvo das mexidas no núcleo do governo






Nem Senado, nem vice, nem Sespa, nem Setran. O que está emperrando a reedição da aliança entre os petistas e peemedebistas paraenses é, de fato, o relacionamento político entre o PMDB e o Governo do Estado.



A versão, que fontes do PMDB vêm repisando na imprensa, foi finalmente confirmada ao blog por um petista graúdo.


E a necessidade de recompor essa relação é, sim, um dos motivos da mexida acertada pelo PT no chamado “núcleo duro” do governo, com a ascensão à chefia da Casa Civil de um integrante da tendência Unidade na Luta – provavelmente, o médico Everaldinho Martins, irmão da prefeita Maria do Carmo e secretário de Planejamento da Prefeitura de Santarém.


A mexida no núcleo de governo foi antecipada na noite do último sábado, com exclusividade, pela Perereca. A notícia está aqui

http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/01/governo-do-estado-mexe-no-nucleo-duro-i.html


Se Everaldinho aceitar o convite que lhe foi feito na manhã de sábado, ele assumirá o cargo quando Cláudio Puty deixar a Casa Civil para concorrer à Câmara dos Deputados, o que está previsto para o mês de abril.


Mas dirigentes petistas cruzam os dedos para isso aconteça o quanto antes, provavelmente já no final deste mês.


“O problema não é só o Puty, mas todos os secretários que são pré-candidatos (Waldir Ganzer, Suely Oliveira e Edilson Moura). Já conversamos com a Ana (a governadora), mas ela ainda não decidiu. Isso era para ter acontecido em dezembro. Agora, a previsão é abril, mas queremos antecipar. Esperamos que isso aconteça até o final de fevereiro, para que a gente ganhe um mês aí”, disse a fonte.


O problema pode nem ser apenas Cláudio Puty, mas o fato é que ele é considerado o homem forte da Democracia Socialista (DS), a tendência da governadora – e a DS acabou trombando com meio mundo, quando abocanhou uma ampla fatia do poder estadual.


Os “encontrões” não atingiram apenas o PMDB, o maior partido do Pará e o maior aliado dos petistas, nas eleições de 2006 - o que já seria um problemão.


Na verdade, sobraram pernadas, também, nas tendências que controlam o partido, no âmbito estadual – a Unidade na Luta e o PT Pra Valer.


No caso do deputado federal Paulo Rocha, uma das principais lideranças da Unidade na Luta, foi preciso bater na mesa, como recordam alguns petistas, para que ele obtivesse, em 2009, um espaço de governo proporcional à sua representatividade.


Agora, sabe-se que também o PT Pra Valer vinha engolindo inúmeros arus, nas mãos da DS.


A gota d’água


“Não foi só isso. Isso foi a gota d’água. Vínhamos com problemas há três anos; vínhamos com tensões há muito tempo. Seria uma coisa muito limitada politicamente da minha parte se isso fosse apenas por uma nomeação”, disse ao blog, na noite de sábado, a deputada estadual Bernadete Ten Caten.


O “só isso” a que a deputada se refere foi a tentativa da DS de nomear um integrante da corrente para o comando da Superintendência do Incra em Marabá – um espaço político não apenas de Bernadete, mas do PT Pra Valer como um todo.


De quebra, a DS teria tentado, também, cooptar o ex-superintendente do Incra para uma dobradinha, nas próximas eleições – adivinhem com quem? Um doce para quem respondeu Cláudio Puty.


A manobra deixou Bernadete tiririca – tanto que ela encaminhou uma carta à DS, cujo teor explosivo foi parar nas páginas do jornal Diário do Pará.


Nela, Bernadete ameaçava reivindicar a realização de prévias no PT, para a escolha do candidato da legenda ao Governo do Estado.
Quer dizer: Ana Júlia teria de bater chapa no partido, para conquistar o direito de concorrer à reeleição.


Mas Bernadete estaria, de fato, disposta a ir tão longe?



“Na verdade, o que foi que coloquei? Que nós proporíamos a prévia. Eu sei que o nome não é o meu, para a prévia. Temos nomes fortíssimos no partido para isso. Mas, caso não aparecesse ninguém, colocaria nosso nome à disposição. Esse foi o teor da nossa carta”, explicou.


De qualquer modo, assegura que não fez, simplesmente, uma “ameaça leviana”: “Nós levaríamos isso até o fim, caso não tivéssemos tido uma receptividade”.


Na noite de sexta-feira, porém, os “bombeiros” do partido entraram em ação para apagar o que poderia se transformar num incêndio de enormes proporções.


Lideranças petistas e a própria governadora conversaram com Bernadete.


O papo prosseguiu na manhã de sábado e a paz voltou a reinar nos arraiais petistas – pelo menos na superfície.


“A governadora me chamou e, na verdade, compreendeu como justa a minha situação, que não é pessoal, mas, do grupo. Ela entendeu e ligou para o ministro e para o presidente nacional do Incra. A situação foi encaminhada, considero resolvida”, contou Bernadete.


Na entrevista, ela ressaltou, por diversas vezes, o caráter político do imbróglio: “Foi uma questão política, na verdade. Nunca tive problemas com a governadora. Tive problemas com assessores dela e chegamos numa situação de extrapolamento”.


Meio reticente, admitiu que o problema foi “também” com Puty.



Não quis exemplificar as “tensões” havidas nesses três anos: “Foram tensionamentos vários, há muito tempo. Então, precisávamos construir uma relação, assim, mais respeitosa”.


E, ao falar acerca delas, não negou, nem confirmou que Puty estivesse sempre envolvido em tais situações: “Eu diria assim, uma situação de governo e na relação com o mandato. E não só com o meu mandato – o mandato do Zé Geraldo (deputado federal), também".


Garantiu que, no embate da semana passada, teve o apoio da totalidade do partido: “Tivemos solidariedade a nossa situação, que precisava ser resolvida”.


E assinalou: “É interessante podermos ter o debate interno, o diálogo, e poder colocar as nossas divergências. Neguei-me a falar com a imprensa porque não fiz isso para ter visibilidade; fiz para resolver uma situação pendente, não resolvida e que precisava ser. E não era coisa pequena. Então, conseguimos atenção, uma audiência interessante com a governadora e, aliás, foi ela quem me chamou. E conseguimos dar um bom encaminhamento. Acredito, assim, numa unidade restabelecida”.


Um tremendo abacaxi


O problema pode ser hamletiano, político, psicanalítico, filosófico e por aí vai.


Mas o fato – o fato, mesmo – é que a DS se tornou um tremendo abacaxi para o PT paraense e para todos os seus possíveis aliados.


Primeiro, porque é a tendência de Ana Júlia, a governadora, a cidadã que tem a caneta na mão.


E Ana é uma militante da DS, cujo pensamento parece plenamente afinado com essa corrente.


É esse, aliás, o xis da questão: até que ponto Ana conseguirá separar, ainda que pressionada pelas demais tendências petistas e pela necessidade premente de alianças, o papel de militante da DS, do papel de governadora?


É uma separação que precisa ser feita rapidamente, e com sinalizações claras de que isso de fato aconteceu, sob pena de deixar escapar o arisco PMDB.


Nos bastidores políticos, fontes do PMDB e do PT relatam que as conversas do presidente regional do PMDB, Jader Barbalho, com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha – o “bombeiro” enviado ao Pará pelo presidente Lula – e o ex-ministro-chefe da Casa Civil, Zé Dirceu – que conversou com Jader durante uma hora na manhã de sábado – versaram sobre o mesmíssimo tema: o mar de queixas dos peemedebistas em relação ao Governo.


E novamente, as queixas são direcionadas especialmente à DS e ao seu homem-forte, Cláudio Puty, ainda que nem a DS, nem Puty sejam citados.


“O ministro falou do interesse do Governo Federal de estarmos juntos, PT e PMDB, e foi dito a ele que sempre propusemos uma aliança com o PMDB”, contou uma fonte vermelha ao blog, acerca da reunião entre Alexandre Padilha, Jader Barbalho, o deputado federal Paulo Rocha e o presidente regional do PT, João Batista, no domingo, 24 de janeiro.


“O que se sentiu naquela reunião” – prosseguiu a fonte – “é que há disposição do Jader para isso. Só que é preciso superar algumas dificuldades. E a principal é de relação política, não é nem de espaço de governo”.


E no que consistiriam, exatamente, essas dificuldades de “relação política”? “É preciso ter muita segurança do que se conversa, porque o que foi acertado hoje vai valer amanhã” – explica a fonte – “A relação, às vezes, não dá confiança dos compromissos realizados. O Governo entende que cumpriu e o PMDB entende que não cumpriu. É preciso passar isso a limpo”.


A fonte acredita que há compromissos que, de fato, não foram cumpridos com o PMDB. E aponta o remédio para tamanha dor de cabeça: “Tem compromisso que se faz que não pode ser cumprido. Mas aí tem que conversar e repactuar com o parceiro”.


Diz, também, que a relação de Jader e do PMDB com o PT é muito tranqüila e que, na conversa com Padilha, o cacique peemedebista “separou muito” as relações entre os partidos e o governo. Aliás, El Barbalhon teria separado das quizílias até a governadora Ana Júlia Carepa. “Ele disse que o diálogo com ela é bom, respeitoso, tranqüilo”, relata a fonte vermelhinha.


E o que é que o PT pode fazer, afinal, para desatar esse nó? “O que estamos fazendo: conversando” - resigna-se - “Não podemos decidir pelo governo, mas podemos procurar a Ana, como estamos fazendo, para tentar chegar a um entendimento. E a Ana é muito acessível ao que a gente avalia. Infelizmente, o tempo para a disputa eleitoral está passando muito rápido. O PT corre contra o tempo para tentar encontrar o melhor caminho, para melhorar a relação entre o PMDB e o Governo”.


Apesar dos pesares, a fonte acredita que há 70% de chances de PT e PMDB estarem juntos nas próximas eleições e aposta que “até o final de fevereiro deveremos ter novidades na aliança”.


As cartas já foram postas na mesa: o PT ofereceu a Jader uma vaga ao Senado – e acredita que ele e Paulo Rocha têm grande potencial de ser eleitos – e ofereceu ao PMDB, também, a vaga de Vice na chapa de Ana Júlia – coisa que Jader, segundo a fonte, propôs à governadora em novembro do ano passado.


A conversa entre Jader e Zé Dirceu, na manhã de sábado, não teria alterado em nada essa situação.



Marido infiel



Se de fato nada mudou – apesar do otimismo de Zé Dirceu, após a conversa com Jader – é de se esperar que só uma mexida radical no chamado “núcleo duro” do governo possa, talvez, reaproximar petistas e peemedebistas.


Na semana passada, após a visita de Alexandre Padilha, fonte peemedebista reconheceu que o PT nunca ofereceu tanto a Jader quanto agora: uma vaga ao Senado, a Vice-Governadoria, a Secretaria de Transportes (Setran), “e querem ver o que mais a gente quer”.


Mas, observou, o problema é que o PMDB já não confia no PT: “É como aquela história do marido que deixa a mulher por causa da amante: fica sempre uma coisa esquisita. E qualquer telefonema em que ele fale baixinho, a mulher fica logo pensando que ele está falando com a amante”.


Segundo a fonte, a interlocução com os peemedebistas está “praticamente terminada”, a nível de Pará.


“Não queremos mais conversas com Puty, Marcílio e Maurílio”, acentuou.


Na sua opinião, “o que queremos, achamos que eles (o governo) não podem dar: espaço político, para o partido, para a vice. Não achamos que a DS tenha essa capacidade de mudar tão radicalmente; é uma questão de índole da DS”.


E arrematou: “Hoje, é muito improvável o fechamento de um acordo com o PT. Não temos nada alinhavado com PSDB. Mas, é mais provável, se o PMDB for coligar, que seja com o PSDB. Não que eles sejam melhores que a Ana. Mas, pelo mesmo motivo que apoiamos a Ana: tirar quem está no poder. O PMDB, infelizmente, está assim: um pote até aqui de mágoa em todas as eleições”.


Resta saber se a mexida no núcleo de governo conseguirá reanimar os peemedebistas.


Pererecando





“Estamos nos entendendo”


Duas perguntinhas básicas à governadora Ana Júlia, que não parava quieta, após a festa de 30 anos do PT:


Perereca: O Zé Dirceu conversou com o Jader: avançou a aliança do PT com o PMDB aqui no estado?
Ana Júlia:
Eu creio que essa é uma aliança que está avançando bastante, com esses diálogos todos. Sabemos que existe uma tendência que PT e PMDB se aliem, seja a nível de Brasil, ou como acontece nos municípios. E não tenho dúvida que o bom senso vai prevalecer, o interesse do desenvolvimento do estado vai prevalecer e a gente vai construir essa aliança, não só com o PMDB, mas, com outros partidos



Perereca: O Jader já sinalizou se vai aceitar a proposta de dar o vice da sua chapa?
Ana Júlia:
Olha, nós estamos dialogando; não é só a questão de vice. Tem várias outras questões que, com certeza, nós estamos nos entendendo.


Bolo


Jader não foi à festança do PT, nem mandou representante. Deu o bolo no João Batista, que acreditou piamente no Barbalhão. Moral da história: fez bem a Perereca em duvidar da ilustre presença (mas se ele tivesse ido, que seria o tititi da semana, isso lá seria...)


Falta de segurança


Não há evento político sem nota “pitoresca”.


Na festa de 30 anos do PT, no Pará Clube, ela atendeu pelo nome de Rubens Pacheco.


Salão cheio, petistas pra lá de emocionados, Rubens irrompeu em frente à mesa da solenidade.


Trazia um cartaz no qual se podia ler: “Governadora Ana Júlia, sou mais um que a senhora não cumpriu o acordo feito em 2006”.


A surpresa foi tamanha que teve tempo até de posar para os fotógrafos e cinegrafistas, antes de ser retirado do recinto, pela atordoada segurança petista.


Lá fora, desfiou um rosário de lamentações.


Disse que foi presidente estadual do PTN e candidato a primeiro suplente de senador, na chapa de Mário Cardoso, em 2006.


Gritou que vendeu “patrimônio”, para doar R$ 90 mil à campanha de Ana Júlia, ao Governo do Estado.


“Hoje, me abandonaram – eu estou fora do governo. Hoje, eles estão aí gozando do governo”, queixou-se.


Segundo o relato aos jornalistas, ganhou um cargo não especificado, na Casa Civil, após a vitória de Ana.


Mas, em 3 outubro do ano passado, foi posto na rua: “Foi o presente de Círio que ela (Ana Júlia) me deu”.


Teria decidido pelo inusitado protesto depois de tentar, sem sucesso, falar com a governadora, para cobrar a promessa de “participar do governo”.


“Fui botado na rua”, chegou a dizer, em português igualmente pitoresco...


E o mais complicado não é nem a atitude de Rubens Pacheco – já imaginaram se a moda pega?


É o fato de ter conseguido se aproximar tão facilmente de Ana Júlia.


E se ele estivesse armado?


Paz petista


Ana disse que considera “totalmente superado” o incidente da semana passada, envolvendo a deputada Bernadete Ten Caten e a carta que ela enviou à DS.


“Divergências, isso acontece, faz parte até da história do PT. A companheira Bernadete está junto conosco, está aqui, pronta para a campanha, naquilo que é prioridade do partido: a sucessão do presidente Lula, com a ministra Dilma, e a nossa reeleição”, afirmou.