segunda-feira, 30 de março de 2009

As Almas I



A tua alma
É o sangue em minhas veias.
A lua que no céu murmura:
_Para sempre, sempre tua!...
É o vento que me traz
O cheiro das terras
Que jamais terei.
É o Verbo a recriar o mundo!...
E se nas ruas passam as gentes
Por meus olhos, mares, estrelas,
Vendavais, torrentes...
E os abismos... Os silêncios...
Que nos perderam de nós!...
E o dia só é dia
Porque à vida
É preciso suceder...
Como todo hoje,
Todo ontem,
Todo amanhã
Como coisa que tem de ser!...
Como raiz que se agarra
Nas profundezas de um deserto
A todo sopro de florescer...
Mas... A cada esquina, a cada rua,
A minha alma
- que é a mesma alma tua! –
É sombra a vagar pelo mundo!...
Sempre de volta ao mesmo verso,
Sempre de volta à mesma lua:
_Para sempre, sempre tua!...


Belém, 29 de março de 2009

domingo, 29 de março de 2009

O Pastor


Um Dia Madredeus!



O Pastor




Ai que ninguém volta
Ao que já deixou
Ninguém larga a grande roda
Ninguém sabe onde é que andou



Ai que ninguém lembra
Nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
A cantiga do pastor



Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Deixa a alma de vigia
Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria.



Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Deixa a alma de vigia
Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria.



(Pedro Ayres Magalhães / Rodrigo Leão /
Gabriel Gomes / Francisco Ribeiro)




Vem (Além de toda a solidão)




Vem
Além de toda a solidão
Perdi a luz do teu viver
Perdi o horizonte



Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre



Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar



Por isso vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar



Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar



Por isso vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar


(Pedro Ayres Magalhães/
Rodrigo Leão/Gabriel Gomes)




Alfama



Agora,
Que lembro
As horas ao longo do tempo



Desejo
Voltar
Voltar a ti
Desejo-te encontrar



Esquecida
Em cada dia que passa
Nunca mais revi a graça
Dos teus olhos
Que eu amei.



Má sorte
Foi amor que não retive
E se calhar distraí-me
Qualquer coisa que encontrei.



Esquecida
Em cada dia que passa
Nunca mais revi a graça
Dos teus olhos
Que eu amei.



Má sorte
Foi amor que não retive
E se calhar distraí-me
Qualquer coisa que encontrei.


(Pedro Ayres Magalhães/Rodrigo Leão)

quarta-feira, 25 de março de 2009

excluída

Sobre a exclusão de postagem







Não foi a primeira vez – e, provavelmente, não será a última – que excluí uma postagem deste blog.

Faço isso quando julgo que o nível de álcool no meu sangue me fez deixar para trás qualquer resquício de sanidade.


É verdade, admito-o: por vez, bebo tanto que este rasgo de lucidez que ainda possuo vai pras cucuias.


E aí, sinceramente, acho que não é bacana deixar postados tais delírios...


É verdade que já escrevi, muitas vezes, bebericando. Mas, em geral, mantenho o equilíbrio e quando digo o “FUUUIIII”, quando encerro a postagem, ainda sei o que estou a escrever; quer dizer, as idéias ainda estão minimamente concatenadas.


Mas, em relação a essa postagem excluída, que vem causando tanta polêmica, isso não aconteceu.


Como era sábado, enchi a cara – pra variar, e como, aliás, deveria fazer todo bom cristão...


Mas, lá pelas tantas, acho que extrapolei.


Daí a decisão de retirar a postagem, que, a meu ver, estava demasiadamente amarga, raivosa; grosseira, até.


É possível que contivesse muitas verdades, como alguns de vocês dizem.


Mas, creio que tais verdades poderiam ser ditas de outra forma...


Não quero me deixar dominar pelo ódio.


Em primeiro lugar, porque isso só resulta em amargura pra gente mesmo; deixa a “aura” repleta de maus fluídos, que acabam por fazer mal a nós mesmos, física e espiritualmente.


Em segundo lugar, não penso que o ódio seja um bom fio condutor: ele embaça a visão e até nos leva a errar na hora de um contra-ataque.


Além disso, não vejo motivo concreto, lúcido, racional para odiar a Joana Pessoa.


É certo que ela agiu de forma covarde e acanalhada; de uma forma covarde e acanalhada poucas vezes vista, aliás...


Mas, se eu fosse odiar todos os covardes e canalhas do mundo, certamente que não me sobraria tempo para mais nada, né mermo?...


Pra mais, não quero que isso se transforme em uma questão meramente pessoal – e isso, talvez, fosse o que a Joana Pessoa gostaria.


Quero que isso seja, tão somente, uma questão que envolve, de um lado, uma jornalista e cidadã que denunciou o que é, sim, uma irregularidade, um assombroso crime contra o erário; e, de outro, uma cidadã que comanda essa “tenebrosa transação”, na certeza de que será beneficiária da impunidade que assola este país.


Por isso, bem vistas as coisas, nem tenho motivo para odiar a Joana Pessoa: ela, apenas, tão somente jogou.


De forma acanalhada e covarde, é verdade, pois que, talvez, sejam as únicas maneiras de jogar que conhece, nessa arrogância patológica que, aliás, a precede...


Mas, bem vistas as coisas, apenas e tão somente jogou.


Penso que esse meu pragmatismo em relação ao jogo e aos jogadores, e aos interesses postos de cada qual, me ajudou nisto: a não ter praticamente inimigos, apesar destas três décadas de jornalismo e de militância política.


Trocando em miúdos, não quero transformar isso numa questão pessoal.
Mais não fosse, porque acabaria se voltando contra mim, na forma de amargura.


Mas, principalmente, porque essa é uma questão importante demais, com nuances importantes demais, para virar uma mera questão pessoal.


Essa batalha envolve o direito de o cidadão questionar o uso de seus impostos; a liberdade de opinião e expressão; a possibilidade de punir aqueles que fazem mau uso do dinheiro público; o questionamento em torno dos esquemas de arrecadação financeira dos partidos de esquerda, por melhores que sejam as suas intenções; o papel dos jornalões, da grande imprensa na sociedade democrática; e até essa “sabedoria” daqueles que acham que a Lei só existe para ser burlada - como demonstra a criação dessas Organizações Sociais cujo objetivo único, em última análise, é burlar a Legislação.


Então, por mais irada que esteja; por mais que me sinta tentada a agir movida tão somente pelo ódio, não posso me esquecer de tais questões, que dizem respeito, afinal, à coletividade.



Não retiro nada do que escrevi em relação ao Hangar; não vou recuar e vou, sim, entregar a cidadã Joana Pessoa, por meio de toda a documentação que já coletei, ao Ministério Público Federal.


Vou, sim, como disse naquele post excluído, até ressuscitar os resultados da CPI da Biopirataria, que não “inocentaram” propriamente a cidadã Joana Pessoa, como ela propala por aí.


E também não vou poupar o Ministério Público Estadual, se, de fato, houver parente de procurador ou de promotor a trabalhar no Hangar...


Vou fazer, apenas e tão somente, aquilo que a Lei obriga qualquer cidadão a fazer, quando toma conhecimento de robustos indícios de crime contra os cofres públicos...


E até – por que não? – quando toma conhecimento de indícios da montagem de uma rede de corrupção, a envolver as autoridades constituídas.


No entanto, preocupa-me o fato de não saber, nem por sombra, aonde isso nos levará...


Tenho plena consciência de que a forma como a Joana Pessoa agiu, como que me autoriza, socialmente, a fazer tudo e mais alguma coisa.


Quer dizer: mesmo se eu resolvesse dar-lhe uns trezentos tapas na cara, todo mundo acharia isso muitíssimo bem feito...


Pois, que na sua arrogância doentia, nessa coisa de achar que pode comprar ou aterrorizar todo mundo, toda a sociedade, todos os cidadãos, Joana Pessoa acabou me colocando numa condição pra lá de confortável.


Mas, esse é um defeito que tenho, talvez, derivado dos muitos anos de luta política: para mim, nada é tão simples; tudo traz conseqüências, por vezes, imprevisíveis...


Nas últimas semanas, tenho travado uma luta titânica comigo mesma.


O problema é que já percebi que não posso perder; não tenho, rigorosamente, como perder...


Mas a Joana Pessoa, na sua irresponsabilidade de mera operadora; de uma cidadã que participa da política, apenas, para “se dar bem” não percebeu, não anteviu, que não tem, simplesmente, como ganhar...


Assim, eu fico tentando pensar por nós duas; fico a tentar realizar uma intervenção cirúrgica que, afinal, não mate o conjunto dos pacientes...


Explodi com a bebedeira de sábado; creio que é humano isso...


Afinal, há semanas ando aflita entre a consciência, a clareza do que tenho de fazer e a angústia da conseqüência dos meus atos...


E isso, doutora Joana, tenha certeza, não é qualquer tentativa de acordo – até porque, simplesmente, não faço acordo.


É, tão somente, uma profunda meditação acerca do papel que, por vezes, me cabe nesta mesa...


Por isso, anônimos, retirei aquela postagem.


E não, Charles Alcântara, o álcool não traz essa lucidez: na verdade, só retirei a postagem na noite de domingo, quando a ressaca monumental que estava a sentir me permitiu, enfim, levantar do fundo da rede e fazer isso...


Por fim, agradeço a todos vocês que acompanham tão atentamente este blog.


É uma honra saber-me lida por vocês.


Ao longo desta semana, ou mais provavelmente na próxima, vocês terão, infelizmente, novidades do Caso Hangar...


Mas, antes, no final de semana, espero postar uma matéria trabalhosa, mas, muito, muito bacana. Pra todos ficarmos a pensar um bocado sobre o que se anda a fazer do nosso suado dinheirinho...


Novamente, muito obrigada pela atenção.

quinta-feira, 19 de março de 2009

greves



Linha de montagem!



Linha linha de montagem
A cor a coragem
Cora coração
Abecê abecedário
Opera operário
Pé no pé no chão

Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá

Pensa pensa pensamento
Tem sustém sustento
Fé café com pão
Com pão com pão companheiro
Pára paradeiro
Mão irmão irmão

Na mão, o ferro e ferragem
O elo, a montagem do motor
E a gente dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente sai maior

As cabeças levantadas
Máquinas paradas
Dia de pescar
Pois quem toca o trem pra frente
Também de repente
Pode o trem parar

Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá

Gente que conhece a prensa
A brasa da fornalha
O guincho do esmeril
Gente que carrega a tralha
Ai, essa tralha imensa
Chamada Brasil

Samba samba são Bernardo
Sanca são Caetano
Santa santo André
Dia-a-dia diadema
Quando for, me chame
Pra tomar um mé

(Novelli - Chico Buarque/1980)

terça-feira, 17 de março de 2009

orçamento

O novo orçamento da propaganda: R$ 62,7 milhões



Recebi, ontem, as informações acerca do novo orçamento do Governo do Estado, para a propaganda e publicidade, em 2009.



Total da conta ao contribuinte: R$ 62.785.973,00 - só para a Secretaria de Comunicação (Secom), fora o que teria sido pulverizado entre as várias secretarias estaduais e que será preciso escavacar.



Esse novo orçamento, que está para aprovação na Assembléia Legislativa, já tem por base o novo PPA – Plano Plurianual, cuja revisão, já aprovada e publicada no Diário Oficial, prevê um gasto superior a R$ 207 milhões, em propaganda e publicidade, entre 2009 e 2011.



O orçamento anterior de 2009 previa pouco mais de R$ 40 milhões para a Secretaria de Comunicação (leia as matérias abaixo).



Desses R$ 62,7 milhões que serão gastos agora uns R$ 3 milhões são custos operacionais da Secom – pessoal, encargos sociais e despesas correntes.



Todo o restante – mais de R$ 59,2 milhões - irá para ações de propaganda e publicidade, com destaque para a rubrica “implementação de ações de publicidade”, que consumirá, sozinha, mais de R$ 55 milhões.



O novo orçamento da propaganda é o maior do Governo do Pará, nos últimos 14 anos – pelo menos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DS

Uma questão de classe



Ao responder aos anônimos que colocaram em dúvida a informação que divulguei acerca dos extraordinários gastos de propaganda e publicidade, previstos pelo Governo do Estado, para o período 2009-2011 (mais de R$ 207 milhões, o equivalente à construção e equipamento de quatro hospitais como o Metropolitano) dizia eu que não entendo e nem jamais gostaria de entender como é possível torrar tanto dinheiro em propaganda num estado miserável como o Pará.





De lá pra cá, porém, pus-me a refletir acerca disso. E acabei chegando à conclusão de que tais gastos são absolutamente compatíveis com o atual Governo.





Não, caro leitor; não pretendo “aliviar a barra” da minha xará, a governadora. Não pretendo, de forma alguma, encontrar justificativa para um desperdício tão escabroso de dinheiro público.





Mas, apenas, tentar entender como é que algo assim pode acontecer em uma sociedade democrática. Até para evitar, talvez, que a gente incorra em erros semelhantes no futuro.





Creio que para entendermos esse escândalo da propaganda, que me parece conectado a todos os demais escândalos recentes (o Caso Hangar e os kits escolares) é preciso remeter não apenas às eleições de 2006, mas, principalmente, à própria origem da governadora do Pará.





Ana Júlia Carepa e sua troupe vêm da classe média alta paraense.





São, todos, uns filhinhos de papai que não sabem sequer onde é que fica a Vila da Barca.





Nada de mais, uma simples questão de origem, se, ao longo da vida, não tivessem incorporado alguns dos piores vícios dessa classe que os pariu.





Como o deslumbramento pelos salões da high society.





Como a utilização dos bens e serviços públicos como mera extensão de um quintal particular.





Como a arrogância e a intolerância diante da crítica – aquela coisa nojenta do “você sabe com quem está falando?”.





Como a participação nos movimentos sociais apenas como uma “excentricidade”; uma ação “pitoresca”, para comentar em algum chazinho beneficente ou num círculo de intelectuais entediados...





Sim, porque tirando Ana Júlia e mais um ou dois, quem é, nessa troupe; quem é, na Democracia Socialista (DS) que sabe, ao menos, o que é distribuir UM panfleto?





Quem é, na DS, que conhece, de fato, a miséria, ali, ao vivo e em cores – e não, apenas, de romances ou tratados filosóficos?





Quem é, na DS, que já ralou para organizar uma greve, uma manifestação?





Quem é, na DS, que já pegou porrada; que já foi preso, detido, demitido ou até ameaçado de morte por sua atuação política?





Não, na maioria, a atuação política dessas pessoas, dessa “esquerda do Iguatemi”, se resumiu, se tanto, às teses universitárias – e a maioria delas absolutamente imprestáveis, pois, que atropeladas pelo avanço da sociedade democrática.





Daí que a DS não tenha base popular – e nem mesmo sustentação na “Academia”.





Daí que a DS nunca tenha conseguido ser além de um “quisto” dentro do PT.





No entanto, no Pará, essa corrente, minúscula e autoritária, conseguiu chegar ao poder.





Porque possuía essa liderança carismática, que é a Ana Júlia Carepa.





É claro que o fato de o PT ter no Governo, não uma corrente majoritária, como a Unidade na Luta ou o PT pra Valer, mas, um grupelho sem qualquer representatividade, só poderia dar nisso.





E esses gastos absurdos em propaganda são um caso emblemático.





Como está habituada ao compadrio, aos salões da high society, a DS não conhece outra forma de fazer propaganda que não seja essa, de privilegiar os grandes veículos de comunicação e de derramar dinheiro em publicações caríssimas, para meia dúzia de intelectuais.





E, é claro, não sejamos ingênuos, não conhece outra forma de amealhar recursos eleitorais.





Não quero “passar a mão” no PT – afinal, tem muito “companheiro” mamando nas tetas desse governo; tem muito “companheiro” que não está mais nem aí para a necessidade de buscar alternativas menos problemáticas ao financiamento de campanha.





Mas, o fato é que, muito provavelmente, não teríamos esse derrame de verbas públicas, em uma coisa como a propaganda, se quem estivesse no poder fosse uma corrente com representatividade partidária e social.





Tenho pra mim que o motorista ou a costureira; o agricultor ou a líder comunitária que fosse chamado a participar das discussões da Unidade na Luta, por exemplo, jamais admitiria uma coisa assim.





Porque é evidente o descalabro de uma coisa dessas para a inteligência luminosa, sem rodeios, do nosso povo...





Sem sustentação partidária; sem sustentação no movimento popular; sem sustentação, por idéia que preste, na intelectualidade; sem experiência em gestão pública; sem capacidade de diálogo, sem experiência política e sem humildade para admitir os próprios erros só resta ao Governo da DS isto mesmo: torrar dinheiro público em propaganda.





E propaganda, especialmente, nos grandes veículos de comunicação.





Para tentar tapar o sol com a peneira.





Mas, também, para garantir o champagne e o caviar entre os “barões” da terrinha.





Porque, para além de Marx, bacana é “scotchear” à pérgula....






Porque, afinal, ninguém é de ferro...






FUUUIIIIIII!!!!!!

sábado, 14 de março de 2009

propaganda2

A explosão da propaganda
Um aumento de quase R$ 40 milhões


O Governo do Estado planeja, sim, gastar mais de R$ 207 milhões, em publicidade e propaganda, entre 2009 e 2011.


O fato fica claríssimo, sem margem à contestação, quando se verifica que a retificação do PPA, o Plano Plurianual, publicada no Diário Oficial do último 10 de março (leia a matéria abaixo) agregou mais de R$ 37 milhões aos gastos anteriormente previstos do Programa “Gestão da Comunicação Governamental”.


Com isso, essa previsão de gastos, que era de R$ 170.748.911,00 (para quatro anos, entre 2008 e 2011) saltou para mais de R$ 207 milhões (para três anos, entre 2009 e 2011).


Com a retificação do PPA já aprovada pela Assembléia Legislativa e publicada no Diário Oficial, o Governo do Estado poderá, agora, mexer no seu orçamento deste ano – leia-se aumentar os gastos com publicidade e propaganda – conforme prevê a Lei.


Antes dessa retificação, o orçamento da propaganda e publicidade, para este ano, alcançava pouco mais de R$ 40 milhões, aí incluídos os custos operacionais da Secretaria de Comunicação.


Mas, com a retificação do PPA, esses gastos ficarão, em média, em quase R$ 70 milhões por ano, até 2011 (o orçamento é, apenas, um desdobramento, ano a ano, do PPA).


A turbinagem se deu pelo aumento da verba destinada à “implementação de ações de publicidade”, que saltou de R$ 153,8 milhões, no PPA anterior, para mais de R$ 192 milhões, no PPA revisado.


Outro detalhe importante: dos R$ 40 milhões que estavam previstos no orçamento de 2009, quase R$ 2,6 milhões iriam para o pagamento de pessoal e encargos sociais e cerca de R$ 37,5 milhões para outras despesas correntes, nas quais estavam incluídos R$ 36 milhões para ações de propaganda e publicidade propriamente ditas.


No entanto, de acordo com o balancete de dezembro último, só no ano passado o Governo gastou pelo menos R$ 43 milhões com serviços de publicidade institucional e legal – sem contar, portanto, outros itens da Comunicação.


Além disso, foram gastos quase R$ 17 milhões em serviços gráficos – um item que inclui, certamente, gastos da Imprensa Oficial, mas, que pode abranger, também, materiais de Comunicação.


O PPA (o antigo e o retificado) pode ser acessado no site da Sepof. O balancete de dezembro do ano passado está disponível no site da Sefa (mas, se apressem, antes que desapareçam, como costumam desaparecer diários oficiais e o link Transparência Pará, em períodos de crise).


Com essas novas informações espero ter acabado com as dúvidas de alguns anônimos em relação à informação que divulguei.


E espero ter acabado, também, com o lári-lári de que esses R$ 207 milhões incluiriam “dinheiro contingenciado” – leiam os comentários da matéria anterior.


Até porque o orçamento deste ano estava perfeitamente compatível com os R$ 170 milhões anteriormente previstos para o PPA, no período 2008-2011.


Resumindo: os gastos de propaganda e publicidade do Governo do Pará deverão atingir, sim, em média, R$ 70 milhões por ano, entre 2009 e 2011.


Isso se não chegarem a mais – muito, muito mais – pois, como se vê no balancete de dezembro, a previsão orçamentária é, tão somente, um ponto de partida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

propaganda

Extra!Extra!

Gastos de publicidade e propaganda
do Governo do Pará explodem em 2009

Per capita do Governo paraense é maior que a de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná e supera até o custo por habitante da Presidência da República.


É incrível, mas, verdadeiro: o Governo do Estado planeja torrar mais de R$ 207 milhões em propaganda e publicidade, entre 2009 e 2011, o que dá, em média, quase R$ 70 milhões anuais.


É o maior volume de gastos de um governo paraense, em publicidade e propaganda, nos últimos 14 anos – pelo menos.


E também representa um incremento superior a 100% em relação a 2007, quando tais despesas rondaram os R$ 30 milhões.


Pior: por conta desse aumento, a per capita dos gastos de propaganda e publicidade do Governo do Pará vai superar, em 2009, até a per capita da Presidência da República e dos ministérios, além de deixar para trás estados bem maiores como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.


Em outras palavras: o Pará vai gastar em propaganda e publicidade, agora em 2009, mais do que estados brasileiros de economia muito mais pujante e sem a metade das mazelas sociais paraenses.


A previsão de gastos consta do suplemento que circulou, ontem, 10 de março, no Diário Oficial do Estado.


O Suplemento traz a revisão do Plano Plurianual de 2008 a 2011.


Nele, o Governo do Estado prevê gastar R$ 207.115.718,00 no programa “Gestão da Comunicação Governamental”, com o objetivo de “publicizar as políticas públicas, os programas e atos governamentais”.


A estratégia de implementação, consta ainda no documento, será a de “estabelecer parcerias intra-secretarias, estabelecer política de comunicação social democrática e apoiar a democratização dos meios de comunicação”.


A maior fatia desses mais de R$ 207 milhões irá para a “implementação de ações de publicidade”. Serão nada menos que R$ 192.225.687,00, para “publicizar as ações do governo”. A maioria (R$ 192.183.737,00), na Região Metropolitana de Belém.


Veja, a seguir, as demais ações em que serão gastos esses mais de R$ 207 milhões:


1-Democratização do acesso à informação, para “melhorar o acesso da população paraense aos meios de informação e comunicação, objetivando consolidar a democracia, formar agentes comunitários de comunicação e melhorar os índices de inclusão social do estado”. Valor da conta para o contribuinte: R$ 645.573,00.


2- Publicação de editais: R$ 3.231.869,00.


3 – Implantação do Observatório de Comunicação e Mídia, para “constituir um programa de pesquisa no campo da comunicação e dos estudos midiáticos: R$ 645.573,00.


4 – Implementação de ações de comunicação institucional, para “apoiar a efetivação da imagem pública do governo”: R$ 1.291.147,00


5 – Implementação de ações jornalísticas, para “divulgar os eventos governamentais”: R$ 1.129.753,00.


6 – Implementação do Parque Gráfico, Editorial e Tecnológico, para “oferecer produtos gráficos e editoriais”: R$ 7.946.116,00.



Sem controle


Dos mais de R$ 192 milhões que serão usados para “publicizar” as ações do governo, R$ 61.427.644,00 serão gastos agora em 2009 e R$ 63.903.340,00 no ano eleitoral de 2010.


O enquadramento de toda essa dinheirama como “publicidade” – e não como propaganda – ajuda a aliviar o choque do contribuinte, diante de gastos tão extraordinários.


Afinal, como “publicidade” podem ser enquadradas campanhas de amplo interesse social, como é o caso da vacinação infantil ou da redução dos acidentes de trânsito.


Mas, como separar o joio do trigo? Em outras palavras: como garantir que boa parte desse dinheiro não será carreada, em verdade, para a pura e simples propaganda?


No Balanço de 2007, consta que a despesa realizada pela totalidade do Governo (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiu pouco mais de R$ 24,9 milhões, havendo, ainda, R$ 8,5 milhões em créditos autorizados, para propaganda e publicidade.


A quase totalidade desse dinheiro foi gasta pelo Executivo: R$ 23.775.480,31 de despesas realizadas e R$ 7,569 milhões de créditos autorizados.


Isso leva a crer que a maior parte desses R$ 207 milhões também será torrada pelo Executivo.


Além disso, o descompasso entre os gastos de 2007 e aqueles previstos para os próximos anos leva a perguntar: o que pode justificar um aumento tão espetacular, diante de uma inflação de 10% ao ano?


Outro problema é que a quase totalidade desses R$ 207 milhões será aplicada na Região Metropolitana de Belém; apenas uns R$ 40 mil irão para o interior do estado.


Ou seja, esse aumento extraordinário não pode nem ser justificado pela eventual “interiorização” das ações de comunicação.



Per capita supera a de Lula


De acordo com as informações que recolhi na internet, os gastos da Presidência da República e ministérios, com publicidade, sofreram um incremento de 35% em relação a 2008 e devem atingir, agora, R$ 547.400.000,00.


O problema é quando se divide essa montanha de dinheiro pela população brasileira (estimada em uns 190 milhões de habitantes): o custo per capita dessa gastança fica em R$ 2,88.


No caso do Pará, no entanto, quando se dividem esses R$ 70 milhões anuais pelos sete milhões de paraenses, a per capita fica em R$ 10,00 – ou três vezes a da Presidência da República e ministérios.


O mesmo resultado espantoso acontece quando se calcula a per capita de gigantes como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, com base na estimativa de gastos em publicidade e propaganda para este ano. Veja você mesmo:



São Paulo – há duas estimativas de gastos, uma divulgada pela Valor Econômico, outra pelo blog do Favre. Na primeira, tais gastos atingirão R$ 227 milhões; na segunda, R$ 313 milhões. Mas, mesmo dividindo a mais alta pela população daquele estado (39.827.570 habitantes), a per capita fica em R$ 7,85, ainda abaixo do Pará.


Rio de Janeiro – estimativa de gastos de R$ 100 milhões, para 15.420.375 habitantes. Per capita: R$ 6,48.



Minas Gerais – estimativa de R$ 70 milhões, para 19.273.506 habitantes. Per capita: R$ 3,63.



Paraná – estimativa de gastos de R$ 53 milhões, para 10.284.503 habitantes. Per capita: R$ 5,15.


Dinheiro que não acaba mais



Para se ter idéia do que significam esses mais de R$ 207 milhões que o Governo do Pará pretende torrar em propaganda e publicidade, nos próximos três anos, é preciso ter em mente o seguinte: em 2008, as transferências de ICMS para Belém, cidade de 1,4 milhão de habitantes, atingiram R$ 175.271.007,25, conforme o site da Sefa.


Isso quer dizer que o Governo vai gastar, em publicidade e propaganda, entre 2009 e 2011, mais do que o ICMS de um ano inteirinho de uma cidade do tamanho de Belém – e o ICMS é uma das principais receitas orçamentárias do município.


Esses R$ 207 milhões também equivalem a quatro anos de ICMS de uma cidade como Marabá (196 mil habitantes).


E equivalem, ainda, a quatro anos de orçamento total de uma cidade como Capanema, com 61 mil habitantes.


O pior, no entanto, é quando se comparam esses gastos em publicidade e propaganda com outros de maior alcance social, previstos no mesmíssimo Plano Plurianual.


Esses R$ 207 milhões superam, por exemplo, os R$ 177,6 milhões que o Governo do Estado pretende gastar com a distribuição de 266 mil bolsas-trabalho, no mesmo período; o que será investido na “perenização” de estradas vicinais (R$ 191.092,255,00); ou no Programa “Pará Viver”, que pretende reduzir a mortalidade por câncer e aumentar a sobrevida dos pacientes (R$ 67.066.484,00).


Esse dinheiro também supera o que será aplicado na geração de trabalho e renda à população rural que vive abaixo da linha da pobreza: a previsão de investimentos no “Pará Rural” é de R$ 153.385.666,00, para os próximos três anos.


Os R$ 207 milhões da propaganda e publicidade deixam para trás, ainda, o programa de promoção e proteção de direitos humanos, que investirá R$ 42.874.893,00, em três anos, para atender mulheres vítimas de violência, através dos centros “Maria do Pará”.


Também representa quase três vezes os R$ 74,5 milhões que serão investidos em “proteção social básica”, para atender, entre outros, idosos e portadores de deficiência.


Representam o triplo dos R$ 68,8 milhões que serão investidos em “proteção social especial”, para atender adolescentes que cometeram atos infracionais.


Na verdade, esses R$ 207 milhões representam quase três vezes os R$ 70 milhões previstos para o novo prédio do Hospital da Santa Casa.


Ou, ainda, quatro vezes os R$ 53,5 milhões que serão investidos para a implantação de “postos de serviço” que objetivam prevenir e reduzir os índices de criminalidade na grande Belém.


Ou, ainda, os R$ 69,4 milhões que serão aplicados no programa “Sentinela Saúde”, para diminuir, entre outros problemas, a taxa de infestação predial por aedes aegipty, no estado do Pará.

Quer dizer: esses gastos de R$ 207 milhões em propaganda podem até estar dentro dos limites legais.

Mas, do ponto de vista moral, serão aceitáveis?

domingo, 8 de março de 2009

Dia da Mulher

Para Isa Cunha, Ulysses Guimarães,
Maria da Metade e Almir Gabriel



Se há uma mulher que um dia admirei, profundamente, foi Isa Cunha.



Com a sua fala mansa, baixinha, dulcíssima, parece que buscava encobrir toda aquela força gigantesca, aquela grandeza de seu interior.



Égua da mulher imensa!...



Égua da pessoa, absolutamente incapaz de transigir naquilo que julgava o certo...



Não fui ao enterro de Isa.



Na verdade, só soube que morrera semanas depois, através de alguém.



Lembro que me entristeci profundamente.



E que recordei a última vez em que a vi, durante uma homenagem que lhe prestava a Câmara Municipal de Belém.



Lembro que me sentei rapidamente junto dela, porque ela me convidou – queria saber de mim, e eu, é claro, senti-me profundamente honrada, orgulhosa, com o interesse dela...



Depois, ela foi receber sua homenagem e eu levantei-me, fui-me embora, eis que estava a trabalhar.



Desde aí, lembro-me de Isa, a cada Dia Internacional da Mulher.



Nunca conheci Mulher, assim mesmo, com M maiúsculo, que merecesse tanto a reverência da gente.



Por isso, neste Oito de Março, quero homenagear aquela Mulher extraordinária.



Cuja imagem me socorre, nas horas mais aflitivas da vida.



Sou uma pessoa de poucos heróis.



Mas, esses poucos são gigantescos: Ulysses Guimarães, Isa Cunha.



E até a pouco conhecida, mas, igualmente grandiosa, Maria da Metade, que levou consigo boa parte da História deste nosso Pará.



E, é claro, o maior governador que este nosso Pará já teve: Almir Gabriel!



(Que o Barbalhão não me ouça: ele pode até ser o maior político que o Pará já teve; um político que seria imenso em qualquer época e lugar do mundo. Mas, o melhor governador deste Pará foi, sim, Almir Gabriel).



Almir inaugurou uma Era.



Não, não inaugurou, simplesmente, estradas, escolas, hospitais, que isso todo mundo faz.



Almir, em verdade, inaugurou um novo tempo.



Um tempo em que a gente, todos nós, aprendemos a discutir uma forma melhor de fazer política.



Em que discutimos ética, honra, emancipação dos cidadãos mais pobres.



E até - e apesar de todo o autoritarismo dele - aprendemos a NECESSIDADE democrática.



Quisemos mais.



Quisemos as instituições funcionando de forma autônoma, independente.



Quisemos o Poder da sociedade civil.



Quisemos, ousamos, até muito além dele, Almir...



Mas, Almir coincidiu com as mais importantes mudanças da sociedade brasileira, em sua história recente.



E teve a capacidade de não as contrariar, apesar do seu estilo turrão, intransigente.



Que o levou, afinal, à derrota, nas últimas eleições.



Mas, pensando bem, também foram intransigentes estes outros gigantes: Ulysses Guimarães, Isa Cunha, Maria da Metade...



E talvez daí resulte, em verdade, o gigantismo de todos eles...



Por isso, neste Oito de Março, não vou homenagear, apenas, a Isa Cunha e a Maria da Metade. Mas, também, o Ulysses Guimarães e o Almir Gabriel.



Ao Jader não homenageio.



Porque, como já disse aqui, muitas vezes, ele é um enorme desperdício de talento social.



Alguém com a inteligência extraordinária dele, o brilho intelectual dele poderia ter feito muito - muito mesmo!... - pela sociedade...



Se compreendesse, enfim, que o invejável talento que possui não lhe pertence de fato; porque é, de fato, uma construção coletiva...



Minha homenagem vai, portanto, para esses gigantes, tão brilhantes quanto.



Mas, que jamais se permitiram transigir...



Neste Oito de Março, para Isa Cunha, Maria da Metade, Ulysses Guimarães e Almir Gabriel.



Porque a luta de todas as mulheres do mundo é feita disto mesmo: intransigência!...







Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão!

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão!


(Milton Nascimento)

quinta-feira, 5 de março de 2009

opinião


Vamos jogar o foda-se!


Carta Aberta à Joana Pessoa II





Na tarde de hoje, caro leitor, fui surpreendida por uma intimação judicial, derivada de um processo por “danos morais”, movido contra mim pela doutora Joana Pessoa, presidente da Organização Social Via Amazônia.


Ao ler tal peça acusatória, eivada de mentiras, dela só pude extrair uma conclusão.




A de que, mais uma vez, a doutora Joana Pessoa recorre ao seu expediente favorito, o único que talvez conheça em sua tristíssima trajetória: o ataque acanalhado e covarde, através do uso de dinheiro público, para tentar intimidar os cidadãos que “ousam” lhe fazer frente.



Ao ler tal peça acusatória, também me pareceu que a doutora Joana Pessoa padece de uma arrogância patológica: crê, piamente, que pode comprar tudo e todos, para escapar impune aos crimes que comete contra o meu, o seu, o nosso dinheirinho.



É certo, doutora Joana, que não possuo dinheiro; aliás, nem palmo de terra num cemitério qualquer...



Não controlo, como a senhora controla, tubos e mais tubos de dinheiro público.



Não posso comprar grandes veículos de comunicação, nem grandes bancas de advogados... Ou que se pretendem, hoje, no Governo do PT, grandes bancas de advogados...



No entanto, doutora Joana Pessoa, possuo uns tantos atributos que Deus, em sua infinita misericórdia, teve a Bondade de me conceder: coragem, dignidade, honra, caráter. E, sobretudo, capacidade investigativa.



É certo, doutora Joana Pessoa, que essa será uma luta de Davi contra Golias; do tostão contra o milhão; de um mero cidadão contra as “falanges do mal”, que empestam este estado e este país.



Mas, para a sua infelicidade, doutora Joana, devo lhe dizer que nada temo: afinal, tenho comprovação de tudo o que escrevi.



E, ao contrário da senhora, creio, sim, no Poder da Sociedade. No imenso Poder do Cidadão, do Contribuinte.



Parte-me o coração, no entanto, constatar a que ponto desceu o PT, nessa coisa de abrigar “operadores” da sua laia.



Causou-me espanto, doutora Joana Pessoa, o fato de a senhora me processar – a mim, repórter - não pela matéria publicada neste blog, mas, pela matéria publicada em O Liberal.



Causou-me espanto, sobretudo, o fato de nesse mesmo processo covarde, hediondo, a senhora ainda tecer elogios a O Liberal, como se aquele jornal nada tivesse a ver com a divulgação do Caso Hangar.



Como se eu tivesse determinado a publicação desse triste episódio nas páginas de O Liberal. E – pasme-se - fosse responsável até pela manchete escolhida no referido jornal.



Como se eu, repórter, pudesse dizer: publiquem ou não publiquem isso e aquilo.



Como se eu, enfim, me chamasse Maiorana...



Mas, bem vistas as coisas, nem deveria me espantar: afinal, a senhora fez publicar uma página igualmente covarde, no referido jornal, logo após a publicação do Caso Hangar.



No entanto, doutora Joana, padeço de um mal incontornável: acredito nas pessoas. E, mesmo quando cometem canalhices, me disponho a crer que não poderão descer ainda mais.


Lamento, profundamente, que a senhora insista em retomar essa questão.


Lamento que a senhora me obrigue a ir fundo no Caso Hangar.



Quem acompanha este blog sabe que deixei isso de lado, não por acaso.


O fiz, em primeiro lugar, porque tenho plena consciência de até onde esse explosivo caso poderá levar – talvez, até ao impeachment da governadora.



Afinal, entre todos os escândalos desse governo, profícuo em escândalos, o Caso Hangar é aquele que tem a possibilidade de estabelecer a ligação mais concreta entre o crime, a improbidade, e a governadora do Pará.




Por isso, logo depois daquela matéria, fugi do Caso Hangar como o diabo foge da cruz – apesar de todas as “dicas” que recebi, vindas de empresários, promotores, jornalistas, anônimos.



E até – pasme-se – busquei convencer as oposições de que esse era o melhor caminho a trilhar, tamanhas, eu sei, são as conseqüências desse escândalo...




Pesou em tal decisão, é verdade, as minhas três décadas de militância política: o pudor que sinto, apesar de jornalista, de investigar profundamente a “metodologia” petista.



Pesou, também, a conversa que tive com um petista extraordinário, logo após a divulgação do Caso Hangar.




Pesaram, sobretudo, os amigos petistas que fiz ao longo da minha vida, e o sofrimento que eu sei que lhes causará a “evisceração” do Hangar – da mesma forma que sofreram os tucanos, quando eviscerei os escândalos da dupla Marcelo Gabriel/ Chico Ferreira...



Até me havia recolhido a uma espécie de auto-exílio; a uma fase contemplativa, digamos assim.




Havia como que me retirado da arena política, para pensar, para refletir acerca da minha vida...



No entanto, lá estava eu, entre incensos e mais incensos, entre mantras e mais mantras, quando a senhora, doutora Joana Pessoa, em sua arrogância patológica, resolveu como que “me chamar” de volta à arena...


E, o que é pior: através de um ataque covarde. De contra-ataque irrecusável, pois...


Lamento, não pela senhora, que, a meu ver, não passa de uma criminosa comum, que, simplesmente, se utiliza da política para se dar bem.




Lamento pelo PT. E até pela minha xará, que, sinceramente, creio que não merece – como já disse a tanta gente!... – um final tão melancólico...



E quando esse magnífico petista me procurou, para jogar água fria no Caso Hangar, ele até referiu gente que aí trabalha, cuja biografia não merece ser enlameada pela investigação dessa imensa lavanderia.




E eu aquiesci. Por tais pessoas. Pelas importantes lutas que travam e que já travaram. E até porque não desconheço os esquemas a que são obrigados a recorrer os partidos brasileiros, para angariar dinheiro para as eleições.




Aquiesci porque pesou o compromisso que tenho – ao contrário da senhora – com a transformação da sociedade brasileira.




Mas, infelizmente, a sua ação, o seu processo, doutora Joana, me obriga a ir até o fim...




Me obriga a tomar decisões que eu, neste meu auto-exílio, não queria tomar...




Me obriga a mexer pedras, nesse grande tabuleiro político, que eu hesitava em mover, à espera da definição de 2010...


Lamento, como já disse.





Mas, agora, vamos jogar o “foda-se”.




Um jogo que não conhece paralisação, doutora Joana.



Um jogo, como se diz em política, que “só termina quando acaba”.


Um jogo que vai até a última gota, sem qualquer comiseração em relação ao adversário...




Lamento que a senhora tenha tomado esse caminho.



E eu vou até lhe dizer como a senhora, na sua obtusidade, raciocinou.


A senhora pensou: “Bom, eu processo essa fodida, elogio o jornal em que ela trabalha e, assim, a isolo; deixo-a sem chance de defesa; deixo-a a minha mercê”...



“Assim, saio livre, leve e solta de todas as acusações”...




Não foi assim, doutora Joana Pessoa, que a senhora raciocinou?




Não lhe vou dizer que é um raciocínio de todo ruim.



Peca, no entanto, por dois “detalhes”.



O primeiro: a senhora, simplesmente, não “combinou comigo”, como se diz, essa sua “estratégia”: a senhora se esqueceu de me dizer que era para ficar quieta, caladinha, diante de um possível massacre...



Em segundo lugar, a senhora desconheceu o básico: em uma mesa de jogo, há, necessariamente, mais de um jogador.



E isso quer dizer que a gente pode até tentar adivinhar o jogo alheio. Mas, não há jogador, doutora, por melhor que seja, que possa prever, de fato, as cartadas alheias...



Creio, sinceramente, que a senhora deveria ter escolhido outro opositor.


Um que lhe desse, ao menos, possibilidade de defesa...



Que publicasse: “Acho que”; “Dizem que”...



Porque, doutora Joana, eu jamais “acho”: eu provo!...

E ainda que isso me custe dias e dias e noites e noites... E até um bocado de tintura nestes meus cabelos brancos...



Lamento que, entre tanta gente, a senhora tenha escolhido a mim...



Lamento que a senhora tenha me “acordado” do meu retiro espiritual...


Pois que, agora, nem pense em desistir do seu processo: para parar esse processo a senhora tem de me consultar.



E eu não vou aceitar paralisação, doutora Joana.



Agora, porque a senhora quis assim, nós vamos jogar o “foda-se” - até o fim...




E que Deus, doutora Joana, em sua infinita misericórdia, tenha Piedade de nós!




FUUUIIIIII!!!!!!!





(Ei, Joana, diz pros Weyl se acalmarem com o que o que vou tocar agora... Pra estes tempos tão bicudos do PT...)





Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores


Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...
em, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...


Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...


(Geraldo Vandré)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ana


Em política nem tudo é canela





Hoje, depois de muito ouvir falar, mais uma vez, acerca da vida sexual da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa, decidi prestar-lhe uma homenagem.


Não que isso signifique que vou deixar de fiscalizar o Governo dela – muito pelo contrário.



Mas, porque gostaria de homenagear, através da Ana Júlia Carepa, todas as mulheres do mundo que, todo santo dia, enfrentam toda sorte de preconceito, toda sorte de canalhice, simplesmente porque são mulheres.



E ainda mais quando “ousam” construir uma identidade própria, fazer carreira, num mundo como a política, que, infelizmente, ainda é amplamente dominada pelos homens.



Olho para a minha xará e vejo uma mulher jovem, bonita, atraente – e, sobretudo, sozinha.



Uma mulher sem “senhor”, sem marido, sem patrão.



E que, no entanto, vem sendo sistematicamente humilhada por ter uma vida sexual ativa, como, aliás, todas as mulheres anseiam e precisam ter.



Já ouvi até de mulheres comentários desabonadores – para elas, as “comentaristas”... – acerca da governadora.



Como se a nós coubesse, apenas, o papel de bibelozinhos bonitinhos, frágeis e bem comportados.



Como se não fôssemos seres humanos inteligentes e, em geral, bem mais competentes que a maioria dos homens naquilo que fazemos.



Como se o sexo, para nós, se resumisse à simples moeda de troca, no jogo da sobrevivência.



Sinceramente que já começo a me sentir enojada – e até ofendida!... – com toda essa repugnante “vigilância”, essa fogueira inquisitorial, em torno da vida sexual da minha xará.



Ao que parece nossos políticos – apesar da fome, do desemprego, da miséria do nosso povo - não têm mais o que fazer.



Nossas lideranças, nossos jornalistas, nossas oposições parecem ter, simplesmente, perdido a noção dos limites da luta política.



Ou, pior que isso, já nem se preocupam mais em esconder esse ranço machista, essa forma abjeta como encaram todas as mulheres do mundo.



E eu me pergunto: será que esses sujeitos nunca tiveram mãe, mulher, filhas, irmãs?



Se não têm nada de relevante a dizer acerca do governo dela, do uso de dinheiro público, por que, simplesmente, não se calam?



Não encontro motivo para que seja chamada à arena política a vida sexual da governadora, a não ser o uso acanalhado, cafajeste, de um preconceito social.



A não ser essa coisa mal contida de uns uga-bugas que ainda ontem caíram das árvores e mal conseguem se equilibrar nas duas patas.



Nunca vi qualquer desses “vestais” apontarem o dedão acusador a qualquer dos “machos” que ocuparam o Governo do Estado.



Nunca vi ninguém dizer um “ai” que fosse acerca da vida sexual do Jatene, do Almir, do Gueiros, do Jader.



E todos – e toda a “corte” sabe disso muitíssimo bem!... – também tiveram uma vida sexual agitadíssima.



E que envolveu, muitas vezes, até DAS e otras cositas mas...



No entanto, até onde eu me lembro, toda a “corte” sempre achou isso “maravilhoso”, como se aos homens, e apenas aos homens, fosse “permitido” trepar com quem bem lhes apetece.



Aliás, havia até quem se dispusesse a vigiar a porta do quarto, enquanto o sujeito “se aliviava”; havia até a figura – paga com dinheiro público – do “guarda-trepada” de plantão...



E olhem que esses senhores eram todos casados; alguns até tidos e havidos como verdadeiros “modelos”, “exemplos” à sociedade...



Então, por que o “escândalo”? Por que essa cafajestice, essa hipocrisia?



E tem mais uma coisa: em todos os longos anos que passei na “corte”, além de não ouvir qualquer manifestação de desagrado em relação à vida sexual desses senhores, vi, sim, manifestações de preconceito em relação às mulheres que transavam com eles, como se fossem “as culpadas” por tais relações...



Eram tratadas como a “serpente” que seduziu o “pobrezinho” do Adão – tão “inocente” ele, né mermo?...



Creio que as pessoas precisam amadurecer; parar de fazer política à custa da vida dos outros, até porque ninguém, nesse meio, é espécie de “querubim ungido”...



Todo mundo tem a sua vidinha “por debaixo dos lençóis”...



E se a gente for revirar tais “lençóis” não sobra um “santo” para apontar o dedão acusador a quem quer que seja...



Daí que, embora morta de inveja (sim, caros leitores, é verdade: nesse sentido, estou morrendo de inveja da minha xará!...) deixo aqui essa justíssima homenagem à Ana Júlia.



E não só a ela, como já disse.



Mas, a todas as mulheres do mundo que têm a coragem de buscar o prazer, a autonomia, a independência e a felicidade apesar dessa horda, desse bando de canalhas sem mãe.




FUUUIIIII!!!!






A luz de Tieta

Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol...

Nesta terra a dor é grande,
A ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...(2x)

Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol...

Nesta terra a dor é grande
A ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

(Caetano Veloso)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

redação


Um caso de amor



Redação de jornal é a minha cachaça. Sempre foi.



Há, como naquele fado, uma estranha forma de vida a pulsar numa redação.



Não, caro leitor, não pense que estou a dizer que somos espécie de “alien” – embora, é verdade, com ele nos pareçamos na capacidade corrosiva...



Mas, prefiro nos imaginar uma comunidade meio esquisita, é verdade. Mas, em perfeita simbiose com a sociedade.



Talvez por isso não haja lugar que se compare, em ansiedade, a uma redação de jornal - a não ser pronto socorro de série televisa...



A gente mexe e remexe o “paciente”, a informação.



“Intuba”, massageia, fura em tudo que é canto. E só sossega quando, no dia seguinte, vem a certeza: habemus notícia!...



Quer dizer, é uma coisa meio enlouquecida. Mas, a gente só se aquieta com a certeza de que demos tudo o que os outros deram. E, principalmente, o que os outros não deram, também.



A notícia quente, fresquinha, exclusiva, quase que em forma de oração...



Redação que é redação sempre será assim. Apesar da instantaneidade da notícia – ou, quem sabe, mais ainda por causa dela...



E sempre terá, também, uma fauna extraordinária, a síntese do vulgar e do transcendental.



Dentre os tipos que não podem faltar há o “enigmático” foca.



O sujeito que, egresso ou não de uma faculdade, apenas inicia a longa jornada da informação...



Aliás, Deus deve ter inventado o foca num dia de boníssimo humor.



Só assim para entender criaturas tão empenhadas na produção do insólito.



Lembro do “causo” de um grande jornalista, hoje, um dos mais brilhantes redatores que conheço.



Quando foca, foi cobrir aquela matança de porcos, durante a peste suína. Aí, tascou: “E os porquinhos olhavam melancólicos para os seus algozes...”



Nada contra a poesia que já então se revelava nesse grande redator.



Mas, graças a Deus, os anos o ensinaram a suprimir tais projeções...



Eu também já fui assim – é, caro leitor, não nasci “dinossáurica”...



Certa vez, tasquei: “E fulana morreu na segunda das quatro operações a que foi submetida...”



Quer dizer: operei um “presunto”!...



Todos passamos por essa fase. De muitos enganos, é verdade. Mas, também, de dulcíssimas ilusões...



Porque, quando focas, quando na infância do jornalismo, ainda cultivamos alguma esperança nos grandes veículos de comunicação.



Ainda não enxergamos – e há quem passe a vida sem enxergar!... – os interesses por trás da notícia, por vezes, desde o nascedouro, que são as fontes...



E também pensamos, nessa gênese do jornalista, que faremos, individualmente, alguma diferença nessa disputa pela posse de um bem que é de extrema importância social.



Daí que as redações também se assemelhem a um teatro de operações.



Há os que cruzam a fronteira do jornalismo para a pura e simples militância.



Há os que, pragmaticamente, apenas jogam, sem mais ilusões que não a de permanecer na mesa de jogo.



E há aqueles que o duro cotidiano das redações faz esquecer aquilo que, um dia, os moveu – o amor pela informação...



Quando comecei em jornal, há quase três décadas, era esse o principal atrativo de uma redação: o amor pela informação...



Não, não apenas o “poder” que muitos imaginam que essa profissão traz ou trará – eis que essa capacidade, bem mais que em qualquer outra posição social, é pura ilusão.



Mas, a paixão, mesma, pela notícia. Pelo arrepio, o frio na espinha, o bater acelerado do coração que só um belíssimo “furo” é capaz de proporcionar...



(Coleguinhas, atenção: recolham as garras do alien; nada de sacanagem!...)



Por isso, caro leitor, redação que se preze também é um laboratório de insanidade; a loucura em condições aparentemente controladas.



Terreno fértil a todas as neuroses e psicoses.



Um estresse permanente, o gatilho para inúmeras doenças letais.



Até pelos muitos “vícios” que vamos adquirindo, com o cafezinho farto, o cigarro, o álcool, a alimentação nociva, os antidepressivos...



Mas, pergunte se algum de nós quer largar essa cachaça...



Uns até se afastam, permanecem algum tempo em assessorias, que dão mais dinheiro, menos trabalho e nem a metade das dores de cabeça de uma redação.



Mas, jornalista que é jornalista tem as assessorias como mera questão de sobrevivência – e, para mim, assessoria de imprensa nem é função de jornalista, mas, de relações públicas.



Jornalista que é jornalista faz de tudo para permanecer nesta “cachaça”.



Para sorvê-la até a última gota, ao teclado de um computador.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

pensando, pensando






Tucanos, petistas e outros bichos









Agradeço de coração a todos os leitores deste blog, que batem ponto toda semana neste cafofo.




Sei que vocês que aqui vêm desde os primórdios da Perereca da Vizinha já nem estranham mais as minhas ausências.


Mesmo assim, peço desculpas pela demora em postar, novamente, alguma coisa interessante.


Primeiro, andei meio adoentada, com essa minha mania horrorosa de comer tudo que é porcaria que vejo encontro pela frente.


Mas, o principal é que precisava exorcizar uns “fantasmas do passado”, digamos assim.


Precisava varrer do horizonte uma etapa da minha vida; precisava fechar definitivamente uma porta, para que nunca mais volte a se abrir...


Sinto-me, agora, bem mais aliviada, como alguém que, aos poucos, vai retomando a estrada.


Como se colocasse a mochila nos ombros e me deixasse enfeitiçar pelos horizontes e horizontes que se vão construindo em minha cabeça.


Com o coração a bater acelerado.


Com os olhos novamente dispostos a olhar em volta, a redescobrir toda a beleza do mundo.


É bom me sentir assim; fazia tempo que não me sentia assim.


Capaz de seguir em frente e de começar, de fato, uma nova etapa da minha vida.


Não, como disse a um amigo, um petista maravilhoso que me telefonou, não estou “preparando” coisa alguma, neste prolongado silêncio...


Estou, apenas, dando um tempo, enquanto vou me adaptando a O Liberal.
Preciso encontrar o ponto do bolo, digamos assim. Preciso me afinar com o jornal, do ponto de vista da linguagem e das matérias que lhe interessam. Até porque disso daí depende a minha sobrevivência...


Ou seja, tenho direcionado as minhas melhores energias para lá.


Além disso, andei “cozinhando” algumas coisas na minha cabeça.


O novo capítulo da Orgia no Rangão, que, aos poucos, vai surgindo na minha cabeça; as crônicas, umas quatro ou cinco, que tenho de terminar; o romance que preciso retomar; a poesia que se calou e que nunca mais veio bater-me à porta do coração...


Mas, também é verdade, tenho pensado em umas pautas bacanas, até pelas muitas dicas que tenho recebido.



Como disse, há meses, a esse meu amigo petista, não pretendo retomar o Caso Hangar.


Embora, é verdade, já tenham surgido vários fatos novos e até “ofertas complexas” de investigação. E até coisas complexas que mereceriam, sim, uma profunda investigação.





Mas, não pretendo, de forma alguma, contribuir para um eventual “impedimento” da minha xará.



Primeiro porque abomino “tapetão” – para mim, isso nada mais é do que desespero político.


Segundo porque tenho a responsabilidade de uma militante política que compreende como acessória a sua condição de jornalista.


Terceiro, e decorrente da compreensão acima, porque jamais me disporia a prejudicar os nossos irmãos petistas, se isso resultasse, simplesmente, em benefício do PMDB ou de qualquer outro partido integrante da “massa atrasada” deste país.


Tenho de reconhecer que, no Caso Hangar, me deixei levar, momentaneamente, pela raiva – e nem peço desculpas por isso, porque acho que isso é, simplesmente, humano.


Incomodou-me profundamente o fato de ter assumido, de repente, a condição de “parte” nessa história toda.


Primeiro porque tenho pra mim que jornalista não é parte de coisa alguma.


A gente noticia, briga pela informação.


E, ao contrário do que imaginam muitos coleguinhas, na produção de uma notícia, não espelhamos, simplesmente, “isenção”.


Mas, toda uma história de vida, toda uma compreensão de mundo, que, afinal, fez de nós aquilo que somos.


Mas, denunciar fatos ao Ministério Público, ao TCE, ou a qualquer instância, não compete ao jornalista.


E isso sempre me incomodou muitíssimo, pela atitude que fui levada a tomar, tanto pela arrogância e certeza de impunidade da doutora Joana Pessoa, quanto pela raiva que senti ao ser chamada de “inescrupulosa”.



E logo eu, que, ao ligar para amigos, em 2006, alertava: “Estou te ligando não como amiga, mas, como repórter de tal jornal”.


Quer dizer, fiquei profundamente sentida com tal acusação. Tanto pelas minhas atitudes, quanto pelo fato de me parecer que a doutora Joana Pessoa não tem, simplesmente, moral para classificar de “inescrupuloso” a quem quer que seja.



Mas, deixa pra lá, já passou.


Isso não significa, no entanto, que vou deixar de fiscalizar o Governo da minha xará.



Creio que essa, afinal, é a maior função de um jornalista: levar ao conhecimento da sociedade a “sujeira” que os governos tentam varrer para debaixo do tapete.



Porque, infelizmente, mesmo o PSDB e o PT, que são os partidos mais avançados deste país, têm um medo danado da sociedade – a sociedade que, longe de ser inimiga, é, em verdade, uma inestimável aliada de quem pretenda fazer avançar o Brasil, em termos sociais e econômicos.




Mas, guardo a esperança de que os irmãos petistas e tucanos, um dia, compreendam isso. O dia em que deixarão de torrar milhões em propaganda, para investir em publicidade.



Ou seja, o dia em que deixarão de torrar dinheiro público a vender um “paraíso” inexistente.



E que investirão esse dinheiro para, de fato, informar a sociedade e chamá-la, convocá-la, a discutir a construção do próprio destino.



Gosto muito dos moldes daquela tendência, que me foge o nome, do Paulo Rocha e do Mário Cardoso.



É bem verdade que, como tucana que sou, considerei algo “pitoresca” essa prática de até motoristas serem chamados a debater questões estratégicas...



Mas, como tucana visceral, também fiquei como que “encantada”...
Afinal, me vi, de repente, e pega quase que desnuda, diante da democracia radical.



Acho que é por isso que fiquei a gostar tanto do Mário: afinal, ele e o grupo dele colocam em prática aquilo que a gente apenas teoriza.
Essa crença, melhor dizendo, essa certeza na capacidade racional das pessoas, por mais humildes que sejam, faz uma falta danada a nós, os tucanos...



Nós, os tucanos, nos habituamos a incorporar todas as descobertas científicas acerca do animal humano.



A ver o Humano não apenas como mero produto social, mas, com esses interesses individuais que nada têm de Divino.


E consideramos que isso, essa nossa idéia do Humano, é o mais correto.
E foi isso que, aliás, nos fez melhores negociadores a “agregadores” de apoios, que os nossos irmãos.



Sem ilusões acerca da própria espécie, pudemos jogar o “toma-lá-dá-cá”, sem crises existenciais e de forma compacta, como, aliás, exigem todos os acordos políticos.



Mas, a nós – e creio que, nesse caso, falo por todos os tucanos – não deixa de ser tentadora (e até singela, para recorrer ao tucanês...) a possibilidade de crer na capacidade, na ânsia, do indivíduo de se subordinar ao coletivo.



É um sonho, essa compreensão...




Um sonho que a gente sabe irrealizável. Mas, que nem por isso deixa de nos “atentar” aqui e ali...



Dia desses comecei a escrever um artigo – e o título era “toma que o filho é teu” – em que tentava colocar os pingos nos iis nessa questão da segurança pública.


Não publiquei; ta aí no meu arquivo de posts não publicados.


Nele, mostrava que os tucanos têm de parar com essa história de jogar para o costado do PT a “culpa” por essa violência que está aí.


Afinal, essa é uma irresponsabilidade que nós, os tucanos, teremos de carregar, talvez, por várias décadas.


E é aqui que eu acho tão interessante essa simbiose entre tucanos e petistas.


A gente, no fundo, quer a mesma coisa. Mas, para chegar lá, prioriza isso ou aquilo – o equilíbrio das contas, por exemplo, ou os investimentos sociais.



E, afinal, temos, sim, de pagar a conta pela opção que fizemos.


Aconteceu com os tucanos; acontecerá com os petistas...


Mas, sabem, camaradas, bom mesmo é essa consciência de que fizemos o possível e o impossível para melhorar a sociedade em que vivemos.


Erramos aqui e ali, acertamos aqui e ali. Mas, sobretudo, FIZEMOS.


Vamos seguir nos dando bicudas.


Eu, pelo menos, já estou preparando mais uma – e, por favor, xará, não se avexe, tome mais é uma maracujina...


Mas, creio, todos temos a noção da importância uns dos outros.


Daquilo que nos irmana: um Brasil e um Pará melhores. Um Brasil e um Pará mais justos, mais igualitários.


(E eu penso que, a essas alturas, o pessoal do PFL e do PMDB deve de estar pensando: “esses filhos da puta são todos comunistas!...”)


E não é que somos?!!!


FUUUUUIIIIIIII!!!!!!






(P.S. Deixa os 10% de analfabetismo de São Paulo prá lá. Foi um bicudão – e válido! - do Lula. O Serra é que tem de botar o carecão pra pensar mais rápido...)

Sessão Bregão

Pra ti!...






Amanhã


Me prendeste numa redoma por toda vida
Me roubaste a juventude, a liberdade
Me calava pra não perder-te,eu te queria
Até o dia que despertei e não te quis mais



_(Reginaldo:)Quando eu cheguei pra você,não sentia nada
Te falava desde o princípio até o final


_(Roberta:)Me deixavas por muito tempo sozinha em casa
Que eu era um bem que só te fazia mal


Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Amanhã, serei outra vez o que um dia fui


(Reginaldo:)Preciso encontrar um jeito, uma saída

(Roberta:) Amanhã, vou ser livre e ser feliz


Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Fazer tudo aquilo que sempre quis

(Reginaldo:)Sozinha, sem mim, você estará perdida
(Roberta:)Te juro, mesmo sozinha serei feliz

(Vamo lá!...)


Tratarei de recuperar o que havia perdido
Viverei como se a vida fosse acabar


(Reginaldo:)Ainda é tempo, volta pra mim, pois eu te quero
(Roberta:)Sinto muito, mas não vou voltar


Amanhã, irei pensar numa nova vida
Amanhã,eu serei outra vez o que um dia fui


(Reginaldo:)Preciso encontrar um jeito, uma saída
Amanhã, eu vou ser livre e ser feliz

Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Fazer tudo aquilo que sempre quis

(Reginaldo:)Sozinha, sem mim, você estará perdida
(Roberta:0J) (Você é que pensa!!!!)
Te juro, mesmo sozinha, eu serei feliz


(Paixão!...)


(Roberta Miranda)