quinta-feira, 4 de julho de 2019

A violência policial em Tucuruí e o apelo deste blog ao governador do Pará





Nunca gostei de muita intimidade com os governantes – são eles lá, e eu cá. 

Penso que para os jornalistas a proximidade com o Poder não é uma coisa boa. 

Daí que também nunca fui de ficar fazendo apelos públicos aos governantes. 

Até porque direitos a gente exige, em vez de apenas pedir. 

No entanto, hoje gostaria de fazer um apelo público ao governador Helder Barbalho. 

Quero pedir ao governador que ele esclareça o que foi, afinal, que aconteceu no município de Tucuruí, dois dias atrás. 

Hoje pela manhã, recebi um vídeo que me deixou preocupada. Além, é claro, de muito, muito indignada. 

Não sei se esse vídeo é autêntico e até tenho medo de compartilhar tais coisas, como disse em meu Face, devido à proliferação de Fakes. 

Mesmo assim, compartilhei esse vídeo, porque ele trata de uma violência que não podemos admitir que continue a acontecer no estado do Pará. 

As imagens são chocantes: mostram manifestantes, trabalhadores, de Tucuruí sendo socorridos após uma ação selvagem da Polícia Militar. 

Eles teriam sido vítimas de sprays de pimenta, balas de borracha e tantos outros aparatos, ironicamente pagos pelos contribuintes, para dispersar manifestações de contribuintes...

Não consigo pensar em desculpas para o que aconteceu em Tucuruí, caso esse vídeo seja de fato verdadeiro. 

Não consigo pensar em desculpas, também, para a omissão de qualquer jornalista, formador de opinião, entidades, autoridades, diante do que vemos nesse vídeo. 

E temo que o governador, tão jovem que é, não perceba o perigo de não apurar e punir exemplarmente tamanha barbaridade. 

Por mais que respeite e admire os nossos policiais pelo espírito comunitário que demonstram (não é qualquer um que sai às ruas, todos os dias, para defender, com a própria vida se preciso for, pessoas que nem mesmo conhece), também sei que a ideologia da caserna, que é inculcada na nossa PM, é extremamente nociva para as suas relações com os cidadãos. 

E penso que é preciso agir com rigor para que a nossa PM tenha sempre em mente os limites de sua atuação. Ou seja: o respeito à Lei e à integridade física de qualquer ser humano. 

Anos atrás, tivemos um governador que não percebeu nem a importância de deixar bem claro tais limites; nem os “ruídos” que ocorrem na comunicação com quem teve inculcada essa ideologia da caserna. 

Ao que se diz, Almir Gabriel mandou desobstruir uma estrada “de qualquer jeito”. E o resultado foi o massacre de Eldorado de Carajás. 

Penso, também, que o governador precisa compreender que quem o elegeu não foi a extrema direita: Bolsonaro perdeu as eleições no estado do Pará. 

Quem elegeu Helder foram as esquerdas, e os democratas, e os legalistas, alguns desses últimos até de centro-direita ou de direita, mas que também acabaram na oposição a esse governo patético e fascista que vemos hoje no Brasil. 

Quem votou em Helder, votou na esperança de práticas diferentes do Jatenismo, que empurrou este estado para um abismo de violência, miséria e corrupção, em níveis nunca vistos. 

Então, esse tipo de violência que teria ocorrido em Tucuruí, em nada contribui para que o governador mantenha a sintonia com o seu eleitorado. 

Além disso, é até incompatível com a imagem humanitária que muitos temos de Helder e que ele, por suas atitudes, muitas vezes ressalta - como quando lembrou das quase 570 vidas salvas com a redução da criminalidade. 

Penso, também, que a transparência de um governo envolve não apenas os acertos, mas, principalmente, os erros. 

E que encarar e discutir os erros é fundamental para que a sociedade veja o governante como alguém em quem de fato pode confiar. 

E até para que o governante tenha o apoio necessário para que POSSA governar, contra todas as artimanhas de seus adversários. 

Então, é preciso, sim, falar sobre o que aconteceu em Tucuruí. 

A sociedade tem, sim, o direito de saber. Para debater, propor e cobrar as necessárias providências. 

E se pudesse dar um conselho ao Helder seria o seguinte: Não é por se estar no comando que se pode ou sabe tudo. Muito pelo contrário: quanto mais alto o cargo, mais necessário é ouvir. 

Quero também deixar a minha solidariedade à sofrida população do nosso município de Tucuruí, que não merece todo esse sofrimento que vem passando. 

Que Deus ampare e proteja cada um de vocês. 

Que Ele conceda a vocês a força necessária para que continuem a reivindicar seus direitos. 

E que Ele ilumine cada um de nós, nesta luta por um Pará de paz e de uma vida melhor para cada paraense. 

FUUUIIIIII!!!!!!

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Veja o vídeo sobre a violência policial em Tucuruí: https://www.facebook.com/AnaCeliaPinheiroPererecadaVizinha/

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Zenaldo alerta para risco até de incêndio no Ver-o-Peso, caso não seja executada uma reforma emergencial naquela feira. MPF dá até sexta para que PMB apresente o projeto da reforma e prefeito garante que entregará toda a documentação ao Iphan ainda nesta semana. Serviços devem custar R$ 6 milhões, demorar 7 meses e iniciar ainda neste ano.




 

“Se não tivermos uma intervenção, o Ver-o-Peso vai incendiar, vai quebrar todo”. O alerta foi feito na manhã de ontem, 02/07, pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, durante coletiva à imprensa sobre a reforma emergencial que a PMB pretende iniciar naquela feira, ainda neste ano. 

Segundo ele, a principal emergência é a revisão de todo o sistema elétrico, e a prefeitura, com base nos laudos de que dispõe, estuda, inclusive, alternativas jurídicas para que os serviços sejam iniciados o mais rapidamente possível. 

Diante da insistência de repórteres sobre os problemas que poderão ocorrer no funcionamento da feira, durante esses serviços emergenciais, o prefeito, já meio irritado, acabou por fazer o alerta assustador. 

E acrescentou: “A gente tem de fazer uma intervenção. Toda obra tem problema, desgaste. O que queremos é iniciar a obra com dinheiro e com prazo de conclusão. Mas problemas durante as obras vai ter que ter. Se não, ninguém mexe e deixa lá apodrecer. A gente não quer isso. O que a gente quer é intervenção, para dar dignidade ao Ver-o-Peso”.   

Zenaldo lembrou que a Prefeitura de Belém (PMB) começou a negociar uma reforma geral no Ver-o-Peso ainda no começo de seu primeiro mandato, em 2013, tendo inclusive obtido recursos financeiros para aquela grande intervenção. 

Mas ao longo desses cinco anos, depois de tantas idas e vindas e com as discussões se arrastando, as condições do local foram se tornando cada vez mais precárias. 

Para completar, mais recentemente foram feitos novos pedidos de alteração do projeto da reforma geral, o que acabaria jogando o início dela para o ano eleitoral de 2020, quando o acirramento das disputas políticas tornará tudo muito mais problemático. 

Daí a decisão administrativa de executar ao menos esses serviços emergenciais, enquanto continua a discutir o projeto da reforma geral, que deverá ser entregue ao futuro prefeito de Belém. 

“Hoje, o que não temos mais é tempo, em razão dos riscos elétricos (há risco de incêndio), e da deterioração das lonas. É de uma irresponsabilidade (sabe-se lá quanto tempo vai se ter para começar) a gente ficar de novo esperando” – disse ele. 

E acrescentou: “Acabou, exauriu o nosso tempo de diálogo, para essa outra intervenção que é tão necessária e urgente”. 

As obras emergenciais, cujo valor inicial é de R$ 6 milhões, atingirão a drenagem de alguns pontos da feira, a reforma do piso, a revisão de todo o sistema elétrico e a troca das lonas de cobertura, que se encontram danificadas. 

O prefeito afirmou que os recursos para esses serviços já estão garantidos e que toda a obra será devidamente acompanhada pelos feirantes e pelos órgãos de fiscalização. 

Também ontem, o Ministério Público Federal (MPF) deu um prazo até a próxima sexta-feira (05) para que a PMB apresente o projeto e o cronograma da reforma emergencial, que o prefeito informou ao MPF na segunda-feira, 01/07. 

Segundo a Assessoria de Comunicação do MPF, a PMB deverá apresentar informações sobre a fonte dos recursos financeiros que serão usados nas obras, bem como sobre a constituição de um comitê de acompanhamento dos trabalhos, a ser integrado por feirantes e o MPF. 

Após receber a documentação, o MPF agendará uma reunião com os feirantes, “para dar continuidade ao diálogo sobre o tema”. 

Mas na coletiva de ontem de manhã, Zenaldo adiantou que entregará o memorial descritivo das obras ao Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan) ainda nesta semana. 

Como a direção local do Iphan informou, segundo a PMB, que levará de 10 a 15 dias para liberar a obra, após o recebimento desse memorial, a expectativa é que o edital licitatório seja publicado até o final deste mês de julho. 

Nos cálculos da Secretaria de Urbanismo (Seurb), a licitação deverá consumir uns 60 dias, o que poderá fazer com que os serviços só comecem em outubro, embora a prefeitura espere inicia-los antes. O prazo de conclusão será de pelo menos 7 meses. 

Ainda na coletiva, o prefeito historiou as dificuldades nas quais a reforma geral acabou esbarrando, ao longo desses 5 anos, devido às mudanças pedidas no projeto pelo Iphan e pelos feirantes. 

Também lamentou que a “má política” e “as confusões que foram criadas” tenham contribuído para impedir que aquela ampla intervenção fosse executada. 

Disse que o planejamento da reforma emergencial será “combinado” com os feirantes, para que as obras ocorram da maneira “mais rápida e menos traumática possível”. 

Também segundo ele, tais serviços não alterarão em nada a possibilidade da reforma geral, pelo futuro prefeito, já que se trata de dois projetos totalmente diferentes: o que será feito agora vai apenas reparar os problemas mais sérios da feira do Ver-o-Peso, enquanto o outro, de reforma ampla, geral, irá alterar significativamente aquele que é o maior cartão postal de Belém. 

Zenaldo lembrou, ainda, que a Prefeitura já reforma o Solar da Beira, além de já ter restaurado os mercados de carne e peixe. 

E garantiu que não deixará a feira do Ver-o-Peso “nas condições de risco em que se encontra”.  

Reforma geral - Em um release aos veículos de comunicação, ontem, a Assessoria do MPF disse que a PMB, na reunião do último 01/07, informou ter acatado a recomendação do MPF em torno da reforma geral do Ver-o-Peso e que os documentos comprobatórios desse acatamento também deverão ser enviados até a próxima sexta-feira. 

Segundo a Assessoria, a recomendação do MPF “apontou a necessidade de apresentação do projeto básico aos representantes de todos os setores de atuação dos feirantes, respeitando a organização interna dos trabalhadores”. 

O MPF recomendou, ainda, “que a apresentação do projeto básico devia também ser dirigida a trabalhadores que, mesmo não atuando diretamente no complexo, dele dependem para sobreviver ou com ele se relacionam cotidianamente, como camelôs, ribeirinhos, e lojistas do comércio, além de integrantes de associações civis de apoio e defesa do mercado”. 

“Após a realização das apresentações aos feirantes e demais públicos”, prossegue a Assessoria, “o projeto executivo das obras da reforma geral está passando por alterações, para contemplar as críticas e sugestões recebidas, informou a prefeitura”. 

O MPF e o Iphan atuam em conjunto no acompanhamento das propostas da PMB para as duas reformas. 

Segundo a Assessoria do MPF, o trabalho conjunto com o Iphan começou em 2016, “a partir de demandas da população para garantir que o projeto (de reforma geral) seja amplamente discutido entre a sociedade e o poder público. Desde então vêm sendo promovidas audiências públicas, consulta pública e uma série de reuniões, além da análise dos detalhes do projeto para proposições de ajustes e adequações”. 

Confira a íntegra da coletiva do prefeito de Belém, na manhã de ontem: https://www.facebook.com/zenaldo.coutinho/videos/557860711414490/?epa=SEARCH_BOX 

Abaixo, o release do MPF enviado aos veículos de comunicação. Clique no quadrinho para ampliar:

 

terça-feira, 2 de julho de 2019

Crimes violentos caem 27% no Pará, entre 2018 e 2019. Redução dos homicídios chega a 47% só na RMB. Quase 570 vidas foram salvas, enfatiza governador.


 





Homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, os chamados Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), caíram 27% no Pará. 

Foram 1.549 desses crimes, em todo o estado, entre 1 de janeiro e 30 de junho deste ano, contra os 2.115 de igual período do ano passado. 

Os dados foram divulgados hoje, em coletiva à imprensa, pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). 

A coletiva contou com a presença do governador do Pará, Helder Barbalho, que ressaltou a importância da estratégia de combate à criminalidade de seu governo, especialmente, em termos de vidas humanas. 

Nos seus cálculos, a integração da área de Segurança Pública ajudou a preservar quase 570 vidas. 

Só os homicídios (o maior quantitativo dos CVLI) caíram de 1.993 para 1.459, no primeiro semestre deste ano, em relação ao primeiro semestre do ano passado, numa redução de 27%.  

Já os latrocínios tiveram uma redução de 37%, caindo de 112 para 71, também em todo o Pará. 

Na Região Metropolitana de Belém (RMB), a queda dos homicídios chegou a quase 47%: foram 748 dessas mortes, em 2018, contra 398, em 2019. 

Além dos CVLI, a redução também atingiu a quantidade de roubos registrados em todo o Pará, quando comparados os primeiros semestres de 2018 e de 2019. 

Foram 56.794 roubos em 2018, contra 42.549 em 2019 – uma queda de 25%. 

O roubo a transeuntes caiu de 47.543 para 35.070, (ou 26%); o de veículos, de 3.742 para 1.894 (49%). Já os roubos a coletivos foram os que apresentaram a maior queda: de 750 para 309, ou quase 59%. 

A diminuição da criminalidade também apresentou percentuais expressivos, quando considerado apenas o mês de junho. 

Os CVLI caíram de 346, em junho de 2018, para 240, em junho de 2019 (ou quase 31%), em todo o Pará.

Nos homicídios, a redução de 29% foi a maior registrada naquele mês desde 2010, ou seja, ao longo dos últimos 9 anos. 

Foram 325 homicídios em junho de 2018, contra 230, em junho de 2019, em todo o estado. 

Na RMB, a queda dos CVLIs foi ainda maior:  mais de 50%. Foram 105 desses crimes em junho de 2018, contra 52, em junho de 2019. 

Só os homicídios caíram de 91, na RMB, em junho de 2018, para 50, em junho de 2019, ou seja, 45%. 

Durante a coletiva, o governador disse que tais resultados refletem a integração do trabalho da inteligência policial com as ações preventivas e ostensivas, na área da Segurança Pública. 

No entanto, além dessa nova estratégia de combate à criminalidade, adotada desde o começo de seu governo, Helder ressaltou o significado desses números em termos de vidas humanas. 

"A maior importância desses resultados para a gente são as vidas que foram preservadas com essas ações de combate à criminalidade, próximo a 570, no caso dos homicídios. Salvar a vida das pessoas e evitar que venham a ser vítimas da violência é nosso maior objetivo” – disse o governador. 

E acrescentou: “Fechados os primeiros seis meses da estratégia deste governo de combate à violência, os números demonstram que o estado do Pará está no caminho certo, que é o de construir um ambiente de pacificação e, acima de tudo, dar uma demonstração clara de que a sociedade sempre contará com os órgãos de segurança, com o Governo do Estado, com pulso forte e com ações efetivas que possam evitar a violência e garantir o direito dos cidadãos". 

Helder também lembrou a rapidez da resposta da área da Segurança à chacina do Guamá, o que demonstra, segundo ele, que nenhuma ação criminosa ficará impune. 

Ele falou, ainda, sobre a importância do trabalho da inteligência policial, que conseguiu evitar ataques articulados por líderes criminosos, que se encontravam em penitenciárias paraenses, e acabaram transferidos para presídios federais de segurança máxima. 

Da coletiva também participaram o vice-governador, Lúcio Vale, e o secretário estadual de Segurança, Ualame Machado.




Texto da Perereca, com informações da Agência Pará.