terça-feira, 28 de maio de 2024

Sem organização e proatividade, perderemos a guerra da comunicação para o nazifascismo. E, talvez, as eleições de 2026.



Enquanto não unificarmos os nossos recursos e ações, continuaremos a apanhar do nazifascismo, nas redes sociais.

E isso poderá ser determinante, para o resultado das eleições de 2026.

Estamos diante de uma estrutura gigantesca, milionária, ágil, capilarizada, barulhenta e cada vez mais internacionalizada.

E não conseguiremos vencê-la sem organização.

Especialmente, quanto ao planejamento estratégico; unidade do discurso e das ações; qualificação dos nossos “exércitos” nas técnicas do universo virtual, recursos financeiros e educação política da população.

Parece difícil, mas não é.

Até porque já temos um modelo para nos "inspirar": a estrutura de comunicação do nazifascismo, nas redes sociais.

Se hoje não podemos vencê-la, temos de imitá-la naquilo que possui de mais eficaz, até conseguirmos superá-la.

Obviamente, não usaremos a nossa estrutura para a disseminação do ódio e da desinformação.

Mas para combater o ódio, a mentira, os discursos nazifascistas, anticiência e teocráticos dessa horda.

E se cada vez mais eles se internacionalizam, nós também temos de nos internacionalizar, na defesa da Democracia, da Ciência e do Estado Laico.

Até onde sei, a produção das publicações nazifascistas é centralizada em um punhado de sites e canais, que se encontram no topo da pirâmide comunicacional.

A partir desse topo, tais publicações vão se disseminando, rapidamente, pelo resto da pirâmide: parlamentares, grupos de zap, Facebook, YouTube etc...

Na base, atingem até mesmo as postagens dos grandes veículos de comunicação e de perfis e canais de grande alcance, através de robôs, perfis fakes e “soldados-comentaristas”, o que gera uma sensação de grande adesão ao pensamento deles.

Enquanto isso, a nossa militância, embora em igual ou maior número e politicamente mais bem preparada, não consegue obter os mesmos resultados.

Dispersos, e muitas vezes sem domínio técnico das redes sociais, gastamos o nosso tempo atirando para todos os lados, sempre correndo para combater as fake news, que eles produzem em massa.

E este é o xis da questão: temos de sair dessa postura meramente reativa, dispersa e amadora, para que sejam eles a correr atrás de nós.

Coisa que só conseguiremos com uma estrutura formal, parida pelas forças democráticas.

Uma entidade civil que se coloque no topo da pirâmide de comunicação, para:

-Conceber um plano estratégico de combate.

-Unificar o nosso discurso e ações.

-Definir as abordagens desse fenômeno, sob vários aspectos: linguagem, psicologia, política, teologia, por exemplo.

-Produzir materiais informativos em grande quantidade, simples e chamativos, até utilizando os mesmos formatos e configurações de sucesso que eles utilizam.

-Mapear os polos de disseminação de informações na internet, para distribuir a nossa militância, em um corpo a corpo virtual.

-Medir sistematicamente o nosso desempenho, para detectar, rapidamente, equívocos e eventuais entraves.

-Coletar e/ou produzir Conhecimento acerca das fake news e da propaganda nazifascista.

-Disponibilizar cursos de formação à militância, acerca do discurso político e do funcionamento como um todo das redes sociais.

-Buscar parcerias e recursos financeiros, no Brasil e no exterior.

-Educar a população, dentro e fora do universo virtual, para que ela consiga detectar as publicações mentirosas e de ideais totalitários, e possa se defender.

Uma estrutura que nos ajude a definir ganchos estratégicos, gerais e conjunturais, e a maneira de disseminá-los, na defesa da Democracia, da Ciência e do Estado Laico.

Uma estrutura que nos permita atingir as fake news em sua espinha dorsal, em vez de apenas seguirmos atirando em seus muitos braços.

Uma estrutura que seja ágil, participativa e criativa, utilizando modernas ferramentas de gestão, como as usadas nas inovações.

Uma estrutura barulhenta, para gerar engajamento e fazer o algoritmo trabalhar a nosso favor, como hoje trabalha a favor dos bolsonazistas.

Já possuímos vários recursos para essa estruturação.

Temos a Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia, que pode nos ajudar com as formalidades legais, para a criação dessa entidade e maneiras de captação de recursos, nacionais e internacionais, para vários tipos de produções e parcerias.

Temos os pesquisadores das universidades, do Brasil e do exterior, que há muito se debruçam sobre tal fenômeno, e cujos trabalhos talvez precisemos apenas reunir e analisar.

Temos entidades como o ICL, que podem nos ajudar, através de parcerias, nos cursos de qualificação específica, para a nossa militância.

Temos canais do YouTube, perfis e grupos das redes sociais que já combatem todo esse ódio e mentira, mas sem os recursos e o alcance do bolsonazismo.

Temos companheiros, como o Felipe Neto e o Janones, que dominam o universo de likes e compartilhamentos.

Temos companheiros, como o Bruno Sartori, que dominam as tecnologias de produção para o universo virtual.

Temos jornalistas bons de Tv e podcasts e que, com um simples ajuste para uma linguagem mais popular, podem se tornar grandes contadores de histórias, para mexer diretamente com as emoções – coisa essencial no combate à Teocracia e ao nazifascismo.

Temos, o que é mais importante, uma militância aguerrida, calejada, muito bem preparada politicamente, e que só precisa é de unidade de discurso e ação e de domínio técnico das redes sociais.

Se pararmos para pensar, são inúmeros os recursos que já possuímos.

O que falta é integrá-los, para que caminhemos todos na mesma direção e de maneira ágil e pró-ativa.

Quanto aos recursos financeiros, acredito, sim, que conseguiremos captá-los, tendo em vista a importância dessas bandeiras, para a sobrevivência da própria civilização.

Apesar das divergências dessa nossa frente democrática, que reúne da direita às esquerdas, precisamos aprender a agir, nas redes sociais, como uma só voz, em torno dos grandes eixos que nos unem.

E temos de nos comunicar de verdade: ou seja, com eficácia.

O que significa nos fazer entender.

Porque de nada adianta possuirmos uma multiplicidade de conhecimentos e estarmos cobertos de razão, se não conseguimos nos fazer entender, para ensinar e convencer.

Daí a importância de traduzir esses conhecimentos e informações em linguagem popular: algo que até mesmo pessoas com pouquíssima instrução sejam capazes de compreender e replicar, tornando-se multiplicadoras, dentro e fora do universo virtual.

A meu ver, essa estrutura é a nossa melhor alternativa, para que consigamos vencer os bolsonazistas, nas redes sociais.

Na verdade, nem sei se existe mais alguma.

O que sei é que, se continuarmos dispersos, sem dinheiro e agindo apenas reativamente, perderemos a guerra da comunicação.

E aí, nem quero pensar no que será.


FUUUIII!!!!

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A tragédia do Rio Grande do Sul, o neoliberalismo e a lógica do absurdo: é isso que queremos para o Brasil?


 

É uma lógica inacreditável: o grande empresariado acima de tudo, inclusive o meio ambiente e os demais seres humanos, considerados peças descartáveis da engrenagem econômica.

Tudo é feito pelos grandes empresários: são eles que produzem, comercializam e, aparentemente, até consomem em massa, em um processo mágico de retroalimentação.

Como se as matérias-primas não adviessem da natureza.

E como se não fôssemos nós, os trabalhadores, a produzir as riquezas sociais e a consumi-las massivamente, fazendo girar essa engrenagem.

Assim, são apenas os interesses desses “heroicos” e “meritórios” empresários que devem ser protegidos.

Ainda que à custa da dramática redução do poder aquisitivo dos trabalhadores/consumidores.

Ainda que à custa da devastação do mundo, que tende a levar ao esgotamento de recursos naturais, e até à extinção da espécie humana.

E ainda que à custa de tragédias colossais, como essa do Rio Grande Sul e de vários pontos do Planeta.

Tragédias já decorrentes das mudanças climáticas, provocadas pela destruição ambiental.

E que são apenas uma amostra do que enfrentarão os nossos filhos e netos.

Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, e sem traços de sociopatia, não consegue entender essa lógica.

Afinal, se os recursos naturais se esgotarem e a espécie humana for extinta, o que e para quem você produzirá (se é que estará vivo)?

De igual forma, se você destruir o poder aquisitivo dos trabalhadores/consumidores, esmagando salários e direitos, como é que eles comprarão o que você produz?

No entanto, essa lógica burra e suicida é uma das principais características do neoliberalismo.

Tudo gira em torno de uma liberdade econômica predatória para as grandes empresas.

Através de seus prepostos políticos, elas sequestram o Estado, para a proteção de seus interesses, através da elaboração ou derrubada de leis, trabalhistas e ambientais, por exemplo.

Ao mesmo tempo, surrupiam as empresas estatais, para reduzir o Estado ao mínimo do mínimo, em termos de serviços públicos.

Assim, o Estado e a Sociedade passam a existir apenas como hospedeiros de lucros parasitários.

Na pandemia, vimos o que acontece quando os trabalhadores/consumidores param de comprar.

Pequenas e médias empresas, há anos no mercado, fecharam as portas porque não havia para quem vender. Ou até mesmo como produzir.

Com os cortes salariais e de direitos, iniciados por Temer e acentuados pelo Bolsonazi, a crise se tornou ainda pior, já que a esmagadora maioria dos brasileiros quase não tinha dinheiro nem para comer e pagar o aluguel.

Muitos acabaram pendurados no Serasa. Outros, a viver nas ruas.

E muitos nem sequer tinham emprego, já que o governo nem ajudou financeiramente as pequenas e médias empresas, nem descarregou investimentos, para aquecer a economia.

Só quem lucrou foram os bancos, o agronegócio, meia dúzia de bilionários.

Mesmo assim, o grosso do nosso empresariado, que sentiu na pele os efeitos dessa lógica do absurdo, continua a acreditar que possui alguma identificação com esses interesses predatórios.

Agora mesmo, centenas ou milhares de empresários sofrem graves prejuízos, ou até perderam tudo, em decorrência das enchentes do Rio Grande do Sul.

Qual o tamanho dos seus prejuízos?

Como conseguiriam se reerguer, se o Governo Federal (leia-se, o Estado) não estivesse abrindo linhas de crédito especiais para eles?

E se nada for feito para conter a destruição ambiental, como as suas empresas resistirão a novas enchentes?

Nada mais revelador sobre a absurdez e crueldade dessa lógica do que as recentes declarações do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Diante de toda essa tragédia humana e ambiental, ele disse estar preocupado com a grande quantidade de doações recebidas, porque isso poderia prejudicar os comerciantes das cidades inundadas.  

Como se os milhares de desabrigados estivessem cheios da grana e loucos para redecorar as casas que perderam.

Ou até mesmo para irem comemorar em alguma pizzaria.

Como se não estivéssemos a falar de seres humanos, que viram morrer parentes; que perderam animais de estimação; que tiveram de ser resgatados só com a roupa do corpo; que estão alojados nas casas de familiares, ou até em abrigos.

Que estão traumatizados, pensando no que farão das suas vidas, e que necessitarão até de auxílio psicológico.

Ademais, de quais empresários o governador estava a falar?

Certamente, não era dos pequenos e médios.

Já que estes não têm nem o que vender: as empresas deles também estão debaixo d’água.

Assim, o governador devia estar a se referir aos grandes empresários, cujos prejuízos são, proporcionalmente, muito menores.

Alguns já até pressionando os funcionários para que voltem ao trabalho (a nado?) (https://iclnoticias.com.br/mpt-denuncia-rede-lojas-rs-ameaca-funcionarios/ ).

E, quem sabe, já de olho nos recursos que o Lula anunciou, para as famílias atingidas.

Para que possam começar a reconstruir as suas vidas, depois que as águas baixarem  (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2024/05/15/auxilios-rio-grande-do-sul.htm).

A fala de Eduardo Leite causou tanto furor nas redes sociais, que ele teve de pedir desculpas.

Até tentando atribuir as suas declarações a um certo abalo emocional.

Mas penso que quem tem razão é o jornalista Renato Rovai, da Revista Forum: Leite apenas externou o que pensa.

Sem rodeios, sem maquiagem, sem um marqueteiro ou assessor de imprensa por perto.

Ele apenas “se revelou” (https://revistaforum.com.br/blogs/blog-do-rovai/2024/5/15/neoliberalismo-mata-governador-eduardo-leite-pede-pra-no-enviarem-doaes-depois-pede-desculpas-158868.html).

É esta lógica do absurdo que está entranhada na cabeça dele: os interesses dos grandes empresários acima de tudo.

O que, aliás, é compatível com os seus antecedentes: Leite é apontado como um dos responsáveis pelas dimensões dessa tragédia, por haver desmantelado a legislação ambiental daquele estado (https://www.brasildefato.com.br/2024/05/04/eduardo-leite-cortou-ou-alterou-quase-500-pontos-do-codigo-ambiental-do-rs-em-2019 ).

Ele alega que apenas adequou a legislação estadual à federal.

Legislação da época do Bolsonazi, que incentivou garimpos ilegais e a destruição de florestas.

Uma desculpa semelhante a de um soldado que comete um crime, mas tenta imputar total responsabilidade ao seu comandante.

E que fica ainda pior na boca de um governador.

Na verdade, Leite fez o que fez porque tudo estava de acordo com a cartilha neoliberal, com o seu descaso pela vida humana.  

E agora quem paga o pato são milhares de famílias gaúchas, que perderam tudo o que tinham, para os lucros de uns poucos.

É isso o que queremos para o Brasil?

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Uma “profecia” em forma de canção


Em 1984, foi lançado o álbum abaixo, “Cantoria”.

Nele, há uma canção, “Matança”, interpretada pelo Xangai.

Na época, eu tinha 24 anos.

Mas me lembro bem o quanto essa canção me marcou.

No entanto, nunca imaginei que viveria para ver o que ela “profetizou”.

Destruímos tanto a natureza, que agora ela como que tenta nos extirpar, da mesma forma que extirpamos a um câncer.

E de nada adianta clamar por Jesus, Maria, Yahweh ou Alá.

Muitos já estão morrendo devido às mudanças climáticas.

Milhares já estão perdendo o pouco que juntaram ao longo de toda uma vida.

O mundo que deixaremos aos nossos filhos e netos será, provavelmente, um filme de terror.

Tudo como resultado das nossas ações e inações, ao longo de décadas.

Por ignorância, descrença, manipulação ideológica das massas.

Ou até mesmo pela vã esperança de sensibilizar quem só enxerga cifrões.

Para agravar as coisas, somos apanhados por esse furacão em meio à ameaça de uma nova Idade Média piorada.

Com grupos nazifascistas a operar máquinas de fanatização político-religiosa sem paralelo na História.

O caos social lhes é propício, e eles sabem disso.

Aos olhos das multidões fanatizadas, as tragédias oriundas das mudanças climáticas soam como “castigos divinos”, a exigir bodes expiatórios.

Temos visto isso nas redes sociais: gente a dizer e a replicar que a tragédia do Rio Grande do Sul foi provocada pela “ira divina”.

Os bodes expiatórios são os de sempre: gays, “comunistas”, feministas, umbandistas, com ênfase nesses últimos.

Isso gera a possibilidade de crimes de ódio.

Afinal, estamos a falar de uma população já desesperada, e que ainda poderá sofrer com doenças decorrentes do contato com águas contaminadas.

E que, mesmo assim, continua a ser massacrada por essa máquina de mentiras e fanatização.

Vimos isso, também, durante a pandemia e na época das últimas eleições presidenciais.

Gente ajoelhada pelas ruas, a rezar; fanáticos religiosos que vandalizaram os prédios dos Três Poderes, na expectativa de um golpe militar.

E enquanto isso, prosseguem as motosserras e o fogo nada divino do agronegócio a destruir florestas.

Prosseguem os garimpos, a especulação imobiliária, as indústrias a poluir os rios.

E prosseguimos todos com o nosso consumismo desenfreado, a “construir” montanhas de lixo por todo lado e a espalhar a fumaça de combustíveis poluentes, como símbolos de dinheiro e poder.

Desde os primórdios da Civilização, e hoje muito, muito mais, vivemos sob o  império do TER.

É o “ter” que nos define.

É o “ter” que nos move.

É o “ter” que nos consome.

E é o “ter” que, enfim, irá nos extinguir.

O Apocalipse que nos espreita é tecno-capitalista-medieval.

Sem Jesus voltando, glorioso.

Mas com montanhas de lixo (roupas, carros, computadores, smartphones, TVs...), onde dantes existiam florestas e rios.

Com multidões em procissão ou ajoelhadas pelas ruas, vítimas das pestes trazidas pela devastação.

E com grandes fogueiras a queimar os “hereges”, nos altares expiatórios.

Para os criminosos que orquestram toda essa destruição (bilionários, barões do agro, banqueiros, grandes industriais) pouco importa que a espécie humana se acabe, desde que vivam como reis-sacerdotes até lá.

Para eles, florestas, rios, bichos e gente são apenas negócios, e nada mais.

E ainda nos dizem que é preciso continuar a “negociar”, no jogo político, com essa bandidagem.

Temos de ser “cordatos", “politicamente hábeis” e parar de “alarmismo”.

Quando o que precisamos, em verdade, é de leis mais duras, com longas penas de cadeia, para enfiar goela abaixo desses abutres o respeito à Constituição.

Resta-nos pouco tempo até o Apocalipse.

Construído pelas mãos humanas.

E que, pelas mãos humanas, também precisará ser detido.


FUUUIIII!!!

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Pra vocês. Pra todos nós.


terça-feira, 7 de maio de 2024

Tragédia no Rio Grande do Sul: a culpa é de Deus. Será?



É fácil culpar a Deus por tudo de ruim que acontece no mundo.

Há uma guerra?

A culpa é de Deus!

Houve uma pandemia?

A culpa é de Deus!

As pessoas estão passando fome?

A culpa é de Deus!

O Rio Grande do Sul foi destruído por enchentes?

A culpa é de Deus!

É sempre Deus o culpado.

É como se Ele fosse perverso e vingativo, uma espécie de espelho do diabo.

Não, a culpa nunca é do ódio, do egoísmo, da ganância do ser humano.

Somos nós os administradores, os “jardineiros” deste mundo.

Mas nunca temos responsabilidade alguma por tanta dor e sofrimento.

Agora mesmo, nas redes sociais, profetas de Baal juram que Deus é o culpado pelas tragédias que se abatem sobre o Brasil, como essa do Rio Grande do Sul.

Dizem que é a ira de Deus que tem provocado essas enchentes, por causa de um show ou de uma saia curta.

Querem que acreditemos que Deus não passa de um lunático, cuja única preocupação é matar pessoas, por causa de meia dúzia de gays e feministas.

Quando, em verdade, todas essas tragédias são obras das mãos humanas.

São obras de grandes fazendeiros, madeireiros, donos de garimpos, industriais, e dos políticos que protegem essa gente.

São esses ricaços que destroem as nossas florestas e poluem os nossos rios.

É a ganância deles a maior responsável por essas mudanças do clima, que atingem o Brasil e o mundo: as ondas de calor e de frio e as inundações.

Mas todos também somos responsáveis por tudo isso, quando não cuidamos do meio ambiente e nada fazemos para deter toda essa destruição.

Não, Deus não tem nada a ver com esses desastres ambientais, e com toda essa miséria, guerras, violência.

O mundo está assim por causa da nossa ganância, do nosso egoísmo, da nossa falta de amor ao próximo.

É o ser humano quem odeia, persegue e mata!

É o ser humano quem está acabando com toda a vida deste Planeta!

Somos nós, com o nosso amor ao dinheiro, à fama e ao poder!

Com toda essa adoração a Mamom, que transforma até igrejas em mercados.

Com esse "Cristianismo" do ódio, que é oposto a tudo o que Jesus ensinou.

Com esse "Cristianismo" de fariseus, que só se preocupa com as aparências.

Com esse "Cristianismo" que se escandaliza diante de um gay ou de uma saia curta, mas que não se escandaliza diante da fome de uma criança.

Um "Cristianismo" que acha "normal" a destruição do mundo por meia dúzia de ricaços.

Que acha "normal" pastores espancarem e assediarem mulheres e crianças.

Que acha "normal" pastor que até beija a boca da própria filha, estimulando outros homens a fazerem o mesmo.

E, novamente, a culpa é de Deus. Porque esses pastores seriam "ungidos", que ninguém pode acusar, sob pena de sofrer a ira de Deus.

Como se Deus tivesse virado um mero guarda-costas de criminosos.

Quando será que o ser humano deixará de culpar a Deus por tudo de ruim?

Quando será que o ser humano assumirá a responsabilidade pelo seu egoísmo, ganância e crueldade?

Quando pararemos de transformar Deus em um psicopata, sedento da dor de tantos inocentes?

Quando tantos irmãos deixarão de distribuir essas mentiras, essas fake news, cujo pai é o diabo? 

Essas mentiras que machucam ainda mais quem já está tão machucado?

Quando aprenderemos realmente a amar a Deus, e a ver Nele um criador amoroso e cheio de misericórdia?

De que valeu, afinal, todo o sofrimento, todo o sacrifício de Jesus?

sábado, 4 de maio de 2024

Reflexões sobre os presos do 8 de Janeiro: até quando os chefões nazifascistas continuarão soltos?



Dá um misto de tristeza, revolta e espanto assistir aos interrogatórios dos bolsonaristas que participaram do 8 de Janeiro, a tentativa golpista de instaurar uma ditadura nazifascista no Brasil.

Tristeza porque essas pessoas destruíram não “apenas” o patrimônio público, mas as próprias vidas.

Espanto pelo grau de perturbação mental que demonstram: elas não conseguem entender a gravidade do que fizeram.

E preferem sacrificar o bem-estar de seus filhos e a própria liberdade, a acusar Jair Bolsonaro, o nazista-mor que as colocou nessa situação.

Revolta porque Bolsonaro, militares, empresários, políticos e pastores que articularam aquela tentativa golpista continuam soltos.

E talvez assim muitos deles permaneçam, devido às tenebrosas transações que sempre marcaram a política brasileira.

Além disso, também permanecem livres os operadores das redes de fake news que levaram essas pessoas a tal nível de fanatismo.

É difícil assistir a esses interrogatórios e não sentir pena delas.

Para vacinar-se contra esse sentimento tão humano, é preciso lembrar, a todo momento, que se elas tivessem alcançado o poder ditatorial que desejavam, estariam agora nas ruas a apedrejar gays, pretos e feministas.

Entre os bolsonaristas já sentenciados, com penas que chegam até a 17 anos de cadeia, há trabalhadores que ganhavam R$ 3 mil por mês, ou até menos.

E aí você se pergunta: como é possível que gente tão pobre, que ganha R$ 3 mil por mês para sustentar uma família numerosa, sacrifique a própria liberdade, em defesa dos barões do agronegócio e de um bandido como Bolsonaro?

Isso vai muito além do massacre ideológico nosso de cada dia. É um nível de lavagem cerebral muito mais profundo, só possível nestes tempos de redes sociais sem qualquer controle social.

Uma sectarização em massa que transforma donas de casa, idosos, estudantes, operários em criminosos violentos, capazes de vandalizar prédios públicos, tentar instaurar uma ditadura nazifascista e planejar até o enforcamento de magistrados, em praça pública.

E tudo entre sorrisos, selfies, cânticos, orações. E, por vezes, com o mesmo ar inocente que exibem nesses interrogatórios.

É uma perversão de valores: eles defendem a humilhação, segregação, prisão, tortura, extermínio de outros seres humanos, por causa de religião, gênero, política, “raça”, saia curta ou sabe-se lá mais o quê.

No entanto, acham que isso é que é o “Bem”.

Acham que agem “em nome de Deus”.

E no espelho distorcido em que se veem, acreditam-se, sinceramente, os “heróis” dessa fita.

É a transformação da maldade em “bem coletivo”, e até em ideal de vida.

É a criação de um exército de fanáticos dispostos a tudo, para a construção de um “paraíso” teocrático e sanguinário.

Coisa que nos habituamos a ver, nos últimos séculos, apenas em países do Oriente.

E da qual nos acreditávamos livres, com a evolução histórica que nos conduziu ao Estado laico e à Democracia.

Entre os bolsonaristas já apenados, há idosos, pastor, desempregados, pequenos empresários, portadores de diplomas de nível superior ou apenas do ensino fundamental.

Gente de todo tipo e condição social, cujo liame parece ser exclusivamente o fanatismo político-religioso.

E há jovens, de 20 e poucos anos, que você até pensa: “ela poderia ser a minha filha”...

Pessoas que poderiam ser nossos amigos, vizinhos, familiares. Algumas, de aparência frágil e doce.

Mas que essa seita maldita, que é o bolsonazismo, transformou em um perigo para a sociedade e para elas mesmas.

Há gente que largou os filhos pequenos (crianças, adolescentes, alguns até doentes), e se jogou de uma cidade distante até Brasília, para conquistar o “direito” de perseguir e matar os outros, em nome desse novo “bem comum”.

Nos rostos de juízes que presidiram esses interrogatórios, é possível identificar, às vezes, uma certa tristeza.

Especialmente, diante de jovens que tinham um futuro promissor, mas que acabaram destruindo as próprias vidas.

Ou diante de pais e mães de crianças pequenas. E que, além de destruírem as próprias vidas, destruíram as vidas delas também.

Não creio que haja alguma coisa que se possa fazer por essas pessoas, a não ser rezar.

A meu ver, nem terapias e nem os longos anos que passarão na cadeia, conseguirão trazê-las de volta à realidade.

Elas simplesmente não entendem a gravidade do que fizeram e intentaram.

Acreditam-se “injustiçadas”, “vítimas inocentes”, “mártires” da luta por esse Estado Teocrático, que, em suas mentes perturbadas, será semelhante ao Paraíso.

E, provavelmente, continuarão a alimentar-se, na prisão, dessa realidade paralela para a qual foram abduzidas.

Todos cujos interrogatórios assisti até agora, optaram por proteger Bolsonaro: preferiram arriscar-se a longas penas de prisão, a admitir que foram as sistemáticas mentiras dele que os fizeram convergir para Brasília, no 8 de Janeiro, na expectativa de um golpe militar.

Mentiras sobre “fraude” nas urnas eletrônicas. Mentiras sobre um comunismo imaginário, que ameaçaria a liberdade religiosa e o Brasil. Mentiras sobre a iminência de um golpe militar, que Bolsonaro sempre soube impossível, sem o apoio dos EUA.

Não sei se eles tinham realmente consciência de que as pesadas sentenças eram não apenas um risco, mas o resultado previsível da opção que fizeram.

Mas também não sei se essa consciência, na irrealidade em que vivem, faria alguma diferença.

Apesar do coração apertado, ficou-me a certeza de que eles e todos os que atentarem contra Democracia têm de ser exemplarmente punidos. E sem qualquer possibilidade de anistia.

Ficou-me também a certeza de que é preciso mostrar ao povo brasileiro toda a carga destrutiva dessa seita diabólica, que é o bolsonazismo.

E, sobretudo, de que é preciso “desligar” essa fábrica de abduções mentais.

É preciso que a Sociedade e o Estado estabeleçam o controle das redes sociais, com duras penas para os criminosos que espalham fake news; e para as Big Techs donas dessas redes, que fazem cara de paisagem diante de toda essa tragédia.

É urgente, ainda, colocar Bolsonaro e os chefões nazifascistas atrás das grades. Com ou sem farda, com ou sem mandato, com ou latifúndio, com ou sem Bíblia na mão.

Eles precisam pagar não apenas pelos crimes que intentaram contra o Brasil e todos nós.

Mas, também, pelos crimes irreparáveis que cometeram contra as pessoas que fanatizaram.

Eles precisam pagar pela captura de tantos brasileiros nessa alucinação coletiva, que tanta destruição já causou.

Nem o maior tragediógrafo imaginaria uma tragédia social como a que estamos a viver: filhos expulsos de casa pelos pais, pais que já não conseguem reconhecer os próprios filhos, milhares de famílias despedaçadas por causa dessa fanatização.

Espero que todos os chefões nazifascistas peguem décadas e décadas de cadeia, para que tão cedo não vejam a luz do sol.

E que, se inferno houver, que as suas almas queimem por toda a eternidade.

Que Deus me perdoe, mas não consigo sentir nem um pingo de misericórdia por gente que usa até mães de crianças pequenas e velhinhos doentes como bucha de canhão.


FUUUIIII!!!!