quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Flávio Bolsonaro promete “decretar” que o Brasil é de Jesus. Tem certeza de que é isso mesmo que você quer?



Você quer realmente que um presidente da República "decrete" que o Brasil é de Jesus? 


Mas e se, daqui a quatro anos, um novo presidente “decretar" que o Brasil é de Alá, o deus muçulmano? 


Ou de Oxalá, o maior orixá da umbanda?

 

Ou de Odin? Ou de Zeus? Ou até de Baal, o deus dos antigos cananeus? 


Será que você percebe o perigo que representa essa mistura entre política e religião?


Será que você consegue entender que, da mesma forma que não quer se ajoelhar diante de Alá, ou de Zeus, ou de Baal, os outros também têm o direito de não quererem se ajoelhar diante de YHWH ou de Jesus?


Você não quer se ajoelhar nem mesmo diante das imagens dos católicos, que também são cristãos.

 

Mas se acha no "direito" de impor aos outros a sua religião.

 

Onde está escrito que Jesus nos mandou fazer isso?


Em qual Evangelho, capítulo e versículo, Jesus ordenou que os cristãos obriguemos as pessoas a segui-Lo?


Ao que me lembre, Jesus disse para pregarmos o Evangelho a todas as criaturas.


E quem crer será salvo; quem não crer, será condenado. 


Em outra passagem, Ele também disse mais ou menos assim: quando estiverem em uma cidade que não queira ouvir vocês, vão embora dali e sacudam até a poeira dos pés.


E no dia do Juízo Final, disse Ele, Deus será menos rigoroso com Sodoma e Gomorra do que com as cidades que não quiseram ouvir vocês.


Há também a parábola do trigo e do joio, que o Senhor decidiu que crescerão juntos até o Juízo, quando o joio será arrancado e lançado ao fogo.


Em todos os momentos, Jesus deixou claro que o julgamento final pertence a Deus.


É Ele quem nos julgará, e NÃO você.


Eu e você não somos nada diante de Deus.


Nós não éramos nem projeto de pó, quando Deus criou o mundo.


Então, como é que você quer agora, à semelhança de satanás, tomar o lugar de Deus?


Aliás, Jesus até disse para não nos metermos a julgar os outros nem mesmo no dia a dia. 


Porque com a mesma medida que julgarmos os nossos irmãos, seremos julgados também. 

  

Eu sou evangélica como você. 


Mas em vez de apenas confiar no que dizem os homens, pedi a luz do Espírito Santo e li os Evangelhos, para saber o que Jesus realmente disse e fez.

 

E o que fez e disse Jesus é o oposto do que faz e diz a maioria desses homens que se dizem "pastores".


E no dia em que você ler os Evangelhos, à luz do Espírito Santo, descobrirá isso também. 


Mas além da minha e da sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, existe uma coisa chamada Estado Laico.


O Estado Laico que, assim como a Ciência, foi uma inspiração, uma dádiva de Deus aos homens.


Porque, assim como a Ciência, o Estado Laico salva vidas.


Um Estado Laico, um país laico, é aquele que garante o direito de cada um ter a religião que quiser.


Porque o Estado Laico separa o governo da religião: cada um fica no seu quadrado.


Isso impede que amanhã um presidente lhe obrigue a frequentar um terreiro de Umbanda, uma igreja católica, ou até um templo satânico, por exemplo.


Em um Estado Laico, um país laico, ninguém pode lhe obrigar a se ajoelhar diante de um deus em que você não acredita, ou até mesmo lhe perseguir e matar, se você não fizer isso.


Quando não existia Estado Laico, era isto o que acontecia: um rei, um governante, "decretava" a religião de todas as pessoas daquele país.


E quem não aceitava era preso, torturado e até queimado vivo.


Esse tipo de perseguição acontece até hoje em países que não possuem Estado Laico.


Em alguns países muçulmanos, por exemplo, que consideram que "só Alá é deus", você pode até morrer, se não fizer o que diz o Alcorão, que é a “Bíblia”, o livro sagrado deles.


É isso que você quer para o Brasil?


Você quer matar quem não siga a Bíblia?


Mas qual Bíblia? 


A Bíblia protestante, a católica, a das Testemunhas de Jeová, a judaica, a etíope, ou mesmo o Evangelho segundo o espiritismo?


Qual é a Bíblia ou Evangelho que você quer impor a mais de 200 milhões de brasileiros? A sua?


Mas e se amanhã um presidente disser: “a Bíblia que você tem de seguir é a católica. E aqueles que não se converterem ao catolicismo serão presos ou mortos!”.


Ou se um presidente disser: a “Bíblia” que você tem de seguir é a dos judeus”, ou seja, o Tanakh, que nem sequer possui o Novo Testamento, porque os judeus não acreditam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus.


O Estado Laico não permite este tipo de violência: não permite que um governante imponha aos outros a sua religião.


Não permite que um governante persiga, ou até mate pessoas, por terem uma fé diferente da dele.


O Estado Laico é uma garantia de que você é livre para adorar o deus que quiser, ter o deus que quiser, construir a sua igreja, e até realizar festas e “marchas” para o seu deus.


E o Estado Laico não apenas garante a sua liberdade de religião: ele até mesmo pune qualquer pessoa, qualquer governante, que lhe fizer mal por causa da sua fé.


Mas se você fizer mal a outras pessoas por causa da fé delas, o Estado Laico também punirá você.


Como vêm sendo punidos os fanáticos religiosos que destroem terreiros de Umbanda ou imagens católicas, e acabam processados por causa disso.


O Estado Laico não tem religião: não é católico, protestante, umbandista, muçulmano, judeu, seja lá o que for.


O Estado Laico é como um juiz, que, para ser realmente justo, não pode puxar a brasa para a sardinha de ninguém.


É por isso que eu disse que o Estado Laico é uma inspiração, uma dádiva de Deus ao homem: ele já evitou milhões e milhões de mortes, como as que eram causadas por guerras entre religiões.


Mas há outra coisa que me incomoda: a pretensão, a soberba de quem diz que vai "decretar" que o Brasil é de Jesus.


Desde quando Jesus precisa que um simples homem faça isso? 


Por acaso você acredita que Flávio Bolsonaro e esses falsos pastores que o cercam têm mais poder do que Jesus?


Você acha realmente que se Jesus quisesse tomar o Brasil à força, Ele não conseguiria fazer isso?


E por que é que Jesus não faz?


Porque Jesus não é um nazista ou um miliciano.


Jesus não quer tomar países ou nos sequestrar. 


O que Jesus quer de cada um de nós é o nosso amor.


Jesus quer nos namorar e conquistar, meu irmão, minha irmã, para que tenhamos a eternidade ao lado Dele.


É por isso que Ele, o Bom Pastor, é capaz de deixar 99 ovelhas no aprisco, e sair, em meio ao frio e à noite escura, em busca daquela que se perdeu.


E quando, finalmente, consegue trazê-la de volta, diz aos seus amigos e vizinhos: “alegrem-se comigo, pois encontrei a minha ovelha perdida”. 


Jesus nos ama tão profundamente que jamais desiste de nós.


Mesmo quando o mundo inteiro nos vira o rosto, mesmo diante da maior tempestade, mesmo quando estamos cobertos de feridas e farrapos, Jesus está sempre junto de você e de mim, de braços abertos, sempre pronto a nos acolher.


Ele não pergunta: O que fizeste? Por que pecaste?


Ele não nos ameaça e nem nos obriga, sob a mira de uma arma, a aceitá-Lo ou a aceitar a ajuda Dele.


Ele apenas nos abraça e cura as nossas dores.


Ele apenas nos oferece o amor mais profundo e incondicional de todo o Universo.


Você percebe a diferença entre Jesus e aqueles que apenas usam do nome de Jesus, para obterem poder e riquezas materiais?


Você percebe a diferença entre o que Jesus quer de nós e a maneira como Ele age, e aquilo que querem e fazem os falsos profetas e os seus falsos ungidos e bezerros de ouro?


Jesus não ameaça, não odeia, não xinga, não humilha, não se vinga, não vira as costas nem mesmo àqueles que não acreditam Nele.


Ele ama apaixonadamente cada um de nós.


Tanto assim que deu a vida por nós. 


Ele conhece cada uma das Suas ovelhas e elas conhecem a Sua voz.


Mas Ele jamais lhe forçará a amá-Lo.


Até porque não existe amor forçado, por medo, por armas, por dinheiro, ou até mesmo por obrigação.


FUUIIII!!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A inferência da nossa provável vitória nas ameaças trumpistas. Mas muito cuidado com os “saltos altos” nessa hora…

 




Estas, para mim, são as maiores preocupações destas eleições: as fake news, a ação das Big Techs e as nossas Forças Armadas entreguistas, além da nossa grande imprensa igualmente entreguista, em uma ação coordenada pelos EUA.

Já esse negócio de invasão do Brasil é terrorismo dos EUA e do bolsonarismo, para tentar ganhar votos através do medo de bombardeios.

E a gente precisa combater esse terrorismo, porque, como já disse aqui, o medo é um elemento decisivo em toda ação e reação animal (https://pererecadavizinha.blogspot.com/2026/08/nao-se-deixe-levar-pelo-terrorismo-do.html).

Penso que é nessa guerra da informação que se inserem as novas ameaças contra o Alexandre de Moraes.

É um clássico da guerra: você "neutraliza" quem vai à frente, para afugentar os demais.

No caso, os demais ministros do STF e os ministros do TSE.

A gente já está com um problemão nesses dois tribunais.

Um sob o comando de um Fachin, que não tem a inteligência e a firmeza necessárias para um momento como este; outro, sob o comando de dois bolsonaristas, que, a cada decisão, deixam mais claro que o negócio deles é colaborar, mesmo, com o Flávio Rachadinha.

Agora, imaginem se os EUA conseguirem atemorizar o Alexandre de Moraes.

Ou, ao menos, "castigá-lo" tanto, que os demais comecem a temer pela própria "sobrevivência financeira", digamos assim.

Mas também penso que há uma luz em tudo isso.

Mesmo com todo o poderio das Big Techs e com as redes de fake news que não conseguimos desarticular, esses caras ainda precisam avançar contra o STF e o TSE, e até de terrorismo sobre "invasões", para tentar ganhar.

Sinal de que a gente está eleitoralmente bem na frente e que as nossas "trincheiras", nas redes sociais, estão conseguindo contê-los.

Ou seja: a própria movimentação desses caras é sinal de que a tendência é que a gente vença essa batalha de Davi contra Golias.

Agora, a partir dessa inferência, a gente não pode, de forma alguma, cair no erro do "já ganhou".

Temos é de intensificar, cada vez mais, a nossa presença nas redes, mas não só: também nas ruas, nos sindicatos, nas associações de moradores, junto a motoboys, a taxistas, a vizinhos, no mercadinho da esquina, na fruteira, no restaurante, no bar, nos grandes portais de notícias, onde bolsonaristas e robôs comentam as principais notícias, para atacar o governo.

Nós somos em maior número, temos mais experiência nessas batalhas políticas e não temos a imagem de lunáticos.

E precisamos colocar toda essa bagagem, nas redes e nas ruas.

Sem nariz empinado, sem saltos altos, mas com toda a inteligência interpessoal que todos esses anos de política ajudaram a lapidar.

 Leia o artigo do Jeferson Miola, no DCM: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-forcas-armadas-e-a-interferencia-de-trump-e-big-techs-na-eleicao-por-jeferson-miola/

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Não se deixe levar pelo terrorismo do Trump: ele está enfraquecido e não invadirá o Brasil.




O que Trump quer é meter medo nos brasileiros. 

Porque o medo é um dos elementos determinantes, em qualquer ação ou reação animal.

Nós já estamos às voltas com as ameaças apocalípticas de certas “igrejas”.

E não podemos ajudar a espalhar, às vésperas das eleições, o medo de uma invasão norte-americana.

As ameaças do Trump não são fáceis de concretizar, como ele tenta fazer crer.

Não estamos no século 19 ou na Idade Média, que é a meta desses bebedores de detergente.

Já não é tão fácil invadir e dominar países, ou promover golpes militares sustentáveis.

Estamos vendo isso com a resistência iraniana.

Vimos isso com o Bolsonaro, cujo objetivo, desde que se elegeu, era um golpe militar.

E tudo o que conseguiu foi colocar contra ele o STF, o Congresso e a grande imprensa, todos desde sempre dominados pela direita, mas que se juntaram à resistência democrática.

Nem mesmo os militares se dispuseram a apoiar um golpe.

E não porque existam expressivas fatias militares “legalistas”, “nacionalistas”, ou sei lá o quê.

Eles não aderiram porque perceberam que não teriam apoio externo e acabariam presos.

Mas e agora, com o Trump como presidente, haverá esse apoio?

Isso dependerá do resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, no próximo 3 de novembro, mas não só.

Apostei, e ainda aposto, que o Trump não terminará o mandato.

Penso que ele será afastado por um impeachment, ou até por outros meios.

Nos EUA, houve um processo semelhante ao brasileiro, e talvez até mais célere e de maiores proporções.

Muitos eleitores cativos e alguns senadores republicanos se voltaram contra Trump.

Juízes e militares começaram a resistir às suas ordens ilegais; governadores e prefeitos organizaram protestos enormes contra ele.

O próprio Trump, com as suas alucinações e histórico perverso, contribuiu para erodir o trumpismo: o escândalo Epstein o desgastou fortemente entre os eleitores e senadores republicanos.

Mas hoje o que parece estar sendo mais decisivo é o fracasso da guerra contra o Irã, o custo social da sua política econômica e as ações contra os imigrantes.  

Com a guerra contra o Irã, Trump pretendia uma poderosa cortina de fumaça contra o escândalo Epstein.

Mobilizou um exército com táticas convencionais, incursionou pela guerra híbrida, sonhou até com a invasão terrestre do Irã pelo exército israelense.

Mas tudo o que conseguiu foi a humilhante demonstração, ao vivo e em cores, de que nada disso funciona contra um sistema como o iraniano.

Um sistema muito bem armado e de comando repartido em células, em um território que parece geologicamente moldado para repelir invasores e, ainda por cima, dominado por muçulmanos fanáticos, que vêem na morte heróica o portão escancarado do paraíso.

Se tivesse meditado sobre o fanatismo cristão de suas bases e a expansão nazifascista também a partir de células, teria procurado uma cortina de fumaça menos problemática. 

Mas isso seria pedir demais a um sujeito com síndrome de deus.

Outro problema é a inflação. 

Causada não apenas pela guerra contra o Irã, mas também pela guerra tarifária contra o mundo. 

Naquele cérebro de minhoca, todos se curvariam ao seu império.

Mas o resultado dos tarifaços foi, sobretudo, o aumento dos preços dos alimentos e de outros produtos para os cidadãos norte-americanos, como teria previsto qualquer pessoa com um cérebro funcional.

Afinal, que comerciante deixaria de repassar o custo tarifário aos consumidores, ainda mais na “Meca” do capitalismo?

O terceiro problema são as violentas e indiscriminadas ações contra os imigrantes.

Já disse aqui: uma coisa é ouvir falar sobre os métodos nazifascistas. 

Outra, é vê-los empregados contra o seu vizinho, seu colega de trabalho, seu “irmão” da igreja, ou uma criança. 

Ainda mais quando essas imagens brutais chegam a milhões de pessoas em tempo real. 

E se isso afeta até mesmo um norte-americano “raiz” (se é que isso existe), imagine o que faz na cabeça dos milhões de eleitores latinos que votaram em Trump?

Muitos deles, crentes de que só seriam afetados os “criminosos”, quando, na verdade, aos olhos do nazifascismo, todo imigrante pobre é um “criminoso”, especialmente se for latino. 

Todos esses desastres devem impactar fortemente as eleições de meio de mandato. 

E as apostas são de que Trump perderá o controle do Congresso, com o risco real de um impeachment.

Então, ele corre contra o tempo, na tentativa de entregar o Brasil ao Flávio Rachadinha, seu “agente” de negócios imobiliários futuros.

Ele poderá até fazer incursões, junto com países latinos controlados pela direita, entrando aqui e ali no território brasileiro, como forma de provocação.

Mas não invadirá o Brasil, para tomá-lo.

Porque isso acabaria com qualquer chance de vitória dele nas eleições de meio de mandato.

Então, será preciso muita calma, na hora de responder às possíveis provocações.

Na verdade, o que o Trump e o Rachadinha querem é aterrorizar a população e incitar um golpe militar.

Mas com um Trump enfraquecido, quantos militares se meterão a dar um golpe?

Ainda mais neste momento, quando os destinos das democracias norte-americana e brasileira estão interligados, quem apostará no apoio dos democratas dos EUA a um golpe nazifascista no Brasil, se eles conquistarem o controle do Congresso?

Apesar dos interesses econômicos dos EUA, os democratas norte-americanos estão lutando pelo próprio pescoço.

O Brasil é o maior e mais influente país da América do Sul e um dos últimos que ainda resiste a essas hordas.

Que não são simplesmente “conservadoras” e “de direita”, mas nazistas e reacionárias.

Elas não querem “conservar” coisa alguma: querem destruir tudo, principalmente as conquistas iluministas.

São uma ameaça à república, à democracia e até à sobrevivência da espécie humana.

E isso os democratas norte-americanos já devem ter percebido.  

Mas e se o Trump ganhar as eleições de meio de mandato?

Bem, aí teremos realmente um assanhamento da milicada.

Mas ainda assim, haverá outros fatores a considerar.

Como a reação dos democratas e a postura dos republicanos. 

Afinal, trata-se de um país dividido ao meio, com uma grande quantidade de armas em circulação e com forças armadas que não se comportam como as brasileiras, diante de um sujeito como o Trump.

Além da questão dos EUA, há os interesses da China, para quem o Brasil é essencial à multipolaridade, além das democracias europeias, também a lutar contra essas hordas.

Vale sempre repetir: o Lula não é Nicolás Maduro.

Lula é uma das mais importantes lideranças sociais-democratas do mundo. 

Tanto assim, que, quando venceu as eleições de 2022, o Biden e os líderes dos principais países europeus se apressaram em reconhecer a vitória dele, para desencorajar qualquer tentativa golpista. 

II


Bem mais provável, a meu ver, é uma tentativa de impeachment do Lula, daqui a uns dois anos, ou a sangria do governo dele, pelos próximos quatro anos, para impor uma derrota acachapante às esquerdas, em 2030.


Mais ou menos como ocorreu no golpe contra a Dilma, só que agora sem o fenômeno Lula, que possibilitou a recuperação do poder pelas esquerdas em pouco tempo.  


Penso que as lideranças bolsonazistas sabem que dificilmente vencerão as eleições presidenciais deste ano.


E o que esperam é manter algum poder de barganha.


Porque esse engalfinhamento entre as lideranças da direita tradicional tende a se acentuar após as eleições.


E a “pacificação” só ocorrerá após a escolha de uma liderança que atraia os direitistas que se bandearam para a frente democrática, mas também mantenha os votos bolsonazistas.


Mais ou menos como aconteceu no estado de São Paulo, só que, desta feita, com menor influência dessas hordas.


Isso garantirá à direita tradicional, ou até à centro-direita, o apoio da quase totalidade da imprensa e dos tribunais superiores, que desenvolveram quase que uma ojeriza ao bolsonazismo, e também de boa parte dos empresários e partidos.


Para que isso dê certo é preciso que a direita consiga manter ampla maioria no Congresso Nacional.


Já para os bolsonazistas, o importante é eleger as suas lideranças mais barulhentas e com maior capacidade de mobilização, para que consigam negociar as suas pautas e mantenham alguma expectativa de poder.


Não creio que o objetivo da direita tradicional seja o impeachment de ministros do STF, para libertar os presos bolsonazistas.


Ela pode até imaginar o impeachment de ministros, mas para se livrar das investigações sobre o orçamento secreto e as emendas pix.


Para a direita tradicional, incluindo o Centrão, essas questões de costumes, de perseguição aos gays, às feministas, aos pretos, nunca tiveram maior importância.


Para ela, o que realmente importa é a privatização do Estado, a superexploração do trabalho, a dificuldade de acesso da população a uma Educação de qualidade, a apropriação das nossas riquezas, o desmantelamento dos sindicatos e dos movimentos que lutam pelo acesso à terra.


O que ela quer é “conservar” a desigualdade brasileira, para que os trabalhadores continuemos a sustentar uma cambada parasitária.


O que ela quer é fazer as suas negociatas em paz.


E para essa direita é muito mais fácil negociar o arquivamento de uma investigação, do que bater de frente com ministros do STF, que sempre foram seus apoiadores.


E se ela mantiver ampla maioria no Congresso, fará da vida do Lula um inferno muito maior do que nestes quatro anos, a fim de desgastá-lo.


Para que tenha condições de, eventualmente, afastá-lo, caso ele reaja à continuidade do sequestro orçamentário; ou para que ele chegue ao final de seu mandato com capacidade mínima de fazer o sucessor.


Essa parcela da direita tradicional que se aliou ao bolsonazismo nunca foi bolsonazista. 


Essa aliança foi apenas para sobrevivência política, em meio à onda reacionária que se espalhou na sociedade brasileira.


Quando foi que vocês viram, antes disso, algum direitista gritando “Deus, pátria, família”?


Eles “apenas” desidratavam as políticas públicas e deixavam que a sociedade brasileira, machista, racista e homofóbica, agisse livremente.


Então, a gente precisa, sim, reeleger o Lula e fazer a maior quantidade possível de senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais.


Mas também precisamos manter o sangue frio ante o terrorismo trumpista, para que possamos desconstruir essas ameaças e tranquilizar a população.


E, sobretudo, reconstruir as bases populares.


Porque governo de esquerda sem bases populares azeitadas não chega a lado nenhum.  


FUUUIIII!!!    



terça-feira, 28 de julho de 2026

Balão da “expectativa de poder” começa a esvaziar. E agora, “Doutor”?



As coisas começaram a desandar para um certo “Doutor”.

Ele resolveu se candidatar ao Governo e, até agora, “vendia-se” como “imbatível”.

Mas está chegando a Hora da Verdade.

E o problema é que ele construiu toda a sua pré-campanha em torno apenas da expectativa de poder.

É uma estratégia que atrai aliados e financiamento.

Mas que não se sustenta sozinha: em algum momento, o “balão” começa a esvaziar…

Na política, assim como na guerra, há três elementos bem mais importantes, essenciais para a sustentação de uma campanha: as “linhas de abastecimento”, a capilaridade e o discurso.

As “linhas de abastecimento” garantem os recursos para o prosseguimento de uma campanha.

Não por acaso, estão entre as primeiras estruturas na mira de qualquer exército competente: sem elas, mesmo comandantes que se julgam “invencíveis” acabam por naufragar. 

O dito “Doutor”, é verdade, até que tentou criá-las, em termos financeiros. 

Desde o início da sua trajetória política, tratou de construir uma poderosa empresa e de realizar alianças com empresários, em torno de contratos fraudulentos, para garantir um caixa 2.

No entanto, parece não ter levado em conta a reação dos adversários, que torpedearam as suas “linhas de abastecimento”, até interditá-las quase que completamente.

E com as pesquisas eleitorais começando a deslocar a expectativa de poder para os seus adversários, agora mesmo é que os recursos devem rarear.

Até porque, se o “Doutor” cultiva a fama de ser mais “temido do que amado”, os seus adversários também não possuem a fama de uma santa casa de misericórdia.

Pois é: política não é “Paciência”, que se joga sozinho. 

O outro elemento é a capilaridade, o conjunto de estrutura partidária, filiados e simpatizantes.

Os micro formadores de opinião que se distribuem por um território e ajudam a massificar o discurso político.

E isso os adversários do “Doutor” possuem, como nenhum outro exército do Brasil.

Eles estão em praticamente tudo que é canto, nas zonas rural e urbana.

E quando vem a “ordem unida”, deixam de lado as divergências locais e marcham como um corpo só.

Comícios, visitas, encontros, entrevistas locais são importantíssimos, é verdade, para uma campanha.

O discurso unificado, que vem de cima, também chega sem problemas, através dos palanques eletrônicos e virtuais.

Mas esse discurso precisa ser decodificado e levado aos grupos sociais, com os devidos destaques daquilo que mais interessa a cada um.

E sem os micro formadores de opinião, que “mastigam” e disseminam o discurso cotidianamente, não há campanha que se sustente.

Porque palavras o vento leva, se não forem devidamente fixadas pela repetição, entre os familiares, vizinhos, colegas, amigos, nas ruas, nas igrejas, nos mercadinhos, nos bares, e por aí vai.

Desconheço estratégias de campanha mais eficazes do que o corpo a corpo e os micro formadores de opinião.

Nelas residem proximidade, afetividade, autoridade gerada pelo respeito, e o essencial “olho no olho”, que nenhuma estratégia é capaz de imitar.

Nem mesmo as redes sociais são páreo para elas, ainda mais com a crescente desmoralização das redes minions, por suas mentiras e fama de lunáticas.

Mas para ambas as estratégias é preciso, justamente, capilaridade.

Ou seja: gente, muita gente, por todo o território, e estruturas partidárias em torno das quais essas pessoas podem se organizar. 

E quanto ao discurso?

Bem, esse também é um elemento essencial, tanto na política, quanto na guerra.

Ele “divide as águas”, “vende” um projeto de poder, arregimenta e anima aqueles que se identificam com ele.

Mas também em relação ao discurso, o “Doutor” parece que vai mal.

Ele ainda tentou emplacar o messianismo, o “herói salvador”, na vertente Davi contra Golias.

É, de fato, um discurso muito bom, quase imbatível, nas mãos de quem sabe e pode utilizá-lo.

Mas, novamente, ele parece não ter contado com a possibilidade de que o seu “Davi” acabasse estilhaçado a pedradas, que revelaram as suas maracutaias e imensa fortuna, “cositas” que o tornam tudo, menos “frágil”, “puro” e “indefeso".

Para mim, com a mudança de lado da expectativa de poder, a maior preocupação dos adversários do “Doutor” precisa se concentrar, sobretudo, nos debates e na campanha de rádio e TV.

É uma coisa que tem me preocupado muito, em termos nacionais: em 2030, já não haverá Lula.

E temo que um técnico, caso não seja muito bem treinado, tenha muita dificuldade em vencer um político populista, ainda mais nas circunstâncias atuais.

Campanhas eleitorais são feitas muito mais de emoção do que de razão.

Elas apelam ao sistema límbico, a área mais primitiva do nosso cérebro, no qual habitam os nossos pavores e anseios mais profundos.

É lá que habita toda a simbologia daquilo que aterrorizou ou confortou os nossos antepassados, desde que começaram a caminhar, há milhões de anos, pelas savanas africanas: o herói, a mãe, a luz solar, a escuridão, o caos, o paraíso…

As noites e noites na escuridão, o frio, a fome, o medo, as doenças, as guerras, a morte, mas também a esperança, deixaram marcas profundas em cada um de nós.

E é em cima delas, no inconsciente, que atua a propaganda política.

Seja transformando adversários em “satanases”, monstros, cavaleiros apocalípticos, seja prometendo uma terra sem males.

Políticos populistas são “doutores” nesses discursos de fácil assimilação e mobilização.

Possuem carisma, magnetismo, capacidade de se fazer acreditar e, sobretudo, raciocínio e linguagem simplificados.

E se um técnico se propõe a enfrentá-los, precisa, em primeiro lugar, deixar em casa o raciocínio e a linguagem da Academia.

Ao discursar ou ler um texto, precisa aprender a trocar as palavras difíceis por palavras do cotidiano, de domínio das massas.

Precisa aprender a utilizar exemplos, comparações, explicações bem “mastigadas”, que fazem com que as pessoas entendam até mesmo os temas mais áridos.

A Academia não elege ninguém; quem elege é o povo.

E o Brasil é um país onde mais de 60% da população possui, no máximo, o primeiro grau completo, e só 11% possuem uma graduação.

Um discurso, por mais belo que seja, não serve para nada, se ninguém o entender.

Já um discurso simples, fácil, tanto desconstrói os argumentos adversários, quanto faz penetrar as propostas na alma dos eleitores, gerando milhares de multiplicadores, ainda mais se bem temperado com a emoção. 

Esta é uma máxima que os técnicos-candidatos nunca devem esquecer: as pessoas só se mobilizam em torno de alguma coisa, se compreenderem do que se trata. Do contrário, entra por um ouvido e sai pelo outro.

É preciso, ainda, habituar-se a sorrir, mas também a sofrer com quem sofre, e sempre “olhar no olho”.

Não é à toa que os macacos humanos possuímos tantos músculos faciais e que a maioria de nós, incluindo até professores tarimbados, enfrenta tanta dificuldade ao gravar um programa eleitoral ou uma aula televisiva.

Os macacos humanos precisamos do feedback, via linguagem não-verbal, daqueles que nos ouvem.

E a maior fonte dessa linguagem, no corpo a corpo, ainda é o rosto.

E esse corpo a corpo, vale sempre lembrar, é essencial para as imagens dos programas de TV.

Então, é preciso treinar muito bem esses técnicos, até levando-os a maratonar discursos do Lula e de outros grandes comunicadores de massa.

Já em relação às propostas, esses técnicos precisam entender que adversários populistas, autênticos “vendedores de banha de cobra”, não podem ser combatidos apenas com o que a realidade indica como possível.

Mas isso, tenho certeza, o Lula e os adversários do “Doutor” sabem muito bem.


FUUUIIII!!!!!