
As coisas começaram a desandar para um certo “Doutor”.
Ele resolveu se candidatar ao Governo e, até agora, “vendia-se” como “imbatível”.
Mas está chegando a Hora da Verdade.
E o problema é que ele construiu toda a sua pré-campanha em torno apenas da expectativa de poder.
É uma estratégia que atrai aliados e financiamento.
Mas que não se sustenta sozinha: em algum momento, o “balão” começa a esvaziar…
Na política, assim como na guerra, há três elementos bem mais importantes, essenciais para a sustentação de uma campanha: as “linhas de abastecimento”, a capilaridade e o discurso.
As “linhas de abastecimento” garantem os recursos para o prosseguimento de uma campanha.
Não por acaso, estão entre as primeiras estruturas na mira de qualquer exército competente: sem elas, mesmo comandantes que se julgam “invencíveis” acabam por naufragar.
O dito “Doutor”, é verdade, até que tentou criá-las, em termos financeiros.
Desde o início da sua trajetória política, tratou de construir uma poderosa empresa e de realizar alianças com empresários, em torno de contratos fraudulentos, para garantir um caixa 2.
No entanto, parece não ter levado em conta a reação dos adversários, que torpedearam as suas “linhas de abastecimento”, até interditá-las quase que completamente.
E com as pesquisas eleitorais começando a deslocar a expectativa de poder para os seus adversários, agora mesmo é que os recursos devem rarear.
Até porque, se o “Doutor” cultiva a fama de ser mais “temido do que amado”, os seus adversários também não possuem a fama de uma santa casa de misericórdia.
Pois é: política não é “Paciência”, que se joga sozinho.
O outro elemento é a capilaridade, o conjunto de estrutura partidária, filiados e simpatizantes.
Os micro formadores de opinião que se distribuem por um território e ajudam a massificar o discurso político.
E isso os adversários do “Doutor” possuem, como nenhum outro exército do Brasil.
Eles estão em praticamente tudo que é canto, nas zonas rural e urbana.
E quando vem a “ordem unida”, deixam de lado as divergências locais e marcham como um corpo só.
Comícios, visitas, encontros, entrevistas locais são importantíssimos, é verdade, para uma campanha.
O discurso unificado, que vem de cima, também chega sem problemas, através dos palanques eletrônicos e virtuais.
Mas esse discurso precisa ser decodificado e levado aos grupos sociais, com os devidos destaques daquilo que mais interessa a cada um.
E sem os micro formadores de opinião, que “mastigam” e disseminam o discurso cotidianamente, não há campanha que se sustente.
Porque palavras o vento leva, se não forem devidamente fixadas pela repetição, entre os familiares, vizinhos, colegas, amigos, nas ruas, nas igrejas, nos mercadinhos, nos bares, e por aí vai.
Desconheço estratégias de campanha mais eficazes do que o corpo a corpo e os micro formadores de opinião.
Nelas residem proximidade, afetividade, autoridade gerada pelo respeito, e o essencial “olho no olho”, que nenhuma estratégia é capaz de imitar.
Nem mesmo as redes sociais são páreo para elas, ainda mais com a crescente desmoralização das redes minions, por suas mentiras e fama de lunáticas.
Mas para ambas as estratégias é preciso, justamente, capilaridade.
Ou seja: gente, muita gente, por todo o território, e estruturas partidárias em torno das quais essas pessoas podem se organizar.
E quanto ao discurso?
Bem, esse também é um elemento essencial, tanto na política, quanto na guerra.
Ele “divide as águas”, “vende” um projeto de poder, arregimenta e anima aqueles que se identificam com ele.
Mas também em relação ao discurso, o “Doutor” parece que vai mal.
Ele ainda tentou emplacar o messianismo, o “herói salvador”, na vertente Davi contra Golias.
É, de fato, um discurso muito bom, quase imbatível, nas mãos de quem sabe e pode utilizá-lo.
Mas, novamente, ele parece não ter contado com a possibilidade de que o seu “Davi” acabasse estilhaçado a pedradas, que revelaram as suas maracutaias e imensa fortuna, “cositas” que o tornam tudo, menos “frágil”, “puro” e “indefeso".
Para mim, com a mudança de lado da expectativa de poder, a maior preocupação dos adversários do “Doutor” precisa se concentrar, sobretudo, nos debates e na campanha de rádio e TV.
É uma coisa que tem me preocupado muito, em termos nacionais: em 2030, já não haverá Lula.
E temo que um técnico, caso não seja muito bem treinado, tenha muita dificuldade em vencer um político populista, ainda mais nas circunstâncias atuais.
Campanhas eleitorais são feitas muito mais de emoção do que de razão.
Elas apelam ao sistema límbico, a área mais primitiva do nosso cérebro, no qual habitam os nossos pavores e anseios mais profundos.
É lá que habita toda a simbologia daquilo que aterrorizou ou confortou os nossos antepassados, desde que começaram a caminhar, há milhões de anos, pelas savanas africanas: o herói, a mãe, a luz solar, a escuridão, o caos, o paraíso…
As noites e noites na escuridão, o frio, a fome, o medo, as doenças, as guerras, a morte, mas também a esperança, deixaram marcas profundas em cada um de nós.
E é em cima delas, no inconsciente, que atua a propaganda política.
Seja transformando adversários em “satanases”, monstros, cavaleiros apocalípticos, seja prometendo uma terra sem males.
Políticos populistas são “doutores” nesses discursos de fácil assimilação e mobilização.
Possuem carisma, magnetismo, capacidade de se fazer acreditar e, sobretudo, raciocínio e linguagem simplificados.
E se um técnico se propõe a enfrentá-los, precisa, em primeiro lugar, deixar em casa o raciocínio e a linguagem da Academia.
Ao discursar ou ler um texto, precisa aprender a trocar as palavras difíceis por palavras do cotidiano, de domínio das massas.
Precisa aprender a utilizar exemplos, comparações, explicações bem “mastigadas”, que fazem com que as pessoas entendam até mesmo os temas mais áridos.
A Academia não elege ninguém; quem elege é o povo.
E o Brasil é um país onde mais de 60% da população possui, no máximo, o primeiro grau completo, e só 11% possuem uma graduação.
Um discurso, por mais belo que seja, não serve para nada, se ninguém o entender.
Já um discurso simples, fácil, tanto desconstrói os argumentos adversários, quanto faz penetrar as propostas na alma dos eleitores, gerando milhares de multiplicadores, ainda mais se bem temperado com a emoção.
Esta é uma máxima que os técnicos-candidatos nunca devem esquecer: as pessoas só se mobilizam em torno de alguma coisa, se compreenderem do que se trata. Do contrário, entra por um ouvido e sai pelo outro.
É preciso, ainda, habituar-se a sorrir, mas também a sofrer com quem sofre, e sempre “olhar no olho”.
Não é à toa que os macacos humanos possuímos tantos músculos faciais e que a maioria de nós, incluindo até professores tarimbados, enfrenta tanta dificuldade ao gravar um programa eleitoral ou uma aula televisiva.
Os macacos humanos precisamos do feedback, via linguagem não-verbal, daqueles que nos ouvem.
E a maior fonte dessa linguagem, no corpo a corpo, ainda é o rosto.
E esse corpo a corpo, vale sempre lembrar, é essencial para as imagens dos programas de TV.
Então, é preciso treinar muito bem esses técnicos, até levando-os a maratonar discursos do Lula e de outros grandes comunicadores de massa.
Já em relação às propostas, esses técnicos precisam entender que adversários populistas, autênticos “vendedores de banha de cobra”, não podem ser combatidos apenas com o que a realidade indica como possível.
Mas isso, tenho certeza, o Lula e os adversários do “Doutor” sabem muito bem.
FUUUIIII!!!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário