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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Griffo, a insaciável (parte 1): há quase 20 anos, Griffo Comunicação ganha todas as licitações de propaganda dos governos que ajuda a eleger. Nas duas últimas licitações, jornalistas que trabalharam para a empresa integraram as comissões técnicas dos certames. Apesar dos milhões que recebe, dono da Griffo tem parentes empregados no Governo e na PMB. Até 2014, a empresa deverá receber mais de R$ 70 milhões dos cofres públicos - ou quase o dobro do que custou o Hospital Metropolitano.


Jatene e Orly, uma parceria milionária: até 2014,  Griffo deverá receber mais de R$ 70 milhões



É um caso para Malba Tahan resolver, já que o Ministério Público Estadual nem tchuns.

Desde meados da década de 1990,  o Pará é palco de uma estranhíssima coincidência: o marqueteiro Orly Bezerra elege um político para o Governo do Estado ou para a Prefeitura de Belém... - e quem vence a licitação para a milionária conta de propaganda do Governo ou da Prefeitura é a Griffo Comunicação e Jornalismo, que pertence ao mesmíssimo Orly.

No entanto, quando o candidato de Orly perde a eleição, a Griffo também perde a licitação.

Daí a dúvida, que parece só não incomodar o Ministério Público: qual a probabilidade matemática da repetição de uma coincidência dessas, ao longo de quase 20 anos?

Pior: nas duas últimas licitações em que a Griffo saiu vencedora (em 2011, para a propaganda do Governo do Pará; e em 2012, para a conta de propaganda da Assembleia Legislativa – Alepa) há fatos, no mínimo, instigantes.

Em ambas as licitações, as propostas técnicas das concorrentes foram avaliadas por uma comissão integrada por 3 jornalistas e publicitários.

E também em ambas as licitações, esses 3 jornalistas e publicitários foram escolhidos, por sorteio, dentro de um grupo de 9 pessoas.

O problema é que das 9 pessoas de cada um desses grupos, 5 (ou mais da metade) já trabalharam para a Griffo em campanhas eleitorais, inclusive, nas eleições para o Governo do Estado e o Senado Federal, em 2006 e 2010.

Algumas, aliás, prestam serviços há mais de uma década à empresa; outras, já foram até indicadas, informalmente, para cargos públicos por Orly.

Como o leitor já deve ter deduzido, o resultado desse “arranjo matemático” não poderia ser outro: na licitação do Governo, pelo menos uma integrante da comissão que avaliou as propostas técnicas, já trabalhou para a Griffo.

Na Alepa, pelo menos dois integrantes da comissão já prestaram serviços à empresa.

E isso num estado que possui, além de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão, mais de três dezenas de empresas de propaganda.

É ou não é um “causo” que deixaria Malba Tahan feliz da vida em decifrar? 

No entanto, ainda mais impressionante é a montanha de dinheiro que a Griffo deverá faturar dos cofres públicos paraenses, até 2014: pelo menos, R$ 70 milhões – e numa conta muito, mas muito por baixo.

Só por serviços realizados em 2011, através de um contrato de propaganda assinado em julho daquele ano, a Griffo recebeu do Governo do Estado mais de R$ 9,2 milhões.

Foram R$ 8,6 milhões pagos ainda em 2011, e outros R$ 604 mil quitados já em 2012, através da rubrica orçamentária “Despesas de Exercícios Anteriores”, conforme dados do portal Transparência Pará, mantido pelo próprio Governo Estadual. 

No ano passado, já com o contrato de propaganda bombando ao longo de doze meses, a Griffo recebeu do Governo mais de R$ 21,7 milhões.

Desses R$ 21,7 milhões, R$18,5 milhões foram quitados naquele mesmo ano, através da rubrica “Outros serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”, e R$ 3,2 milhões foram pagos apenas em 2013, na rubrica “Despesas de Exercícios Anteriores”. 

Total de pagamentos à Griffo por um ano e meio de trabalho: quase R$ 31 milhões. 

Isso coloca a possibilidade de que só o contrato de propaganda do Governo do Estado venha a render a Griffo, até o final de 2014, mais de R$ 60 milhões.

Mas, desde julho de 2011, a empresa também mantém um contrato de R$ 3,2 milhões por ano com o Banco do Estado do Pará (Banpará), o que deverá resultar em um ganho superior a R$ 10 milhões, também até 2014.

Além disso, a Griffo ganhou a conta de propaganda da Alepa, que estaria, há alguns anos, em cerca de R$ 9 milhões – e que a Perereca da Vizinha ainda  tenta descobrir em quanto está hoje.

Só para você ter ideia do que representa essa bolada de R$ 70 milhões, num estado pobre como o Pará: ela quase empata com os R$ 76 milhões de ICMS recebidos, no ano passado, pelo município de Marabá, com mais de 233 mil habitantes, e uma das locomotivas do Sul e Sudeste do estado.

E representa, também, quase o dobro daquilo que foi gasto na construção do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (Ananindeua), inaugurado em março de 2006: R$ 25,2 milhões, ou o equivalente, em março de 2013, a R$ 36 milhões, em valores corrigidos pelo IPCA-E.

No entanto, apesar de todos esses milhões que recebe dos cofres públicos, o marqueteiro Orly Bezerra ainda possui pelo menos cinco parentes que ocupam cargos de direção e assessoramento no Governo do Estado e na Prefeitura de Belém, numa impressionante relação de promiscuidade entre uma empresa e o Poder Público. 

Leia nas próximas reportagens da série “Griffo, a insaciável”: 

_As licitações do Governo e da Alepa para a propaganda, ambas vencidas pela Griffo;

_As coincidências entre as campanhas eleitorais realizadas por Orly e as contas de propaganda que ganhou;

_Os parentes do marqueteiro que possuem cargos no Governo e na Prefeitura.

_Afinal, que fim levou o rumoroso caso da PrevSaúde? 

E confira nos quadrinhos abaixo, extraídos do portal Transparência Pará e do Diário Oficial do Estado (DOE), os milhões carreados para a Griffo Comunicação. 

Primeiro, o contrato de propaganda do Governo do Estado.

O extrato contratual, publicado no Diário Oficial de 12 de julho de 2011, caderno 1, página 7:



E o primeiro termo aditivo a esse contrato, publicado no DOE de 11 de julho de 2012, caderno 4, página 3:



Aqui,  a Nota de Empenho de mais de R$ 8,6 milhões paga à Griffo em 2011, na rubrica “Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”:


E aqui, a Nota de Empenho de mais de R$ 604 mil, relativa a serviços de 2011, mas paga à empresa já em 2012, já rubrica “Despesas de Exercícios Anteriores":


Abaixo, os pagamentos à Griffo em 2012 (repare que, nas listas, estão assinalados apenas os maiores, embora elas registrem outros que não foram marcados):







Aqui, o pagamento de mais de R$ 3 milhões à Griffo, em fevereiro de 2013, na rubrica “Despesas de Exercícios Anteriores” – o pagamento é referente a serviços realizados em 2012:



Abaixo, o contrato da Griffo com o Banpará.

O extrato contratual, publicado no Diário Oficial de 18 de julho de 2011, caderno 1, página 14:



O primeiro aditivo, de R$ 625 mil, publicado no Diário Oficial de 24 de fevereiro de 2012, caderno 2, página 11:



O segundo aditivo, no valor de R$ 3,2 milhões, publicado no Diário Oficial de 12 de julho de 2012, caderno 4, página 5:



Abaixo, a homologação e adjudicação da Concorrência 001/2012, realizada pela Alepa, que teve a Griffo e a DC3 como vencedoras. O documento foi publicado pelo Diário Oficial no último dia 25 de abril de 2013, caderno 6, página 4: 




É a Perereca da Vizinha abrindo a caixa preta da comunicação no Pará!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A incrível história de Onde Judas Perdeu as Botas (Parte 2)



(Leia a primeira parte da Incrível História de Onde Judas Perdeu as Botas: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/10/a-incrivel-historia-de-onde-judas.html). 


 
O Eminente e Douto Marqueteiro de Onde Judas Perdeu as Botas era mais conhecido como 171.

O apelido viera de um costume peculiar.

Menino pobre, mas sedento de poder, logo descobriu o poder da ilusão - a “mercadoria” mais apreciada pelas gentes, em qualquer tempo e lugar.

Assim, passou a carregar consigo toda sorte de bugigangas: malabares, balões, apitos, estrelinhas, serpentinas, brinquedinhos para fazer fumaça e bolhas de sabão.

E enquanto deslumbrava os coleguinhas, rapelava figurinhas raras, as mais belas petecas, as melhores propriedades do Banco Imobiliário. 

Bem mais tarde, já como Eminente e Douto Marqueteiro daquela República Imperial, elevou à glória as técnicas de hipnose coletiva.

Em megaespetáculos televisados, o presidente imperial aparecia ora como Moisés-no-Mar-Vermelho, ora como Jesus-na-Batalha-de-Armagedom.

Tudo em meio a jogos de luzes, tambores, flautistas de Hamelin, dançarinos zulus, odaliscas, lambadas e guitarradas, acrobatas, encantadores de serpentes, trapezistas e engolidores de fogo.

Era assim: de uma grande cartola mágica (diz que herança de seu tatatatatatatatatataravô, o Mago Merlin), 171 fazia ressurgir o caos primordial.

O céu enegrecia e era cortado por relâmpagos e trovões.

Vulcões derramavam lavas pompeanas.

E o exército do faraó, as pragas do Egito, os fariseus, escribas e saduceus, a Besta, o Falso Profeta, os quatro cavaleiros do Apocalipse, São Cipriano, as bruxas de Salém e HAL 9000 se juntavam às legiões demoníacas, comandadas por Lúcifer, Asmodeu, Astaroth e Belfegor, com a retaguarda da Matinta Perera, da Moça-do-Táxi e da Mula-Sem-Cabeça, a prenunciar o fim dos tempos...

Mas eis que então 171 retirava da cartola o Herói, o Salvador.

E as ruas de Onde Judas Perdeu as Botas, repletas de lixo, barracos, palafitas e esgotos a céu aberto, viravam belíssimos e perfumados bulevares parisienses.

E os ratos, moscas, mosquitos, ladrões, puxa-sacos, vigaristas, as pragas e os patifes de toda ordem que empestavam aquela ilha, transformavam-se em lindos coelhinhos, mimosos beija-flores, resplendentes querubins ungidos...

É verdade, caro leitor, que bastaria que alguém abrisse a porta de sua casa, para que todo aquele ‘admirável mundo novo’ se desfizesse.

O problema é que permanecia no distinto público a convicção de que o Messias, sabe-se lá por que, havia rrrealmente decidido renascer em Onde Judas Perdeu as Botas...

E que o “futuro radiante”, ao qual a ilha estava “predestinada”, já começara, de fato, a se concretizar.

Até porque, nos megaespetáculos de 171, até os anjos exaltavam as qualidades que nem a ilha nem os seus habitantes possuíam, mas, imaginavam possuir: tudo em Onde Judas Perdeu as Botas era “novo”, “extraordinário”, “fantástico”, “insuperável”, “magnífico”, “grandioso”...

E todos os seus habitantes eram tão virtuosos, mas tão virtuosos que fariam até um mórmon parecer um desregrado...

Assim, não cansavam de repetir: “ó, como somos grandes!”, “ó, como somos ricos!”, “ó, como somos únicos!”, a bater no peito e a proclamar o orgulho de se nascer em Onde Judas Perdeu as Botas...

E enquanto permaneciam imersos nessa leseira, nesse surto psicótico, mais e mais os vigaristas se sucediam no comando daquela ilha; mais e mais a plebe morria nas filas de autênticos chiqueiros, apelidados de “hospitais”.

Bandidos surrupiavam a merenda escolar e assaltavam até a polícia, em plena luz do dia.

E tudo era lama – em sentido real e figurado.



........

A capacidade ilusionista de 171 acabou por transformá-lo em uma das maiores fortunas daquela República Imperial.

Porque, além de adestrar a plebe como nenhum outro, também possuía invejável talento para fraudar licitações, sonegar impostos, lavar dinheiro e traficar informações.

E era aqui, em verdade, que assentava o poder do Eminente e Douto Marqueteiro: uma rede de serviçais espalhados em pontos estratégicos, para cascavilhar tudo o que acontecia em cada palmo daquela ilha – nos palácios, nos casebres, nos bares, nas cozinhas, nas alcovas e, ao que se diz, até nos cemitérios...

Isso lhe permitia não apenas conhecer em detalhes todos os planos dos adversários.

Mas, sobretudo, como eram esses adversários na intimidade, sem a infinidade de máscaras públicas.

Assim, podia prever as suas ações e reações futuras.

E até conduzi-los às ações e reações que lhe fossem mais convenientes.

Em suma, como bem poderiam ter ensinado Sócrates e Maquiavel: conhece profundamente o teu inimigo, para levá-lo a trabalhar por ti...



........



No entanto, o mais impressionante dessa rede de futricas nem era a visão estratégica, mas, o talento do marqueteiro para fraudar até a personalidade alheia.

Porque o toque de gênio consistia em misturar informações verdadeiras a mentiras compatíveis e disseminar, insistentemente, tal engodo, até que virasse uma espécie de revelação espiritual.

Assim, até São Francisco de Assis podia se transformar, aos olhos públicos, em um discípulo de Satanás  - e ao ponto de até ele, São Francisco, começar a se perguntar se as suas ações não seriam, em verdade, inspiradas pelo demônio... 

Ao mesmo tempo, todas as patifarias do presidente imperial – um chefe de quadrilha preguiçoso, incompetente, acanalhado e bilé - viravam ações épicas, até abnegadas, típicas de um espírito sublime.

E, por incrível que pareça, toda essa lavagem cerebral era paga com dinheiro público: através de fraudes licitatórias e contábeis e de generosos benefícios fiscais, milhões e milhões eram subtraídos ao erário e injetados na docilidade dos veículos de comunicação daquela ilha.

E nos pasquins que o Eminente e Douto Marqueteiro fazia circular ilegalmente, durante as Eleições Gerais, para enxovalhar as principais lideranças oposicionistas.

E nas revistas, blogs e jornais editados apenas e tão somente para elogiar o presidente imperial: seus “magníficos dotes vocais e poéticos”, seu “grandioso espírito público”, sua “inimitável capacidade empreendedora”, seu “indisfarçável amor pelo trabalho”.
.......




Os operadores da rede intrigas de 171, muitos deles jornalistas, padeciam de verdadeira compulsão pela intriga e compadrio.

Especialistas em retorcer informações, bisbilhotavam até as cuecas das lideranças oposicionistas, para transformar qualquer coisa em escândalo.

E quando nada encontravam, simplesmente, inventavam.

Bastava um copo de uísque em um bar para que o sujeito virasse um “alcoólatra”; um comentário incisivo, para que virasse um “desequilibrado cheio de ódio”.

E como consideravam que mulheres eram apenas vaginas (e tinham de se contentar em serem apenas vaginas), reservavam às oposicionistas uma perseguição implacável: eram chamadas de  “piranhas”, “vagabundas”, “prostitutas”, arrastadas pelas ruas e apedrejadas em praça pública.

No entanto, esses pitorescos guardiões da moral e dos bons costumes nada diziam sobre as amantes do presidente imperial, todas mantidas com dinheiro do erário, nem sobre as suas perversões e milionárias falcatruas.

E, em verdade, não havia serviço imundo que recusassem, sempre em busca de uma babugem, um michê: uma sinecura para o filho, o irmão, marido, esposa, cunhado; o pagamento de pensão alimentícia para a ex-mulher; uma homenagem nas academias de meia pataca que abundavam naquela ilha; um “furo” pré-fabricado de reportagem; uma cesta de vinhos, um simples peru de Natal.

Por isso, também exibiam diante do marqueteiro um comportamento dulcíssimo: não diziam nem ai quando ele desatava a humilhá-los com toda a sorte de impropérios, em gritos histéricos, alucinados, que eram ouvidos até na vizinhança.

E era esta a característica mais reveladora do caráter do marqueteiro: diante do presidente imperial e de qualquer pessoa que lhe pudesse arranjar uma fraude a mais, até a voz dele se transformava, assumindo um tom servil.

No entanto, bastava que alguém estivesse apenas um milímetro abaixo dele, para conhecer-lhe a face doentia, que se comprazia em humilhar.

Em tais ocasiões, 171 sentia-se um deus, com o poder de esmagar aquela criatura repulsiva, que quase lhe lambia o ânus em busca de um favor, uma fraude, um “presente”.

E, no entanto, havia entre eles uma profunda e indisfarçável identificação.

.......
A Perereca adverte: esta obra é de ficção, sem a mínima semelhança com a realidade, como bem sabe o arguto leitor.

Assim, só serão aceitos comentários na mesma linha.

A blogueira informa, aliás, que está até pensando em transformar em livro a Incrível História de Onde Judas Perdeu as Botas.

Claro está, se conseguir o patrocínio da Secult...

E vumbora jogar a negra!




Foi só há poucos dias que percebi que falta bem pouquinho para 2014.

Que coisa, né?

E havia (como ainda há) tanta gente pensando que tudo é eterno...

Nestes quatro anos, sob o governo desse chefe de quadrilha que é Simão Jatene, este blog quase foi sepultado vivo.

E, o que é pior: “coleguinhas” que, na verdade, não são jornalistas, mas, apenas lobistas com diploma ou registro de jornalista, colaboraram muitíssimo para isso.

E é preciso fazer esta diferença: jornalista é aquele que quer a informação para repassá-la ao distinto público.

Lobista da comunicação é aquele que quer a informação apenas para negociá-la em troca de dinheiro, cargos, ou sabe-se lá o quê.

E, infelizmente, neste governo do chefe de quadrilha que é Simão Jatene, os lobistas dão as cartas no jornalismo do Pará.

Mas, voltemos à sina deste blog e desta blogueira.

Em mais de 30 anos de profissão nunca me vi em situação financeira tão aflitiva quanto a que tenho enfrentado.

E houve momentos que, confesso, imaginei que não conseguiria ultrapassar tamanho deserto.

Vi-me sozinha como jamais imaginei que algum dia ficaria.

Sim, porque esses lobistas que hoje dominam a comunicação no Pará, saem por aí a satanizar todas as pessoas que se recusam a ser iguais a eles.

E como a maioria das pessoas adora dividir o mundo em anjos e demônios, você acaba se vendo profundamente só.

O problema é que sempre gostei de solidão – e isso desde a infância.

Sempre gostei profundamente da minha companhia. E sempre descobri coisas prazerosas para fazer sozinha.

Nos últimos meses, por exemplo, plantei árvores, flores e ervas.

E descobri o prazer enorme – indescritível! – de ver a vida (a bem dizer) a brotar das minhas mãos.

Encantei-me com a dança de borboletas e passarinhos.

E me vi a exaltar a grandeza de Deus, diante dessa coisa fantástica que é a Vida.

Quer dizer: longe de conseguirem me fazer mal, como pretendiam, esses lobistas só conseguiram é me fazer parar para apreciar um mundo que até então desconhecia.

(E imagino que, neste momento, esses sujeitos devem estar a se roer de ódio, porque são pessoas secas, horríveis por dentro, eis que pretendem sempre se dar bem, mesmo que à custa da miséria de milhões.)

Confesso ao leitor que não sei de onde me vem a capacidade de renascer das cinzas.

Enquanto todos permanecem caídos, sempre consigo me reerguer.

E de espada em punho – o que é melhor ou pior, sei lá...

Nos últimos meses, no entanto, travo uma batalha tremenda comigo mesma, eis que encontrei a paz, entre passarinhos e borboletas, mas sei que tenho de voltar à guerra, porque sei que é preciso que muitos outros possam, um dia, usufruir dessa mesmíssima paz.

É uma batalha terrível, porque é contra mim mesma – e não contra esses lobistas, que se imaginam tão poderosos.

Todos os dias, tenho de tentar me lembrar que existe um mundo ( e um universo) para além do meu pomar.

E que os pulgões, cochonilhas, ácaros, fungos e lagartas que agridem este meu paraíso são congêneres da miséria que infesta o cotidiano do meu povo.

O meu povo, que morre nas filas de hospitais imundos.

O meu povo, que ainda desconhece o próprio poder...

E é isso que me impele a retornar a este blog – não que eu queira; sinceramente, eu não quero.

Mas sei que tenho nessa luta, infelizmente, um papel importante.

A Perereca da Vizinha é um dos poucos blogs acreditados que consegue furar o bloqueio milionário da informação no estado do Pará.

Por ser lido em outros estados e até países – e, no mais das vezes, por formadores e replicadores de opinião.

Daí a impossibilidade de continuar, apenas, com o meu manjericão, e alecrim, e graviola, e cupuaçu.

E infelizmente, diga-se de passagem.

Aos coleguinhas, que nunca se conformaram com a fragorosa derrota de 2006, tenho a dizer apenas: vamos jogar a negra.

Novamente, vocês estarão sentados em milhões e milhões de propaganda e com um exército de duzentos ou trezentos jornalistas.

Eu, novamente, sem dinheiro, e sem nem mesmo aquele jornal forreca que era o Diário do Pará.

Mas, sinceramente, não tenho medo, porque preparei um mundo de surpresas para vocês...

Nesse tempo inteiro, enquanto regava as minhas plantas, dei asas a minha, como direi, enorrrrme imaginação...

Porque no momento em que a sociedade brasileira passa a limpo a sua História, em busca de evolução, em busca de equidade, os jornalistas não podemos nos considerar acima do bem e do mal.

Todos temos de prestar contas a essa sociedade  - inclusive os lobistas, que hoje se dizem jornalistas, por conta de um registro profissional ou de um diploma de comunicação.

E temos de prestar contas porque somos, em primeiro lugar, cidadãos.

Então, vamos para um novo round dessa guerra pela informação.

Mas não esperem que me repita com a “Fortuna”, o “Linha de Passe”, ou até mesmo o Skank.

Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”?

E vamos, quem sabe, jogar até com a interveniência de quem realmente deveria mandar nesse jogo: o povo.

Pra todos nós:


sábado, 27 de abril de 2013

Uma turma da pesada: sobrinho do governador Simão Jatene é sócio do empresário que seria mandante de assassinatos em Tomé-Açu, e que também seria sócio de empresário envolvido em fraude imobiliária em Alagoas. E mais: Eduardo Salles, o sobrinho de Jatene, e Carlos Vieira, que está foragido, também estão envolvidos em complicadas transações pela posse de terrenos, em Ananindeua e Rondon do Pará.


(Foto: blog Coisa Pública)



O empresário castanhalense Eduardo Salles, sobrinho do governador Simão Jatene, é sócio do também empresário Carlos Antonio Vieira, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, sob a acusação de encomendar um duplo assassinato em Tomé-Açu, município do Nordeste do Pará.

As vítimas, o madeireiro Luciano Capaccio e o advogado Jorge Guilherme de Araújo Pimentel, foram mortas a tiros por pistoleiros, no último dia 2 de março, quando jantavam em um restaurante, no centro daquela cidade.

Além de Carlos Antonio Vieira, também é acusado como mandante dos crimes o filho dele, Carlos Vinícius de Melo Vieira, prefeito de Tomé-Açu.

Até a tarde de hoje, ambos continuavam foragidos, apesar de rumores acerca da obtenção de habeas corpus.

Segundo a Junta Comercial do Pará (Jucepa), Carlos Antonio Vieira é sócio majoritário e administrador da Valle Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ: 12.429.651/0001-80).

A Valle Empreendimentos e a E Salles Construções (CNPJ: 14.057.335/0001-50), que pertence ao sobrinho do governador, são sócias na empresa Salles e Valle Empreendimentos Imobiliários, que executa o loteamento Salles Jardins, no município de Castanhal.

Informações divulgadas pela polícia, no mês passado, dão conta que os assassinatos de Capaccio e Pimentel foram motivados por disputas políticas e por denúncias sobre irregularidades em um empreendimento imobiliário de Carlos Antonio Vieira.

Porém, o blog ainda não sabe qual é o empreendimento – e a Valle executa vários loteamentos no Nordeste do Pará, por meio de parcerias com outras empresas, como essa que estabeleceu com o sobrinho de Jatene.

Na Valle também figura como sócio um cidadão chamado Moisés Carvalho Pereira, de Redenção.

Um empresário com esse mesmíssimo nome (Moisés Carvalho Pereira, também de Redenção) chegou a ter a prisão preventiva decretada, no ano passado, a pedido do Grupo de Combate a Organizações Criminosas do Ministério Público de Alagoas.

A acusação foi a de participar de uma fraude imobiliária naquele estado, através da compra, por R$ 700 mil, de um terreno que valeria mais de R$ 21 milhões.

Detalhe: o sobrinho de Jatene e Carlos Antonio Vieira também estão envolvidos em disputas judiciais pela posse de grandes áreas de terras,  aparentemente destinadas a empreendimentos imobiliários, e que teriam sido adquiridas de forma irregular.

Eduardo Salles, o sobrinho do governador, pagou R$ 1 milhão, em abril do ano passado, por um amplo terreno em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

A venda é contestada pela Asder, a associação dos funcionários do extinto Departamento de Estradas de Rodagens (DER), que afirma ser a verdadeira proprietária do imóvel e tenta anular a transação.

(Leia a reportagem da Perereca “Sobrinho de Jatene enriquece a olhos vistos e comanda o Nordeste do Pará”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/02/sobrinho-de-jatene-enriquece-olhos.html)

Já Carlos Antonio Vieira comprou por R$ 600 mil, em Rondon do Pará, um terreno que valeria R$ 50 milhões, quando loteado, segundo afirmam integrantes da Associação Agropecuária Rondonense, que ingressaram na Justiça contra a venda do imóvel.

(Veja a ação aqui: https://docs.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12U2VYZndmeDRMbUk/edit?usp=sharing).

Ambos os processos se encontram em grau de recurso, a desembargadores do TJE. 


Em três anos, capital da Valle subiu de R$ 250 mil para quase R$ 20 milhões. 


A Valle Empreendimentos Imobiliários Ltda, com endereço no quilômetro 11 da PA-140, em Tomé-Açu, foi registrada na Jucepa em agosto de 2010.

Os sócios eram apenas os empresários Manoel Vicente Pereira Neto e Carlos Antonio Vieira, que detinha 66% das quotas do capital social, que alcançava apenas R$ 250 mil.

Hoje, no entanto, a empresa ganhou mais dois sócios: Eduardo Carvalho Pereira e Moisés Carvalho Pereira, ambos de Redenção, no Sul do Pará.

E o capital social experimentou uma turbinagem impressionante: agora, menos de três anos depois, alcança quase R$ 19,9 milhões.

Mas Carlos Antonio Vieira permanece como sócio majoritário e administrador, com quotas superiores a R$ 9,3 milhões.

Um dos novos sócios da Valle Empreendimentos, o empresário Moisés Carvalho Pereira, também teria uma história complicada.

No Google, um empresário de Redenção com esse mesmíssimo nome figura como um grande exportador de mogno – e um dos maiores produtores de madeira ilegal do País.

Esse Moisés Carvalho Pereira da internet teria sido citado até em uma troca de emails flagrada pela operação Satiagraha, entre funcionários da fazenda Santa Bárbara e do grupo Opportunity, ambos do banqueiro Daniel Dantas.

E um empresário chamado Moisés Carvalho Pereira, de Redenção, diretor da Buriti Imóveis e dono da MSL Empreendimentos Imobiliários, chegou a ter a prisão preventiva decretada, em maio do ano passado, sob a acusação de participar da venda fraudulenta de um terreno, na cidade de Rio Largo, no estado de Alagoas.

A suposta quadrilha foi desbaratada pelo Grupo Especial de Combate a Organizações Criminosas do Ministério Público daquele estado. 

O golpe teria funcionado assim: após uma enchente, em 2010, a Prefeitura de Rio Largo desapropriou, por R$ 700 mil, uma área de 252 hectares, para a construção de casas populares. 

Um mês depois, a Prefeitura vendeu o terreno, pelos mesmíssimos R$ 700 mil, para uma empresa de Moisés Carvalho Pereira, que ficaria encarregada de construir essas habitações.

Tudo muito bem se a área em questão, equivalente a mais de 300 campos de futebol, não valesse, já naquela época, mais de R$ 21 milhões – ironicamente, em avaliação da própria Prefeitura, para a cobrança do IPTU.

O caso foi noticiado pelo blogueiro Hiroshi Bogea, do Sul do Pará: http://www.hiroshibogea.com.br/?p=16111 

E há mais informações em links de portais alagoanos, citados por Hiroshi.

Aqui: http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2012/05/18/188221/saiba-tudo-sobre-o-escandalo-que-abalou-o-poder-em-rio-largo 

Aqui: http://primeiraedicao.com.br/noticia/2012/05/16/gecoc-investiga-esquema-de-fraude-de-terras-em-rio-largo 

E aqui: http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/politica/2012/06/20/193407/rio-largo-justica-livra-de-prisao-vereadores-e-empresarios-foragidos 

E veja abaixo, nos quadrinhos (clique em cima, para ampliar), as certidões da Jucepa relativas à E Salles Construções, à Valle Empreendimentos e a Salles e Valle. 

Primeiro, a certidão simplificada da E Salles Construções, de Eduardo Salles:



Aqui, as primeiras cinco páginas da constituição societária da Salles e Valle Empreendimentos Imobiliários Ltda:












Aqui, as quatro páginas da constituição societária da Valle Empreendimentos Imobiliários Ltda:









E abaixo, recortes de uma certidão simplificada, com a situação atual da Valle Empreendimentos Imobiliários:







A Perereca vai tentar obter mais informações sobre a situação dos processos que envolvem a Asder e Eduardo Salles; e o empresário Carlos Antonio Vieira e a Associação Agropecuária Rondonense.

Também vai buscar informações sobre as investigações acerca dos assassinatos em Tomé-Açu.

Mas agradece desde já alguma ajuda dos leitores e entidades, já que não dispõe de muitos meios para uma investigação que, pelo visto, tem de ser bem mais ampla.

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