Sexta-feira, Novembro 06, 2009

MST(2)

Polícia desmente Faepa: não há
indícios de culpa do MST





O delegado do Interior, Miguel Cunha, afirmou ao blog que não existe qualquer relatório da Polícia Civil sobre a destruição da fazenda Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás, e que também não há indícios da participação do MST no episódio.


Miguel Cunha se encontra em Marabá e o blog conversou com ele por telefone, devido a uma nota da Assessoria de Comunicação da Faepa, na qual se afirma a existência de um “relatório preliminar” da Polícia Civil, que teria responsabilizado o MST por esses fatos.


“Não há relatório nenhum. O que existe é uma perícia do Renato Chaves, que esteve na fazenda e constatou os danos. Mas, isso não confirma a autoria. A perícia apenas comprova a materialidade do delito, ou seja, que o fato ocorreu. Agora, se o dano foi causado por A, B ou C só as investigações dirão”, afirmou Miguel Cunha.


Ele lembrou que mesmo as fotografias da destruição da fazenda ainda terão de ser periciadas e que ainda terão de ser colhidos muitos depoimentos, até que se chegue à verdade dos fatos. “As investigações é que vão dizer o que aconteceu” – reforçou – “É precipitado falar em A, B ou C”.


O inquérito policial está sendo realizado pelas delegacias de Conflitos Agrários, sediadas em Marabá e Redenção.


Mas, como Miguel Cunha responde pela polícia do interior, qualquer relatório sobre o caso teria de passar pelas suas mãos.


Há pouco, o blog também falou com o delegado adjunto de Polícia Civil, José Salles, e ele também disse desconhecer tal relatório. “”Não recebi esse documento. Não tomei conhecimento, não vi”, afiançou.


Miguel Cunha e o delegado geral de Polícia Civil, Raimundo Benassuly, estão em Marabá, junto com o comandante geral da Polícia Militar. O Governo também mandou para a área cerca de 200 soldados da PM.


Miguel Cunha informou que só como resultado dessa viagem é que será elaborado um relatório para o secretário de Segurança Pública, Geraldo Araújo.


Mas, esclareceu: nem nesse documento serão feitas acusações a quem quer que seja. “Só com a conclusão do inquérito é que serão apontados os responsáveis por isso, que podem ser do MST ou outro tipo de gente. Não se pode descartar nada e não dá para acusar ninguém sem provas”, disse.


O delegado do Interior esclareceu, ainda, que não existe qualquer pedido de prisão preventiva relacionado ao caso, contrariando boatos que corriam na tarde de hoje.


De acordo com a boataria, a Polícia já teria solicitado a prisão de uma liderança do MST, Charles Trocate, por envolvimento no caso.


Já o delegado adjunto de Polícia Civil, José Salles, diz que “não há como negar o envolvimento do MST” na destruição da fazenda.


Segundo Salles, integrantes do MST teriam concedido uma entrevista em que deixaram claro que foi alguém ligado a eles “que agiu sem controle”.


Mas admitiu, a uma pergunta do blog, que entre os danos, ou mesmo os indícios de um crime e a comprovação da autoria há uma longa investigação pelo caminho. No entanto, também observou: “Mas, os espíritos do além não fizeram aquilo”.


O blog tenta saber em que entrevista e para que veículo de comunicação o MST teria admitido essa “perda de controle”, que hoje era repetida por vários integrantes do governo.


Até porque o que havia de concreto, até agora, era a negativa do MST acerca de qualquer envolvimento no caso (leia o post anterior).


Nos bastidores


A polícia não diz, mas, o que está deixando o governo com o pé atrás em relação às fotografias de destruição da fazenda Maria Bonita é um vergonhoso episódio, ocorrido em abril deste ano, quando o MST foi acusado de manter jornalistas em cárcere privado e de usá-los como “escudos humanos”.


No caso dos “escudos humanos”, descobriu-se, pelo próprio depoimento de um dos jornalistas envolvidos, que tudo não passara de uma armação, possivelmente do Grupo Santa Bárbara, dono da fazenda Maria Bonita.


O grupo Santa Bárbara pertence ao ex-banqueiro Daniel Dantas, denunciado à Justiça por envolvimento em vários crimes pesados, entre eles, a lavagem de dinheiro.


A Maria Bonita também teria sido “grilada”, isso é, adquirida ilegalmente da família Mutran, que detinha o título de aforamento da área.


O documento dava aos Mutran o direito de explorar os castanhais existentes no terreno, mas, não o direito de vendê-lo, por se tratar de terra pública (leia o post abaixo).


Gente bem situada no governo desconfia do caso, também, por envolver ações aparentemente articuladas, que exigem um bom volume de dinheiro, e até por detalhes aparentemente insignificantes, mas, que deixam qualquer um embatucado.


“Como é que ninguém filmou nada no momento da destruição da fazenda? Será que não havia nem sequer um celular para captar as imagens? Por que é que só há fotografias dos fatos depois de terem ocorrido?”, pergunta um assessor do governo, lembrando que, na história dos “escudos humanos”, a fazenda mobilizou cinegrafistas e fotógrafos, para implicar o MST.


Além disso, ele chama a atenção para o fato de os invasores terem agido tão livremente. “A fazenda estava ocupada e não tinha um segurança lá? É muito estranho”, observa.


Não bastasse isso, fontes policiais garantem que todo final de semana funcionários do grupo Santa Bárbara acionam a delegacia de conflitos agrários de Marabá, sob a alegação de que estão em perigo. “Mas, quando o pessoal chega lá, não há nada”.


Por isso, o que se desconfia, também, é que o grupo está tentando forçar o governo a manter a polícia na fazenda, para usá-la como segurança da propriedade.


“Mas, para fazermos isso”, diz-me um policial, “teríamos de retirar todos os policiais da cidade e colocá-los só para cuidar da fazenda, que é enorme. Só para você ter uma idéia, só da porteira até a sede da fazenda são uns 25 quilômetros. E tirar a polícia da rua para cuidar de uma fazenda, você há de convir, simplesmente não tem cabimento”, observa a fonte.


Há também informações ainda não confirmadas de que as fotos da destruição distribuídas à imprensa talvez nem sejam da Maria Bonita – ou sejam não apenas dela, mas, também, de outra propriedade, a Rio Vermelho.


Outro problema é que hoje surgiram informações (que o blog ainda não conseguiu confirmar) de que, novamente, jornalistas da TV Liberal teriam sido transportados à sede da fazenda Maria Bonita numa aeronave pertencente ao grupo Santa Bárbara, do ex-banqueiro Daniel Dantas.


“Foi aquela aeronave que caiu com funcionários da fazenda dentro”, segreda uma fonte, “Por pouco, esses jornalistas não estavam, também, dentro dela”.


No entanto, o Governo também está com a pulga atrás da orelha em relação ao MST, devido à negativa pouco enfática da entidade em relação a esse caso. “O MST costuma agir rapidamente quando não tem nada a ver com alguma coisa. Mas, agora, eles negam o fato, mas, não dão detalhes”, diz-me um assessor.


Assim, não se afasta a hipótese nem mesmo de que “elementos infiltrados” no MST, a soldo do grupo Santa Bárbara, tenham realizado a destruição da fazenda.


Ou, ainda, que integrantes mais radicais do MST tenham, de fato, responsabilidade no episódio. “O MST está rachado. E tem uma ala que quer mesmo é o confronto com o Governo Federal”, conta a fonte.


E é por tudo isso que a própria governadora Ana Júlia Carepa, na coletiva que concedeu na manhã de hoje à imprensa,tratou de sapatear de catita.


“A Ana Júlia deixou claro que ainda não há indícios de participação do MST no episódio. Mas, também observou que cabe ao MST dizer se há ou não gente infiltrada no movimento, já que o próprio MST teria admitido que perdeu o controle sobre alguns de seus integrantes”, contou-me um jornalista.


Na coletiva, também foi fornecido à imprensa um dado inquietante: o Governo do Estado já ajuizou 80 ações para anular títulos falsos de propriedade de terra no Pará, mas, até o momento, apenas uma dessas ações chegou ao fim.


Somados, esses títulos perfazem cinco milhões de hectares. E um bom exemplo da morosidade processual é o caso de uma fazenda de 500 hectares que abrange até terras indígenas – quer dizer, até um leigo sabe que se trata de algo irregular.


Na coletiva, a governadora também foi bem clara ao afirmar que não vai tolerar abusos. Com terra, sem terra, grileiro ou não grileiro, com dinheiro ou sem dinheiro, disse ela, todos têm de respeitar a Lei.


Daí que a determinação é para que a polícia apure os fatos com rigor e peça a prisão de quem tiver de pedir.


No total, há mais de 100 pedidos de prisão, ainda não decretados, de pessoas envolvidas na disputa pela terra, no estado do Pará.


Há, entre esses, gente do MST, mas, também, grileiros e invasores de terras a soldo de madeireiros.


O governo também não perde de vista uma possível articulação de ações, não só para desgastar o MST, mas, novamente, para acusá-lo de descumprir mandados de reintegração de posse e, novamente, solicitar a intervenção federal no Pará.


“Por sorte”, diz-me um assessor, “tudo isso aconteceu justo quando íamos começar uma reintegração de posse em Barcarena. Do contrário, as manchetes dos jornais trariam, apenas, a invasão da fazenda”.


Faz muito bem o governo em ser cauteloso: essa é uma guerra que envolve muito dinheiro, muito poder e muitas paixões. Tanto assim, que parece cindir até mesmo as forças policiais e a imprensa.


Hoje, por exemplo, o portal das ORM noticiava a coletiva da governadora e dizia que ela havia informado inexistir confirmação de envolvimento do MST.


Mas, na chamada da matéria, o portal das ORM informava justamente o contrário: dizia que a governadora admitira indícios de envolvimento do MST.


Agora à noite, 16 empregados da fazenda Maria Bonita estão sendo ouvidos pela delegacia de conflitos agrários de Marabá.


É preciso, então, esperar para o céu clarear.


Amanhã ou domingo eu volto com mais informações.


Vou tentar ouvir o MST e amigos policiais que estão acompanhando o caso in loco.


FUUUUIIIIIIIII!!!!!!!

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

MST1

O MST debaixo de bala



Sei não, pode até ser que esteja enganada.

Mas, toda essa história de destruição de fazendas pelo MST, da forma como vem sendo noticiada pela imprensa, me parece muito, mas muito esquisita.


As fotos, é verdade, são impressionantes – e até parecem feitas justamente para isto: chocar.


Mas, entre a impressão que nos causam e a responsabilidade do MST há ENOOOORRRME distância.


O que mais chama a atenção, em primeiro lugar, é versão dos donos de terra.


Segundo eles, integrantes do MST “encapuzados” teriam invadido as fazendas, apenas, para aterrorizar: como que incorporados de algum capeta, desataram a destruir casas, tratores, plantações e até a ameaçar velhos, mulheres e crianças.


É estranho isso.


Porque o tipo de ação relatada lembra muito mais é o modus operandi dos donos de terra.


São esses senhores feudais, a “vanguarda do atraso” deste país, que costumam mandar invadir acampamentos de sem-terra e propriedades de pequenos agricultores, para destruir, torturar e matar.


São esses senhores feudais que mantêm milícias armadas, jagunços e pistoleiros, com a finalidade de aterrorizar gente indefesa – velhos, mulheres, crianças.


E isso não é novidade alguma: toda pessoa razoavelmente informada deste país e, especialmente, desta região, sabe de todo o horror protagonizado por esses “donos de terra”, muitos deles, em verdade, simples grileiros, simples bandidos de colarinho branco.


Não são poucos os mortos da luta pela terra – e, na maioria esmagadora dos casos, agricultores, religiosos, jornalistas, advogados, pessoas que se opuseram a essa pilantragem endinheirada.


Uns pilantras tão repugnantes que até escravos mantêm – e mais manteriam, não fosse a ação do Estado contra esse tipo de prática.


Nestes 30 anos de jornalismo, já ouvi declarações desses sujeitos de deixar a gente de cabelo em pé.


Muitos deles revoltados com as exigências da Justiça do Trabalho, porque consideram que podem tratar seus empregados pior do que bicho; pior que o gado que mantêm em suas fazendas.


Muitos deles a considerar que basta dar um prato de comida, de babugem, a esses trabalhadores, para que possam se tornar os melhores patrões do mundo.


Reconheço no MST enorme importância histórica: neste país dominado pelo latifúndio; nesta Amazônia cuja história foi escrita à bala, governo nenhum faz reforma agrária se não tiver um grupo organizado a pressioná-lo.


No entanto, já há alguns anos, divirjo dos métodos do MST – especialmente daquelas ocupações de prédios públicos e de agências bancárias.


E até dessa visão equivocada de achar que todo empregado mal remunerado da periferia das cidades pode retornar ao campo, depois de décadas, e se tornar um bom agricultor.


Mas, daí a transformar os integrantes do MST em simples bandidos e os donos de terra em “coitadinhos” vai enorme diferença.


Em boa parte dos casos, se a gente espremer a história desses “respeitáveis” senhores, vai é faltar detergente para limpar o sangue.


E o sangue – esse sim – de muita gente inocente.



II


Há sete meses, em abril deste ano, os grandes veículos de comunicação do país divulgaram amplamente uma farsa montada pelos donos de terra: aquela história vergonhosa da utilização de jornalistas como “escudos humanos”, pelo MST.


Na mesma época, a senadora Kátia Abreu, do DEM, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), pedia intervenção federal no Pará, sob a alegação de que o Governo do Estado não cumpre as reintegrações de posse determinadas pela Justiça.


E embora que muitas das “propriedades” defendidas como legítimas pela senadora – como é o caso de fazendas do banqueiro Daniel Dantas - tenham sido obtidas na base da grilagem de terras públicas – ou seja, caríssimo leitor, na base do roubo de um patrimônio que pertence, em verdade, a você, a mim, a todos nós.


Agora, há uma semana ou duas, a bancada ruralista conseguiu instalar uma CPI, no Congresso Nacional, para investigar o MST.


E, novamente por “mera coincidência”, o MST é colocado debaixo de bala, pela mídia e pelos donos de terra, com a divulgação de “fatos estarrecedores”: a “sanha” destruidora de fazendas e as ameaças a pessoas indefesas.


Por isso, fui aos arquivos do Quinta Emenda, do finado e inesquecível Juvêncio Arruda, para refrescar a memória coletiva:



Farsa Desmontada (24/04/2009 )


No
blog do Hiroshi Bogéa, sob o título Mentira tem perna curta.Miguel Cunha, Delegado de Polícia de Interior, acaba de ouvir o depoimento do repórter Victor Haor, da TV Liberal. Em essência, o rapaz desmente a versão de que os repórteres levados em uma aeronave do banqueiro Daniel Dantas para a fazenda Espírito Santo tenham sido usados como escudos pelos sem-terra, durante confronto a tiros com seguranças do Grupo Santa Bárbara.Outra versão desmantelada pelo repórter, a de que a mesma equipe tenha ficado em cárcere privado.Victor Haor disse que só entrou na aeronave depois de ter sido autorizado a cumprir a "pauta" pela Chefe de Reportagem da TV Liberal, Lene Andrade.----Desculpem, mas eu tinha que voltar antes do previsto.A confissão do repórter Victor Haor, da TV IVCezal, confirma as notícias que Hiroshi Bogéa antecipou às 10:00 da manhã de hoje.Haor e seus comparsas foram "escudos de Dantas".E em cárcere privado ficou quem acreditou na mídia dantesca.O episódio mostra que nem todo mundo voa neste país.Amanhã a gente se vê”.


E tem mais este post do Juvêncio Arruda:


Correndo o Mundo (25.04.2009)”


O poster conversou agora de manhã com o jornalista Hiroshi Bogéa, ainda impressionado com o depoimento do repórter Victor Haor que na tarde de ontem confessou ao Delegado de Polícia do Interior, Miguel Cunha, a farsa de que a equipe da TV IVCezal teria sido "escudo humano" do MST e sofrido "cárcere privado" dos sem terra. Haor disse que cumpria ordens.


Hiroshi, com mais de trinta anos de experiência na profissão, assistiu ao vídeo que mostra o conflito e não tem dúvidas: a confissão bate com as imagens.
A farsa é gravíssima, pois induz a opinião pública a formar conceitos que apóiam a grilagem no sul do estado e criminalizam os movimentos sociais, revelando a articulação subterrânea entre a mídia e o crime.

Ontem, a nota da CPT mostrou outra articulação entre os advogados de Dantas e o crime, quando a defesa do banqueiro driblou o TJ.

A edição de hoje do IVCezal nada fala sobre a confissão do repórter. O Diário do Pará idem. Os dois jornais lêem blogs, surrupiam quase que diariamente as postagens sem dar-lhes crédito, e escondem sem o menor pudonor as peripécias em que se envolvem ou criam de forma deliberada, como no caso da fraude contra o IVC, até hoje silenciada pelo Liberal.

A armação correu o mundo. Até o Instituto Prensa y Sociedad, entidade com sede em Lima, foi vítima da farsa e emitiu um alerta mundial sobre os agora desmentidos "cárcere privado" e "escudo humano".

Agora quem vai correr o mundo é a verdade.


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Não pude aferir as informações do Público. Até o momento, a edição de hoje não chegou na maior banca da capital, a do Alvino, na praça da República".



No mesmo dia 24 de abril, Juvêncio também publicou nota da CPT que ainda hoje é de uma atualidade impressionante. Leia:


CPT Acusa Dantas de Enganar TJ

Nota da CPT emitida hoje de manhã.

A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A enganou o Tribunal de Justiça do Estado do Pará para conseguir uma liminar de reintegração de posse da Fazenda Espírito Santo, localizada nos Municípios de Xinguara e Sapucaia.

A empresa agiu de má-fé ao ingressar com a Ação Judicial na Vara Agrária de Marabá, sendo que o imóvel localiza-se na área de jurisdição da Vara Agrária de Redenção, onde já tramitam duas ações judiciais referentes à Fazenda Espírito Santo: um interdito proibitório, com audiência marcada para o dia 22.06.09 e uma Ação Civil Pública proposta pelo ITERPA, na qual o juiz ordenou o bloqueio das matriculas do imóvel, por suspeita de grilagem. A manobra da Agropecuária Santa Bárbara é ainda mais gritante se considerarmos que a Ação foi proposta durante a ausência da Juíza titular da Vara Agrária de Marabá, tendo sido imediatamente concedida a liminar pela Magistrada de plantão.

Na segunda feira subseqüente, na volta da Juíza Titular, a mesma revogou a liminar e marcou audiência para ouvir a parte autora. A Empresa recorreu para Belém e maliciosamente induziu o Tribunal a erro, declarando que o imóvel dista apenas 105 KM de Marabá, quando na verdade fica a mais de 170 KM.

Assim, o Tribunal de justiça concedeu a liminar, acreditando localizar-se o imóvel no Município de Marabá.Certamente a Agropecuária Santa Bárbara não impetrou a Ação na Vara Agrária de Redenção como prevê a lei, temendo uma decisão negativa, considerando que o Juiz daquela Vara já havia determinado o bloqueio da matrícula da Fazenda Espírito Santo por entender que se trata de terra pública, patrimônio do Estado do Pará.

Não é a primeira vez que fazendeiros da região usam desse estratagema criminoso para obter proveito da justiça. O grupo Quagliato, proprietário da Fazenda Rio Vermelho, próxima à Fazenda Espírito Santo, também usou desse artifício em 2006, ao requerer na Vara Agrária a concessão de liminar alegando que o imóvel encontrava-se ocupado pela MST. A liminar foi deferida e as famílias foram despejadas de outra área, distante mais de 20KM da Fazenda Rio Vermelho.
Mais tarde os advogados dos trabalhadores conseguiram provar que o local do acampamento era terra pública, ilegalmente apropriada pelo grupo Quagliato. A liminar foi suspensa e os agricultores voltaram e continuam acampados no local aguardando serem assentados pelo INCRA.

No caso da Fazenda Espírito Santo, os advogados dos trabalhadores vão ingressar com as medidas legais na Vara Agrária e no Tribunal de Justiça contra a Agropecuária Santa Bárbara. É importante deixar claro que NÃO EXISTE LIMINAR A SER CUMPRIDA NA FAZENDA ESPÍRITO SANTO, e as famílias de lá não vão sair sem ordem judicial.

O que existe é uma liminar, conseguida de forma fraudulenta, para ser cumprida em uma fazenda localizada a 105 km de Marabá, sob jurisdição da Vara Agrária de Marabá, que não se trata da Fazenda Espírito Santo que é situada no Município de Xinguara, sob jurisdição da Vara Agrária de Redenção".



Por fim, deixo aos leitores, duas notícias publicadas, hoje, sobre o episódio mais recente: as fotografias, que, a exemplo do tal escudo humano de jornalistas que não houve, também correm o país.

A primeira é da agência Adital; a segunda, do MST


Eis a da Adital:


Luta pela terra na Amazônia: uma vez mais impera parcialidade da mídia



Desde ontem a mídia local e os veículos grandalhões, como ironizava o jornalista Sérgio de Souza, sentam a pua no MST do Pará. A parcialidade sobre a cobertura envolvendo a luta pela terra na Amazônia não é invenção desses dias. Vem de velha data, onde a omissão ou ignorância sobre a complexidade da questão serve de moldura.

A refrega envolve o movimento e o tentáculo rural do banqueiro baiano Daniel Dantas, a Agropecuária Santa Bárbara, e uma outra propriedade de tradicional família paulista, os Quagliato.

No caso de Dantas, condenado e indiciado por vários crimes no mercado financeiro, a propriedade é a fazenda Maria Bonita, localizada no município de Eldorado do Carajás, na mesma rodovia do Massacre, a PA 150. A fazenda encontra-se ocupada desde a metade de 2008.

A propriedade foi negociada pela família Mutran, que conforme o estado não poderia ter realizado a comercialização, por se tratar de terras de aforamento. Ou seja, a família tinha o direito de exploração extrativa da castanha, quando ali uma floresta existiu. Por tanto, se trata de terras públicas, que estavam disponíveis para posse apenas para explorar castanhas, árvores que há muito foram derrubadas na área (sem que ninguém tenha denunciado, apesar de ser proibido por lei!)

É a ilegalidade que conforma a maioria das propriedades rurais na Amazônia, em particular no Pará. No primeiro semestre do ano o Ministério Público Federal (MPF) anunciou que 6.102 títulos de terra registrados nos cartórios estaduais são irregulares.

Somados, os papéis representam mais de 110 milhões de hectares, quase um Pará a mais, em áreas possivelmente griladas. Os dados resultam de três anos de pesquisa dos órgãos ligados à questão fundiária no estado, através da Comissão Permanente de Monitoramento, Estudo e Assessoramento das Questões Ligadas à Grilagem (Tribunal de Justiça, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Advocacia Geral da União, Ordem dos Advogados do Brasil, Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos Comissão Pastoral da Terra e a Federação da Agricultura do Estado do Pará). O documento foi apresentado no dia 30 de abril no auditório do MPF em Belém.

Desde 2006 o MST ocupa a fazenda Rio Vermelho, no município de Sapucaia, sudeste do Pará. O Grupo Quagliato, dono da Empresa Agropecuária QUAMASA- Quagliato da Amazônia Agropecuária S/A, detinha três fazendas na região, e era dona da Usina São Luiz S/A. Em Ourinhos, São Paulo, o Quagliato, processava açúcar e álcool

Em junho de 2009 o MPF e o IBAMA anunciaram multas robustas contra fazendeiros e frigoríficos por animarem a devastação na Amazônia. A maior indenização refere-se ao caso da fazenda Rio Vermelho, da família Quagliato, em Sapucaia, que pode ter que pagar mais de R$ 375 milhões. O mesmo caso vale a outra fazenda de Daniel Dantas, no município de Xinguara, a Espírito Santo, que deve pagar multa de R$ 142 milhões. Além de crime ambiental a fazenda registrou a prática de trabalho escravo.

Tudo isso, se aplicado a Constituição constitui condição de não cumprimento da função social e por tanto deveria ser desapropriada pelo estado”.


E aqui está a notícia do site do MST (
http://www.mst.org.br/ ):


"Sem Terra continuam jornada de lutas no Pará


O MST do Pará continua a jornada de lutas contra a lentidão do processo de Reforma Agrária, pelo assentamento das 2 mil famílias acampadas no estado e por obras de infra-estrutura nos assentamentos antigos.

Os protestos denunciam o uso de milícias armadas pelo latifúndio e defende a agilização da retomada de terras griladas. "A retomada das terras griladas está parada e os latifundiários estão utilizando milícias armadas para intimidar as famílias Sem Terra", denuncia integrante da coordenação nacional do MST, Maria Raimunda César.

Nesta quinta-feira (5/11), mais de mil famílias chegaram ao acampamento na Curva do S, palco do Massacre de Eldorado dos Carajás. Os Sem Terra devem permanecer até dia 13 de novembro no local, quando terminarem as negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Cerca de 400 Sem Terra fizeram um protesto na estrada que liga os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás para cobrar a retomada de áreas griladas na região.

No município de Tucuruí, cerca de 70 famílias ocupam o Incra em protesto contra a invasão de um assentamento por madeireiros, que estão fazendo o corte de madeira. No começo do ano, o Incra desapropriou a fazenda Piratininga, no município de Tucuruí, que seria organizado no modelo extrativista. Em vez de lotes, as 120 famílias morariam em uma agrovila e trabalhariam de forma coletiva nas terras, por meio de técnicas ecológicas. As terras do assentamento foram invadidas por jagunços armados, a mando de madeireiros, que estão fazendo o corte da madeira e a devastação das terras.

“Estamos cobrando uma atitude das autoridades diante da violência dos madeireiros. As famílias do MST foram obrigadas a sair do assentamento porque não tinham tranqüilidade para trabalhar e para impedir que a culpa do desmatamento recaísse sobre o nosso movimento”, denuncia a integrante da coordenação nacional do MST Maria Raimunda.

No município de Sapucaia, cerca de 250 famílias fizeram um ato na sede da fazenda Rio Vermelho, que tem parte ocupada desde 2006. O Incra fez a vistoria da área no ano passado e concluiu que a terra é da União. Os Sem Terra reivindicam a devolução da área. No momento, as famílias se encontram na beira da estrada e esperam que as autoridades responsáveis agilizem a retomada da terra.

Sobre acusações


O MST do Pará nega as acusações de depredação de duas fazendas ocupadas pelo Movimento nesta quarta-feira (4/11). “Fizemos protestos pacíficos para cobrar a retomada das áreas griladas. Não houve destruição nem depredação. Os latifundiários querem estigmatizar os nossos protestos como violentos para impedir as lutas sociais e manter suas terras griladas”, esclarece Maria Raimunda.


Em relação às fotos divulgadas, a dirigente do MST questiona a autenticidade. “Não há nenhuma garantia de que as famílias do nosso movimento foram responsáveis pelo que está nas fotos nem que foram tiradas depois dos nossos protestos”.

Foi realizado um ato pacífico na sede da Fazenda Maria Bonita (Eldorado dos Carajás), do grupo Santa Bárbara, de propriedade do banqueiro Daniel Dantas. Essa fazenda está ocupada desde julho de 2008 por 450 famílias que cobram a retomada da área que, de acordo com estudo do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), é grilada. Depois do ato, as famílias fizeram um protesto na rodovia PA-150.

Na semana passada, quatro pessoas foram sequestradas por milícias armadas financiadas por latifundiários e pelo agronegócio. Nos últimos meses, mais de 18 trabalhadores foram baleados por ações desses grupos. "Essas milícias são clandestinas e atuam no sentido de combater os movimentos sociais do campo e perseguir os trabalhadores acampados”, explica.


Para quem quiser conferir as postagens do Quinta citadas pela Perereca, o link está aqui
http://quintaemenda.blogspot.com/2009_04_01_archive.html

belomonte





Índios bloqueiam balsa e prometem
“ação guerreira” contra Belo Monte



Índios de 15 etnias do Xingu estão em pé de guerra contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte.



Em carta endereçada ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, eles exigem o cancelamento da hidrelétrica.



E ameaçam: caso não sejam atendidos, realizarão uma “ação guerreira” que colocará em risco as vidas de operários e indígenas “e o governo brasileiro será responsabilizado”.



Desde a noite do último 3, os índios também bloquearam “por tempo indeterminado” o acesso a uma balsa que liga municípios do Pará e Mato Grosso, e que é usada diariamente por cerca de 60 caminhões, especialmente no transporte de gado.



Carta e bloqueio nasceram de uma assembléia na Aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, para discutir o projeto da Hidrelétrica de Belo Monte.



O encontro durou seis dias e reuniu 284 indígenas de 15 etnias, sob a liderança dos Kayapós.



Segundo informações encaminhadas ao blog, a reunião foi motivada pelo fato de o projeto estar sendo levado adiante sem nenhum diálogo com as comunidades indígenas.



Também pesou na balança a recente declaração do ministro Édson Lobão, das Minas e Energia, que disse haver "forças demoníacas" contrárias aos projetos hidrelétricos.



Por fim, um parecer da Funai a favor de Belo Monte aumentou a revolta entre os índios.



Encerrado no último dia 3, o encontro foi organizado pelo cacique Raoni Metuktire e pelo Instituto Raoni, com o apoio de várias entidades: Associação Floresta Protegida, Conservação Internacional (CI), Instituto Socioambiental (ISA), IR e Greenpeace.




Mobilização na Ressaca





De hoje até o dia 7, seis representantes dessas etnias também participarão do II Encontro dos Povos da Volta Grande do Rio Xingu, que acontecerá na vila Ressaca, a duas horas de Altamira.



Além de povos indígenas, a mobilização reunirá ribeirinhos, populações que vivem do extrativismo, ONGs, agricultores e movimentos sociais, para debater os impactos da hidrelétrica.



O encontro é promovido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre.



Também estarão presentes representantes do Ministério Público, advogados, pesquisadores, integrantes do Instituto Socioambiental (ISA), FASE – Solidariedade e Educação, Fundação Viver Produzir e Preservar (FVPP) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).




A Carta




Na carta, os índios que participaram da assembléia na Aldeia Piaraçu dizem que não aceitam a construção de Belo Monte e nem de qualquer hidrelétrica na bacia do rio Xingu.



Repudiam o parecer da Funai, favorável à usina. E lembram que o relatório dos especialistas que analisaram o EIA/RIMA da obra “deixa evidente a inviabilidade econômica, ambiental e social desse empreendimento”.



Dizem que não é verdadeira a afirmação da Funai de que teriam participado ativamente das audiências públicas, para debater o projeto.



“Protestamos contra a falta de diálogo dos órgãos do governo com as nossas populações, que não têm recebido a mínima atenção e as informações a que têm direito durante todo o processo de licenciamento desta obra. Apesar de o governo ter anunciado que esta obra está prestes a ser licenciada, nossas comunidades, assim como as comunidades ribeirinhas da bacia do rio Xingu, não tiveram acesso ao estudo e ao relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA), para que pudéssemos avaliá-los de forma adequada, e nem mesmo às consultas públicas feitas durante o mês de setembro, nas cidades de Brasil Novo, Vitória do Xingu, Altamira e Belém”, diz um trecho do documento.



Segundo eles, a condução do processo de licenciamento de Belo Monte viola a determinação constitucional de consulta prévia às comunidades indígenas afetadas.



E acrescentam: “Nós nunca impedimos o desenvolvimento sustentável do homem branco, mas não aceitamos que o governo tome uma decisão de tamanha irresponsabilidade e que trará conseqüências irreversíveis para a região e os nossos povos, desrespeitando profundamente os habitantes ancestrais deste rio e o modelo de desenvolvimento que defendemos”.



Exigem o cancelamento definitivo da hidrelétrica e ameaçam: “Caso o governo decida iniciar as obras de construção de Belo Monte, alertamos que haverá uma ação guerreira por parte dos povos indígenas do Xingu. A vida dos operários e indígenas estará em risco e o governo brasileiro será responsabilizado”.



Finalizam dizendo que, em protesto à violação de seus direitos, decidiram bloquear "por tempo indeterminado o funcionamento da balsa que efetua a travessia do rio Xingu na rodovia BR 080/MT 322, que comunica a região da rodovia Belém-Brasília à região da rodovia Cuiabá-Santarém”.



Cópias da carta estão sendo encaminhadas, também, aos ministros das Minas e Energia, Meio Ambiente e Justiça; aos presidentes da Funai e do Ibama; e ao procurador da República Rodrigo da Costa e Silva.



A íntegra do documento está aqui


http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Carta_Piaracu_Belo_Monte_nov09.pdf




Pressão internacional




Os protestos contra Belo Monte já cruzaram as fronteiras brasileiras.



Na última segunda-feira, por exemplo, a construção da usina foi debatida na audiência pública realizada em Washington (EUA), pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a pedido de 40 organizações ambientalistas, nacionais e internacionais, para analisar os impactos das grandes barragens em toda a América Latina.



Representantes de comunidades afetadas apresentaram a CIDH o relatório "Grandes Barragens na América", elaborado pela Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA), junto com várias entidades.



A estimativa é que hum milhão de pessoas já tenham sido afetadas por tais obras, em todo o continente. Outras trezentas barragens projetadas para a América Latina afetarão milhares de pessoas, além de destruir ecossistemas, entre outros impactos ambientais.


carajás

Plebiscito do estado de
Carajás mobiliza sul do Pará



Lideranças do sul do Pará preparam ampla mobilização para pressionar o Congresso Nacional a aprovar o projeto de decreto legislativo que estabelece a realização de plebiscito para a criação do estado de Carajás.


O deputado federal Giovanni Queiroz (PDT) considera inadiável a votação da proposta, “pois só assim teremos um instrumento que efetive a presença do Estado na região, que por suas dimensões continentais e ocupação irregular gerou problemas sociais, econômicos e de segurança nacional”.

O projeto está pronto para ser incluído em pauta, para votação pelo plenário do Senado. Se aprovado, seguirá, então, para a Câmara dos Deputados.
Giovanni acredita que, até o final deste ano, “teremos boas novidades nesse projeto”.

A informação consta do último boletim do deputado, cuja íntegra pode ser acessada aqui http://blogdogiovanniqueiroz.blogspot.com/

pensão

Duciomar cortou pensão de Verequete



No blog da Articulação Bancária, uma denúncia escabrosa: a de que o prefeito de Belém, Duciomar Costa, cortou a pensão concedida ao Mestre Verequete na gestão de Edmilson Rodrigues.


A denúncia é de seu Curica, que tocou com o Mestre durante várias décadas.


“Esse prefeito de Belém, esse atual, foi muito ruim pra cultura paraense e pro Verequete. Ele tirou todo o ordenado que o Verequete teve na época do prefeito Edmilson. O Verequete enfrentou muitos aperreios, passou muita necessidade”, disse Curica, na entrevista que concedeu ao Articulação, durante o velório de Verequete, no Teatro da Paz.

A íntegra da matéria está aqui: www.artebancaria.blogspot.com

Ufopa



Ufopa será sancionada nesta quinta-feira



É um dia histórico para o Oeste do Pará e a Amazônia como um todo: hoje (05/11), às 17 horas, será sancionado o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A solenidade acontecerá no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.



“Esta será a primeira universidade federal com sede em um município do interior da Amazônia", comemora o senador Flexa Ribeiro, que foi o relator do projeto no Senado Federal. O tucano destaca a importância da Ufopa para a ampliação da pesquisa na região norte.



"Apenas 75 cursos de pós-graduação, dos 2.850 existentes, estão na Região Norte. Isso precisa ser equilibrado. Apenas cerca de mil doutores atuam na região, enquanto mais de 30 mil atuam no Sudeste. Existem apenas dois cursos de doutorado em Botânica na Região Norte, uma área que é de interesse estratégico para a região. Grande parte das pesquisas sobre a Amazônia é produzida por pesquisadores estrangeiros. A Ufopa é um passo, da longa caminhada que temos pela frente, para mudarmos essa realidade", afirma.



A Ufopa oferecerá oportunidade para ingresso de milhares de jovens no ensino superior, beneficiando diretamente 18 municípios do Oeste do Pará. O investimento, para criação e implantação, é R$124 milhões de reais. Inicialmente, serão mais de duas mil vagas, em 50 cursos. Mas, até o final de 2012, deverá atender cerca de dez mil alunos, em cursos de graduação, pós-graduação e mestrado.



O edital do concurso para contratação de pessoal será divulgado na semana que vem e as provas para a seleção devem ocorrer no final de janeiro de 2010.




(Fonte: Ascom/Flexa Ribeiro, com alterações do blog)


Terça-feira, Novembro 03, 2009

Verequete


Do portal das ORM:




Mestre Verequete morre
após seis dias de internação



Após seis dias de internação, o músico Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, morreu na tarde desta terça-feira (03), no Hospital Barros Barreto. Verequete não resistiu ao quadro de pneumonia e infecção respiratória. Ele estava no Centro de Terapia Intensiva (CTI) desde domingo (01) e respirava com a ajuda de aparelhos. O músico estava com 93 anos.


Em entrevista ao Portal ORM na manhã desta terça-feira (03), a filha caçula do cantor, Lucimar Rodrigues, disse que a família estava emocionalmente abalada, mas que aguardava a reação dele aos medicamentos. 'Está muito difícil. A pneumonia é grave e esperamos que os antibióticos façam efeito. Os médicos dizem que não há aceitação do organismo dele aos remédios', lamentou Lucimar.
História - Uma jovem chamou Augusto Gomes para conhecer um batuque no bairro da Pedreira. Em meio à roda, o pai de santo cantou 'Chama Verequete' e a partir daí Augusto decidiu trocar de nome e então surgiu o Mestre Verequete.

Mas se engana quem pensa que foi apenas aí que o carimbó começou a fazer parte da sua vida. Aos três anos de idade, no mesmo ano em que sua mãe morreu, Verequete se mudou com seu pai, Antônio José Rodrigues, para o município de Ourém, desenvolveu os primeiros passos do ritmo que no futuro seria mestre: o carimbó.

Mestre Verequete nasceu no município de Quatipuru, na região bragantina, nordeste do Pará, e com esse apelido acabou ganhando fama e respeito, sendo cosiderado o 'rei dos tambores', um pícone da cultura regional. Ao longo da carreira, gravou dez discos e quatro CDs. Uma produção que lhe rendeu o Prêmio Mestre Humberto Maracanã, do Ministério da Cultura.

O 'Rei do Carimbó' teve sua história contada no filme 'Chama Verequete', nome de uma de suas músicas mais conhecidas. A produção foi a vencedora do Kikito de Ouro na categoria curta metragem no Festival de Gramado, um dos mais reconhecidos festivais de cinema do país. Em Brasília, Verequete recebeu do governo federal o título de Comendador da República.



Comentário do blog:

Em várias ocasiões prestei aqui homenagem ao Mestre Verequete e ao carimbó.

E, não faz muito tempo, tive a felicidade de assistir a um show, pelo aniversário do Mestre, no teatro da Estação Gasômetro.


Foi uma das raras ocasiões em que saí de casa, para ir a um espetáculo.

Levei minha filha, que ficou fascinada pela beleza de Verequete.


E eu fiquei toda orgulhosa da minha melhor criação...


Hoje, a notícia de que Verequete morreu me entristeceu profundamente.


Sou fã de carteirinha de seu universo mágico, traduzido em carimbó.


Sou uma papa-chibé apaixonada por tudo de belo que Deus colocou pra gente – só pra gente!... – neste extraordinário país chamado Pará.


Num post abaixo, escrevi uma crônica sobre esse orgulho danado que sentimos - nós, os paraenses.


Mas, penso que cometi enorme falha ao não mencionar essa riqueza que é o carimbó, e os seus grandes representantes: Verequete, Pinduca, Mestre Lucindo, Mestre Cupijó.


Vou deixar pra vocês o documentário "Chama Verequete", que achei no youtube, no canal do Acauã Pyata (http://www.youtube.com/user/AcauaPyata#p/f ).


Vou rezar pela alma do Mestre - e não que ele precise.

O céu ganhou mais uma poderosa estrela.

Égua do ano, este!...


FUUUUIIIIIIII!!!!










Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Diploma

A corporação dos jornalistas
e a liberdade de informação





Gostaria de iniciar este post parabenizando o deputado federal Zenaldo Coutinho, pela coragem e pelo compromisso que demonstra com a sociedade brasileira.


Em muitas ocasiões, desde que conheci Zenaldo – e isso já tem uns 30 anos - estivemos em lados opostos.


Mas, tenho de reconhecer, trata-se de um cidadão admirável.


Zenaldo teve a coragem de apresentar voto contrário à PEC que pretende ressuscitar a obrigatoriedade de diploma específico de jornalista.


E o fez apesar de saber, certamente, que estava a mexer num vespeiro; que estava a mexer com uma categoria intolerante, vingativa e que só tem olhos para o próprio umbigo.


Confesso que eu mesma, apesar de jornalista, tenho tentado me manter afastada dessa discussão, já que conheço muitíssimo bem os “coleguinhas”.


Os “coleguinhas” que buscam satanizar todo cidadão que se oponha a essa tentativa de impor à sociedade um lamentável atraso democrático.


Mas, como naquela música extraordinária dos Rappa, penso que paz sem voz... não é paz: é medo!


Por isso, quero deixar aqui, novamente, a minha opinião sobre esse assunto.


Já tenho o meu registro profissional. Quer dizer: mesmo que ressuscitem a obrigatoriedade do diploma, terei garantido o direito de exercer essa profissão, como já faço há 30 anos, aliás.


Acredito, no entanto, que essa questão ultrapassa o simples interesse individual. Sempre pensei assim. E, muitas vezes, escrevi sobre isso.


Não concordo, nunca concordei e jamais concordarei com a exigência do diploma específico de jornalista.


Porque é uma aberração à luz da liberdade de expressão, à luz da liberdade de informação, à luz da Democracia.


Ninguém pode condicionar a liberdade de informar e de expressar opiniões a um simples diploma, ou a um simples registro profissional – e é disso, sim, que se está a falar.


Pela lei anterior, enterrada pelo Supremo, todo e qualquer jornal – mesmo de lá da Passagem Fé em Deus ou do Sindicato dos Garis – tinha de ser, obrigatoriamente, escrito e editado por um jornalista com registro profissional.


E se isso não é obstar as liberdades de expressão e de informação, então eu não sei o que é obstar as liberdades de expressão e de informação.


Ora, se o sujeito, para editar, fazer circular um jornalzinho – da escola, do bairro, do sindicato, do clube de mães – tem de contratar um profissional registrado, qual a liberdade de expressão e de informação que possui?


E se o cidadão ou a entidade civil não puder pagar - vejam só! - pelo DIREITO de informar? Aí, não pode nem se expressar, nem informar, é?


Quer dizer, então, que os interesses de alguns milhares de jornalistas são superiores aos direitos e interesses do conjunto da sociedade brasileira?


Sei que os “coleguinhas” dirão que não é bem assim; que só se preocupam é com a fiscalização das grandes empresas. Mas isso, sabemos todos, é papo-furado.


Há dois ou três anos, se não estou enganada, a corporação dos jornalistas tentou investir contra a liberdade de informação até na internet; tentou estender a obrigatoriedade de diploma e registro profissional até para os sites jornalísticos.


E só não teve êxito porque o presidente Lula teve a coragem de vetar tamanho absurdo.


E se a “catiguria” vem agora com esse ar de “coitadinha”, é porque, na verdade, está acuada.


Porque perdeu, lá no Supremo Tribunal Federal (STF), a guerra que travava, há 40 anos, por um monopólio insustentável em qualquer regime democrático.


(Aliás, essa PEC do diploma só é possível mesmo no Brasil, onde todo mundo acha que pode encafuar na Constituição até o limite da conta do quitandeiro da esquina!)


O Supremo Tribunal Federal, a maior Corte de Justiça deste país, já AFIRMOU que essa exigência é INCONSTITUCIONAL, e por agredir cláusulas pétreas, que não podem ser mudadas, que não pode ser mexidas, como é o caso da liberdade de informação, e da liberdade de exercício profissional.


E, no entanto, os jornalistas insistem nisso, como a imaginar que podem atropelar até mesmo a Constituição, para defender seus interesses corporativos.


É um raciocínio vergonhoso: se a lei não me beneficia em primeiro lugar, se não garante o meu pirão primeiro, então, que se mude a lei!


E vejam que essa decisão do Supremo foi por maioria esmagadora – só um ministro, Marco Aurélio Mello, opôs-se ao pensamento de seus pares.


E opôs-se de forma até risível, a parecer que estava simplesmente a jogar para platéia, uma vez que a questão já havia sido definida.


Se bem me lembro – e com o devido respeito ao meritíssimo – o ministro Marco Aurélio não conseguiu produzir UM argumento válido a favor da obrigatoriedade do diploma de jornalista.


Na verdade, deixou-se ficar por um espantoso “apelo à piedade” – como se dissesse: “ah, coitadinhos, estudaram tanto e agora vão ficar sem reserva de mercado!...”


Sei que os “coleguinhas” vão dizer que defendem o diploma porque contribui para “melhorar a qualidade da informação”, ou para garantir “o comportamento ético” dos jornalistas.


Mas, novamente, isso é papo-furado!


Só quem não pensa, ou faz de conta que não pensa, é que estabelece essa relação causal, essa relação de necessidade, entre ética e conhecimento.


Houvesse tal relação, não existiriam tantos “doutores” pilantras, safados, ladrões – e o seu José e a dona Maria, que muitas vezes não têm nem o certificado de primeiro grau, seriam os verdadeiros bandidos deste país.


Mas, não é isso que acontece; não é essa a realidade, pois não?


De igual forma, não me venham dizer que o diploma de jornalismo melhora per si a qualidade da informação.


Fosse assim, a qualidade de toda e qualquer reportagem produzida por um desses meninos e meninas diplomados, seria muitíssimo superior à qualidade de toda e qualquer reportagem produzida por um “sem-diploma”.


Mas, não é isso que acontece, pois não?


Então, os argumentos dos jornalistas a favor do diploma específico simplesmente não se sustentam. Porque são falácias. Porque são manobras para ocultar o xis da questão.


E o xis da questão é a defesa de um monopólio, de uma reserva de mercado, que não deve e nem pode prevalecer – porque contrária à Democracia, a liberdades essenciais a todo cidadão.


A defesa do diploma de jornalismo nada tem a ver com “interesses sociais maiores”. Nada tem a ver com essa imagem romântica dos paladinos da “informação ética e de qualidade”.


Se os jornalistas tivessem, de fato, compromisso com a informação, com a qualidade e a ética do Jornalismo; se a Fenaj e os sindicatos da “catiguria” demonstrassem tanto empenho na defesa dos interesses da sociedade, como demonstram em relação ao diploma, certamente que não teríamos, hoje, nas redações de todo o País, essa censura vergonhosa e essa compra e venda da informação.


Teríamos uma categoria unida, e maciçamente unida, na luta contra a censura e em defesa da democratização dos meios de comunicação. Uma categoria que veria os veículos de comunicação como aquilo que efetivamente são: prestadores de um serviço público, essencial.


Teríamos uma categoria unida em torno da necessidade de criação de conselhos editoriais de verdade, que não fossem integrados, apenas, pelos compadres dos patrões. Mas, conselhos editoriais que representassem, de fato, a sociedade.


Ao contrário de muitos coleguinhas, vejo é com otimismo o fim da obrigatoriedade do diploma específico.


Até agora, passados quatro meses da decisão do STF, ainda não vi aquele “apocalipse da depreciação do mercado”, que a Fenaj e os sindicatos apregoavam.


Pelo contrário: vi um anúncio em que a Abril buscava estagiários para seus veículos de comunicação, com talento natural para o Jornalismo, é verdade. Mas, desde que possuidores de curso superior, em qualquer área do conhecimento.


Quer dizer: o fim da obrigatoriedade de diploma específico não fez com que as grandes empresas de comunicação desatassem a contratar cozinheiros para escrever jornal, como previam a Fenaj e os sindicatos.


Mesmo aqui em Belém, não me consta que os jornais tenham rebaixado as exigências escolares, para a contratação de jornalistas.


E nem que, por causa da “queda” do diploma, tenham tentado depreciar os salários – coisa, aliás, quase impossível, com a merreca que é paga nas redações...


Além disso, não é o diploma ou a falta dele que deprecia os salários da categoria, ou ocasiona as péssimas condições de trabalho das redações.


Mesmo nas redações dos jornalões em que a quase totalidade dos jornalistas possui formação específica e registro profissional, salários e condições de trabalho são simplesmente lamentáveis.


Porque o que está por trás disso, em verdade, é a desunião da categoria e essa enorme quantidade de caça-níqueis travestidos de cursos de Comunicação que, a cada ano, vomitam no mercado essa massa de trabalhadores desqualificados.


E não, como apregoam a Fenaj e os sindicatos, os sem-diploma – que, aliás, depois de 40 anos de curso de Comunicação são pouquíssimos e, aliás, muito bem remunerados.


Tivéssemos jornalistas realmente politizados e, até por isso, unidos, certamente que não teríamos nem essa merreca que chamam de salário, nem essas vergonhosas condições de trabalho, nem essa censura tremenda nas nossas redações.


Mas aí, com jornalistas politizados, os atuais dirigentes da Fenaj e dos sindicatos teriam de ir pregar em outra freguesia; teriam de ir procurar outro público para enganar.


Porque já não bastaria esse terrorismo verbal, esse discurso apocalíptico, esse tatibitati falacioso, essa conversa hipócrita de defesa dos interesses sociais.


O lári-lári teria de ser substituído pela ação; pela defesa verdadeira dos interesses da categoria e da sociedade.


E isso, esses dirigentes sindicais que estão aí não têm nem competência, nem coragem para fazer.


FUUUUUUIIIIIIIIII!!!!!!!!!




Quero deixar aqui, também, uma notícia esclarecedora, veiculada pelo site do Movimento dos Jornalistas Sem Diploma, em 13 de julho deste ano:



Diploma de Jornalista: Decisão sobre fim da obrigatoriedade é irreversível e especialista em direito constitucional alerta sobre cláusula pétrea


Liberdade de Expressão é Cláusula Pétrea Constitucional e nenhuma nova lei poderá regulamentar a profissão de jornalista e impor novamente a obrigatoriedade de diploma, afirma especialista em direito constitucional


BRASÍLIA (ABN NEWS) - Ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que acabou com a obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista, o Advogado-Geral da União, José Antonio Dias Toffoli, afirmou nesta quinta-feira (18) que o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista é irreversível.


“A causa vale para todos por ter repercussão geral. Fica difícil buscar uma alternativa por conta da premissa de liberdade de expressão, que está prevista na Constituição. Mesmo uma lei feita hoje pelo Congresso Nacional não valeria”, disse, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro da NBR. Segundo o ministro, o fim da obrigatoriedade do diploma imposto pelo STF “pacifica” a situação.


Apesar de admitir que a AGU, desde a gestão anterior, atuou no sentido da defesa do diploma, pois havia uma lei vigente que respaldava a fiscalização da profissão pelo Ministério do Trabalho, Toffoli lembrou que cabe ao órgão defender a constitucionalidade das leis e que, a partir de agora, a atividade é livre de fiscalização – uma vez que qualquer pessoa, mesmo com ensino médio, pode atuar como jornalista.

“O Judiciário é aquele que vai dizer se a lei é ou não contrária à Constituição e, nesse caso, ele entendeu que a exigência de um diploma afronta a liberdade de manifestação e de expressão do pensamento”, conclui o ministro.


Falácias e oportunismos - Para o advogado especialista em direito constitucional Marco Rosa, da Angelo Rosa Advogados Associados, não adianta entrar com projetos de lei no Congresso Nacional para regulamentar a profissão de jornalista, já que qualquer ação nesse sentido é inconstitucional.

Angelo Rosa lembra que a Câmara e o Senado possuem Comissão de Constituição e Justiça que tem por finalidade analisar todos os projetos de lei para verificar se são inconstitucionais. Ele lembra que alguns sindicalistas e donos de faculdades de comunicação estão anunciando que vão usar e pressionar o Congresso Nacional para criar uma nova lei para regulamentar a profissão, para determinar a volta da obrigatoriedade do diploma, mas considera essas ações como manipuladoras e desprovidas de bom senso.


Angelo Rosa diz que propor lei para a volta do diploma, ou mesmo para regulamentar a profissão, tudo é "falácia e oportunismos de políticos que imaginam ganhar holofotes na mídia e também o desespero de gente que vai deixar de ganhar dinheiro fácil, pois agora vão ter que melhorar o nível das faculdades de jornalismo, vão ter que investir mais, senão vão fechar as portas. Na verdade, com a nova situação, ao contrário do que afirmam, os estudantes de comunicação vão agora realmente ganhar com a nova ordem jurídica reconhecida, pois as grades curriculares serão forçosamente melhoradas e aprimoradas, eles serão melhor preparados e não vão ter que temer enfrentar o mercado de trabalho. Esteja certo, os melhores jornalistas serão aproveitados nas redações".

Para quem está longe! E para quem está perto!



Nós, os paraenses!


Paraense que é paraense é bairrista – e pode anotar, sumanu, pode anotar!


Se não for bairrista... não é paraense!


É carioca, paulista, mineiro (uai!), baiano, cearense, pernambucano, maranhense, capixaba, gaúcho, (tchê!), amazonense – e qualquer outro ense ou aba!


Mas, paraense, não é - de jeito nem qualidade!...


Paraense que é paraense jura de pés juntos que não tem chuva igual a nossa.


Fresquinha, cheirosa, mas, tão cheirosa, que dá até de adivinhar.


Pois é, paraense que é paraense é meio bicho: sente de longe o perfume da chuva.
Olha pro céu, aprecia o céu e anuncia: avai chovê!...


Pode não ter nem nuvem!... Mas o caboclo olha pro céu (e a gente é assim, ó, ó!, com o céu...) e acerta na bucha, sumanu!


E sempre acerta! Porque paraense que é paraense sempre acerta, num sabe?


E só num sei “purque” num dá de “tuda” gente acertar na megassena.


Mais adaí já asseria ademais, né mermo, sumanu?


Paraense que é paraense sabe, desde pequenininho, que não tem fruta mais gostosa, mais cheirosa que as frutas daqui.


Qué avê um exempru, sumanu?


O cupuaçu...huuummmm!...Eita bicho danado de bom quando atá madurinho!...


Rescendendo, chamando a gente, como quem diz: me come!... Me come!... Me come agora, seu égua!


E a gente pega, parte o bicho, joga um bocado de açúcar, passa na farinha - e vai da terra ao céu num “instantinho”.


Qué avê otra? Qué avê otra?


Bacuri, sumanu, bacuri!...


Égua, que esse num aprecisa nem di ajogá farinha!...


A gente pega e dá-lhe duas puurrada, mais duas puurrada abem dada, ali mermo, no chão.


E aí, pega o bicho e come tudinho – e ainda alambe os dedos, sumanu!


Qué otra, qué otra?


Manga – manga bacuri, manda espada, manga de rua, daquelas que fazem paf!, nos carros e na cabeça da gente...


Manga – daquela amarelinha, que a gente junta na calçada – passa uma água, passa uma água!... – rasga a casca e chupa todinha, com aquele suco amarelinho a escorrer pelos cantos da boca.


Feito bicho, feito bicho – que essa é a melhor parte da gente: o bicho.


Porque bicho não tem frescura, sabe é apreciar as coisas, visse?


Aqué mais? Aqué mais? Pupunha – vixe Maria!...


Pupunha, daquela que é só óleo: tesuda e vermelhinha!...


E a gente pega a pequena,ali, quentona, queimando os dedos, sumanu!...


Rasga a casca da pequena, ali, no dente! Amarelinha, toda amarelinha por dentro!... Passa-lhe a manteiga, de cabo a rabo, e... huuummm!... Acome tudinha, tudinha – e arrebate com um café quentinho, visse?


Mas, apara lá, apara lá, que o pessoal atá arreclamando.


Diz que num afalei du principar!...


Mas é que adeixei por último, visse, caboco?


É aqueles caruçu, aquela frutinha, marronzinha por fora e rruxinha, rruxinha pur dentru!...


Aquela frutinha que deixa os beiçu da genti rruxinhu, rruxinhu!


Aquela papa de açúcar e farinha de tapioca que a gente come com pirarucu frito e uma pimenta arretada – daquelas que afazem chorá inté o mais valenti dus cabucu!...


E sei que atudu estão a pensarem: açaí! Vixe Maria!... Açaíííí!...


Pois é, sumanu, paraense que é paraense diz pra todo mundo que não tem terra igual.


Que não tem rio igual aos nossos. Uns rios tão problemáticos, mas tão problemáticos, que até cismam que são mar...


É verdade, sumanu!


Atá a duvidá, é?


Aqui, os rios são tão grandes, mas tão grandes que têm até praia!


Aqui, não tem esse negócio de rio que se espoca no mar. Não, de jeito nenhum!... Aqui, rio que é rio tem praia! E com tudo a que tem direito: onda e horário de braveza! Fundura! – que nem de oceano!...


E sabe, sumanu, penso que até já nos habituamos a eles – e eles a nós...


Tem até poeta que já disse que os rios são as nossas ruas!


Veja só, sumanu, aonde é qui issu avai adá!...


A gente vive sobre os rios. E vive dos rios. E tem quase que uma “amancebação” com os rios...


Como se fôramos, para sempre, um povo encantado, nascido das águas...


Vai vê que é purissu, sumanu, acomu eu inté lhi adissi, qui a genti inté apressenti as chuva!...


É tudo água, feito a gente, os “encantados”. É tudo floresta. É tudo índio. É tudo a força da natureza, pela qual a vida não se cansa de renovar...


Pensando bem, sumanu, acho que a gente tem inté é razão de ser bairrista, visse?...


Aqui tem rio que deixa mar envergonhado!...


Tem fruta que parece até aquele “tar” de néctar dos deuses.


Tem floresta onde o que não falta é deus...


Tem chuva, toda arrumadinha, toda cheirosinha, pra modo de afastar o calor.


Tem cores, tem cheiros, tem amores como nunca se viu.


Tem até pupunha quentinha, com manteiga e café (adesculpe aí, cumpadi, mas eu sou pupunhista ajuramentada, visse?)


O Pará é o coração encantado do Brasil e do mundo.


Por que, então, não seríamos bairristas?

















Terça-feira, Outubro 27, 2009

aviso



AVISO IMPORTANTE AOS LEITORES



Por incrível que pareça passei o dia de ontem acreditando que era Dia de Finados. Só à noite, através de uma amiga, é que descobri que estava adiantada uma semana...



É verdade: sou dada a essas leseiras de me perder no tempo.



Devido a esse engano, acabei não escrevendo a terceira matéria sobre o tabuleiro de 2010 – afinal, estava a curtir um tremendo “feriadão”...



Agora, tenho uma matéria – um freela – para fazer.



Portanto, só devo escrever essa terceira reportagem à noite ou amanhã.



Mas, certamente, de amanhã não passa.



Até porque minhas fontes me disseram que os tucanos já bateram o martelo do candidato ao Governo do Estado: a reunião para isso teria acontecido no último domingo, no Rio de Janeiro. E esse lári-lári de o Sérgio Guerra ter viajado para o exterior seria apenas para despistar.



Ainda não tive tempo de checar isso.



Volto, portanto, à noite ou amanhã. Até para responder os comentários recebidos, pelos quais antecipadamente agradeço.




Fuuuiiiiiiii!!!!!!!


dilma

“Menas”, companheira, “menas”!






Essa história de Dilma Rousseff querer apontar viés machista às acusações de que está fazendo campanha eleitoral antecipada ao participar, ao lado de Lula, da “fiscalização” ou inauguração de obras públicas é de um lári-lári que agride a inteligência.


A questão não é se ela é mulher, homem, homossexual ou hermafrodita.



A questão é que se trata de um agente público que estaria em campanha eleitoral com dinheiro público e em período vedado.



Ou seja, por qualquer ângulo que se olhe, simplesmente burlando as regras do jogo democrático.



E note-se que, com esse “estaria”, já se está a dar à ministra e ao seu principal cabo eleitoral, o presidente Lula, o benefício de uma dúvida que nem merecem.



Afinal, como notou o presidente do STF, Gilmar Mendes, nem o mais ingênuo dos brasileiros acredita que as “fiscalizações” realizadas por Lula e Dilma não são, em verdade, campanha antecipada.



E campanha com tudo o que a sociedade e a Justiça Eleitoral têm tentado coibir, por imoral: sorteio de brindes, transporte de ouvintes/eleitores, shows artísticos.
Sem falar no uso de dinheiro público para esse fim.



É claro que Dilma está em campanha, assim como Serra também está: a Assembléia Legislativa de São Paulo, aliás, já até aprovou a possibilidade de o governo daquele estado fazer propaganda em outros estados da Federação, diz-que para “incentivar o turismo”...



É certo que Lula, Dilma e Serra têm culpa no cartório por esse comportamento antidemocrático e imoral.



Nenhum deles é “inocente”.



Afinal, todos vieram de uma escola que sabe muito bem o que é Ética, o que é o uso patrimonialista do Estado, o que é Democracia e o que são os comportamentos políticos que deseducam e que até remetem às práticas da Velha República.
Serra, Lula e Dilma provaram, ao longo de suas vidas, o compromisso com a transformação da sociedade brasileira.



E é por isso que tal comportamento soa tão grave e desconcertante.



É como se a disputa de poder os tivesse levado a esquecer de tudo aquilo por que sempre lutaram e até daquilo que são e representam, para todos nós: um espelho, um norte.



Mas, penso, a culpa deles tem de ser dividida com a Justiça Eleitoral, que possui meios suficientes para coibir tais abusos.



Justiça e Ministério Público, que possui a prerrogativa de poder agir sem ser provocado, têm de mostrar a tucanos e petistas que as regras eleitorais existem não por acaso, e têm, sim, de ser respeitadas.



Não basta a crítica de um ministro, ainda que presidente do Supremo: é preciso punir - e punir com rigor.



Vale-tudo nunca foi Democracia.



E isso, Estado e sociedade têm, sim, condições de levar tucanos e petistas a compreender.


Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Alagados!

O carro e os bois


Luís Inácio Lula da Silva – ou, o“Nosso Guia”, como gosta de chamar-lhe o jornalista Élio Gaspari - tem o dom de produzir frases antológicas.


Foi assim, por exemplo, com aquela definição do Congresso – os 300 picaretas com anel de doutor.



E é claro que a frase – atemporal, diga-se de passagem - provocou indignação no Congresso.



Mas, também é verdade que os nossos congressistas, com raras exceções, fazem-na por merecer.



A história dos “300 picaretas” lavou-nos a alma.



Por nos dissociar, aparentemente, da responsabilidade sobre o Congresso.



Como se os mandatos dos congressistas, das “vossas excelências”, tivessem, simplesmente, caído do céu.



O problema é que, na Democracia, não se pode falar em “direito divino”.




Na Democracia, o parlamento é a cara da sociedade que o elege e mantém.



E, por mais que se esperneie, o fato, a realidade, é que o Congresso Nacional é a cara da sociedade brasileira.



Assim como as nossas câmaras municipais, as nossas assembléias legislativas.




E até poderíamos extrapolar isso – por que não? – aos nossos governos e prefeituras, eis que os nossos governadores e prefeitos também são portadores de mandatos da sociedade, do eleitorado, da população.




E isso nos leva a uma coisa muito interessante, para meditar: esse paradoxo entre a polarização nacional e até em governos e prefeituras entre tucanos e petistas, as duas propostas políticas mais avançadas que já conseguimos produzir, ao longo de toda a nossa história; e entre o que pode haver de mais atrasado em termos políticos.



Clarificando: o paradoxo que divide o eleitorado entre tucanos/petistas e boa parte dos grandes partidos brasileiros: PMDB, DEM, PP.



É como se nós, sociedade brasileira, estivéssemos a travar, na verdade, uma enorme guerra cultural.




Não se trata, apenas da política, onde desembocam e se tornam mais aparentes os conflitos, em qualquer grau, mesmo que nascentes.



Mas, de uma guerra na própria raiz da sociedade que somos e que queremos ser e que, por isso mesmo, desemboca na política não de forma “menor”, quase inexpressiva, mas, de forma gigantesca – para os dois lados da balança.



Talvez que estejamos a experimentar um período de renascença, de reinvenção cultural.



Talvez que, em 500 anos, nunca tenhamos experimentado um ponto de equilíbrio como este, entre as forças do futuro e do passado.



É claro que isso faz de todos nós, de cada um de nós, cidadãos privilegiados de um tempo ímpar.




Mas, é claro, também, que pelo próprio equilíbrio das forças em disputa, a guerra parece tender ora para um lado, ora para outro.



Estamos a rever não apenas o político que compra ou o eleitor que vende votos.



Mas, a própria possibilidade de compra e venda do voto.




Estamos a rever não apenas o sujeito que triunfa, que “se dá bem” pela esperteza, mas, o próprio significado de “esperteza” e o que ela representa para o conjunto da sociedade.




Estamos a rever não apenas o corrupto e o corrompido, mas, a corrupção em si: o que ela traz de nocivo, para a nossa casa, a nossa rua, o nosso país, a nossa Nação.




Ou seja, talvez pela primeira vez em nossa história estejamos conseguindo enxergar – e não simplesmente a partir de vozes isoladas – não apenas o sujeito, o “praticante”, mas, o próprio conceito daquilo que pratica.



E os males decorrentes – não para um, mas, para todos, para a coletividade.




É nesse contexto que enxergo outra frase antológica de Lula, esta mais recente: a de que, na política brasileira, Jesus Cristo, hoje, faria acordo até com Judas.



E é bem possível que boa parte dos coleguinhas da imprensa tenham compreendido isso, mas, façam de conta que não compreendem.



O equilíbrio de forças da sociedade brasileira é de tal monta que os “companheiros” do avanço têm de fazer acordo com os “companheiros do atraso”. E os “companheiros” do atraso têm de fazer acordo com os “companheiros” do avanço.




Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, com o PSDB; é assim com o PT.
E ficar falando que Jesus nunca fez acordos com saduceus ou fariseus é lári-lári.



Porque Jesus era um radical do PSTU. E nem o PSDB, nem o PT – e muito menos a sociedade brasileira; vide os votos que eles têm – querem saber dos radicais do PSTU.



Se quiséssemos, de fato, nos aproximar do momento que a sociedade brasileira está a viver teríamos de juntar, num só corpo, Jesus, Pôncio Pilatos e Barrabás. Deitá-la num divã freudiano-socrático e indagar, maieuticamente (égua do palavrão!...): o que é Nação e como é que você vê Nação?



Lula, com essa sua imagética (e eu já nem sei o que estou a dizer; começo, depois de tomar muitas, a parecer o Fábico Castro....) consegue traduzir, de forma extradordinária, o que somos, o que sentimos.



É um sociólogo nato, das ruas.



Um líder do povo.



Nunca votei nele; nunca votei em Lula – e nem voto. E nem mesmo voto na companheira Dilma, apesar de lhe reconhecer muitas qualidades.



Voto em Serra, meu voto, nacionalmente, é fechado com o PSDB.




Seja Aécio, seja Serra.




Mas, reconheço as qualidades de Lula e o respeito muitíssimo.



Especialmente, por essa capacidade de manter o diálogo com as massas, de se fazer compreender pelas massas, apesar da quantidade de intelectuais que devem ter andado a azucriná-lo nesses anos todos.



Admiro Lula por ser um líder genuíno de uma enorme massa de cidadãos que sempre foram excluídos do processo decisório deste país.



A maioria dos cidadãos, ou daqueles que queremos tornar cidadãos, ressalte-se.



É um quadro que ombreia com um Zé Dirceu – e, por favor, não se exaltem, porque eu já elogiei aqui, várias vezes, o Zé Dirceu. É um quadro magnífico – não digam que não, pera lá!...Qualquer partido, mais ainda o PSDB, adoraria, sim, ter um quadro como o Zé Dirceu. E não me venham com lári-lári, não: ele é poderoso!...



Mas, espero, sinceramente, que seja Serra a vencer as próximas eleições.



Sabem, companheiros, tucanos e petistas, a gente precisa discutir essa questão do aparelhamento do Estado.



E discutir fora de períodos eleitorais.



Essa visão leninista do aparelhamento do Estado é democrática?



Qual a diferença entre leninismo e patrimonialismo – na prática, não em tese?



E o Estado deve ser aparelhado por um partido ou pela sociedade? E pode ser aparelhado? E de qual sociedade estamos a falar?



Estou como o companheiro Lula: vou defender um candidato (no caso dele, a Dilma; no meu caso, o Serra) mas penso que quem quer que vença tá bacana: ambos, são candidatos das esquerdas.



Uma eleição para comemorar, como nunca se viu neste país, né mermo?



A sociedade nos quer a avançar e, ao mesmo tempo, nos põe as forças do passado a ponderar...



Como se nos dissesse: calma! O carro não pode ir à frente dos bois. Calma! Sobre isso e isso a gente já discutiu, mas, falta debater, formar um consenso sobre aquilo e aquilo outro”.



Cansei de gastar cuspe; vou-me embora.



E olhem, leitores: não parei de investigar o governo.




E vou produzir um post sobre isso.




FUUUUUUIIIIIIIII!!!!!!


Linha de Passe!




Recebi uns tantos comentários atrevidos por ter, simplesmente, publicado aqui uns releases de recebi de assessorias petistas.



Não vou mentir pra vocês, não gosto disso: publiquei os releases petistas como publico os releases do Mário Couto, do MPF, do TCU, de um bocado de ONGs, e de quem mais mandar.



Fiz isso no blog do Vic, com os releases do Flexa Ribeiro, do Mário, do Zé Geraldo.
Publico, sim, por que não? Afinal, nem sempre os jornais dão espaços para esses realeases. E essas pessoas, esses grupos, têm o direito de divulgar o que fazem, pois não?



Olhem, caríssimos leitores: todos esses releases vêm de fontes preciosas a este blog.



O meu toma-lá-dá-cá com elas não é de dinheiro: é de informação.



E informação que não é para mim, que eu nem preciso disso para viver: é para vocês.



Então, se alguma fonte do blog me manda releases, vou, sim, publicar.
Até para que possa dizer:ei, pera lá! Publiquei o teu filé! Me dá, pois, um bocado de farinha, né mermo?



Então, vou publicar releases de todo mundo – e vocês que façam o balanço disso.
Este blog nunca foi um dos mais visitados da internet. Aqui só vem a nata da nata.
São os políticos, os donos de blogs, os empresários mais bem informados.



Aqui, na Perereca, só entram os mais bem informados da sociedade, pois não?
É um nicho que a Perereca conseguiu alcançar, né mermo?



Não me sinto elogiada por isso – eu quero mais é popularizar este blog!



Mas, a verdade, é que ele, até aqui, tem sido estratosférico.

A gente discute aqui coisas aparentemente pequenas e enfadonhas, mas que têm enorme importância à sociedade.




A gente traz denúncias que ninguém mais traz.





Quem vem aqui é pessoal que pensa!



O pessoal que perambula pela internet em busca de informação jornalística.



Mas, eu quero ampliar isso.





Quero vocês, é claro: e quem não quereria o topo, a nata, dos formadores de opinião, né mermo?



Quem não iria querer isso? Só se o sujeito fosse doido, né mermo?




Mas, mudando de conversa: o problema é que não sei como me situar nas próximas eleições.



O problema é esse, pronto, tá dito.



Não sei, é preciso esperar, tá muito nebuloso.




Não vou ficar aqui devassando o governo, se, amanhã, não sei se terei de votar na Ana Júlia, na minha xará, novamente.



É esse o problema!



No Mário eu não voto – e nem numa eventual coligação entre PMDB e DEM.

Estou a esperar, vou esperar que as alternativas se tornem mais visíveis, né mermo?



Essa é uma estação petista? É, sim. E eu agradeço aos companheiros petistas por me permitirem tal estação.



Não me pediram nada. Eu é que pedi para poder esperar.




E os companheiros petistas foram extremamente decentes em relação a mim.



Não me pediram para investigar os tucanos; me concederam a possibilidade de, simplesmente, esperar.



E eu estou esperando que se defina o quadro!



Não tenho merreca no bolso; até o Vic, que me mandou investigar, sabe disso: tenho dívidas em profusão e nada mais – nenhum bem.



Faço reportagens investigativas porque acho que é necessário, porque acho que é importante, porque é o meu dever de cidadã e de profissional.



Não ganho nada com isso –pelo contrário: se parar com essa história, como tenho pensado – e admito que tenho pensado – vou ganhar um dinheirão e viver muito bem.



Talvez que até compre a casa que tanto sonho, em Algodoal, né mermo?



Talvez que até deixe alguma coisa para a minha filha não morrer de fome, quando eu morrer, né mermo?




Mas, nada disso me move!




Em contrapartida à minha filha, tenho milhares, milhões de paraenses em que é preciso pensar.



E a minha filha sabe disso, sim!



A minha vida não significa e nem significará nada se não for vista por esse ângulo: a dona Maria, o seu José, que eu nem conheço, mas que, desde sempre, são a razão de tudo o que vivi e de tudo o que busquei aprender, ao longo de toda uma vida!...




Eles é que estão no meu horizonte, e não a Morgana – caramba, que ela é uma cidadã trezentas vezes melhor que eu!... Falem em cortar uma árvore pelo dela, falem!



Ela não virá pelos argumentos tacanhos do PSOL e do PSTU. Vai é negociar 300 mil árvores, pela árvore que caiu!



Tenho muito orgulho da minha maior obra: a minha filha.



É a minha melhor construção.



Mas, a Morgana sabe bem que amanhã pode ter de ir morar num quartinho na Terra Firme, né mermo?



Não tenho nada, nunca quis nada.



Pra começo de conversa, nem sequer acredito em “propriedade”.



E sempre esperei morrer assim.



Hoje, é verdade, quero deixar mais que um quarto na Terra Firme para a minha filha.




Mas, continuo disposta a apostar tudo numa outra sociedade.




E, sabem, eu até conversava com ela, outro dia: posso ganhar em um dia, num texto, só para reescrever, uns R$ 450,00.




Quer dizer:o mesmo que muita gente ganha a trabalhar o mês inteiro.




Sei que isso me exige um trabalhão, um investimento danado em mim mesma, né mermo?



Mas, ainda assim, será justo?





Afinal, quem limpa as ruas e quem escreve não têm, ao fim e ao cabo, a mesmíssima importância social?



O lixeiro não é tão importante à sociedade quanto o intelectual?



Vou mais é dormir, que já me cansei dessa gastação de cuspe.



E agradeço aos irmãos petistas por me permitirem esperar.
Muito obrigada.




Sei que vocês não concedem isso a qualquer um.



Por isso mesmo, obrigada.





FUUUUUIIIIIIII!!!!!!!!





Sábado, Outubro 24, 2009

Um post bem atrevido!

Este é, certamente, o post mais precioso que
algumavez conseguirei produzir.
Com vocês, a reunião das duas pontas!