quarta-feira, 14 de abril de 2010
O angu da propaganda: Governo e DC3 negam subcontratação. Mas Digital confirma ligação entre Link e DC3
A Secretaria de Comunicação (Secom) negou, ontem, a contratação da empresa Link Propaganda para atuar na publicidade do Governo do Estado.
“Não contratamos ninguém. Apenas soubemos que eles (a Link) procuraram o PT, para oferecer serviços”, disse um assessor.
Segundo ele, a Secom desconhece a existência de algum contrato entre a Link e a DC3, uma das empresas que venceram a licitação da publicidade oficial, já que não possui ingerência sobre entes privados.
Mas, assegurou, “não houve subcontratação para o governo”.
O publicitário Glauco Lima, um dos donos da DC3, também negou a subcontratação e até que possua “acordo operacional” com a empresa baiana.
Mas, um funcionário da Digital, a produtora de boa parte dos programas publicitários do governo confirma: a Link presta consultoria à DC3 e até participa de reuniões na Digital.
A versão de Glauco Lima
“Na verdade, não existe contrato da Link no Pará” – disse Glauco, ontem, ao blog – “O que acontece é que, nesse período pré-eleitoral, há uma grande movimentação das grandes redes (de propaganda). A Propeg, por exemplo, também já andou por aqui”.
Ele negou que exista até mesmo um “acordo operacional” entre a DC3 e a Link, conforme noticiado em vários blogs, apesar de explicar que acordos desse tipo – que não costumam resultar em contratos formais ou valores pré-estabelecidos - são muito comuns no setor.
Glauco rebateu as afirmações de que a DC3 seria uma empresa de parca capacidade financeira, cujo único cliente de grande porte seria o Governo do Estado – daí as especulações de que o contrato com a Link encobriria uma triangulação, para custear a reeleição da governadora Ana Júlia Carepa com dinheiro público.
Segundo ele, a DC3 possui vários clientes de grande porte.
É o caso, por exemplo, do Banco da Amazônia (Basa), que a agência atende em nove estados, e da gigante Facepa, cuja conta, em todo o Norte e Nordeste, também pertence à DC3.
Ou, ainda, da Duelo (que produz diversas bebidas alcoólicas, entre as quais o Ice); da Supersport, que possui dez lojas de artigos esportivos na Região Norte, e do sistema de ensino Universo.
Glauco acentuou a impossibilidade de uma empresa do tamanho da DC3, que possui 25 funcionários, sobreviver exclusivamente da conta do governo, que é dividida com mais sete agências - até porque o grosso da verba publicitária (cerca de 80%) é destinado aos veículos de comunicação.
E lembrou que o aprimoramento das agências de propaganda é uma exigência do próprio mercado, atribuindo as críticas que tem recebido, por essa busca de parcerias, ao período eleitoral.
“Muita gente pensa que agência (de propaganda) é só para fazer jogo de palavras. Mas, devido à profissionalização, temos é de buscar uma rede de parcerias, para atender os nossos clientes. Estamos, por exemplo, conversando com um grupo de São Paulo, para a promoção de vendas. Mas, como estamos no período eleitoral, as pessoas distorcem tudo. E se eu disser que estamos conversando com uma agência de São Paulo, vão logo dizer que estou terceirizando a conta do governo”, queixou-se.
E repisou: “A Link é uma rede nacional. Mas, nem um acordo operacional fechamos, ainda, com ela”.
De acordo com o publicitário, é o porte da agência a impulsionar essa busca de parceiros. “O governo não tem nada a ver com essa história. É muita inverdade”, protestou.
Perguntei-lhe se é a DC3 que está pagando a hospedagem dos funcionários da Link. Ele garantiu que não.
E também garantiu não saber se a Link “está pagando aluguel da sala, uma sala de reunião, que eles usam na Digital (a produtora de boa parte dos comerciais do governo). Mas não sei qual o vínculo deles com a Digital, que é independente”.
Perguntei-lhe se é verdade, como se especula nos blogs, que dá expediente na Digital. Glauco, novamente, negou:
_Não é que dê expediente lá. A maioria dos programas do governo é feita lá e, por isso, vou lá acompanhar isso. É normal acompanhar a realização do comercial. Mas, qualquer coisa que a gente faça agora é mal interpretada.
Glauco disse acreditar que a Link está no Pará “por conta própria”, em busca de alguma campanha política.
E observou que não há nada de inusitado nisso – afinal, a empresa MCI, de Daniel Lavareda, trabalhou para o tucano Simão Jatene, e a Verve, do Ceará, atuou na campanha de Helder Barbalho, em Ananindeua.
Disse que leu em um blog baiano que a Link iria trabalhar na campanha de reeleição da governadora Ana Júlia Carepa, mas não encontrou nada a respeito disso no site da própria Link.
E também não acredita que o governo tenha contratado a empresa para a área publicitária, já que há oito agências licitadas, para esse tipo de serviço.
“Até a marca do governo foi escolhida através de concorrência” – lembrou – “E não tem nem como o Governo fazer esse tipo de contratação que estão dizendo”.
Mesmo assim, perguntei-lhe o que pensaria, como paraense, caso o governo contratasse, de fato, a empresa baiana. Disse ele:
“A minha opinião é que se vier com profissionalismo, com expertise, pode vir. Só não aceito é baixar o nível da concorrência. Já entrei no Ceará e todo mundo torcia o nariz para mim. O Pedro Galvão, por exemplo, já fez campanha fora, o que é motivo de muito orgulho pra gente. Se trouxer expertise, agregar para o mercado, todo mundo ganha. E se eu disser que não aceito empresas como a Link e a Verve, não posso me arvorar a entrar no Maranhão e no Piauí”.
E acrescentou: “Agora, é claro que esses grupos de fora têm muito mais capacidade de investimento. E nós temos é de nos preparar, investir em qualidade, principalmente recursos humanos, já que agência de propaganda é, sobretudo, gente. Tem que ter inteligência – e isso não custa barato”.
Perguntei-lhe, enfim, por que não desmentiu as informações que davam conta da contratação da Link pela DC3.
A resposta dele: “Estou conversando com você, porque você tem uma história no jornalismo. Mas o nível está tão baixo que não dá nem para responder. Se fossem acusações consistentes, de nível... Além disso, eu teria de parar de trabalhar só para responder a essas acusações, e ainda colocadas de maneira anônima”.
Digital confirma ligação Link/DC3
O problema é que as explicações de Glauco Lima não batem com as afirmações da Digital.
Um dos diretores da empresa, Anderson Reis, disse que a Link não possui sala na Digital. Aliás, não possui nem mesmo relações com a Digital – e sim, com a DC3.
E esclareceu: “Eles (a Link) já vieram aqui. Tem uma sala de reunião que a gente reúne sempre. Ela (a Link) reúne com a DC3, com a gente, com o diretor dos comerciais, o Fausto”.
Mas, observou, “o Glauco é que trouxe a Link”.
Anderson explicou que a Digital, como toda produtora de vídeo, faz, eventualmente, trabalhos para os governos, através das agências.
Mas não tem “comando” sobre as peças publicitárias, já que apenas executa os roteiros que lhe são entregues.
“A estratégia é fora da nossa alçada”, acentuou.
Disse que “eles (a Link) estão dando consultoria para a DC3”. Mas desconhece se há ingerência da empresa baiana nos roteiros dos comerciais do governo, que são repassados à Digital pela DC3.
Perguntei-lhe, então, se as reuniões na Digital giram em torno dos programas do governo.
A resposta dele: “Eles se reúnem, não sei se pelo governo. Mas, pelo fluxo de trabalho, acho que estão tratando da campanha”.
Depois, afirmou que nem conhece os funcionários da Link – um homem e uma mulher: “Eles são superdiscretos. Nem transitam pela empresa. Nem na ilha de edição vão”. E que “eles vêm aqui para conversar com a DC3”.
Antes, logo no início da nossa conversa telefônica, Anderson também disse que os funcionários da Link aparecem na Digital duas vezes por semana.
Mas, depois de muitas e insistentes perguntas, emendou: “A Link começou a aparecer aqui na quinta-feira da semana passada, veio aqui umas duas vezes. São duas pessoas que vêm sempre, um homem e uma mulher, mas, não me foram apresentados. Eles vêm com o Glauco. Não é uma equipe grande, como já disseram por aí. Aqui nem tem espaço para isso”.
Anderson disse, ainda, que não tem idéia de onde essas duas pessoas estão hospedadas e garantiu que os funcionários da Digital nunca receberam ordens diretas da Link, em relação aos programas do governo.
Pedi, então, para falar com o diretor de programas, o Fausto, mas Anderson informou que ele havia saído.
O blog também tentou contato, na tarde de ontem, com o diretor da Link Propaganda, Édson Barbosa, em Salvador.
Uma secretária da diretoria, que se identificou como Célia, ficou de repassar meus telefones a Barbosa, mas ele não retornou a ligação.
Também tentei contato novamente com Glauco Lima, para falar acerca das declarações de Anderson Reis, mas ele não atendeu os meus telefonemas.
À noite, tentei falar com o presidente do PT, João Batista, para saber se o partido possui contrato com a Link, mas ele se encontrava em reunião.
Sem hospedagem
No hotel Expresso XXI da Batista Campos, um funcionário de nome Gilberto disse não haver nem hóspede, nem reserva, em nome da Link, da DC3, ou do Governo do Estado, mas que havia um hóspede “pelo marketing do governo, em nome de uma pessoa do governo”, no Expresso XXI de Nazaré.
Mas, no Expresso XXI de Nazaré, uma funcionária de nome Juliana, que trabalha nas reservas do hotel, desmentiu a informação.
“Não tem nenhum hóspede pago pelo Governo. É pagamento direto ou pelas agências de turismo – nenhuma de propaganda”, informou.
E disse, sobre a observação de Gilberto: “Eles (do outro Expresso) não têm acesso ao nosso sistema”.
Na verdade, o mal entendido parece ter sido causado pela transferência de uma hóspede do Expresso da Batista Campos para o da avenida Nazaré, que disse estar a serviço do governo.
O problema é que essa hóspede, além de pagar a conta diretamente, é funcionária do Iphan.
No hotel, também não há ninguém hospedado pela DC3 ou por Glauco Lima.
No cadastro, Juliana conseguiu localizar um cidadão de nome Édson Barbosa, que esteve hospedado lá entre 23 a 25 de março deste ano, mas, por cortesia do estabelecimento.
Além disso, a procedência desse Édson Barbosa é São Paulo.
A Perereca também voltou ao site da Link, mas, ao contrário do que tem sido afirmado nos blogs, não encontrou nenhuma referência ao Governo do Pará.
A origem do angu de caroço em que se transformou a propaganda do governo parece ser o blog Notas da Bahia, do jornalista Giorlando Lima, que noticiou, em 29 de março deste ano:
“A Link Propaganda, de Salvador, está com a cara na rua. Outdoors da agência estão espalhados pelas principais avenidas de Salvador, nos quais ela se vende como uma agência nacional.
Enquanto isso, uma pequena equipe já está em Belém há uma semana, cuidando das preliminares da campanha em busca da reeleição da governadora Ana Júlia.
A agência de Edson Barbosa fechou um belíssimo contrato para um trabalho que, por enquanto, está sendo considerado difícil.
Ana Júlia teve um ano de 2009 muito complicado e a aprovação do seu governo caiu, tendo como principal reflexo uma rejeição alta e baixa intensidade nas pesquisas de intenção de voto, comentam por lá.
A governadora do Pará foi alvo de uma forte campanha negativa, com críticas duras e resvalando para o lado pessoal, até o meio do ano passado, da parte dos dois principais grupos de mídia do Pará: O ORM, ou Liberal, da família Maiorana, com rádios, jornais e TV, e a RBS, de Jader Barbalho, que inclui um jornal, rádios e uma televisão.
Em julho, o esforço dos articuladores políticos do governo e a ameaça de eleição de Jader Barbalho ao governo do Estado – algo que os Maiorana têm como um pesadelo – trouxeram o Liberal para o lado da governadora.
Pouco mudou, em verdade.
O PSDB decidiu-se pelo ex-governador Simão Jatene, reconhecido como competente e que está andando muito pelo interior do estado e apareceria revezando-se com Jader Barbalho na liderança das pesquisas de intenção de votos.
Os jaderistas dizem que o chefe do PMDB paraense está muito bem no cenário e ganharia a eleição.
O PT ainda tenta trazê-lo – com a força da sua mídia e o PMDB junto -, mas a esmagadora maioria dos peemedebistas do Pará querem candidato próprio.
Se isso acontecer, Edinho Barbosa e sua Link terão muito trabalho.
Difícil, mas não impossível.
Primeiro porque a governadora Ana Júlia, apesar da rejeição de agora, tem carisma e muita energia para se recuperar.
E depois porque competência nessa área é o que não falta a Edson Barbosa e a hoje sua Link. Isso todo mundo sabe, mesmo os que não gostam dele”.
( http://notasdabahia.com/2010/03/29/a-link-e-pt-no-para-agencia-ja-comecou-o-trabalho-la-2/ )
Só depois, no começo de abril, é que a possibilidade de contratação da Link, para atuar na campanha de reeleição da governadora, foi noticiada pelo blog do Bacana ( http://blogdobacana-marcelomarques.blogspot.com/)
E pelo Espaço Aberto (http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/ )
Já o acordo operacional entre a Link e a DC3 saiu, na mesma época, no blog do Hiroshi Bogéa (http://hiroshibogea.blogspot.com/ )
No último dia 12, a notícia também apareceu no blog Oportunidades Belém, da publicitária Lorena Goretti (http://oportunidadesbelem.blogspot.com/)
Em nenhuma dessas oportunidades houve críticas à DC3 ou a Link, pelos autores das postagens.
No entanto, nenhuma dessas informações foi desmentida.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Em defesa de Ana: PT repudia declarações de Mário Couto
O PT acaba de divulgar nota à imprensa na qual repudia os ataques do senador Mário Couto (PSDB) à governadora Ana Júlia Carepa.
O PT classifica como insanas e preconceituosas as afirmações do parlamentar, e diz que Couto “não gosta que lembrem de seu passado”, ao contrário da governadora, que teria uma irrepreensível trajetória política.
A íntegra do documento:
NOTA À IMPRENSA
O Partido dos Trabalhadores vem a público repudiar as recentes declarações do senador Mário Couto, que tentam denegrir a imagem da governadora do Estado do Pará, Ana Júlia Carepa.
Mário Couto é um representante do Estado do Pará, mas não se preocupa em defendê-lo. Sua atuação no senado teima em denegrir a imagem do estado, com um discurso truculento e preconceituoso com relação à condição de mulher e de governadora de Ana Júlia Carepa.
A atitude insana do senador esconde a incapacidade do seu partido, hoje sem lideranças e força políticas no Pará.
Ana Júlia Carepa, que o senador, em discurso, diz “gostar de uisque”, tem um passado irrepreensível e admirado pelo povo do Pará.
Foi lider estudantil, bancária, dirigente sindical, vereadora, deputada federal, vice-prefeita de Belém, senadora e é governadora do Pará.
Mário Couto, como é público e notório, não gosta que lembrem do seu passado.
A política no Pará avançou com Ana Júlia Carepa, que é querida e respeitada pelo povo e pelos prefeitos do Pará, inclusive àqueles do partido do senador, que reconhecem na governadora uma mulher que respeita as relações políticas.
Ana Júlia Carepa se relaciona de forma republicana com as demais autoridades constituídas do Pará, sem a prática da cooptação de prefeitos, tão comum à época do governo do partido do senador.
Por fim, o Partido dos Trabalhadores é verdadeiramente solidário com a batalha travada por um familiar do senador que luta, heroicamente, para se livrar da dependência do alcoolismo.
João Batista
Presidente do PT
MP quer cassação do prefeito de Belém
O Ministério Público Eleitoral (MPE) no Pará encaminhou hoje parecer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em que declara ser favorável à decisão da Justiça Eleitoral que em dezembro cassou o mandato do prefeito de Belém, Duciomar Costa, e de seu vice, Anivaldo Vale.
Para o MPE, quando candidato à reeleição Duciomar Costa cometeu irregularidades ao promover sua candidatura em placas de obras que na verdade eram propaganda disfarçada e fora do prazo.
"O que deveriam ser placas indicando obras, contendo datas de início e de término, número e valor do contrato, empresa contratada, dados do processo licitatório e origem dos recursos transformou-se em placas que nada informam, mas que servem para fazer presente a mensagem que a atual administração realiza obras", critica no parecer o procurador da República Ubiratan Cazetta.
A decisão que cassou o prefeito e o vice foi determinada pelo juiz eleitoral Sérgio Andrade de Lima em 4 de dezembro. Três dias depois uma outra decisão, do juiz José Maria Teixeira do Rosário, do TRE, suspendeu a primeira decisão até o julgamento final do recurso contra a cassação.
Além de só fazerem propaganda da administração de Duciomar durante a campanha de 2008, os outdoors sobre o asfaltamento de ruas da capital paraense muitas vezes anunciavam obras que já haviam sido entregues há mais de um ano, como no caso da pavimentação das avenidas Duque de Caxias e Visconde de Souza Franco, entregues em outubro de 2007. Para Cazetta, foi feito "uso oportunista" da propaganda institucional.
Sobre os argumentos apresentados pela defesa de Duciomar Costa e Anivaldo Vale alegando que a denúncia de irregularidades já teria sido julgada e que não foi apresentada à instância judicial competente, o MPE concluiu que tais afirmações não têm fundamento.
Para o procurador da República Ubiratan Cazetta, a denúncia de irregularidade da propaganda já foi julgada, mas ainda não havia sido analisada a conduta irregular de Duciomar Costa como agente público que fez uso de recursos do erário para promover propaganda de forma dissimulada.
Quanto à instância competente, Cazetta ressalta que a Zona Eleitoral em que a denúncia foi apresentada tinha sim sido incumbida pelo TRE de analisar casos desse tipo.
Leia a íntegra do parecer: http://www.prpa.mpf.gov.br/noticias/Parecer_MP-Eleitoral_Recurso_4605.pdf
(Fonte: Ascom/MPF)
Para o MPE, quando candidato à reeleição Duciomar Costa cometeu irregularidades ao promover sua candidatura em placas de obras que na verdade eram propaganda disfarçada e fora do prazo.
"O que deveriam ser placas indicando obras, contendo datas de início e de término, número e valor do contrato, empresa contratada, dados do processo licitatório e origem dos recursos transformou-se em placas que nada informam, mas que servem para fazer presente a mensagem que a atual administração realiza obras", critica no parecer o procurador da República Ubiratan Cazetta.
A decisão que cassou o prefeito e o vice foi determinada pelo juiz eleitoral Sérgio Andrade de Lima em 4 de dezembro. Três dias depois uma outra decisão, do juiz José Maria Teixeira do Rosário, do TRE, suspendeu a primeira decisão até o julgamento final do recurso contra a cassação.
Além de só fazerem propaganda da administração de Duciomar durante a campanha de 2008, os outdoors sobre o asfaltamento de ruas da capital paraense muitas vezes anunciavam obras que já haviam sido entregues há mais de um ano, como no caso da pavimentação das avenidas Duque de Caxias e Visconde de Souza Franco, entregues em outubro de 2007. Para Cazetta, foi feito "uso oportunista" da propaganda institucional.
Sobre os argumentos apresentados pela defesa de Duciomar Costa e Anivaldo Vale alegando que a denúncia de irregularidades já teria sido julgada e que não foi apresentada à instância judicial competente, o MPE concluiu que tais afirmações não têm fundamento.
Para o procurador da República Ubiratan Cazetta, a denúncia de irregularidade da propaganda já foi julgada, mas ainda não havia sido analisada a conduta irregular de Duciomar Costa como agente público que fez uso de recursos do erário para promover propaganda de forma dissimulada.
Quanto à instância competente, Cazetta ressalta que a Zona Eleitoral em que a denúncia foi apresentada tinha sim sido incumbida pelo TRE de analisar casos desse tipo.
Leia a íntegra do parecer: http://www.prpa.mpf.gov.br/noticias/Parecer_MP-Eleitoral_Recurso_4605.pdf
(Fonte: Ascom/MPF)
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A Link e a propaganda do governo II
Entre 2004 e o ano passado, a Link Comunicação e Propaganda (CNPJ: 34.358.432/0001-90; nome “real” Link/Bagg Comunicação e Propaganda Ltda) recebeu mais de R$ 70 milhões do Governo Federal – mais da metade (R$ 35,178 milhões) apenas no ano passado.
Os valores, extraídos do Portal da Transparência, são históricos e englobam, apenas, a administração direta.
Ou seja, não incluem, por exemplo, o contrato com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que alcançaria R$ 23 milhões por ano, segundo notícia do blog Media Monitor.
Os mais de R$ 70 milhões constantes no Portal da Transparência foram repassados a Link pelos ministérios dos Transportes, Educação e Agricultura e pela Presidência da República.
As verbas estão assim distribuídas:
2004 – R$ 11.381.448,12
2005 – R$ 7.550.371,38
2006 – R$ 11.051.686,50
2007 – R$ 1.694.644,69
2008 – R$ 3.156.723,69
2009 – R$ 35.178.456,04
Como o leitor deve ter notado, os anos em que a empresa recebeu menos dinheiro do Governo Federal foram 2007 e 2008 – coincidência ou não, na esteira da CPMI dos Correios.
O próprio contrato da Link com os Correios, também milionário, alvo de investigação e firmado em 2003, estendeu-se até 2006.
Houve, inclusive, recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), em acórdão de setembro de 2005, para que os Correios apurassem a possível utilização de propostas fraudulentas, nas subcontratações realizadas pela empresa – o que, se comprovado, deveria resultar em rescisão contratual.
Mas tão logo amainou a “onda” da CPMI, a Link voltou a ampliar seu espaço no Governo.
Em meados de 2008, segundo o Portal da Propaganda, tornou-se a única agência do MEC, com uma verba anual de R$ 14 milhões.
Em janeiro do ano passado, ganhou o contrato do Ministério dos Transportes, também de R$ 14 milhões.
E, em setembro do ano passado, restabeleceu sua “parceria” com os Correios.
Tudo, é verdade, através de licitação...
Além da bolada que recebe da União, a Link também detém as contas dos governos de Pernambuco, Ceará e Sergipe.
E, na sua carteira de clientes, além da Abiec (associação dos exportadores de carne), CVC, NET, Governo de Angola e Banco Africano de Investimentos, figuram o PT e o PSB, os partidos dos governadores que administram esses estados.
Foi a Link, aliás, quem fez a campanha de Eduardo Campos, do PSB de Pernambuco, em 2006.
No entanto, vale salientar, as relações dela com o Governo Federal remontam ao tucanato: os primeiros contratos ministeriais da Link datam de 1999.
Sua primeira CND (pelo menos online) é de 1998, embora a empresa tenha sido fundada em janeiro de 1991.
E a certidão negativa de débito, como se sabe, é documento obrigatório para as transações com o Poder Público.
Mais de R$ 90 mil por dia
Dos 35 milhões recebidos pela Link, no ano passado, mais de R$ 29 milhões vieram do Ministério da Educação – o restante saiu dos cofres do Ministério dos Transportes.
Agora em 2010, num período que engloba, apenas, de 08 de janeiro a 23 de fevereiro, o montante repassado à empresa já atinge exatos R$ 4.059.549,26 – ou seja, mais de R$ 90 mil por dia.
Desse total, R$ 1.588.817,83, oriundo do MEC, foi lançado na rubrica “despesas de exercícios anteriores”.
Do restante, R$ 2.272.853,07 foram pagos pelo Ministério dos Transportes e R$ 197.878,36 pelo MEC.
Todos os lançamentos são classificados como publicidade de utilidade pública e alcançam várias páginas, devido aos pequenos valores dos documentos aos quais se encontram vinculados – OB, DR e DF (o primeiro presumo que seja ordem bancária; os dois últimos não sei o que são, e peço aos leitores que me ajudem, se souberem)
Os pagamentos do Ministério dos Transportes, por exemplo, que se estendem de 08 de janeiro a 23 de fevereiro, totalizam 348 lançamentos, em 24 páginas.
E, o que é extremamente curioso: há OBs de numeração seguida e documentos de pagamento de publicidade com valores abaixo de mil reais e até em torno de R$ 2,00 (o menor é de R$ 1,73).
As maiores OBs (2010OB800088 e 800089), ambas de 13 de janeiro de 2010, têm o valor de R$ 497.195,82 e R$ 334.293,23 – respectivamente.
Já no caso do MEC, os R$ 197.878,36 foram pagos à Link em apenas cinco dias – entre 22 e 27 de janeiro deste ano e estão fracionados em 57 lançamentos.
O maior é de R$ 229.903,83.
Mas, também aí, há documentos de numeração seguida – como é o caso das OBs 2010OB800530 e 800531, ambas de 09 de fevereiro deste ano e ambas no valor de R$ 108.722,44.
Amanhã, tento falar com alguém que domine Contabilidade Pública.
Daqui a pouco, o relatório da CMPI e os processos no TCU que envolvem a Link Propaganda.
A Link e a propaganda do governo I
Se eu estivesse no lugar da minha xará, consideraria uma temeridade a contratação de uma empresa como a Link Comunicação e Propaganda, que chegou a ser investigada pela CPMI dos Correios e contra a qual pesam vários processos no Tribunal de Contas da União (TCU).
É certo que a DC3 é uma empresa privada e, se quiser contratar a consultoria de alguém, poderá fazê-lo, sem que o governo dê piteco – desde que isso, é claro, não signifique quebra do contrato licitado.
Mas não deixa de ser complicado para a própria DC3, a título de melhorar a imagem do governo, ligar-se a uma empresa cuja contratação tem tudo para prejudicar essa mesmíssima imagem que se pretende melhorar...
É verdade que há muito “bairrismo”, “paraensismo”, na reação ao contrato entre a DC3 e a Link - nós, paraenses, somos assim mesmo e não há como negar.
Mas também é fato que o mercado publicitário paraense possui um leque enorme de excelentes agências: além da própria DC3, Mendes, Griffo, Fax, Vanguarda, apenas para citar algumas.
Muitas delas, aliás, com reconhecimento nacional.
E essa prata da casa, feita de criativos e redatores que ombreiam com os melhores do País, precisamos, sim, valorizar.
Para fazer melhor juízo desse imbróglio, passei a madrugada a vagar pela internet, em busca de informações sobre a Link Propaganda.
O comentário que me chamou a atenção para esse problema está aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/04/carta-ana-julia-questiona-contratacao.html
Nessa breve pesquisa, deu para perceber, em primeiro lugar, que a contratação da Link Propaganda tem tudo para se transformar num rolo absolutamente desnecessário.
Não vi na propaganda exposta no site da Link rigorosamente nada que deixe a gente embasbacado - muito pelo contrário.
Vi, por exemplo, um programa do PSB que me pareceu “algo desconjuntado”, digamos assim.
Para começar, quem dizia que o PSB sempre esteve à frente de seu tempo era o octogenário Roberto Amaral e a imagem que se pretendeu “vender” de Ciro Gomes estava, simplesmente, fora da realidade.
Ciro tirava o paletó e entrava na casa de dona Silvana, para tomar um cafezinho. Batia um papo com ela, mas, jamais perdia o ar professoral diante de sua ouvinte, que acabava, a bem dizer, boiando...
E fiquei a pensar com os meus botões: tentam transformar o Ciro em algo que ele não é – um sujeito simples, acessível – em vez de aproveitar a imagem técnica e professoral dele.
E aí pensei: por que não colocar o Ciro, por exemplo, numa roda de jovens, a conversar animadamente com eles, feito o “tio”, o professor bacana?
Outra coisa que notei foi a desconexão entre as deixas: lá pelas tantas, Ciro (depois de encher o saco de dona Silvana com as propostas do PSB) dizia mais ou menos o seguinte: “Quero mostrar como vamos fazer isso”
Aí, entrava o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, que desfiava um rosário de críticas à crise financeira internacional, em vez de dizer mais ou menos assim: “Aqui em Pernambuco, já investimos X em Educação e Saúde para levar Cidadania a X milhões de pessoas. Também investimos em transparência, com a inauguração de Y e Z. É assim que o PSB está mudando Pernambuco e etc e tal”.
No mesmo programa, notei, inclusive, desleixo: lá pelas tantas, a mulher que apresentava as propostas do PSB passava a mão nos cabelos – vejam só – desviando a atenção do telespectador...
Em um VT, achei a mensagem de fim de ano do governador Eduardo Campos tão óbvia, tão básica, que até eu escreveria por qualquer 10 royal...
Também considerei de gosto questionável o Beto Albuquerque, do PSB, em uma inserção eleitoral, falar sobre transplante de medula óssea e citar a doença ou morte do próprio filho...
Um comercial sobre Angola me surpreendeu: ao falar sobre milhares de armas apreendidas, o “criativo” perdeu a oportunidade de linká-las (sem trocadilho) às milhares de vidas salvas com isso – e o apelo à emoção ajudaria, certamente, a fixar a idéia de desarmamento/reconstrução do país.
O jingle da campanha de verão de Sergipe não me agradou, por demasiado longo e sem fixar, desde o começo, a idéia central.
Ou seja: tecnicamente, a Link não me convenceu.
Então, vamos falar, daqui a pouco, dos rolos dessa empresa.
James Cameron e Sigourney Weaver na marcha contra Belo Monte
Cerca de 700 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) de diversos estados, lideranças do Parque Indígena do Xingu, e ribeirinhos e indígenas de Altamira realizam em Brasília nesta segunda, 12 de abril, um protesto contra os grandes projetos hidrelétricos previstos pelo governo federal, em especial a usina de Belo Monte.
O diretor do filme de maior bilheteria da história do cinema, Avatar, James Cameron, a atriz Sigourney Weaver e outros membros do elenco do filme participam da marcha em apoio aos movimentos sociais e indígenas.
A concentração começou às 8 horas da manhã em frente à Catedral Metropolitana de Brasília e a marcha de protesto percorrerá a Esplanada dos Ministérios - Ministério do Meio Ambiente, Congresso Nacional, Ministério da Justiça, Ministério de Minas e Energia, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Agência Nacional de Energia Elétrica.
Às 14 horas, as lideranças sociais e indígenas, além de Cameron e Weaver, participam de uma coletiva de imprensa no Centro Cultural de Brasília. Nesta oportunidade será divulgada uma carta política que exige o cancelamento da Licença Prévia da usina de Belo Monte e do leilão anunciado para o dia 20 de abril.
(Fonte: Movimento Xingu Vivo)
PS: volto ainda hoje, mas tinha de publicar essa informação antes que perdesse o sentido
O diretor do filme de maior bilheteria da história do cinema, Avatar, James Cameron, a atriz Sigourney Weaver e outros membros do elenco do filme participam da marcha em apoio aos movimentos sociais e indígenas.
A concentração começou às 8 horas da manhã em frente à Catedral Metropolitana de Brasília e a marcha de protesto percorrerá a Esplanada dos Ministérios - Ministério do Meio Ambiente, Congresso Nacional, Ministério da Justiça, Ministério de Minas e Energia, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Agência Nacional de Energia Elétrica.
Às 14 horas, as lideranças sociais e indígenas, além de Cameron e Weaver, participam de uma coletiva de imprensa no Centro Cultural de Brasília. Nesta oportunidade será divulgada uma carta política que exige o cancelamento da Licença Prévia da usina de Belo Monte e do leilão anunciado para o dia 20 de abril.
(Fonte: Movimento Xingu Vivo)
PS: volto ainda hoje, mas tinha de publicar essa informação antes que perdesse o sentido
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Carta à Ana Júlia questiona contratação da Link Propaganda
Recebi a carta aberta abaixo, endereçada à governadora Ana Júlia Carepa, de um comentarista que se assina Oswaldo Santos de Freitas. Está na caixinha da postagem sobre o Ophir Loyola. Democraticamente, trago à berlinda. Vou liberar comentários no final de semana, mas, só devo retornar com postagens na segunda-feira. FUUUUUIIIIII!!!!!!
Anônimo disse...
Carta Aberta a Governadora Ana Júlia
Algumas perguntas inquietas de um estudante paraense de marketing que quer continuar a trabalhar e a viver de comunicaçao no Pará.
As peguntas foram enviadas para o blog da governadora e não foram publicadas ou respondidas, por isso estão sendo enviadas para outros blogs.
Quem sabe assim não consigo ouvir ou ler a posiçao da governadora sobre o tema aqui tratado.
Governadora:
1. Por que a senhora se dedica a desmoralizar o mercado publicitário local chamando para o nosso território uma agência de fora, conhecida por predar mercados, que vai disputar contas aqui e pagar o ICMS para a Bahia?
2. A senhora não acha que essa prática não apenas contradiz seu discurso de valorizaçao dos paraenses, mas rompe com uma tradição de todos os governos que a antecederam, que sempre trabalharam exclusivamente com empresas de publicidade paraenses, inclusive nas campanhas eleitorais, contando com o concurso de empresas de fora apenas na área de consultoria?
3. Como alguém que licita oito agências paraenses no fim as descarta em nome de um negócio milionário com uma agência de fora, que vai prejudicar o nosso mercado inteiro, responsável pelo emprego de milhares de profissionais? A senhora acha que as agências locais são todas incompetentes?
3. Como uma agência de propaganda que nem foi classificada na licitaçao - a DC3 só foi contratada porque as agências Bastos e Estratégia foram eliminadas - se tornou, de uma hora para a outra, a principal agência da Secom? A senhora não acha que a Mendes, que ficou em primeiro lugar na licitaçao, poderia questionar judicialmente essa irregularidade?
4. Com essa "Operaçao Link" (chamada nos bastidores de "glaucoduto") a senhora não vê que está diante de um novo escândalo, similar ao Kit Escolar? Ontem a agência DC3 , de Glauco Valente, fez uma declaração pública de que foi ela, e não o governo, quem contratou a Link. Como, se a carteira de clientes dessa agência é composta de micro-empresas e o único cliente grande é justamente o seu governo? A declaração da DC3 se choca com a declaraçao da Link, que afirma em seu blog que está no Pará para fazer a sua campanha. Ora, se a DC3 contratou a Link para fazer a sua campanha e o único cliente grande que a DC3 tem é o seu governo, não é dificil perceber que quem está pagando a Link para fazer a sua campanha é o governo, através da DC3. A senhora não tem medo de que, com isso, em caso de vitória, seu mandato possa ser cassado?
5. Há um único dia, senhora governadora, em que trapalhadas como essa, em que o público e o privado se misturam, não sejam cometidas em seu governo? Onde está a matriz dessa fábrica de trapalhadas? Talvez a sua principal ação política agora seja localizar essa fonte. Sem isso, a senhora será incapaz de vencer.
Agradeço por sua atençao.
Oswaldo Santos de Freitas, paraense, estudante do mestrado (MBA) da Fundaçao Getúlio Vargas.
4:38 PM
Anônimo disse...
Carta Aberta a Governadora Ana Júlia
Algumas perguntas inquietas de um estudante paraense de marketing que quer continuar a trabalhar e a viver de comunicaçao no Pará.
As peguntas foram enviadas para o blog da governadora e não foram publicadas ou respondidas, por isso estão sendo enviadas para outros blogs.
Quem sabe assim não consigo ouvir ou ler a posiçao da governadora sobre o tema aqui tratado.
Governadora:
1. Por que a senhora se dedica a desmoralizar o mercado publicitário local chamando para o nosso território uma agência de fora, conhecida por predar mercados, que vai disputar contas aqui e pagar o ICMS para a Bahia?
2. A senhora não acha que essa prática não apenas contradiz seu discurso de valorizaçao dos paraenses, mas rompe com uma tradição de todos os governos que a antecederam, que sempre trabalharam exclusivamente com empresas de publicidade paraenses, inclusive nas campanhas eleitorais, contando com o concurso de empresas de fora apenas na área de consultoria?
3. Como alguém que licita oito agências paraenses no fim as descarta em nome de um negócio milionário com uma agência de fora, que vai prejudicar o nosso mercado inteiro, responsável pelo emprego de milhares de profissionais? A senhora acha que as agências locais são todas incompetentes?
3. Como uma agência de propaganda que nem foi classificada na licitaçao - a DC3 só foi contratada porque as agências Bastos e Estratégia foram eliminadas - se tornou, de uma hora para a outra, a principal agência da Secom? A senhora não acha que a Mendes, que ficou em primeiro lugar na licitaçao, poderia questionar judicialmente essa irregularidade?
4. Com essa "Operaçao Link" (chamada nos bastidores de "glaucoduto") a senhora não vê que está diante de um novo escândalo, similar ao Kit Escolar? Ontem a agência DC3 , de Glauco Valente, fez uma declaração pública de que foi ela, e não o governo, quem contratou a Link. Como, se a carteira de clientes dessa agência é composta de micro-empresas e o único cliente grande é justamente o seu governo? A declaração da DC3 se choca com a declaraçao da Link, que afirma em seu blog que está no Pará para fazer a sua campanha. Ora, se a DC3 contratou a Link para fazer a sua campanha e o único cliente grande que a DC3 tem é o seu governo, não é dificil perceber que quem está pagando a Link para fazer a sua campanha é o governo, através da DC3. A senhora não tem medo de que, com isso, em caso de vitória, seu mandato possa ser cassado?
5. Há um único dia, senhora governadora, em que trapalhadas como essa, em que o público e o privado se misturam, não sejam cometidas em seu governo? Onde está a matriz dessa fábrica de trapalhadas? Talvez a sua principal ação política agora seja localizar essa fonte. Sem isso, a senhora será incapaz de vencer.
Agradeço por sua atençao.
Oswaldo Santos de Freitas, paraense, estudante do mestrado (MBA) da Fundaçao Getúlio Vargas.
4:38 PM
Na berlinda: eu, um anônimo e as minhas fontes
Anônimo disse...
ei Ana Célia gostei da análise política que fizeste, mas no outro post continuas entrevistando fantasmas. Caramba, um texto com varias pessoas que não querem se identificar, é, no mínimo, sem nenhuma credibilidade. Ainda não sacaste que todo mundo já sacou isto?
9:27 PM
(na caixinha sobre a jogada brilhante de Duciomar Costa)
A minha resposta
Caríssimo anônimo:
Decidi trazer o seu comentário à berlinda porque estou tomando umas – tirei o dia de hoje pra mim, graças a Deus! – e porque eu acho que você, de fato, coloca uma questão importante: o anonimato de muitas das minhas fontes.
Pois bem, anônimo, vamos falar de anonimato!...
Em primeiro lugar, agradeço o seu elogio à minha análise.
Mas, veja só a ironia: como fiz uma análise pura, baseada, apenas, na minha lógica, nas minhas deduções, algumas das minhas fontes acreditam que “viajei na maionese”.
Algumas delas, até zangadas, me garantiram que o Dudu não está com essa bola toda; que, as seguidas matérias do Diário do Pará abalaram, de fato, a imagem do prefeito; que a falta de obras e o próprio estado da cidade estão sendo um veneno para o link que o Dudu sempre manteve com a população.
Com uma dessas fontes até argumentei: mas você não entendeu! Quando me referi ao poder do Dudu como cabo eleitoral, referi-me à máquina sob controle dele e não, necessariamente, à possibilidade de ele subir no palanque de A ou B.
A fonte, no entanto, me disse algo mais ou menos assim: você não o conhece! Ele jamais deixaria de carimbar o apoio, para poder apresentar a conta, antes e mais adiante...
Pra você ver, anônimo, a ironia: talvez que nem seja tão boa analista.
Mas, sou tão boa repórter que tenho fontes que, embora se mantenham no anonimato, cobram até a vírgula que consideram incorreta...
Estou me gabando? Estou sim.
Já vi algumas de minhas fontes se fecharem, calarem, mesmo diante de grandes repórteres. E voltarem a abrir o verbo, quando ficavam, novamente, a sós comigo.
É uma relação de confiança que não há dinheiro que pague.
Elas me dão a informação certinha, falam tudo. E eu, de minha parte, até pergunto, diante de alguma afirmação mais complexa: posso colocar isso na sua boca, ou o senhor (a) acha melhor dizer isso sem se identificar?
Mas, claro está, esse é o tipo de relação que só se conquista de forma suada, com a construção de credibilidade – e essa, graças a Deus, eu tenho sim.
Porque, se acrescentasse uma vírgula na declaração dessas fontes (o que seria tão grave quanto revelá-las) certamente que nunca mais elas me dariam qualquer informação.
Além disso, essas fontes sabem muito bem que não estão diante de uma chantagista – ou de alguém que, mais adiante, vai lhes pedir alguma coisa, ainda que subliminarmente, para não revelar que disseram o que disseram.
E aqui eu vou me gabar novamente: como essas pessoas sabem que não tenho outro interesse além da informação – nem dinheiro, nem poder, nem status, nem mandato; como elas sabem que sou suficientemente honesta para não querer delas, nem hoje, nem amanhã, nada além de informação, elas se concedem o luxo de confiar em mim.
E eu dou graças a Deus por isto: por Ele ter me concedido a possibilidade não apenas de ser honesta, mas, de convencer mesmo as pessoas mais empedernidas, da minha honestidade.
É engraçado isso, anônimo: até que sou boa quando se trata do marketing alheio, mas, sou simplesmente lamentável quando se trata do meu próprio marketing.
Este blog, a Perereca, já antecipou uma quantidade enorme de informações, que, depois, alguns blogs por aí pinçaram, deram uma guaribada e lançaram para os seus leitores como notícia exclusiva...
E é preciso salientar que tais informações da Perereca, depois simplesmente clonadas, partiram, não de mim, mas, dessas extraordinárias fontes que me dão a honra da sua inestimável confiança.
(E estou, sim, anônimo, puxando o saco delas... Até porque, sem elas, sou uma reles repórter de porta de cadeia...)
Gostaria de ter a capacidade que algumas pessoas me atribuem: de “criar” diferentes opiniões sobre um mesmo “causo” e construí-las em diferentes linguagens.
Mas Deus deu a Fernando Pessoa essa capacidade – não a mim...
E eu tenho de me contentar com a humildade de reproduzir as falas e pensamentos alheios, com a “maneirice” de cada qual.
Levei toda uma vida, sabe, anônimo, para chegar até aqui...
Quando comecei em jornal, há 30 anos, não tinha nem o ensino básico.
De sorte que, quando alguém me dizia alguma coisa, eu ficava: heim? Como?
Errei muito no começo – devido à pura e simples ignorância.
Muitas vezes, as pessoas falavam e eu sequer compreendia o começo do que elas diziam...
Mas aí busquei o que compreendi, graças a Deus, que era importante: ler.
Não que isso fosse uma dificuldade para mim, já que ler sempre foi uma paixão, desde a infância.
Mas porque era difícil encontrar o que ler, numa família que jamais valorizou a leitura.
Quando criança, meu passatempo era ler os livros escolares das minhas irmãs, bem mais velhas que eu.
Tive aí lições bem rudimentares de francês e até conheci as canções de amigo, do quinhentismo português, se não estou enganada.
Foi engraçada a minha infância: eu lia como bem poucas crianças, e elas riam de mim, porque eu lia com a correção de bem poucas...
Depois, vi-me diante da biblioteca de um tio, que, embora “cupinizada”, deu-me Gulherme Tell, “O Vermelho e o Negro” e “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Passava horas, deitada no chão, a ler ansiosamente, antes que jogassem fora aquilo tudo.
Depois, com a adolescência, veio a independência: apaixonei-me por Vinícius, José de Alencar, Castro Alves, Manuel Bandeira.
Mais tarde – bem mais tarde – dei de lapidá-los com Fernando Pessoa, Camões, Machado de Assis.
E, na idade adulta, amadureci nas asas de um Heráclito...
De sorte que, mesmo a duras penas, aprendi a compreender o que as pessoas me dizem – o que é fundamental à reprodução do pensamento alheio.
Ao contrário do que dizem por aí, anônimo, não tenho talento: tenho é toda uma vida de esforço pessoal...
Lutei contra a maré: o fato de ser mulher – e de a arete feminina não ser a inteligência – e o fato de não nascer em uma família que valorizasse o conhecimento.
Construí-me, enfim.
E quem se lembra de mim daquela época, deve se lembrar, também, do pão com ovo que eu comia no almoço, a fazer as vezes, também, de café da manhã...
Nada para mim foi fácil, “concedido”: tudo, cada milímetro de espaço, foi duramente conquistado.
E é por isso que eu valorizo cada milímetro do espaço que tenho hoje.
Um abraço pra você, anônimo.
E um abraço pra todas essas fontes extraordinárias, poderosas, que dão à Perereca o impacto que efetivamente tem.
FUUUUIIIIIIII!!!!!!!
Pra minha xará (béééééééééééééééé´)
ei Ana Célia gostei da análise política que fizeste, mas no outro post continuas entrevistando fantasmas. Caramba, um texto com varias pessoas que não querem se identificar, é, no mínimo, sem nenhuma credibilidade. Ainda não sacaste que todo mundo já sacou isto?
9:27 PM
(na caixinha sobre a jogada brilhante de Duciomar Costa)
A minha resposta
Caríssimo anônimo:
Decidi trazer o seu comentário à berlinda porque estou tomando umas – tirei o dia de hoje pra mim, graças a Deus! – e porque eu acho que você, de fato, coloca uma questão importante: o anonimato de muitas das minhas fontes.
Pois bem, anônimo, vamos falar de anonimato!...
Em primeiro lugar, agradeço o seu elogio à minha análise.
Mas, veja só a ironia: como fiz uma análise pura, baseada, apenas, na minha lógica, nas minhas deduções, algumas das minhas fontes acreditam que “viajei na maionese”.
Algumas delas, até zangadas, me garantiram que o Dudu não está com essa bola toda; que, as seguidas matérias do Diário do Pará abalaram, de fato, a imagem do prefeito; que a falta de obras e o próprio estado da cidade estão sendo um veneno para o link que o Dudu sempre manteve com a população.
Com uma dessas fontes até argumentei: mas você não entendeu! Quando me referi ao poder do Dudu como cabo eleitoral, referi-me à máquina sob controle dele e não, necessariamente, à possibilidade de ele subir no palanque de A ou B.
A fonte, no entanto, me disse algo mais ou menos assim: você não o conhece! Ele jamais deixaria de carimbar o apoio, para poder apresentar a conta, antes e mais adiante...
Pra você ver, anônimo, a ironia: talvez que nem seja tão boa analista.
Mas, sou tão boa repórter que tenho fontes que, embora se mantenham no anonimato, cobram até a vírgula que consideram incorreta...
Estou me gabando? Estou sim.
Já vi algumas de minhas fontes se fecharem, calarem, mesmo diante de grandes repórteres. E voltarem a abrir o verbo, quando ficavam, novamente, a sós comigo.
É uma relação de confiança que não há dinheiro que pague.
Elas me dão a informação certinha, falam tudo. E eu, de minha parte, até pergunto, diante de alguma afirmação mais complexa: posso colocar isso na sua boca, ou o senhor (a) acha melhor dizer isso sem se identificar?
Mas, claro está, esse é o tipo de relação que só se conquista de forma suada, com a construção de credibilidade – e essa, graças a Deus, eu tenho sim.
Porque, se acrescentasse uma vírgula na declaração dessas fontes (o que seria tão grave quanto revelá-las) certamente que nunca mais elas me dariam qualquer informação.
Além disso, essas fontes sabem muito bem que não estão diante de uma chantagista – ou de alguém que, mais adiante, vai lhes pedir alguma coisa, ainda que subliminarmente, para não revelar que disseram o que disseram.
E aqui eu vou me gabar novamente: como essas pessoas sabem que não tenho outro interesse além da informação – nem dinheiro, nem poder, nem status, nem mandato; como elas sabem que sou suficientemente honesta para não querer delas, nem hoje, nem amanhã, nada além de informação, elas se concedem o luxo de confiar em mim.
E eu dou graças a Deus por isto: por Ele ter me concedido a possibilidade não apenas de ser honesta, mas, de convencer mesmo as pessoas mais empedernidas, da minha honestidade.
É engraçado isso, anônimo: até que sou boa quando se trata do marketing alheio, mas, sou simplesmente lamentável quando se trata do meu próprio marketing.
Este blog, a Perereca, já antecipou uma quantidade enorme de informações, que, depois, alguns blogs por aí pinçaram, deram uma guaribada e lançaram para os seus leitores como notícia exclusiva...
E é preciso salientar que tais informações da Perereca, depois simplesmente clonadas, partiram, não de mim, mas, dessas extraordinárias fontes que me dão a honra da sua inestimável confiança.
(E estou, sim, anônimo, puxando o saco delas... Até porque, sem elas, sou uma reles repórter de porta de cadeia...)
Gostaria de ter a capacidade que algumas pessoas me atribuem: de “criar” diferentes opiniões sobre um mesmo “causo” e construí-las em diferentes linguagens.
Mas Deus deu a Fernando Pessoa essa capacidade – não a mim...
E eu tenho de me contentar com a humildade de reproduzir as falas e pensamentos alheios, com a “maneirice” de cada qual.
Levei toda uma vida, sabe, anônimo, para chegar até aqui...
Quando comecei em jornal, há 30 anos, não tinha nem o ensino básico.
De sorte que, quando alguém me dizia alguma coisa, eu ficava: heim? Como?
Errei muito no começo – devido à pura e simples ignorância.
Muitas vezes, as pessoas falavam e eu sequer compreendia o começo do que elas diziam...
Mas aí busquei o que compreendi, graças a Deus, que era importante: ler.
Não que isso fosse uma dificuldade para mim, já que ler sempre foi uma paixão, desde a infância.
Mas porque era difícil encontrar o que ler, numa família que jamais valorizou a leitura.
Quando criança, meu passatempo era ler os livros escolares das minhas irmãs, bem mais velhas que eu.
Tive aí lições bem rudimentares de francês e até conheci as canções de amigo, do quinhentismo português, se não estou enganada.
Foi engraçada a minha infância: eu lia como bem poucas crianças, e elas riam de mim, porque eu lia com a correção de bem poucas...
Depois, vi-me diante da biblioteca de um tio, que, embora “cupinizada”, deu-me Gulherme Tell, “O Vermelho e o Negro” e “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Passava horas, deitada no chão, a ler ansiosamente, antes que jogassem fora aquilo tudo.
Depois, com a adolescência, veio a independência: apaixonei-me por Vinícius, José de Alencar, Castro Alves, Manuel Bandeira.
Mais tarde – bem mais tarde – dei de lapidá-los com Fernando Pessoa, Camões, Machado de Assis.
E, na idade adulta, amadureci nas asas de um Heráclito...
De sorte que, mesmo a duras penas, aprendi a compreender o que as pessoas me dizem – o que é fundamental à reprodução do pensamento alheio.
Ao contrário do que dizem por aí, anônimo, não tenho talento: tenho é toda uma vida de esforço pessoal...
Lutei contra a maré: o fato de ser mulher – e de a arete feminina não ser a inteligência – e o fato de não nascer em uma família que valorizasse o conhecimento.
Construí-me, enfim.
E quem se lembra de mim daquela época, deve se lembrar, também, do pão com ovo que eu comia no almoço, a fazer as vezes, também, de café da manhã...
Nada para mim foi fácil, “concedido”: tudo, cada milímetro de espaço, foi duramente conquistado.
E é por isso que eu valorizo cada milímetro do espaço que tenho hoje.
Um abraço pra você, anônimo.
E um abraço pra todas essas fontes extraordinárias, poderosas, que dão à Perereca o impacto que efetivamente tem.
FUUUUIIIIIIII!!!!!!!
Pra minha xará (béééééééééééééééé´)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Ophir Loyola chama pacientes para consultas em radioterapia
Dia 8 de abril é o Dia Mundial de luta contra o Câncer. Neste sentido, o Hospital Ophir Loyola, que atende 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) os cidadãos dos 144 municípios paraenses, solicita que pacientes do interior do estado e da Região Metropolitana de Belém compareçam o mais breve possível no hospital, para antecipar a primeira consulta médica em radioterapia.
Além de Belém, o hospital está convocando pacientes dos municípios de Cametá, São Miguel do Guamá, Soure, Ourilândia do Norte, Igarapé-Miri, Breves, Capitão Poço, Igarapé-Açu, Acará, Redenção, Marituba, Castanhal, Moju, Concórdia do Pará, Jacundá, Barcarena, Tracuateua, Nova Ipixuna, Garrafão do Norte, Santarém Novo, Santa Isabel do Pará, Abaetetuba, Magalhães Barata, Marabá, Canaã dos Carajás, Primavera, Vigia, Santa Luzia do Pará, Pau D'Arco, Tucuruí, Capanema, Bragança, Salinas, Viseu, Santa Cruz do Arari, São Francisco do Pará, Paragominas, Baião, Rondon do Pará, Nova Esperança do Piriá, Irituia, Ananindeua, Marapanim, São Caetano de Odivelas e Bujaru.
Os pacientes devem procurar o setor de marcação de consulta do Ambulatório do Hospital, com sua documentação, de segunda a sexta-feira, de 8h às 18h, na Tv. 14 de abril nº 1464, bairro de São Brás, Belém/PA. Estes pacientes, por motivos diversos como o fato de alguns não possuírem telefone, não estão sendo localizados pela equipe de Serviço Social.
De acordo com o diretor geral Paulo Soares, o hospital já normalizou o atendimento de pacientes em radioterapia. "A convocação está sendo feita antes mesmo da instituição de saúde inaugurar um dos maiores e mais modernos parques radioterápicos do Brasil".
O Hospital Ophir Loyola, referência em oncologia na rede de saúde pública, informa que está trabalhando com a capacidade máxima para cuidar das pessoas e a média atual de atendimentos em radioterapia, no momento, tem sido de 115 pacientes novos por semana, além dos que já estão em tratamento. O HOL aguarda todos os pacientes dos municípios citados acima que, podem obter outras informações pelos telefones:
3342-1362 na Coordenação do Ambulatório
3342-1357 no Setor de Serviço Social da Radioterapia
3342-1363 no Serviço Social do Ambulatório.
(Fonte: Ascom/HOL)
Presas, torturadas, violentadas e mortas
O artigo abaixo, do extraordinário José Ribamar Bessa Freire, foi publicado no Diário do Amazonas e no blog “Taqui Pra Ti” em 28 de março.
Mesmo assim, quero registrá-lo na Perereca, por considerá-lo muitíssimo importante.
Fazei isso em memória delas
José Ribamar Bessa Freire
28/03/2010 - Diário do Amazonas
São mulheres de diferentes cidades do Brasil. Algumas amamentavam. Outras, grávidas, pariram na prisão ou, com a violência sofrida, abortaram. Não mereciam o inferno pelo qual passaram, ainda que fossem bandidas e pistoleiras. Não eram. Eram estudantes, professoras, jornalistas, médicas, assistentes sociais, bancárias, donas de casa. Quase todas militantes, inconformadas com a ditadura militar que em 1964 derrubou o presidente eleito. Foram presas, torturadas, violentadas. Muitas morreram ou desapareceram lutando para que hoje nós vivêssemos numa democracia.
As histórias de 45 dessas mulheres mortas ou desaparecidas estão contadas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, lançado quinta-feira passada na PUC de São Paulo, na presença de mais de 500 pessoas. O livro contém ainda o testemunho de 27 sobreviventes e muitas fotos. Se um poste ouvir os depoimentos dilacerantes delas, o poste vai chorar diante da covardia dos seus algozes. Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte.
Rose Nogueira - jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.
Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária: “Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.
Hecilda Fontelles Veiga - estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará. “Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (...) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.
Yara Spadini - assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC. “Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.
Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte. “Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.
Ignez Maria Raminger - estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde. “Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.
Dilea Frate - estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.
Cecília Coimbra - estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: “Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo... Eu não estou aqui...’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.
Maria Amélia de Almeida Teles - professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.
São muitos os depoimentos, que nos deixam envergonhados, indignados, estarrecidos, duvidando da natureza humana, especialmente porque sabemos que não foi uma aberração, um desvio de conduta de alguns indivíduos criminosos, mas uma política de Estado, que estimulou a tortura, a ponto de garantir a não punição a seus autores, com a concordância e a conivência de muita gente boa “em nome da conciliação nacional”.
No lançamento do livro na PUC, a enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram: “Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.
Os fantasmas que ainda assombram nossa história recente precisam ser exorcizados, como uma garantia de que nunca mais possam ser ressuscitados – escreve a ministra Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, na apresentação do livro, que para ela significa o “reconhecimento do papel feminino fundamental nas lutas de resistência à ditadura”.
Este é o terceiro livro da série ‘Direito à Memória e à Verdade’, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O primeiro tratou de 40 afrodescendentes que morreram na luta contra o regime militar. O segundo contou a “História dos meninos e meninas marcados pela ditadura”. Eles podem ser baixados no site da SEDH.
O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos nos próximos dias. Essa é uma ocasião oportuna para lançar o livro em todas as capitais brasileiras. No Amazonas, as duas reitoras – Marilene Correa da UEA e Márcia Perales da UFAM - podiam muito bem organizar o evento em Manaus e convidar a sua colega Nilcea Freire para abri-lo. Afinal, preservar a memória é um dos deveres da universidade. As novas gerações precisam saber o que aconteceu.
A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê. É como o sacrifício da missa para quem nele crê. A gente tem de lembrar diariamente para não ser condenado a repeti-lo: fazei isso em memória delas.
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=854
O livro a que o Bessa se refere está aqui:
http://portal.mj.gov.br/sedh/livromulheres.pdf
E o endereço da Secretaria Especial de Direitos Humanos, que possui farto material sobre a ditadura militar:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/