Jamais me colocaria contra um governo que ajudei a gestar.
Isso seria declaração de incapacidade, de incompetência. E quem anda, há tanto tempo, na política, não pode se dar a tais “desfrutes”: a condição de formar opinião implica, necessariamente, antevisão.
Ao mesmo tempo, não abro mão da minha “essência” tucana. Afinal, como diz aquela música belíssima, dos Rappa, “paz sem voz, não é paz, é medo”.
Creio que chegamos até aqui por um aglomerado de vontades, que se insurgiam contra o que estava posto no Estado: a imoralidade no trato da coisa pública; a hipocrisia das “vestais” que satanizavam deus e o mundo, mas que abençoavam o enraizamento do crime organizado na máquina pública ; a continuidade de um poder que corrompia as instituições; a destrutividade de quem não consegue ver a política como um jogo entre adversários eventuais, mas como um verdadeiro auto de fé...
Creio, ainda hoje, que nos insurgimos em prol da decência, da liberdade e do respeito ao outro – pois, que todos temos defeitos, afinal. Nenhum de nós é a Pureza ou a Bondade, ou puros ou bons.
Mas, nenhum de nós, com um neurônio a mais, aceitará que o outro, com iguais imperfeições, se pretenda um deus.
Isso fica para os imbecis. Mas, graças a Deus, nenhum de nós, que sobrevive nesta grande arena que é a política, padece de tal doença.
No entanto, creio que precisamos acertar as passadas.
É certo que não faz nem um ano que estamos a comandar o Estado – um Estado que encontramos do jeito que encontramos, aliás.
Encantado pela propaganda enganosa que o fazia se sentir um príncipe, quando é, na realidade, um mendigo.
Um Estado que, para manter-se no propagandístico equilíbrio da Lei de Responsabilidade Fiscal, não podia investir em nada de real interesse da sociedade, como é o caso da Saúde, da Educação e da Segurança.
Um Estado que nos deixou como herança a necessidade de pagarmos dívidas e mais dívidas de uns dinheiros que engordaram uns poucos, enquanto o nosso povo morre nas ruas, a doenças, à fome, à bala.
Mas, ainda assim, precisamos acertar as passadas.
Vencemos as eleições, o PT, o PMDB, os tucanos e os esquerdistas desiludidos, e os independentes.
Mas, para que isso não se transforme numa vitória de Pirro, é preciso que o PT e o PMDB – ou seja, a nossa linha de frente – aprendam a conviver e a comandar.
Isso não é exatamente um encontro de namorados, numa pracinha aconchegante, com um banquinho bacana e um lampião que só ilumina o que se quer.
É uma aliança política. Com todos os senões e desvãos de uma aliança política.
O PT precisa compreender isso. E o PMDB também.
Do contrário, continuarão falando merda e dando munição ao adversário.
É certo que, talvez, não estejamos na companhia de quem, realmente, gostaríamos.
É certo que algumas práticas, ou algumas não-práticas, nos deixam e deixarão de cabelo em pé.
É certo que não conseguiremos, jamais, entender, realmente, como pensa essa pessoa que está ao nosso lado.
E essa estranheza, por mais que não consigamos entender agora, é uma profunda aprendizagem...
Mas, neste momento, precisamos atiçar a capacidade de conviver.
Precisamos juntar a cachaça e o vinho; a feijoada e o caviar.
E é isso que, de certa forma, embatuca: nenhum de nós está, exatamente, para o champagne; somos todos farofeiros.
Então, qual a dificuldade?
O PT precisa aprender a ceder; o PMDB, a compreender o custo dessa cessão.
É um acordo, uma aliança eventual. E ponto.
Não significa que estaremos todos juntos, lá na frente...
Sim, vou consentir: temos de conviver, o que implica, até certo ponto, confiança, respeito, mútuo. E até estimar, gostar, que isso é profundamente humano.
Mas, o fato, é que não estamos aqui para confiar, gostar, etc e tal.
Podemos respeitar – e isso é o que se exige de qualquer jogo.
Mas, jamais, poderemos “estimar” e transformar o outro num parceiro permanente.
Querermos que o outro veja o mundo pelos nossos olhos...
É custosa essa convivência, como são custosas todas as convivências do mundo.
O PT tem um compromisso, o PMDB tem outro. E é isso que temos de compreender.
Se compreendermos isso, conviveremos bem, da base ao topo.
Aprenderemos a negociar desde as pequenas coisas – como a cadeira para sentar ou a tabuleta na mesa do chefe – até às grandes, que dizem respeito à sociedade.
Não casamos. Fizemos uma aliança política.
Isso implica que o parceiro, por mais descabelado que se apresente, seja sempre, publicamente, um ser extraordinário, inigualável, maravilhoso...
domingo, 11 de novembro de 2007
Os pingos
domingo, 4 de novembro de 2007
1998
De há muito que tenho vontade de publicar a música abaixo.
Mas, sempre me cerceei.
Pareceu-me maldito, de mau-gosto, sei lá...
O problema é que essa música me lembra de um tempo em que acreditávamos em tanta coisa...
Talvez, um tempo de inocência, não só para mim, mas, para muita gente...
Para a ala mais radical do tucanato...
Aquela que sua a camisa, de fato, por um novo Pará.
Aquela que vê na honestidade e na ética, não um favor, mas, uma obrigação, para com tudo o que existe, especialmente a coisa pública.
A todos os que esperam – e fazem acontecer!...
A todos os que arriscam tudo por uma vida melhor para a nossa gente!
Diretamente desse longo e tenebroso exílio, deixo a vocês, queridos (meus companheiros!...), uma lembrança porreta...
Para, ainda uma vez, estarmos juntos...
Nem que seja por um brevíssimo momento...
O Mundo Místico dos Caruanas...
Beija-flor
E o mundo místico dos Caruanas
Nas águas do Patu-Anu
Mostra a força do teu samba
Contam que no início do mundo
Somente água existia aqui
Assim surgiu o girador, ser criador
Das sete cidades governadas por Auí
Em sua curiosidade, aliada à coragem
Com seu povo ao fundo foi tragado
O que lá existia aflorou, o criador semeou
Surgindo os seres viventes em geral
E de Auí se deu a flora, fauna e mineral
Sou Caruana eu sou
Patu-Anu nasceu do girador, obá
Eu trago a paz, sabedoria e proteção
Curar o mundo é minha missão
Pajé, a pajelança está formada
Eu vou na barca encantada
Anhangá representa o mal
Evoque a energia de Auí
Pra vida sempre existir
Oferenda ao mar pra isentar a dor
Com a proteção dos caruanas Beija-flor
A pajelança hoje é cabocla
Na Ilha de Marajó, vou dançar o carimbó
Lundu e siriá, marujada e vaquejada
Minha escola vem mostrar
O folclore que encanta
O estado do Pará
(Alencar De Oliveira, Wilsinho Paz, Noel Costa, Baby)
Chuá...
Deixa a cidade, formosa morena
Linda pequena, volta ao sertão
Beber a água da fonte que canta
Que se levanta do meio do chão
Se tu nasceste cabocla cheirosa
Cheirando a rosa no peito da terra
Volta pra vida serena da roça
Daquela palhoça no alto da serra
E a fonte a cantar: chuá, chuá
E a água a correr: chuê, chuê
Parece que alguém que cheio de mágoa
Deixasse, quem há de dizer, a saudade
No meio das águas rolando também
A lua branca de luz prateada
Faz a jornada no alto do céu
Como se fosse uma sombra altaneira
Da cachoeira, fazendo escarcéu
Quando essa luz na altura distante
Loira ofegante no poente a cair
Dá-me essa trova que o pinho descerra
Que eu volto pra serra que eu quero partir
(Pedro Sá Pereira e Ary Pavão)
As gentes
Há gente que adora rir dos sentimentos alheios. Com uma leveza que nos deixa a pensar se tais pessoas conseguiram sentir, de fato, alguma coisa na vida.
Algumas pessoas rifam tanto a alma, o coração, para “se dar bem”, para “subir na vida”, para “ter ibope”, para “fazer sucesso” que parecem invejar, profundamente, quem preserva a capacidade de sentir.
É como se odiassem quem não se rende a essa luta besta por coisas efêmeras, que o tempo se encarrega de apagar...
Precisam escarrar no rosto de quem sente, até por uma questão de sobrevivência.
E não é, apenas, por bens materiais – embora pensem que é.
É porque se contentam com uma existência parasitária. E só.
A gente é o que é. Cada qual, portanto, com a sua dor.
Quem não encontra sentido na própria vida, que o procure. Que mude de estrada, de rumo. Que ouse. Ou, que aprenda a conviver com os próprios demônios.
Mas, que largue a vida dos outros, que deixe aos outros em paz.
Não é a tentar controlar a vida alheia que se tornarão melhores. Porque, melhores, jamais serão.
Nasceram e morrerão pútridos. Porque é da essência deles essa podridão.
Precisam disso para ter o que falar – em casa, nos bares, no restaurante, no cinema.
Porque, sem isso, seriam, apenas, um eterno e doloroso silêncio...
Pessoas vivem, sentem, riem, choram, sonham, amam...
Mas, essas coisas não têm, simplesmente, capacidade para nada disso.
Comem o pão sem gosto, engolem a bebida, trepam com cartão de ponto.
Que sigam assim, se é isso que pretendem ou se acham que é só para isso que servem.
Que se consumam na própria amargura.
Mas que, ao menos, não tentem infectar todo o resto do mundo com essa miséria que carregam.
P.S: Passo recibo e assino embaixo, com firma reconhecida e tudo... E aí?... Vou ao foda-se... Sempre estou pronta e disposta a ir ao foda-se... Mas, há mais alguém aí disposto a ir, também, ao foda-se?...
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Luísa
O vinho não consolou. Fazia tempo que se assemelhava às lágrimas que escorriam do coração. O vermelho intenso, o perfume das lembranças escondidas. O calor que se lançava nas veias, mas que se perdia nas geleiras da alma.
Luísa sentou-se na cadeira de balanço, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá...
Da janela podia contemplar as árvores desfolhadas pelo Outono. Lisboa imersa em neblina... Os suspiros vindos dos lados da Mouraria. E a noite a arrancar à Severa todos os fados do mundo...
Lá longe, tão distante, era o Tejo. O verde vivo que se rendera à escuridão. E a lua a esmaecer sozinha, entre as estrelas que cintilavam no céu.
Na parede, o relógio marcava uma da manhã – por onde andaria Luís?
Não, ele não voltaria...
Havia meses que se fora, a outros braços, a outros mundos.
Qual um navegante que insistisse em desbravar outras terras – sempre além, sempre além...
Ele a amara, ou amara sozinha?
Mas, o amara, de fato? Ou quisera dele somente os beijos que lhe acendiam o corpo?
As mãos, os braços, as pernas que transformavam o desejo em suor?
Não, Luís tinha de ser o amor de sua vida, precisava ser.
Precisava, desesperadamente, dessa lembrança, desse fio de humanidade.
Precisava olhar o relógio e lembrar-se dele. Precisava de alguém, ao menos, para lembrar.
Precisava de um sentimento, de alguma coisa inexplicável, maior...O rio que só é rio pela certeza do mar...
Ah, as histórias que se contavam sobre o amor!...
A voz, o hálito de Tisbe, na fenda que reunia os amantes...As águas que carregavam o perfume de Isolda...A fonte a murmurar o lamento de Inês...
O olhar que traduz todas as palavras do mundo, num mero olhar...
A revelar, num lampejo, todo o mistério do Universo!...
A explosão da vida a repetir-se, infinitamente, em cada coração...
Em que corpo, em que mundo andaria Luís?
Lembrou-se da primeira vez em que se viram – quanto tempo passara, desde então?
Os olhos pousados nos olhos dele, enternecidos...Como o olhar do apaixonado à lembrança de sua paixão!...
Uns olhos que sorriam dela e que pareciam sorrir só para ela, entre todas as manhãs do mundo!...
Uns lábios que jorravam palavras incompreensíveis, um para o outro...E que nem importava compreender...
Pareceu-lhe que os pensamentos se enroscavam, um no outro, bem mais que as pernas, os cabelos e as mãos...
E que todo o resto – a vida, a morte, a felicidade, a infelicidade e as gentes (e toda a maledicência que carregam...) – se dissolvia na irrealidade em redor...
O que dera errado?
De onde viera o cansaço, a separar as bocas e o coração?
De onde nasceram as palavras, essas feridas tão profundas que nada poderia cicatrizar?
De onde viera esse frio a congelar o desejo que fluía, um do outro, às águas do mesmo mar?...
A cadeira pra lá e pra cá, pra lá e pra cá...
Tomou mais um gole de vinho. E sentiu o Outono a pesar-lhe nos ombros, a prenunciar o Inverno perene...
Viu passar um casal, as mãos enlaçadas, o riso solto. E quase que pôde sentir o sabor daquele beijo repentino, a envolver a neblina.
A ternura das almas que se dão no mesmo florescer...
Luís se fora, ela também se fora.
Foram-se, um do outro, como se pusessem um sonho a dormir...
Como as bocas que se calam, sem mais a dizer.
Ficaram a neblina, o vinho que não consola, a cadeira de balanço, o relógio na parede, as árvores cinzentas.
E essa escuridão a insistir-lhe no peito: é amor... Foi amor... Tinha de ser amor...
Belém, 21 de maio de 1998.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Blogs
Acho muito bacana a dinâmica dos blogs – tanto que, a cada dia, apaixono-me mais por este que criei.
Não simplesmente porque saiu de mim. Mas porque é um espaço bacana de reflexão.
Os blogueiros já fomos chamados de tudo: narcisistas (et exibicionistas), adolescentes, irresponsáveis, doidos, etc...Freud, aliás, já se cansou de nos explicar...
Não há como negar, porém, que blogs, da maneira como nos apropriamos deles, têm se convertido em imensa conquista democrática.
São a tribuna, a Ágora interditada pelo poder econômico.
São essa possibilidade de troca – de informações, de opiniões – que os grandes veículos de comunicação tentam negar.
E, talvez, a nossa grande vingança seja esta: os chefões dos veículos de comunicação – e de todas as formas de poder – nos lêem (e como nos lêem!...) todo santo dia...
Muitos, aliás, até viram nossas fontes... É como se tentassem descobrir em nós o aroma das mudanças que tentaram reprimir...
Somos, afinal, uma grande tribo. A tribo dos com-Ágora. A tribo dos com-Debate, com-Pensamento, com-Reflexão.
Pena que os blogs, no Brasil, ainda não tenham o poder de formar, amplamente, opinião, como atingiram em outros cantos do mundo.
Aqui, e mais ainda no Pará, somos apenas nós – os cinco por cento de sempre.
Os que sempre ansiamos ir além da informação pasteurizada que nos empurram os tradicionais veículos de comunicação.
Aqui, tentam nos reduzir à senzala – quando muito, nos concedem alguma “Feitoria”...
Como se os “com –Ágora” fôssemos as ovelhas-negras das elites brasileiras. E não estivéssemos, em verdade, várias passadas à frente delas...
Afinal, nos tiraram dos canaviais.
Mas, nós, ao invés de nos acomodarmos às almofadas da Casa Grande, resolvemos enveredar por essa coisa meio quilombolesca da opinião própria...
Quem sabe, um dia, resolva a minha relação de amor e ódio com esse novo Palmares.
Quem sabe aprenda a servir um chá das cinco bacana, que nem o “cumprade” Juvêncio. Ou a me atualizar, enlouquecidamente, que nem o Jeso.
Quem sabe, um dia, me dedique, dê o melhor de mim, como eles fazem...
Olho para isso tudo – e para a Cris, por exemplo – e não posso deixar de pensar que estou diante de uma genuína Revolução da comunicação social...
Ofertamos informação e opinião – e não apenas “tinta e papel”, como definiu, de forma insuperável, o Juvêncio.
E eu olho para esse bolsão de couro que comprei – bacanão, até recende, manos...Tem até etiqueta de marca, avaliem!...Mermo, mermo bacanão...
Mas, com bolsão e tudo, eu não consigo reprimir essa vontade danada de me juntar a vocês...
domingo, 21 de outubro de 2007
Rebelião1
É engraçado como algumas pessoas se mostram intolerantes quando assumimos determinadas posições.
Desde a semana passada, quando declarei minha opção por Valéria, não paro de receber bicudas. E o pior é que sei que muitas outras virão.
Infelizmente, a política paraense é tão primária que inexistem adversários – qualidade do que é, sempre, eventual.
O que existe são inimigos, que é preciso “destruir”.
É como se insistíssemos em transportar para a arena política o capitalismo selvagem e a sanha implícita de destruição.
Ao fim e ao cabo, nada assim tão espantoso num estado que ainda abriga legiões de miseráveis e até a escravidão...E em que, os intelectuais, em geral, infelizmente, nunca leram além de um livro didático...
Creio que já dei todas as explicações possíveis acerca do meu posicionamento, da minha opção por Valéria.
Resta-me, apenas, bater numa tecla essencial, do próximo pleito: a recusa de ser, simplesmente, rifada.
Para mim, esse é um mote extraordinário que haverá de explicar muita coisa...
Como os R$ 20 milhões “concedidos” pelo governo petista a esse prefeito Metralha, justamente no período pré-eleitoral...
Vinte milhões para que Duciomar possa “guaribar” mais e mais ruas e praças, para nos enganar, novamente... Nós, o “povinho do nariz furado”, não é mermo?...
Para que Duciomar e o bando dele - a horda dele - possam enfiar mais e mais dinheiro público naquela conta bacana lá da Suíça...E para que não atrapalhem as “jogadas brilhantes” dos nossos políticos, em 2010...
O que alguns desses políticos estão a esquecer – ou fazem de conta que esquecem – é a História desta cidade.
A força, a coragem, a determinação dos cidadãos de Belém...
Esse desejo que existe em cada um de nós de não nos rendermos à bandidagem, por mais assustadora que pareça...
Tais políticos acreditam, que, com dinheiro farto – a bamburrar, digamos, assim, porque eles sempre bamburram, não é mermo? - poderão realizar uma grande lavagem cerebral em nossa cidade.
Como se bastasse distribuir “desmemoriol” – aquela tal pílula do esquecimento que eles tomam todos os dias – para que nós, o “povinho do nariz furado”, nos rendêssemos assim...
Nem estranho que o PMDB – leia-se Jader Barbalho – aja assim. E peço desculpas às novas lideranças do PMDB por falar delas assim. Mas, a verdade é que o velho, que falou tanto em juventude, não consegue dar espaço a mais ninguém, pois não?
A mim o que dói é que o PT e o PSDB tenham descido a tanto, também.
Afinal, o PT e o PSDB já foram a esperança da política brasileira.
Com esse discurso esfarrapado da ética e da moralidade pública e do compromisso com a população mais pobre...
Como é possível, então, que esses partidos imaginem rifar 1,6 milhão de pessoas?
Como é possível que esses partidos acreditem na possibilidade de entregar nossas vidas, nosso cotidiano, mais uma vez, nas mãos da horda de Duciomar?
Os “donos” desses partidos também vivem em Belém.
Os filhos, os netos deles, cruzam com os nossos filhos e netos, todo santo dia, quanto vão à escola, à lanchonete, à boate, ao restaurante da moda...
Será que esses “iluminados” imaginam que, por serem filhos e netas deles, esses meninos e meninas estão imunes ao que acontece em nossa cidade?
Será que imaginam que esses meninos e meninas não poderão contrair dengue ou outra doença qualquer - e até acabarem mortos – sim, MORTOS! – por uma doença, por um assaltante ou até por um acidente de trânsito?
Mas, em que planeta, em que mundo vivem esses “iluminados”?
Imaginam, por acaso, que os condomínios, as cercas elétricas e todo o aparato de segurança que pagam - com o nosso dinheiro, diga-se de passagem! - podem apartá-los, de fato, do restante da população?
A que grau de esquizofrenia chegaram as elites que dominam Belém?
Se não estamos livres nem de um vírus que escapa na China, nos Estados Unidos, na Inglaterra, quanto mais de um vírus que está bem aqui, a destruir Belém...
Mas, essa gente parece que acredita ter uma espécie de “pacto com Deus” – ou com Satanás, talvez...
Parece que se acredita melhor, acima, de todos nós...
Como se o dinheiro que juntaram às nossas custas fizesse deles alguma coisa de “super”, “trans”, ou sei lá mais o que...
Eles esquecem que o cotidiano acontece justamente nas ruas da nossa cidade – e não entre os muros hiper-seguros dos condomínios que pagam com o dinheiro - suado - do nosso bolso...
Esquecem que doenças, acidentes, violência são olham a posição social, a cor, a religião, o sexo, a idade de quem quer seja...
Será que o Poder cega tanto as pessoas? Será que o Poder é capaz de fazer isso às pessoas – ou elas já eram assim e nós é que não percebemos?
Não, não serei rifada – me recuso a ser rifada!...
Que os senhores e senhoras que nos querem rifar, que se mudem para Marabá, Santarém, Altamira, Tucuruí, Ananindeua - ou para qualquer outra cidade ou para qualquer outro “pólo” que considerem mais importantes...
Para mim, é como diria Cícero, o grande orador dos romanos: que peguem as suas gentes, as suas coisas e deixem esta cidade – de vez!
Que se vão, com as suas “jogadas brilhantes” e as suas tralhas, para bem longe daqui...
Eu, de minha parte, já me sentirei bem mais segura se, entre nós e essa gente, houver, ao menos, o muro do eleitorado...
sábado, 20 de outubro de 2007
Tropicalismo
Uma sessão Tropicália!
“Estou aqui de passagem. Sei que adiante um dia vou
morrer. De susto, de bala ou vício...”
Alegria, Alegria
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
(Caetano Veloso)
Soy Loco Por Ti, América
Soy loco por ti, América, yo voy traer una mujer
playera
Que su nombre sea Marti, que su nombre sea Marti
Soy loco por ti de amores tenga como colores la espuma
blanca de Latinoamérica
Y el cielo como bandera, y el cielo como bandera
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores
Sorriso de quase nuvem, os rios, canções, o medo
O corpo cheio de estrelas, o corpo cheio de estrelas
Como se chama a amante desse país sem nome, esse
tango, esse rancho,
Esse povo, dizei-me, arde o fogo de conhecê-la, o fogo
de conhecê-la
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores
El nombre del hombre muerto ya no se puede decirlo,
quién sabe?
Antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente
El nombre del hombre muerto antes que a definitiva
noite se espalhe em Latinoamérica
El nombre del hombre es pueblo, el nombre del hombre
es pueblo
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores
Espero a manhã que cante, el nombre del hombre muerto
Não sejam palavras tristes, soy loco por ti de amores
Um poema ainda existe com palmeiras, com trincheiras,
canções de guerra
Quem sabe canções do mar, ai, hasta te comover, ai,
hasta te comover
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores
Estou aqui de passagem, sei que adiante um dia vou
morrer
De susto, de bala ou vício, de susto, de bala ou vício
Num precipício de luzes entre saudades, soluços, eu
vou morrer de bruços
Nos braços, nos olhos, nos braços de uma mulher, nos
braços de uma mulher
Mais apaixonado ainda dentro dos braços da camponesa,
guerrilheira
Manequim, ai de mim, nos braços de quem me queira, nos
braços de quem me queira
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores
(Gilberto Gil, Capinan, Torquato Neto)
Geléia Geral
Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
A alegria é a prova dos nove e a tristeza é teu porto seguro
Minha terra é onde o sol é mais limpo e Mangueira é onde o samba é mais puro
Tumbadora na selva-selvagem, Pindorama, país do futuro
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
É a mesma dança na sala, no Canecão, na TV
E quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala as relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada, um LP de Sinatra, maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano, superpoder de paisano, formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela, carne-seca na janela, alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade, hospitaleira amizade, brutalidade jardim
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
Plurialva, contente e brejeira miss linda Brasil diz "bom dia"
E outra moça também, Carolina, da janela examina a folia
Salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
Um poeta desfolha a bandeira e eu me sinto melhor colorido
Pego um jato, viajo, arrebento com o roteiro do sexto sentido
Voz do morro, pilão de concreto tropicália, bananas ao vento
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
(Gilberto Gil e Torquato Neto)
Miserere Nobis
Miserere-re nobis
Ora, ora pro nobis
É no sempre será, ô, iaiá
É no sempre, sempre serão
Já não somos como na chegada
Calados e magros, esperando o jantar
Na borda do prato se limita a janta
As espinhas do peixe de volta pro mar
Miserere-re nobis
Ora, ora pro nobis
É no sempre será, ô, iaiá
É no sempre, sempre serão
Tomara que um dia de um dia seja
Para todos e sempre a mesma cerveja
Tomara que um dia de um dia não
Para todos e sempre metade do pão
Tomara que um dia de um dia seja
Que seja de linho a toalha da mesa
Tomara que um dia de um dia não
Na mesa da gente tem banana e feijão
Miserere-re nobis
Ora, ora pro nobis
É no sempre será, ô, iaiá
É no sempre, sempre serão
Já não somos como na chegada
O sol já é claro nas águas quietas do mangue
Derramemos vinho no linho da mesa
Molhada de vinho e manchada de sangue
Miserere-re nobis
Ora, ora pro nobis
É no sempre será, ô, iaiá
É no sempre, sempre serão
Bê, rê, a - Bra
Zê, i, lê - zil
Fê, u - fu
Zê, i, lê - zil
Cê, a - ca
Nê, agá, a, o, til - ão
Ora pro nobis
(Capinan/Gilberto Gil)
É Proibido Proibir
A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim...
E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
(Caetano Veloso)
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Dudu2
I
Quando escrevi o post “O Prefeito Metralha” tinha consciência das críticas que receberia.
Mas, quem dá a cara tem de saber conviver com o contraditório.
Aliás, para mim, é aí que reside uma das belezas do jogo democrático: o amor com que tantas pessoas defendem aquilo em que acreditam, mesmo que seja oposto ao que defendemos.
Tenho publicado a maioria das críticas, evitando, apenas, aquelas que são demasiado ofensivas a outrem.
Respeito quem me critica e até agradeço, porque isso instiga à reflexão.
Feliz ou infelizmente, porém, a política não é feita nem por anjos, nem por demônios, mas por seres humanos, com esse infinito de crenças, expectativas e circunstâncias que cada um de nós representa.
No jogo político, como em tudo na vida, somos levados a fazer escolhas.
Escolhas que podem nem ser aquelas que gostaríamos. Mas que se afiguram “o possível”, frente à determinada conjuntura.
II
Ao contrário do que disse um comentarista, não me esqueci do que publiquei acerca de Fernando Dourado.
Ao declarar minha opção por Valéria, não tentei passar um atestado de idoneidade a quem quer que seja. Nem tenho poder para isso.
Penso, também, ter deixado claro que não cultivo simpatias ideológicas pelo DEM.
Respeito, porém, as opções dos autodenominados democratas.
Mais não seja, porque “ver o mundo”, digamos assim, e expressar opiniões é direito básico. Implícito, aliás, à própria condição humana.
III
Aprendi, ao longo destes anos, que a eficácia do nosso jogo, no âmbito político, depende, em primeiro lugar, de sabermos identificar o inimigo principal.
Ninguém, nesta grande mesa que é a política, consegue alguma coisa isoladamente; é preciso respeitar, negociar.
E a base dessa negociação, além, é claro, de um projeto estratégico, é a identificação do inimigo comum conjuntural.
Não adianta ficar reclamando da vida, dizendo que todo mundo é farinha do mesmo saco: metralhadoras giratórias têm vasta repercussão folclórica, mas nenhuma conseqüência histórica.
É preciso optar. E nem sempre pelo melhor. Mas, na maioria das vezes, pelo menos pior...
IV
Quem é melhor ou menos pior: Valéria ou Duciomar?
Tudo bem: nós, de esquerda, realizemos aquela catarse básica...
Arranquemos os cabelos, imploremos aos céus... Digamos: “Senhor, Senhor, como chegamos a esse ponto?”.
Nada – rigorosamente nada - conseguirá alterar a conjuntura que está aí.
Podemos discordar do DEM, ter mil reservas em relação ao Vic. Mas, ainda assim, persistirá a pergunta: quem é melhor ou menos pior?
E não adianta vir com Mário Cardoso, Suely, Edílson ou até mesmo Jatene.
São melhores ou menos piores?
Mas, além disso – e é isso que acaba sendo definidor – qualquer deles tem condições de se bater, com alguma chance de vitória, com o prefeito Metralha?
Vejam bem: não estou falando como tucana, filiada ao PSB, que joga com o PMDB, admira candidato do PT e que está disposta a apoiar o PFL...
Não é como uma “contradição”, como me chamou um anônimo.
Até porque não vejo nisso contradição: vejo capacidade de conviver e de ir além dos interesses de efêmeras lideranças partidárias...
Falo como cidadã de Belém. Como alguém que vive aqui porque quer e precisa viver.
Falo como alguém que nutre um profundo amor por esta cidade.
Como alguém que se recusa a ser simplesmente “rifada”, porque o jogo deste ou daquele partido exige que se rife, neste momento, 1,6 milhão de pessoas.
Falo como mãe, que não quer ver a filha adoecer de dengue.
Falo como ser humano, que não agüenta mais ver gente morrendo em posto de saúde, enquanto dois ou três bandidos metem dinheiro público no bolso.
V
Por que Valéria é melhor ou menos pior que Duciomar?
Em primeiro lugar, porque nada é pior que Duciomar.
Ele é o sujeito que desceu tanto o nível da roubalheira, da patifaria, que não é possível encontrar exemplo anterior. Ele é, simplesmente, o mau exemplo de si mesmo.
A coisa que nos leva a buscar comparações com um vírus, um bando, uma horda, naquela tentativa básica de racionalizar.
E eu me pergunto – mesmo tendo em mente que inexistem anjos e demônios neste jogo – como é possível que nós, sociedade, tenhamos parido algo assim?
Esse sujeito é um psicopata guindado à condição de agente político. E só.
Para ele, são normalíssimas todas as aberrações: desde falsificar diploma – e, “eventualmente”, cegar alguém - até deixar morrer crianças, pais, mães em posto de saúde.
Para ele, inexiste uma característica básica das pessoas: a capacidade de se identificar com o outro, com a dor do outro...
Para ele, e para os demais psicopatas que o rodeiam, só existe o interesse próprio: o prazer que lhes é dado pela apropriação de um dinheiro que pertence a todos nós.
VI
Valéria não merece ser comparada a isso.
Com todas as restrições que tenho ao DEM e ao Vic, tenho de admitir que ela possui qualidades importantes.
Algumas, aliás, até espelhadas em práticas de que discordo. Como o assistencialismo sincero, que eu sei que não leva a lugar algum - mas que ela acredita importante.
É engraçado. Quando eu trabalhava na Funcap, em 1997, discutíamos justamente isso: a diferença entre políticas emancipatórias e assistencialistas.
E eu me recordo das queixas de alguns técnicos, acerca da falta de algum assistencialismo, em meio às políticas que os tucanos tentávamos imprimir.
O problema é que nos deparávamos, muitas vezes, com crianças que estavam em abrigos da Funcap porque a família não possuía, por exemplo, banheiro em casa.
E a gente ficava pensando a falta que fazia um bocadinho de assistencialismo. Afinal, a construção de um banheiro poderia representar, ao menos, o aconchego de um lar.
Não mudaria nada na condição miserável dessas famílias.
Mas, certamente, apagaria daquela criança as marcas da institucionalização.
Para nós, classe média, é difícil entender a importância de um banheiro, até porque é algo tão presente em nossas casas que nem pensamos nisso.
Mas, infelizmente, a maioria da nossa gente vive que nem bicho...
VII
Valéria tem essa sensibilidade, essa capacidade de identificação com as pessoas pobres.
Tenho pra mim que, se ela fosse a prefeita, aquele cidadão que agonizou duas horas diante das câmeras, não teria morrido.
Em último caso, ela mesma apareceria ali com um médico ao lado.
Não penso como ela. Mas tenho de reconhecer a sensibilidade que ela tem.
E isso, certamente, já a faz muito melhor que o Dudu...
Pode-se argumentar que ela faz isso por politicagem.
Como quando insistiu em levar o “Presença Viva” a todo o estado. E em entregar, pessoalmente, os óculos, o receitório, as certidões.
É possível... Mas, infelizmente, tenho para mim que é bem pior: ela crê, de fato, nisso...
Valéria acredita nos óculos, na certidão, na cesta básica, como coisas, de fato, decisivas para essas pessoas...
Não entende a diferença entre benesse e direito.
Por isso, sempre, a longo prazo, estaremos em campos opostos.
Mas, tenho de reconhecer que esse é um diferencial a favor dela.
Exatamente como o diferencial a favor dos comunistas: são pessoas que acreditam na bondade humana...
VIII
É inevitável que me coloque na defensiva sempre que alguém tenta creditar a um homem poder decisório sobre uma mulher.
Já vi mulheres acreditarem nisso. Mas eu, jamais, conseguirei ver a nós, mulheres, como alguma coisa manobrável.
Somos, infinitamente, mais inteligentes.
Construímos algumas das conquistas fundamentais da humanidade, como a cerâmica, a agricultura, a linguagem, a cultura.
Desenvolvemos elaboradas técnicas de sobrevivência, em meio ao massacre da força bruta.
Tenho para mim, portanto, que ao invés de sermos manobráveis, sabemos é manobrar.
Sabemos usar a imagem, o que se espera de nós; o papel social que insistem em nos reservar.
Em nós, a negociação tornou-se quase que um ganho biológico...
Nestes meus 46 anos nunca conheci mulher “dominada” por homem.
Vi mulheres que regateiam, o que eu jamais regatearia, por causa de uma forma de ser em que acreditam, por “n” fatores.
Vi mulheres que têm medo de seguir em frente – menos por questões econômicas e mais pelo que, culturalmente, foram levadas a desejar.
Mas, jamais vi mulher que decidindo, não tentasse “acontecer” – e por causa disso, aliás, muitas de nós são assassinadas, todo santo dia...
Possuímos, todas, essa força.
Por isso, da mesma forma que não acredito que o tal piloto manobrasse a Ana Júlia, não acredito que o Vic manobre a Valéria.
É verdade que são histórias diferentes, visões diferentes.
Uma abriu caminho sozinha.
Outra vem abrindo caminho a partir de.
Uma vem dos movimentos sociais; outra, dos chás beneficentes...
Mas, todas, vamos nos encontrar lá na frente...
E o engraçado é constatar as semelhanças.
Ana nomeou um mundo de mulheres, inclusive uma secretária de segurança, que deixa a macharada de cabelo em pé.
Valéria tinha um mundo de assessoras. E era tanta mulher, tanta mulher que, maninhos, confesso que até me incomodava...
A gente olhava prum lado e pra outro e mal via um macho... Que coisa horripilante!...
Já bebi demais; no final de semana continuo essa postagem, a falar sobre as possibilidades da Valéria enfrentar – e talvez derrotar – esse prefeito Metralha.
Mas, acho bacana acabar falando de nós.
De quem somos, meninas...
E de tudo o que já conseguimos conquistar...
FUUUUIIII!!!!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Dudu 1
Há muito tempo que Duciomar Costa já deveria estar preso, ao invés de continuar a administrar (?) a maior cidade do Pará e da Amazônia.
É difícil acreditar, porém, que esse Prefeito Metralha, tenha, enfim, o destino que merece, a partir do pedido de prisão do MP.
Não é segredo para ninguém que a Justiça, em nosso país, e mais ainda em nosso estado, deixa muito a desejar.
Infelizmente, enquanto a Nação passa a limpo o Executivo e o Legislativo, o Judiciário tem escapado praticamente incólume dessa tácita “operação mãos limpas”.
Não porque é merecedor de um atestado de idoneidade. Mas, simplesmente, porque o corporativismo e o poder dos Meritíssimos permitem que seja assim.
Raros são os juízes que vêem o sol nascer quadrado. Raros são os que têm, ao menos, de explicar a incompatibilidade entre os ganhos que possuem e o patrimônio de que dispõem.
E os poucos que têm de prestar contas à Justiça, porque flagrados em atos de puro banditismo, acabam postergando infinitamente a devida punição – ou até “premiados” com a belíssima aposentadoria que seria negada a um servidor público comum.
Como se juízes, desembargadores, ministros dos tribunais superiores não fossem apenas e tão somente servidores públicos.
Que, quando flagrados se locupletando, “peculatando”, digamos assim, não devessem responder da mesmíssima maneira por tais atos.
Pena de juiz, desembargador, ministro contraventor deveria ser exemplar.
Não apenas pela remuneração que recebem: afinal, quanto é que isso representa em relação ao salário mínimo, que é a mísera remuneração da maioria esmagadora dos trabalhadores brasileiros?
Mas, principalmente, porque a dignidade do cargo que lhes foi concedido – o poder de julgar, de dirimir, de intermediar conflitos – deveria pressupor o compromisso com a sociedade que os pariu.
Talvez o cerne da questão seja a origem dos Meritíssimos, em geral provenientes, especialmente na Região Norte, da oligarquia.
Dessas “famiglias” escravistas que ainda acreditam no “Direito Divino”.
E que não conseguem perceber a impossibilidade de deter a radicalização democrática, devido, principalmente, ao avanço das tecnologias de informação.
Não quero meter todos os juízes, desembargadores e ministros no mesmo saco, até porque sei que não é assim.
Já conheci alguns bem bacanas, extraordinários.
Mas, enquanto os Meritíssimos não se dispuserem a fazer a necessária faxina, todos acabarão parecendo exatamente iguais.
II
Mas, voltemos ao nosso “Prefeito Metralha”, que motivou este post.
Não é primeira vez que se pede a prisão dele e de outros integrantes da quadrilha dele.
Aliás, há que se dar a César o que é de César: Belém nunca viu quadrilha como essa. E eu me pergunto se haverá cidade brasileira que tenha visto, nos últimos tempos, algo assim.
Duciomar Costa parece nascido da imaginação do finado Dias Gomes, com o antológico personagem Odorico Paraguaçu – que, se não me engano, era até escrito com dois esses...
Não apenas ofende a gramática e a moralidade pública; ofende até a lógica mais rasteira, que perpassa os atos de qualquer ser humano.
A quadrilha que Dudu chefia não tem qualquer compromisso, além do enriquecimento dela mesma. E demonstra isso, todo santo dia, de modo insofismável.
Não é como as quadrilhas que, eventualmente, se apropriaram de bens públicos, em Belém ou no Pará, por motivos pessoais ou coletivos/partidários.
Essas, ao menos, procuravam se justificar, faziam alguma coisa: desentupiam um cano aqui e ali; construíam uma praça, uma escola; colocavam uma lixeira, combatiam endemias, epidemias, ou sei mais que “ias”, mesmo que mandando que os coitados dos guardas sanitários se virassem nos trinta...Faziam campanhas “benevolentes” pelos pobres, distribuindo direitos como se fossem favores...
O problema da quadrilha de Duciomar é que não se trata, exatamente, de uma quadrilha. É um bando, uma cepa virótica.
Quadrilhas, por exemplo, não destroem, o sistema bancário – pelo contrário, querem que os bancos continuem a existir, para que possam continuar a roubar.
Bandos, não estão nem aí. Chegam, assaltam, queimam, destroem e pronto. Porque não conhecem outra existência que não seja a parasitária.
Duciomar e o seu bando rendem até tese de doutorado.
Estão todos ricos e maravilhosos – e assim continuarão.
São a cara do eleitorado, que acha isso normalíssimo. Do cidadão da periferia, que considera “benesse” uma certidão de nascimento; que não tem nem idéia do que seja Cidadania. E que se o “pulítico” não “concede”, não ajuda, ainda acredita, piamente, naquele perobal...
Ainda levará uns 50, cem anos, para que o Pará e Belém se ajustem aos trilhos democráticos.
Sempre foi assim; sempre experimentamos todas as conquistas sociais com décadas de atraso.
Mas, sinceramente, não acredito, prefiro não acreditar, que ainda nos encontremos num tempo que “reacolhe” o bando, o vírus, representado por um Duciomar.
III
Em post anterior falei da minha opção por Valéria, nas próximas eleições. E gostaria de esclarecer isso.
Não gosto do DEM, embora respeite e goste – e muito - de vários Democratas. Minha “mãe espiritual” é do PFL/DEM. E tenho por ela um amor imenso, de alma, mermo.
Por causa dela e de outras pessoas fantásticas que conheci, dou graças a Deus por apreciar as pessoas bem mais que as siglas...
Mas, não poderei, jamais, concordar com o ideário do DEM. E espero em Deus que seja sempre assim. É questão ideológica. E ponto.
Mas, sou forçada a reconhecer que Valéria é a única candidata em condições de enfrentar o bando de Duciomar.
Meu candidato do coração – a prefeito, governador e até presidente do Brasil – se chama Mário Cardoso. E que petista extraordinário ele é!...
O professor Mário respeita, ouve as pessoas, mesmo que tenham opção política diferente da dele.
É de um espírito democrático tão radical, que conseguiu deixar até a Perereca de queixo caído...
Nunca o vi ofendido ou descontente com eventuais divergências. Pelo contrário: ele parecia apreciar isso...
Não bastasse isso é um soldado, que sabe se curvar, democraticamente, às decisões coletivas.
E é honesto – vejam só!
E é um intelectual que sabe a importância da participação popular.
Que não se isola, se encafua na estratosfera. Mas que quer saber, sinceramente, o que pensa a dona Maria lá da Vila da Barca. Porque sabe que só assim o “sonho” terá chance de se concretizar, afinal...
Sou tucana e jamais abrirei mão dessa condição, mesmo que proscrita.
Até porque não miro o hoje, mas, o amanhã.
Para mim, dominar um estado por doze anos é loucura, porque isso, em primeiro lugar, vicia as instituições.
E o fato de ser tucana me faz acreditar, visceralmente, na democracia. E um dos pilares da democracia é, justamente, o livre funcionamento das instituições...
Por isso, quadros como Mário Cardoso me fazem invejar o PT – porque nós, tucanos, com a nossa opção preferencial pelo personalismo, nunca conseguimos cultivar quadros assim, tão desapegamos, como direi, da própria voz, e imbuídos, de fato, de representar o grupo que lhes transferiu o poder de coordenação.
Nunca conseguimos enveredar pelo caminho da radicalização democrática; nem sombra disso. Que pena, não é mermo?
O problema é que Mário não tem condições de derrotar o bando do Dudu.
Mário precisa de tempo – precisa ser devidamente trabalhado, para enfrentar esse amplo domínio do jogo de cena, das câmeras de Tv. E isso demandará, certamente, uns dois ou três anos de intensivão no pé do “fessor”. Para que aprenda até a se vestir e a falar...
De Suely, então, nem se fala. E do tal do Edílson, também. Isso é loucura da DS, que está a ficar igualzinha ao Gueiros...
O poder sobe a cabeça, manos. E vocês resolveram, agora, que podem eleger um poste. E vão perder com poste e tudo, infelizmente...
O “xis” da questão nas eleições do ano que vem é que está todo mundo de olho em 2010.
O Jatene e a Ana temem a Valéria como prefeita de Belém.
Quer dizer: ninguém está mirando o hoje, mas o amanhã.
Para ambos, portanto, assim como para o PMDB, é mais tranqüilo um “imbecil” como o Duciomar.
É engraçado: todas essas pessoas, que se acham tão inteligentes, resolveram embarcar na crença de que Dudu só quer é trepar. E trepar bem longe, lá em Brasília.
Todos, em suma, arresolveram contar com o ovo no fiofó da galinha
Contam com a história de que esse bando, essa horda, depois de destruir Belém, não vai querer “flagelar” o estado também.
Sou tentada a dizer: Deus queira, Deus queira...
Mas, pelo sim, pelo não, eu, cidadã fumada, sujeita à dengue e a todos os desmandos dessas criaturas, prefiro me prevenir.
Até porque não quero ser, simplesmente, “rifada”, eu, moradora de Belém, junto com 1,6 milhão de pessoas...Não é justo, pois não?
Por isso, vou de Valéria. E para mim, se Deus ajudar, há de ser Valéria na cabeça!
sábado, 13 de outubro de 2007
Círio 2007
Que posso desejar a vocês além da maniçoba adubada, com pimenta arretada e farinha grossa?
Quem sabe um pato no tucupi, daqueles que deixam a gente a suar...
Talvez, um “feliz doce de graviola”, de bacuri, de cupuaçu, de tapioca...
Ou a manga madurinha, com o sumo a escorrer pelos cantos da boca...
Ou um “feliz açaí grosso!”. A pupunha cozida, quentinha, graúda e vermelhinha, com manteiga e café...
Que posso desejar a vocês além da lembrança do primeiro arraial?...
Da primeira roda-gigante, do primeiro carrossel, do primeiro algodão-doce, da primeira maçã do amor...
Da primeira bola colorida, do primeiro bichinho de miriti...
Do primeiro trem-fantasma. Sim, do primeiro trem-fantasma, com as visagens arregaladas nuns olhos de espanto, que rendiam gargalhadas “prum” mês inteiro...
Quem sabe, um infinito de rios e baías, com jeito de mar...
Quem sabe a chuva, uma feliz e abençoada chuva, daquelas que “amolham” o corpo e a alma também...
O que se pode desejar de sublime a quem vive em Belém-do-Pará?
Que gosto, que cheiro, que cor, que sensação, que desejo não nos acariciou?
Ah, sim, faltou a Virgem, a Santinha!...
A Senhora que nos enseja, atiça e abençoa...
Então, só me resta desejar que a Mãe, essa Grande Mãe, “abalance” vocês em seus braços. E que aperte e aperte e aperte...E que proteja... Do jeitinho que faz a Belém.
Que cada um de vocês seja o lírio mimoso, o mais suave perfume, o céu estrelado...O amor – o grande e incondicional amor – de Nossa Senhora de Nazaré!...
Que cada um de vocês seja único, no coração dela.
E que Ela, simplesmente, sorria... Toda feliz da vida...Ao lembrar do filhinho bacana que é você!...
Um Feliz Círio, meus amores!
Este Rio é Minha Rua!
Este rio é minha rua
Minha e tua mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré
Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em puraqué
Rio abaixo, rio acima
Minha sina cana é
Só de pensar na “mardita”
Me “alembrei” de Abaeté
Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em puraqué
Me “arresponde” boto preto
Quem te deu esse pixé
Foi limo de maresia
Ou inhaca de mulher
Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em puraqué
(Paulo André e Ruy Barata)
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Araújo
O PT precisa esclarecer, de uma vez por todas, as acusações de que teria mantido relações perigosíssimas com a “tchurma” de Chico Ferreira e Marcelo Gabriel.
A carta de Luiz Araújo, por Alessandro Novelino divulgada, não é a primeira a se referir a isso.
Nos bastidores políticos, de há muito corre solta a boataria acerca de tais relações.
Fala-se em contribuição milionária à campanha de Ana Júlia e de prefeitos e parlamentares petistas, inclusive com a existência de cheques e de telefonemas grampeados pela PF.
Fala-se até mesmo de empréstimos à quadrilha, chancelados por importantes lideranças petistas.
Desde a prisão de Chico Ferreira que tais boatos têm pesado como espada de Dâmocles, sobre várias cabeças coroadas do petismo.
Eram ameaças veladas, repassadas em forma de recadinhos, através de várias pessoas.
Eram pedacinhos de grampos telefônicos, divulgados aqui e ali.
Mas, até a carta de Araújo, nunca se havia falado de forma tão aberta sobre tais relações.
E as perguntas que ficam são: por que, justamente, Araújo, que teria sido um dos mentores do assassinato dos irmãos Novelino?
E porque, justamente, Alessandro, irmão dos assassinados?
Não consta que Alessandro seja, exatamente, um estrategista.
Diz-se que teria revelado a carta, para comprovar as más intenções do chororô de Araújo.
O problema é que, na carta, o que mais chama a atenção são as relações promíscuas entre o PT e a quadrilha de Chico e Marcelo.
Teria sido mais um recadinho?
Se for assim, o PT estaria apresentando obstáculos à punição dos assassinos dos Novelino?
Ou, ao menos, estaria, de alguma forma, tentando ajudá-los? Ou, ainda, não estaria fazendo o que poderia?
Outra dúvida esquisita é quanto à intenção de Alessandro.
Ora, o chororô de Araújo é para não ser transferido para Americano, porque ali a vida dele estaria ameaçada.
Ora, Araújo é peça-chave no desvendamento do assassinato dos irmãos Novelino.
Logo, pergunta-se: não seria do maior interesse do deputado Alessandro que Araújo permanecesse onde, em tese, tem maiores condições de continuar vivo?
Além disso, de toda a confusão que cerca a carta de Araújo, emerge outra dúvida atroz: é possível que o PSDB estivesse a participar, junto com os petistas, ou das pressões sobre os petistas, para relaxar as investigações sobre as atividades de Chico e Marcelo?
Não sou “moralista” e muito menos ingênua.
Depois de décadas de militância política, sei que é preciso certa “flexibilidade” para angariar os recursos necessários a uma campanha eleitoral, especialmente em se tratando de partidos de esquerda.
Mas, também acredito que há limites a essa “flexibilidade”.
Será que ninguém desconfiou que, por trás dos milhões abocanhados pela quadrilha, poderia haver algo mais do que caixa dois eleitoral?
Será que ninguém nunca desconfiou de esquemas mais pesados, como lavagem de dinheiro e tráfico de drogas e de armamentos?
Será que ninguém nunca se perguntou – como me instigou, certa feita, um promotor – de onde saiu Chico Ferreira, o que permitiu que se associasse até ao filho de um governador e para quem e por que é, enfim, necessário?
De que forma Chico Ferreira foi aceito, tão de ânimo leve, nos principais círculos da sociedade paraense?
A carta de Araújo e as circunstâncias dela, enfim, mais escondem do que revelam.
São como a esfinge a repetir: decifra-me ou te devoro.
Resta saber quem será o corajoso Édipo. E o destino que terá...
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
pensando, pensando
Toda vez que digo que sou de escorpião, as pessoas torcem o nariz. Porque, para todo mundo, esse é um signo cruel.
Não nego que possuímos imensa capacidade de destruição. Até porque, para nós, destruição não significa fim, mas, renascimento.
É a capacidade de atravessar desertos e desertos, a cheirar no grão de areia a promessa da flor.
Talvez por isso todo escorpiano pareça meio amalucado.
Não há tempo ruim. Porque a gente sempre consegue encontrar aquele fiozinho de esperança.
Essa é, aliás, a característica de quem se acostumou a “brotar das pedras”.
A sobreviver, teimosamente, mesmo onde todos “insistem” em morrer.
É isso... Para nós, escorpianos, a morte é uma incompreensível insistência. Porque o normal é sobreviver – de qualquer forma, de qualquer jeito. E o resto logo se verá...
Um escorpiano é uma incerteza permanente para si e para os outros.
Talvez, um perigo público. Mas, antes, um perigo para si mesmo.
Porque é capaz das manobras mais arriscadas. E mais seguras, também.
Como o sujeito que se lança de um avião, a sei- lá-quantos mil pés. Mas sabendo, de si para si, que possui escondidos trezentos pára-quedas. E que mesmo se todos falharem, ainda assim seguirá em frente, mesmo que todo arrebentado.
A arrastar-se, a esconder-se debaixo da primeira pedra. E ali ficar. Até que o tempo e o meio lhe permitam caçar de novo.
Por isso, um escorpiano parece um bicho esquisito, sem a capacidade de criar os laços que todos os bichos criam.
Com a “manada”, a família, o meio.
É só aparente. Escorpiano cria laços, sim. E bem mais profundos que a maioria dos animais.
Cria laços com as pedras, o sol, o deserto, a areia.
Cria laços até com o animal que o ajudou a atravessar o rio...
Mas jamais deixará de ser, sobretudo, um sobrevivente...
Respostas
Mais logo respondo às dúvidas que ficaram acerca do meu último post e aos comentários que recebi, um deles do deputado Vic Pires Franco.
No momento, estou tentando “acordar”, digamos assim, colocar a cabeça em ordem; encontrar um rumo, um farol em meio à tempestade.
Creio que chega um momento na vida de todo mundo em que é preciso decidir aquilo que, de fato, se quer: o que nos move, o que valorizamos, afinal.
Não aquilo que simplesmente deixamos passar diante de nossos olhos, por vezes, ao alcance das mãos.
Não o que temos, todo santo dia, como se não tivéssemos; que está ali, mas poderia não estar.
Mas, o sonho, o que aquece a alma. O aparente desvario, que ninguém mais entende. Mas, que faz uma falta danada dentro do peito.
Se não for por isso, pelo que vale a pena lutar?
O que será de nós, quando nos formos, se não conseguirmos viver a plenitude deste átimo que é a vida?
Pensava um dia desses: quando chegamos ao mundo, trazemos, ao menos, um corpo.
Mas, quando partimos, somos tão somente a alma diante de Deus.
Que se chame de Deus, o que se queira chamar: Tempo, História, Destino, Memória, Natureza, Potência, Criador.
Ainda assim seremos apenas Isso e a alma. Nada mais.
Nabuco
Va', pensiero, sull'ale dorate;
Va', ti posa sui clivi, sui colli,
Ove olezzano tepide e molli
L'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
Di Sïonne le torri atterrate...
Oh mia patria sì bella e perduta!
Oh membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,
Perché muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto raccendi,
Ci favella del tempo che fu!
O simìle di Sòlima ai fati
Traggi un suono di crudo lamento,
O t'ispiri il Signore un concento
Che ne infonda al patire virtù!
(Verdi)
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Eleições: Divagando
I
Não há nada no mundo que me faça apoiar a reeleição de Duciomar Costa.
Não, não se trata de uma questão pessoal, ou até gramatical, em relação aquele “subi” irritante.
É uma questão humanitária, mermo.
Em relação à dona Maria e ao seu José que estão, literalmente, a morrer, devido à ação da quadrilha desse indivíduo.
Já ando nisso há anos. Mas, tenho cá pra mim, com os meus botões, que há um limite para a negociação política.
E esse senhor, Duciomar Costa, ultrapassou todos os limites.
Tornou-se, para nós, uma espécie de Odorico Paraguaçu, sempre em busca de cadáveres.
Um Herodes no tucupi, a assassinar bebezinhos.
Um monstro, nada além de um monstro.
E monstro, bicho, a gente simplesmente ignora, pois não?
Belém não merece isso. Produzimos o maior movimento social da História.
Como, então, podemos imaginar que a nossa cidade possa se tornar refém de meia dúzia de bandidos?
Para mim, Dudu não passa do agenciador dos Irmãos Metralha.
É o doente, o psicopata, a comandar toda sorte de patifaria com o dinheiro público.
Lembro do Papudinho e do Edmilson.
Nenhum foi honesto, bacana, como Belém mereceria. Mas, deixaram alguma coisa.
O Papudinho, a Doca, o 192 e as lixeiras da Ebal.
O Ed, o Jurunas todo saneado e parcialmente asfaltado, assim como a Cremação.
Mas, o que o Dudu nos deixará, além de roubar?
Ele fica se apegando ao Portal. Mas, será que milhares de janelas para o rio valem uma única vida?
Além disso, ainda não há nada dele que possamos lembrar, além do sofrimento e da morte da nossa gente.
Para mim, há duas fotografias pungentes na vida.
A primeira é a daquelas crianças correndo, desesperadas, do Napalm estadounidense no Vietnan.
A segunda, porque está bem próxima, é a daquela mãe com o filho morto nos braços, a sair de um posto de saúde de Belém.
E que importa se era a tia, a avó ou a prima, como disse, depois, o Diário.
Era uma criança que morreu num posto de saúde. E ponto.
Pode-se até argumentar que as câmeras estavam à espera de.
Mas, eu proponho o raciocínio inverso: a morte é tanta, a fedentina da latrina é tamanha, que não há mais como esconder.
Para mim, portanto, não há acordo.
Para mim, ainda é menos pior o Fernandinho Douradinho e o Viquinho.
Até porque acho que Valéria tem um pouco mais de inteligência e sensibilidade.
Já trabalhei com ela. E sei do que estou falando.
II
Sei que, estrategicamente, é bem mais fácil ao PSDB justificar o apoio ao Dudu.
O Jatene raciocinou assim (e eu sei como ele raciocina): Dudu se reelege, na capital, que detém 30% do eleitorado.
Ele, Dudu, não tem ambição, além de estar com a amante em Brasília. Não será, portanto, candidato ao Governo. Até porque é um enfermo neurológico, facilmente manobrável.
Logo, me apoiará, a mim (Jatene), ao Governo do Estado, em 2010.
Até porque já abriga a minha gente e sabe que pode confiar, porque ela não dá um pio.
E eu, se pudesse, diria ao Jatene que esse é um dos raciocínios mais simplórios que já vi na vida.
Nem parece teu, viste? Nem parece teu...
Em primeiro lugar, não contas com a corte e com os incensos, que alimentam todas as ambições.
Em segundo lugar, isso é rame-rame matemático, demasiado para a política.
E, se lá pelas tantas, mesmo sem incenso e corte, essa criatura se convencer, per si, de que é um bom administrador?
E se essa criatura – que é humana – quiser provar alguma coisa a si mesma e a outrem?
E se essa criatura considerar, simplesmente, natural, ascender mais um patamar?
Infelizmente, Barão, as pessoas, as mentes, não são tão lógicas.
Pesa nelas - em nós - muito além do número frio; uma infinidade de circunstâncias e de sentimentos.
As pessoas são assim, né mermo, Jatene? Que se há de fazer?
As gentes se compõem e recompõem de experiências, muito além do que o outro poderá entender.
Por isso, nada, em se tratando de pessoas, é certo. Nada é justo, nada é o que deveria ser.
Pessoas são como tempestades reprimidas nos céus.
Por isso, para entendê-las, é preciso sondar, conhecer, os sinais que os céus se esmeram em esconder.
Pessoas não são números, não são exatas: são sentimentos, desejos de.
Assim, não contes que conheces a quem manobras: quem sabe, não é ele a te manobrar, afinal?
III
Não quero mais pensar nisso.
Não quero mais saber de política.
Estou contando os dias para ir-me embora para Algodoal. Vou viver o mar. Ser o mar.
Até porque não preciso de nada disso.
Dinheiro, status, poder não me dizem merda alguma.
Que as pessoas morram por isso: quero mais é viver.
E viver em frente ao mar.
Encharcar os olhos e a alma de mar. E ver a vida, ser a vida, como os bichinhos que brotam aos meus pés...
Mas, gostaria de dizer a Valéria que ela, se for mermo catita, como penso que é, terá jogo de cintura para conseguir os apoios necessários a essa eleição.
A senha veio do julgamento do STF.
A hora é de negociar. De fazer-se acreditar. De olhar no olho – e conquistar.
É o toma-lá-dá-cá, mas, com uma coisinha a mais: creia, você pode confiar em mim!...
E agora quero mais é beber em paz, enquanto faço a contagem regressiva para Algodoal.
Vocês já pararam para pensar?
Vou realizar o sonho de cada um de vocês!
E há alguém mais habilitado a isso que eu, a Perereca da Vizinha?
Não, de certeza, que não!
Beijinhos!
FUUUIIIII!
domingo, 7 de outubro de 2007
Infância
Voltar à infância.
Ver a barca, o carneirinho.
O chapéu azulzinho que era feito de mar.
Muito além dos rios,
Ir buscar o chapéu da Espanha.
Com Nossa Senhora a abençoar.
Ser o mundo num corrupio.
E pular.
Uma casa, duas, três...
Arrodear o bosque.
As almas que vinham de longe.
Que viam de longe.
Fazer das almas um bem.
Fechar os olhos.
Esconder-se debaixo da cama.
E fazer do monstro um amigo.
Cheio de medo também.
Entender o pato.
As encrencas em que se metia.
Tornar-se um peixe.
Para mentir à água fria.
Porque sem ela é impossível viver.
Ver o arco-íris bordado de girassóis.
Muito além do infinito.
Repleto de tantas petecas e tantos bombons
Que era impossível não querer.
Ser um instante.
E num instante não ser.
Pegar nas mãos o bichinho,
Selvagem e docemente.
A carregar um peito de passarinho,
Que só quisesse voar.
Achar o mistério da grama.
Da chuva, do cheiro, das borboletas e caracóis.
Entregar-se ao riso como quem vai ao circo.
E revelar na boca todo o coração.
Ver o poente como alguma coisa que se põe.
O instante que se vai porque o instante tem de ir.
Indagar da metafísica o que é, afinal.
Fazer da inocência a indefinição.
Querer e apenas querer.
Como quem quer o mundo, o computador turbinado, o carro de último tipo, a Gisele, o botox, o castelo de caras e qualquer mise en scene – ou sabe-se lá como isso se escreve e como se escreve como se escreve.
Ir por aí. E transgredir.
Os passeios, as pontes, as muradas.
As leis e a gramática.
Os símbolos e os sinais.
Ser além do ponto de interrogação.
Pois, que tudo é torrente.
E voltar ao jogo de amarelinha.
Sim, ao jogo de amarelinha, mais uma vez voltar.
Belém, 07 de outubro de 2007.
sábado, 22 de setembro de 2007
ET2
(Os tambores e gritos cessam. O ET, com um uniforme prateado, embaixo, junto à escada do disco voador, olha na direção da Perereca e da Correspondente e aponta para o céu).
_ET...ET...Phone...Home...Hoooome...
_Mas que diabo é isso, já, cumadizinha?
_Ô comadre, você num tá vendo? É o seu ET de Inhangapi, ué!
_Mas que ET o quê, animal!... Esse daí é o Barão!...
_Mas aooonde, comadre!...Pois se inté tá escrito aqui, ó, nesse folheto da Ufoturismo “Business” Inhangapienses!...Esse daí é o seu ET de Inhangapi!...
_Égua, meu Deus do céu, mas o que foi que eu fiz na outra encarnação?...
_Ô comadre, você tá é ficando “deveras” melodramática! Daqui a pouco vai inté escrevê novela: “A Bananada”. “Ó, Pafúncio Romeu por que me atrituraste o coração?”, “Mas, Felisberta Julieta, eu só te adei esse liquidificadô!” “Pois então, Pafúncio Romeu, por que num me adeste um processador? Agora, se eu abatê cebola, num aposso fazê bananada, porque avai ficá tudo com gosto de tempero! Ó, Pafúncio Romeu, que asserá de mim? Asserá a cebola? Asserá A Bananada?”...
_Ô cumadizinha, você tem certeza de que fez aquela sessão básica de camisa de força antes de a gente vir pra cá?
_Mas é claro, comadre! E até me atremi todinha que nem o Barão, ó, ó!...
_Pois, então, cumadizinha, você não vê logo que isso daí é só o Barão?
_Aescute, aqui, comadre, que eu num avô mais discuti com você. Vô é chamá o guia ufoturístico da “Business” Inhangapienses. Ô seu Inri, se achegue aqui!...
_Chamarrr, querrrida corrrespondente?
_Ô seu Inri, apare de me cuspir, mais é, e adiga aqui pra comadre quem é esse daí que adesceu do disco avoadô!
_Esse, minha senhorrra, é aquele a quem o Senhorrr da Balloonsferrra chamarrr “O ET de Inhangapi”!
(As luzes piscam. Som de trovões)
_Te mete com doido, te mete com doido! Como já dizia a minha mãe, vais acabar no choque elétrico e o doido, todo serelepe, na porta do hospício, rindo da tua cara!...
_Ô comadre, o seu problema é que você anda vendo chifre em cabeça de macaco!... Pois eu avô prová que você tá errada. Ô seu ET, se achegue aqui!
(O ET se aproxima de ambas)
_Você tá vendo, comadre, esses zoiões do tipo “A volta dos mortos-vivos”?... Você tá vendo esse carecão tremeluzente?... Você tá vendo essa forma na qual a natureza apareceu cismá?...
_Tá poética, né, cumadizinha?
_Tô aprendendo com você, comadre! Tô aprendendo com você...Agora, arrepare só nessa barbicha de bode véio...Dá pra fazê “bé”, seu ET?
_Béééééééééé!
_E agora me adiga, comadre: que aparecença que apode havê entre essa criatura estropiada e o seu Barão?
_(...)
_Errr...Acreditarrr, querrrida corrrespondente, que a dona Perrrerrreca prrrecisarrr de uma prrrova, como dizerrr, mais substanciarrr, de que esse é o purrro e genuíno ET de Inhangapi!...
_E o que é que o sinhô assugere, seu Inri?
_Pegarrr o seu marrravilhoso kit ufoturrrístico!...
_Tá aqui, ó, seu Inri!
_Agorrra, oferrrecerrr o vibrrradorrr parrra ele!...
_Atome aqui, seu ET!...
(Quando os “cabocos” que gritaram “Kong, Kong” vêem a Correspondente oferecer o vibrador ao ET, gritam e fogem desesperados. A Correspondente, como o vibrador na mão, olha, interrogativamente, para a platéia).
_Errr! Acharrr melhorrr mudarrr a aborrrdagem. Darrr o violon parrra ele!
_Apegue a viola, ó, seu ET!
_(O ET pega o violão, como se não soubesse o que fazer com ele. Põe nos ouvidos, nos ombros, na cabeça. E diz, ao final) ET...ET...Phone...Home...Hoooome...
_Tá vendo, comadre? Eu num adisse que esse daí era o seu ET de Inhangapi? Adesde quando, já, que o seu Barão não ia assabê o que fazê com uma viola?
_(...)
_Acreditarrr, querrrida corrrespondente, que a dona Perrrerrreca necessitarrr de uma prrrova maiorrr da...da...cof, cof, cof
_O homem engasgou!
_Mas aooonde, comadre!
_hã, hã...Pegarrr a varrra de pescarrr...cof, cof, cof...E oferrrecerrr...cof, cof, cof... parrra ele...cof, cof, cof...
_O homem vai morrer engasgado...
_Ô comadre, tem horas que você é uma insuportável, mais é! Atome aqui a vara, ó, seu ET...
(O ET pega a vara e não resiste: joga em direção ao lago. Mas, o anzol volta e engata na pálpebra esquerda dele. O ET começa a girar e a gritar, que nem o Smeagol)
_Ai, ai, ai! ET... Phone...ui, ui, ui...Home! ai, ai, ai...
(O Inri vai na direção dele e o leva embora)
_Vixe Maria, comadre, que o seu ET apescô o próprio zoião! Tadinho!... Nunca adeve de atê visto uma vara, ué!...
_Ô cumadizinha, você não vê logo que isso é igualzinho ao que aconteceu com o Barão?
_Huuum, mas desde quando, já?...
_Ô cumadizinha, você não se lembra daquela vez que o Barão foi dar uma de pescador e acabou pescando o próprio olho?
_Mas aooonde, comadre! Você num avê logo que isso é história de pescadô?
_Mas quando, cumadizinha! Saiu até na Gazeta de Arribação...O homem quase que fica cego!...
_Ô comadre, mas eu me admiro é de você!... Num tá vendo logo que isso é intriga dessa oposição farofeira? Adesde quando, já, que o seu Barão, um pescadô gabaritado, ia apescá o próprio zoião? Pois se o omi é inté campeão de pesca de Inhangapi!...
_Não brinque, cumadizinha!...
_Pois num é, comadre? Se inté saiu na Gazeta de Arribação! Atinha inté foto do Duzinho entregando um troféu pra ele!...
(puxando a Perereca pro lado)
_É bem verdade, comadre, que, naquela época, acomentaram que o Duzinho era o patrocinadô e o juiz do torneio e que o Barão era o único candidato...Mas eu inté nem lhe acontei isso, porque, assabe como é, essa oposição só aqué um pezinho pra fazê um carnaval!...
(Voltam o Inri e o ET, acompanhados pelo lorde Tirésias. O ET está com os dois olhos cobertos por grandes tapa-olhos. Tem uma bengala numa das mãos, claudica e é amparado pelo Inri e pelo Tirésias).
_Tão vendo, seu ET? A gente não dissemos que não iam doerem nada?
_ET...ET...ET...
_Ué, seu Tirésias, mas o seu ET num atinha machucado só um zoião?
_Ah, minhas querida, é que a gente tivemos de operarem os dois, pra modo de ficarem tudus igual.
_Num abrinque, seu Tirésias!...
_E num forem, querida, e num forem? Quando a gente peguemos nos zalicate, pra modo de arrequemos os zanzol, os zoutro zóios dele cumeçou a crescerem, a crescerem... Aí a gente falemos pros lorde Tirésias: isso daí, caboco, só pode ser aquelas tar de pupilha delatada. Aí a gente peguemos nos zalicate e arrenquemos as bicha!... Ficarem tudu branquinho, branquinho...
_Aqué dizê que o sinhô arrancô as pupilas do seu Barão?...Aqué dizê, do seu ET?
_Asasque, querida?
_As pupilas. Aquelas bolas pretas que aficavam no meio dos zoiões dele...
_Ah, as pupilha delatada!...Pois arranquemos, querida, arranquemos. És umas tecnica que os lorde Tirésias aprendemos nas farcudade do Brejo. Agora, as pupilha vai crescerem tudinho igual!...
_Pupilas não crescem de novo...
_E quem serem as sinhora pra dizerem isso? As sinhora entenderem de osculhismo, por encaso?
_Ô seu Tirésias, num se avexe, num se avexe, que essa é a comadre, a dona do blog A Perereca da Vizinha!
_A gente sabemos muito bem quem erem essas tal de Perereca e esses tal de bluga! A gente lemos, a gente lemos, as sinhora num acreditarem, mas a gente lemos! A gente aprendemos o bê a cá!...
_Ô seu Tirésias, se acalme mais é, que a comadre num afalô por mal, né, comadre? Ela só tá achando que as pupilas num acrescem assim!...
_Mais erem esse os pobrema, querida! Essas suas zamiga ficarem pensando que saberem tudo! Elas estudarem osculhismo, por acaso? Elas saberem os filhosofismo dos zóio? Os lordes Tirésias, não! Os lorde Tirésias atenham uns diproma, ó, que a gente até carreguemos aqui, ó, ó! Enquanto que essas sinhora, que apensarem que saberem tudo, serem umas...umas...umas adipromática!...
_O senhor me permitiria olhar esse seu diploma?
_Erem craro! Tás aqui, ó!...
_Ué, que diabo é isso, já, de “deis” em “apingação de corilho”?
_Intonces, erem umas matéria que a gente tenhamos em osculhismo... A gente aprendemos os filhosofismo dos zóio, pra modo de acolocarem os corilho...
_Égua, e o que é isso, já, de “arrecolhe-cimento de zoiões travetas e vesgetas”?
_Intonces, erem outras matéria!...Erem subi aqueles zóio que vai pelas lateral esquerda e vai pelas lateral direita e que azagueiam, azagueiam e só aparam nas trave...
_E esse negócio daqui de “arreceitamento oculhístico”?
_Pois essa, dona, erem as matéria mais apobremática dos osculhismo. A gente tenhamos de adivinharem as necessidade dos caboco. Se o sujeito erem grandão (daqueles parrudão, as sinhora saberem como erem), a gente ponhamos três grão. Mas, quando erem uns caboco pequeno, bastarem um grão, meio grão.
_Você tá vendo, comadre, por que é que o seu Tirésias é o maior oculista do Brejo?
_Ô cumadizinha, mas você não está vendo logo que esse diploma é falsificado?
_Mas aooonde, comadre! Mas se inté adizem que o ômi operô a Dona Justiça!...
_A Justiça é cega, animal!
_E eu bem que aestranhei aquelas vendas nos zoiões dela...
(Súbito, ouvem-se sirenes. As luzes piscam. Surge outra nave no céu. E dela desce...Ashtar Sheram, o comandante em chefe das Forças Intergalácticas)
(Continua)
ET 1
O ET de Inhangapi
_Só ‘mermo’ você, cumadizinha, só ‘mermo’ você pra me fazer acampar neste fim de mundo!...
_Ô comadre, arrelaxe, mais é!...Desde que a gente achegou que você num apara de arreclamá!...
_Mas, também!...Você já viu onde nós estamos, cumadizinha? É só mato pra tudo que é lado!...E é sapo, é osga, é grilo, é barata...E esse monte de carapanãs que ficam pensando que eu sou alguma filial do Hemopa...
_Ô comadre, você aprecisa é admirááá a natureza!...Assinta o cheiro do mato!...
_É só bosta de boi!...
_Aveja a água alímpida desse lago!...
_É só malária!
_Adiga: AUUUMMMM!... E adeixe a alma abailá no céu estrelado!...
_Égua da erva boooooa, né animal?...
_Ô comadre, você atá é muito ranzinza, mais é!...É um mau humô que ninguém agüenta! Égua da menopausa escrota, essa sua!...
_Agora, a culpa é da minha menopausa, né? Eu só queria era saber onde é que eu tava com a cabeça, quando aceitei acampar com você em Inhangapi!...Em INHANGAPI!!!... E ainda por cima pra fazer esse tal de “Turismo Ufológico”!...
_Mas, comadre, é a nova moda do Brejo, ué!... Tá todo mundo aquerendo apreciá o ET de Inhangapi!...
_Mas que ET que nada, cumadizinha! Isso deve ser igual aquele ET de Varginha: uma sugestão coletiva!...
_Que nada, comadre! Diz que o negócio aqui é assério!...Diz que o bicho inté assolta fogo pela venta!...
_Jura? Então, deve de ser o clone da mula-sem-cabeça, né mermo, cumadizinha!...
_Que nada, comadre! Diz que o bicho é feio..., feio..., feio... que nem o cão achupando manga!...Atem uns zolhões pretos... Uma careca horrível!...Um jeito, mermo...mermo...de bode véio...E ainda se abalança todo, comadre!... E aí ele assegura o sujeito com uns brações de ferro, apega numa seringa e tum!...atira o sangue do coitado que acruzô com ele!... E atem mais, comadre!...
_Égua, mais?!!!...
_Diz que quando o sujeito acorda, adescobre que afoi abduzido!...
_Égua, sério? E pra onde “alevam” o pobre? “Deve de ser” pra baixa da égua, né, cumadizinha?...
_Que nada, comadre! Diz que é pra adentro duma nave enooooorme! Tudo branca e cheia de luz!... E aí afazem um monte de experiência científica com o caboco! Amedem pressão, glicemia e inté aquele tal de triglicerídeos! Examinam fezes, urina, ascutam o peito e afazem o sujeito arrepeti: 33, 33, 33...
_Égua, então isso não é uma abdução!...É um check-up intergaláctico!...
_É que o seu ET, comadre, diz que atem mania de doença!... Diz que um sujeito que afoi abduzido adescobriu que atinha tuberculose, hanseníase, sarampo, catapora, pereba, malária, papeira, tosse gogada e inté bicho de pé!...
_Mas, cumadizinha, tá certo que você é bem informada!... Mas, eu não tô é entendendo como é que você sabe de tudo isso sobre o ET de Inhangapi!...
_Ué, comadre, mas se tá tudo aqui neste folheto da Ufoturismo Empreendimentos Inhangapienses, ó!...
_Égua, e tem essa empresa?
_Pois num atem, comadre? É inté do Barão com o seu Inri e o lorde Balloon...
_Égua, que eu devia ter desconfiado!...Égua, que eu sou é muito burra!...
_Ô comadre, mas do que é que você atá arreclamando? Esse pacotão de ufoturismo saiu inté barato, por causa da abaixa estação!...
_E quanto é que ficou a porcaria desse pacote, animal?
_Só dez mil bufunfas, ó xente!...
_Dez mil!!!...Mas você enlouqueceu, cumadizinha? De onde é que eu vou tirar tanta bufunfa?
_Dos anúncios do seu blog, ué!!!
_Mas, o meu blog não tem anúncio, animal!
_ Mas, então, afaça um rolê com a Gazeta de Arribação, ué!
_Égua, eu não acredito que você me fez gastar dez mil bufunfas com esse negócio de doido!...
_Mas, comadre, a gente inté aganhou um maravilhoso kit ufoturístico!...
_Quê?
_Pois, não é, comadre! Como eu apaguei à vista – é bem verdade que com acinco cheques pré-datados seus... – a gente inté aganhou esse lindo kit “O ET e Eu”. Apegue lá, comadre!...Atem essas duas varas de pescá... Esses dois violões – inté bacanas, né, comadre? – e esses negócio esquisito que eu num assei o que é...
_É um vibrador, sua anta!...
_Égua, assério, comadre? E pra que é que asserve?
_(...)
_Ah, e ainda atem essa pomadinha aqui, ó!...
_É KY, animal!...
_Égua, comadre, como você é instruída!...
_Boa noite, minhas senhorrras!
_Ô seu Inri, ainda bem que o sinhô achegou!...Eu inté atava amostrando pra comadre esse maravilhoso kit ufológico “O ET e Eu”!
_A senhorrra gostarrr, dona Perrrerrreca? Serrr idéia do querrrido lorrrde Balloon! Ele pensarrr numa coisa nova e extrrraorrrdinárrria parrra garrrantirrr satisfaçon da frrreguesia!...
_Mas eu não estou é entendendo, seu Inri, como é que funciona esse negócio de turismo ufológico...
_Ah, mas isso, como dirrria o nosso querrrido Barrron, é muito simples, minha senhorrra!...O que é que a senhorrra verrr aqui?
_Mato e bicho!...
_Orrra, vamos, dona Perrrerrreca, como dirrria o nosso querrrido Barrron, liberrrtarrr a imaginaçon! Inhangapi serrr um lugarrr fantástico! Aqui, tudo acontecerrr!...E foi aí que pensarrrmos nesse emprrreendimento novo e extrrraorrrdinário do ufoturrrismo!...
_Quer dizer, então, que não tem nenhum ET de Inhangapi?
_Mas é clarrro que terrr, minha senhorrra! A senhorrra acharrr que eu, o Barrron e o lorrrde Balloon serrrmos capazes de enganarrr as pessoas?
_Não, seu Inri!... É claro que eu jamais pensaria algo assim de uma “trinca” desse quilate, não é ‘mermo’?
_Então, rrrelaxarrr, dona Perrrerrreca, que logo, logo a senhorrra terrr a experrriência mais fantástica de çon vida!...
(De repente, acendem um holofote e aparece um grande disco voador, pouco acima do chão. Batuque ritmado de tambores. Surgem pessoas vestidas de branco gritando, freneticamente: Kong, Kong, Kong! A nave pousa. E dela desce...O ET de Inhangapi!)
(Continua)
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Renan
Sinceramente, não consigo entender essa “dor moral” da classe média diante da absolvição de Renan Calheiros. Que é que há nisso de tão estranho, maravilhoso ou brutal?
Às vezes, ao ler a classe média, tenho a impressão de que padecemos, todos, de impossível esquizofrenia. O mundo é, para nós, o ideal, simplesmente o ideal. Nele não existem a dona Maria e o seu José.
Somos nós a decidir. Somos dez ou cinco por cento da população a “decidir”, é verdade. Mas, mesmo assim, “decidimos”, no ideal de Brasil que imaginamos.
Nem nos passa pela cabeça que inexiste esse nosso mundo. Que somos umas merrecas de alfabetizados, entre milhões de analfabetos – em sentido lato ou restrito.
Nem nos passa pela cabeça que clamamos no deserto. E que assim será enquanto a massa nos brasileiros não for, ao menos, classe média, também.
Muitos de nós enfrentaram ou enfrentam dificuldades na vida. Mas as nossas dificuldades implicam, geralmente, cortar duas ou três cervejas no final de semana, manter o fogão velho, a geladeira de penúltima, o celular que não tem aquela câmera afiada que apode fotografar o chefinho devidamente...
Nem nos passa pela cabeça que as dificuldades da dona Maria e do seu José são de outra ordem: é fome, MERMO, é falta, MERMO.
Não é uma questão de escolher: não há, simplesmente, escolha. É pegar o pão velho, bichado, tirado do lixo. Se não, é a dor da fome – que dói, mermo, sem qualquer imagem retórica.
As nossas empregadas não têm a casa “arranjadinha”, porque pouparam. Não “cheiram bem” porque têm noções de higiene. Não são honestas porque “nem todo pobre é desonesto”.
Fedem, moram em barracos e são desonestas porque o contrário é pedir demais de um ser humano.
Se meu filho chorasse de fome eu roubaria. E se eu visse uma “madame” jogando fora um catatau de comida, então, nem teria clemência.
O problema é que queremos pegar as exceções como casos exemplares. Mas, nos mudemos, todos, para a Terra Firme, para ver o que acontece.
Não sobra um honesto – se julgado por atos, palavras e pensamentos.
Renan foi absolvido? Quem sabe disso? Apenas nós, tão somente nós, com essa nossa “fineza”, com essa nossa hipócrita indignação.
Deveríamos ter nos indignado com o Zebedeu que nasceu sem mirra, incenso e ouro. Que subvive que nem bicho. Que come hoje – e acolá, se roubar, se tiver a capacidade de roubar.
Abandonamos as escolas públicas, os postos de saúde. Ouvimos o chamado da Ditadura e matriculamos nossos filhos em escolas particulares, contratamos planos de saúde. E deixamos a “gentalha” ao Deus dará.
E, agora, queremos a solidariedade dela, à nossa moral? Queremos que entenda a diferença entre o público e o privado, quando até nós condescendemos?
Queremos que diga: “Fora, Renan!”. Mas, que diabos, quem é Renan? É o homem da ficha no posto? É o sujeito que carrega a cesta básica? É o diretor da escola que ameaça expulsar o Raimundo, porque o Raimundo é preto, semi-analfabeto e não sabe se defender?
Quem é Renan na história deste Brasil escravocrata, a não ser mais um escravocrata, mais um senhor?
Qual é o escândalo que se assemelha ao do menino que saiu de bicicleta de casa, para ir trabalhar num emprego miserável e que morreu pelo meio do caminho?
Quem é este branco, o doutor, como milhares de outros doutores, que acha que é o único cadáver que essa guerra já produziu?
Me indignei com a foto de uma criança, que morreu num posto de saúde, nos braços da mãe.
Mas, você acha, maninho, que ela se indignou? Pra modo de que iria se indignar, se isso é tão normal, não é mermo?
Morreu, morreram, morrerão. E ela, a dona Maria, sabe que a vida tem de seguir em frente. É respirar fundo. E fazer outro, neste mundão de Deus!
Nós, classe média, nos permitimos sentir, inclusive a indignação. Temos tempo e condições para isso.
Podemos pensar as notas dos nossos filhos, os destinos deles. Podemos até sofrer crises existenciais do tipo: onde foi que errei!
Quem passa fome, maninho, não tem tempo pra essa frescura. Tem de sobreviver. Precisa sobreviver.
E que importa Renan? E a Mônica e a Playboy? Eles são um outro mundo, outra coisa, o “ah, é?...”
No dia a dia, no remelexo da sobrevivência, não significam nada. Não adiantam, nem atrasam porra nenhuma.
E agüentem aí, blogueiros, enquanto a dona Maria, o seu José e eu vamos medir a febre do Raimundo Preto, que não tem direito nem a um Melhoral...
sábado, 1 de setembro de 2007
Nélio e Ney
Sobre Nélio Palheta e Ney Messias
Essa trapalhada da “demissão a bem do serviço público” do Nélio Palheta e do Ney Messias é uma coisa muito complicada. Sobretudo, porque envolve um tipo de comportamento político que é preciso banir das nossas vidas, se quisermos, de fato, construir uma sociedade democrática.
Tenho todos os motivos do mundo para não meter a minha colher nessa história. Não gosto do Nélio e não escondo isso. Teria, aliás, todos o motivos do mundo, também, para até ficar contente com o que ele está a passar, em termos de dificuldades financeiras. Afinal, não é nada assim tão diferente do que ele fez muita gente passar...
Mas, prefiro não me deixar levar por sentimentos, especialmente, quando o que está em jogo é muito maior do que os “mundinhos” de cada um de nós.
Essa história do convênio da Funtelpa é uma daquelas aberrações que só o provincianismo paraense foi capaz de possibilitar.
Aqui, qualquer sujeito, com qualquer merreca de poder, se apropria impune e despudoradamente da coisa pública. O que dizer, então, daqueles que detêm o poder dos veículos de comunicação de massa?
Lembro de ter ligado para várias tvs públicas do Sudeste, quando pesquisava a história desse convênio. E certa vez, ao conversar com o diretor de uma dessas emissoras, ele teve, de início, até dificuldade em compreender o que eu estava contando. Depois, desatou a rir, diante do absurdo da situação...
Minha filha, agora com 18 anos, teve a mesmíssima reação.
Não é para menos. Afinal, como é que pode entrar na cabeça de alguém, com um mínimo de inteligência, de discernimento moral, digamos assim, que seja possível a uma empresa privada utilizar-se de um bem público, em benefício dela – única e exclusivamente dela – e ainda receber milhões do Estado por isso?
Não há como justificar tamanha promiscuidade. Porque esse é o tipo de ação que só conseguiremos compreender se abstrairmos todas as conquistas históricas que obtivemos, em termos de Cidadania, de Democracia, de separação entre o público e privado, e passarmos a raciocinar a partir de uma visão monárquica - ou até feudal.
Tenho para mim, portanto, que quem, de alguma forma, compactuou com isso, errou e errou feio. E tem, sim, de ser punido por isso – e é possível que já esteja sendo, na medida em que os tucanos foram apeados do poder pelo eleitorado.
Mas, sobretudo, o importante é que a pena não transcenda a participação de cada um.Porque, se transcender, nada terá de Justiça. Será, tão somente, vingança, perseguição e até covardia.
Todos os agentes deste grande jogo que é a política somos senhores dos próprios atos. E sabemos que, ao darmos a cara nesse cassino, estamos nos sujeitando a levar para casa não apenas o bônus. Mas, o ônus, também.
E o importante é que aprendamos a cultivar um mínimo de respeito pelos nossos adversários. Principalmente, porque isso é essencial à democracia. Mas, também, porque o poder é efêmero, ilusório. E a roda da democracia há de nos colocar, sempre, ora em cima, ora embaixo.
Sobretudo, não podemos esquecer do que são os nossos adversários: a contribuição que deram às lutas democráticas, as competências que possuem, as vidas que escreveram, o mais honradamente possível, e que não podemos, simplesmente, embolar e jogar no lixo, para mostrar serviço a esse ou aquele “Senhor” de plantão.
Nélio e Ney, com certeza, erraram – e eles, certamente, sabem disso. Mas, não são bandidos. E não podem, portanto, ser tratados como bandidos.
Têm uma opção ideológica e direito líquido e certo a isso, da mesma forma que qualquer um de nós.
Neste cassino, não há anjos ou demônios. Todos fazemos o que é preciso. E temos perfeita consciência de que, um dia, talvez tenhamos de responder por alguma coisa que fizemos, seja por “lealdade” a um projeto de poder ou a um mandatário, seja por termos, simplesmente, “consentido”.
Mas, daí a imaginar que, quem está ganhando, tem o direito de reacender fogueiras inquisitoriais vai enorme diferença.
Quando li, anteontem, as portarias de demissão “a bem do serviço público”, pus-me a perguntar, em primeiro lugar, qual o significado prático do que ali estava escrito.
Afinal, ambos já estão afastados do serviço público, desde o início de janeiro.
Soube, então, que tudo não passara, em primeiro lugar, de uma grande confusão jurídica.
Levou-se ao pé da letra a recomendação de uma comissão processante, com parcos conhecimentos jurídicos. E quem deveria possuir tais conhecimentos, esqueceu-se da distância que existe entre a recomendação do pelourinho e a possibilidade de mandar alguém ao pelourinho, no Estado democrático de direitos.
Mais que isso: esqueceu-se que uma coisa é o circo romano, a clamar por sangue. E outra, o equilíbrio, a temperança, que tem de nortear o comportamento democrático.
Posteriormente, tomei conhecimento do efeito prático da “demissão a bem do serviço”, em que se pretende transformar a exoneração do Ney e do Nélio: os dois não poderão, simplesmente, retornar ao serviço público.
Achei tal intenção não apenas cruel, mas, mesquinha, covarde “mermo”.
Em primeiro lugar, porque é muito fácil punir “exemplarmente” os peões, ao invés de investir contra o Rei.
Ora, perguntei aos meus botões: a quem interessou, a quem beneficiou, em primeiro lugar, o convênio entre a Funtelpa e a Tv Liberal?
E é claro que a resposta não poderia ser outra: as ORM, aos Maiorana e aos governadores que determinaram a transação.
Então, por que não punir, “exemplarmente”, em primeiro lugar, os grandes e reais beneficiários?
Será por que detêm poder? Será por que possuem a capacidade de retaliar? Será por que as pessoas têm medo do dia de amanhã, frente a adversários são poderosos?
É muito fácil, de fato, voltar as baterias contra quem está no chão. É muito cômodo chancelar “vingancinhas” contra quem não possui, aparentemente, condições de se defender.
Em segundo lugar, creio que é de incrível pequenez (e não vai aqui qualquer referência à estatura física do Nélio...) o ato de impedir o retorno de cidadãos ao serviço público, simplesmente porque não possuem a nossa “fé” ideológica.
Temos de desarmar os espíritos, os palanques. A eleição acabou há uns nove meses; agora, porrada, “mermo”, só no ano que vem.
Temos de tocar nossas vidas e sepultar de vez – mesmo no período imediatamente após as eleições – essa mania antidemocrática de condenar a minoria, o diferente, a um gueto – ou até pior, aos leões.
Afinal, nos queixamos tanto das perseguições tucanas. Dessa arrogância, dessa coisa nojenta de ficar pendurando o adversário numa gaiola, para assisti-lo morrer, lentamente, de fome e de sede – e vamos fazer igual?
Mas que diabos foi que pensamos, quando pensamos alcançar o poder? Era só isso? Era, simplesmente, para isso?
É claro que continuaremos a nos embolar no meio de campo. Vale dar bicuda? Vale – e de parte a parte. Vale puxar a camisa, segurar na perna, no braço e dar peteleco? Vale. E vale até agarrar pelos cabelos, de vez em quando. Mas não vale é aleijar, esfolar, incapacitar para todo o sempre. Porque aí deixa de ser jogo. E vira pura e simples carnificina.
Temos, todos, de aprender, de fato, o significado da expressão “respeito democrático”.
É nos limites da democracia que temos de aprender a jogar.
Se, depois de tantos anos de luta democrática, de militância, não conseguirmos aprender esse mínimo, esse básico, então é melhor que deixemos o cassino, para fundar uma igreja pentecostal.
Os jogadores agradecem. E a sociedade também.