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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Paulo Hermógenes tem “relação de longa data” com Mário Couto, afirma Edmilson Rodrigues. Advogado é filho de ex-prefeita, irmão de prefeito eleito com apoio do PSDB e já teria até feito campanha para o senador.

A Assembleia Legislativa do Pará: apuração de um escândalo de R$ 200 milhões motivou  acusações de Mário Couto contra juiz e promotor.



É bem possível, como afirma o deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), que exista uma “relação de longa data” entre o senador Mário Couto Filho (PSDB) e o advogado Paulo Hermógenes.
 

No último domingo, Couto afirmou ao jornal O Liberal que Paulo Hermógenes tentou lhe extorquir R$ 400 mil, e que o advogado disse agir em nome do juiz Elder Lisboa, da 1 Vara da Fazenda de Belém.

O pagamento permitiria que o senador fosse excluído de dois processos nos quais é acusado de envolvimento em fraudes na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), que teriam lesado os cofres públicos em cerca de R$ 16 milhões - apenas nesses dois grupos de denúncias.

Os processos estão nas mãos de Elder Lisboa, que decretou, recentemente, a indisponibilidade dos bens de Mário Couto e de dois filhos dele: a deputada estadual Cilene Couto e Mário Luiz Lisboa Couto.

O senador disse a O Liberal que ficou “indignado” com a proposta e que resolveu, então, gravar a suposta tentativa de extorsão, transcrita, no domingo, pelo jornal. 

O juiz Elder Lisboa, respeitadíssimo no meio jurídico e sobre o qual se desconhecem até mesmo suspeitas de mau comportamento, negou as acusações e disse que nem sequer conhece Paulo Hermógenes.

Ao jornal O Liberal, Couto declarou: "Nem se eu tivesse os R$ 400 mil, não daria. Se tivesse um real, não daria. A audácia foi muito grande. A audácia veio através de um juiz, de um advogado, para o senador da República do Brasil (...)”. E até apontou “evidência” da suposta amizade entre o advogado e o juiz.

Já ao jornal Diário do Pará de segunda-feira, ou seja, no dia seguinte, Couto negou que tivesse acusado o magistrado: “Nas minhas declarações eu não disse que o juiz mandou o advogado até mim. O que eu fiz foi divulgar uma gravação na qual o advogado cita o nome do juiz Elder Lisboa (...)”.

Ontem, Mário Couto repetiu a história em discurso no Senado, inclusive afirmando que não há provas de seu envolvimento nas fraudes da Alepa, apesar das duas denúncias já ajuizadas pelo Ministério Público. 

O fato repercute na internet e na imprensa, com várias manifestações de solidariedade ao juiz Elder Lisboa, inclusive da Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), que divulgou nota em defesa dele (http://pjpontesleituras.blogspot.com.br/2012/11/nota-de-repudio-e-solidariedade-ao-juiz.html).

Ontem, o deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) afirmou, na tribuna da Assembleia Legislativa, que obteve informações “com base em fonte confiável” de que Paulo Hermógenes tem relação de longa data com Mário Couto, para o qual já teria até trabalhado em campanhas eleitorais, no município de Muaná, na ilha do Marajó (http://www.diarioonline.com.br/noticia-227177-edmilson-fala-em-ligacao-entre-couto-e-hermogenes.html).


Edmilson repetiu, também, uma informação que desde domingo circula na internet: a de que Paulo Hermógenes é filho da ex-prefeita de Muaná Maria Ortência dos Santos Guimarães.

E essa informação é verdadeira, sim. E mais: a candidatura de um irmão de Paulo Hermógenes a prefeito de Muaná, nas últimas eleições de outubro, teve o apoio do governador Simão Jatene e do senador Mário Couto.

  
Filho de ex-prefeita e ex-candidato a deputado estadual.


No cadastro nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), só existe um advogado chamado Paulo Hermógenes, em todo o país: é o paraense Paulo Hermógenes dos Santos Guimarães. Veja nos quadrinhos abaixo (clique em cima para ampliar):


 


Trata-se do mesmo cidadão que foi candidato a deputado estadual pelo PST, em 2002, pela coligação “Pará Progresso”, formada para as eleições proporcionais. 

E todos os partidos daquela coligação, inclusive o PST, integraram a antiga “União pelo Pará”, que teve como candidato ao Governo do estado, em 2002, o  tucano Simão Jatene.

Mais conhecido como PH, Paulo Hermógenes é natural do município de Muaná. Veja no quadrinho abaixo, extraído do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):




A certidão de quitação eleitoral, também extraída do site do TSE, comprova que Paulo Hermógenes é filho de Maria Ortência, ex-prefeita de Muaná:


Ou seja: Paulo Hermógenes é irmão de Sérgio Murilo dos Santos Guimarães, eleito prefeito de Muaná pelo PR, nas últimas eleições de outubro. Veja nos quadrinhos a filiação de Sérgio:

 
Cientista político, mais conhecido como “Murilo do povo”, Sérgio tem como vice-prefeito o vereador Jorge Guilherme Kalume Kalif, do PSDB.

Além disso, Maria Ortência foi eleita prefeita de Muaná em 1996 e em 2000 pelo PP, que integrava a União pelo Pará, na administração do ex-governador tucano Almir Gabriel.

Ou seja: a família tem tradição política e em várias ocasiões esteve ligada aos tucanos.

Daí que é bem possível que os Guimarães tenham estabelecido “parcerias eleitorais” com Mário Couto, como afirma Edmilson.

Natural de Salvaterra, Couto sempre teve os municípios da Ilha do Marajó entre os seus principais redutos eleitorais.

Inclusive nas últimas eleições de outubro, o senador participou de várias programações em cidades marajoaras.

Hoje no PR, Paulo Hermógenes também foi chefe da gabinete da Arcon até 1 março deste ano, quando se mudou para a Prefeitura de Belém, onde estaria lotado no gabinete do prefeito Duciomar Costa - cujo vice, Anivaldo Valle, é o presidente do PR no Pará.

O advogado, aliás, integra a direção estadual do partido, conforme consta no TSE. E, segundo o blog do Anézio Ribeiro, teria participado da festa de lançamento do pré-candidato da legenda à Prefeitura de Itaituba na condição de vice-presidente estadual do PR: http://anezioribeiro.blogspot.com.br/2012/04/pr-lancou-cesar-aguiar-pre-candidato.html

No mês passado, diz notícia no Facebook do Ministério Público Federal, Maria Ortência dos Santos Guimarães foi condenada a cinco anos de detenção, por desvio de recursos públicos.

Ela ainda responde a outros processos, inclusive em tribunais de contas, por supostas irregularidades na Prefeitura de Muaná.

Na entrevista ao Diário do Pará da última segunda-feira, Mário Couto chegou a sugerir que Elder Lisboa recorra à Justiça, caso se sinta ofendido - o que, obviamente, obrigaria o magistrado a se afastar dos processos da Alepa, já que não poderia processar o senador e, ao mesmo tempo, julgar os processos que o envolvem.

A pressão de Couto sobre o juiz é semelhante a que exerceu contra o promotor de Justiça Nelson Medrado, que comanda as investigações das fraudes na Alepa.

Há poucos meses, o senador discursou contra o promotor, na tribuna do Senado, acusando-o de estar sendo movido por questões pessoais.

Ao que parece, portanto, o problema de Mário Couto é com a apuração do escândalo da Alepa, que pode ter lesado os cofres públicos em mais de R$ 200 milhões.

Uma atitude em nada compatível com um senador da República, mas, perfeitamente compreensível: Medrado e Elder Lisboa são considerados honestos e muito competentes.

E isso significa a impossibilidade de fazer com que os processos da Alepa tenham o mesmo fim de outro processo que envolveu Mário Couto, na década de 1990.

Nele, o hoje senador e outros capos do jogo do bicho no Pará eram acusados de contravenção e corrupção ativa.

Mas o processo se arrastou por 20 anos e até desapareceu, na Justiça Estadual (http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/11/o-enigma-do-santa-cruz-de-cuiarana-o.html).

Quer dizer: no fundo, como bem definiu a nota da Amepa, nada além de um achincalhe fabricado.

4 comentários:

Anônimo disse...

Perereca, ao que tudo indica uma grande bomba pode estourar a qualquer momento e vai atingir o senador o advogado e o juiz ao mesmo tempo.Você como boa jornalista que é, procure se inteirar do caso do cacique Paulinho Paiakan que serve muito bem pra demonstrar que nessa história não tem santo.

Anônimo disse...

Esses Gumaraes de Muana .... ve a ficha corrida da irma deste tal de PH a sheila quando era secretaria de educaçao.

Anônimo disse...

o triste e ver que o povo não aprende mesmo...olha aí os Gumarães voltando para o trono de Muaná, Sérgio eleito prefeito mesmo com dois irmãos envolvidos em escândalos terríveis e a mãe, ex prefeita condenada. É mole? O povo tem o que merece, aff!!!

Anônimo disse...

Infelizmente a população sofre com a decisão de uma maioria que é ilududada por esses Guimarães.