segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma diva, uma guerreira. Uma voz para amar. Com vocês... Elza Soares!


A Perereca da Vizinha continua paradona e só deve retornar no final deste mês.
Sigo, apenas, liberando comentários - e respondendo alguns, sempre que possível.
Quero, porém, deixar aqui um presente pra vocês.
Uma negona, uma mulher extraordinária. Uma das mais belas vozes do Brasil e do mundo: Elza Soares.
Bem poucas cantoras brasileiras têm o talento de Elza Soares.
E olhem que o Brasil é um manancial de cantoras inesquecíveis: Carmen Miranda, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Clementina de Jesus, Clara Nunes – só para citar algumas.
Vou deixá-los, portanto, com Elza Soares, em duas postagens seguidas.
Espero que vocês gostem.
E me perdoem se as postagens são longas. Mas eu realmente queria dividir toda essa beleza com vocês.

FUUUIIIIIII!!!!!!!























Elza Soares - reportagem Tv Record



(Clique no link para ver o documentário)


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os fins e os meios





A verdade é que nós, os paraenses, estamos encalacrados.


Não podemos andar pra trás, com o PMDB.


Mas também não podemos continuar a caminhar com o PSDB e o PT, com as suas práticas tão complicadas em relação à coisa pública.


Nos últimos dias, ao ler avaliações sobre a última eleição, em postagens e comentários na blogosfera, chego a ficar enjoada com a hipocrisia de alguns.


E acabo sempre com a sensação de que o sujo não consegue enxergar a própria sujeira, ao apontar o dedão acusador para o mal lavado.


Afinal de contas, haverá diferença qualitativa entre o que aconteceu no Hangar, antes e depois?


Haverá diferença qualitativa entre os kits escolares e o superfaturamento de medicamentos?


Ou entre as malfeitorias na área ambiental e o projeto Alvorada?


Ou entre Marcelo Gabriel, Eduardo Salles e o triunvirato que comandou o atual governo?


Ou entre o nepotismo de Jatene e o piloto de Ana Júlia?


Qual é a diferença, afinal?


Da área “afetada”? Do tamanho do rombo? Dos “beneficiários”?


Não, não estou a falar dos eventuais impactos eleitorais dessa ou daquela patifaria. Mas da essência mesma da patifaria.


Nos últimos dias, enquanto dou uma descansada e resolvo problemas de trabalho, tenho sido tomada por uma enorme angústia.


Nestes mais de dez anos de reportagens investigativas (e que me renderam, por sinal, mais do qualquer outra coisa, pencas de inimigos...) já vi de tudo.


Coisas de deixar a gente de cabelo em pé. Ou que faziam até gargalhar, de tão absurdas...


Mas que, ao fim e ao cabo, como que me escavaram no coração uma profunda descrença.


Sempre achei que num país escravocrata como o Brasil, e mais ainda nesta colônia que é o Pará, as esquerdas jamais poderiam almejar o Poder – e manter o Poder – sem apelar a práticas complicadíssimas, como é o caso do caixa dois.


Afinal, a venda de brochinhos e camisetas, ou até mesmo um “herói popular”, não ganham uma eleição se você não tiver dinheiro para sustentar uma campanha.


Mas o que vi nesses anos todos não foram apenas os nobres fins a justificar os tristes meios.


Vi, muitas vezes, foi a complacência com bandidos que se utilizam desses nobres fins para a simples obtenção de vantagens pessoais.


Às vezes penso que o problema é genético - e mais do Pará do que do Brasil.


Tudo aqui leva 100 anos para vir a ser.


E talvez seja essa lerdeza histórica, esse processo em câmera lentíssima, que nos leve a enveredar por caminhos tão tortuosos.


Afinal, não podemos simplesmente nos torturar em crises existenciais enquanto a nossa gente morre de fome. Ou vive que nem bicho, a reproduzir a miséria de geração em geração.


Se nada fizéssemos, certamente que teríamos ainda mais trabalho escravo, exploração sexual infantil, espancamento de mulheres, racismo, devastação ambiental – e toda a sorte de misérias destinadas às províncias.


Por isso, quando olho pra trás sei que avançamos um bocado. E que as novas gerações não têm sequer idéia da dimensão que tais misérias alcançavam, até pela “naturalidade” com que eram encaradas.


Mas quando me lembro de tudo o que investiguei fico também com a certeza de que temos, sim, de buscar meios muito, muito mais nobres, para tão nobres fins.


Temos de encontrar uma baliza, um Norte, um parâmetro.


E isso já não pode esperar.


Se é que alguma vez pôde, de fato, esperar.


FUUUUIIIIIII!!!!!!!!


.........


PS: Ainda não consegui nem abrir a minha caderneta de telefones. Apenas tenho pensado nos novos rumos deste blog, a partir do final deste mês. Novos rumos que serão, no fundo, os desta blogueira. Sei que me falta fôlego financeiro. Mas também sei que já não tenho nem idade nem paciência para determinadas concessões.


Pra vocês!

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

As eleições, os candidatos e os “magos”


 Já andava meio triste, macambúzia, quando me deparei com a brilhante entrevista do publicitário Chico Cavalcante, na edição de ontem do Diário do Pará.
É que alguns coleguinhas já estavam até a fazer “piadinhas” sobre o fato de eu ter dito, por diversas vezes, que a governadora Ana Júlia Carepa era a favorita deste pleito.
Como Chico Cavalcante possui o “anel de doutor” que não possuo, fiquei muito feliz em vê-lo declarar uma coisa que sempre me pareceu claríssima: eleição se ganha na campanha.
Ou, como escrevi aqui na postagem anterior: campanha bem feita ressuscita defunto, quase que literalmente. E só quem se assusta com rejeição é quem nunca fez campanha política – e ainda mais se o “rejeitado” estiver montado na máquina.
E essa é uma coisa muito importante: política não se resume a especializações ou a um simples conhecimento livresco.
Política é, sobretudo, prática. E até um pouco mais: é dedicação, é amor, não um simples trampolim para a fama.
E fazer análise política não é apenas expressar um desejo: é, antes, expressar a tendência de um momento.
Além do mais, quando se trata de agregar o tão valorizado conhecimento livresco, o analista ou jornalista político não pode se deixar ficar pelos clássicos da política – se é que os leu: é preciso conhecer, também, um pouquinho de história, filosofia, psicologia social, antropologia, neurociência e até a “arte da guerra” (não, não é só Sun Tzu) e por aí vai.
O problema é que alguns coleguinhas parecem acreditar que a falta de freqüência a uma escola é um impeditivo à leitura, reflexão e aprendizagem.
Mas nem mesmo ética aprenderam em suas escolas. Tanto assim que pretendem subir na vida a pisar em outros colegas. E até, se for o caso, no pescoço da própria mãe.

II
Chico Cavalcante, que é de fato um grande marqueteiro, faz  considerações interessantíssimas sobre a derrota de Ana Júlia. Algumas, vão ao encontro do que escrevi na caixinha da postagem “Os novos rumos da Perereca da Vizinha”.
Para ele, foram três os erros fundamentais da campanha de Ana.
O primeiro, a “tese do desenvolvimento”, advinda de uma leitura incorreta da realidade e até da “subjetividade do eleitor” (?). Um mote que é tanto mais complicado devido às condições de vida do paraense.
Diz Chico, lá pelas tantas: “Num estado como o Pará, com IDH historicamente deplorável, falar em desenvolvimento e alardear de maneira desmedida soa ora como escárnio, ora como discurso desprovido de sentido”.
O “desenvolvimentismo” do “Acelera Pará” teve para ele um “efeito colateral”: aprofundou as diferenças regionais.
“Enquanto insistia em falar da Siderúrgica de Marabá, a campanha da Link deixava descobertas outras regiões, parecendo que privilegiou uma cidade ou região em detrimento de outras. Isso explica a derrota acachapante em Santarém”, observou.
Pode ser. Mas o problema é que Ana não perdeu só em Santarém: perdeu, também, em Parauapebas, outra jóia da coroa petista e que, em tese, também será beneficiado pela siderúrgica.
De igual forma, Jatene perdeu em Abaetetuba, que é administrado por uma tucana.
Daí que a Perereca propõe uma explicação bem mais simples e menos ideológica: é possível que a insatisfação com esses prefeitos tenha levado os munícipes a descarregarem votos na oposição.
O que, aliás, é compatível com a reação de Belém, que votou maciçamente em Jatene, apesar do apoio que Ana Júlia obteve de Almir Gabriel – sem dúvida alguma, o maior “prefeito” da capital desde Antonio Lemos...
Para Chico Cavalcante, o centro da campanha petista teria de ser “o fator humano”, até pela origem do partido, forjado nos movimentos sociais: “Ana teria que insistir no social. Esse é o seu reduto. De costas para ele e guiada por estranhos, se perdeu”
E aqui eu concordo, mas nem tanto assim, com o Chico.
A verdade é que a Link tentou, sim, enveredar por esse caminho – de forma atabalhoada, é verdade, mas tentou.
O problema é que o Orly Bezerra, o marqueteiro de Jatene, já havia previsto isso.
Tanto assim que, logo no começo de julho, essa foi uma das coisas discutidas pela equipe: a necessidade de “humanizar o concreto”, ou seja, de colocar nas obras tucanas o rosto das pessoas, especialmente as mais pobres, que foram beneficiadas por elas.
É aquela história: o PT insiste que a Estação das Docas é a “Estação das Dondocas”; que o Hangar é um “elefante branco”; e que o Mangal, como todo o resto, é “coisa pra rico”.
Mas a verdade é que quem conseguiu emprego e renda com todas essas obras não foi o grande empresário: foi o taxista, a arrumadeira, o garçom, o cozinheiro, o servente - e tantos outros cidadãos que nem de longe podem ser chamados de “ricos” ou de “dondocas”.
A face poderosamente social dessas obras é que nunca foi devidamente mostrada – aí, sim - por erros da comunicação tucana.
Porque tais obras não são feitas para elas mesmas; ninguém coloca tijolos e concreto apenas para agradar ao mister Concreto e à madame Tijolo.
Tais obras, além de inseridas numa estratégica de fomento a alternativas de desenvolvimento econômico, também são feitas para impactar imediatamente a qualidade de vida das pessoas.
Quer dizer: não dá para simplesmente “aplicar” essa história do cimento contra as pessoas – e ainda mais quando se tem cinco hospitais regionais para repisar. (Clique no link para continuar)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Duas notinhas abestadas I



Nada contra Ney Messias. Sujeito boa praça, de bem com a vida. E o filhinho dele, ó, nota dez sobre dez!...


Mas o Ney, pelo que sei, não tem nem diploma, nem registro de Jornalista.


Mesmo assim, não vi nenhum coleguinha atuado contra a possível nomeação dele para a Secretaria de Comunicação.


Daí que fiquei a pensar: Deus, ó Deus, mas o que foi que aconteceu com os coleguinhas?


Duas notinhas abestadas II


Maldadezinha: não é verdade, “bisolutamente”, que os coleguinhas padeçam de súbita afonia por interesse em DAS...


Longe disso!...


Jornalista, principalmente “diplomático”, é ético pra chuchu!...


Aprendem, zifio, ética que nem becedário...


Daí que nunca, jamais, em tempo algum que deixariam de defender essa nobre “catiguria” por interesse em DAS!...


Peninha é da Simone Romero, professora “DAS Comunicação”, que aviu avuá a sua Secretaria.


E pra um sujeito até "adiplomático", caramba!...


É por isso que assempre adigo: porrada naquele tar de Gilmar Mendes!...

E viva, pra todo o sempre, a honestidade dos coleguinhas

FUUUUIIIII!!!!!

A escolha de Ana Júlia Carepa



Penso que há algumas avaliações bastante equivocadas sobre a derrota da minha xará, Ana Júlia Carepa, nestas eleições.


Creio que algumas pessoas andam a confundir os sintomas com a doença – e isso é tanto mais complicado porque estamos a lidar com um caso concreto.


Ora, diz-se que Ana perdeu por erros da Comunicação e de articulação política.


Mas tais erros – que existiram de fato – foram apenas as conseqüências, e não a causa.


A causa mesma foi a opção que Ana Júlia fez por sua corrente política, a Democracia Socialista (DS).


E isso foi uma escolha, não alguma coisa a que a tivessem obrigado, até porque ela é maior de idade e, presume-se, não padece de problemas mentais. Além disso, possuía poder suficiente para se livrar desse grupo a hora que bem entendesse.


Então, Ana Júlia fez uma escolha por aquilo que lhe pareceu, sabe-se lá por que, o mais importante.


E dessa escolha é que nasceram os erros da propaganda, da articulação política e de tantos outros setores essenciais à manutenção do poder.


Quem é que dava as cartas na propaganda? A DS. Quem é que dava as cartas na articulação política? A DS. À quem, em suma, pertencia a última palavra sobre os rumos e até sobre as eventuais mexidas no Governo? À DS.


Então, o xis da questão foi a escolha que a minha xará fez de delegar o poder a uma espécie de triunvirato.


Todo o resto não passa de conseqüência dessa opção.


O PT errou por não intervir decididamente nessa concentração do poder nas mãos da DS? É claro que errou.


E é um erro que não é assim tão simples quanto parece, já que tem a ver com a própria relação do partido com essas tendências minoritárias e sectárias.


Afinal, é a segunda vez que o PT se esborracha, ao chegar ao poder através de correntes assim – a primeira foi na capital.


Mas aí fica a pergunta: como intervir decididamente, dar “murro na mesa” de um governante? E como fazer isso sem que a emenda acabe se revelando pior que o soneto, em termos de desgaste perante a opinião pública?


E mais: como realizar uma articulação política com um mínimo de credibilidade, num governo que se transformou num monstro de duas cabeças, que ora puxa para um lado, ora para o outro?

Até porque, mesmo que se conseguisse encostar o governante na parede, ainda assim ele permaneceria como o detentor da caneta.


Sempre disse aqui que o problema genético desse governo foi o fato de Ana pertencer a uma corrente minoritária e sectária – e à qual ela sempre demonstrou uma fidelidade canina.


Ora, os tucanos governaram o Pará por 12 anos, com uma ampla base de sustentação e também fizeram campanhas a comandar coligações até mais amplas que a Acelera Pará.


E olhem que nas campanhas municipais o pau comia entre os partidos coligados na esfera estadual – até porque as campanhas municipais são o momento em que todo mundo tem mais é de se cacifar.


Mas penso que os problemas eventualmente vividos pelos tucanos no comando dessas coligações foram fichinha perto do que se viu nesse governo da DS.


Até porque Almir e Jatene – quer se goste ou não – eram lideranças reconhecidas pelas demais lideranças políticas; tinham, de fato, a última palavra sobre o que acontecia ou deixava de acontecer no governo.


Já esse triunvirato jamais foi – e nem poderia ser – reconhecido pelas lideranças políticas. Aliás, jamais foi reconhecido nem mesmo pelo PT. Afinal, sempre faltou a esses senhores o principal: o mandato, a delegação de poder, de milhões de paraenses.


Sem falar, é claro, na absoluta incompetência política desses senhores, e na arrogância, o ar “doutoral”, que não lhes permitiu reconhecer a experiência das demais lideranças, nem mesmo quando pertencentes ao próprio PT.


Não reconhecer tudo isso, é tentar tapar o sol com a peneira; é tentar passar a mão – talvez até por certa nostalgia – na cabeça da DS.


Mesmo a desastrada campanha política que sepultou os sonhos de reeleição de Ana Júlia Carepa tem por trás a folha corrida da DS.


Quem foi que, afinal de contas, escolheu e manteve até o fim a Link Propaganda? Um doce para quem adivinhar...


Já estava tudo perdido em junho? Não, não estava.


Pelo contrário: devido à ampla coligação que a apoiava e ao fato de deter a máquina federal e estadual, além de dezenas de prefeituras, a cidadã Ana Júlia Carepa era, de fato, a favorita dessa disputa.


Só quem nunca fez campanha política é que se assusta com rejeição – e ainda mais se o sujeito detiver a máquina.


Porque campanha política bem feita “ressuscita defunto”, quase que literalmente.


Parece pouco, mas esses três ou quatro meses são suficientes para transformar a imagem de qualquer pessoa da água pro vinho.


Mas para isso é preciso uma boa estratégia de marketing e um bom comando de campanha.


No entanto, até essa derradeira oportunidade de “ressurreição” acabou “sepultada” pela escolha de Ana Júlia.


Que lhe ornamentem o velório, portanto, as flores e as lágrimas de crocodilo da sua DS.


FUUUUIIIIIII!!!!!!!


PS: na caixinha de comentários da postagem anterior faço um comentário um pouco mais longo sobre os erros de campanha da Link Propaganda.


..............


Pra todos aqueles que nunca desistirão de lutar por um mundo melhor!

 




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os novos rumos da Perereca da Vizinha





Em primeiro lugar, vamos esclarecer umas coisinhas, para alguns “coleguinhas” que andam por aí a falar toda sorte de bobagens, com aquele “ar ingênuo” das vestais de Bataclan: não vou trabalhar no governo de Jatene. E já até havia dito isso a um colega, antes mesmo do final do primeiro turno. Em suma: enquanto há fila na entrada, eu procuro é a saída.


Infelizmente, algumas figurinhas costumam tomar os outros pelas próprias medidas. Mas o fato é que nem todo mundo é movido, apenas, pelo interesse pessoal.


Não preciso de governos para obter trabalho, “fama” ou o acesso a informações privilegiadas. Até porque sou da boa e velha escola do Jornalismo.


Nela, jornalista não brilha: o que brilha é a informação. E informação não é “dádiva” ou simples “declaração”: é trabalho duro, persistente e inteligente, para desencavar o que alguns teimam em esconder.


Em segundo lugar, quero dizer uma coisa que está engasgada e que, às vezes, tive vontade de gritar, nos últimos quatro meses, a algumas figuras.


Em nenhum momento procurei o PSDB para trabalhar na campanha do Jatene.


Foi o contrário: recebi dos tucanos três “adubadas cantadas”, para ajudá-los, na pré-campanha e na campanha.


A primeira foi em meados do ano passado. As duas últimas, em janeiro e em junho deste ano.


E só “caí” na última cantada porque, mais do que qualquer proposta financeira, ela veio na forma de um pedido de ajuda – e taí o Orly Bezerra para não me deixar acrescentar uma vírgula naquilo que vou contar.


Orly me procurou, em junho, para me pedir – foi isso mesmo, pedir – que o ajudasse.


Disse-me que estava tendo muita dificuldade para formar uma equipe, porque as pessoas estavam com medo de trabalhar na campanha de Jatene. Além disso, ele queria formar um grupo, uma espécie de “conselho”, que o ajudasse a “não errar”.


E eu disse ao Orly – e ele está aí para me desmentir, se quiser: “tu sabes que tem muita gente no teu entorno que, se pudesse, me amarrava, arrastava pelas ruas e queimava viva”. E ele respondeu, até rindo: “também não é assim”...


Pedi-lhe um tempo para pensar, até porque precisava conversar com um amigo – um amigo que prezo muito, mas que, assim como todo petista, fica quase cego quando o assunto é o PT.


Mas também disse ao Orly, quando nos despedimos: “Tu agora me deixaste pensando...”


É que eu havia percebido a aflição dele, misturada com um bocado de insegurança e a certeza de que não poderia perder essa chance – que talvez fosse a última...


Naquele momento, nada estava “decidido” em favor do Jatene – muito pelo contrário. Além disso, uma campanha bem feita opera milagres. Orly sabe disso. E eu também.


De sorte que acabei aceitando o convite dele. E, durante a campanha, até fiz ouvidos moucos a algumas de suas ordens. Afinal, ele havia me contratado, também, para não deixá-lo errar...


Orly e eu já nos enfrentamos e até trocamos bicudas, em campanhas por aí. Mas penso que temos o principal: respeito mútuo.


Então, a minha participação nessa campanha foi muito mais para atender àquele pedido.


Quer dizer: meu compromisso foi muito mais com o Orly do que com o Jatene.


E creio que o próprio Jatene deve ter percebido isso, na única reunião que tivemos – a convite dele, por sinal – ao longo de toda essa campanha.


Assim, alguns coleguinhas e tucanos podem ficar tranqüilos: não quero nenhuma fatia desse bolo.


Ajudei a cozê-lo porque acreditei que era preciso. Embora, do ponto de vista pessoal, talvez fosse melhor a reeleição da minha xará.


Afinal, para a especialidade deste blog - o Jornalismo Investigativo - os tucanos são infinitamente mais complicados do que os petistas.


Os petistas xingam, processam e até tentam ridicularizar a informação – nada, portanto, que uma bela saraivada de documentos oficiais não consiga resolver...


Mas os tucanos, de forma bem mais inteligente, “cooptam” tudo e todos.


De sorte que a vazão das denúncias se torna muito mais complicada, vez que todas as portas se fecham na cara da gente.


Mas alguém tem de fazer esse tipo de Jornalismo, não é?


Mesmo que isso desagrade a alguns coleguinhas, que parecem encarar o Jornalismo como simples escada ou até como um armazém de secos e molhados...


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A Perereca da Vizinha volta a ser atualizada normalmente no final deste mês.


Peço desculpas aos leitores se, nesses quatro meses, deixei-me ficar pela opinião e, na única matéria deste blog, nem mesmo fiz entrevistas.


Mas é que achei que não seria muito correto andar a fazer entrevistas, já que estava a trabalhar na campanha.


Aliás, bem vistas as coisas, não foi lá muito ético ficar emitindo opiniões – o correto seria ter cumprido a minha “desincompatibilização”.


Mas não consigo ficar calada; sou “urubu do Ver o Peso” - paciência!...


Assim que resolver algumas pendências, inclusive de trabalho, darei uma guaribada no blog, que também voltará muito mais diversificado do que até aqui.


E espero que, no ano que vem, a gente possa comemorar, em grande estilo, o quinto aniversário da Perereca da Vizinha.


FUUUUUIIIIIII!!!!!!!


......................



Pra algumas pessoas que confundem inteligência com falta de caráter...











A volta do Barão de Inhangapi

_Comadre, comadre!... Apare já a arrotativa do asseu blog!


_Que rotativa já, animal? Desde quando que blog tem rotativa?


_Ué, e num tem não, comadre?


_É claro que não! É só escrever a postagem, acessar a internet e publicar!


_Ué, então apur que você num atualiza esse asseu ablog velho? Égua, que é assó notícia perebenta!... E até já atão dizendo, comadre, que você num adá mais nem o fuuuuro!...


_Mas o que é que isso já, cumadizinha? Você vem no meu apê, às 3 da manhã, só pra me esculhambar, é?


_Não, comadre... Na verdade, eu avim afoi lhe adá uma notícia bombástica... Adivinhe quem avem pra jantá?


_Os fantasmas do Sidney Poitier, do Spencer Tracy e da Katharine Hepburn?


_Milhó, comadre, amuito milhó!


_Quem, já?


_Sua excelência excelentíssima o Barão de Inhangapi!


_Mas como, cumadizinha, se o homem tá até exilado?


_Atava, comadre, atava! E num exílio adesgraçado! Você imagina que até atorturaram o pobri?


_Égua, cumadizinha, torturaram o Barão?


_E num afoi, comadre? Malinaram à beça do bichinho...


_Mas o que foi que fizeram com ele? Deram choque elétrico, penduraram no pau de arara?


_Apió, comadre, amuito apió!...


_Ué, o que foi, então?


_Aproibiram o ômi de apescá, de atocá viola e de se embalá no redão!


_Jura, cumadizinha?


_Pois num é que afoi, comadre? A dona Beijoca amandô aproibi a pesca em tudo que é lago do Brejo. Avirô tudo PPB – aproibido apescaria do Barão. Aí, comadre, nem lhe aconto! Adizque ativeram até de amarrá o ômi!...Apurque ele aqueria apescá nem que afosse o otro zoião!...


_Égua, foi, cumadizinha?


_E eu ainda num lhe acontei o acúmulo da mardade, comadre! Pois num é que a dona Beijoca ainda amandô adistribui atomate de grátis em tudo que é bar do Brejo? Aí o Barão achegava num bar, com a viola adebaixo do braço, e dava de cara com aquele amonte de tomate em tudu que é mesa... Aí, o pobrezinho num apodia adá uma canja, comadre!... E avortava pra casa amacambúzio, amacambúzio...


_Coitado do Barão!... Que injustiça!... Um cantor tão bom!...


_Avocê acha, comadre?


_Acho... É afinado, tem um vozeirão...


_Eu assabia, eu assabia!...Avocê é fã do Waldick Assoriano!...


_Quê?


_E num é, comadre? O asseu Waldick atambém é afinando e atem um vozeirão, ué! Se aduvidá, a sua música de cabeceira é inté “I’m not dog no!”...


_Pera lá, caramba! O que foi que eu disse pra você me ofender desse jeito?


_Avocê num afez o devê de casa, comadre! Eu já lhe adisse: apare de bebê e de ouvi tanto bregão. E alave os zuvidu, aquando atomá banho. E apasse abem o cotonete, que é pra modo de atirá essa camada de cera que já se aformô aí dentro!...


_Ah, quer dizer que agora você é entendida em música, é?


_Aposso num assê intindida, mas também num assô adisintindida! E num assô fã do asseu Barão e do Waldick Assoriano.


_E quem foi que disse que eu sou fã...


_Apode pararem, apode pararem! E me adeixe lhe acontá toda perfídia que afizeram com o asseu Barão!


(o DJ ataca “Perfídia”, com o Luís Miguel)


_Mas eu não tô dizendo!... Que agora já tem até DJ novamente no meu AP!...


_Se acalme, comadre, e afaça novamente aquele atreinamento básico de AUUUUMMMM que eu lhe ensinei!... Avamo lá, comadre, arrepita acomigo: AUUUUUMMM!


(O DJ toca a sinetinha: Trrrriiiimmmm! Fumaça de incenso de vários cantos do palco).


_ (a Perereca): cof,cof, cof...Mas eu não tô dizendo... E agora já tem até efeito especial! Meu Jesus Cristo crucificado (cof,cof,cof)... O que foi que eu fiz pra merecer isso?


_Assi acalme, comadre, assi acalme, e atente entrá em Alfa... Assim, ó (a Correspondente, se treme toda, com os olhos esbugalhados). Aviu, comadre? Assim, ó, que nem o asseu Barão (a Correspondente faz novamente). E amanhã é assó se assentá em aposição de lótus, que avocê até alevita!...


_Cumadizinha, será que você poderia ir embora e me deixar dormir?


_Num aposso, comadre, num aposso, apurque num acabei de lhe acontá o assexagésimo assegredo de Fátima!...


_Quê?


_Eu ainda num lhe adisse o que afoi que afizeram com o redão do asseu Barão!...


_É verdade, cumadizinha, você só falou da pescaria e da viola...


_É apurque adeixei o pió pro afinal, comadre! Avocê num imagina o que afoi que aquela pérrrfida da Beijoca afez com o redão do asseu Barão!...


_Rasgou, mandou queimar?...


_Pió, comadre! Amuito pió!...


_Proibiu rede no Brejo?...


_Antes afosse, comadre, antes afosse!...


_Desembucha logo, animal!...


_Pois num é que aquela adisgramada apegô o redão do asseu Barão e adeu de presente pra El Rey? E aí El Rey, que anda tiririca com o asseu Barão, apegô o redão e alevô pra uma matambeira abaiana abenzê! Uma arreza forte, comadre, uma arreza forte, pra atirá a preguiça do ômi!... E aí imagine, comadre, que o pobri do asseu Barão num apodia se adeitá pra adá uma descansada – que é o que ele mais agosta de afazê, num assabe? – que o corpo do ômi acomeçava tudinho a pinicá. E aí ele num assabia se atremia ou se acoçava, se atremia ou se acoçava...


_Poxa! Mas ele deve ter penado à beça, né?


_E num afoi, comadre? E até adizem que afoi por isso que o asseu Barão arresolveu arrebelá a plebe...


_Ele fez a Plebe se rebelar?


_E num afoi, comadre? Pois se afoi até assim que o ômi acabô com o exílio dele, ué! Adizque ele apegô nuns trio zelétrico e assaiu pur tudu que é favela do Brejo, cantando: “E a deixá de mantê esse brilhu, perferimos mil vezes zamorti”.


_Ué, mas esse é o Hino do Brejo!...


_Pois num é, comadre? Era dia e noite, noite e dia infernizando os coitados, com o tar do Hino do Brejo!... E ainda por cima, comadre, gritado pelo Barão!... E com os olhos esbugalhados, avortados pro céu, comadre!... Aí a plebe num agüentô mais e adisse: vumbora abotá esse doido de vorta no comando, assenão é a gente que acaba num zospício!...


_Égua, quer dizer que o Barão voltou ao comando do Brejo?


_E tem amais, comadre!


_Mais????!!!!


_O Lorde Sudão afoi aproibido de adizê: “certo?”, “num é isso?”.


_Égua, foi?


_Mas adeixe, comadre, que eles já avão chegá e lhe explicá tudinho tim-tim por tim-tim.


_Quê?


_Pois num é, comadre? Agora que o asseu Barão avortô e tá tudu de nuvu nos trinques, a gente avai é afazê o maió festão no asseu AP!


(Na entrada do AP aparecem o Barão, o lorde Sudão, a Beijoca (de braços dados com El Rey), o Jujuba, o Duzinho, o Príncipe Clean, o lorde K-Nem, a Barbie Princesa, o Conde de Bota-Bem, o Barão dos Cadeados, o lorde Zangado, o lorde Tirésias, o Inri de Indaiá e, é claro, o lorde Balloon. Entra, também, um grande coro vestido de branco. O Balloon pega na batuta, ordena um jogo de luzes e rege o coro, que ataca... a Aleluia de Handel!).




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

De volta ao começo




Teria de ser muito hipócrita para dizer que não estou contente: estou sim.


Afinal, trabalhei na campanha de Jatene. E todos os que trabalhamos em campanhas gostamos, sim, de vitórias.


Também acredito que Jatene será um grande governador.


Ele é, inegavelmente, um intelectual brilhante, um técnico de alto nível e um político com excelente capacidade de diálogo.


Além disso, espero que o “banho de povo” desta campanha faça Jatene compreender a importância desse mesmíssimo povo para todo e qualquer governo ou partido político.


Sem o povo, um governo se resume, por vezes, a belos e irrealizáveis propósitos. Não é nada além de números, máquina e propaganda. Falta-lhe o principal: alma, vigor.


No entanto, apesar de contente pela vitória de Jatene, não consigo deixar de sentir uma profunda melancolia pela derrota da minha xará, Ana Júlia Carepa.


Afinal, votei em Ana em 2006. E ainda hoje, ao fechar os olhos, consigo me lembrar nitidamente da felicidade e da esperança que aquela vitória significou.


Belém e o Pará eram um enorme coração vermelho! E todos nós, ainda que nem todos petistas, acreditávamos que aquele seria – de verdade! - o começo de um novo tempo...


Não, não sonhávamos nada de mirabolante.


Como cidadãos, queríamos, apenas, uma saúde melhor, uma segurança melhor, uma educação melhor.


Queríamos andar pelas ruas em paz. Queríamos uma saúde humanizada, sem crianças morrendo nos postos de saúde, por falta de atendimento. Queríamos uma educação que garantisse um futuro para essas crianças e jovens que só têm como alternativa as escolas públicas.


Mas quem sabe tenhamos nos enganado... Talvez que sonhar algo assim, seja sonhar alto demais num estado como o Pará...


É certo que os governos tucanos fizeram muito pelo Pará.


O equilíbrio das contas públicas é essencial até para a capacidade de investimento.


E a estruturação de alternativas de desenvolvimento econômico, como é o caso do Turismo e do agronegócio, é fundamental para a geração de emprego e renda.


Mas um governo não pode se resumir ao bom desempenho econômico. Muito menos num estado como o Pará.


Devido à extrema pobreza da nossa gente, é preciso investir fortemente na área social.


E devido a essa nossa histórica condição de colônia, é preciso firmeza para reivindicar os dividendos daquilo que nos pertence.


Em 2006, acreditávamos que Ana Júlia tivesse essa capacidade de ir além do bom desempenho econômico.


O nosso “incrível exército de Brancaleone” – que conseguiu, sim, uma vitória até mais extraordinária que essa de Jatene – acreditava, sinceramente, na possibilidade de mudanças rápidas, profundas e massivas na qualidade de vida dos paraenses.


Acreditávamos, inclusive, numa alternativa até moralizante, em termos de administração pública.


E penso que, naquele outubro, contávamos chegar em 2010 com tantas conquistas, com tantas vitórias, que seria impossível não conseguirmos manter o poder...


Hoje, porém, restam apenas as ruínas daquele sonho...


Ana Júlia fez uma escolha: escolheu a DS.


Desde o primeiro dia – e até o fim!... – ela deu provas insofismáveis de que a sua DS sempre lhe pareceu muito mais importante do que o Pará, a população do Pará, o PT, o PMDB e todos os que ajudamos a elegê-la, em 2006.


Foi a DS, a opção pela DS, o que de fato derrotou Ana Júlia.


E se ela fosse para o fundo do poço sozinha, ou na companhia desses fascistas da DS, nenhum problema...


O problema é que Ana está a arrastar boa parte do PT e boa parte das pessoas que até se expuseram para ajudar na sua eleição, em 2006.


Sinal de que faltou à Ana Júlia o principal: a compreensão do significado da liderança.


FUUUUIIIIIIII!!!!!!


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Pros companheiros petistas – e eu imagino como vocês estão a se sentir agora...


E pra todo o nosso “incrível exército de Brancaleone” de 2006...