sábado, 17 de janeiro de 2009

Extra! Diárias

EXTRA! EXTRA!


Viagens:


Governo do Pará gasta mais
que a Presidência da República


*Diárias tiveram crescimento recorde em 2008.
*Valores equivalem a pacotes com avião e hotel de luxo aos principais destinos turísticos do planeta.
*Lista revela 82 pessoas com mais de R$ 20 mil em diárias em 2008.
*Autarquia paga valores fixos por mês.




É incrível, mas, verdadeiro: o Governo do Estado gastou com viagens, no ano passado, mais do que a Presidência da República, a maioria dos ministérios – incluindo o das Relações Exteriores – e até que a Câmara dos Deputados.


Aliás, o Governo do Pará gastou em viagens mais do que a Justiça Eleitoral, no ano eleitoral de 2008.


A informação, que parece inacreditável, pode ser facilmente verificada através do cruzamento de documentos públicos locais – balanços e balancetes do Estado – com um levantamento publicado, nesta semana, pelo site Congresso em Foco.


Lá, consta que as despesas de viagens da Presidência da República (diárias, passagens, locomoção e bilhetes) ficaram em pouco mais de R$ 56 milhões.


No entanto, os gastos do Governo do Pará, nesse mesmo item, superaram R$ 95 milhões, conforme o balancete de novembro último, que registra, apenas, o acumulado até então.


No mesmo período, a Câmara dos Deputados gastou R$ 80,3 milhões; o Ministério da Fazenda R$ 72 milhões; o Ministério da Agricultura R$ 69 milhões; o das Relações Exteriores R$ 66,2 milhões; o do Desenvolvimento Agrário R$ 62,9 milhões; o da Previdência Social R$ 58,6 milhões; o do Meio Ambiente R$ 37,3 milhões; a Justiça Eleitoral R$ 35 milhões – apenas para ficar nos exemplos mais significativos, abaixo dos gastos paraenses.


Até porque, entre todos os entes da União – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – só quatro gastaram mais que o Governo do Pará, em viagens, no decorrer de 2008: os ministérios da Defesa, da Educação, da Justiça e da Saúde.




Diárias dobraram em relação a 2006


A maior parte dessas despesas do Governo do Pará se deve ao extraordinário aumento das diárias de viagem.


Até novembro do ano passado, conforme o balancete estadual, o Governo paraense já havia consumido quase R$ 55,8 milhões em diárias - ou o dobro de 2006 e 40% a mais do que em 2007.


Pior: os gastos do Governo do Estado com diárias, até novembro, já eram os maiores da década.


Aliás, quando se examina a série histórica, constata-se, em 2007 e 2008, até um descompasso entre o crescimento das diárias e o decréscimo das despesas com locomoção.


Diárias, vale lembrar, cobrem, apenas, os custos da alimentação, hospedagem e transporte em uma determinada cidade.


Os meios para se chegar até lá (bilhetes de avião e fretamento de veículos, por exemplo) são contabilizados em outra rubrica orçamentária: “Passagens e Despesas com Locomoção”.


Veja a série histórica preparada pela Perereca da Vizinha, com os gastos de viagem do Governo do Estado, desde 2000*.



Em 2000



Diárias servidores civis: R$ 8.695.924,19
Diárias servidores militares:R$ 3.346.431,05
Total diárias: R$ 12.042.355,24
Passagens e despesas de locomoção: R$ 14.293.177,33
Diárias mais passagens: R$ 26.335.532,57


Em 2001


Diárias civis: R$ 9.917.611,24
Diárias militares: R$ 2.877.044,31
Total diárias: R$ 12.794.655,55
Passagens e despesas de locomoção: R$ 18.100.189,02
Diárias mais passagens: R$ 30.894.844,57


Em 2002


Diárias civis: R$ 12.822.967,44
Diárias militares: R$ 3.133.369,72
Total diárias: R$ 15.956.337,16
Passagens e despesas de locomoção: R$ 25.903.332,20
Diárias mais passagens: R$ 41.859.669,36


Em 2003


Diárias civis: R$ 16.529.369,97
Diárias militares: R$ 5.945.207,10
Total diárias: R$ 22.474.577,07
Passagens e despesas de locomoção: R$ 31.933.869,08
Diárias mais passagens: R$ 54.408.446,15


Em 2004


Diárias civis: R$ 19.397.565,17
Diárias militares: R$ 5.170.269,86
Total diárias: R$ 24.567.835,03
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.980.463,36
Diárias mais passagens: R$ 64.548.298,39


Em 2005


Diárias civis: R$ 23.020.057,37
Diárias militares: R$ 8.544.344,41
Total diárias: R$ 31.564.401,78
Passagens e despesas de locomoção: R$ 50.925.850,56
Diárias mais passagens: R$ 82.490.252,34


Em 2006


Diárias civis: R$ 22.209.087,08
Diárias militares: R$ 6.712.393,00
Total diárias: R$ 28.921.480,08
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.027.295,01
Diárias mais passagens: R$ 67.948.775,09


Em 2007


Diárias civis: R$ 27.910.275,93
Diárias militares: R$ 12.111.143,49
Total diárias: R$ 40.021.419,42
Passagens e despesas de locomoção: R$ 33.059.920,27
Diárias mais passagens: R$ 73.081.339,69


Em 2008


Diárias civis:R$ 38.982.400,76
Diárias militares: R$ 16.814.037,26
Total diárias: R$ 55.796.438,02
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.351.568,98
Diárias mais passagens: R$ 95.148.007,00



*Os dados de 2000 a 2007 foram retirados dos balanços gerais do Estado. Já os números de 2008 são do balancete de novembro e dizem respeito, apenas, ao acumulado até aquele momento. Os documentos podem ser acessados no site da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa).



Um ano de ICMS de Belém


Quando se somam as diárias e as despesas com locomoção destes dois anos, o que se verifica é que o Governo do Estado já consumiu mais de R$ 168,2 milhões em viagens, pelo Pará, pelo Brasil e até pelo exterior.

É dinheiro que não acaba mais.


Para se ter idéia, quase empata com os R$ 175,2 milhões que Belém recebeu, no ano passado, em repasses de ICMS do Governo Estadual, para administrar o cotidiano de 1,5 milhão de habitantes.


É claro que, na dinheirama consumida por essas viagens, estão incluídas despesas essenciais ao contribuinte, como o deslocamento de policiais, bombeiros e técnicos de Saúde, por exemplo.


Mesmo assim, fica difícil entender o porquê do espantoso crescimento desses gastos, num país cuja inflação não atinge nem dez por cento ao ano.


E mais ainda num estado como o Pará, onde a metade da população tem renda inferior a R$ 200,00 por mês – ou menos que a diária de um secretário estadual (R$ 270,00), quando viaja para outros estados do País.



Uma profusão de aumentos


Quando se fala em diárias de viagem, tudo subiu: desde os valores até a quantidade de contemplados.


Em 2006, apenas oito pessoas receberam mais de R$ 20.000,00 em diárias, no Governo do Estado.


Em 2007, esse número saltou para 35.


No ano eleitoral de 2008, simplesmente explodiu: foram nada menos que 82.


A quantidade de gente que viajou também cresceu: 10.166 funcionários, em 2006; 11.802, em 2007; 13.107, em 2008, conforme o site da Auditoria Geral do Estado (AGE), no link “Transparência Pará”.


E o Governo do Estado também dobrou o valor das diárias, em julho de 2007.


É certo que elas já estavam sem reajuste desde 2003. Mas, também é fato que subiram muito acima da inflação do período.


Com isso, as diárias para secretários de estado e equivalentes, nas cidades mais próximas da RMB (até Castanhal e Vigia, por exemplo) passaram de R$ 50,00 para R$ 120,00. Nos demais municípios saltaram de R$ 75,00 para R$ 157,00. Para outros estados passaram de R$ 150,00 para R$ 270,00.


Já os demais servidores recebem diárias de, no máximo, R$ 135,00, no interior do Pará; e de R$ 240,00, nas viagens interestaduais.


Para o exterior, as diárias variam de 300 a 400 dólares, conforme o destino e o cargo que se ocupa.


É verdade que as maiores diárias são dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado: eles ganham R$ 744,00, nos deslocamentos pelo Brasil; 496 dólares, na América Latina e 620 dólares, nos demais países.


Porém, quem mais gasta é mesmo o Executivo.


Dos R$ 27 milhões que o Governo do Estado consumiu em diárias, em 2007, apenas uns R$ 3,2 milhões foram gastos pelos demais Poderes.



Sem IR nem Responsabilidade Fiscal


De acordo com o Regime Jurídico Único (RJU), diárias têm caráter indenizatório: cobrem, apenas, como já se disse, despesas de hospedagem, alimentação e transporte no destino.


E como não constituem, em tese, um rendimento, não têm desconto de Imposto de Renda.


Também são contabilizadas, no balanço, como outras despesas de custeio – quer dizer, não entram na rubrica “gastos com pessoal”, sobre a qual há limites ferrenhamente impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).



Dinheiro para um “tour” no Tahiti


Entre os 13 mil contemplados, pelo Governo do Estado, há 82 pessoas que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado.


Desses 82, doze contabilizaram valores acima de R$ 30 mil.


Houve quem recebesse em diárias, num único mês, o equivalente a pacotes, com avião e hotel de luxo, para os principais destinos turísticos do mundo – Roma, Paris, Nova York – ou até para inesquecíveis 10 dias no paradisíaco Tahiti...


Exemplo: o servidor Cássio Alves Pereira, da Secretaria Estadual de Agricultura, que recebeu mais de R$ 26 mil.


Consta, no site da AGE, que ele só não viajou nos meses de janeiro e dezembro.


E, por vezes, recebeu verdadeiras boladas: quase R$ 6 mil em diárias em abril; mais de R$ 10 mil em novembro.


O mesmo vale para Edna Maria da Costa e Silva, da Secretaria de Meio Ambiente: foram cerca de R$ 5 mil em diárias em janeiro; cerca de R$ 6 mil em março; R$ 4,5 mil em dezembro - sem contar os demais meses.
Outro exemplo: Marcos Eduardo Sachi, da Paratur: R$ 9,7 mil em diárias em fevereiro; R$ 10,5 mil em junho; quase R$ 7 mil em setembro; mais de R$ 5 mil em outubro.


Mas, a campeã de diárias do Pará é Maria de Belém Nazareth Gomes, da Paratur, há pelo menos três anos na liderança do ranking.


Maria recebeu R$ 44.169,59, em 2006; R$ 54.003,30, em 2007; e R$ 60.703,90, em 2008.


Quer dizer: foram 50% a mais de diárias, em apenas dois anos.


Maria se defende apontando o lugar estratégico que ocupa - é gerente de Assuntos Internacionais da Paratur - e a cuidada qualificação: é administradora de empresas com MBA em gestão em Turismo, e especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Além disso, domina três idiomas: inglês, francês e espanhol.


Também aponta o resultado da presença do Pará no exterior: o aumento do fluxo turístico para o estado.


Lista os importantes eventos em que representou o Pará. Chama a atenção para a relação custo/benefício do trabalho que realiza.


O problema é que não se questiona o trabalho da servidora - embora não pareça razoável acreditar no peso exclusivo das suas viagens para o aumento do fluxo turístico paraense...


Aliás, não se questiona nem a qualificação que possui, acima da média do mercado local.


O que se estranha é o valor que recebe em diárias - e não só ela, mas, um punhado de servidores.


Exemplo: os R$ 10 mil recebidos em diárias, num único mês, por Maria, Cássio e Marcos Sachi, dentre outros, para despesas de alimentação, hospedagem e transporte local.


É dinheiro suficiente para mais de dois meses no interior do Pará e para um mês de viagens nababescas pelo Brasil e por alguns dos principais paraísos turísticos do mundo.


Exemplo: os pacotes de grandes operadoras de Turismo, oferecidos na internet e em revistas especializadas.


São R$ 8,5 mil por 10 dias e 9 noites no paradisíaco Tahiti, com transporte aéreo, hospedagem e traslado inclusos; R$ 4 mil por oito dias em Aruba, saindo de São Paulo e com transporte e hospedagem inclusos; R$ 4.725,60 por sete noites, para compras, em Nova York (com passagem, hospedagem e visita aos principais pontos turísticos); R$ 3.250,00 por cinco noites em Lisboa ou por nove dias e seis noites em Paris; algo em torno de R$ 3.700,00 para até 9 dias em Roma, a Cidade Eterna.


Para o Brasil, então, nem se fala: R$ 10 mil dão para visitar a Serra Gaúcha, o Nordeste, as cidades históricas mineiras; dão para uns dois meses, em excelentes hotéis.


E note-se que os R$ 10 mil recebidos por esses servidores não incluem as passagens de avião.


Maria de Belém argumenta que a comparação não cabe, porque não há como atrelar as viagens que faz aos períodos impostos pelas operadoras turísticas, que possibilitam essa redução de preço.


Além do que, a compra das passagens é feita pela empresa que venceu o processo licitatório da Paratur.


Mesmo assim, é difícil aceitar que o dinheiro de impostos esteja desaparecendo em despesas de viagem.




As idas e vindas da campeã, Maria de Belém


A imbatível Maria de Belém de Nazareth Gomez, da Paratur, fez, pelo menos, oito viagens, no ano passado, com os mais de R$ 60 mil que recebeu em diárias.



1)De acordo com o Diário Oficial, entre 4 e 19 de março ela esteve na França, junto com outro funcionário da Paratur, para participar da "Feira de Bressuire e da Feira de Turismo Le Monde a Paris". Foram 16 diárias.



2)De 21 a 24 de março, ela foi para Guadalupe, no Caribe francês, novamente acompanhada de outra servidora da Paratur, para participar do evento internacional "La Fête du Crabes et de la Mangrove". Mais quatro diárias



3)De 16 a 21 de abril, incansável, Maria de Belém foi à Caiena, acompanhada de uma técnica, para participar do10° Salão de Turismo da Guiana Francesa. Mais seis diárias.



4)De 16 a 24 de maio, voltou à Europa - às cidades de Nantes, Rennes e Lillee Strasbourg, para participar do "2º Roadshow do Brasil na França". Mais nove diárias.



5)De 30 de junho a 2 de julho voltou à Caiena, na Guiana Francesa, para participar da apresentação do "Programa Operacional Amazônia". Mais três diárias.



6)De 1 a 6 de outubro esteve em Paramaribo, no Suriname, novamente em companhia de um servidor da Paratur, para participar do "Suriname Tourism Fair". Mais seis diárias



7)De 21 a 28 de outubro, viajou para a belíssima Itália. Sempre acompanhada de outra funcionária pública, esteve na cidade de Rimini, para participar do evento "TTG Incontri". Mais oito diárias.



8)Finalmente, de 5 a 15 de novembro, acompanhou a governadora em suas andanças pela China. Mais 11 diárias.




Os 82 com mais de R$ 20 mil


Veja a lista dos 82 servidores que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, conforme o site da AGE:


Maria de Belém de Nazareth Gomez – R$ 60.703,90
Luíza Antonia Rachid Miranda - R$47.790,00
Charles Campos e Campos – R$ 41.953,50
Rosely Souza Pereira – R$ 40.702,50
Ambrosio Lindoso da Silva Filho – R$ 39.825,00
Reginaldo Mauro Cunha Dorea – R$ 35.842,50
Vicente de Paulo Pureza – R$ 35.842,50
Fernando Josias da Costa Leal – R$ 35.775,00
Maurílio de Abreu Monteiro – R$ 34.796,00
Astrid Maria Fiel Cabral B. Soares – R$ 33.142,50
Marcos Eduardo Sacchi – R$ 32.423,71
Maria da Graça Carvalho de Albuquerque – R$ 30.645,00
Fernando José Monteiro Menezes – R$29.182,50
Antonio Santos – R$ 28.912,50
Guilherme Alves Mendes – R$ 28.147,50
Maria Ivonete Lira Farias – R$ 28.080,00
Olga Santos Torres de Assis – R$ 27.982,50
Janete Lima Paes – R$ 27.877,50
Suely de Jesus Ribeiro da Silva – R$ 27.877,50
Raimundo Laércio Araújo de Souza – R$ 27.405,00
Édson de Almeida Calcagno – R$ 27.216,00
Osmar Lima Sampaio Júnior – R$ 27.202,50
Juarez Araújo de Souza – R$ 26.730,00
Edna Maria da Costa e Silva – R$ 26.502,07
Cássio Alves Pereira – R$ 26.261,44
Wellington Prestes de Lima Nascimento – R$ 26.082,50
Ana Nery Monteiro Lisboa – R$ 25.852,50
Antonia do Socorro Pena da Gama – R$ 25.703,44
Marne Brasil Vieira – R$ 25.582,50
Sonia Suely dos Reis Pedroso – R$ 25.402,50
Paulo Roberto Reis de Almeida – R$ 25.157,50
Gilson da Luz Sousa – R$ 24.997,50
Mário Sérgio de Lima Sousa – R$ 24.975,00
José Cleison Cohen Pereira – R$ 24.907,50
Joelcio Junior da Costa Graça – R$ 24.415,00
Daniel José B. Sidonio – R$ 24.060,00
Diego Bruno Martins das Chagas – R$ 24.060,00
Daniel Luiz Monteiro Freire – R$ 23.760,00
José Hilton da Silva Cunha – R$ 23.692,50
Nazário Pereira – R$ 23.625,00
Diego Teixeira da Silva – R$ 23.505,00
Edilson Batista Dutra – R$ 23.490,00
Cleide Cilene Tavares Rodrigues – R$ 23.463,00
Mariza Campos de Melo Freitas – R$ 23.422,50
Andre Segantin Luiz – R$ 23.162,76
Valmir Gabriel Ortega – R$ 23.050,17
Mariceli Nascimento Moura – R$ 23.015,00
Alicio Brito Filho – R$ 22.800,50
Ann Clelia de Barros Pontes – R$ 22.698,70
Maria Sueli Damasceno do Nascimento – R$ 22.687,50
Huguaraci Araújo Dias – R$ 22.680,00
Raimundo Socorro Costa Almeida – R$ 22.545,00
Maria Eloisa dos Santos Leal – R$ 22.410,00
Marco Antonio Cunha Solimões – R$ 22.385,50
Cesar Murilo Campelo Jucá – R$ 22.012,50
Maria Claras das Neves – R$ 22.005,00
Mara Sílvia Galvão da Silva Carneiro – R$ 21.982,50
Paulo Joaquim Pina de Queiroz – R$ 21.900,00
Clodoaldo Ferreira dos Reis – R$ 21.802,50
José Eli da Costa – R$ 21.766,50
Luiz Otávio Maciel Miranda – R$ 21.538,12
Eric Bruno da Silva Batista – R$ 21.465,00
Eliomar Campos Faustino – R$ 21.445,00
José Maria de Oliveira Picanço – R$ 21.195,00
Afonso Luiz Marinho França – R$ 21.195,00
Heldecir Lima Conceição - R$ 21.195,00
Maria Raimunda Moraes Sidrim – R$ 21.195,00
Fernando Mesquita Ribeiro – R$ 21.102,50
David Teixeira Alves – R$ 21.034,67
Júlio César Meyer Junior – R$ 20.944,50
Ed Wilson Souza Nascimento – R$ 20.943,00
Miguel Jurandir Melo de Oliveira – R$ 20.857,50
Carlos Antonio Duarte Rodrigues – R$ 20.722,00
Geovani de Aviz Gentil – R$ 20.685,00
Ismênia Raimunda Rossi Gralato – R$ 20.587,50
Jaime Menescal de Souza – R$ 20.580,00
Jorge do Carmo dos Santos Farias – R$ 20.385,00
Maria de Nazaré de Andrade Moreira Porto – R$ 20.261,00
Rosania do Socorro Garcia Campestrini – R$ 20.257,50
José Fernandes Costa – R$ 20.182,50
Maria Cristina Marçal Cavalcante – R$20.115,00
José Maria Nascimento Gomes – R$ 20.035,00



Indícios de folha suplementar?


Dos 82 funcionários públicos que receberam acima de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, nada menos que 34 - ou mais de 40% - são funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).


O restante trabalha em diversos órgãos, especialmente no Iterpa.


Mas, as diárias do Detran não chamam a atenção, apenas, pelo valor e pela quantidade de contemplados.


Há algo bem mais complicado: a repetição, todos os meses, dos mesmíssimos valores, no caixa desses funcionários. Uma coisa facílima de constatar, no site da AGE.


Veja-se o exemplo da servidora Luiza Antonia Rachid Miranda, a segunda colocada no ranking, beneficiada com R$ 47.790,00 em diárias, no ano passado.


Quando se verifica o detalhamento desse dinheiro - a partir das ordens bancárias (OBs) já lançadas no site - o que se percebe é uma improbabilidade tão grande quanto ganhar na mega-sena: Luíza teria recebido exatos R$ 3.982,50 em diárias, a cada mês do ano passado, à exceção, apenas, de junho.


Em compensação recebeu, em maio, duas Obs no valor de R$ 3.982,50 - exatamente como quem sai de férias...


"Isso é realmente muito estranho, porque os valores das diárias, geralmente, são variáveis" - comenta um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).


E embora ele esteja habituado a analisar contas públicas, seu espanto deriva tão somente do bom senso: como diárias cobrem despesas de hospedagem, alimentação e transporte local e variam conforme a distância do lugar para onde se viaja, não há como imaginar que possam ter um valor fixo, todo santo mês.


Além disso, esses R$ 3.982,50, quando divididos por 30, resultam em R$ 132,75 por dia.


Quer dizer: para receber esses quase R$ 4 mil de diárias, Luíza teria de ter viajado, a trabalho, todos os 30 dias de cada mês do ano de 2008.


Isso porque o valor da diária mais alta, para dentro do estado, a todos os servidores que não são secretários de estado (ou equivalente), é de R$ 135,00.



Número Mágico


O problema é que isso não acontece, apenas, com Luíza - na verdade, esse valor em diárias, R$ 3.982,50, até parece um número mágico, tanto que se repete no Detran.


Exemplo: Rosely Souza Pereira, a terceira do ranking.


É certo que ela recebeu apenas R$ 877,50 em janeiro do ano passado.


Mas, de fevereiro a dezembro, caíram religiosamente no bolso de Rosely, a cada mês, R$ 3.982,50 em diárias.


A exceção foi março, quando nada recebeu.


Em compensação, em maio, foram duas ordens bancárias de R$ 3.982,50.


Mais um exemplo: Ambrósio Lindoso da Silva Filho, quinto do ranking.


Ambrósio recebeu R$ 3.982,50 em diárias nos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e dezembro, além de uma OB extra, de R$ 3.982,50, em outubro.


Mais ou menos o que aconteceu com o oitavo do ranking, Fernando Josias da Costa Leal, que recebeu R$ 3.915,00 em janeiro; e R$ 3.982,50 de fevereiro a setembro.


Ou com Vicente de Paulo Pureza (7 do ranking), com R$ 3.982,50 em diárias, nos meses de março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro - e uma OB extra em julho, de igual valor.


Ou com Reginaldo Mauro Cunha Dorea (6 do ranking): R$ 3.982,50 em diárias, de abril a novembro, e uma ordem bancária extra, em abril.



Situações curiosas


No Detran, os valores das diárias se repetem tanto que geram situações curiosas: quantitativos idênticos, nos mesmos meses, a funcionários diferentes.


Isso aconteceu, por exemplo, com os servidores Afonso Luiz Marinho França e Heldecir Lima Conceição, com idênticos R$ 21.195,00 em diárias, no ano passado.


Eles receberam R$ 3.982,50 em fevereiro, março, abril, maio e julho, sendo que, em fevereiro, ambos receberam Obs extras no valor de R$ 405,00; e em agosto tiveram diárias, também idênticas, de apenas R$ 877,50.


Pelo menos é isso o que já foi atualizado no site da AGE. Por isso, não se sabe se a improvável coincidência se repetiu até o final do ano.



Detran nega irregularidades


Um promotor de Justiça lembra que diárias de viagem não têm valor fixo, nem podem se estender por meses a fio.


"Se atentarmos para o princípio da razoabilidade, o tempo limite ao pagamento de diárias será de uns 30 dias", observa.


E diz que, se comprovado o pagamento irregular, tanto quem recebeu, quanto quem o ordenou pode ter de devolver o dinheiro aos cofres públicos.


"O crime de improbidade prescreve em cinco anos, a partir do momento em que o gestor deixa o cargo. Mas, a devolução do dinheiro de um ato ilícito é imprescritível", assinala.


O Detran nega, porém, a existência de irregularidades.


Em nota, garante que "todas as diárias concedidas no exercício de 2008 foram feitas dentro das exigências legais, sem priorizar servidores ou como forma de pagamento de 'folha suplementar".


Ainda segundo a nota, o maior número de diárias em relação a 2007 se deve "a maior interiorização dos serviços da autarquia".


Acresce que as viagens objetivaram atividades "de suma importância", como a fiscalização do trânsito e ações educativas. E que a "a falta de agentes de trânsito lotados no interior e o pequeno efetivo que operou em 2008, somados à necessidade de intensificar as operações para diminuir o número de veículos irregulares trafegando e para a redução de acidentes, contribuiu para o elevado número de diárias no ano passado".


Mas, promete, a situação "muda" em 2009, com a colocação de agentes de trânsito concursados nas regionais da autarquia.


No entanto, apesar do que diz a nota, essa profusão de diárias do Detran não é nova: na verdade, quando se consulta o Balanço Geral do Estado percebe-se que ele foi o organismo estadual que mais gastou com diárias em 2007: foram mais de R$ 2,8 milhões.


Isso superou até gigantes como a Seduc, a Polícia Civil e a Sespa.


Aliás, o que o Detran torrou, em 2007, correspondeu a 10% da totalidade dos gastos com diárias (R$ 27,9 milhões) daquele ano.



Pará gasta mais que a Presidência da República


A lista dos gastos com viagens, no ano passado, do Governo Federal, foi publicada pelo site Congresso em Foco (http://congressoemfoco.ig.com.br/). Ou (http://congressoemfoco.ig.com.br/Ultimas.aspx?id=26100)


O levantamento foi realizado pela ONG Contas Abertas, a partir de dados do Siafi.


Transcrevo, como posso, a tabela. Se você não entender, dê um pulo no site.




DESPESAS COM DIÁRIAS, PASSAGENS, LOCOMOÇÃO E BILHETES


Dotação Atualizada/ Despesas Empenhadas/ Despesas Executadas/Valores Pagos/ RP PAGOS( Proc Não Proc)/TOTAL PAGO EM 2008/ TOTAL DE RP A PAGAR


MINISTERIO DA DEFESA 178.687.761,30/ 220.217.019,22/ 210.648.479,21/ 196.069.221,23/ 11.738.908,35/ 207.808.129,58/ 70.445,09


MINISTERIO DA EDUCACAO 203.754.568,30/ 199.852.251,00 170.616.872,77/ 166.321.988,14/ 9.309.563,29/ 175.631.551,43/ 4.815.607,23


MINISTERIO DA JUSTICA 153.807.540,75/ 147.267.477,79/ 136.971.867,48/ 136.779.185,11/ 2.364.515,79/ 139.143.700,90/ 598.085,53


MINISTERIO DA SAUDE 120.612.878,01/ 105.660.322,42/ 98.912.761,97/ 95.500.557,25/ 2.641.888,27/ 98.142.445,52/ 121.486,67


CAMARA DOS DEPUTADOS 80.905.000,00/ 80.602.889,70/ 66.276.646,75/ 66.192.364,72/ 13.996.327,12/ 80.188.691,84/ 126.683,64


MINISTERIO DA FAZENDA 79.099.637,89/ 73.302.010,65/ 71.186.267,55/ 71.126.398,10/ 473.656,15/ 71.600.054,25/ 542.253,46


MINIST. DA AGRICUL.,PECUARIA E ABASTECIMENTO 68.085.953,56/ 69.478.950,43/ 68.504.933,46/ 67.890.060,97/ 1.160.823,37/ 69.050.884,34/ 55.666,87


MINISTERIO DAS RELACOES EXTERIORES 66.116.165,90/ 69.181.860,43/ 66.048.669,71/ 66.044.115,22/ 156.985,44/ 66.201.100,66/ 2.030,60


MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRARIO 76.818.681,91/ 66.596.745,26/ 60.873.569,91/ 60.785.650,52/ 1.696.095,44/ 62.481.745,96/ 441.241,18


MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL 63.288.522,74/ 61.243.020,88/ 58.142.509,24/ 57.824.549,49/ 829.554,99/ 58.654.104,48/ 46.882,44


PRESIDENCIA DA REPUBLICA 72.831.114,19/ 62.242.185,87/ 54.597.947,58/ 54.243.637,66/ 1.520.018,88/ 55.763.656,54/ 383.284,08


MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE 43.711.500,45/ 38.480.273,47/ 37.088.295,59/ 37.083.890,67/ 48.928,95/ 37.132.819,62/ 263.903,12


JUSTICA ELEITORAL 41.345.561,64/ 35.679.480,38/ 35.084.875,46/ 35.072.436,22/ 71.048,46/ 35.143.484,68/ 12.293,96


SENADO FEDERAL 27.648.505,75/ 27.616.237,25/ 26.423.330,15/ 26.423.330,15/ 1.588.506,50/ 28.011.836,65/ 2.708.673,19


JUSTICA DO TRABALHO 26.938.966,38/ 26.918.757,44 /26.259.733,90/ 25.979.808,30/ 253.023,85/ 26.232.832,15/ 68.674,37


MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIA 31.992.487,51/ 27.768.940,39/ 25.650.705,12/ 25.568.641,52/ 640.378,69/ 26.209.020,21/ 206.865,88


MINISTERIO DO PLANEJAMENTO,ORCAMENTO E GESTAO 23.038.302,18/ 25.847.575,83/ 24.949.707,81/ 24.820.885,98/ 72.896,29/ 24.893.782,27/ 28.125,02


MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA 23.248.251,33/ 23.349.098,51/ 21.318.544,64/ 21.237.868,11/ 429.667,62/ 21.667.535,73/ 1.559.813,30


MINISTERIO PUBLICO DA UNIAO 21.927.404,46/ 20.711.456,56/ 19.956.882,76/ 19.956.852,76/ 718.576,95/ 20.675.429,71/ 115.971,45


JUSTICA FEDERAL 21.724.672,95/ 20.911.515,00/ 20.363.989,81/ 20.363.641,45/ 169.792,49/ 20.533.433,94/ 63.629,68


MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO 21.223.989,56/ 19.272.146,59/ 19.125.709,83/ 19.123.879,34/ 14.606,21/ 19.138.485,55/ 152,09


MINISTERIO DOS TRANSPORTES 34.089.926,08/ 22.433.519,27/ 17.488.251,18/ 17.485.664,75/ 597.991,91/ 18.083.656,66/ 421.890,58


MINISTERIO DO DESENV,IND. E COMERCIO EXTERIOR 16.722.284,04 /15.887.843,75/ 14.508.890,33/ 14.392.896,10/ 243.356,65 14.636.252,75/ 419.067,62


MINISTERIO DA INTEGRACAO NACIONAL 32.778.813,90/ 14.800.727,91/ 13.103.231,41/ 13.090.862,60/ 435.899,16/ 13.526.761,76/ 89.108,01


MINISTERIO DA CULTURA 13.559.330,41/ 12.920.981,41/ 11.271.054,27/ 11.251.206,77/ 654.773,23/ 11.905.980,00/ 128.805,40


MINISTERIO DAS COMUNICACOES 13.343.020,82/ 11.722.285,36/ 9.941.973,57/ 9.941.973,57/ 68.069,40/ 10.010.042,97/ 12.847,03


MINISTERIO DAS CIDADES 8.916.049,08/ 7.032.508,68/ 6.197.912,50/ 6.177.647,84/ 356.491,22/ 6.534.139,06 /77.598,14


TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIAO 6.399.581,76/ 6.397.399,99/ 6.099.170,67/ 6.099.170,67/ 168.352,47/ 6.267.523,14/ 146.851,64


MINISTERIO DO TURISMO 4.816.070,89/ 4.717.893,39/ 4.453.487,80/ 4.448.719,16/ 16.622,51/ 4.465.341,67/ 9.309,70


MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME 6.871.845,84/ 4.032.683,30/ 3.784.926,69/ 3.782.791,93/ 27.962,03/ 3.810.753,96/ 376.223,06


SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 4.039.020,37/ 4.039.020,37/ 3.628.181,28/ 3.628.181,28/ 180.806,93/ 3.808.988,21/ 87.572,50


MINISTERIO DO ESPORTE 4.058.625,68/ 3.643.234,59/ 3.124.176,20/ 3.113.943,27/ 158.293,58/ 3.272.236,85/ 0,00


JUSTICA MILITAR 2.073.006,20/ 2.072.997,16/ 2.018.749,23/ 2.016.785,73/ 23.805,50/ 2.040.591,23/ 23.015,15


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA 1.998.875,67/ 1.998.875,67/ 1.338.167,47/ 1.338.167,47/ 542.824,66/ 1.880.992,13/ 54.553,09


JUSTICA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS 352.790,16/ 352.790,16/ 336.884,78/ 334.660,16/ 6.148,09/ 340.808,25/ 0,00


TOTAL 1.596.826.707,66/ 1.534.252.976,08/ 1.416.297.358,08/ 1.391.511.634,21/ 53.377.160,44/ 1.444.888.794,65/ 14.078.610,77


Fonte: Siafi
*Até 31/12, com base em 03/01/09
OGU 2008*

Franssinete

Pobreza e pedofilia: até quando?



Recebi, nesta semana, do gabinete do deputado Bordalo, a matéria abaixo, de autoria da jornalista e blogueira Franssinete Florenzano.


Infelizmente, andei tão balada que nem consegui colocá-la no blog.


E ia fazê-lo – o que normalmente não faço – devido à qualidade da reportagem, que achei muito boa e muito importante para todos nós.


Hoje, estou atualizando o blog com a matéria sobre as viagens do Governo do Estado e já se passaram vários dias desde que recebi essa matéria.


Mas, quero muito que ela fique registrada na Perereca. Por todas as denúncias que contém.


Assim, decidi publicá-la, apesar do atraso. Ei-la:




“O arquipélago do Marajó registra um índice de desenvolvimento humano (IDH) comparável ao dos países mais pobres da África. A população está mergulhada na pobreza, no desamparo, tráfico humano e de drogas, com milhares de casos de pedofilia, abuso e exploração sexual infanto-juvenil, grilagem de terras e desmatamento ilegal. Há grave violação dos direitos humanos envolvendo principalmente mulheres, adolescentes e crianças. A malária em Anajás é uma tragédia à parte no município com cerca de 25 mil habitantes. Para se ter idéia, em 2007 foram registrados 10 mil casos, 800 por cada mil habitantes - o tolerável são 50 casos para cada mil. Mais alarmante é que o poder público, mesmo ciente, não toma providências.



“A sociedade está doente, moribunda e a cidadania não existe”, denuncia Dom José Luiz Azcona Hermoso, bispo do Marajó, contando que chegam a divulgar o preço pela cabeça de quem se opõe às quadrilhas que infestam as ilhas. “Isso é uma apologia ao crime. É um grito à consciência dos senhores deputados e senadores”, disse, ao pedir que os parlamentares busquem solução para a violência no Pará.



O conteúdo estarrecedor do relato do bispo à CPI da Pedofilia no Pará nesta quarta-feira, 14, está registrado em documentos entregues oficialmente à Comissão. Um deles é o Relatório da Audiência Pública sobre a situação de exploração e abusos praticados contra crianças e adolescentes realizada no município de Portel, no dia 11 de maio de 2006, produzido pelo assessor Amarildo Geraldo Formentini (morto em um acidente de carro na rodovia Belém—Brasília, em dezembro de 2007, em circunstâncias até hoje não esclarecidas), designado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para representá-la no acompanhamento da tomada de depoimentos, recolhimento de provas sobre trabalho escravo e exploração sexual infanto-juvenil na região do Marajó e adjacências, além de levantamentos referentes à situação das comunidades remanescentes de quilombos, envolvendo inclusive autoridades públicas, como é o caso dos vereadores Roberto Alan de Souza Costa, o "Bob Terra" (que estuprou uma criança de 13 anos de idade) e Adosn de Azevedo Mesquita (também acusado de estupro de menores).



No relatório, um dos depoimentos mais contundentes foi o da senhora C.M.F.C., que “reafirmou publicamente, perante todas as autoridades presentes, que sua filha, a adolescente J.C.A. fora vítima de estupro praticado pelo Vereador da Câmara Municipal de Portel, Roberto Alan de Souza Costa, no dia 05 de abril de 2006. A Sra. C. também denunciou a atitude do Promotor de Justiça da Comarca de Portel, Dr. Carlos Lamarck Magno Barbosa, com a adolescente J.. Acompanhado da aliciadora "Catuta" e de sua mãe (condenada por tráfico de drogas,) fez uma abordagem de forma abrupta e ameaçadora, na porta de sua residência, causando forte constrangimento à menor e a sua família. Esse fato levou a mãe da vítima a pedir o afastamento do referido Promotor do caso de estupro praticado pelo vereador "Bob Terra".”



“A CDHM testemunhou depoimentos de vítimas que afirmam que o Promotor de Justiça, se fazendo acompanhar da jovem conhecida por "Catuta" (Marlúcia Caldas de Almeida) e sua mãe Sra. Nazaré, foram nas casas das vítimas pedindo a essas que dissessem que o Sr. Amarildo Formentini teria dado dinheiro a elas (vítimas) para que falassem em seus depoimentos que tinham sido alvos de abusos sexuais. Registre-se ainda que esta CDHM obteve informações de que à noite, na mesma data da Audiência, o Promotor reuniu-se na Prefeitura da Cidade, com meninas que deram entrevistas à imprensa, o que nos causa estranheza e, no mínimo, precisa ser investigado. Como também precisa ser investigada a ausência do Promotor na Comarca de Portel, no período de 05 a 24 de abril deste, apenas retornando quando o assessor Amarildo Formentini noticiou o fato às autoridades competentes. Ressalte-se que o assessor da CDHM mostrou todo o documentário ao dito Promotor que se disse pasmo com o que viu nas filmagens.” (sic)



O chocante depoimento de Dom Azcona à CPI da Pedofilia não pode ficar sem eco. A exploração de crianças é uma vergonha, uma ferida profunda no Estado do Pará. No Marajó, extremamente pobre e esquecido, não há qualquer controle policial, acusa o bispo. Os rios são rotas para o tráfico de madeiras, drogas e pessoas, é um território de ninguém, situação perpetuada pelo descaso, conivência e corrupção. Meninas costumam vender o corpo nos barcos que passam, o que rendeu a elas o apelido de balseiras. Isso faz com que as famílias miseráveis se desintegrem moralmente, observa o sacerdote. O estado de necessidade de dinheiro faz com que as pessoas encarem qualquer coisa, achem natural e até bom o narcotráfico, porque os traficantes dão comida e remédios. Algumas meninas vendem o corpo por um pouco de óleo diesel com o consentimento da família.




A beleza do arquipélago do Marajó rivaliza com a miséria da região, cortada por imensos rios. Integrado por mais de 3 mil ilhas e ilhotas praticamente inacessíveis, o abandono pelo poder público é secular. Seus 16 municípios abrigam mais de 400 mil pessoas. A economia depende do corte de madeira, do trabalho em fazendas de criação de gado ou da coleta de frutos e sementes nativas. “Aqui a gente convive com a fome, fome brava mesmo”, testemunha a Irmã Rita Raboin, religiosa que mora no local há mais de três anos.



O caso do Tajapuru, onde crianças se prostituem por um quilo de carne e um litro de óleo, é emblemático. As “balseirinhas”, meninas na faixa de 12 anos, ficam à beira dos rios esperando clientes, não importa a hora do dia em que passam. O sexo é pago em litros de óleo diesel. “É uma situação vergonhosa, mas comum, rotineira!”, escandaliza-se Dom José Luiz Azcona, clamando por justiça e proteção a essas crianças e adolescentes, e também fazendo duras críticas às autoridades policiais, coniventes com a situação. “No Marajó foi descoberto um policial que fazia parte de uma quadrilha de tráfico humano, onde 178 mulheres, delas também menores, sendo 52 de Breves, foram enviadas para prostituição na Guiana Francesa”, apontou o bispo.



“E não é só aqui no Marajó. O mesmo está acontecendo em várias outras cidades. Em Santarém, Bragança, Abaetetuba, Cametá, Belém, Marajó, Altamira, Xingu… No Pará, esta problemática está se expandindo cada vez mais. Isso é um fato que se agrava”, indigna-se o religioso.



O abuso sexual intrafamiliar e interpessoal (incesto, pedofilia, estupro, pornografia) e a exploração sexual comercial e não comercial (exploração sexual na prostituição/prostituição infantil, exploração sexual no turismo, pornografia e pedofilia, tráfico para fins sexuais) impedem que as crianças e adolescentes pobres, presentes no contexto histórico como alvo de discriminação e maus-tratos, tenham acesso a uma vida digna.



Dom José Luiz Azcona Hermoso, há anos, tem bradado à exaustão sobre as condições miseráveis em que vive a população do Marajó, denunciando ainda a devastação ambiental, a pesca predatória de arrastão na desembocadura do Amazonas, o descarte criminoso de peixes que deixarão de alimentar a população pobre, apenas para recolher o rendoso camarão que vai para o prato dos ricos.



O bispo diz que a CNBB denuncia a barbárie contra a civilização, por isso atrai para seus membros a ira de criminosos poderosos. As ameaças e assassinatos de religiosos não são novas, condenados e executados pela justiça privada dos que se entendem acima da lei e da ordem. O assassinato da Irmã Dorothy Stang, em 2005, é marco indicativo dessa lógica perversa.



Uma notícia que dá algum alento é que, no último dia 25 de novembro, foi sancionada pelo presidente Lula a lei nº 11.829/2008, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e criminaliza condutas relacionadas a pedofilia. A nova legislação aumenta a pena do agente em 1/3, quando o criminoso tiver se valido das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou ainda quando comete o crime com filho adotado, com criança ou adolescente de quem seja preceptor, com o tutelado, curatelado, empregado, ou quando mantenha qualquer tipo de relação de autoridade com a vítima.



Com isso, o legislador passou a punir com maior gravidade o abuso sexual por pessoas que se valham de relações familiares, de confiança ou de autoridade para a prática do crime. Não raro, crianças e adolescentes são vítimas de pais, tios, patrões e outras pessoas em quem confiam ou a quem devem respeito, o que as deixam muito mais vulneráveis.



A lei torna claro que haverá crime de pedofilia mesmo quando a prática sexual ocorra com o consentimento da vítima.A relação sexual mantida com menor, mesmo com o seu consentimento, corresponde à figura do estupro presumido. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Segundo o ministro do STJ Vicente Leal, a circunstância de haver tido o consentimento da menor nas relações sexuais não desfigura o delito, persistindo a lesão ao bem jurídico tutelado, pois a criança permanece sofrendo a ação criminosa do réu, de modo continuado, sendo certo que atenta contra a natureza a prática de atividade sexual em idade infantil”.




Fonte: Franssinete Florenzano
Data da publicação: 15/1/2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

tacacá3

Uma pausa para o tacacá 3




Quero agradecer aos vários leitores que têm prestigiado este blog e até deixado comentários, que tenho procurado publicar com o máximo de “senso” democrático, mesmo que, às vezes, pra lá de desagradáveis em relação a mim.




Quero agradecer, também, aqueles que têm me enviado denúncias, por e-mail, sobre fatos complicados, digamos assim, que estão acontecendo no governo do Estado. E-mails que, por vezes, são quase que um pedido de socorro...




Agradeço, ainda, aos amigos jornalistas e a outros profissionais que me procuram ou telefonam, para repassar valiosas informações.




Quando escrevi sobre o Hangar, nunca imaginei tais desdobramentos. E nem pensei, sinceramente, que as coisas estivessem tão mal assim, em tantas e tão diversas áreas do Governo Estadual – que eu, aliás, ajudei a eleger...





Tudo isso pesa sobre meus ombros como uma enorme responsabilidade, dada a esperança que algumas pessoas externam, quanto à possibilidade de esses fatos se tornarem públicos e acabarem resolvidos – e até punidos, exemplarmente...





É mais ou menos como na época em que investigava os tucanos, quando me chegavam às mãos dossiês e mais dossiês, de gente que, por vezes, só queria fazer valer as regras do jogo democrático...





Não tenho fonte de renda que não seja o meu suor, o meu trabalho.





Não tenho, como já cansei de dizer aqui, nem palmo de terra no cemitério.





Sustento uma casa sozinha, com a mesmíssima dificuldade, o mesmíssimo sufoco de cada um de vocês...





Mas, a esperança, a fé, que vejo refletida nesses e-mails, nessas informações, têm me levado a pensar muito, muito mesmo, acerca daquilo que devo fazer.





Há quase 30 anos milito na política, desde os tempos da ditadura militar.





Participei de greves, de passeatas, de entidades, de tudo que é movimento.





E se há uma coisa de que muito me orgulho é de continuar a acreditar nos mesmos sonhos da minha juventude.





Talvez que não de forma tão ingênua como naquela época. Talvez que de forma mais compatível com a “essência” humana.





Mas, ainda assim, os mesmos sonhos de uma sociedade mais justa, mais ética, mais feliz – da Terra Firme a Batista Campos.





A vivência e amor pela política me fizeram bem mais militante do que jornalista.





E creio que os companheiros, tucanos e petistas, até devem é agradecer a Deus por isso.





Fosse o contrário, fosse eu mais jornalista do que militante, não hesitaria, como hesito, diante de determinadas matérias...





No entanto, o meu lado jornalístico (forte que só ele!...) e até mesmo o meu lado militante têm me perguntado o que é que, afinal, ando a fazer...





Compreendo como bem poucos jornalistas, até por conhecer por dentro, os desvãos da política.





Mas, companheiros – meus companheiros!...- é preciso um mínimo de democracia, um mínimo de liberdade, um mínimo de sensibilidade para se que possa perceber quando o que se está a fazer começa a descambar para a pura e simples criminalidade...





Não quero ser “santa”, não sou “santa” – longe disso!...





Da mesma forma que todos vocês já fiz coisas que se, há trinta anos, alguém ao menos insinuasse que eu faria, eu diria: você está é ficando doido!...





Mas a vida tem essa capacidade de nos desiludir quanto a nossa desejável face “angelical”.





Lá pelas tantas, compreendemos que temos de enfiar na lama, na sujeira, as nossas limpas e delicadas mãozinhas, se quisermos, de fato, construir um Brasil melhor.





Já vi tanta coisa... Já vivi tanta coisa, nestes trinta anos de militância, que já não me permito acreditar nem em anjos, nem em demônios...





E isso até me lembra uma situação engraçada.





Em 2006 ou 2007, na época em que investigava as mumunhas de meus companheiros tucanos, virei-me para dois técnicos do novo governo que me mostravam uma pilha de documentos “complexos” e disse: égua, que isso realmente revolta quem tenta ser razoavelmente honesto...





E as duas pessoas puseram uns olhões em cima de mim, como que a perguntar: que diabo é isso de tentar ser “razoavelmente honesto”?...





Na época, não disse, mas, agora digo: é a tentativa de manter o nariz um pouquinho acima de todo esse mar de lama...





É a tentativa desesperada de manter a imprescindível capacidade de se indignar.





É a impossibilidade de esquecer que, apesar de tudo, temos de continuar a lutar por alternativas “menos nebulosas” à conquista e manutenção do poder...





Sempre pensei, cá com meus botões, que lado, afinal, represento neste jogo. Mesmo quando fui convidada, sei lá por que, a jogar na mesa de todos os “bacanas” deste estado...





Mas, cá com os meus botões, eu bem sei: represento o lado da sociedade. Tão somente ele, sem tirar nem pôr.





Com todos os pecados, com todos os erros, com todos os descaminhos que já tive de percorrer!...





Com os silêncios que já tive de amargar, porque me impus tais silêncios...





Com todas as dificuldades, principalmente materiais, que esse tipo de postura nos leva a enfrentar.





Sei que tenho talento – e já disse isso aqui. Mas, também sei que esse talento não me pertence.





Porque não foi concebido ou construído simplesmente por mim; é fruto, antes, da coletividade; dos milênios de Cultura que acumulamos; do sangue e do suor de tantos antepassados.





Por isso, tal talento jamais poderá ser usado apenas em benefício próprio.





Tem de ser devolvido à Sociedade... Tem de servir para ajudar a melhorar as vidas das pessoas; para ajudar a construir uma sociedade melhor.





Talvez que isso, para alguns, seja “loucura”, “doidice”... Talvez que até se encare isso como “excentricidade” ou “romantismo”...






Para mim, não é nada nem maior, nem menor da Potência que existe dentro de cada um de nós, de cada um de vocês...





A Potência para repartir, para tentar fazer o melhor – não apenas em benefício próprio, mas, para o conjunto da sociedade em que vivemos.





Todos nós temos essa capacidade.





Todos temos a responsabilidade e a esperança para fazer “um mundo” por esse mar de gente que nos cerca!...





Mais que isso: todos temos o Dever de fazer o melhor por todos...





Preciso pensar... Preciso, realmente, pensar.





Pois, que a nenhum de nós é permitido silenciar diante do prejuízo de tantos.





Há coisas complicadas acontecendo, que prejudicam milhares de pessoas.





Coisas que arrebatam até a esperança de quem vive, fumado, lá na Terra Firme ou na Vila da Barca.





Para mim, melhor seria esquecer tudo isso – e talvez que até me tornasse magicamente “sã” aos olhos de todos...





No entanto, não consigo esquecer de quem sou e de quem me pariu: a sociedade em que vivo...





Vou pensar... Tenho de pensar...







FUUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!








Do extraordinário CD “Titãs, Acústico MTV”






Comida


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade...

(Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)

Orgia I

Vou publicar. Se não estiver bacana, amanhã corrijo!







Orgia no Rangão I





(A Perereca chega esbaforida e descabelada ao Rangão. Entra por uma porta giratória no primeiro andar. Mas, o Rangão tem dois andares. À direita e à esquerda, grandes escadarias de mármore; a estrutura é em ferro; as paredes, envidraçadas. No alto, há grandes lustres de cristal, como aqueles dos palácios de antigamente. Mas o chão é de madeira e tem de parecer velho, sujo, podre. Todo o ambiente – nos quadros, mesas, plantas, enormes estátuas e até num chafariz, à direita, tem de ser uma mistura de vários estilos. E muita, muita ornamentação – um “cult” do exagero... Depois de a Perereca entrar e se dirigir ao centro do palco, para falar com a Correspondente, os personagens e figurantes que estavam no Ap também vão entrando no Rangão.)






_Égua, que eu nem acredito que tive de me jogar pra esta lonjura do Rangão!... Ô cumadizinha!...Ô cumadizinha, cadê você?...
_Ô comadre, graças a Deus que você achegô!...
_Eu só espero, animal, é que você tenha uma boa razão pra me fazer vir, às três da matina, aqui pro Rangão!... E pra mais com esse bando de doidos que você convidou para aquela “festa no meu Ap”...
_Ô comadre, se acalme mais é!...Égua, que você só avive estressada!...Inté parece que anunca mais que deu uma!...
_O que é que foi que aconteceu agora?
_Ô comadre, você ajura que num abriga comigo?
_O QUE É QUE FOI?
_Ajura que num me ademite do asseu blog, ajura?
_Vamos lá, cumadizinha, fale logo, caramba!...
_Bom, comadre, você assabe que eu lhe idolatro, né mermo?... Tenho por você uma aconsideração aenooooorrrrmeee, né mermo? Por isso, me adesculpe... Mas a gente adecidimos atransferir a festança do seu Ap aqui pro Rangão...
_A “gente decidimos”?...
_É, comadre, é que a gente estamos atomando umas aulas de “garamáticas” com o asseu Tirésias!...Pra modo de encarar, assabe comadre, essa anova arreforma ortográfica...
_ Bem se vê!...E por que, já, transferir a festa do meu Ap aqui pro Rangão? Você não sabe, cumadizinha, que tudo aqui custa os olhos da cara?
_Pois, então, comadre!... Se afoi aporisso mermo que o asseu Tirésias assugeriu o Rangão, ué!...Ele adisse que aqui atem uns “osfitarmulugista” da marca dele!... - uns acumpinchas dos zômi, ó, ó!... - que afazem atodo mundo aficá que nem a dona Ajustiça!...Além do mais, o asseu Tirésias adisse que tudo aqui é “atrês chinqui”!... É tudo pra modo de “atrês chinqui”, comadre!...
_Como é que é?
_ “Atrês chinqui”... Aquele negócio abacana dos franceses, ué!...
_Ô cumadizinha!...Olhe que eu até que tento “aconjuminá” o Tico e o Teco, só pra lhe entender... Mas dessa vez – sinceramente! - você aloprou!... Quem é, me diga, cumadizinha!... Quem é que vai pagar por essa festança no Rangão?!!!...
_Mas se aé de graça, ué!...
_De graça?... Aqui no Rangão?!!!...
_Pois intoncis, comadre!...Como adiria o asseu Tirésias, a gente afizemos “uns tar de convenhos” com as diretorias do Brejo... E elas é que avão acaí com a bufunfa!...
_Ô cumadizinha, mas isso não é dinheiro público?
_Ô comadre, alá avem você com esse asseu apreciosismo!...Arrelaxe, mais é!... Acontemple esse ambiente agrandioso!...Tão avant-garde, tão art nouveau!...Um amonumento à Era do anosso inesquecível Barão de Inhangapi!... E que a Plebe Rude, comadre, está aconservando nos amínimos detalhes!... Na alegria... e na tristeza; na assaúde.... e na doença; na assoberba... e na assujidade!...
_Ô animal!... E como é que você fez, já, pra firmar um convênio com as diretorias do Brejo?
_Eu usei o asseu blog, ué!...
_Quê?!!!...
_É comadre!... Eu afalsifiquei a sua “sinatura” na Perereca, que agora atá adevidamente conveniada com atudo que é diretoria do Brejo!...
_Eu não acredito, cumadizinha, eu não acredito que você fez isso comigo!...
_Ô comadre, arrelaxe mais é, que você num aprecisa nem apegá na bufunfa!...
_Quê?!!!...
_É, comadre!...As diretorias do Brejo avão apassá a bufunfa alá pra sede do asseu blog, a Perereca Incorporation, alá nas ilhas Tanamão!... E assó adilá é que a bufunfa avorta, pra se escafeder no Rangão!...
_Pelo amor de Deus, cumadizinha!... Isso dá cadeia!!!...
_Mas aooooonnnnnde, comadre!... Mas se a moda, agora, é alavá a bufunfa, ué!... Tá todo mundo alavando, comadre!... É um esfrega, esfrega pra cá, um esfrega, esfrega pra lá!...O Brejo inteiro, comadre, atá que nem um agrande afestival de Q-Boa: inté a alma, comadre, adeve de aficá branquinha, branquinha...
_Pera lá!... E que negócio é esse, já, de Perereca Incorporation? E desde quando que o meu blog tem sede nas ilhas Tanamão?
_Ô comadre, a gente acriamos, ué!...
_Quê?!!!...
_É, comadre!...Como adiria o asseu Tirésias, a gente afalsifiquemus umas “sinatura” numas pilhas assim, ó,ó, de papel!... E aí amolhamos o pé da planta aqui, amolhamos o pé da planta acolá... E anasceu a Perereca Incorporation!... Num é alindo, comadre?...
_Égua, que eu, rrrealmente, cometi um grande pecado na outra encarnação!... Meu Deus do Céu, meu Jesus Cristo Crucificado!... O que foi que eu fiz pra merecer esse castigo?!!!...
_E tem mais, comadre!...Aprepare o asseu espírito!... (atá apreparado?): a gente adecidimos atransformá a sua festança!...
_Quê?!!!...
_É que a “Rausi” do Rangão, assabe, comadre?, adecidiu que esse negócio de festa é coisa de “probi”, comadre, é coisa de “probi”!...É coisa de agentalha de lá da vila da barca!... Aquinem arroz de galinha, copo de “prástico” e acamiseta do Guevarão!...Adaí que a gente adecidimos achamá a nossa festança de Orgia, comadre!...Pra adá um acerto... “tcharmme”!..., assabe comadre? Aquele estilo “crássico” que tudo que é rico do Brejo adora!...
_Égua, quer dizer que virou a “Orgia no Rangão”?...
_Tá avendo, comadre, que quando você aqué inté que aconsegue atê um ataque de inteligência?...
_(...)
_E atem mais, comadre.
_Mais?!!!...
_A gente adecidimos adispensá você?
_Quê?!!!...
_É comadre... Por adecisão da adona do Rangão você num apode aparticipá da anossa orgia!...
_E quem é essa dona, já?
_A senhora dona baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky!...
_O quê?!!!
_A baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky!... É o anome dela, comadre!...A senhora dona baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky é a última adescendente das zelite dos apovos anômades agermânicos que acolonizaram as Zaméricas!...
_Como é que é?!!!
_Ô comadre, assabe qual que é o asseu “pobrema”? É que você num assiste o Adiscovery!...Mas, num se avexe, num se avexe, que eu avô é achamá os maiores especialistas em Vatumanurroskofsky!... Ô asseu Sudão, ô asseu Barão, se acheguem aqui!...
_Ô querida!...Há quanto tempo, não é isso?
_Pois é, né, asseu Sudão?...Adesde aquele adécimo capítulo da Afesta no Ap!...
_Caboca, dê cá um beijo, caboca!
_Ô, asseu Barão, o sinhô assempre com a sua viola, né mermo?
_É que agora eu vivo disso, caboca!...
_Num abrinque, asseu Barão!...
_É caboca, é que o mar não tá pra peixe!...Agora, eu dou uma canja aqui, uma canja acolá - e o Jujuba passa o pires!...
_Acredo, asseu Barão!...
_É caboca... Pra você ver como são as coisas: até dono de boteco eu já virei!...
_ E o sinhô, asseu Sudão, apor que é que atá aí avestido de amanobrista do Rangão?
_É o meu novo emprego, certo?
_Assério, asseu Sudão?...
_É querida... Hoje, eu arrumo um carro aqui, um carro acolá, pra ir ganhando a vida, não é isso?...Até a minha Sudolândia, quem diria, virou estação de férias pra pingüim!... Sinal dos tempos, não é isso, querida? Sinal dos tempos!... Como diria Napoleão, certo?: “A Fortuna é como a lágrima que o vento leva e cedo se esvai!...”
_Me desculpe, caboco, mas Napoleão nunca disse isso!...
_E desde quando, certo?, que você virou um especialista em Napoleão?
_Eu, pelo menos, caboco, não fico colocando besteira na boca dele...
_Besteira?!!!... O seu problema, meu caro Barão, é que lhe falta um mínimo de sensibilidade, não é isso?, até pra tocar que preste essa viola!...
_Apodem apararem! Apodem apararem, os dois!... Se acomporte, asseu Barão!...E o sinhô, asseu Sudão, acaladinho, visse?...Que isso daqui num aé aquele afurdunçu do ap da comadre!...Isso daqui aé um ambiente “atrês chinqui”!... “atrês chinqui”, visse?
_Ora, ora, ora... Quem diria, não é isso?, meu caro Barão, que até a nossa querida Correspondente acabaria, certo?, deslumbrada com o Rangão!...
_Confesso, caboco, que isso até que me deixa envaidecido!...
_Ah, é?...
_Mas é claro, caboco!... Você tem de perceber a nova e extraordinária cadeia contemplativa de tudo isso daqui!... As luzes, o brilho, os ferros, os vidros, toda a imponência desse lugar nos remetem à insignificância do ser humano perante a Natureza!... (a correspondente e o Sudão se entreolham; o Barão prossegue)... Toda essa imponência nos faz meditar acerca da pequenez de cada um de nós, individualmente, diante do coletivo!... Este lugar sagrado, cabocos, onde a bufunfa fica que nem uma água de tapioca!... Este lugar, cabocos, é o novo e extraordinário paradigma dessa nova e extraordinária Belle Époque que estamos vivendo!... (a Correspondente e o Sudão olham boquiabertos para o Barão...)... Juntos somos fortes, cabocos!... Juntos, conseguiremos transformar antigos sonhos em novíssima realidade: a Brejo’s Lave e Leve, cabocos!... A maior e mais democrática lavanderia da história do nosso Brejo... Pelo poder del pueblo!... Liberté!...Fraternité!...Egalité!...




(Estátua!... Jogo de luzes. Sobe a introdução da Marselhesa... Depois, o Barão, montado num cavalo imaginário e com um braço erguido, como se empunhasse uma espada, grita: “eia, eia, meu bucéfalo!”... E deixa o palco cantando “Gracias a La Vida”...)




_Assabe, asseu Sudão... Eu acho que o asseu Barão num atomô o arremédio dele...
_Não, querida!... O pior é que ele é assim, não é isso?...
_Égua, que se me afez inté alembrá da Aplebe Rude!...
_Sem tirar nem pôr, não é isso?... Sem tirar nem pôr!...
_Égua, que adeve de assê, então, alguma de assina do Brejo: assó dá doido, égua!...
_Um carma, querida!...Um triste e doloroso carma, não é isso?...
_E aparece inté que o sinhô atá assofrendo com isso, né mermo, asseu Sudão?...
_E eu sofro muitíssimo, querida!... Todo santo dia, certo?...
_Assério?...
_Sério, querida!...Você não imagina a dor que eu sinto, nas profundezas da minh’alma, não é isso?...
_Ué, e apor que, já?
_É que eu me sinto, como direi, uma verdadeira ilha de sanidade, certo?, neste mar de loucura em que se transformou o nosso Brejo!... Como diria Napoleão, certo?, é como se eu fosse uma mente lúcida e brilhante cercada por torrentes e torrentes de camisas- de- força!...




(Nisso, volta o Barão, em seu cavalo imaginário. Vem acompanhado de um exército de mendigos...)




_(O Barão, para a Correspondente e o Sudão): Cabocos, começou a Comuna de Paris!...
_(A Correspondente e o Sudão, em uníssono): O quê?...
_As ruas do Brejo estão cheias de barricadas, cabocos!...O Xerife Federal, o Zé da Pedreira e o Príncipe de Rangelim estão vindo prá cá, cabocos, pra derrubar esta Bastilha da razão humana!*...




(Som de canhões, tambores de guerra, trovões. Jogo de Luzes. Nos altos das escadarias surgem a Baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky e o Conde de Bota Bem (um à direita, outro à esquerda. E o foco tem de coincidir com cada um dizendo: “Money”). Em cada lado das escadas, há garçons com champanhe e lagostas, nas bandejas. Juanita traja um vestido vermelho, curto, tomara que caia, todo cheio de lantejoulas, estrasses, paetês e folhos de renda, em camadas – tem de ser bem brega, bem exagerado... O complemento é espécie de peruca de enormes flores vermelhas e muito brilho – os sapatos, vermelhos e altíssimos, têm de acompanhar o estilo da peruca. Nos braços, luvas de renda, folhos e brilho. E uma espécie de echarpe de plumas, também vermelha, enrolada no pescoço - e que desce, de ambos os lados, até a altura das coxas, para o número de dança. Ela e o Bota-Bem (com roupa branca e prateada, cartola e bengala) cantam e dançam, cercados pelos garçons e mendigos, sob uma chuva de purpurina e notas de dinheiro (falso, é claro!). Os mendigos, sentados no chão em semicírculo, tentam ajuntar o dinheiro; os garcons atrás do casal. A música é “Money”, do filme Cabaret: “ (Money, Money)/Money makes the world go around/The world go around/The world go around/Money makes the world go around/It makes the world go 'round/A mark, a yen, a buck, or a pound/A buck or a Pound/A buck or a pound/Is all that makes the world go around/That clinking clanking sound/Can make the world go 'round/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money/If you happen/To be rich/.......Ooooh/And you feel like a/Night's entertainment/...Money/You can pay for a/Gay escapade/Money money/Money money/Money money/Money money/If you happen to/To be rich/......Ooooh/And alone, and you/Need a companion/...Money/You can ring-ting-/A-ling for the maid/If you happen/To be rich/.....Ooooh/And you find you are/Left by your lover/...Money/Though you moan/And you groan/Quite a lot/Money money/Money money/Money money/Money money/You can take it/On the chin/.....Ooooh/Call a cab/And begin/...Money/To recover/On your fourteen-/Carat yacht/Money makes the world go around/The world go around/The world go around/Money makes the world go around/Of that we can be sure/(....) on being poor/Money money money/money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/If you haven't any coal in the stove/And you freeze in the winter/And you curse on the wind/At your fate/When you haven't any shoes/On your feet/And your coat's thin as paper/And you look thirty pounds/Underweight/When you go to get a word of advice/From the fat little pastor/He will tell you to love evermore/But when hunger comes a rap/Rat-a-tat, rat-a-tat at the window.../At the window.../Who's there?/Hunger!/Ooh, hunger!/See how love flies out the door.../For/Money makes/The world.../...Go around/The world.../...Go around/The world.../...Go around/Money makes the/.... Go around/...Go around/That clinking/Clanking sound of/Money money money money money money/Money money money money money money/Get a little/Money money/Get a little/Money money/Money money/Money money/Money money/Money money/Mark, a yen, a buck/Get a little/Or a pound/Get a little/That clinking clanking/Get a little/Get a little/Clinking sound/Money money/Money money.../Is all that makes/The world go 'round/Money money/Money money/It makes the world go round!





*Com a permissão do genial Machado de Assis.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Feliz 2009


Feliz Ano Novo, Caruanas!



A todos vocês, queridinhos, meus companheiros, meus camaradas, que 2009 seja o prenúncio de um novo tempo!...


Um tempo sem ódios, sem perseguições!...


Mas, sobretudo, um tempo de melhoria de vida – de verdade! ...– para o nosso povo, para a nossa gente!...


A todos vocês, meus irmãos, que Deus permita – apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando - que vejamos em cada pedra o sorriso futuro de uma criança...



Em cada deserto, o porvir de uma flor!...


Em cada tempestade, um radiante amanhã!...


Que Deus permita, enfim, que a gente nunca se esqueça de quem é!...


Aquilo pelo que tanto lutamos, ao longo de toda uma vida!...


Por um Brasil mais justo, por um Pará mais justo!...


Por um universo de felicidade, em cada baixada desta Belém!...


Em cada pedacinho deste continente que é o Pará!...



Para vocês, meus amores, vão as minhas preces e a minha esperança!...


Feliz Ano Novo, queridinhos!...


Feliz 2009, Caruanas!


E um memorável, um inesquecível 2010!...




O Mundo Místico Dos Caruanas
Nas Águas do Patu-anu




(Obrigado, bateria!... Valeu, grande mestre!... Alô, Nilópolis! Alô, Baixada Fluminense!... Vamos lá, minha comunidade!...Unida, com muita força, em busca desse título tão sonhado!... É isso aí, mundo do samba!... A família Beija-Flor te ama!... Obrigado, Belém do Pará!...Vamos lá, meu povo!...Olha a Beija-Flor, aí, gente!... UMBOOOORAAAA CARUAAANNNAAASSS!...)



Beija-flor
E o mundo místico dos Caruanas
Nas águas do Patu-Anu
Mostra a força do teu samba



Contam que no início do mundo
Somente água existia aqui
Assim surgiu o girador, ser criador
Das sete cidades governadas por Auí
Em sua curiosidade, aliada à coragem
Com seu povo ao fundo foi tragado
O que lá existia aflorou, o criador semeou
Surgindo os seres viventes em geral
E de Auí se deu a flora, fauna e mineral


Sou Caruana eu sou
Patu-Anu nasceu do girador, obá
Eu trago a paz, sabedoria e proteção
Curar o mundo é minha missão


Sou Caruana eu sou
Patu-Anu nasceu do girador, obá
Eu trago a paz, sabedoria e proteção
Curar o mundo é minha missão


(Pajé!...)
Pajé, a pajelança está formada
Eu vou na barca encantada
Anhanga representa o mal
Evoque a energia de Auí
Pra vida sempre existir
Oferenda ao mar pra isentar a dor
Com a proteção dos caruanas Beija-flor
A pajelança hoje é cabocla
Na Ilha de Marajó, vou dançar o carimbó
Lundu e siriá, marujada e vaquejada
Minha escola vem mostrar
O folclore que encanta
O estado do Pará



PS: Não quero destruir o PT - e creio que nenhum de vocês quer isso...
Mais não seja, porque isso nos privaria do nosso principal aliado, nas mais importantes conquistas da sociedade brasileira...

Quer dizer, já nem falo da convivência que temos com muitos petistas, eis que todos temos a mesma origem – a luta pela democracia.
Mas, de coisas mais objetivas, mais comezinhas, mais concretas, como a aprovação de uma reforma, por exemplo, contra a qual essa gentalha que há 500 anos domina o país se insurge, porque significa – e nem é acabar!... – mas, reduzir a dominação, a escravização do nosso povo...

Vencer o PT, portanto, irmãos Caruanas, requererá uma intervenção cirúrgica!...

Mas, agora não!...

Pensemos nisso no ano que vem!...

À minha Senhora, tão longe que estou do mar!...

FUUUUUIIIII!!!!!!!


Contos de Areia



(Epa hei, Iansã!)


Bahia é um encanto a mais
Visão de aquarela
E no ABC dos Orixás
Oraniah é Paulo da Portela
Um mundo azul e branco
O deus negro fez nascer
Paulo Benjamim de Oliveira
Fez esse mundo crescer (okê-okê)

Okê-okê, Oxossi
Faz nossa gente sambar
Okê-okê, Natal
Portela é canto no ar

(Okê-okê)
Okê-okê, Oxossi
Faz nossa gente sambar
Okê-okê, Natal
Portela é canto no ar

Jogo feito, banca forte
Qual foi o bicho que deu?
Deu águia, símbolo da sorte
Pois vintes vezes venceu

É cheiro de mato
É terra molhada
É Clara Guerreira
Lá vem trovoada

É cheiro de mato
É terra molhada
É Clara Guerreira
Lá vem trovoada

(Epa hei!...)
Epa hei, Iansã! Epa hei!
Epa hei, Iansã! Epa hei!

(E na ginga!)
Na ginga do estandarte
Portela derrama arte
Neste enredo sem igual
Faz da vida poesia
E canta sua alegria
Em tempo de carnaval

(Ê Bahia...)


(Portela - Samba Enredo 1984)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

força estranha



Feliz Natal!



Como sempre, estou atrasada...




Mas, de qualquer forma, espero que todos vocês tenham tido um Natal maravilhoso, junto daquelas pessoas que vocês mais amam!




Desculpem a longa ausência que, depois, explico.




Graças a Deus, voltei a criar – e eu até começava a pensar, meio que desesperada, que isso havia morrido em mim...




Creio que começo a me adaptar a O Liberal; creio que, finalmente, começo a superar o Diário...




Curtam, portanto, esse musicão abaixo, enquanto termino o primeiro capítulo de “Orgia no Rangão”.




Tá ficando bem bacana, acreditem!...




Beijinhos mil a todos vocês, queridinhos!...




Rapidinho a gente se vê!...




FUUUIIIII!!!!!!







Força estranha



Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor
Do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
Que eu nunca passei


Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar
Para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou


Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto,
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha


Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não pára
E no entanto
Ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão


Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo
De cada vontade encoberta
E a coisa mais certa
De todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada, é o sol


Por isso a força
Me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto,
Não posso parar
Por isso essa voz,
Essa voz tamanha


Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto,
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha

(Caetano Veloso)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

LSD

Um Tempo Psicodélico!...




Para estes tempos estranhos, em que o Vic – quem diria!...- defende as práticas do PT. E eu – quem diria!... – as ataco...



Gracias a la vida



Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me dio dos luceros que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en la multitudes el hombre que yo amo.



Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el oído que en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario,
Y con el las palabras que pienso y declaro,
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando,
La ruta del alma del que estoy amando.


Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro el bueno tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la marcha de mis pies cansados,
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.



Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto.


!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!



(Violeta Parra)




Los Hermanos



Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el vale en la montaña
En la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza adelante
Con los recuerdos de trás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar



Gente de mano caliente
Por eso de la amistad
Con um lloro para llorarlo
Con un rezo para rezar
Con un horizonte abierto
Que siempre esta más allá
Y esa fuerza pa buscarlo
Con tezón y voluntad
Cuando parece más cerca
Es cuando se aleja más
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar



Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Nos perdemos por el mundo
Nos volvemos a encontrar
Y asi nos reconocemos
Por el lejano mirar
Por las coplas que mordemos
Semillas de imensidad


E asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Y en nosotros nuestros muertos
Pa que nadie quede atrás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad


( Atahualpa Yupanqui)



(canta, Vic!... Vai, canta!...)

lambança5


Prestando Contas II


Hoje, dia 11, protocolei pedido de investigação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), acerca dos indícios de irregularidades que detectei no Hangar – Centro de Convenções (leia as postagens abaixo).


Estou à procura de um advogado para a Ação Popular que vou protocolar contra a entrega da gestão do Hangar à Organização Social Via Amazônia. Em último caso, recorrerei a OAB.


Na próxima semana, espero ter em mãos as cópias dos extratos bancários e dos cheques de Joana Pessoa, que foram examinados pela CPI da Biopirataria, a partir da quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.
Tão logo receba tais cópias, entrarei com um pedido de investigação também na Receita Federal.


Além disso, já na semana que vem começarei a cobrar as respostas das instituições aos pedidos de investigação que protocolei. Para informar todos vocês acerca do andamento de tudo isso.


Hoje, também decidi não publicar comentários ofensivos a mim – alguns até ameaçadores.


Portanto, quem quiser me criticar que o faça com um mínimo de educação, porque este cafofo, sem trocadilho, não é casa de mãe Joana.


E, em hipótese alguma, publicarei ameaças, principalmente aquelas que envolvam O Liberal e o Diário do Pará.


Quem quiser me ameaçar, “por rebate”, a partir desses dois jornalões, que tenha “aquilo roxo” para encaminhar tais ameaças a quem de direito: os Maiorana e os Barbalho.




FUUUUUIIIIIII!!!!!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

lambança4

Prestando Contas ao Leitor




Apresentei, hoje, quatro pedidos de investigação dos indícios de irregularidades que detectei no Hangar Centro de Convenções e na Associação Via Amazônia, a Organização Social que o administra.


Os pedidos foram protocolados nos Ministérios Públicos Federal e Estadual, na Assembléia Legislativa e na Controladoria Geral da União (CGU).


Ao Ministério Público Federal e à Controladoria solicitei que investiguem possíveis irregularidades, entre as quais superfaturamento de preços e fraudes licitatórias, nos contratos da Via Amazônia com o Governo do Estado, alguns deles, talvez, até com verbas da União – e eu, agora à noite, já encontrei dinheiro federal que foi parar nessa entidade.


Justifiquei meu pedido apontando os fortes indícios de crimes que detectei, que podem até configurar improbidade administrativa.


Pedi, ainda, uma investigação paralela, de ambas as instituições, CGU e MPF, acerca de um possível esquema de financiamento irregular de campanhas eleitorais (Caixa Dois), através do Hangar e da Via Amazônia.


Reproduzi, no requerimento, a reportagem que publiquei neste blog, bem como a nota de esclarecimento do Hangar.


Além disso, apontei as investigações realizadas pela CPI da Biopirataria, que detectaram enorme movimentação financeira em contas bancárias pertencentes à Maria Joana da Rocha Pessoa, à época, assessora da então senadora Ana Júlia Carepa.


Joana Pessoa, como todos vocês sabem, é a presidente da OS Via Amazônia.


E, pelo que li nas notas taquigráficas e no relatório daquela CPI, a movimentação nas contas bancárias de Joana, conforme constataram os deputados, foi, em 2004, várias vezes superior aos seus ganhos salariais – e tanto mais intensa, quanto mais se aproximavam as eleições daquele ano.


E o presidente da CPI, deputado federal Sarney Filho, queria solicitar, inclusive, que a Receita Federal investigasse essas movimentações.


Só não o fez, conforme alegou, para evitar que o fato ensejasse recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que isso extrapolaria o objeto de análise da CPI.


Até porque não foram encontrados depósitos de empresas madeireiras nas contas de Joana Pessoa.


Mesmo assim, tendo em vista aquela movimentação e as suspeitas levantadas na época, e o fato de a Via Amazônia ter movimentado, também no pleito deste ano, grande quantidade de recursos financeiros, solicitei que as duas instituições investiguem a possibilidade de um esquema de Caixa Dois, através do Hangar e dessa entidade.


Encaminhei idênticos pedidos ao Ministério Público Estadual e à Assembléia Legislativa.


No caso dessa última, solicitei que ela requeira, ao Governo do Estado, com prazo de resposta de 30 dias, sob pena de crime de responsabilidade, informações sobre os contratos com a Via Amazônia.


Tanto no caso da Assembléia Legislativa, quanto no caso do Ministério Público Estadual, pedi que as investigações se estendam à própria contratação dessa OS, para a administração do Hangar.


Ainda nesta semana encaminho pedidos de investigação, também, ao Tribunal de Contas do Estado e à Receita Federal – só aguardo o recebimento das cópias dos cheques e extratos bancários de Joana Pessoa, que foram examinados pela CPI da Biopirataria, a partir da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.


Nos próximos dias, também estarei protocolando Ação Popular contra a contratação da Via Amazônia pelo Governo do Estado, para a gestão do Hangar.


Também estou estudando outras providências, como, por exemplo, um pedido de acompanhamento dessas investigações pelos conselhos nacionais da Magistratura e do Ministério Público, bem como pela Ordem dos Advogados do Brasil.


Ou, se for o caso, até um pedido ao Congresso Nacional, para que investigue a possível existência de esquemas ilegais de financiamento de campanha, em outros estados brasileiros.


Creio que essa é uma chance ímpar para que a doutora Joana Pessoa, se for o caso, se livre de todas as suspeitas que pesam sobre ela desde os tempos da CPI da Biopirataria.


E para que comprove que sou, de fato, “sem ética e sem escrúpulos”, como afirmou naquela página que fez publicar em um jornalão de Belém.


Mas, caso fique provado que tudo o que escrevi é a cristalina verdade e que há, sim, fortes indícios de irregularidades em tudo o que descobri, então, me desculpe, doutora Joana Pessoa, mas, dessa vez, tenha certeza, a senhora não ficará impune.


Porque, doutora Joana, o que será investigado por essas instituições são, tão somente, os fatos.


Sem a possibilidade, portanto, dessas falácias do “argumento contra o homem” e do “apelo à piedade”, tão caras à senhora e ao seu partido, quando se trata de tentar justificar o injustificável, perante o cidadão comum.


Além disso, vou, sim, acionar todos os recursos que os cidadãos dispomos, no Estado Democrático de Direito.


Como já disse neste blog, doutora Joana, não vou persegui-la. Tampouco vou processá-la, como já até me aconselharam alguns, devido àquela página que a senhora fez publicar.


Vou, simplesmente, lhe entregar nas mãos das instituições que nós, Sociedade, criamos, para nos defendermos de toda a arrogância e o autoritarismo daqueles que não sabem respeitar, porque a índole não suporta, os limites da Democracia.


Vou, em suma, lhe entregar nas mãos da Justiça.


Dos homens e de Deus.


FUUUIIIIIII!!!!!



É



É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...


A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...



É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...



É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...


É! É! É! É! É! É! É!...



É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...



A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...



É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...


É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...



(Gonzaguinha)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

lambança3

Carta Aberta à Joana Pessoa



Em primeiro lugar gostaria de lhe dizer, doutora Joana Pessoa, que sem ética e inescrupulosa é a senhora, que tem a coragem de usar (sabe-se lá a que custo, né mermo?), uma página de um jornalão só pra me atacar.



Sem ética e inescrupulosa é a senhora que preside uma entidade que, apenas três meses depois de criada, assumiu a administração desse “filé” de dinheiro público que é o Hangar, sem licitação e no Governo da sua amiga, comadre e ex-patroa, Ana Júlia Carepa.



Sem ética e inescrupulosa é a senhora, que já foi até investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito, sob a suspeita de integrar uma quadrilha, um bando, que afanava os cofres públicos.



Não, me perdoe, pois, na verdade, que me equivoco: a senhora não é apenas sem ética e inescrupulosa. A senhora é, também, uma grandessíssima COVARDE, porque investe contra mim e não contra aqueles que detêm, de fato, o poder editorial dos jornalões.



Ou a senhora, “ingenuamente”, vai dizer que desconhece o fato de que eu, repórter, jornalista, “operária da informação”, não possuo qualquer possibilidade de ingerência naquilo que é publicado nos jornalões?



O que a senhora possui de paixão pelo dinheiro, pelo poder e pelos convescotes da alta sociedade, doutora Joana Pessoa, falta-lhe em compostura, dignidade e caráter.



A senhora me ataca dessa forma pusilânime, poucas vezes vista na imprensa brasileira, porque, simplesmente, não consegue desmentir uma vírgula sequer daquilo que publiquei neste blog.



Vamos, lá, doutora Joana Pessoa: desminta que a Sema alugou uma sala “equipada” no Hangar por R$ 35 mil por mês.



Desminta que a Seduc pagou à Via Amazônia, sem licitação, quase R$ 2 milhões pela realização de um evento de uns poucos dias para os nossos fumados professores.



Desminta que a Seduc pagou à Via Amazônia, também sem licitação, mais de meio milhão de reais pela confecção de 40 mil impressos de divulgação.



Desminta que a Via Amazônia já recebeu, em apenas um ano e seis meses, pelo menos R$ 25 milhões do Governo do Estado, boa parte disso sem licitação.



Desminta que o endereço da Via Amazônia, quando foi criada, ou seja, mesmo antes de assinar o contrato de gestão do Hangar, já era o mesmíssimo endereço desse centro de convenções.



Desminta que a Via Amazônia foi qualificada como OS apenas seis dias antes de assumir a gestão do Hangar.



Por que é que a senhora não desmente todos esses fatos?



Eu respondo: a senhora não desmente porque sabe muitíssimo bem que todos eles estão DOCUMENTADOS.



A senhora sabe muito que, se tentar desmentir, eu, simplesmente, lhe “esfrego na cara”, como se diz, as cópias dos diários oficiais e dos documentos da Receita Federal e da Auditoria Geral do Estado (AGE), nos quais tudo isso está PROVADO.



É por isso que a senhora recorre a essa falácia tão conhecida do “argumento contra o homem”.



A senhora me ataca para tentar desviar o foco de fatos tão graves, que podem, sim, configurar crime.



A senhora me ataca porque, simplesmente, não tem como atacar a informação.



A senhora me ataca porque, nesse seu raciocínio rude, tortuoso, a senhora imagina que pode desqualificar o fato, desqualificando quem o levou ao conhecimento dos cidadãos.



A senhora me ataca, enfim, para ocultar a LAMBANÇA que acontece no Hangar.



Tal comportamento, na minha sagrada opinião, doutora Joana Pessoa, revela a sua arrogância, a sua crença na impunidade (talvez até decorrente do resultado daquela CPI, né mermo?); o seu menosprezo, enfim, pelos contribuintes – os contribuintes que pagamos, aliás, o caviar que a senhora, diz-que socialista, gosta de “saborear” entre todos os poderosos de plantão...



A senhora reclama que não foi ouvida por mim. Mas, foi sim.



Todos os leitores deste blog são testemunhas de que publiquei, na íntegra, a nota de esclarecimento que me foi enviada pelo Hangar.



E o fiz na madrugada do dia seguinte em que a recebi, mesmo tendo chegado em casa mais de meia noite, morta de sebosa e de cansada.



E, como a senhora bem sabe, porque deve ter lido neste blog, não fiz qualquer comentário sobre os seus “esclarecimentos” – embora me pareçam que não esclarecem coisíssima alguma.



Ou seja: garanti-lhe o sagrado direito de resposta, de defesa, coisa que a senhora, doutora Joana Pessoa, ao atacar-me, covardemente, através de um jornalão, sobre o qual a senhora tem mais ingerência que eu, dados os tubos de dinheiro que controla, não teve a dignidade de me garantir...



E a senhora, doutora Joana Pessoa, é que a “revolucionária”, a “socialista”, né mermo?



É fato, também, que a senhora me ligou, na terça-feira passada, para que eu fosse até o Hangar.



Mas, não fui por dois motivos.



Primeiro porque, doutora Joana Pessoa, ao contrário da senhora, eu tenho de suar a camisa para sobreviver.



Não tenho tempo para salamaleques aos donos de jornais. Nem para convescotes com a alta sociedade – e olhe que nem sou socialista, ou “revolucionária”, né mermo?...



Devido à necessidade de sobrevivência (e aqui até peço desculpas aos leitores) tenho de confessar que já havia até desistido de investigar, mais profundamente, essa história toda; ia deixar que tudo ficasse pela reportagem publicada neste blog e pelos “esclarecimentos” do Hangar.



No entanto, não posso, agora, deixar de manifestar a minha estranheza pela sua indignação, doutora Joana Pessoa, ante ao fato de eu não ter comparecido a esse seu “tour fantástico” no centro de convenções.



E peço-lhe desculpas, doutora Joana Pessoa, se, afinal, frustrei a sua expectativa de me oferecer os maravilhosos acepipes, que, pelo visto, a senhora gostaria de ter me oferecido – como está acostumada a oferecer a muita gente, aliás...



Em segundo lugar, doutora Joana Pessoa, já havia desistido de investigar essa história do Hangar em respeito ao sofrimento que isso, certamente, trará a muitos e bons amigos petistas, que, ao contrário da senhora, acreditam, sinceramente, no ideário do PT.



Da última vez em que investiguei, profundamente, casos tão escabrosos como o do Hangar, muita gente sofreu.



E, como tenho acompanhado tal sofrimento, de gente honesta que nunca pegou, indignamente, um dedal de mel coado do Estado, mas que sofre “por rebate”, hoje penso duas, três vezes antes de ir fundo em matérias assim...



No entanto, doutora Joana Pessoa, o seu comportamento, sem ética, inescrupuloso, covarde, abjeto, não me deixa alternativa: agora, vou, sim, investigar, profundamente, o Hangar.



Vou passar um pente finíssimo.



E tenha certeza de que, se existirem, os piolhos cairão em profusão...



E “transbordarão” para além da blogosfera - tenha certeza disso, também...



A senhora colocou em dúvida o meu caráter e a minha competência profissional.



E o fez de uma forma tão nojenta, tão covarde, tão acanalhada, como nunca vi em 28 anos de profissão.



Nem no tempo da ditadura da direita, doutora Joana Pessoa, vi algo assim.. E olhe que os militares nem eram “socialistas”, né mermo?



Me respeite!...Não pertenci, não pertenço e nem jamais pertencerei a sua “confraria”!...



E é por isso que tenho a CREDIBILIDADE que a senhora quer, a todo custo, destruir, né mermo? Para continuar a “operar” em paz...



Portanto, agora, vou atrás de todos os documentos - recibos, notas fiscais, CNPJs, endereços - pertinentes ao dinheiro público que a senhora está a administrar.



Vou, aliás, até seguir o conselho de um promotor de Justiça meu amigo: vou, eu mesma, denunciar esses fatos ao Ministério Público.



Para ser parte no processo e poder acompanhar todas as investigações bem de pertinho...



Creio que, depois de tudo isso, a senhora e todos os cidadãos, todos os contribuintes, merecemos uma resposta à altura daquela página covarde, doentiamente covarde, que a senhora mandou produzir.



E devo lhe avisar, doutora Joana Pessoa: não perca tempo com intimidações, mesmo as veladas (como nós duas bem sabemos que a senhora já fez, né mermo?), nem com ameaças explícitas ou com tentativas de me oferecer uns “acepipes”...



Há dez anos, quando eu investigativa as tenebrosas transações entre o Ipasep e a Medserve, tentaram me intimidar, me acusar de tudo que é sorte de coisa, exatamente como a senhora fez.



E tudo o que conseguiram foi o inverso do esperado: botei o pé no acelerador e revirei cada palmo daquela transação.



E, passados dez anos, veio a operação Rêmora, da Polícia Federal, a demonstrar quem, afinal, tinha razão...



Dinheiro deixa rastro, doutora Joana. Passe o tempo que passar...



Já esperava que a senhora agisse assim, que a senhora me atacasse dessa forma.



Numa resposta a um anônimo que me ameaçava, há uns dois ou três dias, disse isto mesmo, doutora Joana Pessoa: não temo ameaças; não temo poderes, nem da Terra, nem do inferno.



Temo, somente, a Deus...



Também não se dê ao trabalho de tentar ocultar documentos: vou encontrá-los, doutora Joana Pessoa; se estiverem na face da Terra, pode ter certeza de que os encontrarei.



Não, não vou persegui-la, que isso seria demasiado fácil; seria transformá-la de algoz em vítima.



Também não estou lhe ameaçando: estou lhe avisando, o que é bem diferente.



Estou lhe dando duas quadras de avanço, apesar dos tubos de dinheiro que a senhora controla.



E apenas para que, depois, os membros da sua “confraria” não me acusem de ser tão covarde, tão pusilânime, quanto a senhora.



Fique certa de que não vou investigar a sua vida pessoal – não me interessa!



Mas, como cidadã e jornalista, vou esquadrinhar cada palmo de dinheiro público que já passou pelas suas mãos – inclusive a documentação daquela CPI...



Vou, em suma, fazer o que deveria ter feito desde o começo dessa história toda: vou deixar de lado o sentimento e a minha necessidade de sobrevivência e agir como servidora pública que sou – ou seja, bem ao contrário da senhora, doutora Joana Pessoa.



Porque eu, sim, sirvo ao público – AO CONTRÁRIO DE ME SERVIR DO PÚBLICO, como fazem tantos por aí...



Vou, em suma, lhe dizer aquilo que diziam os espanhóis aos fascistas: não, não nos moverão!... NÃO!... NA, NA NI, NA, NÃO!... NÃO PASSARÃO!...



Os fascistas, enfim, aparentemente triunfaram, é?



Foi só temporariamente, doutora Joana Pessoa, foi só temporariamente...



Para desgosto de gente da sua marca, quem venceu, no final das contas, foi a Decência, foi a Sociedade, foi a Democracia.



Portanto, é pra se dizer, como naquele gesto emblemático do grande Ulysses Guimarães: QUE VENHA O “CORREDOR POLONÊS!”...




FUUUUIIIIIIII!!!!!!!!!

excelência


Vossa Excelência

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...


Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! (Senhores!)
Filha da Puta! Bandido!
(Senhores!) Corrupto! Ladrão!...

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...

Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto!
(Senhores! Senhores!)
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! (Senhores!)
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!...

-"Isso não prova nada
Sob a pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!"

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...

-"Estamos preparando
Vossas acomodações,
Excelência!"

Filha da Puta!
Bandido!(Senhores!)
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!...

(P. Miklos/ T. Bellotto/ C.Gavin)