segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Festa no meu Apê II


_Comadre, vamo agitá, vamo agitá que a festa do seu apê tá muito pai d’égua! Me passe lá esse seu CD do Waldik Soriano!
_Que CD do Waldik Soriano? Eu tenho lá cara de quem ouve Waldik Soriano?
_Ué, nem Reginaldo Rossi?
_Só pode ser carma!... Eu sou o judeu errante, com certeza...
_Ê, comadre, olhe lá! O Jujuba tá dançando agarradão com a Barbie Princesa!
_Xiiii!!! Se o Conde de Bota-Bem souber, vai ficar uma arara!
_Mas aoooonde!... Ele vai achar é bom!...
_Por que já?
_Ô comadre, tem vez que você parece até um poço de desinformação!... Que nem esse seu blog velho que você nunca atualiza!
_Ê, animal! Olha que eu te demito...
_Pois pode ademitir! Ademita! Pra seu governo, já recebi convite até do Washington Post!...
_Pra contar as peripécias do Bill Clinton?
_Você quer os detalhes sórdidos do Salão Oval?
_Boa noite, dona Perereca!
_Ô, seu Jujuba, que prazer em lhe receber no meu apartamento! E o senhor, como sempre, elegantíssimo! E cheirosíssimo!...
_Ah, a senhora gostou? O perfume, é claro, é francês. E o terno, comprei na minha última ida a Madri. Onde, aliás, degustei uma Paella...
_Onde é o toalete? Onde é o toalete?
_O que foi, dona Barbie, a senhora tá se sentindo mal?
_É que eu comi uma azeitona!!!...
_Eu acompanho a senhora ao banheiro. Por aqui, por favor!
_Hum, o negócio tá bom, né, Jujuba?
_Hem?
_Vamo lá! Adeixe disso, mais é! Assopre tuuudo nos meus zuvidus!
_É que o Bota-Bem tem aquela dificuldade que você sabe, né?
_E que dificuldade, Jujuba! E que dificuldade!...
_Pois é! E a coitadinha da Barbie já nem consegue comer!...
_E como é que pode? Eu, também, no lugar dela, avirava vigilante do peso, ué!...
_Daí que estou tentando, sabe, convencê-la a saciar essa fominha...
_E que fome, Jujuba! E que fome!...
_Mas ela tá até com anorexia, bulimia, sei lá!...E olhe que eu já tentei de tudo: caviar, escargot, uma lagostinha básica...
_Por aí você não vai lá, Jujuba!
_Por quê?
_Ô ômi, até parece que você não é cria do Barão!... Adeixe disso, mais é: de frescura, já basta o que ela tem em casa!... Aconvide ela prum FAROFÃO! Com aquele cervejão quente, num copo de ‘prástico’, na ‘bera dum garapé!’ A bicha vai até acafungar!...
_Você acha mesmo?
_Agora, sou eu quem diz: Ó, meu Jesus Cristo, crucificado!
_Errrr...Ao seu disporrr, minha senhorra!
_Ô seu Inri, achegue pra lá, achegue pra lá, que ainda não é hora do senhor entrar! Apreste atenção, Jujuba: mulhé é tudo igual! Apare com esse negócio de caviar pra lá, escargot pra cá, lagostinha pra acolá...Aprochegue o bicho, mais é!... Pere aí, que eu vou chamar um especialista. Ô seu Barão! Ô seu Barão! Se achegue aqui!

____

(No Banheiro)

_Ah, graças a Deus! Vomitei pela semana inteira!...
_Mas a senhora tá melhor?
_Estou me sentindo leve!... A senhora também deveria fazer isso, dona Perereca! Olhe o seu tamanho!
_Ué, o que é que tem o meu tamanho?
_A senhora está fat!
_E velhete e neurotiquete!...
_A senhora sabia que o zinco combate os radicais livres?
_E eu que pensei que radical livre fosse o PSTU!
_O que é isso, dona Perereca!...A senhora é uma mulher tão nova, tão bonita...
_...E carinhosa. Isso é música do Zé Ramalho! Um Brad Pitt, que, por sinal, passou anos com a Amelinha...
_ Por que a senhora não se ajeita? Olhe essas suas calças?
_Ué, o que é que têm as minhas calças?
_São horríveis: sujas, desbotadas e folgadas! A senhora parece uma bêbada!
_Engraçado... Eu ia, agora mesmo, lhe oferecer uma 51!...
_ E essa sua camiseta, cheia de buracos remendados. E esse seu tênis, que não vê água há trezentos anos! Francamente, dona Perereca, a senhora tem um grave problema de auto-estima!
_Me dê licença, que agora quem vai vomitar sou eu!

____

(De volta à sala)

_Hare Krishna, minha senhora! Hare Krishna!
_Ô seu Barão, explique aqui pro Jujuba como é que ele tem de fazer com a Barbie Princesa!
_Nem só de pão vive o homem...
_Tá vendo? Apare com esse negócio de ficar oferecendo comidinha pra ela.
_Ainda que eu fale a língua dos homens...
_Dê-lhe uns chupões, uns amassos! E uns arrochos a três por quatro!
_Olhai os lírios do campo!...
_ Arranque a roupa dela! Capriche nas preliminares!...
_E o Verbo se fez carne...
_Aí, aprochegue o bicho, mais é!
_Você está melhor, Barbie?
_Bem melhor, Jujuba, bem melhor! Vomitei três vezes!... E ainda dei uns bons conselhos pra dona Perereca... Fiquei tão feliz!... Ela vomitou duas vezes!!!...
_Credo, comadre, você tá passando mal?
_Nem me fale, cumadizinha, nem me fale!...
_Errr... Serrá que as senhorras poderriam me ajudarrr? Esse senhorrr ficarrr gesticulando parra mim, mas não dizerrr nada. E eu não entenderrr o que é isso...
_Ah, não se avexe, não, seu Inri! É que o lorde Balloon só fala através dos outros. Pere lá, que eu vou pedirrr pra ele assoprá nos meus zuvidus!
_(...)
_Ele tá dizendo que não gostou da sua entrada...
_(...)
_ Ele acha que o senhor devia de ter arranjado uns raios e trovões e um fundo musical do tipo...
_(...)
_ ...Ah! A Aleluia de Handel!...
_(...)
_Ele também não gostarrr dessa sua túnica velha e do seu cabelo desgrenhado...
_(....)
_Ele acha que o senhor precisa é de uma guaribada fashion!...
_(...)
_Que, se o senhor quiser, ele pode lhe deixar mais concorrido que a Prece Poderosa!...
_(...)
_E lançar vários produtos: o sabonete do Inri, a coroa de espinhos de Indaial, as sandálias do pescador...
_(...)
_Me adesculpe, seu Inri: as sandálias, não, porque elas já vão ser lançadas pelo Barão...
_(...)
_Ah! Se duvidar, o senhor se elege governador do Brejo News!...
(...)
_Mas o senhor tem de deixar ele assoprar nos seus zuvidus...
_Errr... E como eu fazerrr?
_Ué, como eu estava fazendo! É só encostar! E vá com Deus, seu Inri! Escute o lorde, viu, que o senhor vai looonge!
_Ei, cumadizinha! Não é o Príncipe Clean que tá entrando no meu apê?
_Em limpeza e fome, comadre, em limpeza e fome!
_Égua, cumadizinha, rápido! Me ajude a esconder a merenda e os papéis!

(Continua)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Solidariedade a Lúcio Flávio

Recebi e publico, na íntegra, a seguinte carta aberta do jornalista Lúcio Flávio Pinto, à população paraense. Daqui a solidariedade da Perereca aquele que é, sem qualquer favor, o nosso mais brilhante e combativo jornalista.

Lamenta-se que a Justiça paraense, tão ciosa em condenar os "bandidos" que defendem os interesses do nosso povo, apresente "exemplar" frouxidão moral em relação aos "mocinhos" que protagonizam toda sorte de patifarias, inclusive o peculato a roldo.



À OPINIÃO PÚBLICA




Chamar o maior grileiro de terras do mundo de pirata fundiário constitui ato ilícito no Pará, obrigando quem utilizar a expressão a indenizar o suposto ofendido por dano moral. Com base nesse entendimento, a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado manteve a condenação que me foi imposta no juízo singular. No ano passado, o juiz Amílcar Guimarães, exercendo interinamente a 4ª Vara Cível do fórum de Belém (é titular da 1ª Vara), acolheu a ação de indenização contra mim proposta pelo empresário Cecílio do Rego Almeida e me condenou a pagar-lhe oito mil reais, mais acréscimos, que resultarão num valor bem maior.


Meu “crime” foi uma matéria que escrevi no meu Jornal Pessoal, em 2000, comentando reportagem de capa da revista Veja de uma semana antes, que apontava o dono da Construtora C. R. Almeida como “o maior grileiro do mundo”. Com base em um título de terra que ninguém jamais viu e todos os órgãos públicos negam que exista, o empresário se declarava – e continua a se declarar – dono de uma área que poderia chegar a sete milhões de hectares no vale do rio Xingu, no Pará, região conhecida como “Terra do Meio”, na qual há a maior concentração de mogno da Amazônia (o mogno é o produto de maior valor da região). Se formasse um Estado, esse megalatifúndio constituiria o 21º maior Estado brasileiro.

C. R. Almeida propôs a ação em São Paulo. Mas como o foro era incompetente, a demanda foi transferida para a comarca de Belém, onde o Jornal Pessoal, uma newsletter quinzenal independente que edito desde 1987, tem sua sede. Durante mais de quatro anos a ação foi instruída na 4ª Vara Cível. A juíza responsável pelo processo, Luzia do Socorro dos Santos, se ausentou temporariamente para fazer um curso no Rio de Janeiro. O juiz Amílcar Guimarães a substituiria por apenas três dias, mas, de fato, só assumiu a Vara no último dia, 17 de junho do ano passado, uma sexta-feira.

Nesse dia ele pediu ao cartório que os autos, com quase 400 páginas, lhe fossem conclusos e os levou para sua casa. Só os devolveu na terça-feira, dia 21, quando a juíza substituta já estava no exercício da Vara. Junto com os autos veio a sua sentença condenatória, datada de quatro dias antes, como se a tivesse lavrado no último dia do seu exercício legal na função.

Representei contra o magistrado, mostrando que a sentença era ilegal, que o processo não estava pronto para ser sentenciado (estava pendente informação da instância superior sobre um recurso de agravo que formulei exatamente contra o julgamento antecipado da lide, que o julgador efetivo pretendia realizar), que os autos sequer estavam numerados e que a sentença revelava a tendenciosidade e o desequilíbrio do sentenciante. A Corregedora Geral de Justiça acolheu a representação, mas, por maioria, o Conselho da Magistratura decidiu não processar o juiz. Recorri em julho dessa decisão, mas o embargo de declaração ainda não foi apreciado.

No plano judicial, apelei da condenação. A relatora do recurso na 3ª Câmara Cível, desembargadora Maria Rita Xavier, manteve a condenação, apenas concedendo uma redução no valor da indenização. A revisora, desembargadora Sônia Parente, pediu vistas. Na sessão de hoje ela apresentou seu voto, discordando da posição da relatora.

Argumentou que a grilagem de terras da C. R. Almeida no Xingu é fato público e notório, comprovado por diversas matérias jornalísticas juntadas aos autos, além de pronunciamentos unânimes de órgãos públicos que se manifestaram oficialmente sobre a questão, incluindo a Polío, incluindo a Polm oficialmente sobre a questrras da C. R. Almeida no Xingu ealizarnso. O juiz Amcia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal. Eu apenas aplicara ao autor da grilagem uma expressão de uso corrente nas áreas de confronto, conforme ela própria pôde constatar quando atuou como juíza numa dessas áreas, o município de Paragominas.

A desembargadora-revisora disse que a matéria do Jornal Pessoal estava resguardada pela liberdade de expressão e de imprensa, tuteladas pela Constituição Federal em vigor. O texto jornalístico expressava uma situação conhecida e lamentada pelos que se preocupam com o futuro da Amazônia, assolada por agressões como a devastação da natureza, a apropriação ilícita do seu patrimônio e até mesmo o trabalho escravo. Muito emocionada ao ler esse trecho do seu voto, a desembargadora disse que Castro Alves, se voltasse agora, encontraria um novo navio negreiro nos caminhões que trafegam pelas estradas amazônicas carregando trabalhadores como escravos. E manifestaria sua indignação da mesma maneira que eu, ao escrever no Jornal Pessoal.

Ela salientou que a expressão em si, de “pirata fundiário”, é apenas um detalhe e irrelevante, porque ela foi aplicada a um fato real e grave, noticiado em vários outros jornais. “Por que só este jornal de pequena circulação, que se edita aqui entre nós, é punido?”, indagou.

Suas judiciosas observações, porém, não tiveram eco. A desembargadora Luzia Nadja Nascimento, esposa de Manoel Santino Nascimento, que deixou a chefia do Ministério Público do Estado para ser secretário de segurança do governo, sem maiores considerações, apresentou logo seu voto, acompanhando a relatora. Nem permitiu que o presidente da sessão, desembargador Geraldo Corrêa Lima, apresentasse as observações que pretendia fazer. Sua decisão já estava tomada.

Como havia apenas as três desembargadoras no momento em que a votação foi iniciada, em maio, os dois outros desembargadores que se encontravam na sessão de hoje da 3ª Câmara Cível não puderam votar. Por 2 a 1, minha condenação foi mantida. Agora me resta apresentar o recurso que poderá provocar a reapreciação da questão junto ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

Esse entendimento, de que é ato ilícito aplicar a expressão “pirata” àquele que é proclamado “o maior grileiro do mundo”. é exclusivo da justiça do Pará. Cecílio do Rego Almeida também processou a revista Veja, seu repórter, um procurador público do Estado do Pará e um vereador de Altamira pelo mesmo motivo, mas todos foram absolvidos pela justiça de São Paulo. Ao invés de condená-los, como aqui se fez comigo, o juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível, elogiou-os por defender o interesse público. Justamente no Estado que sofre a apropriação indébita do seu patrimônio fundiário, com a mais escandalosa fraude de terras, a grilagem é protegida e quem denuncia o grileiro é punido.

domingo, 10 de setembro de 2006


Festa no meu Apê (I)


_Aleluia! Aleluia! Hare Krishna!
_Cumadizinha, sinto lhe informar, mas você errou de endereço: o hospício é mais pra lá!
_Ô comadre, você não tava dormindo?
_Na-na-ni-na-não! São três da manhã! Eu estava a sua espera!
_Puuuuxa!... Mas assim perdeu a graça!
_Pois não é, cumadizinha? Meu lema agora é: se você não pode derrotar seus doidos cativos, una-se a eles!
_Ainda bem que você mora bem do lado do hospício, né, comadre?
_É... Dá pra te internar mais fácil, animal!
_Credo, comadre! Égua do mau humor! Mas, como diria o lorde Tirésias, eu “truci” a solução pros seus problemas!
_UM ESCRAVO SEXUAL?!!!
_Não, melhor... Muito melhor...
_DEZ?!!!
_Não. Eu “truci” Ele em pessoa!
_Quem já?
_Sua Santidade Reverendíssima, o Inri de Indaial!
_Pronto...Só falta soarem as trombetas...
_Piuíííííííí. Piuííííííííííííí
_Que diabo é isso, animal?
_A minha cornetinha, ué! É que não tinha clarim. Aí comprei essa daqui, de ‘prástico’, lá no arraial.
_Ai, meu Jesus Cristo crucificado!...
_Errr... Ao seu disporrr, minha senhorra!
_Eu mereço, eu mereço!...
_ Comadre, o seu Inri precisa de um grande favor do seu blog: Ele quer deixar a história Dele para a posteridade!
_Errr... Me desculparrr, minha senhorra. Mas eu apreciarrr muito a sua Perrerreca. Porrr isso rrresolvi lhe pedirrr um grrande favorrr: escrreva a minha biogrrafia!
_Eu sentirrr...Quer dizer, eu sinto muito, seu Inri! Fico lisonjeada com a sua lembrança, mas, infelizmente, já me comprometi com outro doido... Quer dizer, eu já me comprometi com o Barão!
_Pois, então, comadre! Fica tudo em casa, ué!
_Pera lá, caramba! Isso daqui ta virando a Casa Transitória!
_A trransitorriedade da vida, minha senhorra, é obrra de meu Pai. Parra que os homens comprreendam que há coisas mais imporrtantes na vida. De que adiantarrr ao Homem ganharr o mundo inteirro e perrderrr a prróprria alma?
_Ele não engasga com isso, não?
_Não, comadre! O seu Inri é um autêntico nazi-brasileirro!
_Ei, você aí! Quer parar de tentar pescar o peixinho do meu aquário? Deixa ele em paz, caramba! Mas quem, diabos, é esse sujeito?
_Ô comadre! Não ta reconhecendo? É o Barão!
_De cabeça raspada e túnica branca?
_Pois não é? O ômi virou Hare Hare!
_Hare Krishna, minha senhora! Hare Krishna!
_Mas é a cara de um, focinho do outro!
_Batman e Robin, comadre! Batman e Robin...
_Mas, então, Robin.. Quer dizer, Barão. Há quanto tempo, não é?
_Muitas luas, minha senhora, muitas luas!...
_E esse seu, como direi, new look, é... interessantíssimo...
_Estou me preparando para o deserto, minha senhora! Estou me preparando para um novo e extraordinário deserto!
_É impressão minha ou ele ta mais bilé?
_É o incenso, comadre!... O ômi tá cheirando muito incenso...
_Mas, então, Barão. Até hoje estou à espera das fitas que o senhor ficou de me mandar, para eu escrever a sua biografia...
_Já desisti de tudo isso, minha senhora. Abdiquei de toda e qualquer vaidade! Tudo no mundo é ilusão! Há tempo de plantar e tempo de colher. E eu, agora, estou me preparando, espiritualmente, para colher tudo o que plantei!
_Você tem razão, cumadizinha, é incenso do bom!...
_Pois não é, comadre, eu já até encomendei...
_E quem é esse que ta entrando aí? Não é o lorde Balloon?
_Pois não é? Eu esqueci de lhe avisar, comadre: convidei ele também...
_Mas o que é isso? Virou festa no meu apê, agora?
_Ô comadre, você precisa relaxarrr. Precisa manter a mente aberta, ué!
_E eu que pensei que fosse só a Perereca!...
_.....
_Mas que diabos é isso? Por que o lorde só abre os braços e não fala nada?
_Ô comadre, ele só fala através dos outros, ué?
_Como assim?
_Ele assopra nos ‘zuvidus’, comadre!
_E depois a doida sou eu!...
_É mais gostoso botar! É mais gostoso botar! É mais gostoso botar!
_Ué, não é a Barbie Princesa?
_Em Spa e osso, comadre, em Spa e osso...
_Ô cumadizinha, você devia ter me avisado que eu tinha encomendado um caviar...
_Pelo amor de Deus, comadre, nem fale em comida perto dela, que ela começa a vomitar...
_Égua, olha lá o Jujuba! Lindo, tesão, bonito e gostosão!
_Assossegue o facho, comadre!
_Posso não, cumadizinha. O Jujuba é must!
_Também vai virar Hare!
_Não brinque!
_Depois desse estágio básico no PeFeLê, o que é que a gente podia esperar, né, comadre?
_Tadinho do Jujuba! Vou dar pra ele uns três milhões de comprimidos de amoxicilina!
_Credo, comadre, assim você ‘amata’ o homem!

(continua)

Agradecimento

A Perereca agradece, sinceramente, todos os comentários tucanos que tem recebido – mesmo que desaforados. Faz-lhe muito bem, ao ego, saber que não é tão facilmente esquecida...
Eternamente, Pará!

(Ah, como é bom pescar! A beira-mar. Em noites de luar!- Verequete)


Dona Maria

Dona Maria chegou, chegou, chegou
Com a mandioca
Para fazer a farinha, farinha, farinha de tapioca.
Dona Maria chegou, chegou, chegou,
Com a mandioca
Para fazer a farinha, farinha, farinha de tapioca.
Para remexer, para remexer, para remexer
Mexer, mexer, mexer, mexer.

(Domínio Público)



Sinhá Pureza

Vou ensinar Sinhá Pureza
A dançar o meu Sirimbó
Sirimbó que remexe, mexe
Sirimbó da minha vovó
Vai dançando Sinhá Pureza
Rebolando, pode requebrar
Carimbó, Sirimbó é gostoso
É gostoso em Belém do Pará
Olelê, Olalá, te jurei Carimbó, Siriá
Carimbó, Sirimbó é gostoso
É gostoso em Belém do Pará

(Pinduca)


Carimbó no Mato

Eu fui no mato, morena
Fui tirar cipó
Muito longe ouvi um batuque
Parecido um Carimbó (bis)

Eu vou de banda, de banda, de banda
Eu vou de lado, de lado de lá
Eu fiquei só
Dançando no mato Carimbó.

(Domínio Público)


Bala de Riple

Maria, quem foi que te disse
Que bala de ‘riple’ não mata ninguém?
Maria, quem foi que te disse
Que beijo de amor não consola alguém?
Ai, Maria, Maria, meu amor!
Ai, Maria, eu quero é teu calor!

(Pinduca, Menezes de Carvalho)

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Roda de samba

Malandro Sou Eu!


Segura seu moço, que o teu santo é de barro
Que sarro dei volta no mundo e voltei pra ficar
Eu vim lá do fundo do poço e não posso dar mole
Pra não refundar
Quem marca bobeira engole poeira
E rasteira até pode levar
Malandro que sou, eu não vou vacilar
Sou o que sou, ninguém vai me mudar
E quem tem tentou teve que rebolar sem conseguir
Escorregando daqui e dali
Malandreando eu vi e venci
E no sufoco da vida foi onde aprendi (malandro!)
Vou eu vou por aí
Sempre por aí, esse mundo é meu
E onde quer que eu vá
Em qualquer lugar
Malandro sou eu!

(Arlindo Cruz/Franco/Sombrinha)

O Mar

Nunca entendeu por que amava tanto o mar. As ondas, o cheiro, o murmúrio... O mistério primordial. A força de empurrar-se adiante e espalhar-se infinitamente. As profundezas que nem a luz conseguia penetrar.

Não, nunca tivera medo ao mar. E até sentira como se pudesse, apenas, deitar-se, a deixar-se levar. Como se fora parte daquelas ondas, em eterno desassossego. Daquele coração – um imenso e selvagem coração. Que se abrisse não para a morrer, mas para ninar...

Costumava enxergar o mar mesmo nos desertos. A palpitar em pedra e em pó. Represado nas folhas que se entregavam à terra. Eternamente reproduzido. A erguer-se à procura dos céus...

Por vezes, se perdera a olhá-lo, para compreender-se nesse mistério. Das águas que mergulhavam urgentes e partiam mais depressa ainda. Que lhe arrastavam a terra, a casa, as árvores. Mas que semeavam tudo isso em algum lugar.

E imaginava que já fora esse mar. Em outra Terra, em outra vida, até. A embalar em cada barco todos os sonhos do mundo.

Quem sabe, até, se perdera naquelas águas. E amara tanto as tempestades que se tornara nelas. A onda revolta diante do raio, que lhe revela a escuridão...

E, no entanto, olhava, olhava, mas já não via o mar. Como que sorvido pelas próprias entranhas.

E mesmo os olhos lhe ficaram desertos.

Feito um pedaço daquela paisagem, que à coisa alguma permitia frutificar.

Quisera ir-se ao encontro dele. Nem que tivesse de atravessar o sol, o frio, a fome, a dor.

Mas, a encontrá-lo, o que encontraria, afinal? Seria o mesmo mar? E o mar que pensara mar seria, de fato, o mar? E se nunca houvera, enfim?

Quem sabe não passara de um desejo? A flor dessa angústia que lhe velava o peito. Um grito... Que não soubesse de onde vem nem para quê.

Talvez fora o medo. O medo de se perceber, ali, entre as pedras, à espera de um oceano que jamais viria.

Quem sabe quisera, apenas, sentir-se mais que um fantasma a vagar entre fantasmas. A purgar os pecados havidos, sabe-se lá onde.

O mar lhe trouxera vida. Mas e se toda essa vida estivera dentro dela, enfim? Quieta, escondida, nos abissais da alma?

Que lhe trouxera, então, o mar, além da própria partida? E da dor dessa ausência do que foi sem ter sido?

Para além dos desertos que floresciam e da vida a pulsar no pó, que lhe ficara dessas ondas que a embalaram, feito a menina que se aperta ao peito?

Mas lembrou-se do tempo, o grande senhor do mundo!... E de todo o infinito que correra, sempre mais longe, sempre mais longe, sempre mais longe...

E das flores que se deitavam na terra, para vivê-la.

E de todos os mares que passaram por seu corpo, feito as águas dos afluentes.

E da criança que lhe batia à porta, a cada manhã.

E nem o mar, nem o que partiu, nem o que deixou, mereceu uma lágrima.

E pôs-se a dormir, a pensar que era Deus.


Belém, 07/09/2006

domingo, 3 de setembro de 2006

Um pombo no asfalto



Noção de História



Há milhões de anos, seus deuses eram animais como ele, que vagava pela Terra nu e sem teto.

Mas ele subjugou os semelhantes, parindo deuses à imagem de si mesmo.

Não gostou do que viu.

Fez-se, então, à semelhança de criaturas desprovidas de instintos e paixões. Ele, também, inatingível, forte, eterno.

Mas os prazeres continuaram a persegui-lo.

Cresceu dividido entre o bem e o mal, frutos do mesmo ventre: a deformação da racionalidade.

Não conseguiu livrar-se da fome, do orgasmo, da agressividade.

A Razão não era suficiente. Criou o Estado.


Capítulo I


Eles estão em toda parte e convocam à flor da pele a minha impotência. Há um bem ali, no teto, e parece me observar. Outro se escondeu num canto do quarto. Às centenas, batem as asas atrás da porta do banheiro.

Tento um movimento leve. Mas o do teto faz menção de me atacar. Silêncio...Respiro devagarinho...

Há dias, vigio os segundos. O próprio pensar tornou-se um suplício – de que me serve pensar se não me posso mover? Sinto-me qual Prometeu à espera do abutre...

Mas por que eles me perseguem? O que lhes fiz que provocasse tanta fúria?

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Flash-back

O primeiro verbo que aprendi a conjugar foi obedecer. Disseram-me: eu obedeço, tu obedeces. Não me lembro quando. Só sei que era desse tamanhinho...

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Eles pediram reforços. Agora, tomam as paredes. Vendaram-me os olhos. O tempo fugiu.

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Fragmentos biográficos

Número: 056789/87 – série A
Filiação: revolucionários e revoluções
Data de Nascimento: 1960

1968: Thor, o primeiro amor.
1969: antes e depois das aulas, o Hino Nacional, a mão direita sobre o coração.
1970: porrada, praticamente todos os dias.
1971: a primeira menstruação. Nunca ouvira falar no assunto.
1972: masturba-se às escondidas.
1973: fuma e toma Melhoral com coca-cola.
1974: o primeiro beijo.
1975: briga com o namorado e chora, ao som de “Pomp and Circunstance”.
1976: a primeira trepada. Casa, obrigada, no ano seguinte.
1977: lava, passa, borda e apanha do marido.
1978: o primeiro filho. Engorda uns vinte quilos e experimenta todas as dietas e torturas conhecidas.
1979: a infidelidade do marido é pública. O casamento desaba. Sobra-lhe a filha, ao colo.
1980: crê, piamente, que os comunistas ameaçam o país.

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O inseto, com grandes e brilhantes asas castanhas e que parecia ser o chefe, andava de um lado para outro. Vez por outra, esfregava duas patinhas, como que esperando que eu dissesse alguma coisa. Eu, porém, preferia observar aquela sala imaculada; só conhecia o lugar por disse-me-disse.

Ele colocou minha ficha sobre uma mesa branca. Tudo, ali, era terrivelmente branco.

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Sermão

E subindo Ele ao monte, falou:

Não pensareis
Não gritareis
Não perguntareis
Não vomitareis
Engolireis
Sussurrareis
Acatareis
E realizareis tudo o que vos mandarem porque é essa vontade do Pai.

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Capítulo II

_Hum, hum. Pelo que vejo aqui a senhora é contumaz...
_Hem?
_Ora, não se faça de ingênua...
_Mas eu...
_Nós sabemos tudo a seu respeito. TU-DO!
_Mas eu...
_Cale a boca! Pensa que pode nos enganar, é?
_...
_A senhora tem alguma coisa a dizer em sua defesa?
_...
_Escreva aí: a acusada nada disse.

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Tiraram-me as roupas; aqui, todos andam nus. Cercas de arame farpado delineiam nossos limites; há lama sob nossos pés.

Pela manhã, andamos em círculos; à tarde, também.

Vez por outra, ouvimos gritos, vindos da direção do Paraíso.

Lá, dizem, eles nos fazem tornar à normalidade. O Paraíso é branco.

Quantos somos? Não sei... Há homens, mulheres, velhos, crianças. Milhares, talvez, milhões.

Todos temos um número de ordem gravado na testa e é pelo número que eles nos tratam.

Não sei quando eles tomaram o poder. Só sei que, quando nasci, já estavam ali.

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(Competir, competir e competir. Sobressair-se sempre e a qualquer preço... Mas, um dia, ele não matará por comida, não brigará por sexo, não guerreará por territórios. Exorcizará, enfim, o animal – e todos os prazeres e todas as paixões... Será, enfim, senhor de si mesmo e de todo o universo! Será a paz!...)

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_Você aí!
_Quem, eu?
_0566789/87, série A?
_Sou eu. O que foi?
_Diga: sim, senhor!
_Sim, senhor!
_Venha comigo! Vamos, mexa-se!

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(Vi o mundo dos observatórios privilegiados: os balcões dos bares, os puteiros, as sarjetas, os monturos de todo o lixo humano. Fiz-me igual a eles: a decadência é a última trincheira...)

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Capítulo III


Acordei de um sono profundo, a cabeça pesada, músculos recusando obediência.

Lembro de quase nada.

Vi-me amarrada a uma cama, cercada pelas paredes inexpugnáveis do Paraíso.

Vi um gafanhoto com uma enorme seringa.

Gritei, tentei soltar-me, distribui palavrões.

Mas, tão logo aquela droga penetrou em minhas veias, minha resistência se esvaiu.

Depois, o tempo moveu-se célere. Dia após dia, uma voz me dizia para tornar ao caminho do bem.

Em um trono de ouro e pedras preciosas, a aranha me exortava ao arrependimento...

Fui enrolada em uma teia e quanto mais lutava, mais me convencia de que pecara.

Pensei: por que não me tornar um deles? Mas meu raciocínio, novamente, se fragmentava. Obedecer tinha de se tornar uma compulsão...

Eles dançavam em minha volta e tomavam o meu corpo. Sugavam o meu sangue e se deliciavam em minha carne.

Não recordo quanto tempo fiquei ali. Vi-me cambaleando de volta a minha cela e dormindo dias e dias e dias...

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(Eu amo os cemitérios, com suas cruzes e lápides brancas, as suaves hipocrisias...

Amo passear pelos seus caminhos, sentindo na pele o odor dos corpos que se decompõem num átimo de história...

Ali está o que restou de um cadáver.

Brancos ossinhos, aos quais os vermes devoraram as carnes.

Terá sido homem ou mulher? A quantos terá beijado a boca e trespassado a alma de dor e prazer?

Não, não importa...

Agora, é, apenas, vala-comum...

Dele, nem o vento sussurra o nome...)

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Era dia e minhas mãos tentavam capturar o raiozinho de sol que invadira a minha cela, quando uma barata veio avisar-me da liberdade.

Era, então, pele, ossos e feridas.

Apanhei o que me restara e, com um olhar, despedi-me de meus companheiros.

Quase não acreditei quando toquei a terra. Eu era livre como a aurora, leve, como as nuvens...

Nas ruas, as pessoas passavam por mim e nem me notavam.

Parei em um sinal; ao lado, um pombinho.

Fiquei a admirar-lhe as asas. Mas ele, inquieto, parecia não poder voar.

Titubeou, deu uns passinhos em círculos e, de súbito, atirou-se à frente.

O sinal fechou. Todos seguimos nossos caminhos.

Virei-me e avistei, ao longe, aquela massa de sangue e penas a manchar o asfalto...

Promessa de Casamento


Eu serei aquela que se enrosca em tuas pernas
E te acorda na madrugada
A mão suave no peito nu

Não serei teu corpo,
Mas a terra que o recebe.
Eu serei os beijos que te enxugam o dorso
Nos dias e noites de febre.

Eu serei os galhos em que brincas
Os frutos que lanças na terra
As sementes que te eternizam

Eu serei a esperança e o pesadelo
E o desejo irrespondível e imenso
Que pé ante pé adentra o peito.

(Belém, 1986)



Canção do Amor Partido

Pois é, eu parti de nós.
Fiz-me livre e forte a correr o horizonte,
Pensando teu mundo exausto,
A remoer sem cessar o ontem.
Mas quando tornei ao meu passado,
Tu não estavas lá.
Havias partido n’aurora
A cavalgar teu próprio mundo.
E fiquei, eu, assim, na noite,
A recortar a poesia,
Enquanto, lá fora,
A cidade reluz e canta.

Eu parti de nós.
Tramei cada passo, cada gesto, cada olhar.
Vi-me senhora de tuas entranhas,
Combustão repentina!
Tu, que num pulsar, explodes a Geometria,
Eu, que nunca rio, pra não acordar a noite.

Tu, que tens no nome a paixão e a saudade.
Eu, a possuir-te etéreo, canção da irrealidade.

Chove. E eu que rejeito esse arquivo amargo
Sofro com sofreguidão renovada.
Rediviva vontade de estilhaçar-me ao infinito
Fragmentando em mim teu fantasma.
Tu, seminova que semeias vida.
Eu, guerreira cansada.
Voltei pra desejar tornar a terras e braços distantes
Mas que iludem esse canto, inútil e desventurado.
Voltei só pra mostrar-te essa canção tão triste
No silêncio inerte dessa hora última
Tu, nome rebelde em meus lábios.

(Belém, 1986)



Poema inacabado

Deixemos como está.
Sejamos, um do outro,
O outro lado do mar!
Não ajuntemos o que partiu.
O que se foi por acaso
O barco no horizonte,
Que não nos leva ninguém.
O tempo esquecerá!
E mesmo o que julgamos... indizível
Será a poeira que se refaz em estrada.
A história que a sorrir se reparte
Porque não dói de fato e enfim
Assim como está, está bem.
Ao menos, já não te penso.
E posso pensar o mundo.
Retornar aos mares de onde vim
A perder-me no azul profundo
Sempre tão longe e inacessível.
Mas acima e ao redor de mim!...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Lindo!

Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão


(Milton Nascimento/Fernando Brant)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

23 de agosto de 2006 Rep171

A República do 171


_Liberté, Egalité, Fraternité!!!!


(Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Égua da sujeita enlouquecida. Agora, é o próprio Danton...)


_Cumadizinha, pare de gritar, pelo amor de Deus! São três da manhã, tá todo mundo dormindo. E você me chega aqui com esse barrete azul na cabeça, bêbada que nem o Vicente Celestino. E ainda por cima gritando um slogan de trezentos anos!... Tenha dó!...
_Ô comadre, deixe lá de ser besta! A Revolução tá nas ruas!
_ Mas que Revolução, ô alma penada?
_El Rey acaba de proclamar a República do Brejo News!
_Como é que é?
_A partir de agora, todos seremos camaradas!...
_Isso foram os sovietes...
_Companheiros!
_É o PT...
_Ora... Nós seremos...Nós seremos... O importante é que seremos, comadre!
_Pera lá!... Não sei se é o sono, mas não tá conjuminando. Como é que é isso de República proclamada por um rei?
_Pois não é, comadre? O Homem virou democrata. Até criou um partido: o ProCude!
_E o que é que isso quer dizer?
_É indizível, comadre, é indizível!...
_Ele entregou o trono, então?
_É claro que não, comadre! Mas isso é lá pergunta que se faça? Sua Majestade Reverendíssima permanece lá, bem assentada. E diz que só sai de lá mumificado!...
_Pera lá, caramba!...Mas que diabo de República é essa, então?
_Ô comadre, você parece até o Barão: quer conjuminância em tudo!...
_(É, eu é que devo ser a doida... É como a minha mãe dizia: te mete com doido!... Vais acabar na camisa-de-força e ele, na porta do hospício, rindo da tua cara...).
_Tá ruminando, comadre?
_Quem rumina é vaca, animal!
_Credo, comadre! De uns tempos pra cá você anda numa irritação só! Deus que me defenda! Vou pedir pra Sua Majestade Reverendíssima acabar com a TPM!
_Hem?!!!
_Pois não é, comadre! Se o Homem acabou com a desigualdade, pode acabar com a TPM, ué?
_Quer dizer que não tem mais desigualdade em Brejo News?
_É claro que não! Logo depois de proclamar a República, Sua Majestade Reverendíssima aboliu a desigualdade!...
_Ah, sei!... Ele acabou com a Corte, distribuiu as terras do Duzinho, socializou tudo que é meio de produção...
_É claro que não!
_Tá bom... Então, me explica aí: como é que ele acabou com a desigualdade?
_Com um decreto, ué!
_Com decreto?!!!
_Pois não é, comadre! Dizem que o Homem até se inspirou na Barbie Princesa, que distribuiu mosquiteiro pra acabar com a malária!...E deu certo, viu, comadre! Um resultado que você nem avalia: não sobrou malária no Condado de Anatejás!... Principalmente, depois que o Clean passou por lá: o “ômi” alimpa até doença, comadre!!!
_E esse negócio do decreto, como é que foi?
_Ah, comadre, nem lhe conto: foi anunciado, no palanque, pelo próprio Barão. E dessa vez, chamaram um carpinteiro profissional, viu? O Barão, com lágrimas nos olhos – o lorde Balloon é que produziu, né, comadre – disse, assim: “Cabocos, nós precisamos de vocês! Estamos aqui para realizar o sonho de um novo Brejo! Um Brejo com liberdade, igualdade e fraternidade! A partir deste decreto que estamos assinando hoje – e que é um decreto novo e extraordinário - todos os senhores se transformarão em comerciantes da própria força de trabalho! Porque, com este decreto, não estamos, apenas, extinguindo o proletariado. Mas elevando, cada um dos senhores, à condição de micro-empresários individuais!”. Não é lindo, comadre? Eu até agora estou com os olhos cheios de lágrimas! O “ômi” se superou, comadre!...
_É, e eu que pensei que já tinha visto de tudo...
_Mas tem mais, comadre?
_Quê?!!!
_Pois não é? O Barão tava inspirado: até pegou numa viola e atacou a Marselhesa!...
_Deus tenha piedade!...
_E o lorde Balloon colocou num telão, por trás do Barão, montes e montes de floresta, comadre - tuuudo verdejante! E eu que nem sabia que ainda havia tanto verde no Brejo!...Aí o Barão se pôs a explicar que Sua Majestade Reverendíssima, preocupado com o bem-estar dos novos empresários, resolveu criar, também, um novo e extraordinário programa de cestas básicas!
_Hem?!!!
_Pois não é, comadre? O preço da força de trabalho tá um horror! Assim, quem não puder se sustentar com a venda da sua forcinha, vai ter uma cestinha, pra não morrer de fominha...
_Onde foi que eu já vi isso antes?...
_Mas tem mais, comadre!
_Mais?!!!
_E não é? O Barão também explicou que os novos empresários têm necessidades demais, comadre! Querem comer todos os dias, avalie?!!! Daí que o decreto também instituiu o Ascetismo Compulsório! Disse o Barão: “Este decreto - novo e extraordinário - meus senhores, foi feito com a mão do coração! Mas, infelizmente, recebemos uma pesada herança do passado! Todos os senhores são testemunhas de que pegamos um Brejo falido. E, mesmo passados cinco milênios, ainda não conseguimos nos recompor! Por isso, os eminentes súditos deste Reino-Republicano não podem arcar, assim, com o ônus da igualdade – sob pena de acabarem, também, ‘sans-cullotes’!... Por isso, decidimos decretar uma nova e extraordinária construção coletiva: o Ascetismo Compulsório! Com ele, todos os senhores, que antes passavam fome, receberão rações cada vez mais diminutas, até que o estômago se enfastie com uma folha de alface! Será um novo e extraordinário SPA coletivo! Todos ficarão esbeltos, como a Barbie Princesa!”.
_É, só faltaram as duas túnicas e o par de sandálias...
_Mas vai ter, comadre! Vai ter até Iluminação Anímica, ué!
_Quê?
_ Pois não é, comadre? Veja só que beleza de decreto: até a iluminação da alma tornou-se compulsória!
_E desde quando isso é possível, animal?
_Mas o ‘ômi’ disse, comadre! Eu até anotei! Palavras textuais do Barão: “Também estamos proporcionando aos senhores – vejam só que coisa nova e extraordinária – o acesso compulsório à iluminação da alma. Meu dileto Duzinho e o Príncipe Clean vão limpar até os pecados dos senhores! Com isso, reduziremos, sensivelmente, a cadeia produtiva da reencarnação. E, por conseguinte, o excesso das almas viventes” .
_É, como direi, a perfeita fórmula de erradicação da pobreza...
_O problema, comadre, é só essa oposição!... Ô gentalha, comadre, ò gentalha!
_ Por que já?
_Pois não é? Logo que souberam do decreto, saíram espalhando que o Homem havia criado a República do 171! E o Homem, ali, de cara limpa, comadre, nem tremia! Mas a gentalha insistindo que é tudo enganação. E falavam do Clean, do Duzinho e até daquela empresa do lorde El Dorado. Falaram em mar de lama, comadre! Como se no Brejo tivesse lama!...
_ Ah, e não tem?
_Mas como, comadre? Com o Clean e o Duzinho, como é que pode ter?!!!
_Quer dizer que tão chamando de República do 171?
_Pra você ver, comadre, até onde vai a maldade humana!...
_Desigualdade que se acaba por decreto, ascetismo compulsório, iluminação anímica... E tudo isso, em meio à ‘limpeza’ do Clean e do Duzinho... É... sinto informar, querida correspondente, mas vou vender o blog...
_Hem?!!!
_É claro, queridinha!...Vou montar uma fábrica pra concorrer com El Rey, com o Barão, o Príncipe e o Duzinho: vou fundar a Perobal S/A!

domingo, 20 de agosto de 2006

20 de agosto de 2006


O Reinado do 171



A Perereca vai começar a colecionar os e-mails nojentos e covardes, que lhe estão sendo enviados, com intensidade ímpar, nos últimos dias.

Não é por nada, não. Uns amigos me sugeriram que lançasse um livro de crônicas sobre o Barão.

Daí que tais e-mails têm de, necessariamente, integrar essa obra.

Para que as pessoas saibam da politiquinha que predominou no tempo desses canalhas arrogantes, metidos a patrulhar a Deus e ao mundo.

É imundície genética. É coisa de gentalha que nem sabe que existe – até porque protozoário não pensa.

E o que eu acho mais lamentável é que esses crápulas não têm coragem, sequer, de se identificar.

A denúncias fundamentadas, embasadas em centenas de documentos, respondem com ofensas de toda ordem.


Imaginam, por certo, que todos habitam a lama em que se multiplicam. Até porque abjeções como essas só conhecem a putridão.

Como já disse, antes, eu assino este blog. Assumo cada linha do que escrevo. E esfrego na cara dos quadrilheiros as provas do crime.

Por isso, fico revoltada com essas coisas-ruins, que se imaginam gente, a apelar ao anonimato, para ofender quem se recusa a viver de michê – que nem fazem essas “donzelinhas” do Bataclan.

Metem a mão, descaradamente, em dinheiro público. Enriquecem as famílias. Realizam toda sorte de tenebrosas transações – e, mesmo assim, seguem a apontar o dedão acusador.

Imaginam-se, talvez, detentoras de “direito divino” à rapinagem. Mas não passam de uma praga de gafanhotos que se apossou do que é público. Parasitas, enfim.

Tudo lhes é abençoado – mesmo a ladroagem explícita. Comportam-se, por assim dizer, como uma ilha de Santidade. Mas são, em verdade, apenas um covil. Verdadeiros sepulcros caiados: belos por fora, mas repletos de toda imundície.

E são coisas tão pequenas e acanalhadas que, mesmo com todo o poder de que dispõem, ainda se escondem no anonimato, para tentar intimidar as pessoas.

Não passam de uma choldra, um bando, uma súcia - nada além disso - a intentar o Reinado do 171.

sábado, 19 de agosto de 2006

Uma Noite de Ópera

Habanera



L'amour est un oiseau rebelle
que nul ne peut apprivoiser
et c'est bien en vain qu'on l'appelle
s'il lui convient de refuser.

Rien n'y fait; menace ou prière,
l'un parle bien, l'autre se tait
et c'est l'autre que je préfère,
il n'a rien dit, mais il me plaît.

L'amour est enfant de Bohême,
il n'a jamais, jamais connu de loi;
si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
si je t'aime, prends garde à toi...

L'oiseau que tu croyais surprendre
battit de l'aile et s'envola...
L'amour est loin, tu peux l'attendre
tu ne l'attends plus...il est là...

Tout autour de toi, vite, vite,
il vient, s'en va, puis il revient...

Tu crois le tenir, il t'évite;
tu crois l'éviter, il te tient.

L'amour est enfant de Bohême,
il n'a jamais connu de loi;
si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
si je t'aime, prends garde à toi!...

(Bizet)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

18 de agosto de 2006

Fragmentos Biográficos III


O papel em branco, a vida a passar.
Ao longe, entre espumas, um luar.
E a noite, a adentrar o peito,
Refaz o universo em perfeito:
Da tempestade nasce o vento,
Que nos eleva a mais adiante!
Quem nunca amou um carrossel?
E se desfez em pedaços,
que se ajuntam aqui e ali?
O fio do desespero,
a desenhar, febril, a significância,
Quem nunca se fez não o que era
Mas o que imaginou?
Quem nunca buscou um além
Não de morte, mas de vida?
Quem nunca se perdeu em sonhos inconfessáveis
Mais ardentes que qualquer amante?
Quem nunca se fez um outro - o outro!
Na esperança de encontrar-se, enfim?
Quem nunca rastejou, diante do que lhe pareceu sublime?
Quem nunca errou e errou e errou – e escondeu?
A acreditar na miragem havida,
Quem nunca entregou, sorrindo, o coração?
E sou eu a louca, aquela que não queda silente?
A que grita e se debate entre-muros?
A que enxerga o mistério do que não é, mas que poderia?
A única que se atrai pelo sonho irrespondível?
A única que vê, entre espumas, um luar?
A única que bebe e se perde em si mesma?
A única a cismar no que parece, para encontrar o que é - infinitamente?...

A louca a expor as vísceras, aos censores públicos...
A louca a quem os choques já nem afetam, por todos os choques que levou da vida...
Devo ser, assim, uma espécie de incriada: Deus pensou e pensou - mas esqueceu!...
E eu penso nos sonhos que se foram e que pensei: levaste!
E perdôo a Deus como perdôo a mim!
E novamente é a música que me leva para além de tudo.
A música que é enquanto é, mas que nunca se esvai.
Tão necessariamente bela, que é necessário que seja!
Por todas as flores e mares e pedras que move ao redor do mundo!
E o oculto, como que se me revela:
Quem nunca amou e sonhou e esqueceu?
E o luar em luar se me torna!...
Belo, mas tão impossível e irreal
Que em minhas mãos se desfaz a espuma
E tu aos céus retornas, ó luar!

Belém, 18/08/2006.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

15 de Agosto - Vou Festejar!


Às “meninas” do Bataclan

(Quando vocês começaram a procurar calçada, pra rodar bolsinha, eu já era a dona do bordel!)


Dada a extrema sensibilidade de seus leitores, a Perereca deixa de publicar dois e-mails, recebidos há pouco. Um chororô tão copioso, que já gastei trezentas caixas de Kleenex...

Chamaram-me até de ingrata - as saaaannntas!!!! Logo eu, que, em cadeira de rodas, tive de me associar ao fabricante do Reparil...

Tão certo quanto a morte, é que a estrada é cheinha de curvas...

Em resposta ao “anônimo”, portanto, nada melhor que aquele sambão.

Para ouvir com a Beth Carvalho, tomando uma bem gelada. E, é claro, lembrando, bem devagarinho, tudo o que já lhe fizeram...


Vou Festejar

Chora, não vou ligar
(Não vou ligar)
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar, pode chorar

É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porque
Eu vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar

Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão

(Neoci / Dida / Jorge Aragão)

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

14 de agosto de 2006

O Midas da Moralidade:
O Escândalo da Prev Saúde




A Perereca transcreve, abaixo, matéria publicada, na edição deste domingo, 13 de agosto, pelo jornal Diário do Pará.

Creio que esse caso escabroso vai ao encontro do que escrevi no post do último 06 de agosto, sob o título “O Midas da Moralidade”.


Agradeço a participação dos anônimos que comentaram o artigo. E digo ao Barreto: é maninho, pode ter certeza que ainda vem muita coisa por aí...

Depois de 12 anos de poder tucano e com amordaçamento da imprensa e das instituições, os "deslizes" serão cada vez mais grosseiros e freqüentes: é a certeza da impunidade.



Governo beneficia Prev Saúde



EM FAMÍLIA Empresa de mulher e filho de secretário de Saúde fatura alto em contratos sem licitação


A Prev Saúde - Núcleo de Prevenção da Saúde não tem motivos para se queixar da sorte. Em menos de cinco anos, entre outubro de 2001 e fevereiro deste ano, a empresa obteve contratos do Governo do Estado - muitos deles sem licitação - que totalizaram mais de R$ 6,181 milhões.

E, ao longo deste ano e até fevereiro de 2007, a previsão contratual é que receba outros R$ 1,677 milhões.

Mais que as cifras milionárias, porém, chama a atenção um fato estarrecedor: a Prev Saúde pertence à mulher e ao filho do secretário executivo de Saúde do Governo do Estado (gestão Simão Jatene), Fernando Dourado, conforme se pode constatar pela constituição societária da empresa, obtida pelo DIÁRIO, na Junta Comercial do Pará (Jucepa).

Mas, não é só. Muitos dos contratos da Prev Saúde foram firmados com o Ipasep, na época em que a diretora administrativa do órgão era Ana Conceição Cardoso Bezerra - irmã da mulher de Dourado, Ana Maria.

Os demais contratos foram obtidos junto ao Hospital de Clínicas Gaspar Viana, cuja presidente, Rosemary Góes, é mulher do presidente da Paratur, o tucano Adenauer Góes.

A conta de publicidade da Paratur - assim como a da Prev Saúde - pertence a Griffo Comunicação.

A Griffo é comandada pelo publicitário Orly Bezerra, que, além de ser o marqueteiro do PSDB, é ex-marido de Ana Conceição - ou seja, ex-concunhado de Fernando Dourado.

Há mais, porém. Em agosto de 2002, dias depois de assumir a Sespa, Fernando Dourado convidou a cunhada, Ana Conceição, para assumir a Diretoria Administrativa e Financeira daquela Secretaria.

Tanto a Sespa quanto o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna estão subordinados, na estrutura do Governo do Estado, à Secretaria Especial de Proteção (Seeps), que, até há pouco tempo, era dirigida pela vice-governadora (candidata à reeleição na chapa de Almir Gabriel), Valéria Pires Franco.

E tanto a Prev Saúde, quanto Fernando Dourado e sua mulher, Ana Maria, e a cunhada, Ana Conceição, doaram dinheiro, em 2002, para a campanha do deputado Vic Pires Franco, marido de Valéria, conforme atesta a prestação de contas publicada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Fernando e seu filho, Carlos José, que aparece na constituição societária da Prev Saúde são, aliás, ambos filiados ao PFL, o mesmo partido de Vic e Valéria.


Histórico desde 2001


Os primeiros contratos da Prev Saúde com o Ipasep datam de 2001. O de número 068/2001, começou em maio daquele ano (Diário Oficial do Estado - DOE - de 18 de maio de 2001) e foi sendo prorrogado até maio de 2005 (DOE 12/05/2004).

O valor estimado: R$ 360 mil por ano, para internamento domiciliar, com serviços de assistência multiprofissional, aos beneficiários do Ipasep. A modalidade contratual seria o “credenciamento 001/2000”.

Ou seja, a empresa credenciou-se para oferecer seus serviços. Mas, ao que tudo indica, não houve licitação. Valor estimado do contrato e aditamentos: R$ 1.440 milhões.

Outro contrato da Prev Saúde com o Ipasep, o de número 113/2000 (DOE 14/11/2000) foi firmado, também, com base no credenciamento 001/2000.

Valor inicial estimado para 12 meses: R$ 20 mil, para serviços ambulatoriais e exames complementares aos beneficiários do Ipasep.

Mas, em aditamento publicado no DOE de 09/11/2001, o valor contratual foi reajustado para R$ 45 mil - um incremento de mais de 100 por cento, em um ano.

E foi sendo prorrogado até 03 de janeiro de 2003, quando o DOE publicou a rescisão.

Um terceiro contrato, de número 026/2002 (DOE 20/05/2002), com base no mesmo credenciamento 001/2000, no valor de R$ 20 mil por ano, também se destinava a “serviços auxiliares de diagnose”.

Ele também sofreu um reajuste de 100%: foi para R$ 40 mil, em aditivo publicado no DOE de 13/05/2004, tendo se prolongado até maio do ano passado.

Neste ano eleitoral de 2006, porém, os contratos da Prev Saúde com o Ipasep são bem mais modestos.

No DOE de 11/05/2006, consta o aditivo ao contrato 058/2005, no valor de R$ 40 mil anuais e vigência até maio do ano que vem, para “serviços auxiliares de diagnose”.

Já para o internamento domiciliar e assistência multiprofissional - que era de R$ 360 mil - o contrato 068/2005 (DOE 17/05/2006) prevê, apenas, R$ 50 mil por ano.


SORTE?


Mas a Prev Saúde não pode se queixar: em 2003, ganhou a concorrência 001/2003, para serviços de limpeza do Hospital de Clínicas Gaspar Viana.

O contrato, 021/2004 (DOE 27/02/2004, com retificação em 02/03/2004) tinha, na época, o valor de R$ 1.138.200,96.

Mas, no ano passado (DOE 28/02/2005) foi reajustado para R$ 1.308.059,64.

E, neste ano (DOE 24/02/2006) atingiu R$ 1.497.466,08, com vigência até fevereiro de 2007.


Detalhe: conforme os extratos contratuais publicados nos diários oficiais do Estado de 31/10/2001, 29/04/2002 e 25/10/2002, o Hospital de Clínicas contratou, sucessivamente, a Prev Saúde, sem licitação, para idêntico serviço ao que executa hoje.

Mas, na época, os valores contratuais, para um período de seis meses atingiam, no máximo, R$ 373 mil - quer dizer, cerca de R$ 750 mil por ano.

O preço só começou a crescer em 2003 - ano da concorrência - quando esses serviços foram reajustados, sucessivamente, para R$ 77.439,48 e R$ 91.753,35 por mês - ou seja, respectivamente, R$ 464.636,88 e R$ 550.520,10, a cada período de seis meses (diários oficiais de 29/04/2003, 27/08/2003 e 06/10/2003).


Muita “saúde financeira”


O vigoroso aporte financeiro proporcionado pelos contratos do Ipasep e do Hospital de Clínicas Gaspar Viana fez muito bem a Prev Saúde.

Aberta em 18 de janeiro de 1990, a empresa funcionou, até 2001 - conforme o site do INSS - na sala 402, do edifício Clube de Engenharia, na avenida Nazaré, 272.

Mas, talvez por tão discreta, ninguém se lembra dela por lá.

“Que eu saiba, o que funcionou aí foi o consultório de uma ginecologista, mas há uns oito anos” - diz a funcionária de um escritório de advocacia, vizinho da sala 402.

“Eu estou aqui há 24 anos e que eu saiba essa empresa nunca funcionou aqui” - diz o ascensorista, de nome Edílson.

O porteiro, também há mais de duas décadas no edifício, confirma: “Na 402 ficava um consultório, mas, há muito tempo, eu já nem me lembro. Depois, veio uma mineração e, agora, uma empresa de navegação”.

Entre dezembro de 2001 e janeiro de 2003, ainda segundo o site do INSS, o endereço da Prev Saúde passou a ser a travessa S. Pedro, 566, apartamento 14.

Mas, no edifício Carajás (o número 566 da S. Pedro) não existe apartamento 14.

“A Prev Saúde ficava na sala 1005” - corrige um porteiro. “Mas, há quatro ou cinco anos que ela se mudou”.

Segundo ele, no escritório havia, apenas, quatro ou cinco funcionários.

E quem comandava a empresa era “esse doutor que até é ministro da Saúde”.

A reportagem pergunta se o nome do doutor era Fernando Dourado. O porteiro confirma: “era, sim”.

Em 2003, o Hospital de Clínicas Gaspar Viana abriu licitação milionária para a contratação de serviços de limpeza, 24 horas por dia.

E foi também naquele ano, em janeiro, ainda conforme o site do INSS, que a Prev Saúde passou a ocupar seu mais recente endereço: a D. Romualdo de Seixas, 1954, entre Governador J. Malcher e João Balbi.

Infinitamente maior e mais chamativo que os anteriores.

E com tão boa saúde financeira, que, conforme a Jucepa, já abriu duas filiais: a primeira, em março do ano passado, na Roberto Camelier, 1151; a segunda, em maio deste ano, na rodovia BR-316, Km 02.

No site www.prevsaudenet.com.br, aliás, é possível constatar a sua versatilidade.

A empresa faz de tudo um pouco, desde limpeza e higienização a exames e home care - internação e atendimento médico domiciliar.

E, é claro, atende os segurados do PAS - o plano de saúde dos servidores públicos do Governo do Estado.

sábado, 12 de agosto de 2006

12 de agosto de 2006

A defenestração do Barão



_Comadre, the game is over!

(Ó, céus! Que mal eu fiz a Deus? Por que é que eu tenho de aturar a doida dessa correspondente sempre às 3 da manhã? Deve me achar com cara de plantonista do PSM. Só pode...)

_Diz lá, animal!...
_Você tava dormindo é, comadre?
_ Não...Tava me arrumando pra me atirar do Manoel Pinto da Silva...
_Tá querendo se ‘matá’, comadre?!!!
_Não... Tô querendo testar a Lei da Gravidade...
_Hum, hum...
_Fala logo, mulher!
_Agora, me arreliei!...
_(Eu mereço, eu mereço...) Vamos lá...O que é que você quer, digníssima, excelsa e incomparável correspondente?
_Como diria o lorde Tirésias, eu ‘subi’ duma quentíssima. Diz que El Rey defenestrou o Barão. Pediu de volta a administração do Brejo, baniu o pobre e ainda vai tomar as terras do Duzinho.
_Égua! Mas o que foi que o Barão fez?
_Nadica. Só queria rezar, ué!
_Rezar? Como assim?
_ O ‘ômi’ rezava pra acabar o expediente, rezava pra ir pescar, rezava pra ir tocar violão. Aí, El Rey se aborreceu e passou-lhe a maior descompostura.
_Tadinho do Barão!...
_Huuuummmm! Tá ‘cum’ peninha do ‘ômi’, é?
_Hã, hã...cof, cof, cof...Mas sim, desembuche logo essa história!

A pérfida, serpentária e maligna correspondente tricota, enlouquecida, que tudo começou semanas antes da queda do Barão, no Condado de Paraperebas.


El Rey andava furioso com a crescente disputa entre Duzinho e o Príncipe Clean. Até porque Duzinho, liso que nem quiabo, vinha limpando, literalmente, os domínios de Clean.

_E o que é que eles estavam disputando?
_Pois não eram aqueles troços de limpeza? Os dois andavam pra se estapear, comadre! Até a rainha-mãe teve de entrar no circuito! O Duzinho e o Príncipe adoooooram uma limpeza, né, comadre? Não podem ver papel que vão logo metendo a mão!... “Arretiram” daqui, “arretiram” de acolá...Deve ser pra ver quem lava mais branco!...
_Mas não havia, também, um negócio de merenda?
_Pois não é? Nem lhe conto, comadre!...Os dois deixam vigilante do peso de cabelo em pé! Tão parrudos de tanto merendar, comadre! É pão, é mingau, é fruta: comem de tudo que é lado! Deve ser solitária; só pode...

_Mas não haviam repartido os condados?
_E o Duzinho liga lá pra isso?!!!
_Mas o Príncipe, convenhamos, também é espaçoso à beça...
_Mas o Príncipe tem pedigree, comadre!
_Ah, então, virou questão de pedigree?...
_Pois não é, comadre? Ponha o Tico e o Teco pra conjuminar: a ladroagem tem de ficar só em cima! Se não, vira socialismo, ué!...
_Ah, conjuminei! É tudo questão de “ordenamento peculatário”...
_Finalmente lhe caiu a ficha, né, comadre? Agora deixe eu lhe contar o resto!


E a fuxiqueira correspondente desata, novamente, a tricotar. O problema, diz ela, é que entre uma e outra pescaria o Barão nada de eliminar “as pragas do jardim”.

_ Mas que diabo de pragas são essas, já? O Barão é lá jardineiro, agora?
_Ó comadre, tô fazendo uma analogia, ué!
_(Ai, meu Jesus eterno!... Por que eu?)
_Pra você ver se entende: eu e a lady Atenágoras desenvolvemos uma teoria. Conjuminamos pra lá, conjuminamos pra cá...E chegamos à conclusão que o problema da Corte são as “pragas do jardim”. Ou seja, a fauna acompanhante de Sua Majestade Reverendíssima!...
_Sei...O jardim já até sumiu debaixo de erva daninha; a fauna faz o Marcola parecer menino pinguço, mas El Rey nem imagina, né?...
_É claro que não, comadre! O Homem é até um espírito de luz! Não persegue ninguém, adora uma crítica, vê sempre o lado bom das pessoas e nunca se irrita – parece até propaganda ambulante do Lexotan! É o próprio São Francisco de Assis: tudo que é pombo quer assentar no ombro dele!
_Quer dizer, então, que ele não sabe nada do Clean?
_Nadica!
_Nem do Duzinho?
_Menos ainda!
_É... deve ter andado em tour, com o INRI, pelo espaço sideral...
_Pois não é, comadre? E eu lhe digo mais: a culpa é do lorde Balloon.
_ Ué, por que já?
_Pois o lorde não fica toda hora com aquelas superproduções? É tudo grande, lindo, novo, bom. Aí, Sua Majestade Reverendíssima acredita, né?
_Sei...O Balloon é outro, então, que está com o pé no patíbulo...
_Pois não é, comadre? Diz que já tá no freezer de Sua Majestade!...
_É, “cumadizinha”, você me deu uma grande idéia, agora...
_Hem?
_Vou empresariar você e a lady Atenágoras. Vou pegar essa teoria de vocês e vender lá em Brasília. Com esse negócio dos sanguessugas, vai faltar copywriter...

12 de agosto de 2006

Só Chamei Porque Te Amo!



Não é Natal
Nem Ano Bom
Nenhum sinal no céu
Nenhum Armagedom
Nenhuma data especial
Nenhum ET brincando aqui no meu quintal

Nada de mais, nada de mal
Ninguém comigo além da solidão
Nem mesmo um verso original
Pra te dizer e começar uma canção

Só chamei porque te amo
Só chamei porque é grande a paixão
Só chamei porque te amo
Lá bem fundo, fundo do meu coração

Nem carnaval
Nem São João
Nenhum balão no céu
Nem luar do sertão
Nenhuma foto no jornal
Nenhuma nota na coluna social

Nenhuma múmia se mexeu
Nenhum milagre da ciência aconteceu
Nenhum motivo, nem razão
Quando a saudade vem não tem explicação

(I just called to say I love you
I just called to say how much I care
I just called to say I love you
And I mean it from the bottom of my heart )

Só chamei porque te amo
Só chamei porque é grande a paixão
Só chamei porque te amo
Lá bem fundo, fundo do meu coração!


(Stevie Wonder-Versão Gilberto Gil)

domingo, 6 de agosto de 2006

06 de agosto de 2006


O Midas da Moralidade



O PSDB paraense parece acreditar que é uma espécie de Midas da Moralidade: tudo o que toca se transforma em profundamente ético, mesmo que, em mãos alheias, não passasse de deslavada rapinagem do erário.

Tudo é lícito a esse guardião da moral e dos bons costumes. Vejam-se, por exemplo, os contratos do sobrinho de Jatene, o empresário Eduardo Salles, com o Governo do Estado.

Se cometidos por outrem, seriam crime, corrupção. Mas, nas mãos do PSDB, adquirem a leveza da “extravagância” de um gafanhoto menor.

Da mesma forma, o nepotismo, em escala espantosa.

Em outrem, certamente, seria apontado como associação criminosa, verdadeiro “condomínio de contra-cheques”, como definiu um advogado, para o enriquecimento familiar.

Mas, quando praticado pelos tucanos, torna-se, quando muito, um “deslize” moral, facilmente sanável pelo nepotismo cruzado, bem mais discreto ao olhar público.

Na mesma linha de raciocínio, o uso patrimonialista do Estado, à exaustão – diriam as meninas-moças paraenses – configuraria prova insofismável da falta de compromisso com o bem-comum; da apropriação indevida da coisa pública “por um punhado de famílias”, contra os interesses do povo do Pará.

Até porque, os mandatários tucanos são, como todos sabemos, desprendidos servidores públicos. Seus luminares nada amealham, senão pela causa de um “Novo Pará”...

O PSDB paraense virou, assim, a reencarnação de Pompéia, que, apesar dos muitos Clódios a circular, livremente, por seus aposentos, ainda é capaz das mais enternecedoras juras de honestidade...

A dimensão do rombo


Qual o tamanho do rombo causado aos cofres públicos, pela sucessão de escândalos, amplamente divulgada pela imprensa, como o caso Cerpasa, no qual desapareceram R$ 47 milhões em dívidas fiscais?

Ou, ainda, pelo superfaturamento da Estação das Docas, também denunciado pela imprensa e sob investigação da Justiça Federal?

Ou, pelos contratos irregulares, porque driblando a Lei das Licitações, a beneficiar empresas suspeitas, como é o caso da KM Empreendimentos, enrolada no escândalo dos Sanguessugas, além de empreendimentos pertencentes a familiares da Majestade?

E tudo, nunca é demais lembrar, com dinheiro de estradas, de escolas, de hospitais.

No entanto, apesar de vivermos, presumivelmente, num Estado democrático de direitos, os cidadãos paraenses jamais conseguiremos dimensionar esse estrago.

Porque o Midas da Moralidade é, também, um senhor implacável, a cercear a crítica, a perseguir adversários até a quarta geração – além, é claro, de salgar o terreno em que eventualmente proliferem - e a matar, no nascedouro, qualquer possibilidade de investigação.

Há casos exemplares dessa arrogância messiânica do tucanato paraense; dessa postura “coronelística” e nociva ao livre funcionamento das instituições, que corporificam as bases da sociedade democrática.

Na Assembléia Legislativa, em 12 anos, as oposições não conseguiram aprovar ou fazer funcionar uma única CPI – essa enorme lupa que nós, cidadãos, consagramos nas leis, justamente para evitar o mau uso do nosso suado dinheirinho.

E agora, após a aprovação da Emenda da Mordaça, que elevou, de 9 para 13, as assinaturas necessárias às CPI’s, as oposições nada poderão fazer, além de esbravejar na tribuna.

E sem esperança de que isso repercuta amplamente, uma vez que as vultosas verbas da propaganda oficial semeiam a complacência da maioria dos veículos de comunicação.

Veja-se, também, o exemplo do Ministério Público Estadual. Lá, disseram-me vários promotores, mata-se, pelo cansaço, quaisquer tentativas de investigação: simplesmente, inexiste estrutura, especialmente nas secções capitaneadas pelos integrantes mais combativos, que tentam, afinal, apenas realizar o trabalho para que são pagos.

E depois do caso Acenildo Botelho – ameaçado de expulsão das fileiras do MPE – o medo e o desânimo instalaram-se de vez naquela que, pela própria Constituição, deveria ser a cidadela inexpugnável da sociedade, na defesa da Lei e dos interesses coletivos.

Uma tragédia grega


Que é dos cidadãos sem a possibilidade de recurso ao Parlamento, ao Ministério Público, à Imprensa e ao Judiciário? Que é de uma sociedade na qual o Executivo incorpora, livremente, atributos da Divindade, qual a Onipotência?

A situação do cidadão paraense, após 12 anos de tucanato, assemelha-se, pois, à retratada na célebre tragédia de Sófocles: está sozinho, na defesa de suas convicções, das crenças que lhe são mais caras, contra o trator do Poder absoluto.

Talvez, aliás, mais que a tragédia grega, seja a fábula, de Esopo ou de La Fontaine, não estou lembrada (já bebi muito), a retratar tal situação: não importam quais sejam os argumentos; a irrefutável lógica apresentada. Ao fim e ao cabo, será a força a prevalecer.

Necessário, então, reconhecer que, no Pará, trincou-se um elemento essencial, ao Estado democrático de direitos: o controle interpoderes.

E a pergunta que se impõe é: como nós, cidadãos, permitimos chegar-se a essa situação e o que a justifica?

Não terá a História já nos ensinado o suficiente sobre o efeito nefasto – até sobre o mandatário – dessa condição de intocabilidade?

Dessa plenipotência - e decorrente certeza de impunidade - permitida a cidadãos que mais não deveriam ser que gerentes da res publica, com ação balizada pelos estritos limites legais e pelo interesse societário?

Porém, o mais incrível é que tais posturas vão na contramão de todos os supostos da social-democracia.

Porque impossível imaginar sociedades fortes, educadas, politizadas, a vicejar em terreno autoritário, especialmente, num estado onde inexiste, massivamente, sequer o conhecimento do significado da Cidadania.

E impossível, por conseguinte, imaginar que sociedades assim construídas possam, de fato, assumir o controle do Estado, para que esteja, em verdade, a serviço de todos, a promover a justa partição da riqueza socialmente gerada.

Infelizmente, forçoso é admitir que o PSDB – e o paraense, especialmente – padece de um erro genético: assumiu, demasiado cedo, o poder.

Não teve tempo de construir uma fisionomia e um corpo teórico coerente, a partir de um exaustivo debate acerca da necessidade democrática, em contraponto à ditadura ou democracia proletária - como se prefira chamar a hipótese leninista. Mítica e segmentada, qual a democracia/ditadura burguesa.

Seguiu quem lhe parecia “portar a luz”. Fez-se, então, à imagem e semelhança do que pretendia combater – e talvez, até, um pouco pior. Incorporou o fisiologismo, o assistencialismo, o messianismo, o personalismo e tudo o que de pior a política já produziu.

E, a coroar tudo isso, também “reiluminou” (tá certo?) o despotismo, cujo combate, em sociedades frágeis e empobrecidas, consome, necessariamente, gerações.

Uma pena, especialmente, quando se tem em mente os intelectuais que o PSDB possui.

Que, até pela condição de intelectuais, deveriam possuir um pouco mais de humildade. Não apenas diante do conhecimento. Mas, sobretudo, das capacidades societárias que imaginam compreender.

Ou, em analogia ao finado Mário Covas: que venham os ovos. Passaremos, corajosamente, entre eles. Mas, não é por isso, que deixaremos de defender, intransigentemente, a necessidade de existência deles. E, principalmente, de quem os atirou.

sábado, 5 de agosto de 2006

Xeque two!

Macunaíma

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação

Portela apresenta
Portela apresenta do folclore tradições
Milagres do sertão à mata virgem
Assombrada com mil tentações
Cy, a rainha mãe do mato
Macunaíma fascinou
E ao luar se fez poema
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou

Macunaíma indio, branco, catimbeiro
Negro, sonso, feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó

Cy em forma de estrela
A Macunaíma dá
Um talismã que ele perde e sai a vagar
Canta o uirapuru e encanta
Liberta a magoa do seu triste coração
Negrinho do pastoreio foi a sua salvação
E derrotando o gigante
Era o marques Piaimã
Macunaíma volta com a muiraquitã
Marupiara na luta e no amor
Quando sua pedra para sempre o monstro levou
O nosso herói assim cantou

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação
(Composição: David Correa/Norival Reis


(Égua do movimento besta! Não concordas?)