Política é jogo.
E não existe empate: ou você ganha ou perde.
Simples assim.
Durante anos, o grupo do Paulo Rocha foi a maior expressão do PT do Pará.
E quero deixar claro que não sou petista, mas sou eleitora, há anos, do Paulo Rocha.
Voto nele, para qualquer cargo que ele se candidatar.
Mas a verdade é que o grupo do Paulo Rocha jogou muito mal.
Daí ter perdido o controle do PT paraense para o grupo do Beto Faro.
O MDB e os Barbalhos têm culpa nisso?
Penso que não.
O MDB e os Barbalhos apenas fizeram o que tinham de fazer: jogaram.
Eles viram um PT fracionado e escolheram negociar apoios com aquele grupo que lhes parecia mais interessante politicamente.
E se arrancarmos a máscara da hipocrisia, admitiremos que o PT também teria feito a mesmíssima coisa, se visse os Barbalhos e o MDB fracionados.
Tudo o que disse acima, vale, também, para a última eleição à Prefeitura de Belém.
O MDB e os Barbalhos viram um Edmilson enfraquecido, metendo os pés pelas mãos e cada vez mais incapaz de se reeleger.
Então, buscaram alianças mais interessantes do ponto de vista deles.
Em suma: jogaram e venceram.
Política não é Santa Casa de Misericórdia, nem quermesse de igreja.
E embora utilizemos muitos arquétipos, não é uma terra mítica de anjos e demônios.
Se queremos colocar em prática nossos projetos de Sociedade, nós humanos, humanamente angelicais e demoníacos, temos de conquistar poder.
E como é que conseguiremos isso sem afagar os aliados mais interessantes, do nosso ponto de vista, e “ganhar”, como ônus, adversários, ou até inimigos?
Quem é que consegue não contrariar interesses, no grande jogo de poder que jogamos todos os dias, da infância à velhice, na Política, na família e em todas as esferas humanas?
Penso que o PT paraense precisa fazer uma bela autocrítica, a fim de se reorganizar e reconstruir as suas bases populares.
Mas não conseguirá isso sem antes tirar os espantalhos da sala.
Porque é muito cômodo, mas também terrivelmente prejudicial para nós mesmos, colocar a culpa das nossas derrotas nos “satanazes” da ocasião, em vez de reconhecermos a nossa responsabilidade, por ações e omissões.
No entanto, o que temos visto é boa parte do PT e das esquerdas a eleger os Barbalhos como os grandes “dragões da maldade” da política paraense.
É um clássico sociológico: retira-se do adversário quaisquer traços de Humanidade, para que possamos reconstruí-lo, subjetivamente, como um monstro, um demônio, um não-humano.
Assim, podemos nos regozijar enquanto o sacrificamos no altar que expiará as nossas culpas, aplacará a ira divina e reconstituirá a terra sem males, que persiste em nossos sonhos…
O angustiante é que essa visão mitológica da Política e das relações humanas como um todo afeta não “apenas” a reconstrução do PT, uma força essencial à luta dos trabalhadores paraenses.
Está afetando, sobretudo, a luta contra o nazifascismo, no momento em que travamos uma batalha crucial pela Democracia, e até pelo pouco de autonomia que este país possui.
Vejo gente de esquerda declarando que não votará nem no Helder, nem no Chicão, nem na Hana.
Gente de esquerda, com décadas de política, que quer se omitir, em um momento dramático como esse.
Como se as suas “santas maõzinhas” valessem mais do que o futuro de todo o povo brasileiro.
Leio longas postagens, citando tudo que é clássico da Sociologia, para justificar a covardia, a egolatria, a hipocrisia dos que se julgam os “mais santos dentre os santos”.
A inação, o “em cima do muro”, diante do perigo de que o Pará eleja um bolsonarista, para o Governo, e essa peste do Peruquinha, para 8 anos de Senado Federal.
Vocês beberam?
Desde quando derrotas partidárias ou ressentimentos são mais importantes do que impedir essa desgraça?
Desde quando podemos ao menos cogitar entregar o Pará nas mãos de um bolsonarista, e um mandato senatorial nas mãos do Peruquinha?
Vocês têm noção do mal que isso pode causar ao Pará, ao Lula e à luta contra o nazifascismo?
Oito anos! Oito intermináveis anos desse sujeito no Senado Federal!
Dia sim, dia não esse sujeito já comete tudo que é infâmia na Câmara dos Deputados.
Agora, imaginem o que essa praga fará no Senado.
Ele é melhor do que o Helder ou o Chicão?
O Helder e o Chicão são fascistas?
Sério que vocês estão confundindo direita ou até centro-esquerda com fascismo?
Como já disse: fato é fato.
E discursos, belas palavras não têm o condão de apagá-lo.
A candidata das forças democráticas é a Hana.
E temos de dar tudo de nós para elegê-la, goste-se ou não dela e dos Barbalhos.
Porque gostar não é chamado para a política, não entra nessa esfera.
A gente gosta é de marido, namorado, amante, amigo, familiar, vizinho, colega de trabalho.
Em Política, a gente se ALIA, sem importar se a gente ama ou odeia.
Porque em Política o que importa é conquista de poder, para um projeto coletivo de Sociedade.
Quanto ao Senado, temos três candidatos: Helder, Chicão e Sabino.
E precisamos votar nos dois que tiverem mais chances de se eleger.
Não tem desculpa para votar só em um.
Não tem desculpa para se omitir e, por omissão, colaborar com a vitória desse fascista do Peruquinha.
Vocês não são massa: são lideranças!
Portanto, não têm direito à falta de informação, de discernimento, de pensamento crítico.
E muito menos a escolhas baseadas apenas em ressentimentos, em vez de baseadas nos interesses coletivos.
Lideranças políticas não têm o direito de votar nem com o fígado, nem com o coração.
Ou marchamos unidos, na mesma direção, como um só corpo, ou estaremos ajudando a jogar no lixo as poucas vitórias que obtivemos, nestes quatro anos de reconquista democrática.
Cada um de vocês que escolha o caminho que tomará.
Mas depois não me venham com desculpas esfarrapadas, para tentar justificar o injustificável.
FUUUIIII!!!!
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