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segunda-feira, 15 de março de 2010

Erro de Condução


Ex-chefe da Casa Civil, Charles Alcântara vê graves “erros de condução” nas negociações do Governo com a Assembléia Legislativa, em torno do empréstimo de R$366 milhões do BNDES.


Mas não só.

“Outro problema é que o Governo conferiu a esse empréstimo uma relevância que ele não tem”, observa Charles, ao lembrar que esses R$ 366 milhões não equivalem a um mês de arrecadação de ICMS pela Secretaria da Fazenda (Sefa).

“O Governo trata esse empréstimo como se fosse a salvação da pátria – e não é. E, ao agir assim, acaba confessando uma falência. É claro que o empréstimo é importante. Mas, o Pará não vai acabar por causa disso”.

A seu ver, “o governo errou o tiro”, já que a valorização extrema do empréstimo acabou por desagradar gregos e troianos – quer dizer, tanto a oposição quanto a base aliada.

“A governadora, inclusive, foi apocalíptica ao anunciar que a Santa Casa poderia fechar as portas por causa desse empréstimo. E os ataques gratuitos desferidos contra a Assembléia Legislativa, por ela e pelo ex-chefe da Casa Civil (Cláudio Puty), só acirram os ânimos”, comenta.

Na sua opinião, falta não apenas jogo de cintura ao governo – mas até uma leitura política mais acertada da situação.

E explica: mesmo que o governo enviasse à AL uma planilha muito bem elaborada acerca da destinação desse dinheiro, ainda assim o empréstimo não seria aprovado.

Isso por um motivo que, de tão óbvio, chega a ser singelo: o problema não é técnico, mas, político.

“O problema é a fragmentação da base aliada”, diz Charles.


Daí que para ele a aprovação ou não do empréstimo só “desnuda, revela” em que pé está a relação do governo com os seus aliados.

E acentua: “A Ana acredita – e esse pessoal a convenceu disso – que a melhor maneira de aprovar o empréstimo é colocar a opinião pública contra a Assembléia Legislativa. Só que a Ana está sem capital político, e o governo, mal avaliado, tem problemas de capital social. Talvez, se fosse o oposto, houvesse chance de as pessoas ficarem ao lado dela”.

Charles lembra a “truculência” com que movimentos sociais vêm sendo tratados pelo governo.

Cita como exemplo a recente greve do Detran, na qual vários grevistas (muitos deles ligados ao PT) apanharam da polícia, e o tratamento recebido por sindicalistas da SEMA, que, segundo ele, chegaram a ser intimados pela DIOE em inquérito por formação de quadrilha.

Na sua opinião, o que existe é muita “trapalhada” e “presunção” do governo ao imaginar que, apesar de tantos problemas, ainda levará a população a pressionar os deputados pela liberação desses R$ 366 milhões.

Aliás, ele duvida que a fórmula dê certo até em relação aos prefeitos. E explica:

_Em partidos como o PMDB, PTB, PR não há quase diretórios nos municípios, mas, comissões provisórias, que estão, na verdade, nas mãos do presidente do partido, que, quando quer, tira a legenda. Aí, o PT chega e diz ao prefeito que pressione o deputado. Só que o prefeito recebe uma ligação dizendo: você não comanda mais o partido no município”.

Charles também vê como quase certa a composição de uma aliança PMDB/PTB/PR em torno de Jader Barbalho e diz ter sentido a aproximação desses partidos “na articulação do posicionamento das bancadas”, quando esteve, recentemente, na AL.

“Hoje, isso não é mais uma suposição, mera especulação. Há evidências disso para os observadores políticos atentos”, comenta.

Acredita que tal aliança, se concretizada, dificultará em muito a situação de Ana Júlia Carepa.

“A candidatura de Jader é muito competitiva, seja pelo político que é, seja pela capilaridade que possui – uma base de prefeitos e deputados, que também incha com o blocão. Ele tem, também, veículos de comunicação competitivos no estado e relações com o governo federal, o que neutraliza o Lula e a Dilma na disputa”, analisa.

Charles afirma, porém, que a militância petista sairá, sim, às ruas, em defesa da candidatura de Ana Júlia Carepa – ainda que não seja com a mesma empolgação de 2006.

Pensa, no entanto, que o resultado da próxima eleição – se o segundo turno for, de fato, entre Jader e Ana Júlia – é simplesmente imprevisível.

“É uma eleição que será decidida voto a voto”, prevê.

4 comentários:

Anônimo disse...

só faltou o príncipe charles dizer que o voto dele é do Barbalhão. Em pouco tempo esse rapaz vai ser esquecido.

Anônimo disse...

Querida, O Jáder sabe que no senado não corre o risco. Lá ele disputa uma das duas vagas, mas para o governo é uma e uma. Entre um governo de um estado pobre industrialemente e competitivo e ser senador. só um maluco não vê 8 anos, com credencial para viajar e flanar pelo mundo. E, isso sem a dor de cabeça. Ainda tendo pela frente um senado sem o seu arqui-inimigo ACM. Ele sabe, ele pensa. Jáder lá! Helder cá e Prinate muito cá. PMDB sairá fortalecido se o Jáder souber fazer a "mexida" no tabuleiro, sem correr com o risco dos humores de um eleitor. Mesmo porque, este eleitor só vai se interessar pelas eleições após a copa do mundo ou após uma possível eliminação da seleção brasileira na África do Sul. Dependendo dessa copa virá o humos do eleitor. E, isso só para o mês de agosto. Estando Ana com a máquina. Em 60 dias muita água vai rolar. Quem é bom entendedor sabe que as eleições(ou melhor a campanha) só vão acontecer após a copa e as férias de julho. Quando agosto vier com a sua lua mais linda: A LUA AZUL.

sílvia sales disse...

Muito pertinente e lúcida a análise do Charles.
Ana, um grande abraço. O blog tá ótimo, mas a Perereca fica pra história e pra gente, que já riu muito, se divertir com as lembranças.

sílvia sales

Val-André Mutran disse...

Concordo com a Silvia. A análise do Charles é precisa, porém, dolorosa para os inquilinos.