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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O PSDB e seu Versalhes imaginário



O PSDB precisa de um banho de povo. Mas o problema é se há tempo para isso até outubro.

Há uns meses, os tucanos andavam embriagados pelo clima de “já ganhou” de José Serra.

A dura realidade das pesquisas mostrou, porém, a possibilidade de um novo naufrágio.

Daí, talvez, a hesitação de Serra em dar o pontapé na campanha presidencial: o inesperado crescimento de Dilma (inesperado apenas para os tucanos) vai transformando a Presidência numa aventura, em tudo oposta à reeleição ao Governo de São Paulo.

Lembro que este blog já dizia, há alguns meses, que era muito cedo para fazer previsões quanto às eleições paraenses.

E um dos fatores de incerteza era justamente o desempenho de Dilma Rousseff.

Não se sabia se emplacaria – mas também não havia como afirmar o oposto, até pelas inegáveis qualidades dela, o peso da máquina e o fenômeno eleitoral chamado Luís Inácio Lula da Silva.

Com a arrogância de sempre, porém, os tucanos preferiram ignorar tudo isso.

Repetiam que Dilma não tinha chances porque era uma desconhecida e uma pesadíssima mala – como se o Serra não fosse também...

Hoje, o clima de “já ganhou” do tucanato vai dando lugar a uma enorme ressaca.

Faltou-lhe perceber que entrará em campo para enfrentar a máquina – e a máquina de um governo extremamente popular.

Os tucanos tiveram oito anos para descer o salto e não o fizeram.

Insistiram em apenas torcer o empinado nariz para o operário de parca instrução.

Não investiram na tradução popular de seu programa de governo.

Não tiveram a humildade de aprender com o luminoso comunicador que é Luís Inácio.

Não conseguiram nem mesmo carimbar os programas sociais que conceberam e dos quais os petistas acabaram por se apropriar.

Partido sem massa, sem povo, o PSDB não conseguiu cultivar nem mesmo um saudável orgulho em relação ao muito que fez pelo povo brasileiro.

Não conseguiu se livrar desse mau espírito, desse encosto de nobreza decadente.

Daí que não consiga acertar nem o mote da campanha: não sabe o que vender, nem como vender.

Bem vistas as coisas, o PSDB é um dos pais de Lula.

Ao manter-se encastelado em seu Versalhes imaginário; ao adotar como única estratégia a ridicularização do “operário-Jeca” do Palácio do Planalto; ao não se preocupar em traduzir em linguagem popular os males do aparelhamento e do gigantismo do Estado, o PSDB cavou um fosso cada vez mais profundo em relação aos “filhos do Brasil”.

Por isso a facilidade de Lula em se transformar em “guia” e “pai” de todos eles.

Em tal contexto, a candidatura de Serra é emblemática e problemática.


Emblemática porque representa o ideal tucano do governante iluminado, mesmo que a expressar-se em chinês.

Problemática porque o cenário exigiria alguém com a leveza e a juventude de um Aécio Neves.

Quem sabe nos próximos quatro anos os tucanos consigam compreender, afinal, que não é o povo que tem de vir ao partido.

Mas o partido é que tem de ir ao encontro do povo.

Um comentário:

ANDERSONNBELEM disse...

A guinada de Dilma na corrida para a Presidência da República deverá também alavancar a campanha de reeleição da governadora Ana Júlia. O Brasil e o Pará irá reviver a grande onda vermelha das últimas eleições!