quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tortura: Franciney passa mal e bafafá obriga à suspensão da audiência. No processo, três PMs e o delegado Roberto Teixeira, comandante da Polícia Metropolitana, são acusados de roubar e torturar o advogado. Depoimento de Franciney prosseguirá em 13 de junho, mas sem a presença dos réus.


Terminou num bafafá a audiência de instrução e julgamento realizada,  hoje de manhã, na 4 Vara Criminal de Belém, dentro do  processo 0004029-80.2010.814.0401, no qual o delegado Roberto Teixeira de Almeida, diretor de Polícia Metropolitana de Belém, e três PMs, entre eles o major Marcelo Chuvas Simonetti, comandante do 21 BPM de Martituba,  são acusados de roubar e torturar o advogado Franciney Goes Cardoso, na Seccional do Comércio, na madrugada de 22 de novembro de 1997.

Em meio à audiência, Franciney teria se alterado, gritado e, pouco depois,  passado mal. Com isso, ela teve de ser suspensa e só deverá prosseguir em 13 de junho.

Segundo o site do Tribunal de Justiça do Estado (Clique aqui para ler), Franciney  narrava o espancamento e tortura que teria sofrido nas mãos dos policiais, quando chamou os acusados de “bandidos”.

O advogado Arlindo Costa, da defesa do major Simonetti, protestou. Franciney teria, então,  se levantado, se virado para os advogados e os réus e afirmado: “Então, para que tudo (isso?). Porque não foi vocês (sic) que foram torturados, fui eu!”. 

Em seguida, bastante alterado, e “elevando o tom de voz”, conforme ainda o relato do TJE, Franciney deixou a sala, “continuou gritando com as pessoas que estavam no corredor da sala de audiências” e foi embora.

Passados alguns minutos, a mulher dele, a advogada Mareli Marvão, disse que Franciney não tinha condições de continuar depondo na presença dos réus.

A pedido do Ministério Público, o juiz substituto Flávio Sanchez Leão, que responde pela 4 Vara e presidia a audiência, determinou, então, que os acusados fossem retirados da sala, permanecendo apenas os advogados deles.

No entanto, pouco depois Mareli retornou à sala e informou que Franciney havia vomitado, estava passando mal e fora levado embora pelo pai dele.

Daí a decisão do juiz de suspender a audiência e retomá-la em 13 de junho, quando Franciney deverá continuar seu depoimento, mas sem a presença dos réus.

Além de Roberto Teixeira e do major  Marcelo Chuvas Simonetti, figuram como acusados no processo os PMs Ricardo da Silva Vaz Teixeira e Ricardo Nascimento da Trindade.

São vítimas, além de Franciney, os irmãos dele, Dener Francisco Góes Cardoso e Sandra Lúcia Góes Cardoso, e o psicólogo e advogado Marcelo Rodrigues Bastos.

Leia as reportagens e uma postagem sobre o caso.
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E aqui:



Advogado reafirma acusações de tortura. E diz que a queda na escada foi de cinco degraus.

No depoimento que começou a prestar hoje de manhã, Franciney reafirmou as acusações contra os réus.

Disse que, naquela madrugada de 22 de em novembro de 1997, recebeu um telefonema informando que, devido a uma confusão de trânsito, os irmãos dele, Dener e Sandra, haviam sido detidos e que, ao algemarem Dener, os PMs haviam “subtraído” um relógio de ouro que estava no pulso de Dener, mas que pertencia a ele, Franciney.

Franciney se dirigiu, então, à Seccional do Comércio e, quando lá chegou, se deparou com os três PMs na portaria. Ele procurou o delegado Roberto Teixeira e o encontrou nos degraus de uma escada (o prédio tem dois andares).

O advogado teria mostrado ao delegado a sua carteira da OAB, “questionando sobre o relógio de ouro que havia sido subtraído, solicitando que fosse feita uma revista dos militares que prenderam seu irmão”, contou ele hoje na audiência.

Mas Roberto Teixeira teria metido no bolso a carteira de Franciney e mandado que ele sentasse num canto da delegacia. O delegado também teria empurrado o advogado, fazendo com que ele se desequilibrasse na escada.

Franciney teria, então, segurado no braço do delegado, cobrando-lhe uma providência. Nesse momento, Roberto Teixeira teria dado um soco em Franciney, fazendo com que ele rolasse escada abaixo (cinco degraus).

O advogado teria tentado se levantar, para revidar, “mas vieram para cima do depoente os três militares réus, mais dois bate paus e o delegado Roberto e começaram a lhe bicudar com chutes, deixando o depoente todo quebrado”, diz a transcrição do depoimento de Franciney, no site do TJE.

Em seguida, o advogado teria sido jogado em uma cela e Roberto Teixeira lhe teria dito que a partir dali acabavam seus direitos. Na cela, Franciney teria sido novamente espancado, pelo delegado e os três PMs, e um deles, o PM Trindade, fazia questão, inclusive, de socá-lo diretamente no rosto.

O espancamento só teria cessado quando Franciney, chorando, se abraçou ao PM e pediu que ele parasse, porque tinha filhos para criar.

Foi nesse momento, ao lembrar o que teria passado naquela cela, que Franciney se alterou, chamando os policiais de “bandidos”, dando início ao bafafá que levou à suspensão da audiência.

A Perereca já tentou, mas ainda não conseguiu falar com o advogado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Deputado pede afastamento do delegado Roberto Teixeira e do major Chuvas Simonetti do comando da Polícia Metropolitana e do 21º BPM de Marituba. Caso ficou parado 12 anos no MPE. Ouvidoria da Segup cobra informações da Corregedoria. Advogado diz que laudo não prova tortura. Delegado teme carta branca para a violência policial em Belém.


 
O deputado estadual Carlos Bordalo (PT) apresentou requerimento, hoje, na Assembléia Legislativa pedindo o afastamento imediato do diretor de Polícia Metropolitana, delegado Roberto Teixeira de Almeida, e do comandante do 21º Batalhão da Polícia Militar, em Marituba, o major PM Marcelo Chuvas Simonetti.

Junto com mais dois PMs, eles são acusados de roubar e  torturar o advogado Franciney Goes Cardoso dentro da Seccional do Comércio, na madrugada de 22 de novembro de 1997.

O delegado e os três PMs são réus no processo 0004029-80.2010.814.0401, que tramita na 4ª Vara Criminal de Belém e tem audiência de instrução e julgamento marcada para amanhã, 15.

Além de Franciney, figuram como vítimas no processo os irmãos dele, Dener Francisco Góes Cardoso e Sandra Lúcia Góes Cardoso, e o psicólogo e advogado Marcelo Rodrigues Bastos.

Leia as reportagens e uma postagem sobre caso.
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Certeza de impunidade?

Bordalo justificou o pedido de afastamento do delegado e do major pela necessidade de preservar a investigação e, também, como forma de “preservar a integridade da instituição que representam”. 

“A denúncia que pesa sobre o delegado e os demais PMs é muito grave, primeiro porque envereda para a possibilidade da prática de tortura, crime que tem gênese nos porões da ditadura militar e que destroça a dignidade humana”, escreveu Bordalo.

Ele lembrou que a tortura, o terrorismo e o tráfico de drogas “são crimes equiparados aos crimes hediondos”.

E observou que, em setembro de 1989, o Brasil ratificou a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

A Lei 9.455, de 7 de abril de 1997, disse ele, estabelece como crime de tortura "constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental; submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo".

Tortura é crime inafiançável, não há possibilidade de anistia e a pena deve ser cumprida em regime fechado.

Bordalo lembrou que o delegado Roberto Teixeira é bacharel em Direito. Daí a presunção de que tivesse consciência do crime que, supostamente, praticou. 

“Assim, em sendo verdadeiras as acusações lançadas na denúncia (do MP), o que teria motivado o Delegado a cometer tais crimes? A certeza da impunidade? A segurança que o poder da sua força seria maior que o poder da força da Lei? Mas até que se prove o contrário, a dúvida deverá favorecer a sociedade e o afastamento das suas funções é medida que se impõe”, escreveu.

E acrescentou: “Nos dias atuais é natural que a expectativa da sociedade a respeito da conduta do administrador público se tenha tornado mais exigente, portanto a conduta dessas autoridades, ocupantes dos mais elevados postos da estrutura do Estado, servirá como exemplo a ser seguido pelos demais servidores públicos, sentirão estimulados por demonstrações e exemplos de seus superiores”.

Tal afastamento, ponderou, não prejudica o direito constitucional do delegado e do major à ampla defesa.


Caso parou no MP e Ouvidoria da Segup cobra explicações

Ontem, a Assessoria de Comunicação do Ministério Público Estadual confirmou que não foi na polícia, mas, no MP, que a denúncia realizada pelo advogado Franciney Goes Cardoso ficou parada durante 12 anos.

Em nota enviada ao blog, a Assessoria informou que o pedido de providências protocolado pelo advogado na Procuradoria Geral de Justiça foi distribuído, ainda em 27 de novembro de 1997, à 1ª Promotoria de Justiça do Juízo Singular.

No entanto, diz a nota, “em 2009, após doze anos, os autos foram encontrados na mesma promotoria de justiça”.

Por causa disso, a promotora de Justiça Regina Fátima Sadalla Silva Abbade responde à procedimento na Corregedoria do MPE.

A Assessoria não soube informar, no entanto, qual o motivo alegado pela promotora para que esse caso permanecesse tanto tempo nas mãos dela.

A nota também confirma que o promotor Franklin Lobato Prado agiu rapidamente: ele recebeu o procedimento em 2 de fevereiro de 2010 e ofereceu denúncia criminal contra os acusados no dia 26 daquele mesmo mês.

E diz que o processo foi encaminhado à Central de Distribuição do Tribunal de Justiça do Estado (TJE) em 4 de março de 2010 e, desde então, “o Ministério Público do Estado aguarda o encaminhamento por parte do Tribunal de Justiça do Estado para dar seguimento ao processo”.

Ontem, a Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública (Segup) abriu um protocolo (procedimento) para pedir informações às corregedorias das polícias civil e militar sobre as denúncias de Franciney.

A ouvidora Eliana Fonseca também conversou com o advogado e disse ao blog que não havia registro da denúncia na Ouvidoria porque o encaminhamento do caso foi realizado por Franciney através da OAB.


Abuso de poder

Ontem, o blog também conseguiu localizar o promotor aposentado Gessinaldo de Aragão Santana, que atuou no município de Tailândia na década de 1990 e que, segundo comentários anônimos postados no blog, teria testemunhado e denunciado violências físicas praticadas contra trabalhadores rurais pelo delegado Roberto Teixeira.

O promotor, no entanto, negou que tenha presenciado qualquer violência do delegado contra trabalhadores rurais.

Mas disse que denunciou Roberto Teixeira à Corregedoria de Polícia Civil por abuso de autoridade.

“Fiz uma representação contra ele, na época em que eu era promotor, porque ele não deixou que eu entrevistasse um preso de Justiça. Ele agiu com truculência, abuso de autoridade e não era nem delegado de Tailândia; estava apenas fazendo umas diligências na cidade. Foi grosseiro e contra a Lei e eu não podia nem encarar, porque ele estava com vários policiais, todos fortemente armados”, contou o promotor, que não soube dizer, porém, quais as providências adotadas pela Corregedoria.

Segundo Gessinaldo, na época o delegado havia se deslocado a Tailândia para cumprir uma ordem de “apreensão” de vários trabalhadores rurais, que estavam sendo trazidos para Belém. O promotor, no entanto, nada ouviu acerca de violência policial em tais prisões.


Lesão corporal?

Ontem, também, a Perereca conversou com mais dois militantes de direitos humanos, entre eles um advogado com larga atuação contra a tortura. Ambos disseram desconhecer violências praticadas por Roberto Teixeira, que, além de ter sido “muito rígido” como corregedor de polícia, teria sido “parceiro” das entidades que atuam nessa área.

“Ele sempre foi uma pessoa ligada à nossa área; era de oposição à banda antiga da polícia. Trabalhei durante anos no Conselho de Segurança Pública e nunca vi nada que desabonasse a conduta dele. Era dessas pessoas que a gente pedia para estar na polícia e que a gente até pedia para participar de operações”, disse o advogado.

Ele também comentou, a pedido do blog, o laudo apresentado pelo advogado Franciney Goes Cardoso, como prova de que teria sido torturado pelo delegado e pelos três PMs na Seccional do Comércio. 

Segundo o advogado, o laudo mostra, em tese, que Franciney levou um soco no rosto e chutes nos braços, além de ter sofrido escoriações e machucado as costas, ao cair no chão.

No entanto, lembrou o advogado, há complicações no caso, como a acusação de que Franciney estaria alcoolizado. Mas, sobretudo, o fato de o próprio Franciney admitir que caiu da escada. 

“O laudo prova que havia lesões no corpo dele, mas não que ele foi espancado, porque essas lesões também podem ter sido provocadas pela queda. Embora as escoriações nos braços tenham características de lesões de defesa (você coloca os braços à frente do corpo, para se proteger de uma pancada), elas também podem ter sido causadas pela queda”, observou.

Disse, também, que as acusações contra o delegado e os PMs “são um fato” e que, em dez anos de atividade, é possível que Teixeira tenha cometido “um excesso”, o que  “é parte do risco da atividade”, e que é preciso “avaliar isso pela conduta global”.

E observou: “A própria vítima disse que só não matou depois o delegado e os policiais porque tinha filhos para criar. Essa expressão, referida a uma autoridade, demonstra um caráter extremamente violento dessa pessoa. Quer dizer: dentro da minha índole tenho algo de violento, de agressão”.

Salienta, no entanto, que é preciso, sim, apurar muito bem todo esse episódio: “Se o juiz recebeu a denúncia, é porque tem de ser apurado. Nunca vi nele (Roberto) índole violenta, muito pelo contrário. Mas, em que pese o conceito que tenho dele, existe um fato e ele tem de responder”. 

O advogado também lembrou que a tortura tem um perfil bem definido e que, mesmo que tenha havido espancamento, dificilmente se poderá caracterizar esse crime como tortura.

“Em primeiro lugar, o delegado estava no ambiente de trabalho dele – ele não foi atrás daquela pessoa. Em segundo, há uma acusação de violência da parte do advogado. E, em 99% dos casos de tortura, as pessoas são vítimas. Além disso, a tortura é realizada com a finalidade de obter alguma coisa, uma prova, uma confissão, ou para obrigar a pessoa a deixar de fazer alguma coisa. Fora isso é lesão corporal”, explicou.

E arrematou: “Pode ser tortura, mas, provavelmente, é lesão corporal. Mesmo assim, é uma versão gravíssima que merece ser apurada, como, aliás, toda denúncia que envolve a vida e a integridade física”.


97 homicídios praticados por PMs

O blog também ouviu um delegado de polícia com quase 30 anos de carreira e muito bem conceituado, inclusive, entre ativistas de direitos humanos, mas que pediu para se identificar porque Roberto Teixeira seria “peixe” do secretário de Segurança, Luiz Fernandes.

Esse delegado acredita que o laudo do IML complica, sim, a situação de Roberto Teixeira, já que atesta ofensa à integridade física de Franciney. “A prova é material e testemunhal”, disse o delegado. “E esse advogado (Franciney) me parece ter as duas coisas”.

Acredita, porém, que o caso pode acabar realmente “desclassificado” para lesão corporal, crime que já prescreveu. 

Disse que nunca presenciou nenhuma violência praticada por Roberto Teixeira, mas que já escutou muitas críticas de colegas “principalmente pela má educação e arbitrariedades dele”. 

E considera preocupante que Teixeira tenha sido indicado para o comando da Polícia Metropolitana, apesar de acusado de um crime tão grave.

“Só no ano passado, os jornais locais publicaram 97 casos de homicídios praticados por policiais militares – eu fiz essa pesquisa. E, se a gente aprofundar isso no computador da polícia, deve ter havido muito mais. Se o Ministério Público examinasse os autos de resistência, acho que muita gente iria parar na cadeia. E é por isso que eu vejo a indicação dele (Roberto) com muita preocupação”, disse.

E acrescentou: “E se ele for condenado? Como se trata de um crime inafiançável, ele vai direto pra cadeia. E você já pensou nessa confusão, um diretor da Polícia Civil sendo preso? Além disso, a tortura ainda é um fato nas delegacias, não há como negar. E o que me deixa alarmado é a possibilidade de, ao governador fazer isso, os outros investigadores encararem isso como um prêmio ao Roberto e uma carta branca para a violência”.

O pedido de ajuda do mais atuante jornalista de nosso tempo em defesa da liberdade de imprensa: Lúcio Flávio Pinto



"Preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniqüidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime, passível de punição. Se o guardião da lei é conivente, temos que apelar para o samba no qual Chico Buarque grita: chame o ladrão, chame o ladrão". Quem quiser me ajudar pode depositar qualquer quantia na conta 22.108-2 da agência 3024-4 do Banco do Brasil, em nome do meu querido irmão Pedro Carlos de Faria Pinto”.

O pedido de ajuda é de Lúcio Flávio Pinto, o mais atuante jornalista de nosso tempo em defesa da liberdade de imprensa. 

Ajudar Lúcio é defender um direito que é nosso e que nos tentam negar, nesta terra sem lei: o direito à informação.

Roubei (no maior perobal...) o pedido de ajuda do Lúcio do blog de outro grande jornalista, o professor Manuel Dutra. Dê um pulo lá, que o Lúcio e o Dutra têm muito mais pra contar a você. 
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Uma Corrente de Cidadania contra um campo de concentração existente no estado do Pará.



A quem serve o silêncio da imprensa? À sociedade? Aos cidadãos? Aos que sofrem? Ou apenas e tão somente às violências que se cometem contra o nosso povo?
 
Que é de um povo, de um estado, de um país, sem liberdade de imprensa?

E desde quando o dinheiro dos cidadãos pode ser usado para amordaçar a imprensa, a ferir de morte o princípio constitucional da Publicidade?

O silêncio ensurdecedor da imprensa paraense em relação ao crime bárbaro cometido contra os pacientes do hospital de custódia do Complexo Penitenciário de Americano é algo que aterroriza e atordoa (leia a postagem anterior).

Aquele hospital é nada mais nada menos do que um campo de concentração, um campo de tortura.

Sim, tortura.

Porque aqueles doentes, entregues à própria sorte, sem acompanhamento médico, sem um tratamento adequado e até a receber remédios com a validade vencida – vejam só! – devem experimentar uma dor atroz. Tanto que alguns chegam até a se matar.

E como não recebem um tratamento adequado, nunca poderão deixar aquele inferno. São, talvez, os únicos presos em prisão perpétua do Brasil.

É por isso que este blog quer fazer um pedido aos leitores, das profundezas do coração desta blogueira: vamos formar uma grande corrente, uma Corrente de Cidadania, para obrigar o Governo do Estado a agir; para obrigar o desmonte daquele campo de concentração.

Ontem e hoje, enviei emails denunciando o fato à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, à rede Conecta de direitos humanos, às comissões de Direitos Humanos e de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, à Associação Brasileira de Psiquiatria, à Pastoral Carcerária, à Corregedoria do CNJ, à SDDH, à Comissão de Direitos Humanos da Alepa, à  Avaaz e à Comissão ou Departamento (não me lembro) de Direitos Humanos da ONU. 

O CNJ respondeu que encaminhou o caso ao Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e das Medidas Socioeducativas ( DMF), para análise e resposta.

A Avaaz, que realiza abaixo assinados mundo afora, ficou de encaminhá-lo, como sugestão, apesar da agenda apertada, à equipe responsável pelas campanhas da entidade.

Mas é preciso que você, leitor, também se mobilize: pegue a cópia desse relatório de inspeção (o link está no blog e creio que também no site do MPF) e encaminhe esse documento para todas as pessoas, entidades e autoridades que você conheça.

Não precisa citar a Perereca, não: encaminhe o documento. E peça que essas pessoas, entidades e autoridades ajudem como puderem a pressionar o Governo do Estado a fazer cessar tamanha brutalidade.

É preciso romper a muralha de silêncio erguida pelos milhões da propaganda em torno desse crime.

Mas só vamos conseguir isso juntos – você e eu; os cidadãos, a sociedade.

Você, leitor, é fundamental nessa batalha contra aquele horror.

Doe dez minutos de seu tempo, para informar, por email, todas as pessoas que você conhece.

Seja a voz daqueles cidadãos que não têm como reivindicar o direito a um tratamento digno, humano.

Sei que nem deveria agir assim, já que sou jornalista. Mas não vou me omitir simplesmente por causa de uma profissão.

Nenhum de nós pode se omitir, leitor. Nenhum de nós.

É isso aí.