segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Câmara dos Deputados: os campeões do voto




Na Câmara dos Deputados, a relação candidato/vaga cresceu menos: de 5,6 em 1994, para 7,9 neste ano.
Mesmo assim, é visível a subida da quantidade de votos necessária à conquista de um mandato.
Em 1994, Elcione Barbalho foi a campeã de votos à Câmara dos Deputados: 153.860.
Tal quantitativo representou 14,71% dos votos válidos – o que fez de Elcione, talvez, a mais bem votada deputada federal paraense das duas últimas décadas, em termos proporcionais.
Só para se ter idéia da enormidade que isso significava: nenhum dos outros 16 deputados federais eleitos naquele ano conseguiu alcançar, ao menos, 50 mil votos.
Agora, no entanto, Elcione cravou 209.635 – mas isso representou apenas 6,12% dos votos válidos.
Mesmo os 344.018 obtidos por Jader Barbalho, à Câmara, em 2002, representaram 12,92%.
Na outra ponta, cresceu também a votação dos “fonas”: em 2002 e 2006, o “lanterninha” Asdrubal Bentes (PMDB) conseguiu se eleger deputado federal com pouco mais de 42 mil votos.
Agora em 2010, o menos votado, o tucano Wandenkolk Gonçalves, obteve 68.547, e o petista Carlos Martins, com mais de 103.640, não conseguiu se eleger devido ao quociente eleitoral.
Em 2002, apenas quatro dos 17 deputados federais foram eleitos com mais de 100 mil votos: Jader, Wlad, Paulo Rocha e Anivaldo Vale.
Em 2006, dez dos federais eleitos superaram essa marca.
Neste ano, apenas três candidatos conseguiram se eleger com menos de 100 mil à Câmara dos Deputados: além de Wandenkolk, Asdrubal Bentes e Giovanni Queiroz.
Mas Giovanni e Asdrubal cresceram e muito: o primeiro saltou de 52.860 para 93.461 votos entre 2006 e este ano; e o segundo, de 42.738 para 87.681 no mesmo período.
Um caminho inverso ao de Wandelkok que, em 2006, cravou 94.879.
Aliás, dos 12 federais que conseguiram se reeleger, apenas Wandenkolk andou na contramão.
Veja o resultado das eleições à Câmara:
Em 1994, 1998, 2002, 2006 e 20102010, 2006, 2002, 1998 e 1994:











quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tiririca, o aborto, a TFP e os grupos de pressão



 É engraçado isso.



As pessoas se indignam tanto com a eleição do Tiririca, que não passa de um palhaço, como tantos outros que existem na política, no Brasil e no mundo.


Um sujeito que é, na realidade, uma vítima: Tiririca é apenas meio cidadão, já que pode votar, mas não pode ser votado, devido à incompetência do Estado, no combate ao analfabetismo. 


E faz-se enorme campanha para cassar o mandato de Tiririca, como se isso fosse uma questão fundamental para o Brasil.


Mas nada se diz – rigorosamente nada! – em relação ao avanço assustador desses grupos de pressão, como a TFP, que parecem querer reconduzir o Brasil à época das fogueiras medievais.


Quem é de fato vergonhoso e perigoso para o Brasil: o palhaço Tiririca ou esses grupos de pressão?


Quem é, afinal, que representa um obstáculo a que possamos salvar as vidas de milhares de mulheres pobres, e em geral negras, que vão continuar morrendo em decorrência de abortos clandestinos?


Quem é que tenta até mesmo impedir que pessoas do mesmo sexo possam amar e casar com pessoas do mesmo sexo, como se isso trouxesse algum prejuízo a alguém?


Quem é que tenta impedir o avanço da reforma agrária, que pode beneficiar milhões de brasileiros, que estão aí, aprisionados na miséria, a morrer de fome?


Quem é que defende a propriedade privada como um direito intocável, como se os empresários não devessem rigorosamente nada à sociedade da qual fazem parte?


Quem é que tenta impedir até mesmo a regulamentação profissional das prostitutas – às quais esses hipócritas devem, sim, ter recorrido alguma vez na vida – como se essas mulheres não tivessem direito a uma proteção mínima por parte do Estado?


Quem é que se insurge até mesmo contra o controle social sobre as forças policiais, como se no combate à criminalidade todos os meios – até mesmo o espancamento e o assassinato de pessoas acusadas de crimes – pudessem ser considerados lícitos?


Quem é, afinal, perigoso para o Brasil e para a própria Democracia: o Tiririca ou esses grupos de pressão?


Sinceramente que fico enojada com a hipocrisia de certas pessoas, e até com o uso que se está a fazer dessa questão do aborto, para torpedear a candidatura de Dilma Rousseff.


Há limites para a caça ao voto – têm de haver limites.


Têm de haver princípios, compromissos claros e inarredáveis com aquilo que temos por ideal.


Se somos a favor da Democracia, se somos a favor dos direitos civis, não podemos ficar simplesmente rifando tudo isso por causa de meia dúzia de pessoas que parecem submetidas em vida a um processo de mumificação.


E como é que ficam os votos de pessoas que, como eu, são favoráveis ao aborto?


E como é que ficam os votos das famílias das mulheres que morreram em decorrência de um aborto clandestino?


E como é que ficam os votos dos negros, das prostitutas, dos homossexuais, dos índios, dos agricultores sem terra?


Acaso o nosso voto vale menos do que o voto dessa gente da TFP&congregados?


Ou será que imaginam que vão capturar o nosso voto, apesar de prometerem tudo ao contrário do que a gente acredita?


O Serra e a Dilma querem o meu voto? Tá bem.


Pois eu voto naquele que prometer que vai lutar pela legalização do aborto, ou que ao menos vai tratá-lo como a questão de saúde pública que efetivamente é.


Voto naquele que se comprometer a lutar pelo casamento entre homossexuais e até pela possibilidade de os casais de homossexuais terem, sim, filhos adotivos.


Voto naquele que me garantir que vai avançar com a reforma agrária, que vai lutar pela regulamentação profissional das prostitutas, que vai ajudar a apertar o controle social sobre a polícia.


Voto naquele que vai exigir dos empresários, sim, cada vez maior responsabilidade em relação à sociedade que fez deles aquilo que são.


Se nem  Serra  nem Dilma me garantir isso, anulo o meu voto.


E eles que fiquem com o voto da TFP.


Porque, ao fim e ao cabo, ambos valerão menos – e muito menos – do que qualquer Tiririca.


FUUUIIIII!!!!!

Derrotado em 1º turno só vira o jogo em 30% dos casos. E se a diferença for menor que 10%





No blog do jornalista Fernando Rodrigues, uma informação interessantíssima: só 20 candidatos que perderam a disputa ao Governo no primeiro turno, conseguiram vencer no segundo. E foram 70 os segundos turnos eleitorais, nos Estados e Distrito Federal, desde a década de 90, quando a regra passou a viger. E mais: só em quatro "viradas" a diferença, no primeiro turno, superou os 10%.

“Chavão da vez: ‘2° turno é uma nova eleição’. Não é o que mostram os resultados das últimas eleições: quem perdeu a 1ª etapa raramente ganha a 2ª”, escreve Rodrigues, que mata a cobra e mostra o pau – no caso, as tabelinhas de um alentado levantamento das eleições estaduais e presidenciais.

No caso dos pleitos estaduais, "virada" de derrotado em primeiro turno só em 28,6% do total.

Além disso, os quadros apresentados por Rodrigues só registram quatro viradas, entre essas vinte, em que o candidato perdera no primeiro turno por mais de 10%.


São eles: Luiz Fleury, que derrotou Paulo Maluf, em 1990, apesar da diferença de 12,1% do primeiro turno (a única virada com essa característica, entre as cinco daquele ano, que teve 16 segundos turnos); Paulo Afonso, que derrotou Ângela Alckmin, em Santa Catarina, em 1994, apesar de ter perdido o primeiro turno por 11,9%; e Eduardo Azeredo que, também em 1994, foi eleito governador de Minas Gerais, apesar de ter ficado 21,1% atrás de Hélio Costa (em 1994, foram 17 segundos turnos e 5 viradas. Mas apenas nesses dois casos a diferença era maior que 10%).

E mais, assinala Rodrigues: nessa espantosa virada de Azeredo, a única com diferença tão expressiva, dois fatores poderosos jogaram a favor do tucano: a aprovação popular do Plano Real e a urucubaca de Hélio Costa, um contumaz perdedor...

A quarta virada com diferença superior a 10% ocorreu em 2006, no Maranhão, quando Jackson Lago derrotou Roseana Sarney, apesar de ter ficado 12,9% atrás dela no primeiro turno (naquele ano, foram 10 segundos turnos, três viradas e apenas a de Jackson Lago em tais condições).

No caso do Pará, nunca houve virada com diferença tão grande quanto os 12,87% que separaram Ana Júlia  de Simão Jatene, no último domingo.

Ao vencer Jarbas Passarinho, em 1994, Almir Gabriel passara ao segundo turno apenas 1% atrás dele (38,2% contra 37,2% dos votos válidos).

E na virada de Ana Júlia sobre Almir, em 2006, a diferença entre eles, no primeiro turno, ficou em apenas 6,3% (43,8% contra 37,5%).

A diferença entre Ana e Jatene, aliás, é a terceira maior entre os nove segundo turnos que acontecerão em 31 de outubro -  só perde para o Distrito Federal (16,9%) e o Piauí (16,6%).

Além desses, só há mais um caso com diferença superior a 10% (Alagoas), entre os candidatos que disputarão o segundo turno.

Por essas e por outras é que Fernando Rodrigues não acredita que José Serra consiga virar o jogo em relação a Dilma Rousseff, já que o quadro não é nada animador para Serra, nem quando se analisam apenas as eleições presidenciais.

A matéria completa do Fernando Rodrigues está aqui:


http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

Com a DS. Até o fim...

Veio do blog do Hiroshi Bogea(aqui: http://hiroshibogea.blogspot.com/2010/10/rearrumando-casa.html ), ainda na noite de anteontem, a informação do surpreendente troca-troca no comando da campanha de reeleição da governadora Ana Júlia Carepa.
Saiu André Farias, entrou Marcílio Monteiro, ex-marido de Ana, e também Cláudio Puty, que será um dos subcoordenadores da campanha.
A notícia surpreende não tanto pela saída de André, já que uma das funções do técnico é servir de bode expiatório.
O que realmente estupora é a ascensão pública – e não apenas no “mundo das sombras” – de Marcílio e Puty.
Se os tucanos resolvessem sugerir uma mexida no comando do “exército” adversário, certamente que nem eles pensariam em algo assim. 
Afinal, Marcílio e Puty, os chefões da DS, provocam verdadeiros arrepios no PMDB, cujo apoio é disputado à tapa neste segundo turno.
Ambos devem ser uns arus dificílimos de engolir até para o frio e pragmático Jader Barbalho.
O que dizer, então, de seus comandados?
Se a minha xará pretendia provocar um momento de puro ódio nos arraiais peemedebistas, deve tê-lo conseguido.
E não apenas nos arraiais peemedebistas, mas, também, em boa parte do PT.
Afinal, a ascensão de ambos ao comando da campanha sinaliza que Ana irá, sim, até o fim com a DS. E, na hipótese de se reeleger, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Ou até pior.
Mas o troca-troca na coordenação de campanha também sinaliza que o jogo será pesadíssimo neste segundo turno.
O Hangar vai virar brincadeirinha de criança. E não estão descartadas cenas explícitas de truculência, como aquelas vivenciadas por peemedebistas na campanha de 2008.
Uma pena para o eleitor, trabalho à beça para o Ministério Público.
Mas, ainda assim, o caso de se dizer: que venga el toro!
(Dois touros, por sinal, pra lá de gatíssimos...)

Do sempre imperdível CJK:




PAZ E AMOR


Com a chegada de Ciro Gomes para coordenar a campanha da D. Dilma, o desempenho no segundo turno da presidenciável petista vai ganhar muito, em matéria de tranquilidade, paz de espírito e equilíbrio emocional”.


Tem mais aqui: http://www.blogdocjk.blogspot.com/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Confirmado: petistas & aliados também votaram em Jatene para o Governo do Estado



É uma questão matemática: uma parcela expressiva do eleitorado dos partidos que compõem a base aliada do Governo do Estado, aí incluído o próprio PT, votou no tucano Simão Jatene no primeiro turno destas eleições.

E é bem provável, também, que Jatene tenha recebido boa parte dos votos do eleitorado peemedebista.

A impossibilidade de Jatene ter alcançado a expressiva marca de 1.720.631 votos, no último domingo, apenas com o eleitorado tucano, fica clara quando se examinam os números da votação para a Câmara dos Deputados.

Dos 135 candidatos a deputado federal, apenas 41 obtiveram mais de cinco mil votos.  Mas a votação deles totalizou  3.039.374 (milhões).

Ocorre que, desse total, apenas 768.434 contemplaram candidatos do PSDB, PPS, DEM e demais partidos que apóiam a candidatura de Jatene.

Outros 789.627 votos beneficiaram candidatos do PMDB, e apenas 8.231 o PSOL.

Quase a metade desses mais de 3 milhões de votos (1.473.082) caiu no balaio do PT, PP, PTB, PDT, PSB, PSC e demais legendas que apóiam a reeleição da governadora Ana Júlia Carepa.

No entanto, quando se subtraem do 1.720.631 votos de Jatene esses 768.434 que foram dados aos candidatos da coligação Juntos com o Povo, ficam faltando 952.197, que têm de ter vindo de algum lugar.

E mesmo que a totalidade do eleitorado do PMDB tenha votado em Jatene para o Governo – o que é possível, mas improvável, até pelos 380.331 votos obtidos pelo peemedebista Domingos Juvenil – ainda assim ficam faltando 162.570 votos para o total que Jatene conseguiu alcançar.

A captura de votos por Jatene em um amplo leque partidário, que inclui até adversários do PSDB no plano local e nacional, é, aliás, a única explicação plausível para a diferença entre a votação da Acelera Pará à Câmara dos Deputados e aquela obtida por Ana Júlia Carepa (1.267.981) - foram exatos 205. 101 votos a menos. 

Mais: a diferença entre Jatene e Flexa Ribeiro, o candidato tucano ao Senado, foi de apenas 97.013 votos, o que pode ser facilmente explicado pelas circunstâncias que cercaram a espantosa vitória de Flexa, entre as quais o fato de ele ser praticamente o único candidato “liberado” para votação – ou seja, sem a possibilidade de resultar na “perda” do voto do eleitor (Leia a postagem Flexa Ribeiro: o Senador do Imponderável).

Já no caso do candidato petista ao Senado, o deputado federal Paulo Rocha, a votação superou em 465.395 votos a obtida por Ana Júlia Carepa.

A própria dança das cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa aponta nessa direção – embora aí, é claro, também tenham pesado a grande quantidade de legendas da Acelera Pará e a maior capacidade financeira de seus candidatos.

De todo modo, é perceptível o encolhimento do DEM e do PSDB frente ao avanço dos petistas & aliados, nas eleições proporcionais (veja a sistematização da postagem anterior).

Ou seja: é um movimento oposto ao que turbinou a candidatura de Simão Jatene ao Governo do Estado.

Sinal de que boa parte do eleitorado pode até votar nos deputados do PT e da base aliada – mas reluta em apoiar a recondução de Ana Júlia ao Palácio dos Despachos.

Veja os números da votação à Câmara dos Deputados (os marcados com asterisco são os eleitos).


PSDB/PPS/DEM e coligados:
Arnaldo Jordy (PPS)* - 201.171
Zenaldo Coutinho (PSDB)* – 154.265
Nilson Pinto (PSDB)* – 140.893
Lira Maia (DEM)* – 119.548
Wandenkolk Gonçalves* – 68.547
André Dias (PSDB) – 36.795
Dudimar Paxiuba (PSDB) – 25.166
Valry Moraes (PRP) – 11.482
Nel Fernandes (PSDC) – 5.507
Tocha (PPS) – 5.060
TOTAL: 768.434 votos

PMDB
Wlad* – 236.514
Elcione* – 209.635
Priante* – 172.068
Asdrubal Bentes* – 87.681
Luiz Otávio – 36.828
Catarino – 20.478
Vicente Maciel – 13.587
Capitã Vanessa – 12.836
TOTAL: 789.627

PT/PP/PDT/PSC/PTB & coligados
Beto Faro (PT)* – 169.504
Zequinha Marinho (PSC)* – 147.615
Lúcio Vale (PR)* – 142.116
Miriquinho(PT)* – 126.055
Puty(PT)* – 120.881
Zé Geraldo(PT)* – 119.544
Josué Bengtson(PTB)* – 112.212
Giovanni Queiroz (PDT)* – 93.461
Carlos Martins (PT) – 103.640
Gerson Peres (PP) – 81.251
Ademir Andrade (PSB) – 64.984
Pastor Raul (PRB) – 63.172
Zé Carlos (PV) – 24.944
Panzera (PCdoB) – 22.893
Mário Filho (PTB) – 19.768
Carlos Cunha (PTB) – 13.631
Massud (PTB) – 11.288
Aziel (PSC) – 11.049
Odair Corrêa (PDT) – 8.465
Claudinei Furman (PDT) – 6.323
Pimentel (PDT) – 5.258
Dr. Elenilson (5.028)
TOTAL: 1.473.082

PSOL
Beto Andrade Andrade – 8.231

Uma sistematização básica na dança das cadeiras



Era para ser um quadro, mas, confesso, não sei postar quadros (uga!). 

Mesmo assim, acho que arrumado dessa maneira dá para ver melhor como ficou o tabuleiro na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados. 

Volto depois, para comentar, assim que pegar outros números que estou buscando


ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA


PMDB
TEM: 7
ELEGEU: 8
QUEM SAIU: Domingos Juvenil, Anaice
QUEM SE REELEGEU OU ENTROU: Simone Morgado, Martinho Carmona, Chicão, Nilma Lima*, Parsifal*, Antonio Rocha, Josefina, Macarrão*.

PSDB
TEM: 10
ELEGEU: 6
QUEM SAIU: André Dias, Bira Barbosa, Bosco Gabriel, Ítalo Mácola, Suleima Pegado, Tetê Santos
QUEM SE REELEGEU OU ENTROU: Pioneiro, Sidney Rosa*, Alexandre Von, Cilene Couto*, Megale, Ana Cunha.

DEM
TEM: 3
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: Gualberto Neto, Haroldo Martins
QUEM ENTROU: Márcio Miranda

PT
TEM: 6
ELEGEU: 9
QUEM SAIU: Carlos Martins, Miriquinho Batista, Regina Barata
QUEM ENTROU: Chico da Pesca*, Bordalo, Valdir Ganzer, Bernadete Ten Caten, Faleiro, Edilson Moura*, Zé Maria*, Milton Zimmer*, Alfredo Costa*

PPS
TEM: 2
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: Arnaldo Jordy
QUEM ENTROU: João Salame

PR
TEM: 2
ELEGEU: 4
QUEM SAIU: Adamor Aires
QUEM ENTROU: Junior Hage, Luzineide*, Eliel Faustino*, Raimundo Santos*

PP
TEM: 1
ELEGEU: 0
QUEM SAIU: Zé Neto
QUEM ENTROU: 0

PTB
TEM: 4
ELEGEU: 3
QUEM SAIU: Joaquim Passarinho, Robgol
QUEM ENTROU: Junior Ferrari, Tião Miranda*, Eduardo Costa

PSB
TEM: 1
ELEGEU: 2
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Cássio Andrade, Belo*

PSC
TEM: 0
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Hilton Aguiar*

PV
TEM: 2
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: Deley Santos
QUEM ENTROU: Gabriel Guerreiro

PDT
TEM: 1
ELEGEU: 2
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Fernando Coimbra*, Pio X

PRB
TEM: 1
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: Roberto Santos
QUEM ENTROU: Pastor Divino*

PSOL
TEM: 0
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Edmilson Rodrigues*

PMN
TEM: 1
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Alessandro Novelino


(*Os nomes marcados com asterisco são de novos deputados, quer dizer, de pessoas que não possuem mandato. No caso de Parsifal Pontes, ele está marcado com asterisco porque é suplente e exercia mandato devido à licença de Anaice )


CÂMARA DOS DEPUTADOS


PMDB
TEM: 5
ELEGEU: 4
QUEM SAIU: Bel Mesquita, Jader Barbalho
QUEM ENTROU: Wlad, Elcione, Priante*, Asdrubal Bentes

PSDB
TEM: 3
ELEGEU: 3
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU:  Zenaldo Coutinho, Nilson Pinto, Wandenkolk Gonçalves

DEM
TEM: 2
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: Vic Pires Franco
QUEM ENTROU: Lira Maia

PT
TEM: 3
ELEGEU: 4
QUEM SAIU: Paulo Rocha
QUEM ENTROU: Beto Faro, Miriquinho Batista*, Puty*, Zé Geraldo

PR
TEM: 1
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Lúcio Vale

PPS
TEM: 0
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Arnaldo Jordy

PDT
TEM: 1
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Giovanni Queiroz

PSC
TEM: 1
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU:  Zequinha Marinho

PTB
TEM: 0
ELEGEU: 1
QUEM SAIU: 0
QUEM ENTROU: Josué Bengtson

PP
TEM: 1
ELEGEU: 0
QUEM SAIU: Gerson Peres
QUEM ENTROU: 0






segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Aplicação imediata da Ficha Limpa transforma eleitor em palhaço



A forma como se está a tentar aplicar a Lei da Ficha Limpa – em caráter retroativo e já nas eleições deste ano – é mesmo um tremendo desrespeito a milhões de eleitores, em todo o Brasil.

Agora, fala-se até na possibilidade de anular as eleições para o Senado em três estados, o Pará entre eles.

No caso do Pará, devido à nulidade de quase 60% dos votos ao Senado, caso Jader Barbalho e Paulo Rocha sejam considerados, de fato, inelegíveis.

É claro que é preciso aguardar pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), coisa que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ao que parece, sabiamente pretende fazer.

Mas não deixa de ser profundamente irritante esse “estica-encolhe”. Provocado, diga-se de passagem, pelo fato de o STF não ter feito o trabalho para o qual é regiamente pago pelo contribuinte: decidir.

Poucas vezes se viu uma eleição tão atrapalhada, justamente pela tentativa de mexer nas regras do jogo, com o jogo em andamento.

É fazer o eleitor de palhaço, por não se conseguir tangê-lo que nem gado, para o curral do sectarismo de alguns.

Ora, apesar da Lei da Ficha Limpa, milhões de eleitores votaram nos chamados “fichas sujas” ou em seus representantes.

Sinal de que faltou pedagogia e sobrou autoritarismo.

Melhor teriam feito os defensores da “Ficha Limpa já” se, em vez de ficarem placidamente tentando se apropriar do voto alheio no ar condicionado e na internet, tivessem corrido para as baixadas, a tentar educar o eleitor.

Mas isso talvez seja pedir demais à arrogância desse pouco mais de um milhão de cidadãos que pretende tutelar a vontade de quase 200 milhões de brasileiros.

No fundo, é o carcomido pensamento de uma elite estúpida que imagina que o povo não sabe votar.

A não ser, é claro, quando vota nos candidatos dela.

E a pergunta que fica é: afinal, a quem interessa essa indefinição e toda essa palhaçada a que estão a nos submeter?

Ao Brasil, ao Pará e à maioria do eleitorado – que deu uma banana para a forma de aplicação dessa lei - certamente é que não é.

Isso só interessa aqueles que detêm poder sobre o Judiciário e que podem, com isso, manipular os candidatos que se encontram com a situação “sub judice”.

E, é claro, às vestais de plantão que adoram se “vender” como a quintessência da moralidade, mesmo que isso signifique implodir garantias constitucionais e tratorar a vontade popular.

Abaixo, as matérias sobre toda essa palhaçada:


Votos em barrados podem mudar 
resultado para Senado em 3 estados


Dados divulgados pelo TSE mudariam resultado no Amapá, Paraíba e Pará. Candidatos com candidatura impugnada aguardam julgamentos de recursos.



(Débora Santos e Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília) - Os votos dados pelos eleitores a candidatos barrados pela Justiça Eleitoral podem mudar o resultado das eleições ao Senado em três estados, de acordo com números divulgados na tarde desta segunda-feira (3) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o TSE, os votos não computados recebidos por candidatos barrados não mudariam o cenário de nenhuma eleição para governador.

A lista dos candidatos barrados inclui os candidatos impedidos de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa, mas que aguardam julgamento de recurso. Os votos dos candidatos com registro indeferido não entram na contabilidade oficial do TSE.

No Amapá, João Capiberibe (PSB) recebeu nas urnas 130.411 votos e estaria eleito no lugar de Gilvam Borges (PMDB). Ele foi cassado do cargo de senador por compra de votos ainda na eleição de 2002 e foi enquadrado pelo Ministério Público na Lei da Ficha Limpa. Ele alega que sua cassação teve motivação política. Capiberibe está recorrendo das decisões que barram sua candidatura.

Na Paraíba, o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) recebeu 1.004.183 e estaria eleito no lugar de Wilson Santiago (PMDB). Cunha Lima teve o mandato de governador cassado por abuso do poder econômico e foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. A defesa dele alega que a lei não poderia estar em vigor para este ano e recorreu das decisões contra sua candidatura.

No Pará, a situação é ainda mais complicada. Jader Barbalho (PMDB) recebeu 1.799.762, e Paulo Rocha (PT) teve 1.733.376. Com estes resultados, Jader teria sido eleito no lugar de Marinor Brito (PSOL), mas Rocha continuaria fora porque Flexa Ribeiro (PSDB) foi o mais votado, com 1.817.644.

O problema é que os votos dados a candidatos que tiveram registro indeferido são considerados nulos. Isso faz com que o Pará possa ter 57,24% dos votos na eleição do Senado considerados nulos, o que gerar até a convocação de um novo pleito. Se a proibição da candidatura de Jader e Rocha permanecer, o Tribunal Regional do Estado do Pará (TRE-PA) terá de decidir se dará posse a Marinor ou se convoca nova eleição para o cargo.

O G1 entrou em contato com o TRE e foi informado que o tribunal pretende esperar a manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a situação dos candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa.

Jader foi enquadrado na nova lei porque renunciou ao mandato em 2001 para escapar de um processo de cassação. Ele já foi derrotado no TSE e deverá recorrer agora ao STF. Sua defesa alega que a lei não poderia retroagir para barrar sua candidatura.

Rocha enfrenta caso semelhante. Ele renunciou em 2005 para escapar de um processo de cassação por ter sido citado no escândalo do mensalão. O candidato também questiona a aplicação da lei a casos que aconteceram antes da existência da nova legislação.

Mais aqui:

E também aqui em O Globo: