segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ana


Em política nem tudo é canela





Hoje, depois de muito ouvir falar, mais uma vez, acerca da vida sexual da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa, decidi prestar-lhe uma homenagem.


Não que isso signifique que vou deixar de fiscalizar o Governo dela – muito pelo contrário.



Mas, porque gostaria de homenagear, através da Ana Júlia Carepa, todas as mulheres do mundo que, todo santo dia, enfrentam toda sorte de preconceito, toda sorte de canalhice, simplesmente porque são mulheres.



E ainda mais quando “ousam” construir uma identidade própria, fazer carreira, num mundo como a política, que, infelizmente, ainda é amplamente dominada pelos homens.



Olho para a minha xará e vejo uma mulher jovem, bonita, atraente – e, sobretudo, sozinha.



Uma mulher sem “senhor”, sem marido, sem patrão.



E que, no entanto, vem sendo sistematicamente humilhada por ter uma vida sexual ativa, como, aliás, todas as mulheres anseiam e precisam ter.



Já ouvi até de mulheres comentários desabonadores – para elas, as “comentaristas”... – acerca da governadora.



Como se a nós coubesse, apenas, o papel de bibelozinhos bonitinhos, frágeis e bem comportados.



Como se não fôssemos seres humanos inteligentes e, em geral, bem mais competentes que a maioria dos homens naquilo que fazemos.



Como se o sexo, para nós, se resumisse à simples moeda de troca, no jogo da sobrevivência.



Sinceramente que já começo a me sentir enojada – e até ofendida!... – com toda essa repugnante “vigilância”, essa fogueira inquisitorial, em torno da vida sexual da minha xará.



Ao que parece nossos políticos – apesar da fome, do desemprego, da miséria do nosso povo - não têm mais o que fazer.



Nossas lideranças, nossos jornalistas, nossas oposições parecem ter, simplesmente, perdido a noção dos limites da luta política.



Ou, pior que isso, já nem se preocupam mais em esconder esse ranço machista, essa forma abjeta como encaram todas as mulheres do mundo.



E eu me pergunto: será que esses sujeitos nunca tiveram mãe, mulher, filhas, irmãs?



Se não têm nada de relevante a dizer acerca do governo dela, do uso de dinheiro público, por que, simplesmente, não se calam?



Não encontro motivo para que seja chamada à arena política a vida sexual da governadora, a não ser o uso acanalhado, cafajeste, de um preconceito social.



A não ser essa coisa mal contida de uns uga-bugas que ainda ontem caíram das árvores e mal conseguem se equilibrar nas duas patas.



Nunca vi qualquer desses “vestais” apontarem o dedão acusador a qualquer dos “machos” que ocuparam o Governo do Estado.



Nunca vi ninguém dizer um “ai” que fosse acerca da vida sexual do Jatene, do Almir, do Gueiros, do Jader.



E todos – e toda a “corte” sabe disso muitíssimo bem!... – também tiveram uma vida sexual agitadíssima.



E que envolveu, muitas vezes, até DAS e otras cositas mas...



No entanto, até onde eu me lembro, toda a “corte” sempre achou isso “maravilhoso”, como se aos homens, e apenas aos homens, fosse “permitido” trepar com quem bem lhes apetece.



Aliás, havia até quem se dispusesse a vigiar a porta do quarto, enquanto o sujeito “se aliviava”; havia até a figura – paga com dinheiro público – do “guarda-trepada” de plantão...



E olhem que esses senhores eram todos casados; alguns até tidos e havidos como verdadeiros “modelos”, “exemplos” à sociedade...



Então, por que o “escândalo”? Por que essa cafajestice, essa hipocrisia?



E tem mais uma coisa: em todos os longos anos que passei na “corte”, além de não ouvir qualquer manifestação de desagrado em relação à vida sexual desses senhores, vi, sim, manifestações de preconceito em relação às mulheres que transavam com eles, como se fossem “as culpadas” por tais relações...



Eram tratadas como a “serpente” que seduziu o “pobrezinho” do Adão – tão “inocente” ele, né mermo?...



Creio que as pessoas precisam amadurecer; parar de fazer política à custa da vida dos outros, até porque ninguém, nesse meio, é espécie de “querubim ungido”...



Todo mundo tem a sua vidinha “por debaixo dos lençóis”...



E se a gente for revirar tais “lençóis” não sobra um “santo” para apontar o dedão acusador a quem quer que seja...



Daí que, embora morta de inveja (sim, caros leitores, é verdade: nesse sentido, estou morrendo de inveja da minha xará!...) deixo aqui essa justíssima homenagem à Ana Júlia.



E não só a ela, como já disse.



Mas, a todas as mulheres do mundo que têm a coragem de buscar o prazer, a autonomia, a independência e a felicidade apesar dessa horda, desse bando de canalhas sem mãe.




FUUUIIIII!!!!






A luz de Tieta

Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol...

Nesta terra a dor é grande,
A ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...(2x)

Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol...

Nesta terra a dor é grande
A ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É Sete de Setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós,
Em muitos dentre nós
Esse alguém,
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...


Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Êta, êta!...

(Caetano Veloso)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

redação


Um caso de amor



Redação de jornal é a minha cachaça. Sempre foi.



Há, como naquele fado, uma estranha forma de vida a pulsar numa redação.



Não, caro leitor, não pense que estou a dizer que somos espécie de “alien” – embora, é verdade, com ele nos pareçamos na capacidade corrosiva...



Mas, prefiro nos imaginar uma comunidade meio esquisita, é verdade. Mas, em perfeita simbiose com a sociedade.



Talvez por isso não haja lugar que se compare, em ansiedade, a uma redação de jornal - a não ser pronto socorro de série televisa...



A gente mexe e remexe o “paciente”, a informação.



“Intuba”, massageia, fura em tudo que é canto. E só sossega quando, no dia seguinte, vem a certeza: habemus notícia!...



Quer dizer, é uma coisa meio enlouquecida. Mas, a gente só se aquieta com a certeza de que demos tudo o que os outros deram. E, principalmente, o que os outros não deram, também.



A notícia quente, fresquinha, exclusiva, quase que em forma de oração...



Redação que é redação sempre será assim. Apesar da instantaneidade da notícia – ou, quem sabe, mais ainda por causa dela...



E sempre terá, também, uma fauna extraordinária, a síntese do vulgar e do transcendental.



Dentre os tipos que não podem faltar há o “enigmático” foca.



O sujeito que, egresso ou não de uma faculdade, apenas inicia a longa jornada da informação...



Aliás, Deus deve ter inventado o foca num dia de boníssimo humor.



Só assim para entender criaturas tão empenhadas na produção do insólito.



Lembro do “causo” de um grande jornalista, hoje, um dos mais brilhantes redatores que conheço.



Quando foca, foi cobrir aquela matança de porcos, durante a peste suína. Aí, tascou: “E os porquinhos olhavam melancólicos para os seus algozes...”



Nada contra a poesia que já então se revelava nesse grande redator.



Mas, graças a Deus, os anos o ensinaram a suprimir tais projeções...



Eu também já fui assim – é, caro leitor, não nasci “dinossáurica”...



Certa vez, tasquei: “E fulana morreu na segunda das quatro operações a que foi submetida...”



Quer dizer: operei um “presunto”!...



Todos passamos por essa fase. De muitos enganos, é verdade. Mas, também, de dulcíssimas ilusões...



Porque, quando focas, quando na infância do jornalismo, ainda cultivamos alguma esperança nos grandes veículos de comunicação.



Ainda não enxergamos – e há quem passe a vida sem enxergar!... – os interesses por trás da notícia, por vezes, desde o nascedouro, que são as fontes...



E também pensamos, nessa gênese do jornalista, que faremos, individualmente, alguma diferença nessa disputa pela posse de um bem que é de extrema importância social.



Daí que as redações também se assemelhem a um teatro de operações.



Há os que cruzam a fronteira do jornalismo para a pura e simples militância.



Há os que, pragmaticamente, apenas jogam, sem mais ilusões que não a de permanecer na mesa de jogo.



E há aqueles que o duro cotidiano das redações faz esquecer aquilo que, um dia, os moveu – o amor pela informação...



Quando comecei em jornal, há quase três décadas, era esse o principal atrativo de uma redação: o amor pela informação...



Não, não apenas o “poder” que muitos imaginam que essa profissão traz ou trará – eis que essa capacidade, bem mais que em qualquer outra posição social, é pura ilusão.



Mas, a paixão, mesma, pela notícia. Pelo arrepio, o frio na espinha, o bater acelerado do coração que só um belíssimo “furo” é capaz de proporcionar...



(Coleguinhas, atenção: recolham as garras do alien; nada de sacanagem!...)



Por isso, caro leitor, redação que se preze também é um laboratório de insanidade; a loucura em condições aparentemente controladas.



Terreno fértil a todas as neuroses e psicoses.



Um estresse permanente, o gatilho para inúmeras doenças letais.



Até pelos muitos “vícios” que vamos adquirindo, com o cafezinho farto, o cigarro, o álcool, a alimentação nociva, os antidepressivos...



Mas, pergunte se algum de nós quer largar essa cachaça...



Uns até se afastam, permanecem algum tempo em assessorias, que dão mais dinheiro, menos trabalho e nem a metade das dores de cabeça de uma redação.



Mas, jornalista que é jornalista tem as assessorias como mera questão de sobrevivência – e, para mim, assessoria de imprensa nem é função de jornalista, mas, de relações públicas.



Jornalista que é jornalista faz de tudo para permanecer nesta “cachaça”.



Para sorvê-la até a última gota, ao teclado de um computador.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

pensando, pensando






Tucanos, petistas e outros bichos









Agradeço de coração a todos os leitores deste blog, que batem ponto toda semana neste cafofo.




Sei que vocês que aqui vêm desde os primórdios da Perereca da Vizinha já nem estranham mais as minhas ausências.


Mesmo assim, peço desculpas pela demora em postar, novamente, alguma coisa interessante.


Primeiro, andei meio adoentada, com essa minha mania horrorosa de comer tudo que é porcaria que vejo encontro pela frente.


Mas, o principal é que precisava exorcizar uns “fantasmas do passado”, digamos assim.


Precisava varrer do horizonte uma etapa da minha vida; precisava fechar definitivamente uma porta, para que nunca mais volte a se abrir...


Sinto-me, agora, bem mais aliviada, como alguém que, aos poucos, vai retomando a estrada.


Como se colocasse a mochila nos ombros e me deixasse enfeitiçar pelos horizontes e horizontes que se vão construindo em minha cabeça.


Com o coração a bater acelerado.


Com os olhos novamente dispostos a olhar em volta, a redescobrir toda a beleza do mundo.


É bom me sentir assim; fazia tempo que não me sentia assim.


Capaz de seguir em frente e de começar, de fato, uma nova etapa da minha vida.


Não, como disse a um amigo, um petista maravilhoso que me telefonou, não estou “preparando” coisa alguma, neste prolongado silêncio...


Estou, apenas, dando um tempo, enquanto vou me adaptando a O Liberal.
Preciso encontrar o ponto do bolo, digamos assim. Preciso me afinar com o jornal, do ponto de vista da linguagem e das matérias que lhe interessam. Até porque disso daí depende a minha sobrevivência...


Ou seja, tenho direcionado as minhas melhores energias para lá.


Além disso, andei “cozinhando” algumas coisas na minha cabeça.


O novo capítulo da Orgia no Rangão, que, aos poucos, vai surgindo na minha cabeça; as crônicas, umas quatro ou cinco, que tenho de terminar; o romance que preciso retomar; a poesia que se calou e que nunca mais veio bater-me à porta do coração...


Mas, também é verdade, tenho pensado em umas pautas bacanas, até pelas muitas dicas que tenho recebido.



Como disse, há meses, a esse meu amigo petista, não pretendo retomar o Caso Hangar.


Embora, é verdade, já tenham surgido vários fatos novos e até “ofertas complexas” de investigação. E até coisas complexas que mereceriam, sim, uma profunda investigação.





Mas, não pretendo, de forma alguma, contribuir para um eventual “impedimento” da minha xará.



Primeiro porque abomino “tapetão” – para mim, isso nada mais é do que desespero político.


Segundo porque tenho a responsabilidade de uma militante política que compreende como acessória a sua condição de jornalista.


Terceiro, e decorrente da compreensão acima, porque jamais me disporia a prejudicar os nossos irmãos petistas, se isso resultasse, simplesmente, em benefício do PMDB ou de qualquer outro partido integrante da “massa atrasada” deste país.


Tenho de reconhecer que, no Caso Hangar, me deixei levar, momentaneamente, pela raiva – e nem peço desculpas por isso, porque acho que isso é, simplesmente, humano.


Incomodou-me profundamente o fato de ter assumido, de repente, a condição de “parte” nessa história toda.


Primeiro porque tenho pra mim que jornalista não é parte de coisa alguma.


A gente noticia, briga pela informação.


E, ao contrário do que imaginam muitos coleguinhas, na produção de uma notícia, não espelhamos, simplesmente, “isenção”.


Mas, toda uma história de vida, toda uma compreensão de mundo, que, afinal, fez de nós aquilo que somos.


Mas, denunciar fatos ao Ministério Público, ao TCE, ou a qualquer instância, não compete ao jornalista.


E isso sempre me incomodou muitíssimo, pela atitude que fui levada a tomar, tanto pela arrogância e certeza de impunidade da doutora Joana Pessoa, quanto pela raiva que senti ao ser chamada de “inescrupulosa”.



E logo eu, que, ao ligar para amigos, em 2006, alertava: “Estou te ligando não como amiga, mas, como repórter de tal jornal”.


Quer dizer, fiquei profundamente sentida com tal acusação. Tanto pelas minhas atitudes, quanto pelo fato de me parecer que a doutora Joana Pessoa não tem, simplesmente, moral para classificar de “inescrupuloso” a quem quer que seja.



Mas, deixa pra lá, já passou.


Isso não significa, no entanto, que vou deixar de fiscalizar o Governo da minha xará.



Creio que essa, afinal, é a maior função de um jornalista: levar ao conhecimento da sociedade a “sujeira” que os governos tentam varrer para debaixo do tapete.



Porque, infelizmente, mesmo o PSDB e o PT, que são os partidos mais avançados deste país, têm um medo danado da sociedade – a sociedade que, longe de ser inimiga, é, em verdade, uma inestimável aliada de quem pretenda fazer avançar o Brasil, em termos sociais e econômicos.




Mas, guardo a esperança de que os irmãos petistas e tucanos, um dia, compreendam isso. O dia em que deixarão de torrar milhões em propaganda, para investir em publicidade.



Ou seja, o dia em que deixarão de torrar dinheiro público a vender um “paraíso” inexistente.



E que investirão esse dinheiro para, de fato, informar a sociedade e chamá-la, convocá-la, a discutir a construção do próprio destino.



Gosto muito dos moldes daquela tendência, que me foge o nome, do Paulo Rocha e do Mário Cardoso.



É bem verdade que, como tucana que sou, considerei algo “pitoresca” essa prática de até motoristas serem chamados a debater questões estratégicas...



Mas, como tucana visceral, também fiquei como que “encantada”...
Afinal, me vi, de repente, e pega quase que desnuda, diante da democracia radical.



Acho que é por isso que fiquei a gostar tanto do Mário: afinal, ele e o grupo dele colocam em prática aquilo que a gente apenas teoriza.
Essa crença, melhor dizendo, essa certeza na capacidade racional das pessoas, por mais humildes que sejam, faz uma falta danada a nós, os tucanos...



Nós, os tucanos, nos habituamos a incorporar todas as descobertas científicas acerca do animal humano.



A ver o Humano não apenas como mero produto social, mas, com esses interesses individuais que nada têm de Divino.


E consideramos que isso, essa nossa idéia do Humano, é o mais correto.
E foi isso que, aliás, nos fez melhores negociadores a “agregadores” de apoios, que os nossos irmãos.



Sem ilusões acerca da própria espécie, pudemos jogar o “toma-lá-dá-cá”, sem crises existenciais e de forma compacta, como, aliás, exigem todos os acordos políticos.



Mas, a nós – e creio que, nesse caso, falo por todos os tucanos – não deixa de ser tentadora (e até singela, para recorrer ao tucanês...) a possibilidade de crer na capacidade, na ânsia, do indivíduo de se subordinar ao coletivo.



É um sonho, essa compreensão...




Um sonho que a gente sabe irrealizável. Mas, que nem por isso deixa de nos “atentar” aqui e ali...



Dia desses comecei a escrever um artigo – e o título era “toma que o filho é teu” – em que tentava colocar os pingos nos iis nessa questão da segurança pública.


Não publiquei; ta aí no meu arquivo de posts não publicados.


Nele, mostrava que os tucanos têm de parar com essa história de jogar para o costado do PT a “culpa” por essa violência que está aí.


Afinal, essa é uma irresponsabilidade que nós, os tucanos, teremos de carregar, talvez, por várias décadas.


E é aqui que eu acho tão interessante essa simbiose entre tucanos e petistas.


A gente, no fundo, quer a mesma coisa. Mas, para chegar lá, prioriza isso ou aquilo – o equilíbrio das contas, por exemplo, ou os investimentos sociais.



E, afinal, temos, sim, de pagar a conta pela opção que fizemos.


Aconteceu com os tucanos; acontecerá com os petistas...


Mas, sabem, camaradas, bom mesmo é essa consciência de que fizemos o possível e o impossível para melhorar a sociedade em que vivemos.


Erramos aqui e ali, acertamos aqui e ali. Mas, sobretudo, FIZEMOS.


Vamos seguir nos dando bicudas.


Eu, pelo menos, já estou preparando mais uma – e, por favor, xará, não se avexe, tome mais é uma maracujina...


Mas, creio, todos temos a noção da importância uns dos outros.


Daquilo que nos irmana: um Brasil e um Pará melhores. Um Brasil e um Pará mais justos, mais igualitários.


(E eu penso que, a essas alturas, o pessoal do PFL e do PMDB deve de estar pensando: “esses filhos da puta são todos comunistas!...”)


E não é que somos?!!!


FUUUUUIIIIIIII!!!!!!






(P.S. Deixa os 10% de analfabetismo de São Paulo prá lá. Foi um bicudão – e válido! - do Lula. O Serra é que tem de botar o carecão pra pensar mais rápido...)

Sessão Bregão

Pra ti!...






Amanhã


Me prendeste numa redoma por toda vida
Me roubaste a juventude, a liberdade
Me calava pra não perder-te,eu te queria
Até o dia que despertei e não te quis mais



_(Reginaldo:)Quando eu cheguei pra você,não sentia nada
Te falava desde o princípio até o final


_(Roberta:)Me deixavas por muito tempo sozinha em casa
Que eu era um bem que só te fazia mal


Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Amanhã, serei outra vez o que um dia fui


(Reginaldo:)Preciso encontrar um jeito, uma saída

(Roberta:) Amanhã, vou ser livre e ser feliz


Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Fazer tudo aquilo que sempre quis

(Reginaldo:)Sozinha, sem mim, você estará perdida
(Roberta:)Te juro, mesmo sozinha serei feliz

(Vamo lá!...)


Tratarei de recuperar o que havia perdido
Viverei como se a vida fosse acabar


(Reginaldo:)Ainda é tempo, volta pra mim, pois eu te quero
(Roberta:)Sinto muito, mas não vou voltar


Amanhã, irei pensar numa nova vida
Amanhã,eu serei outra vez o que um dia fui


(Reginaldo:)Preciso encontrar um jeito, uma saída
Amanhã, eu vou ser livre e ser feliz

Amanhã, eu vou pensar numa nova vida
Fazer tudo aquilo que sempre quis

(Reginaldo:)Sozinha, sem mim, você estará perdida
(Roberta:0J) (Você é que pensa!!!!)
Te juro, mesmo sozinha, eu serei feliz


(Paixão!...)


(Roberta Miranda)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

aborto

Sobre o aborto



Esse negócio de bebês abandonados de tudo que é jeito só vai acabar quando o Brasil deixar de ser hipócrita e legalizar o aborto.



Porque é muito fácil apontar o dedão acusador para essas mulheres, em geral paupérrimas, e não perceber que elas não têm, simplesmente, alternativa, a não ser abandonar essas crianças no primeiro lugar que apareça, talvez até rezando para que sejam resgatadas...



Essas mulheres não são “monstros”.



São vítimas, em verdade, dessa hipocrisia, dessa ignorância que, em pleno Século XXI, ainda pretende as mulheres como meros úteros, como meras reprodutoras; corpos que são espécie de pertença social.



Todo santo dia, dezenas, centenas, milhares de abortos são realizados, neste país, por quem pode pagar.



Eu mesma, filha da classe média, fiz vários abortos ao longo da vida. Tudo com anestesia e médico; tudo “bonitinho”...



Mas, as mulheres pobres não têm essa alternativa. Morrem que nem moscas, ao tentarem abortar uma criança indesejada.



E, se por medo ou por ignorância ou por falta de dinheiro não têm alternativa que não seja parir esses filhos indesejados, muitas vezes não podem fazer outra coisa que não seja abandoná-los do jeito que conseguem.



É muito fácil para nós, classe média e alta, criminalizarmos essas mulheres.



Afinal, temos dinheiro e acesso à informação. E, sobretudo, temos o embalo melodramático da Rede Globo...



E, no mais das vezes, temos alternativa econômica de sobrevivência sem um homem.



E, no mais das vezes, temos a possibilidade de superar o preconceito social.



E, no mais das vezes, também adoramos exaltar essa coisa de “Maria”, essa coisa da “Grande Mãe”, para à qual fomos perfeitamente “domesticadas” - como se amássemos, automaticamente, os filhos que parimos; como se não soubéssemos, todas nós!, que amor, em verdade, se constrói...



O que é preciso, portanto, é legalizar o aborto.



Nós, mulheres, não somos, simplesmente, um útero, um buraco, um espermódromo.



Uma simples VAGINA, para dizer a coisa com toda a clareza do mundo...



Temos de ter o direito, sim, de abortar.



E de ter acesso a métodos contraceptivos menos dolorosos...



Temos de ter o direito ao sexo, ao prazer, sem que isso signifique necessariamente, como acontecia na Idade Média, um mero exercício de reprodução.



O resto é hipocrisia, preconceito, coisa de troglodita.



Coisa de quem acabou de cair da árvore.



E, aliás, nem deveria ter caído...




FUUUIIIIII!!!!!!

FSM

Ao Hospício do Fórum Social Mundial



Ia escrever um post detonando com o Fórum Social Mundial.



Não que, afinal, um post meu ou este meu cafofo possuam tanta importância assim.



Mas, para marcar posição frente a essa festança enlouquecida – mais uma, né mermo? – das esquerdas de todo o mundo, que, mesmo depois de nove longos anos de “gastação” desbragada de cuspe, não conseguem parir uma alternativa que preste a esse sistema iníquo (e o bom e velho Marx deve de estar se revirando no túmulo...).



E pra mais, agora, quando o FSM tem de sobreviver de farto financiamento público.



O que não é “apenas” ruim por envolver dinheiro público de questionável destinação.



Mas, principalmente, porque atrela a sociedade, os movimentos, as organizações da sociedade a um determinado governo.



E isso é um verdadeiro veneno para o exercício da crítica – a que todo e qualquer governo tem, sim, de ser submetido.



Movimento social que é movimento social não pode ser sustentado por qualquer governo que seja. E ponto.



Mas, deixa pra lá!... Não vou questionar o fato de se gastarem R$ 100 milhões de dinheiro público nesse nosso lári-lári, nessa nossa “bacanal”, nessa nossa grande confraternização anárquica...



Vou me deixar “embalar” pelo clima, nem que seja para não ficar parecendo uma gralha...



E olhem que, se pudesse, até financiaria, do próprio bolso, iniciativas como o bloco “Doido é Doido”, por ser, afinal, militante juramentada...



Mas, com dinheiro público, companheiros?!!!...



Mas tudo bem, vou me calar! E até vou deixar uma singela homenagem a toda à fauna do Fórum Social Mundial – e, tenham certeza, só não estou aí porque, infelizmente, tenho de trabalhar...



A todos vocês um hino, diretamente da Terra da Cabanagem:






Aquarius


When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!



Hare Krishna


Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Love love
Love love
Drop out
Drop out
Be in
Be in

Love love
Love love
Drop out
Drop out
Be in
Be in

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Marijuana marijuana
Juana juana mari mari
Marijuana marijuana
Juana juana mari mari

Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness

Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness


I Got Life!

I got life, mother
I got laughs, sister
I got freedom, brother
I got good times, man

I got crazy ways, daughter
I got million-dollar charm, cousin
I got headaches and toothaches
And bad times too
Like you

I got my hair
I got my head
I got my brains
I got my ears
I got my eyes
I got my nose
I got my mouth
I got my teeth

I got my tongue
I got my chin
I got my neck
I got my tits
I got my heart
I got my soul
I got my back
I got my ass

I got my arms
I got my hands
I got my fingers
Got my legs
I got my feet
I got my toes
I got my liver
Got my blood

Repete

I got my guts (I got my guts)
I got my muscles (muscles)
I got life (life)
Life (life)
Life (life)
LIFE!


Let The Sunshine In!


We starve-look at one another
Short of breath
Walking proudly in our winter coats
Wearing smells from laboratories
Facing a dying nation
Of moving paper fantasy
Listening for the new told lies
With supreme visions of lonely tunes

Somewhere
Inside something there is a rush of greatness
Who knows what stands in front of our lives
I fashion my future on films in space
Silence tells me secretly
Everything
Everything

Manchester England England
Manchester England England
Across the Atlantic Sea
And I'm a genius genius
I believe in God
And I believe that God believes in Claude
That's me, that's me, that's me
The rest is silence
The rest is silence
The rest is silence

We starve-look at one another
Short of breath
Walking proudly in our winter coats
Wearing smells from laboratories
Facing a dying nation
Of moving paper fantasy
Listening for the new told lies
With supreme visions of lonely tunes

Singing
Our space songs on a spider web sitar
Life is around you and in you
Answer for Timothy Leary, deary

Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in
Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in
Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in...


(trilha sonora do filme Hair)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu também quero montar uma OS.




I



Em 2007, conforme o balanço geral paraense, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) teve um orçamento superior a R$ 75 milhões.



Desse total, mais de R$ 34 milhões foram para o pagamento dos vencimentos e vantagens fixas de seus servidores e conselheiros.



Esses últimos, tão bem remunerados quanto os desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. Embora que, muitas vezes, sem a mesma qualificação...



No entanto, ontem fui surpreendida por uma correspondência do TCE, na qual me comunicava não ter acatado o meu pedido de investigação do Hangar-Centro de Convenções, porque, na denúncia que formulei, a douta Corte de Contas não detectou nem provas, nem indícios de superfaturamentos de preços ou fraudes licitatórias, nas contratações entre o Governo do Estado e a Organização Social Via Amazônia.



Confesso que, ao ler tal comunicado, senti uma vergonha danada!...



Mas, não por mim.



E sim pelos doutos conselheiros e técnicos do TCE que foram capazes de cometer tamanha ignomínia contra nós, pobres e absolutamente desamparados, contribuintes.



Sinceramente, não sei como o cidadão Coutinho Jorge, pelo qual até aqui guardei um certo respeito, teve a indignidade de assinar algo assim...



Tenham certeza de que fiquei pasma, porque, infelizmente, tenho esse bom espírito que me leva a crer nas pessoas – e eu sempre tive o cidadão Coutinho Jorge na conta de uma pessoa honrada.



Mas Brutus, para lembrar aquele grandioso discurso de Marco Antonio diante do cadáver de César, também era “um homem honrado”, né mermo?...



Não conheço a analista de Controle Externo Elane Vieira S. Beltrão, responsável pela análise que embasou a decisão de Coutinho Jorge.



E desde já, não me interessa conhecer. Não me parece séria. Não me parece nem, pelo menos, competente naquilo que faz.



Elane e Coutinho me fizeram sentir menos brasileira, menos paraense, menos cidadã.



Fizeram-me sentir vergonha do meu Pará e do meu povo...



Fizeram-me sentir pequena – como se pequenos fôssemos nós, sociedade.



Como se o Estado e os agentes do Estado pudessem fazer o que bem lhes apetece sem terem de responder por isso.



Como se fosse de somenos importância clamar pelo respeito à democracia e à ética, no trato da res publica.



Daí o título deste artigo: a resposta do TCE me levou à conclusão, lógica, inapelável, de que tudo o que é preciso para enriquecer, nesta terra de barbárie, é montar uma Organização Social.



Uma OS sob a proteção de algum poderoso, de algum mandatário.



Uma entidade sob a proteção de alguma “amiguinha”, que, quem sabe, até nos chore nos ombros...





II



Tudo isso é muito engraçado, não deixa de ser engraçado...



Porque a indecência, a imoralidade, a falta de escrúpulos, têm, sim, um “quê” de comicidade.



É como se essas pessoas que se julgam tão maravilhosamente “intocáveis” não atentassem ao próprio lado burlesco.



Ora, a mim, cidadã, que cometo o “crime” de pensar, parece que a comunicação do TCE disse, por outras palavras: “façam o Carnaval! Se locupletem o mais possível! Roubem, afanem, metam a mão na “bufunfa desta terra sem Lei!”...



Porque a Justiça é cega neste País infeliz, imundo, dominado, há 500 anos, por essa corja de colarinho branco.



Um país que, por isso mesmo, incensa toda sorte de patifaria com esse dinheirinho que é de todos nós!...



Leio em tal decisão, em suma, eu, cidadã; leio nessa infeliz comunicação do TCE, ao qual pagamos mais de R$ 75 milhões em 2007, que basta criar uma ONG para se dar bem...



Basta ser “criativo” ao burlar a Lei, porque a Lei existe é para ser burlada por esse punhado de marginais; por esses parasitas sociais, travestidos de revolucionários...



Que estranhos tempos, estes!...




Estranhos tempos, como já disse, em um post atrás...




Um tempo em que - quem diria! - nos igualamos, enfim, à bandidagem que dissemos que iríamos varrer da História do nosso estado e do nosso país...





III



Eu também quero montar uma Organização Social!...


Sim, eu, enfim, também quero uma OS!...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero alugar uma saleta por R$ 35 mil por mês, ao Governo do Estado, exatamente como fez a Via Amazônia, sem que o TCE veja nisso qualquer “sintoma” de ilegalidade...


Eu também quero ser aquinhoada por milionárias dispensas de licitação tipo aquela da Seduc, de quase R$ 2 milhões, para um evento de dois ou três dias a um punhado de professores fumados, mal pagos, que não veriam esse dinheiro nem que trabalhassem uns 30 anos...


E sem que o TCE, o nosso douto TCE, e os nossos muito bem pagos técnicos e conselheiros do TCE, dêem um pio que seja em relação a tudo isso...


Pois, que não falte aos nossos doutos técnicos e conselheiros nem o salário, nem o cafezinho, né mermo?...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero ter uma dispensa de licitação de quase meio milhão de reais, para a confecção de “impressos”...


E sem que o nosso TCE questione, ao menos, se essa entidade, como a OS Via Amazônia, está ou não habilitada, em seu objeto societário, a realizar esse tipo de serviço. Ou, ainda, se é possível dispensar licitação para esse tipo de serviço.


Eu, cidadã, contribuinte, também quero ser contraparente de algum governante, e abrir uma OS em endereço incerto e não sabido - montada nas coxas!...

E, mesmo assim, ganhar um contrato fabuloso, para administrar uma estrutura pública, na qual foram torrados milhões em dinheiro público...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero participar dessa mamata, dessa lambança, dessa patifaria, dessa bandalheira...


Até porque sei que o nosso TCE não verá nisso nem sombra de irregularidade!...


E o nosso TCE deve estar certo, né mermo?...


Eis que o nosso TCE, como diria Marco Antonio, é um “organismo” honrado... Feito de homens e mulheres de conduta ilibada, cujo primeiro e único compromisso é com o trato do dinheiro público...


Nunca fui tão achincalhada, tão aviltada, como por essa comunicação do TCE.


Imagino que todos os órgãos públicos, sustentados com dinheiro público, aos quais denunciei o Caso Hangar, agirão, nas próximas semanas, do mesmíssimo jeito.


E eu, que mostrei essa bandalheira, essa patifaria, essa lambança passarei da condição de vítima a algoz.


Estranhos tempos estes!...


Que estanhos tempos!...


Mas, pensando bem, por que estranhar, né mermo?


Afinal, estes são os tempos do PT!...


FUUUUIIIIII!!!!!!!



Gracias a la vida



Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me dio dos luceros que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en la multitudes el hombre que yo amo.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el oído que en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario,
Y con el las palabras que pienso y declaro,
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando,
La ruta del alma del que estoy amando.


Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro el bueno tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la marcha de mis pies cansados,
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto.


!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!


(Violeta Parra)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

folha



Leia, mas não deixe de ver reportagem sobre o assunto, neste blog, alguns posts abaixo:








Deu na Folha de S.Paulo


Gasto do Pará com viagens sobe 30% e atinge R$ 95 mi





Os gastos do governo do Pará com viagens no ano passado foram os mais altos da década e superaram, em 2008, as despesas nesse mesmo quesito da maioria dos órgãos do governo federal e de Estados como Minas Gerais, que tem mais que o dobro de servidores.


Dados da Secretaria Estadual da Fazenda indicam que, até novembro de 2008, a administração paraense, que emprega 210 mil pessoas, gastou R$ 95,1 milhões com diárias de civis e militares, passagens e locomoção de seus funcionários que viajam a trabalho.


Para efeito de comparação, o governo mineiro, com cerca de 504 mil funcionários, gastou R$ 92,2 milhões no período.


São Paulo teve o triplo de despesas (R$ 306 milhões) com as mesmas rubricas. Mas, proporcionalmente, elas também são inferiores às do Pará, já que o governo paulista tem quase cinco vezes o número de funcionários do governo paraense.


Os gastos do ano passado representam um salto de 30% em relação a 2007. Naquele ano, o primeiro da administração de Ana Júlia Carepa (PT), as viagens custaram R$ 73 milhões. Antes, o recorde pertencia a 2005, penúltimo ano de Simão Jatene (PSDB) à frente do governo -R$ 82,4 milhões.


Se comparadas com os gastos em viagens do governo federal, as despesas do Pará só estão atrás de quatro pastas: Defesa, Educação, Justiça e Saúde. Assinante do jornal leia mais em: Gasto do Pará com viagens sobe 30% e atinge R$ 95 mi




Fonte: blog do Noblat

sábado, 17 de janeiro de 2009

La Bamba

Curta!...Mas não deixe de ler a postagem abaixo sobre os gastos com viagens do Governo do Estado



La Bamba!



Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí, por ti.
Ay arriba y arriba
Y arriba y arriba, por ti seré,
Por ti seré.
Por ti seré.

Yo no soy marinero.
Yo no soy marinero, soy capitan.
Soy capitan.
Soy capitan.

Bam-ba-bamba,
Bam-ba-bamba,
Bam-ba-bamba,
Ba...

Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí, por ti.
Ay arriba y arriba.

R-r-r-r-r, Ja! Ja!

Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí,por ti.
Ay arriba y arriba
Ay arriba y arriba, por ti seré,
Por ti seré.
Por ti seré.

Bam-ba-bamba.
Bam-ba-bamba.
Bam-ba-bamba.

( Folclore Mexicano/ Adap.Richie Valens)

Extra! Diárias

EXTRA! EXTRA!


Viagens:


Governo do Pará gasta mais
que a Presidência da República


*Diárias tiveram crescimento recorde em 2008.
*Valores equivalem a pacotes com avião e hotel de luxo aos principais destinos turísticos do planeta.
*Lista revela 82 pessoas com mais de R$ 20 mil em diárias em 2008.
*Autarquia paga valores fixos por mês.




É incrível, mas, verdadeiro: o Governo do Estado gastou com viagens, no ano passado, mais do que a Presidência da República, a maioria dos ministérios – incluindo o das Relações Exteriores – e até que a Câmara dos Deputados.


Aliás, o Governo do Pará gastou em viagens mais do que a Justiça Eleitoral, no ano eleitoral de 2008.


A informação, que parece inacreditável, pode ser facilmente verificada através do cruzamento de documentos públicos locais – balanços e balancetes do Estado – com um levantamento publicado, nesta semana, pelo site Congresso em Foco.


Lá, consta que as despesas de viagens da Presidência da República (diárias, passagens, locomoção e bilhetes) ficaram em pouco mais de R$ 56 milhões.


No entanto, os gastos do Governo do Pará, nesse mesmo item, superaram R$ 95 milhões, conforme o balancete de novembro último, que registra, apenas, o acumulado até então.


No mesmo período, a Câmara dos Deputados gastou R$ 80,3 milhões; o Ministério da Fazenda R$ 72 milhões; o Ministério da Agricultura R$ 69 milhões; o das Relações Exteriores R$ 66,2 milhões; o do Desenvolvimento Agrário R$ 62,9 milhões; o da Previdência Social R$ 58,6 milhões; o do Meio Ambiente R$ 37,3 milhões; a Justiça Eleitoral R$ 35 milhões – apenas para ficar nos exemplos mais significativos, abaixo dos gastos paraenses.


Até porque, entre todos os entes da União – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – só quatro gastaram mais que o Governo do Pará, em viagens, no decorrer de 2008: os ministérios da Defesa, da Educação, da Justiça e da Saúde.




Diárias dobraram em relação a 2006


A maior parte dessas despesas do Governo do Pará se deve ao extraordinário aumento das diárias de viagem.


Até novembro do ano passado, conforme o balancete estadual, o Governo paraense já havia consumido quase R$ 55,8 milhões em diárias - ou o dobro de 2006 e 40% a mais do que em 2007.


Pior: os gastos do Governo do Estado com diárias, até novembro, já eram os maiores da década.


Aliás, quando se examina a série histórica, constata-se, em 2007 e 2008, até um descompasso entre o crescimento das diárias e o decréscimo das despesas com locomoção.


Diárias, vale lembrar, cobrem, apenas, os custos da alimentação, hospedagem e transporte em uma determinada cidade.


Os meios para se chegar até lá (bilhetes de avião e fretamento de veículos, por exemplo) são contabilizados em outra rubrica orçamentária: “Passagens e Despesas com Locomoção”.


Veja a série histórica preparada pela Perereca da Vizinha, com os gastos de viagem do Governo do Estado, desde 2000*.



Em 2000



Diárias servidores civis: R$ 8.695.924,19
Diárias servidores militares:R$ 3.346.431,05
Total diárias: R$ 12.042.355,24
Passagens e despesas de locomoção: R$ 14.293.177,33
Diárias mais passagens: R$ 26.335.532,57


Em 2001


Diárias civis: R$ 9.917.611,24
Diárias militares: R$ 2.877.044,31
Total diárias: R$ 12.794.655,55
Passagens e despesas de locomoção: R$ 18.100.189,02
Diárias mais passagens: R$ 30.894.844,57


Em 2002


Diárias civis: R$ 12.822.967,44
Diárias militares: R$ 3.133.369,72
Total diárias: R$ 15.956.337,16
Passagens e despesas de locomoção: R$ 25.903.332,20
Diárias mais passagens: R$ 41.859.669,36


Em 2003


Diárias civis: R$ 16.529.369,97
Diárias militares: R$ 5.945.207,10
Total diárias: R$ 22.474.577,07
Passagens e despesas de locomoção: R$ 31.933.869,08
Diárias mais passagens: R$ 54.408.446,15


Em 2004


Diárias civis: R$ 19.397.565,17
Diárias militares: R$ 5.170.269,86
Total diárias: R$ 24.567.835,03
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.980.463,36
Diárias mais passagens: R$ 64.548.298,39


Em 2005


Diárias civis: R$ 23.020.057,37
Diárias militares: R$ 8.544.344,41
Total diárias: R$ 31.564.401,78
Passagens e despesas de locomoção: R$ 50.925.850,56
Diárias mais passagens: R$ 82.490.252,34


Em 2006


Diárias civis: R$ 22.209.087,08
Diárias militares: R$ 6.712.393,00
Total diárias: R$ 28.921.480,08
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.027.295,01
Diárias mais passagens: R$ 67.948.775,09


Em 2007


Diárias civis: R$ 27.910.275,93
Diárias militares: R$ 12.111.143,49
Total diárias: R$ 40.021.419,42
Passagens e despesas de locomoção: R$ 33.059.920,27
Diárias mais passagens: R$ 73.081.339,69


Em 2008


Diárias civis:R$ 38.982.400,76
Diárias militares: R$ 16.814.037,26
Total diárias: R$ 55.796.438,02
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.351.568,98
Diárias mais passagens: R$ 95.148.007,00



*Os dados de 2000 a 2007 foram retirados dos balanços gerais do Estado. Já os números de 2008 são do balancete de novembro e dizem respeito, apenas, ao acumulado até aquele momento. Os documentos podem ser acessados no site da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa).



Um ano de ICMS de Belém


Quando se somam as diárias e as despesas com locomoção destes dois anos, o que se verifica é que o Governo do Estado já consumiu mais de R$ 168,2 milhões em viagens, pelo Pará, pelo Brasil e até pelo exterior.

É dinheiro que não acaba mais.


Para se ter idéia, quase empata com os R$ 175,2 milhões que Belém recebeu, no ano passado, em repasses de ICMS do Governo Estadual, para administrar o cotidiano de 1,5 milhão de habitantes.


É claro que, na dinheirama consumida por essas viagens, estão incluídas despesas essenciais ao contribuinte, como o deslocamento de policiais, bombeiros e técnicos de Saúde, por exemplo.


Mesmo assim, fica difícil entender o porquê do espantoso crescimento desses gastos, num país cuja inflação não atinge nem dez por cento ao ano.


E mais ainda num estado como o Pará, onde a metade da população tem renda inferior a R$ 200,00 por mês – ou menos que a diária de um secretário estadual (R$ 270,00), quando viaja para outros estados do País.



Uma profusão de aumentos


Quando se fala em diárias de viagem, tudo subiu: desde os valores até a quantidade de contemplados.


Em 2006, apenas oito pessoas receberam mais de R$ 20.000,00 em diárias, no Governo do Estado.


Em 2007, esse número saltou para 35.


No ano eleitoral de 2008, simplesmente explodiu: foram nada menos que 82.


A quantidade de gente que viajou também cresceu: 10.166 funcionários, em 2006; 11.802, em 2007; 13.107, em 2008, conforme o site da Auditoria Geral do Estado (AGE), no link “Transparência Pará”.


E o Governo do Estado também dobrou o valor das diárias, em julho de 2007.


É certo que elas já estavam sem reajuste desde 2003. Mas, também é fato que subiram muito acima da inflação do período.


Com isso, as diárias para secretários de estado e equivalentes, nas cidades mais próximas da RMB (até Castanhal e Vigia, por exemplo) passaram de R$ 50,00 para R$ 120,00. Nos demais municípios saltaram de R$ 75,00 para R$ 157,00. Para outros estados passaram de R$ 150,00 para R$ 270,00.


Já os demais servidores recebem diárias de, no máximo, R$ 135,00, no interior do Pará; e de R$ 240,00, nas viagens interestaduais.


Para o exterior, as diárias variam de 300 a 400 dólares, conforme o destino e o cargo que se ocupa.


É verdade que as maiores diárias são dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado: eles ganham R$ 744,00, nos deslocamentos pelo Brasil; 496 dólares, na América Latina e 620 dólares, nos demais países.


Porém, quem mais gasta é mesmo o Executivo.


Dos R$ 27 milhões que o Governo do Estado consumiu em diárias, em 2007, apenas uns R$ 3,2 milhões foram gastos pelos demais Poderes.



Sem IR nem Responsabilidade Fiscal


De acordo com o Regime Jurídico Único (RJU), diárias têm caráter indenizatório: cobrem, apenas, como já se disse, despesas de hospedagem, alimentação e transporte no destino.


E como não constituem, em tese, um rendimento, não têm desconto de Imposto de Renda.


Também são contabilizadas, no balanço, como outras despesas de custeio – quer dizer, não entram na rubrica “gastos com pessoal”, sobre a qual há limites ferrenhamente impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).



Dinheiro para um “tour” no Tahiti


Entre os 13 mil contemplados, pelo Governo do Estado, há 82 pessoas que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado.


Desses 82, doze contabilizaram valores acima de R$ 30 mil.


Houve quem recebesse em diárias, num único mês, o equivalente a pacotes, com avião e hotel de luxo, para os principais destinos turísticos do mundo – Roma, Paris, Nova York – ou até para inesquecíveis 10 dias no paradisíaco Tahiti...


Exemplo: o servidor Cássio Alves Pereira, da Secretaria Estadual de Agricultura, que recebeu mais de R$ 26 mil.


Consta, no site da AGE, que ele só não viajou nos meses de janeiro e dezembro.


E, por vezes, recebeu verdadeiras boladas: quase R$ 6 mil em diárias em abril; mais de R$ 10 mil em novembro.


O mesmo vale para Edna Maria da Costa e Silva, da Secretaria de Meio Ambiente: foram cerca de R$ 5 mil em diárias em janeiro; cerca de R$ 6 mil em março; R$ 4,5 mil em dezembro - sem contar os demais meses.
Outro exemplo: Marcos Eduardo Sachi, da Paratur: R$ 9,7 mil em diárias em fevereiro; R$ 10,5 mil em junho; quase R$ 7 mil em setembro; mais de R$ 5 mil em outubro.


Mas, a campeã de diárias do Pará é Maria de Belém Nazareth Gomes, da Paratur, há pelo menos três anos na liderança do ranking.


Maria recebeu R$ 44.169,59, em 2006; R$ 54.003,30, em 2007; e R$ 60.703,90, em 2008.


Quer dizer: foram 50% a mais de diárias, em apenas dois anos.


Maria se defende apontando o lugar estratégico que ocupa - é gerente de Assuntos Internacionais da Paratur - e a cuidada qualificação: é administradora de empresas com MBA em gestão em Turismo, e especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Além disso, domina três idiomas: inglês, francês e espanhol.


Também aponta o resultado da presença do Pará no exterior: o aumento do fluxo turístico para o estado.


Lista os importantes eventos em que representou o Pará. Chama a atenção para a relação custo/benefício do trabalho que realiza.


O problema é que não se questiona o trabalho da servidora - embora não pareça razoável acreditar no peso exclusivo das suas viagens para o aumento do fluxo turístico paraense...


Aliás, não se questiona nem a qualificação que possui, acima da média do mercado local.


O que se estranha é o valor que recebe em diárias - e não só ela, mas, um punhado de servidores.


Exemplo: os R$ 10 mil recebidos em diárias, num único mês, por Maria, Cássio e Marcos Sachi, dentre outros, para despesas de alimentação, hospedagem e transporte local.


É dinheiro suficiente para mais de dois meses no interior do Pará e para um mês de viagens nababescas pelo Brasil e por alguns dos principais paraísos turísticos do mundo.


Exemplo: os pacotes de grandes operadoras de Turismo, oferecidos na internet e em revistas especializadas.


São R$ 8,5 mil por 10 dias e 9 noites no paradisíaco Tahiti, com transporte aéreo, hospedagem e traslado inclusos; R$ 4 mil por oito dias em Aruba, saindo de São Paulo e com transporte e hospedagem inclusos; R$ 4.725,60 por sete noites, para compras, em Nova York (com passagem, hospedagem e visita aos principais pontos turísticos); R$ 3.250,00 por cinco noites em Lisboa ou por nove dias e seis noites em Paris; algo em torno de R$ 3.700,00 para até 9 dias em Roma, a Cidade Eterna.


Para o Brasil, então, nem se fala: R$ 10 mil dão para visitar a Serra Gaúcha, o Nordeste, as cidades históricas mineiras; dão para uns dois meses, em excelentes hotéis.


E note-se que os R$ 10 mil recebidos por esses servidores não incluem as passagens de avião.


Maria de Belém argumenta que a comparação não cabe, porque não há como atrelar as viagens que faz aos períodos impostos pelas operadoras turísticas, que possibilitam essa redução de preço.


Além do que, a compra das passagens é feita pela empresa que venceu o processo licitatório da Paratur.


Mesmo assim, é difícil aceitar que o dinheiro de impostos esteja desaparecendo em despesas de viagem.




As idas e vindas da campeã, Maria de Belém


A imbatível Maria de Belém de Nazareth Gomez, da Paratur, fez, pelo menos, oito viagens, no ano passado, com os mais de R$ 60 mil que recebeu em diárias.



1)De acordo com o Diário Oficial, entre 4 e 19 de março ela esteve na França, junto com outro funcionário da Paratur, para participar da "Feira de Bressuire e da Feira de Turismo Le Monde a Paris". Foram 16 diárias.



2)De 21 a 24 de março, ela foi para Guadalupe, no Caribe francês, novamente acompanhada de outra servidora da Paratur, para participar do evento internacional "La Fête du Crabes et de la Mangrove". Mais quatro diárias



3)De 16 a 21 de abril, incansável, Maria de Belém foi à Caiena, acompanhada de uma técnica, para participar do10° Salão de Turismo da Guiana Francesa. Mais seis diárias.



4)De 16 a 24 de maio, voltou à Europa - às cidades de Nantes, Rennes e Lillee Strasbourg, para participar do "2º Roadshow do Brasil na França". Mais nove diárias.



5)De 30 de junho a 2 de julho voltou à Caiena, na Guiana Francesa, para participar da apresentação do "Programa Operacional Amazônia". Mais três diárias.



6)De 1 a 6 de outubro esteve em Paramaribo, no Suriname, novamente em companhia de um servidor da Paratur, para participar do "Suriname Tourism Fair". Mais seis diárias



7)De 21 a 28 de outubro, viajou para a belíssima Itália. Sempre acompanhada de outra funcionária pública, esteve na cidade de Rimini, para participar do evento "TTG Incontri". Mais oito diárias.



8)Finalmente, de 5 a 15 de novembro, acompanhou a governadora em suas andanças pela China. Mais 11 diárias.




Os 82 com mais de R$ 20 mil


Veja a lista dos 82 servidores que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, conforme o site da AGE:


Maria de Belém de Nazareth Gomez – R$ 60.703,90
Luíza Antonia Rachid Miranda - R$47.790,00
Charles Campos e Campos – R$ 41.953,50
Rosely Souza Pereira – R$ 40.702,50
Ambrosio Lindoso da Silva Filho – R$ 39.825,00
Reginaldo Mauro Cunha Dorea – R$ 35.842,50
Vicente de Paulo Pureza – R$ 35.842,50
Fernando Josias da Costa Leal – R$ 35.775,00
Maurílio de Abreu Monteiro – R$ 34.796,00
Astrid Maria Fiel Cabral B. Soares – R$ 33.142,50
Marcos Eduardo Sacchi – R$ 32.423,71
Maria da Graça Carvalho de Albuquerque – R$ 30.645,00
Fernando José Monteiro Menezes – R$29.182,50
Antonio Santos – R$ 28.912,50
Guilherme Alves Mendes – R$ 28.147,50
Maria Ivonete Lira Farias – R$ 28.080,00
Olga Santos Torres de Assis – R$ 27.982,50
Janete Lima Paes – R$ 27.877,50
Suely de Jesus Ribeiro da Silva – R$ 27.877,50
Raimundo Laércio Araújo de Souza – R$ 27.405,00
Édson de Almeida Calcagno – R$ 27.216,00
Osmar Lima Sampaio Júnior – R$ 27.202,50
Juarez Araújo de Souza – R$ 26.730,00
Edna Maria da Costa e Silva – R$ 26.502,07
Cássio Alves Pereira – R$ 26.261,44
Wellington Prestes de Lima Nascimento – R$ 26.082,50
Ana Nery Monteiro Lisboa – R$ 25.852,50
Antonia do Socorro Pena da Gama – R$ 25.703,44
Marne Brasil Vieira – R$ 25.582,50
Sonia Suely dos Reis Pedroso – R$ 25.402,50
Paulo Roberto Reis de Almeida – R$ 25.157,50
Gilson da Luz Sousa – R$ 24.997,50
Mário Sérgio de Lima Sousa – R$ 24.975,00
José Cleison Cohen Pereira – R$ 24.907,50
Joelcio Junior da Costa Graça – R$ 24.415,00
Daniel José B. Sidonio – R$ 24.060,00
Diego Bruno Martins das Chagas – R$ 24.060,00
Daniel Luiz Monteiro Freire – R$ 23.760,00
José Hilton da Silva Cunha – R$ 23.692,50
Nazário Pereira – R$ 23.625,00
Diego Teixeira da Silva – R$ 23.505,00
Edilson Batista Dutra – R$ 23.490,00
Cleide Cilene Tavares Rodrigues – R$ 23.463,00
Mariza Campos de Melo Freitas – R$ 23.422,50
Andre Segantin Luiz – R$ 23.162,76
Valmir Gabriel Ortega – R$ 23.050,17
Mariceli Nascimento Moura – R$ 23.015,00
Alicio Brito Filho – R$ 22.800,50
Ann Clelia de Barros Pontes – R$ 22.698,70
Maria Sueli Damasceno do Nascimento – R$ 22.687,50
Huguaraci Araújo Dias – R$ 22.680,00
Raimundo Socorro Costa Almeida – R$ 22.545,00
Maria Eloisa dos Santos Leal – R$ 22.410,00
Marco Antonio Cunha Solimões – R$ 22.385,50
Cesar Murilo Campelo Jucá – R$ 22.012,50
Maria Claras das Neves – R$ 22.005,00
Mara Sílvia Galvão da Silva Carneiro – R$ 21.982,50
Paulo Joaquim Pina de Queiroz – R$ 21.900,00
Clodoaldo Ferreira dos Reis – R$ 21.802,50
José Eli da Costa – R$ 21.766,50
Luiz Otávio Maciel Miranda – R$ 21.538,12
Eric Bruno da Silva Batista – R$ 21.465,00
Eliomar Campos Faustino – R$ 21.445,00
José Maria de Oliveira Picanço – R$ 21.195,00
Afonso Luiz Marinho França – R$ 21.195,00
Heldecir Lima Conceição - R$ 21.195,00
Maria Raimunda Moraes Sidrim – R$ 21.195,00
Fernando Mesquita Ribeiro – R$ 21.102,50
David Teixeira Alves – R$ 21.034,67
Júlio César Meyer Junior – R$ 20.944,50
Ed Wilson Souza Nascimento – R$ 20.943,00
Miguel Jurandir Melo de Oliveira – R$ 20.857,50
Carlos Antonio Duarte Rodrigues – R$ 20.722,00
Geovani de Aviz Gentil – R$ 20.685,00
Ismênia Raimunda Rossi Gralato – R$ 20.587,50
Jaime Menescal de Souza – R$ 20.580,00
Jorge do Carmo dos Santos Farias – R$ 20.385,00
Maria de Nazaré de Andrade Moreira Porto – R$ 20.261,00
Rosania do Socorro Garcia Campestrini – R$ 20.257,50
José Fernandes Costa – R$ 20.182,50
Maria Cristina Marçal Cavalcante – R$20.115,00
José Maria Nascimento Gomes – R$ 20.035,00



Indícios de folha suplementar?


Dos 82 funcionários públicos que receberam acima de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, nada menos que 34 - ou mais de 40% - são funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).


O restante trabalha em diversos órgãos, especialmente no Iterpa.


Mas, as diárias do Detran não chamam a atenção, apenas, pelo valor e pela quantidade de contemplados.


Há algo bem mais complicado: a repetição, todos os meses, dos mesmíssimos valores, no caixa desses funcionários. Uma coisa facílima de constatar, no site da AGE.


Veja-se o exemplo da servidora Luiza Antonia Rachid Miranda, a segunda colocada no ranking, beneficiada com R$ 47.790,00 em diárias, no ano passado.


Quando se verifica o detalhamento desse dinheiro - a partir das ordens bancárias (OBs) já lançadas no site - o que se percebe é uma improbabilidade tão grande quanto ganhar na mega-sena: Luíza teria recebido exatos R$ 3.982,50 em diárias, a cada mês do ano passado, à exceção, apenas, de junho.


Em compensação recebeu, em maio, duas Obs no valor de R$ 3.982,50 - exatamente como quem sai de férias...


"Isso é realmente muito estranho, porque os valores das diárias, geralmente, são variáveis" - comenta um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).


E embora ele esteja habituado a analisar contas públicas, seu espanto deriva tão somente do bom senso: como diárias cobrem despesas de hospedagem, alimentação e transporte local e variam conforme a distância do lugar para onde se viaja, não há como imaginar que possam ter um valor fixo, todo santo mês.


Além disso, esses R$ 3.982,50, quando divididos por 30, resultam em R$ 132,75 por dia.


Quer dizer: para receber esses quase R$ 4 mil de diárias, Luíza teria de ter viajado, a trabalho, todos os 30 dias de cada mês do ano de 2008.


Isso porque o valor da diária mais alta, para dentro do estado, a todos os servidores que não são secretários de estado (ou equivalente), é de R$ 135,00.



Número Mágico


O problema é que isso não acontece, apenas, com Luíza - na verdade, esse valor em diárias, R$ 3.982,50, até parece um número mágico, tanto que se repete no Detran.


Exemplo: Rosely Souza Pereira, a terceira do ranking.


É certo que ela recebeu apenas R$ 877,50 em janeiro do ano passado.


Mas, de fevereiro a dezembro, caíram religiosamente no bolso de Rosely, a cada mês, R$ 3.982,50 em diárias.


A exceção foi março, quando nada recebeu.


Em compensação, em maio, foram duas ordens bancárias de R$ 3.982,50.


Mais um exemplo: Ambrósio Lindoso da Silva Filho, quinto do ranking.


Ambrósio recebeu R$ 3.982,50 em diárias nos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e dezembro, além de uma OB extra, de R$ 3.982,50, em outubro.


Mais ou menos o que aconteceu com o oitavo do ranking, Fernando Josias da Costa Leal, que recebeu R$ 3.915,00 em janeiro; e R$ 3.982,50 de fevereiro a setembro.


Ou com Vicente de Paulo Pureza (7 do ranking), com R$ 3.982,50 em diárias, nos meses de março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro - e uma OB extra em julho, de igual valor.


Ou com Reginaldo Mauro Cunha Dorea (6 do ranking): R$ 3.982,50 em diárias, de abril a novembro, e uma ordem bancária extra, em abril.



Situações curiosas


No Detran, os valores das diárias se repetem tanto que geram situações curiosas: quantitativos idênticos, nos mesmos meses, a funcionários diferentes.


Isso aconteceu, por exemplo, com os servidores Afonso Luiz Marinho França e Heldecir Lima Conceição, com idênticos R$ 21.195,00 em diárias, no ano passado.


Eles receberam R$ 3.982,50 em fevereiro, março, abril, maio e julho, sendo que, em fevereiro, ambos receberam Obs extras no valor de R$ 405,00; e em agosto tiveram diárias, também idênticas, de apenas R$ 877,50.


Pelo menos é isso o que já foi atualizado no site da AGE. Por isso, não se sabe se a improvável coincidência se repetiu até o final do ano.



Detran nega irregularidades


Um promotor de Justiça lembra que diárias de viagem não têm valor fixo, nem podem se estender por meses a fio.


"Se atentarmos para o princípio da razoabilidade, o tempo limite ao pagamento de diárias será de uns 30 dias", observa.


E diz que, se comprovado o pagamento irregular, tanto quem recebeu, quanto quem o ordenou pode ter de devolver o dinheiro aos cofres públicos.


"O crime de improbidade prescreve em cinco anos, a partir do momento em que o gestor deixa o cargo. Mas, a devolução do dinheiro de um ato ilícito é imprescritível", assinala.


O Detran nega, porém, a existência de irregularidades.


Em nota, garante que "todas as diárias concedidas no exercício de 2008 foram feitas dentro das exigências legais, sem priorizar servidores ou como forma de pagamento de 'folha suplementar".


Ainda segundo a nota, o maior número de diárias em relação a 2007 se deve "a maior interiorização dos serviços da autarquia".


Acresce que as viagens objetivaram atividades "de suma importância", como a fiscalização do trânsito e ações educativas. E que a "a falta de agentes de trânsito lotados no interior e o pequeno efetivo que operou em 2008, somados à necessidade de intensificar as operações para diminuir o número de veículos irregulares trafegando e para a redução de acidentes, contribuiu para o elevado número de diárias no ano passado".


Mas, promete, a situação "muda" em 2009, com a colocação de agentes de trânsito concursados nas regionais da autarquia.


No entanto, apesar do que diz a nota, essa profusão de diárias do Detran não é nova: na verdade, quando se consulta o Balanço Geral do Estado percebe-se que ele foi o organismo estadual que mais gastou com diárias em 2007: foram mais de R$ 2,8 milhões.


Isso superou até gigantes como a Seduc, a Polícia Civil e a Sespa.


Aliás, o que o Detran torrou, em 2007, correspondeu a 10% da totalidade dos gastos com diárias (R$ 27,9 milhões) daquele ano.



Pará gasta mais que a Presidência da República


A lista dos gastos com viagens, no ano passado, do Governo Federal, foi publicada pelo site Congresso em Foco (http://congressoemfoco.ig.com.br/). Ou (http://congressoemfoco.ig.com.br/Ultimas.aspx?id=26100)


O levantamento foi realizado pela ONG Contas Abertas, a partir de dados do Siafi.


Transcrevo, como posso, a tabela. Se você não entender, dê um pulo no site.




DESPESAS COM DIÁRIAS, PASSAGENS, LOCOMOÇÃO E BILHETES


Dotação Atualizada/ Despesas Empenhadas/ Despesas Executadas/Valores Pagos/ RP PAGOS( Proc Não Proc)/TOTAL PAGO EM 2008/ TOTAL DE RP A PAGAR


MINISTERIO DA DEFESA 178.687.761,30/ 220.217.019,22/ 210.648.479,21/ 196.069.221,23/ 11.738.908,35/ 207.808.129,58/ 70.445,09


MINISTERIO DA EDUCACAO 203.754.568,30/ 199.852.251,00 170.616.872,77/ 166.321.988,14/ 9.309.563,29/ 175.631.551,43/ 4.815.607,23


MINISTERIO DA JUSTICA 153.807.540,75/ 147.267.477,79/ 136.971.867,48/ 136.779.185,11/ 2.364.515,79/ 139.143.700,90/ 598.085,53


MINISTERIO DA SAUDE 120.612.878,01/ 105.660.322,42/ 98.912.761,97/ 95.500.557,25/ 2.641.888,27/ 98.142.445,52/ 121.486,67


CAMARA DOS DEPUTADOS 80.905.000,00/ 80.602.889,70/ 66.276.646,75/ 66.192.364,72/ 13.996.327,12/ 80.188.691,84/ 126.683,64


MINISTERIO DA FAZENDA 79.099.637,89/ 73.302.010,65/ 71.186.267,55/ 71.126.398,10/ 473.656,15/ 71.600.054,25/ 542.253,46


MINIST. DA AGRICUL.,PECUARIA E ABASTECIMENTO 68.085.953,56/ 69.478.950,43/ 68.504.933,46/ 67.890.060,97/ 1.160.823,37/ 69.050.884,34/ 55.666,87


MINISTERIO DAS RELACOES EXTERIORES 66.116.165,90/ 69.181.860,43/ 66.048.669,71/ 66.044.115,22/ 156.985,44/ 66.201.100,66/ 2.030,60


MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRARIO 76.818.681,91/ 66.596.745,26/ 60.873.569,91/ 60.785.650,52/ 1.696.095,44/ 62.481.745,96/ 441.241,18


MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL 63.288.522,74/ 61.243.020,88/ 58.142.509,24/ 57.824.549,49/ 829.554,99/ 58.654.104,48/ 46.882,44


PRESIDENCIA DA REPUBLICA 72.831.114,19/ 62.242.185,87/ 54.597.947,58/ 54.243.637,66/ 1.520.018,88/ 55.763.656,54/ 383.284,08


MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE 43.711.500,45/ 38.480.273,47/ 37.088.295,59/ 37.083.890,67/ 48.928,95/ 37.132.819,62/ 263.903,12


JUSTICA ELEITORAL 41.345.561,64/ 35.679.480,38/ 35.084.875,46/ 35.072.436,22/ 71.048,46/ 35.143.484,68/ 12.293,96


SENADO FEDERAL 27.648.505,75/ 27.616.237,25/ 26.423.330,15/ 26.423.330,15/ 1.588.506,50/ 28.011.836,65/ 2.708.673,19


JUSTICA DO TRABALHO 26.938.966,38/ 26.918.757,44 /26.259.733,90/ 25.979.808,30/ 253.023,85/ 26.232.832,15/ 68.674,37


MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIA 31.992.487,51/ 27.768.940,39/ 25.650.705,12/ 25.568.641,52/ 640.378,69/ 26.209.020,21/ 206.865,88


MINISTERIO DO PLANEJAMENTO,ORCAMENTO E GESTAO 23.038.302,18/ 25.847.575,83/ 24.949.707,81/ 24.820.885,98/ 72.896,29/ 24.893.782,27/ 28.125,02


MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA 23.248.251,33/ 23.349.098,51/ 21.318.544,64/ 21.237.868,11/ 429.667,62/ 21.667.535,73/ 1.559.813,30


MINISTERIO PUBLICO DA UNIAO 21.927.404,46/ 20.711.456,56/ 19.956.882,76/ 19.956.852,76/ 718.576,95/ 20.675.429,71/ 115.971,45


JUSTICA FEDERAL 21.724.672,95/ 20.911.515,00/ 20.363.989,81/ 20.363.641,45/ 169.792,49/ 20.533.433,94/ 63.629,68


MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO 21.223.989,56/ 19.272.146,59/ 19.125.709,83/ 19.123.879,34/ 14.606,21/ 19.138.485,55/ 152,09


MINISTERIO DOS TRANSPORTES 34.089.926,08/ 22.433.519,27/ 17.488.251,18/ 17.485.664,75/ 597.991,91/ 18.083.656,66/ 421.890,58


MINISTERIO DO DESENV,IND. E COMERCIO EXTERIOR 16.722.284,04 /15.887.843,75/ 14.508.890,33/ 14.392.896,10/ 243.356,65 14.636.252,75/ 419.067,62


MINISTERIO DA INTEGRACAO NACIONAL 32.778.813,90/ 14.800.727,91/ 13.103.231,41/ 13.090.862,60/ 435.899,16/ 13.526.761,76/ 89.108,01


MINISTERIO DA CULTURA 13.559.330,41/ 12.920.981,41/ 11.271.054,27/ 11.251.206,77/ 654.773,23/ 11.905.980,00/ 128.805,40


MINISTERIO DAS COMUNICACOES 13.343.020,82/ 11.722.285,36/ 9.941.973,57/ 9.941.973,57/ 68.069,40/ 10.010.042,97/ 12.847,03


MINISTERIO DAS CIDADES 8.916.049,08/ 7.032.508,68/ 6.197.912,50/ 6.177.647,84/ 356.491,22/ 6.534.139,06 /77.598,14


TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIAO 6.399.581,76/ 6.397.399,99/ 6.099.170,67/ 6.099.170,67/ 168.352,47/ 6.267.523,14/ 146.851,64


MINISTERIO DO TURISMO 4.816.070,89/ 4.717.893,39/ 4.453.487,80/ 4.448.719,16/ 16.622,51/ 4.465.341,67/ 9.309,70


MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME 6.871.845,84/ 4.032.683,30/ 3.784.926,69/ 3.782.791,93/ 27.962,03/ 3.810.753,96/ 376.223,06


SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 4.039.020,37/ 4.039.020,37/ 3.628.181,28/ 3.628.181,28/ 180.806,93/ 3.808.988,21/ 87.572,50


MINISTERIO DO ESPORTE 4.058.625,68/ 3.643.234,59/ 3.124.176,20/ 3.113.943,27/ 158.293,58/ 3.272.236,85/ 0,00


JUSTICA MILITAR 2.073.006,20/ 2.072.997,16/ 2.018.749,23/ 2.016.785,73/ 23.805,50/ 2.040.591,23/ 23.015,15


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA 1.998.875,67/ 1.998.875,67/ 1.338.167,47/ 1.338.167,47/ 542.824,66/ 1.880.992,13/ 54.553,09


JUSTICA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS 352.790,16/ 352.790,16/ 336.884,78/ 334.660,16/ 6.148,09/ 340.808,25/ 0,00


TOTAL 1.596.826.707,66/ 1.534.252.976,08/ 1.416.297.358,08/ 1.391.511.634,21/ 53.377.160,44/ 1.444.888.794,65/ 14.078.610,77


Fonte: Siafi
*Até 31/12, com base em 03/01/09
OGU 2008*

Franssinete

Pobreza e pedofilia: até quando?



Recebi, nesta semana, do gabinete do deputado Bordalo, a matéria abaixo, de autoria da jornalista e blogueira Franssinete Florenzano.


Infelizmente, andei tão balada que nem consegui colocá-la no blog.


E ia fazê-lo – o que normalmente não faço – devido à qualidade da reportagem, que achei muito boa e muito importante para todos nós.


Hoje, estou atualizando o blog com a matéria sobre as viagens do Governo do Estado e já se passaram vários dias desde que recebi essa matéria.


Mas, quero muito que ela fique registrada na Perereca. Por todas as denúncias que contém.


Assim, decidi publicá-la, apesar do atraso. Ei-la:




“O arquipélago do Marajó registra um índice de desenvolvimento humano (IDH) comparável ao dos países mais pobres da África. A população está mergulhada na pobreza, no desamparo, tráfico humano e de drogas, com milhares de casos de pedofilia, abuso e exploração sexual infanto-juvenil, grilagem de terras e desmatamento ilegal. Há grave violação dos direitos humanos envolvendo principalmente mulheres, adolescentes e crianças. A malária em Anajás é uma tragédia à parte no município com cerca de 25 mil habitantes. Para se ter idéia, em 2007 foram registrados 10 mil casos, 800 por cada mil habitantes - o tolerável são 50 casos para cada mil. Mais alarmante é que o poder público, mesmo ciente, não toma providências.



“A sociedade está doente, moribunda e a cidadania não existe”, denuncia Dom José Luiz Azcona Hermoso, bispo do Marajó, contando que chegam a divulgar o preço pela cabeça de quem se opõe às quadrilhas que infestam as ilhas. “Isso é uma apologia ao crime. É um grito à consciência dos senhores deputados e senadores”, disse, ao pedir que os parlamentares busquem solução para a violência no Pará.



O conteúdo estarrecedor do relato do bispo à CPI da Pedofilia no Pará nesta quarta-feira, 14, está registrado em documentos entregues oficialmente à Comissão. Um deles é o Relatório da Audiência Pública sobre a situação de exploração e abusos praticados contra crianças e adolescentes realizada no município de Portel, no dia 11 de maio de 2006, produzido pelo assessor Amarildo Geraldo Formentini (morto em um acidente de carro na rodovia Belém—Brasília, em dezembro de 2007, em circunstâncias até hoje não esclarecidas), designado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para representá-la no acompanhamento da tomada de depoimentos, recolhimento de provas sobre trabalho escravo e exploração sexual infanto-juvenil na região do Marajó e adjacências, além de levantamentos referentes à situação das comunidades remanescentes de quilombos, envolvendo inclusive autoridades públicas, como é o caso dos vereadores Roberto Alan de Souza Costa, o "Bob Terra" (que estuprou uma criança de 13 anos de idade) e Adosn de Azevedo Mesquita (também acusado de estupro de menores).



No relatório, um dos depoimentos mais contundentes foi o da senhora C.M.F.C., que “reafirmou publicamente, perante todas as autoridades presentes, que sua filha, a adolescente J.C.A. fora vítima de estupro praticado pelo Vereador da Câmara Municipal de Portel, Roberto Alan de Souza Costa, no dia 05 de abril de 2006. A Sra. C. também denunciou a atitude do Promotor de Justiça da Comarca de Portel, Dr. Carlos Lamarck Magno Barbosa, com a adolescente J.. Acompanhado da aliciadora "Catuta" e de sua mãe (condenada por tráfico de drogas,) fez uma abordagem de forma abrupta e ameaçadora, na porta de sua residência, causando forte constrangimento à menor e a sua família. Esse fato levou a mãe da vítima a pedir o afastamento do referido Promotor do caso de estupro praticado pelo vereador "Bob Terra".”



“A CDHM testemunhou depoimentos de vítimas que afirmam que o Promotor de Justiça, se fazendo acompanhar da jovem conhecida por "Catuta" (Marlúcia Caldas de Almeida) e sua mãe Sra. Nazaré, foram nas casas das vítimas pedindo a essas que dissessem que o Sr. Amarildo Formentini teria dado dinheiro a elas (vítimas) para que falassem em seus depoimentos que tinham sido alvos de abusos sexuais. Registre-se ainda que esta CDHM obteve informações de que à noite, na mesma data da Audiência, o Promotor reuniu-se na Prefeitura da Cidade, com meninas que deram entrevistas à imprensa, o que nos causa estranheza e, no mínimo, precisa ser investigado. Como também precisa ser investigada a ausência do Promotor na Comarca de Portel, no período de 05 a 24 de abril deste, apenas retornando quando o assessor Amarildo Formentini noticiou o fato às autoridades competentes. Ressalte-se que o assessor da CDHM mostrou todo o documentário ao dito Promotor que se disse pasmo com o que viu nas filmagens.” (sic)



O chocante depoimento de Dom Azcona à CPI da Pedofilia não pode ficar sem eco. A exploração de crianças é uma vergonha, uma ferida profunda no Estado do Pará. No Marajó, extremamente pobre e esquecido, não há qualquer controle policial, acusa o bispo. Os rios são rotas para o tráfico de madeiras, drogas e pessoas, é um território de ninguém, situação perpetuada pelo descaso, conivência e corrupção. Meninas costumam vender o corpo nos barcos que passam, o que rendeu a elas o apelido de balseiras. Isso faz com que as famílias miseráveis se desintegrem moralmente, observa o sacerdote. O estado de necessidade de dinheiro faz com que as pessoas encarem qualquer coisa, achem natural e até bom o narcotráfico, porque os traficantes dão comida e remédios. Algumas meninas vendem o corpo por um pouco de óleo diesel com o consentimento da família.




A beleza do arquipélago do Marajó rivaliza com a miséria da região, cortada por imensos rios. Integrado por mais de 3 mil ilhas e ilhotas praticamente inacessíveis, o abandono pelo poder público é secular. Seus 16 municípios abrigam mais de 400 mil pessoas. A economia depende do corte de madeira, do trabalho em fazendas de criação de gado ou da coleta de frutos e sementes nativas. “Aqui a gente convive com a fome, fome brava mesmo”, testemunha a Irmã Rita Raboin, religiosa que mora no local há mais de três anos.



O caso do Tajapuru, onde crianças se prostituem por um quilo de carne e um litro de óleo, é emblemático. As “balseirinhas”, meninas na faixa de 12 anos, ficam à beira dos rios esperando clientes, não importa a hora do dia em que passam. O sexo é pago em litros de óleo diesel. “É uma situação vergonhosa, mas comum, rotineira!”, escandaliza-se Dom José Luiz Azcona, clamando por justiça e proteção a essas crianças e adolescentes, e também fazendo duras críticas às autoridades policiais, coniventes com a situação. “No Marajó foi descoberto um policial que fazia parte de uma quadrilha de tráfico humano, onde 178 mulheres, delas também menores, sendo 52 de Breves, foram enviadas para prostituição na Guiana Francesa”, apontou o bispo.



“E não é só aqui no Marajó. O mesmo está acontecendo em várias outras cidades. Em Santarém, Bragança, Abaetetuba, Cametá, Belém, Marajó, Altamira, Xingu… No Pará, esta problemática está se expandindo cada vez mais. Isso é um fato que se agrava”, indigna-se o religioso.



O abuso sexual intrafamiliar e interpessoal (incesto, pedofilia, estupro, pornografia) e a exploração sexual comercial e não comercial (exploração sexual na prostituição/prostituição infantil, exploração sexual no turismo, pornografia e pedofilia, tráfico para fins sexuais) impedem que as crianças e adolescentes pobres, presentes no contexto histórico como alvo de discriminação e maus-tratos, tenham acesso a uma vida digna.



Dom José Luiz Azcona Hermoso, há anos, tem bradado à exaustão sobre as condições miseráveis em que vive a população do Marajó, denunciando ainda a devastação ambiental, a pesca predatória de arrastão na desembocadura do Amazonas, o descarte criminoso de peixes que deixarão de alimentar a população pobre, apenas para recolher o rendoso camarão que vai para o prato dos ricos.



O bispo diz que a CNBB denuncia a barbárie contra a civilização, por isso atrai para seus membros a ira de criminosos poderosos. As ameaças e assassinatos de religiosos não são novas, condenados e executados pela justiça privada dos que se entendem acima da lei e da ordem. O assassinato da Irmã Dorothy Stang, em 2005, é marco indicativo dessa lógica perversa.



Uma notícia que dá algum alento é que, no último dia 25 de novembro, foi sancionada pelo presidente Lula a lei nº 11.829/2008, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e criminaliza condutas relacionadas a pedofilia. A nova legislação aumenta a pena do agente em 1/3, quando o criminoso tiver se valido das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou ainda quando comete o crime com filho adotado, com criança ou adolescente de quem seja preceptor, com o tutelado, curatelado, empregado, ou quando mantenha qualquer tipo de relação de autoridade com a vítima.



Com isso, o legislador passou a punir com maior gravidade o abuso sexual por pessoas que se valham de relações familiares, de confiança ou de autoridade para a prática do crime. Não raro, crianças e adolescentes são vítimas de pais, tios, patrões e outras pessoas em quem confiam ou a quem devem respeito, o que as deixam muito mais vulneráveis.



A lei torna claro que haverá crime de pedofilia mesmo quando a prática sexual ocorra com o consentimento da vítima.A relação sexual mantida com menor, mesmo com o seu consentimento, corresponde à figura do estupro presumido. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Segundo o ministro do STJ Vicente Leal, a circunstância de haver tido o consentimento da menor nas relações sexuais não desfigura o delito, persistindo a lesão ao bem jurídico tutelado, pois a criança permanece sofrendo a ação criminosa do réu, de modo continuado, sendo certo que atenta contra a natureza a prática de atividade sexual em idade infantil”.




Fonte: Franssinete Florenzano
Data da publicação: 15/1/2009