segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pensando, pensando...



Em 2006, como todos sabem, apoiei a candidatura da minha xará, Ana Júlia Carepa.


E senti enorme alívio com o resultado das urnas.



Afinal, todos os que estávamos na linha de frente daquela batalha sabíamos o inferno que nos aguardava, caso Almir Gabriel tivesse conseguido vencer as eleições.



O pavor que sentiam os tucanos era, portanto, o mesmíssimo que sentíamos - sem tirar nem por.



Lembro, no entanto, que nem todo esse alívio permitiu que a minha alegria fosse completa.



Tive de andar a confortar – e até a defender – amigos tucanos que estavam atarantados com aquela derrota.



Emprestei o ombro a muita gente. Tentei levantar o ânimo de tantos outros. E sei que muitos dentre nós agiram assim, também.



Afinal, é humana essa empatia diante da dor alheia...



Estranhamente, porém, em meio ao desespero que se abateu sobre os arraiais tucanos, em 2006, não se ouviu uma só palavra de consolo, vinda, justamente, de quem mais deveria consolar: o grande líder Almir Gabriel...



Pouco depois da derrota nas urnas, Almir deixou o Pará a bordo de um silêncio acachapante.




Em sua dor – que lhe parecia, talvez, a única do universo... - não se lembrou de dizer um simples obrigado aos eleitores que depositaram nele o voto e a esperança.



Não disse um mísero obrigado aos militantes tucanos que se mantiveram nas ruas até o fim.



Almir, simplesmente, se foi.




Como se não tivesse nada a ver com a tristeza de seus companheiros.




Como se a incerteza que muitos sentiam em relação até mesmo à sobrevivência não lhe dissesse respeito.




Como se não tivesse nada a ver com o sonho que, uma vez, os fez sonhar...




Almir, simplesmente, se foi.



Feito um comandante que resolvesse ir plantar flores na Martinica, deixando seus exércitos exangues, no campo de batalha.




Mas, com o passar do tempo, os tucanos paraenses foram conseguindo, ainda que aos trancos e barrancos, se reorganizar.



Ao longo de três anos, recolheram os feridos, consolaram os desesperados, se ajudaram como podiam!...; com o quase-nada que havia a repartir...



Dividiram-se em núcleos de ação, definiram estratégias – algumas delas verdadeiramente impressionantes do ponto de vista de um partido que nunca caminhou com as próprias pernas...



E, a partir de todo esse esforço, de toda essa solidariedade, conseguiram apoquentar, todo santo dia, a governadora petista...



Não deram trégua um só minuto a minha xará!... – num jogo limpo, democrático, de altíssimo nível, diga-se de passagem.



E quem acompanha esse jogo fica com a impressão de que o PSDB amadureceu muito mais, como partido, nestes três anos de deserto, do que em doze anos de Poder...



Neste final de semana, um deputado tucano contou-me que o partido já vem até discutindo o próprio papel.



Não como mero apêndice de um governo – mas, como uma legenda, integrada por milhões de cidadãos, que têm as suas propostas, os seus anseios, as suas críticas e querem fazer valer isso, em qualquer governo que seja.



E eu confesso que senti um orgulho danado dos tucanos paraenses, que, em tão pouco tempo, conseguiram conquistar esse “plus” em relação aos democráticos companheiros petistas, com seus trinta anos de luta partidária...




Por isso, creio que o PSDB se prepara para representar, no ano que vem, uma verdadeira ruptura histórica no estado do Pará.



Para congregar, de fato, todos os que querem transformar, de verdade, este estado.



Sem ódio, sem perseguições, com o livre e salutar funcionamento das instituições; com o apoio de militantes de todas as cores – eis que esse partido, geneticamente democrático, visceralmente democrático, tem de ser, de fato, um brilhante arco-íris...



Lamento, profundamente, que o nosso líder, doutor Almir Gabriel, tenha preferido as suas orquídeas em Bertioga, a todo esse processo de amadurecimento do PSDB paraense.



Talvez até porque as orquídeas não se movem, nem falam.



Enquanto que nós, nem tão belos, mas tão humanos, somos capazes de dizer: não senhor!...



Lamento, como disse um anônimo neste blog, que Almir, que concebeu um projeto de desenvolvimento para este estado seja o mesmíssimo a enterrá-lo.




E só posso é me lembrar do que dizia, há uns 10 anos, a alguns amigos: que o final do doutor Almir seria idêntico ao de Antonio Lemos – sozinho e amargurado...



A Almir restou, apenas, o ódio – e o ódio que ele sequer consegue enxergar...



Apesar da enorme sapiência, o nosso maior líder tornou-se um cego da amargura.



Pois, que outra explicação se pode encontrar para que alguém que pregou tanto a ética e a honestidade possa, de repente, querer eleger o Mário Couto?



Por que, então, não eleger logo o Jader?



Não é para aloprar?...







II





Só quem é cego, doido ou mal intencionado não admite que o Pará e o Brasil avançaram – e muito – ao longo destes vinte anos de revezamento entre tucanos e petistas.



Uns criam indicadores sociais, os mais enlouquecidos possíveis.



Mas, o fato que está na nossa cara, quando abrimos a porta das nossas casas, é que a pobreza diminuiu, o latifúndio já não tem o poder que tinha e a questão social da segurança pública é tratada, exatamente, como questão social.




A preservação do meio ambiente transformou-se em pauta estratégica dos governos.



A democracia é debatida, no dia a dia, pela sociedade. Exemplo: o financiamento público de campanha.



Hoje em dia, já nem discutimos as cotas nas universidades públicas – mas, o corte dessas cotas; se racial, ou se por rendimentos.



Já não discutimos a eventual necessidade de doar cestas básicas ao miserável – mas, o retorno, para aquela família e para o corpo social, de tal doação.



Já superamos umas quantas discussões tremendas entre nós.



Outras, é verdade, ainda estamos no caminho de superar.



Sem que nos esqueçamos do respeito que tem de haver entre todos nós.




E eu creio que é até por isso que a sociedade brasileira está polarizada entre o PT e o PSDB.



A sociedade brasileira se vê em nós; se sente, verdadeiramente, representada por nós.



E é por isso que nunca me esqueci daquela frase do grande Fernando Henrique Cardoso – que vocês, petistas, chamam de FHC: a gente briga é pelo comando da massa atrasada.



Todos sabemos aonde queremos chegar – possivelmente, ao mesmíssimo lugar.



Não queremos – tucanos e petistas – esse desamparo do nosso povo.



Não queremos esta bestialidade que tomou conta do Brasil – em todos os sentidos: da ética até à sobrevivência mesma.




Queremos é a solidariedade, a paz, a igualdade: afinal, todos tivemos a mesmíssima matriz.



E é por isso, companheiros, que não me conformo com a postura do companheiro Almir Gabriel.




E eu estava até pensando hoje: os irmãos petistas devem estar se abrindo e dizendo: “Vocês pensavam que só a gente é que tem uma DS, é?”



É... A gente encontra esses calos, né mermo?...




Mas, companheiros, o Almir representa para nós o que o Lula representa para vocês.



E o que é que vocês fariam com o Lula se, de repente, ele pirasse?



Pois é... É nessa situação que a gente se encontra!...



Como administrar uma liderança desse porte que, de repente, perdeu o senso?



Eu, de minha parte, gostaria de ver a Ana e o Jatene se enfrentando em 2010.



Porque, qualquer que seja o resultado, e apesar dos erros de um e de outro, estarei mais tranqüila.



Recuso-me é a pensar na possibilidade de vitória do Mário Couto.



Porque, aí, penso, só restará a todos nós o caminho do aeroporto.



E, nessas horas, eu só queria era ter um paraíso em Bertioga, né mermo?



E, entre orquídeas e mais orquídeas, não estar nem aí para este cu de mundo que é o Pará.



Mas, voltei das “oropas”, depois de sete anos nas “oropa”.



E até hoje a minha filha me cobra: “por que me trouxeste pra cá?”



E eu tenho de explicar pra ela, todas as vezes, que entre as ruelas do Bairro Alto e de qualquer outro lugar só o que eu me lembro de sentir é um cheiro inebriante a tucupi...



E até hoje, quando tomo um tacacá, sinto como que se me recompusesse daquela falta, daquela ausência...



Nunca poderei ir-me embora daqui. Sou uma branca “acabocada”: não vivo sem tucupi, sem maniçoba, sem açaí.



E estou aqui a pensar no que é que a gente vai fazer para administrar aquele velho doido.



Que não assume culpa alguma.



Afinal, ele pensa, não foi culpa dele Eldorado; não foi culpa dele o Marcelo, não foi culpa dele a derrota de 2006.



Nunca é culpa dele.




Nunca!




E o pior é que a gente ama esse velho do fundo do coração.



O doutor Almir é alguém que nos deu um Norte, em termos da coisa pública, da administração da coisa pública.



Daí que a gente nem pode falar com ele cruamente.




A gente não pode nem ser mal, cruel com ele.



Porque a gente o ama.



Sabem, às vezes eu penso como seria bacana uma fusão ou uma aliança do PT com o PSDB.



Ás vezes eu acho que aí, sim, a gente avançaria, nesta droga de país, uns 500 anos em cinco.




Mas, aí eu me lembro da “massa atrasada”.




E do que ela representa eleitoralmente.



Com o seu ódio aos homossexuais, aos negros, ao aborto. Com o seu apreço pelos quartéis. E a vontade de dominar, a tudo que não seja considerado “normal”...



E aí eu penso que é melhor que a gente esteja separado, mesmo, porque damos a ilusão, a essa gente, de que pensamos diferente.



Vocês não imaginam, companheiros, a dor que é se livrar de um Lula.



Vocês não imaginam, companheiros, a dor que é se livrar de um Almir Gabriel!







FUUUIIIIII!!!!!!!



Racha2

Tucanos negam divisão



I


Campeão em sapateado de catita, o PSDB fez de tudo para esconder a gravidade da disputa interna que opõe o senador Mário Couto ao ex-governador Simão Jatene.


Mesmo na quinta-feira, já com a presença, em Belém, do presidente nacional do PSDB, para tentar apaziguar os ânimos, lideranças tucanas ainda tentavam minimizar a dimensão do problema.


“Não existe isso de ‘fumar o cachimbo da paz’; não há uma briga pessoal, mas, dois postulantes ao Governo”, disse-me um deputado estadual, “E a gente está discutindo isso com a maturidade que a democracia requer”.


Segundo ele, os tucanos têm clareza da importância de ambos – Jatene e Couto.

Mas, observa:


_Após as eleições, começamos a construir uma unidade partidária. Tínhamos de buscar uma liderança e fomos com o Jatene, pelo que ele representou para o Pará. Ele fez um governo sem apoio federal, que tentou até prejudicar a administração dele. E mesmo assim Jatene fez um governo competente, com marcas extraordinárias e terminou o mandato com altos índices de aprovação popular.


O deputado salienta que Jatene teve a possibilidade de se candidatar à reeleição e não o fez, “em função da unidade partidária”. Além disso, sustenta, Jatene representaria, hoje, a “esperança” da sociedade paraense, em função do “fiasco” da administração petista.


Essa, aliás, seria a convicção dos dez deputados estaduais tucanos, todos unidos em torno de Jatene.


“Não temos nada contra o Mário Couto”, disse o deputado, “Temos muito respeito por ele, mas, achamos que Jatene representa o sentimento da sociedade paraense”.


E arrematou: “Nosso candidato será um só, sem brigas; estaremos todos juntos, no ano que vem”.


Dono de uma competência técnica reconhecida até nos arraiais petistas, Jatene seria, hoje, o candidato predileto dos prefeitos tucanos & aliados. Teria, também, maioria entre os filiados do PSDB, incluindo os históricos.


Mas, e se, ainda assim, o senador Mário Couto mantiver a sua candidatura?


“Não há a menor hipótese de uma disputa na convenção”, afirmam dois emplumadíssimos tucanos. Segundo eles, o partido sequer trabalha com a hipótese de Couto e Jatene “baterem chapa” na convenção.


No máximo, confidencia um deles, haverá uma prévia partidária – um fato também inédito no PSDB paraense. “Mas, ainda esperamos um entendimento antes disso”, assinala.


E quanto ao ex-governador Almir Gabriel?


Um deles responde: “Almir é um nome respeitado por todos. Aqui e no Brasil, ele tem o reconhecimento da importância da liderança dele, do trabalho que fez. Ele tem de ser preservado disso”.


O outro tucano, com certa razão, pondera que nem é assim tão dramática a existência de dois pré-candidatos fortes ao Governo Estadual. “Ruim seria é se não tivéssemos nenhum”, observa.


O problema, então, parece ser o patamar em que se travará tal disputa – que deve se acirrar mais e mais daqui pra a frente.


Daí que esse tenha sido um dos pontos de pauta das reuniões do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, com Mário Couto, Almir Gabriel e Simão Jatene.


“A vinda do Sérgio Guerra foi exatamente no sentido de que a campanha interna seja feita num nível que permita definir o candidato e que os dois estejam juntos”, contou um tucano, “Nosso adversário está fora, não dentro do partido. É válida a postulação de um candidato, mas, temos de ter um trabalho de união. A discussão não pode conter ataques pessoais”.



II


Difícil, porém, é acreditar que Mário Couto mantenha essa disputa, no saudável patamar das competições democráticas.


Afinal, foi do senador que partiram ataques pesadíssimos contra Jatene, acusado, com todas as letras, de traição, durante um almoço, no sábado, no Residencial Parque Verde (leia o post Racha1).


Além disso, a própria agressividade de Couto desautoriza a imaginar que ele possa assumir, eventualmente, um perfil “paz e amor”.


“Há pouco tempo”, diz-me uma fonte, “o Mário estava no interior e o Jatene foi se encontrar com o Sérgio Guerra, em Brasília, sem que ninguém soubesse. A pedido do Flexa (senador Flexa Ribeiro, presidente estadual do PSDB) o Guerra se encontrou com o Jatene, no cafezinho do Senado. Mas, alguém viu e avisou o Mário. E ele, então, agrediu o Flexa, por telefone”.


Segundo a fonte, Couto teria dito, aos berros, ao conciliador e recatado Flexa Ribeiro: “Seu FDP!... Retiro a promessa da tua reeleição. Tu não vais te eleger nem a vereador!”.


Outro problema seria a tentativa de Couto de forçar uma decisão “de cima pra baixo”, no Pará. Quer dizer, vinda a partir da direção nacional do PSDB.


“O Mário já disse que, se até junho isso não estivesse decidido (a candidatura dele pelo PSDB paraense), ele pediria um ano de licença. Com isso, quem assume é o Demétrius Ribeiro (o primeiro suplente de Couto). E isso, eu creio, é para forçar as coisas, via Brasília”, contou a fonte.


Também segundo ela, já até haveria uma tendência pró-Couto na direção nacional do PSDB: “Ele (Couto) está permanentemente em Brasília e isso cria um vínculo com os parlamentares do partido”, observa.


E seria esse prestígio junto ao PSDB nacional que Mário Couto estaria se preparando para demonstrar, em seu casamento, no próximo dia 18, em Belém.


Couto estaria tentando trazer ao casório deputados e senadores do PSDB e até o principal pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra – desde sempre, a menina dos olhos de Simão Jatene...


Se isso acontecer, será um grande feito de marketing político.


Porque, mesmo que não tenha, realmente, o apoio de todas essas lideranças às suas pretensões ao Governo Estadual, o senador passará à opinião pública e aos correligionários interioranos a certeza desse prestígio.


Exatamente como aconteceu naquele almoço, no Residencial Parque Verde – do qual, na verdade, alguns dos duzentos convivas saíram é embasbacados com o tom das críticas de Couto a Jatene.


Difícil, também, é acreditar que Mário Couto desista de suas pretensões, mesmo que uma prévia do PSDB indique ampla vantagem a Jatene.


Não apenas pelo apoio incondicional do ex-governador Almir Gabriel.


Mas, também, porque, lá pelas tantas, talvez possa até contar com o apoio do “mui amigo” PT.


Como, aliás, já aconteceu nas “intervenções brancas” dos petistas em outros partidos – o que, quer se goste ou não, não deixa de ser inteligente e democrático...


De resto, é improvável que a direção nacional do PSDB resolva, de fato, queimar pestanas em torno do que é melhor para o Pará ou para o PSDB do Pará.


E isso não apenas em relação à direção do PSDB, mas, do PT, do PTB, do DEM – e de quaisquer outras legendas.


Porque daqui todos só se lembram, de fato, na hora de subtrair as riquezas.


E só.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Racha1


Racha entre Couto e Jatene ameaça PSDB ( I)



I

Sem rumo e sem dinheiro, após a derrota nas eleições de 2006, o PSDB corre o risco de chegar aos pedaços, nas eleições do ano que vem.


A temperatura da disputa interna que agita os tucanos pôde ser medida num almoço, no último sábado, na casa do senador Mário Couto, no Residencial Parque Verde.


Nele, Couto deixou claro que não arreda pé de sua candidatura ao Governo do Estado. E teria acusado de traição, com todas as letras, ao ex-governador Simão Jatene – o outro candidato que disputa a indicação tucana ao Palácio dos Despachos.


Na sua versão para o fracasso de 2006, que contou nos mínimos detalhes, o senador teria afirmado que Jatene traiu a ele, Mário Couto, e a Almir Gabriel, o candidato derrotado pela petista Ana Júlia Carepa.


E teria revelado, inclusive, um acordo de bastidores, no qual ele, Couto, seria o candidato do PSDB, nas eleições de 2010, caso Almir tivesse conseguido se eleger.


O senador também teria puxado do bolso do colete uma pesquisa de intenções de votos em que aparece como o vitorioso do próximo pleito.


Na pesquisa, não há, sintomaticamente, menção a Simão Jatene; os possíveis concorrentes são, apenas, a governadora Ana Júlia, pelo PT, e o ex-deputado federal José Priante, pelo PMDB.


Couto venceria “de lavagem” em todo o interior. Só perderia na capital, por 36% a 26%, para José Priante. Ana ficaria em terceiro, em Belém, com esquálidos 13%.


A pesquisa foi exibida num telão, no auditório da casa do senador. O almoço durou umas cinco horas, das 11 às 16.


Reuniu duzentas lideranças políticas de diversos partidos, entre prefeitos (30), vice-prefeitos e vereadores.


Mas, os “generais” foram parcos: apenas o senador Flexa Ribeiro, presidente regional do PSDB; o deputado federal Nilson Pinto e a ex-primeira dama Socorro Gabriel, representando o ex-governador Almir Gabriel.


“Foi constrangedor”, disse um participante do encontro, espantado diante do nível a que chegou a disputa interna entre os tucanos. Outro chamou a atenção para a situação do também senador Flexa Ribeiro: “ele está numa situação muito delicada. Como presidente do partido, tem de ouvir todo mundo e não pode tomar o partido de ninguém”.


O almoço (um bufê que oferecia de filé a vatapá) seria, na verdade, a “entrada” ao prato principal: o casamento de Mário Couto, agora em junho, em Belém.


Nos bastidores políticos, as apostas são de que Couto transformará o casório num evento político, possivelmente com o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo Estadual.


O “casamento do ano”, é claro, deverá contar com a presença de Almir Gabriel, hoje, arquiinimigo de Simão Jatene.


II


Não se sabe como Jatene reagirá à agressividade de Mário Couto.


Para alguns, Jatene estaria disposto a “bater chapa” na convenção que escolherá o candidato do PSDB.


Mas, quem conhece de perto o ex-governador acredita que ele jamais entrará “em bola dividida”.


Aliás, Jatene já teria até cogitado, a pessoas muito próximas, a possibilidade de se filiar ao PMDB, para disputar o Governo pela legenda.


Tudo devido à crescente irritação com a postura de Almir, o principal avalista de Mário Couto.


No entanto, pensam alguns, o problema é que Jatene seria, hoje, o principal adversário dele mesmo.


Com um proverbial apreço pela pescaria e o violão, Jatene nunca foi muito afeito ao trabalho estafante e aos cabos-de-guerra intrapartidários.


Mesmo a sua candidatura, em 2002, foi um parto a fórceps.


Primeiro porque não aceitava ser visto como um simples postulante à candidatura ao Governo, embora que apoiado pelo então governador, Almir Gabriel.


Queria ser, antes, uma espécie de “Ungido”, um consenso “natural” inter pares...


Além disso, relutava em trocar os finais de semana, em algum lugar paradisíaco, pela estafante maratona de viagens interioranas.


Por isso, teve de ser praticamente “carregado nas costas”, ao longo de toda a campanha, por Almir Gabriel.


Essa postura de Jatene se estendeu aos quatro anos de sua administração – cujos finais de semana, aliás, se tornaram comentadíssimos nas cortes palacianas...


Daí a dúvida: sem Almir, com os cofres vazios e um partido dividido – quer dizer, num quadro inverso ao de 2002 – teria Jatene capacidade de se levantar do fundo de sua rede “macunaímica”, para, afinal, disputar a indicação e a eleição ao Governo do Estado?


Ou Jatene se encolherá em seu canto, pelo terror que parece sentir em relação a qualquer disputa?



III


É possível que, já a partir deste Verão, o PT inunde o estado com obras, numa cartilha bem semelhante a dos governos anteriores, que sempre deixaram as realizações para as proximidades do período eleitoral, tendo em vista a efêmera memória do eleitor.


É possível, também, que se derrame mais e mais dinheiro em propaganda, a partir do próximo semestre - um “modelito básico”, também semelhante aos anteriores.


Tudo temperado pelo quadro nacional, que pode, talvez, até trazer de volta um “sopro vermelho” sobre o País.


Daí que, apesar do desgaste, não dá para falar em “derrota certa” do PT, nas eleições ao Governo do Estado.


Até porque não há derrota ou vitória “certa” numa eleição.


Certo, mesmo, é que a desagregação tucana poderá facilitar, e muito, a reeleição petista.


E nesse sentido tem sido devastadora a ação do ex-governador Almir Gabriel.


Birrento e autoritário – características que parecem acentuadas pela idade - Almir estaria, hoje, exclusivamente movido pelo ódio a Jatene, com quem foi “unha e carne” ao longo de trinta anos, desde os tempos da Prefeitura de Belém.


O velho cacique tucano teria metido na cabeça que Jatene foi o principal responsável pela derrota de 2006.


Uma leitura, afinal, condizente com o perfil de Almir.


Mas que não encontra amparo numa análise fria daquele pleito, na qual quem emerge como o grande artífice da derrota tucana é, na verdade, o próprio Almir Gabriel.


Primeiro, por vetar qualquer possibilidade de acordo com a máquina de votos que é o PMDB.


Segundo, por insistir numa empreitada muito superior ao que lhe permitiria a idade avançada.


É certo que Jatene também colaborou para isso, com o seu espírito “tímido”, digamos assim, que não lhe permitiu a necessária firmeza para garantir a candidatura à reeleição.


Ontem, como pode ocorrer também agora, Jatene não quis entrar em “bola dividida”.


Em outras palavras, simplesmente “amarelou” diante da possibilidade de bater chapa com Almir, o que teria, certamente, resultados imprevisíveis para a unidade partidária. Mas, possivelmente, não tão desastrosos como aqueles que acabaram se configurando.


Mesmo assim, não há quem duvide de que foi Almir a cavar a própria sepultura.


Devido à megalomania de acreditar-se acima até mesmo desse inexorável general que é o Tempo.


Devido à proverbial arrogância que não lhe permitiu pendurar as chuteiras no momento certo, após dois mandatos de governador, profícuos em realizações.


E devido, também, a essa mania de fazer política de perseguição e de ódio, em relação aos eventuais adversários.


Não se descarta a possibilidade de que Jatene, nas eleições de 2006, tenha “jogado”, de fato, para derrotar Almir – especialmente se for verdadeiro esse acordo de bastidores, para a candidatura de Mário Couto, em 2010.


Talvez por uma questão mais política, tendo em vista o retrocesso que Almir representaria para o estado do Pará, devido a essa notória incapacidade de conviver com o contraditório.


Ou, talvez, por uma questão bem humana, bem pragmática: o ganho político intrapartidário de Jatene e de seu grupo, a partir da derrota de Almir.


Nada disso, porém, justifica a ação nociva de Almir, que parece preferir até a derrota do PSDB, desde que isso signifique o enterro da carreira de Jatene.


É como se pretendesse arrastar o ex-amigo para o túmulo.


Como espécie de bode expiatório aos próprios erros.


Inclusive, aqueles que resultaram na prisão de seu filho, Marcelo Gabriel.



IV


Mário Couto, que pleiteia a indicação tucana ao Governo do Estado, sempre foi um político complexo.


Sua principal qualidade é a determinação, para a conquista daquilo a que julga ter direito.


De resto, sempre passou aos agentes políticos a imagem de um amontoado de bazófias.


Ao longo de vários mandatos na Assembléia Legislativa, Couto protagonizou cenas deprimentes, por vezes, quase chegando ao pugilato.


Na Presidência da Casa, celebrizou-se por contratações milionárias, ainda hoje não devidamente esmiuçadas.


Uma performance política em tudo compatível com a trajetória do cidadão Mário Couto, suspeito, na juventude, de envolvimento em diversos ilícitos.


O hoje senador é, portanto, um imenso telhado de vidro. Tanto mais frágil diante do aperto do Judiciário e do olhar cada vez menos tolerante da sociedade.


Além disso, é improvável que as suas bravatas folclóricas possam surtir bom efeito, num debate televisivo.


É difícil que os eleitores engulam as grosserias que, certamente, “produzirá” contra a governadora – quer se goste ou não, mulher e carismática.


Daí a conclusão de que Mário Couto é o adversário dos sonhos do PT.


Porque é o oposto do frio e educado Jatene, com o seu raciocínio rápido e extraordinário domínio da máquina pública.


Couto terá vários e bons flancos para o ataque petista, especialmente numa campanha ao Executivo, na qual os pesos e as medidas do eleitor são muitíssimo diferentes daqueles usados nas eleições ao Legislativo.



V



O apetite de Mário Couto, o ódio de Almir Gabriel e a “timidez” de Jatene deixarão marcas profundas no PSDB, qualquer que seja a decisão dos convencionais, no ano que vem.


Até porque essa é a primeira grande divisão, de fato, na história dos tucanos paraenses.


E, ao contrário dos embates que sacudiram o PT, em 2006, aqui não se trata de nobres diferenças estratégicas à conquista do Poder.


O que há, no PSDB, é um amontoado de quizílias, em torno de ambições e fantasias pessoais.


É o velho líder que se transformou em alma penada, para escapar à responsabilidade de seus atos – mais ou menos como o “Maktub” que respondia, quando lhe indagavam acerca do massacre de Eldorado dos Carajás.


É o sujeito que representa o fundo do poço, em termos éticos, do PSDB no Pará. Mas que não se detém diante de coisa alguma. Até por imaginar o Estado, talvez, como simples banca a dominar.


É o cidadão que treme de medo, de ansiedade, cada vez que tem de se submeter a alguma prova. Como se a possibilidade de derrota não fosse coisa a lidar, todos os dias, ao longo da vida.


Os três, igualmente se lixando para o PSDB, desde sempre uma estrutura política fragilizada, porque sem massa, sem raízes nos movimentos sociais e que, por isso mesmo, demonstra enorme dificuldade em sobreviver longe do Poder.


Os três, por suas ações ou omissões, a engendrarem, talvez, mais uma acachapante derrota dos tucanos, no Pará.

Maria do Carmo




Desculpem, leitores, mas só agora vi o e-mail abaixo, encaminhado pelo gabinete do deputado Carlos Bordalo. É que estava concluindo o post que publicarei a seguir. Mesmo assim, até pela gentileza e atenção, publico a notícia que me foi enviada pela equipe do parlamentar.




Direto do Plenário: STF mantém
Maria do Carmo em Santarém




Por maioria de votos (6 a 4), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (4), que a promotora de Justiça licenciada Maria do Carmo Martins Lima pode exercer o cargo de prefeita de Santarém, no Pará, mesmo diante de determinação constitucional que veda o exercício de atividade político-partidária por integrante do Ministério Público.



Para seis ministros, Maria do Carmo tinha direito a se recandidatar ao cargo no pleito de 2008, já que havia sido prefeita da cidade nos quatro anos anteriores. Votaram assim os ministros Eros Grau, Marco Aurélio, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.



Maria do Carmo teve seu registro cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa Corte entendeu que ela não poderia participar das eleições de outubro de 2005 diante da entrada em vigor da Emenda Constitucional 45, em 30 de dezembro de 2004, que incluiu na Constituição Federal dispositivo que veda o exercício de atividade político-partidária por integrante do Ministério Público (artigo 128, inciso II, alínea ´e`).



Quatro ministros concordaram com o posicionamento do TSE e foram contra a reeleição da promotora licenciada diante da vedação constitucional criada em 2004. Esse foi o entendimento da ministra Ellen Gracie e dos ministros Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Celso de Mello.



Maria do Carmo contestou a decisão do TSE por meio de um Recurso Extraordinário (RE 597994). Nesta tarde, esse recurso foi provido.



(http://www.blogdobordalo.com/)


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Walter


Walter Bandeira
(31/08/1941 – 02/06/2009)



Que posso dizer de uma estrela?


Que palavra traduz, de fato, a grandiosidade de uma estrela?


A luz que nos incendeia.


A magia que nos faz flutuar...


Que posso dizer de uma voz que desperta todas as vivências...


E todos os desejos que escondemos nas profundezas de nós...


Que dizer do delírio a que conduz essa voz?


Como o pastor que conduz o rebanho.


Como a força que impele a viajar e viajar e viajar...


Que dizer de um ser de luz?


Que nos faz rir, que nos faz chorar...


Que nos faz SER!... Simplesmente, ser...


Essa coisa da qual nos esquecemos todos os dias.


Como se à vida fosse preciso esquecer a capacidade de se dar.


A possibilidade de abrir as nossas imensas asas de luz, para incendiar todo o universo ao redor...


Walter Bandeira, assim como todos os artistas, era um espelho a refletir a Humanidade em nós...


A luz dele como que resgatava a nossa própria luz.


Bem pouco o conheci como indivíduo, embora nos tenhamos cruzado, muitas vezes, nas esquinas da boemia.


Mas ficou-me o vozeirão inconfundível, o bom humor; a vida contagiante, a luz de seu olhar.


Por isso, hoje de manhã, pensei em escrever que quando morre uma estrela, morre, também, uma parte do Universo.


Mas aí pensei que isso não seria exato.


Porque as estrelas nunca morrem!...


As estrelas jamais se apagam...


As estrelas, como Walter, brilham para todo o sempre dentro de nós...











sexta-feira, 29 de maio de 2009

Hangar


Presidente do Conselho Administrativo
também fornece produtos ao Hangar




A empresária Thaís Montenegro, sócia da gráfica Delta, não foi a única integrante do Conselho de Administração do Hangar a fornecer serviços aquele centro de convenções.



Hoje, a reportagem descobriu que o próprio presidente do Conselho de Administração, o empresário Roberto Ferreira, também forneceu produtos ao Hangar.



Sócio da Sol Informática, Ferreira vendeu ao Hangar R$ 221.045,00, entre maio de 2007 e o mês passado.



Maior centro de convenções do Norte do País, o Hangar é uma estrutura pública cuja administração foi repassada à Via Amazônia, uma Organização Social (OS) presidida pela pedagoga Joana Pessoa, ex-concunhada e ex-assessora da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa.



Entre meados de 2007 e o final do ano passado, vários órgãos do governo estadual destinaram ao Hangar, através de contratos, mais de R$ 25 milhões, a maior parte sem licitação.



Na primeira reportagem dessa série sobre o Hangar, um procurador, um promotor de Justiça e dois advogados de grandes bancas de Belém consideraram incompatível esse duplo papel de empresários que, além de integrarem a cúpula do Hangar, também fornecem produtos ao mesmíssimo centro de convenções.



Não houve consenso quanto à existência de crime. Mas, eles foram unânimes em afirmar que essa prática atenta contra princípios constitucionais, como a moralidade e a impessoalidade, que norteiam a administração pública.






Ação entre amigos


Hoje, a reportagem ouviu mais um promotor e dois advogados, sobre o caso específico do presidente do Conselho de Administração do Hangar. Eles foram pelo mesmo caminho dos entrevistados anteriores.


“Isso fere o princípio da moralidade” – disse o promotor –“Não tem como: se ele (Ferreira) está vinculado ao conselho de um órgão, teria de estar isento da comercialização”.


E acrescentou: “Não importa o valor, ele não deveria participar desse processo de vendas. Isso fere de morte toda a seriedade da organização social. Se ele quisesse negociar com a OS, tinha de se afastar imediatamente”.


A reportagem perguntou ao promotor se o fato configura crime. Ele respondeu: “Não deixa de ser uma fraude. Embora não haja obrigatoriedade de processo licitatório, os princípios constitucionais são uma fonte muito forte do Direito. Eles são a base, são mais importantes, têm mais força que a própria Lei”.


O promotor apontou o trabalho social realizado pela empresa – a Sol Informática tem inúmeras ações nessa área, inclusive na recuperação de praças da capital e de incentivo a artistas paraenses. Mas, observou, “não há como não dizer” que o fornecimento de serviços pela empresa ao Hangar “não é irregular”.


E arrematou: “acredito, infelizmente, que é improbidade. Quando uma conduta afronta princípios constitucionais, entre eles o da moralidade, o caso já se enquadra em improbidade administrativa. Nem precisa haver o enriquecimento ilícito: basta ferir um dos princípios constitucionais da administração pública”.


Disse, no entanto, que não cabe uma ação popular, já que houve efetivamente o fornecimento dos produtos e inexistiu, pelo menos aparentemente, prejuízo ao erário. “A ação pode ser por improbidade e, talvez, até Penal”, explicou.


Um dos advogados ouvidos pela reportagem lembrou que quem exerce função pública não pode fornecer produtos ou serviços à administração pública. Observou que as OS não têm, apenas, uma natureza privada. E disse acreditar que a impessoalidade e a probidade administrativas “alcançam”, sim, as OS.


Outro advogado considera que a situação de Ferreira é ainda pior que a de Thaís Montenegro:


_ “Isso mostra que existe uma mesclagem moral. Ele (Ferreira) é presidente do Conselho e, ao mesmo tempo, fornecedor. Isso é, no mínimo, embaraçoso. Como é que vai se auto-investigar? Virou uma ação entre amigos!... Ou, como diz o ministro Marco Aurélio (ex-presidente do Supremo Tribunal Federal), ‘farinha pouca, meu pirão primeiro”.


Empresário nega acusações


Mas o empresário Roberto Ferreira nega quaisquer irregularidades na venda de produtos ao Hangar, pela Sol Informática.


“Creio que são coisas distintas” – disse Ferreira – “Se fosse um valor acima do que a praça vende, mereceria críticas. Mas, os preços estão até abaixo disso; vendi mais barato até para colaborar. E isso elimina qualquer hipótese de dizer que houve qualquer benefício”.


Segundo Ferreira, os produtos fornecidos ao Hangar ficaram 5% mais baratos do que os preços de mercado vigentes naquela época.


Ele também informou que o faturamento da Sol atingiu, no ano passado, mais de R$ 83,8 milhões, o que dá R$ 275 mil/dia, em média, considerados os 305 dias úteis do ano passado.


Observou que só um dia de faturamento da empresa é superior a tudo o que foi fornecido ao Hangar, nesses dois anos. E salientou: “Isso é muito pouco para sujar a minha imagem. Não preciso do Hangar e nem do trabalho que faço lá, para me destacar. Preciso disso é como cidadão, para contribuir para a sociedade”.


Ferreira também disse que a Sol realizou a convenção dela no Hangar e que pagou os R$ 6 mil do aluguel de uma sala, para o evento, “como qualquer cliente”.


Lembrou que a empresa recolhe, em média, R$ 457 mil por mês de imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).


Além disso, apoiou, no ano passado, 147 projetos em diversas áreas (música, dança, teatro, literatura e obras sociais). E gastou com eles mais de R$ 250 mil, sem dedução de impostos.



EDITORIAL


A Mulher de César



Gostaria de dizer, em primeiro lugar, aos leitores deste blog, que a reportagem acima, embora curta, foi uma das mais angustiantes que já escrevi.


Primeiro pela extraordinária trajetória do empresário Roberto Ferreira, ex-engraxate, ex-mecânico de automóveis, ex-jornaleiro, ex-picolezeiro, que, como ele mesmo conta, não teve tempo sequer “de ser um rebelde”, tamanho o aperto financeiro que enfrentou ao longo da vida.


Segundo, porque a empresa que ele dirige, a Sol Informática, possui, efetivamente, um importante trabalho na área da cultura e da assistência social.


Além disso, o empresário forneceu todas as informações possíveis – as solicitadas ou não. Foi, em suma, extremamente transparente.


Quer dizer: parece-me que Roberto Ferreira é, de fato, um cidadão que faz por merecer o respeito de cada um de nós.


Talvez por isso, passei o dia inteiro com uma historinha a me martelar a cabeça.


Ela é mais ou menos assim.


Pompéia, esposa de Júlio César, era uma mulher digníssima.


O problema é que havia um sujeito apaixonado por ela, um tal de Clodius, que queria porque queria dormir com a bela Pompéia.


Certo dia, Clodius conseguiu se esgueirar até os aposentos de Pompéia.


No entanto, para seu azar, foi descoberto.


Foi um fuzuê danado em toda a Roma. E César acabou por se divorciar de Pompéia.


Tempos depois, alguém perguntou a ele, que, talvez, andasse meio que macambúzio: “Mas, vem cá, César, tu acreditas mesmo que a Pompéia te traía com aquele desqualificado do Clodius?


E César, peremptório: não!


Aí, o sujeito coçou a cabeça, coçou a cabeça e retrucou: “Então, por que, caramba, te separaste dela?


E César disse, então, uma frase que ficaria para a posteridade e que é mais ou menos assim: “Porque à mulher de César não basta, apenas, ser honesta; ela tem, sobretudo, de PARECER honesta!”.


É certo que o enorme faturamento da Sol, e até mesmo o que ela investe, todos os anos, em projetos sociais, desautorizam a pensar em enriquecimento ilícito, derivado desses poucos mais de R$ 220 mil que forneceu, em dois anos, ao Hangar.


O problema é que aqui não se discute o valor dessas transações – mas, a MORALIDADE delas.


Ora, o empresário Roberto Ferreira preside o Conselho de Administração de uma estrutura pública, na qual circulam milhões em dinheiro público.


E mesmo o dinheiro que ali entra, em torrentes, advindo da iniciativa privada, resulta da exploração de uma estrutura que pertence a todos nós (e, para se compreender bem isso, é o caso de se perguntar: que seria da Via Amazônia sem o Hangar?)


Por isso, não há, no Hangar, um mísero tostão que não tenha, geneticamente, origem pública.


Daí que, ao contrário do que acontece numa empresa privada, é preciso, sim, levar em conta, na gestão do Hangar, os princípios que norteiam a administração da “res” pública.


E, do ponto de vista da “coisa pública”, será moral que um administrador forneça produtos à estrutura que administra? Será impessoal a contratação de uma empresa que pertence a esse administrador?


O problema, parece-me, é a concepção viciada que temos daquilo que é público – e que, pelo visto, faz o cotidiano das relações no Hangar.


A “coisa” pública não é a quitanda de um compadre, na qual a gente pode mandar buscar um maço de cheiro-verde, para temperar o vatapá.


A coisa pública não é um pertence de um diretor, de um presidente, de um governador, de um prefeito, de um vereador ou de qualquer indivíduo – em si, por si.


A coisa pública, como o próprio nome diz, é algo que pertence a todos. A mim, a você, aos nossos filhos, aos nossos netos. Desde o cidadão que habita o humilde barraco da Terra Firme, até o dono da mansão bacana, lá em Batista Campos.


E eu fico pensando que esses R$ 220 mil podem não significar nada no faturamento de uma empresa como a Sol Informática.


Mas, podem significar MUITO para um cidadão, outro empresário do mesmo ramo, com uma empresa menor, mas que, infelizmente, não tem a sorte de pertencer ao Conselho de Administração do Hangar.


E eu fico pensando que, em se tratando da coisa pública, todos os cidadãos têm, sim, o direito de disputar contratos, em igualdade de condições.


Mas, não me parece que é de Roberto Ferreira ou mesmo de Thaís Montenegro que eu, cidadã, tenho de exigir tal compreensão.


Parece-me que quem tem de “meditar” acerca da moralidade e da impessoalidade públicas, é, justamente, o Poder Público.


Quer dizer: o Governo do Estado, por seus entes, o Executivo, o Ministério Público, o Judiciário, o Tribunal de Contas, a Assembléia Legislativa, que, no entanto, parecem ter estabelecido um pacto de silêncio em relação à LAMBANÇA que acontece no Hangar.


Quiçá, até, pelas poderosas verbas nas mãos do Executivo, que irrigam todos os demais entes desse arremedo de república em que vivemos.


E eu, cidadã, fico a pensar para que servem, diabos, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, o Judiciário, a Assembléia Legislativa, se, apesar de todas as prerrogativas constitucionais de que dispõem, são incapazes de dar um pio em relação a essa “malemolência”, para dizer o mínimo, do Executivo, em relação ao Hangar.


O que vemos, hoje, no Hangar – e que este blog, sabe-se lá até quando, está a mostrar – é, apenas, a ponta do iceberg.


E eu até dizia, hoje, a um promotor – que não considero só um promotor, mas, um amigo – que já estou até começando a sentir medo de mergulhar no Hangar. Porque, se a superfície está assim, avalie o que não acontece nas profundezas, né mermo? Eis que o exemplo que vem de cima se reproduz em todos os patamares, né mermo?


Sei, apenas, que o “odor” que vem de lá, não é nada agradável...


E já começa a arrastar para o epicentro de um escândalo, talvez monumental, até mesmo um cidadão da estatura de um Roberto Ferreira.


E eu, jornalista e cidadã – sobretudo, cidadã; orgulhosamente cidadã! – só posso é lamentar que seja assim.


Só posso é pedir que Deus nos ajude, quando, afinal, conseguirmos abrir aquela caixa de Pandora.


Para que, no fundo, reste, ao menos, a Esperança.



FUUUUIIIIIII!!!!!!!



(P.S: O Hangar sempre foi complicado.

Na época da construção, foram muitas as denúncias de superfaturamento.

E eu confesso que, depois de muito vasculhar na internet, nunca consegui encontrar UM só centro de convenções do Brasil que tivesse custado tanto: R$ 107 milhões.

Pelo contrário: achei centros uns R$ 30 milhões mais baratos e que faziam o Hangar parecer uma caixa de fósforos.

No entanto, não sei se houve “crime” ali – mas, com certeza, houve, sim, megalomania.

E, num estado miserável como o Pará, isso se torna muito, muito mais grave. Até porque a megalomania com dinheiro próprio é uma coisa; mas, com dinheiro público, é coisa bem diferente.

Depois, veio essa história de uma OS, para administrar o Hangar. E eu não consigo conceber, por mais que me ponderem acerca da necessidade de “flexibilizar” a legislação, para a contratação de técnicos mais bem pagos; eu não consigo conceber a licitude dessa excrescência chamada OS.

Se a Lei é incompatível com a realidade, com a “frieza” do cotidiano, então, que se mude a Lei. Mas, construir artifícios para, simplesmente, burlar a Lei não é democrático, não é lícito, não é “normal”.

Em nenhum Estado Democrático pode ser “normal” investir milhões em uma estrutura pública, para, enfim, entregá-la a um ente privado, mesmo que diz-que sem fins lucrativos.

E, mais ainda, quando não há qualquer controle, DE VERDADE!, sobre o que se aufere a partir do uso dessa estrutura e que, ao fim e ao cabo, é, sobretudo, PÚBLICO.

E aqui eu não me refiro só à Via Amazônia. Refiro-me a todas as OS, como, por exemplo, àquela que administra o Hospital Metropolitano, a outra que conheço, também, um pouco melhor.


Até hoje, creio, os alunos da Uepa, uma universidade pública e da qual os alunos advêm, na maioria, de escolas públicas, não possuem um hospital universitário.


E, no entanto, a faculdade de Medicina administrada também pela Acepa possui um curso pelo qual cobra R$ 3 mil por mês e no qual o hospital-escola é, justamente, o Metropolitano.


Pode isso? Sinceramente, pode isso?!!!


É verdade: pode ser que, no futuro, quando eu estiver meio que bilé; meio que “meuã”, como diria a minha mãe; algum grande doutor, de alguma grande Academia, possa, enfim, explicar-me isso, tendo em vista a minha rude, parca intelecção.


Mas, até lá, confesso que, simples cidadã, não consigo encontrar justificativa para isso.


Só sei que as coisas estão nesse pé desde os tempos dos tucanos e se estendem ao xifópago PT: a gente constrói, com milhões, uma estrutura pública e diz a uma OS ou a um empresário: toma que o filho é teu!


Como se fôssemos, todos, uns retardados. E como se fosse moral, honesto, fazer algo assim. Agora, FUUIIIIIII!!!!)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Luís Inácio!



paralamas do sucessos - Luis inacio

Gráfica2



Na primeira matéria dessa série de reportagens você leu:
_Sócia da gráfica Delta, a empresária Thaís Montenegro também integrou o Conselho de Administração do Hangar, para o qual a empresa imprime a revista “Latitude”, cuja edição trimestral, nos cálculos de empresários do setor, gira em torno de R$ 700 mil, para 30 mil exemplares.
_A Delta integra, na verdade, um grupo de três gráficas que funcionam no mesmo endereço: a travessa Pirajá, 1187, no bairro do Marco. Duas delas, aliás, sob o mesmo nome de fantasia: Delta Gráfica e Editora.
_O grupo foi o principal fornecedor de impressos da campanha da governadora Ana Júlia Carepa, nas eleições de 2006. E, ao longo desses dois anos, já faturou um volume de recursos que ninguém sabe quantificar. Mas que, segundo empresários do setor, lhe permitiu comprar de R$ 6 milhões a R$ 10 milhões em equipamentos.
Acompanhe, agora, o restante do material.






Empresário nega acusações



Montenegro jura que não há irregularidades. Mas, pelo menos duas empresas do grupo já participaram da mesma licitação.










A coexistência de três empresas do mesmo ramo no mesmo endereço pode até não ser crime.



Mas, é olhada com desconfiança porque pode gerar situações, no mínimo, complicadas.



Como não poderia deixar de ser, isso já aconteceu com as empresas do grupo Delta – um conjunto de três gráficas que funcionam na travessa Pirajá 1187, em Belém, todas sob o comando, na verdade, do empresário Édson Montenegro.



Em pelo menos uma ocasião, duas das empresas do grupo já participaram da mesmíssima licitação.



Foi a Tomada de Preço (TP) 009/2008, realizada em meados do ano passado, para o fornecimento de material gráfico à Prefeitura de Marituba.



De acordo com o Diário Oficial do Estado número 31217, de 23/07/2008, venceram a TP as empresas Delta Gráfica e Editora Ltda. (CNPJ 07.960.738/0001-40) e Bruno E. da S. Vieitas Ltda. (CNPJ 05.506.596/0001-10.



A primeira está registrada em nome da segunda mulher de Édson Montenegro, Káthia Regina de Souza Pamplona, e da filha do casal, Thaís Fernanda Pamplona Montenegro, que integrou ou integra a cúpula do Hangar – o centro de convenções para o qual o grupo Delta também fornece serviços gráficos.



A segunda empresa, a Bruno E. da S. Vieitas, cujo nome de fantasia é K&T Comércio e Serviços, está em nome de um filho do primeiro casamento do empresário.



Mesmo assim, Montenegro nega quaisquer irregularidades, tanto nas suas empresas, quanto no fornecimento de serviços ao Governo do Estado e ao Hangar.






Sem Álcool





Na tarde de quinta ou sexta-feira (antes, portanto, de um telefonema de madrugada à repórter, com objetivo aparentemente intimidador, e no qual, também, o empresário parecia estar alcoolizado), Édson Montenegro confirmou que a filha, Thaís, integrou o Conselho de Administração do Hangar. Mas disse que ela deixou o local ainda no mês passado.



Garantiu que a Delta imprimiu, apenas, três números da revista “Latitude”, a publicação trimestral do Hangar.


Disse que sempre forneceu serviços a candidatos de todos os partidos políticos – “na campanha da Ana, do Jatene, do Almir”. E que atende “bem” a todos os governos – “sou um cara democrático, light”.


E explicou o porquê, em sua opinião, de tamanha procura: “Eu tenho a melhor gráfica do estado. Entra governo, sai governo, tenho mercado porque tenho qualidade. E o mercado, hoje, prima pela qualidade. Se eu fosse amigo do governador e não tivesse qualidade, não vendia”.


Reclamou dos demais empresários do setor que se queixam da concentração de serviços, pela Delta, no atual Governo, e garantiu que o volume nem é tão grande assim:


_ “Se eles tivessem capacidade, não reclamavam. Vá lá ver, na Seduc...Se tiver uma nota fiscal minha, lá na Sespa, na Sefa, qualquer órgão, pode dizer que é mentirosa. É que os caras, ao invés de trabalhar, ficam se preocupando com os outros. No governo do doutor Almir, só o Conrado (o presidente da Fiepa, José Conrado, que é empresário do setor) fazia as coisas e eu nunca reclamei de nada”.


Disse que sentiu “uma tristeza, que pelo amor de Deus!...” ao ver a Delta envolvida no escândalo dos kits escolares – a aquisição, que teria ocorrido sem licitação e a preços superfaturados, dos kits distribuídos, neste ano, pela governadora Ana Júlia Carepa, aos alunos da rede pública.


E negou qualquer envolvimento no escândalo: “Chegou um pedido na minha mão, para a cotação das agendas. Era 1,1 milhão de agendas e aí eu disse que não tinha capacidade de fazer”.


Da mesma forma, também negou a aquisição, em apenas dois anos, de equipamentos avaliados em pelo R$ 6 milhões, em função do dinheiro a rodo que estaria recebendo do Governo Estadual, como afirmam empresários do setor.


“A minha máquina custou R$ 1,3 milhão, para pagamento em cinco anos!... Se quiser, eu mostro a duplicata, eu mostro!...” – disse ele, na entrevista feita por telefone – “Já até deixei de ler jornal pela falta de postura das pessoas!... Na revista que tenho, a Via Pará, nunca falei mal de ninguém”.


Montenegro também assegurou que as revistas que imprimiu para o Hangar foram antecedidas “ de concorrência, cotação de preços”. E novamente apontou a qualidade do parque gráfico que possui: “A minha gráfica é a única de Belém que dispõe de uma máquina PUR, que cola, que não precisa grampear”.


E ironizou a informação dos empresários do setor de que estaria faturando milhões no atual governo: “Quem me dera!... Já pensaste? Ganhar uma grana dessas? Até porque já peguei porrada sem pegar”.


Contou que trabalha com Ana Júlia Carepa desde os tempos em que era vereadora, “e ela me ajuda dentro do possível, dentro da legalidade, ela mesma já falou isso, e para mim gratidão é sinônimo de caráter”.


Também explicou o motivo pelo qual tem três empresas gráficas no mesmo endereço – duas delas com o mesmíssimo nome de fantasia:


_ “Eu só ainda não fechei a Édson F. M. Vieitas, porque eu precisava esperar acabar o contrato com a TIM (a operadora de telefonia), que está em nome dela. Aí eu pensei em abrir essa outra sociedade (a outra Delta), já colocando em nome da minha filha. Mas, no mês que vem, eu fecho a Édson E. M. Vieitas”.


Quanto à K&T, a empresa que está em nome do filho, Bruno Vieitas, Montenegro explicou a existência dela pela necessidade de contemplar as duas famílias – a do primeiro e a do segundo casamento.


Mas, garantiu, a K&T “é separada da Delta, até os funcionários são separados” e explicou a coincidência do endereço – todas as três empresas estão no prédio de número 1187 da travessa Pirajá; o número 1193, que consta como endereço de duas delas, na Receita Federal e na Jucepa, simplesmente não existe, conforme constatou a reportagem, na semana passada.


“O número existe, sim”, disse Montenegro, “É que eu comprei a casa ao lado e mandei tirar o número. Por isso, ele não está lá”.


A reportagem perguntou se ele não considerava pelo menos complicado o fato de a filha dele, Thaís, que figura na constituição societária de uma das gráficas Delta, ter sido, no ano passado, também integrante do Conselho de Administração do Hangar – o centro de convenções para o qual, no mesmo período, a empresa forneceu serviços gráficos.


Montenegro respondeu: “Depende do seu ponto de vista. Na empresa, é tudo tocado por mim e pela mãe dela. Ela (Thaís) não tem nenhuma ingerência na Delta. Ela só tem 20 anos e começou a trabalhar aqui comigo na semana passada. Além disso, será que ela tem poder decisório no Hangar?”.


Delta e Ana Júlia: uma década de “trabalho”


Vêm de longe as relações entre o empresário Édson Montenegro e a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa. Em novembro do ano passado, na festa de aniversário da gráfica Delta – comemorada justamente no Hangar – a própria Ana informou que trabalha com a empresa desde 1998.


No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no qual estão online apenas as prestações de contas das quatro últimas eleições, é possível reconstituir um pouco da trajetória de contribuições e serviços das empresas do grupo Delta à governadora Ana Júlia Carepa e ao PT.


Em 2002, o principal fornecimento de impressos da Édson F.M. Vieitas (a Delta Gráfica e Editora de CNPJ 02.129.402/0001-16) foi para o Comitê Financeiro Único do PSDB: R$ 185 mil.


O segundo maior pacote de serviços foi para o deputado federal José Priante (R$ 55 mil), do PMDB. O terceiro, para Ana Júlia (R$ 40 mil), então candidata à senadora.


É verdade que outros oito candidatos também mandaram confeccionar impressos na Delta - gente do PSDB, PMDB, PSD,PPS e PPB.


Mas, no caso de Ana Júlia, a Delta já aparece como a segunda maior fornecedora desse tipo de serviço, atrás apenas da Gráfica e Editora Primavera (R$ 44 mil), embora haja, nessa prestação de contas, R$ 112 mil em impressos de origem desconhecida.


Em 2004, esses laços com a Delta se estreitaram. A gráfica foi, praticamente, a única fornecedora de impressos da campanha de Ana Júlia à Prefeitura de Belém, com R$ 258.347,50 em valores declarados.


Naquele ano, os impressos confeccionados pela Delta, para candidatos a cargos eletivos, somaram R$ 401.561,62.


O segundo maior fornecimento (R$ 120 mil) foi para Duciomar Costa, que acabou vencendo as eleições à Prefeitura da capital.


Em 2006, lá estava o grupo Delta de novo: dos R$ 710.780,00 que a Édson F. M. Vieitas confeccionou em impressos para os candidatos, R$ 616.000,00 foram para a campanha de Ana Júlia ao Governo Estadual.


Mas outra empresa do grupo, a K&T Comércio e Serviços, também forneceu R$ 86.500,00 em impressos para a atual governadora.


Quer dizer: de um total de R$ 1.117,545,00, gasto por Ana Júlia na rubrica “Publicidade por Materiais Impressos”, mais de R$ 702 mil vieram do grupo Delta.


Além disso,o grupo se tornou, naquele ano, também doador de campanhas eleitorais: foram R$ 22.300,00 para Ana Júlia, através da empresa Édson. F.M. Vieitas, e R$ 3 mil para o candidato tucano ao Senado, Mário Couto Filho, através da K&T, que também forneceu para ele R$ 84.850,00 em materiais – o segundo maior volume de serviços da empresa, naquele pleito.


Nas eleições do ano passado, o grupo Delta bateu ponto novamente.


Do fornecimento de R$ 116.434,80 da Édson F. M. Vieitas em impressos, menos de R$ 3 mil foram para o PT: o grosso do serviço foi para candidatos do PP, PMDB e PFL.


Já a K&T forneceu mais de R$ 214 mil em impressos, mais da metade para candidatos petistas. E dos R$ 43.923,00 doados pela empresa, R$ 42.463,29,00 beneficiaram candidatos do PT.



Grupo também edita revista


Além das gráficas, Montenegro também possui uma revista: a Via Pará.


Ela foi lançada em novembro de 2007, pela K&T, e tem como diretor-presidente o próprio Montenegro. É impressa pela Delta. O endereço da redação é também a travessa Pirajá, 1187.


A Via Pará tem uma tiragem declarada de 25 mil exemplares e um preço de capa de R$ 7,00.


Mas, ao que parece, é sustentada pelo Governo do Estado e por empresas a ele ligadas.


Dos seis anúncios de página inteira da edição de abril do ano passado, três foram do Governo do Estado, um do Hangar, um da própria gráfica Delta e um da Cerpasa – que, além de receber incentivos fiscais do Estado, também possui (ou possuía) uma dívida astronômica com o erário.


Outro exemplo: a edição de novembro do ano passado, que marcou o primeiro aniversário da revista. São, apenas, 10 páginas de anúncios, num universo de 70. E, dessas 10 páginas, três vieram do Governo, uma do Banpará e uma do Hangar.


Outras duas são da própria Delta.


Das três restantes, uma veio do Foto Keuffer/Paulo Britto Stúdio e Eventos – e Paulo Britto, além de fotógrafo, é, também, diretor comercial da Via Pará.


As outras duas foram bancadas pela Sol Informática e pelo jornal Público, cujos proprietários integram o Conselho de Administração do Hangar.


Mais um exemplo: a edição de janeiro deste ano. Das oito páginas de anúncios, três são do Governo do Estado, uma do Hangar, duas da própria Delta, uma da Cerpasa e uma do jornal Público.


Outro exemplo: a edição de fevereiro deste ano: das nove páginas de anúncios, três são do Governo do Estado, uma do Hangar, duas da Delta, uma da Cerpa, uma do Público e uma – surpresa! – da Tim, a operadora de telefonia celular.


É verdade que os 25 mil exemplares da Via Pará, a R$ 7,00 cada, renderiam R$ 175 mil por edição, caso fossem vendidos na totalidade.


O problema é que isso não acontece.


A informação, de fonte segura, é que 70% desses exemplares são distribuídos gratuitamente.


“São 800 pontos de distribuição” – revela um funcionário – “entre condomínios, hotéis, empresas públicas e privadas”.


A fonte não soube precisar a taxa de encalhe dos 30% que chegam às bancas.


Disse, no entanto, que a distribuição gratuita alcança, especialmente, a área “nobre” da cidade – Nazaré, Marco, Batista Campos, por exemplo – até o Entroncamento.


Quanto ao preço dos anúncios, ela confirmou que gira em torno de R$ 4 mil por página inteira. Mas, advertiu: “para o Governo é mais caro, pela série de procedimentos que isso envolve. Desde novembro, por exemplo, não recebemos nada do Governo; ele nos deve umas três edições”.


Informou que o acordo com o Governo é de três páginas por edição. Mas, disse, desde que o anúncio não venha através da Secretaria Estadual de Comunicação (Secom), é possível negociar “um preço melhor”, até pela “reestruturação” que está sendo feita na revista, inclusive na tabela de preços, em função da crise econômica.


“Em dezembro, fizemos uma capa para o Banpará que saiu a R$ 6 mil. Se fosse para o Governo, seria mais caro”, contou.


Uma pergunta sem resposta


Não se sabe ao certo se e quando Thaís Montenegro deixou o Hangar.


Na semana passada, uma assessora do Hangar disse que Thaís saiu de lá no mês passado – a mesma informação de Montenegro, por telefone, na quinta ou sexta-feira.


Mas, na madrugada de sábado, o empresário afirmou que a garota deixou o centro de convenções em julho do ano passado.


Certo é que Thaís ainda figurava como integrante da constituição societária da Delta em abril do ano passado – o fato está documentado em um processo da Justiça do Trabalho.


E, em maio, também aparecia como integrante do Conselho de Administração do Hangar, na revista Latitude – impressa pela gráfica Delta, como se pode ver no expediente.


A reportagem não teve acesso aos dois primeiros números da revista, para saber por quanto tempo Thaís exerceu esse duplo papel.


Mas, na edição de outubro, o nome dela desapareceu do Conselho de Administração - no lugar dela entrou o empresário Paulo Morelli.



Qual o verdadeiro faturamento da Delta?


Outra dúvida é quanto ao dinheiro realmente recebido pelas empresas do grupo Delta, no Governo Ana Júlia.


Mas, é bem provável que os empresários do setor tenham razão quando afirmam que o grosso do faturamento da empresa não aparece no link Transparência Pará, da Auditoria Geral do Estado (AGE).


De acordo com o link, a Delta Gráfica e Editora Ltda (não a Edson F.M. Vieitas, mas, aquela que está em nome da mulher e da filha do empresário, com o CNPJ 07.960.738/0001-40) recebeu do Governo do Estado, em 2007, R$ 392.813,59.


Já, a Bruno Vieitas (K&T Comércio e Serviços) foi contemplada com outros R$ 225.565,60. Total: mais de R$ 600 mil.


Já em 2008, ainda segundo o link Transparência Pará, a mesma Delta teria faturado R$ 190.430,19, e a Bruno Vieitas (K&T) R$ 69.035,53. Total: cerca de R$ 260 mil.


O problema é que o link detalha o que foi recebido pelas duas empresas, em 2007 e 2008, de vários organismos estaduais – Seduc, Secult, Escola de Governo, Sespa, Detran, por exemplo.


Mas, não consta nele um mísero centavo repassado ao grupo de Montenegro pela Secretaria de Comunicação – com as suas fabulosas verbas de publicidade e propaganda, que ficaram, apenas em 2007, em mais de R$ 38,8 milhões.


Mesmo assim, como já se viu, só a revista Via Pará, do grupo de Montenegro, que já vai no décimo número, fatura alto em anúncios, com três páginas fixas do Governo Estadual, a cada edição.


O mistério é o volume de dinheiro que o grupo Delta recebe das agências de propaganda contratadas pelo Governo do Estado.


E quanto, afinal, é destinado ao grupo pelo Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, no qual a Delta conseguiu emplacar até mesmo uma sócia no Conselho de Administração.


Mas isso, só o tempo dirá.

La Bamba!




sábado, 23 de maio de 2009

Democracia Já!

(Não deixem de ler a reportagem abaixo sobre as atividades da Gráfica Delta no Hangar.)



ABAIXO O AUTORITARISMO! VIVA A DEMOCRACIA!







Há pouco, por volta da uma da madrugada, recebi um telefonema do doutor Édson Montenegro, o dono da Gráfica Delta, que queria discutir comigo a reportagem do post abaixo (e leiam, por favor, que é a primeira de uma série).




Não apenas pelo teor da conversa, mas, por ser madrugada de sexta-feira e o próprio doutor Montenegro ter me dito que estava num bar, deduzi que ele andou bebendo.




Por isso – e como eu também gosto muito de beber – resolvi “relevar” o tom de suas afirmações.




Ele me disse que haviam ligado para ele, para falar da matéria publicada neste blog.




E ficou naquele blá-blá-blá de que a família dele é sagrada e que não admite que ninguém mexa com a família dele.




Como se eu tivesse alguma coisa contra a família dele, à qual nem conheço, aliás.




E como se não fosse ele a envolver a própria família em tudo isso, ao utilizá-la para a abertura de tantas empresas e otras cositas mas.




Talvez que aqueles que USARAM o doutor Montenegro tenham imaginado que conseguiriam, assim, me intimidar.




Ledo engano!...




A série de reportagens sobre a Delta vai, sim, prosseguir.




Mas, agora, será devidamente aprofundada, com informações sobre o conjunto de empresas e de colaboradores da governadora Ana Júlia Carepa que atuam, ao mesmo tempo, como administradores e prestadores de serviço do Hangar e do Governo do Estado.




Lamento, profundamente, estes tempos absurdamente autoritários que estamos a viver no estado do Pará.




Lamento, profundamente, que o PT e os seus “companheiros” não consigam conviver, minimamente, com a democracia, com a liberdade de imprensa, com a liberdade de expressão.




Lamento que os "companheiros" não consigam entender que o “culpado” não é quem denuncia um possível crime contra o erário, mas, SIM, todos aqueles que AGEM contra o interesse público.




Há 30 anos atuo no jornalismo.




E nunca, em toda essa sofrida trajetória, que abrangeu até mesmo os tempos da ditadura; nunca vi nada parecido com o que vem acontecendo no Pará, em termos de censura à imprensa, em termos de intimidação aos que “ousam” enfrentar esses corruptos patológicos que estão aí.




E lamento, sinceramente, o nível a que desceu o PT – o mesmíssimo PT que tanto criticava os tucanos, né mermo?...




Há pouco tempo, investiguei uma quadrilha pesadíssima, a do Chico Ferreira, que se encontra, aliás, preso em Americano.




Investiguei a PrevSaúde, o sobrinho do Jatene, o projeto Alvorada e até aquela máfia das ambulâncias.




Há uns 20 anos, fiz até matérias sobre o latifúndio e a pistolagem, numa época em que enfrentar essa bandidagem era quase que certeza de inclusão na listagem de matança.




E – sinceramente!... - não me lembro de tantas pressões e tentativas de intimidação como essas que venho sofrendo, desde que comecei a investigar o Hangar e as atividades “extra-curriculares”, digamos assim, da senhora Joana Pessoa.




É uma pena que seja assim.




É uma pena que o PT permita que desmontem, lentamente, a promessa que já foi, um dia, na política brasileira.




Mas, é sempre bom lembrar: eu, definitivamente, não me chamo Celso Daniel!...




De sorte que, como diria uma amiga minha: “PODEM VIREM!”... “PODEM VIREM!”...





FUUUIIIIII!!!!





(Sinceramente, que dá vontade de dizer pra minha xará: como é que tu podes pensar em mudar alguma coisa te cercando de bandidos?... ACORDA, caceta!)

Vai Passar!






Chico Buarque - Vai Passar

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Gráfica1

Sócia da Delta integra cúpula do Hangar (I)




Maior fornecedora de impressos da campanha da governadora Ana Júlia Carepa, a gráfica presta serviços ao centro de convenções, mas tem sócia no Conselho de Administração.



Thaís Montenegro é uma jovem e bem sucedida empresária paraense. Aos 23 anos, é sócia da gráfica Delta, uma das maiores do Pará e da região.



A gráfica presta serviços ao Governo do Estado e ao Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, para o qual imprime a luxuosa revista “Latitude”, cuja edição trimestral, nos cálculos de empresários do setor, gira em torno de R$ 700 mil, para 30 mil exemplares.



Tudo nos conformes, não fosse por um pequeno problema: pelo menos até o ano passado, Thaís também integrou o Conselho de Administração do Hangar.


Em outras palavras: Thaís pertenceu ao comando do mesmíssimo centro de convenções que contratou os serviços da empresa dela.


Segundo promotores e advogados ouvidos pela reportagem, esse duplo papel de Thaís agride os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade administrativa. E pode até ensejar uma ação popular, para anular os contratos da empresa.


Mas, o pior é que essa história não acaba aí.


A Delta da qual Thaís é sócia integra um grupo de pelo menos três empresas do mesmo ramo, que gravitam em torno de um mesmo empresário e funcionam no mesmíssimo endereço: a travessa Pirajá, 1187, no bairro do Marco. Duas delas, aliás, sob o mesmo nome de fantasia: Delta Gráfica e Editora.


O grupo foi o principal fornecedor de impressos da campanha da governadora Ana Júlia Carepa, nas eleições de 2006.


E, ao longo desses dois anos, já faturou um volume de recursos que ninguém sabe quantificar.


Só de secretarias e outros órgãos do Governo foram mais de R$ 777 mil, segundo o link “Transparência Pará”, da Auditoria Geral do Estado (AGE).


Mas, essa conta não inclui a bolada que a Delta recebe do Hangar e das agências de publicidade contratadas pelo Governo.


E, segundo empresários do setor, a Delta é, hoje, a única fornecedora de impressos do Hangar e a principal fornecedora desses serviços ao Governo Estadual.



Os muitos caminhos para Montenegro


São pelo menos três as empresas do grupo, todas elas comandadas, na verdade, pelo empresário Édson Fernando Montenegro Vieitas.



A mais antiga é uma empresa individual, a Edson. F. M. Vieitas (CNPJ 02.129.402/0001-16), aberta em setembro de 1997. O nome de fantasia é Delta Gráfica e Editora e o endereço é o número 1187 (térreo) da travessa Pirajá.


A segunda empresa é a Delta Gráfica e Editora Ltda. (CNPJ 07.960.738/0001-48), que tem, igualmente, o nome de fantasia de Delta Gráfica e Editora. Foi aberta, em abril de 2006, por Káthia Regina de Souza Pamplona, a segunda mulher de Édson, e por Thaís Fernanda Pamplona Montenegro, a filha do casal, que integrou ou integra a cúpula do Hangar.


De acordo com os registros da Receita Federal e da Junta Comercial do Pará (Jucepa), essa segunda Delta funcionaria no número 1193-A, da travessa Pirajá – e existe até mesmo um contrato de locação do imóvel 1193-A, da travessa Pirajá, que pertenceria a um certo Augusto César de Souza Pamplona.


O problema é que, conforme constatou a reportagem, não existe - pelo menos hoje -o número 1193 da Pirajá: naquela travessa, há, apenas, o número 1187, que é o endereço da primeira Delta. As duas residências ao lado dela têm os números 1181 e 1199.


A terceira empresa é a Bruno E. da S. Vieitas (CNPJ 05.506.596/0001-10), aberta, em fevereiro de 2003, com o nome de fantasia K&T Comércio e Serviços, por outro filho de Montenegro.



A K&T também funcionaria no número 1193 da travessa Pirajá.


Não se sabe, no entanto, se há outras empresas ligadas ao grupo. Mas, segundo empresários do setor, Montenegro teria aberto, ao longo da vida, pelo menos mais duas gráficas, que foram deixadas de lado em função das dívidas que acumulavam.


Improbidade?



A reportagem ouviu um procurador, um promotor e dois advogados de grandes bancas de Belém, especializadas em Direito Administrativo.



A todos, foi apresentado um caso hipotético, mas, com todas as características do que aconteceu no Hangar: o fato de um membro de um Conselho de Administração de uma OS, que gerencia estrutura e recursos públicos, também pertencer ao quadro societário de uma fornecedora de serviços.


Não houve consenso quanto à existência, a priori, de crime. Mas, todos concordaram que o fato ofende princípios constitucionais que têm de nortear a administração pública.



“Essa é uma questão delicada, que é o eventual conflito de interesses, mas, não dá para afirmar, sem investigar, que é ilegal”, disse um procurador, “O grande problema é demonstrar que isso foi feito para beneficiar alguém. Mas, é inconveniente e quebra o princípio da impessoalidade”.


Também para um promotor estadual o fato não é claramente ilegal, uma vez que Thaís não é funcionária pública e não está, portanto, impedida de contratar com a administração. Mas, observa, esse duplo papel “quebra” os princípios da moralidade e da impessoalidade administrativas e pode até ensejar uma ação por improbidade.


E explica o promotor: “É complicado esse negócio de OS – e foi por isso que o Ministério Público votou contra. O negócio das OS é esse mesmo: tornar difícil constatar a irregularidade. Porque uma OS é pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, que pode, inclusive, receber servidores públicos, com ônus para o órgão de origem. Quer dizer, você entrega o patrimônio público a um particular, com tudo dentro, e pode até ceder servidores. Mas, ela também está submetida ao Direito Público, não só ao Privado. Daí que também está submetida à impessoalidade”.


Um advogado de uma grande banca de Belém é mais enfático: “Não pode uma pessoa integrar as duas coisas – o Conselho e a constituição societária. É ato de improbidade, fere os princípios da impessoalidade e da moralidade e pode ensejar uma ação de improbidade, até para anular a contratação.Cabe, inclusive, uma ação popular”.


E acrescenta: “No momento em que a OS está sendo preposto do Poder Público, ela (Thaís) está contratando com ela mesma. Aí, há violação ao princípio da impessoalidade. Independente de ser funcionária pública, se faz parte do conselho de administração e da empresa, a contratação, me parece, é incompatível”.


Outro advogado, também de concorridíssimo escritório de Belém, pondera que a ilegalidade dessa contratação depende de vários fatores. “Tem de ver que tipo de influência a pessoa do Conselho de Administração teve na contratação, se houve benefício com a falta de consulta a outras empresas, por exemplo” – explica – “Tem que demonstrar que houve prejuízo em termos de contratação e aí fazer o elo. O que não pode é se exerce outro cargo na OS, ter ordenado algum ato mais direto nessa contratação. Aí, no mínimo, é imoral”.


Mas, para ele, “em princípio”, o fato fere a moralidade e a impessoalidade administrativas, “mas tem que mostrar que houve prejuízo, porque pode ser que o preço do serviço seja adequado e que tenha havido competitividade aberta”.


Concorda que o fato pode ensejar uma ação popular, para anular a contratação, mas, repisa, “tem de mostrar onde houve a infringência legal”.


Um mar de dinheiro público



Donos de gráficas de Belém garantem que a Delta realiza a totalidade dos serviços de impressão do Hangar, sem que haja sequer uma simples consulta de preços a qualquer outra empresa.



Dizem, também, que a Delta tornou-se a principal fornecedora desses serviços ao Governo do Estado, a partir da ascensão da governadora Ana Júlia Carepa.



A reportagem argumentou que, de acordo com o link “Transparência Pará”, da AGE, há gráficas que até faturam mais que a Delta.



Mas, os empresários afirmam que o grosso do dinheiro recebido pelo grupo de Montenegro não aparece no link, que só refletiria os contratos que ele obteve através de licitação.



A maior parte do dinheiro carreado para a Delta, garantem esses empresários, estaria sendo repassada através das agências de propaganda e publicidade contratadas pelo Governo, numa triangulação difícil de comprovar.


Também nos cálculos desses empresários, a Delta teria experimentado uma extraordinária evolução patrimonial, nestes dois anos, ao adquirir um conjunto de equipamentos que estariam avaliados, hoje, em R$ 6 milhões, nas contas de uns; ou em até R$ 10 milhões, nas contas de outros.

Leia nas próximas reportagens:

_Montenegro nega acusações.
_As contribuições da Delta à campanha de Ana Júlia
_O faturamento da empresa no Governo.
_Grupo também edita revista

Conjunto do BASA

Recebi do deputado Carlos Bordalo o artigo abaixo. Leiam. Volto logo mais à noite





O ESTELIONATO DA 1º DE DEZEMBRO


Por Carlos Bordalo






Venho a público repudiar a ação truculenta e absolutamente desnecessária cometida pela Prefeitura de Belém, contra os moradores do Conjunto do Basa: sprays de pimenta e cacetes arderam e pesaram nos olhos e costas de moradores cuja maioria de 60% é formada por idosos, mulheres e crianças.




Não contente com o estelionato eleitoral que promove há nove anos, a Prefeitura de Belém agora pratica um estelionato técnico, mas esse, ao contrário do primeiro que pode ser revertido pela vontade popular vendo-se enganada, traz a face da violência.




Querendo mostrar serviço após anos perdendo a oportunidade de trabalhar por Belém, ela, amparada em Ação Judicial, mas que tem mérito totalmente questionável, arrombou com uso da força policial o muro do Conjunto do Basa, para que seja aquela via incorporada ao projeto de prolongamento da Avenida João Paulo II, antiga 1o de Dezembro, numa ação em que a legalidade protegeu a incoerência, prática contumaz dessa administração, já que é público que a função da Guarda Municipal é apenas zelar pelo patrimônio público.




O estelionato técnico reside no fato de que o projeto original não contempla a abertura dessa via, que de fato não está preparada para assumir esse papel no tráfego de veículos que o prolongamento da avenida propõe, cujas casa possuem paredes geminadas e correm o risco iminente de desabar e trincar com o advento do intenso fluxo de veículos que passarão a trafegar por ali.




O projeto original previa sim a abertura da Rua Moça Bonita, que divide Belém e Ananindeua. O acesso ao Conjunto do Basa não traz nenhuma alteração qualitativa para a passagem dos veículos, até porque não está preparada para isso.




A verdade é que a prefeitura sequer tem preparado um projeto final de pronlogamento da 1o de Dezembro e busca com essa ação tresloucada holofotes para escapar dos efeitos da aprovação da CPI da Saúde pela Câmara Municipal de Vereadores.




O mais lamentável do episódio é que eu mesmo havia conseguido aprovar na ALEPA intersseção junto ao Governo do Estado para liberar empréstimo a fim de que a obra chegasse até o Viaduto.




Fato desconsiderado pela Prefeitura, o que somente comprova suas motivações demagógicas, levianas e de total descompromisso com o povo de Belém e daquele conjunto.




Estive no momento do terror promovido pela Prefeitura com o objetivo de evitar um desfecho lamentável para idosos, mulheres e crianças, também fui vítima de spray de pimenta que a guarda patrimonia ilegalmehte portava e rechaço a ação desastrada, terrorista, tecnicamente desnecessária, politicamente farsante e administrativamente irresponsável.