Após a entrevista do Priante na Rádio Tabajara (e que veículo de comunicação bacana é aquele!) ficaram-me várias impressões que estou a “ruminar” (até porque, naquela entrevista morna, creio que foram deixadas de lado várias coisas que é preciso, enfim, dizer)
Estou enrolada com o trabalho, com uns “freelas” bem bacanas. Mas, mesmo assim, comecei a escrever alguma coisa sobre essa entrevista, o que espero postar amanhã ou depois.
Pra já, gostaria de deixar um desagravo à auditora geral do Estado, Tereza Cordovil.
Não tenho procuração de ninguém para isso e já faz muito tempo que não falo com ela.
Mas, apesar de ninguém ter me pedido e de alguns até poderem olhar com desconfiança o que vou dizer, quero deixar registradas algumas cositas.
O que me ficou da doutora Tereza, do parco relacionamento que tivemos no passado, foi a imagem de uma técnica muito, muito competente e, sobretudo, honesta.
Uma pessoa pela qual eu meteria a mão no fogo – e num meio como esse, em que, dificilmente, a gente pode dizer isso de alguém...
Lembro de uma entrevista que fiz com ela, em 2007, quando a AGE ainda passava a limpo as gestões tucanas.
E Tereza me dizia da preocupação de terminar logo aquela tarefa; de parar de olhar para trás e começar, rapidamente, a olhar para a frente, para o governo que integra, já que a detecção precoce de “impropriedades” ainda é a melhor maneira de combatê-las e de evitar que se multipliquem.
De evitar, portanto, que recursos mal utilizados deixem os cofres públicos, aos quais, muito dificilmente, retornarão...
Por isso, até pela compreensão que demonstra em relação à importância de seu trabalho, dessa fiscalização, desse controle permanente que tem de haver sobre as ações do governo – de qualquer governo que seja! – Tereza Cordovil tornou-se, aos meus olhos, a melhor auditora geral deste estado; um exemplo a ser seguido pelos que vierem depois dela.
O problema é que esse tipo de trabalho, num país como o Brasil, e mais ainda num estado como o Pará, é pra lá de ingrato.
Porque as pessoas, os mandatários, os eleitores, os cidadãos como um todo não conseguem enxergar o Poder e a máquina pública como coisas que pertencem a todos.
Vêem tudo isso, antes, como extensão de um quintal qualquer; de um partido ou até de uma liderança que detém Poder.
Trata-se de uma cultura que está entranhada em nós.
E se a gente pegar a História do Brasil vai perceber que essa cultura já estava no nascedouro desta Nação: as estruturas públicas existentes, já então, foram paridas como um simples apêndice das famílias que dominavam o pedaço.
Mesmo hoje, com toda a enormidade que já avançamos em termos de Cidadania e Democracia, ainda continuamos a ver o Público, as estruturas e o dinheiro públicos, como coisa de que uns poucos cidadãos podem se apropriar.
Daí, também, que as pessoas não consigam entender muito bem esse trabalho de fiscalizar, de controlar a utilização da máquina pública.
Tudo o que é novo assusta, espanta.
E, numa democracia imatura como a brasileira, tende a ser visto por um viés político-partidário, quando, na verdade, o controle do Estado, dessa monstruosidade chamada Estado, está muito além de quaisquer disputas político-partidárias...
Tenho certeza que Tereza e a sua AGE não estão fiscalizando, apenas, os “espaços do PMDB”.
Tenho certeza de que essa fiscalização, até pelo perfil técnico de Tereza, está sendo realizada no conjunto dos organismos que compõem o Governo.
Sei, também, que, por isso mesmo, nem Tereza nem outros bons amigos da AGE me permitirão, alguma vez, ter acesso a tais relatórios...
É mais ou menos como me perguntou certa vez um jornalista, quando eu investigava o Hangar: “mas eles não te mostraram tais documentos?”
E eu respondi: “Mas aooooonnnnde!... Se eles fizessem isso, aí eu é que teria de perguntar pra eles: vocês andaram bebendo, é?”.
São informações públicas? São sim. Uma vez que a produção delas foi custeada com dinheiro público, dizem respeito ao uso do dinheiro público e a resultados de interesse público.
Mas, como diria o Gianotti, tão detonado pelo PT e pela Marilena Chauí por tal constatação, há uma zona cinzenta, na política, onde sobejam bicudas e catiripapos...
De sorte que seria ingenuidade, de ambos os lados, imaginar, hoje, tamanha acessibilidade a tais informações.
No futuro, talvez, quando todos estivermos mais habituamos à Democracia e à Cidadania...
E quando o “jogo”, e todo este grande cassino que é a política brasileira, girar em torno, de fato, do interesse coletivo...
Porém, mesmo isso, hoje, ainda é um grande sonho - tanto que a gente ainda tem de aprender o básico: a identificar os verdadeiros aliados.
E penso que, neste ponto, já consegui avançar um bocadinho.
Porque, apesar de estarmos em barcos opostos, consigo enxergar a doutora Tereza Cordovil como uma gigantesca aliada num projeto maior, bem maior que o simples revezamento entre tucanos e petistas.
E faço-lhe esse desagravo pelo muito que essa cidadã extraordinária tem sido massacrada, até pela imprensa, que deveria era apoiar o trabalho que vem fazendo.
Aos poucos, naquele passo de formiguinha que sabe até aonde pode ir com o peso que carrega nas costas, Tereza tem conseguido dar a AGE a real dimensão que a AGE precisa ter num governo democrático.
Já conseguiu, para a AGE, uma nova sede, a nomeação de vários auditores concursados, a ampliação orçamentária, a montagem do Portal da Transparência e por aí vai.
E eu penso: infeliz do governo que imagina que não precisa ser auditado, avaliado, acompanhado, controlado pari passu pela sociedade...
(E aqui eu me refiro especificamente a tucanos e petistas, que são, de fato, os governos que me importam, que me interessam!...)
Infeliz do Governo que imagina que não precisa se conhecer, e especialmente aos próprios erros, para, enfim, melhorar!
E é por isso que volto, aqui, a louvar a minha xará – o que não significa, obviamente, que vou deixar de pegar no pé dela...
A informação que tenho, dos poucos amigos petistas que me restaram, é que Tereza Cordovil goza da confiança da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa.
E eu penso: ponto (e ponha ponto nisso!) para a minha xará, pela inteligência de perceber que, na posição em que se encontra, é bem difícil desencavar preciosidades como a doutora Tereza Cordovil.
Ponto para a minha xará, que quer saber, de fato, em primeira mão, de tudo o que acontece na imensidão do Estado que comanda.
Até para poder corrigir. Até para poder acertar.
FUUUUUIIIIIIII!!!!!