Alepa

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A maior praga do Pará






 Ainda levará muito tempo até que a gente consiga dimensionar realmente os prejuízos do “Jatenismo” ao estado do Pará.

Ao contrário do que diz a mentirosa propaganda de Jatene, o novo governador, Helder Barbalho, receberá um estado em ruínas, com estruturas públicas sucateadas, e que não têm, portanto, como oferecer um atendimento digno à nossa população, a curto prazo.

Às obras inacabadas, que se arrastaram de eleição em eleição, juntam-se escolas e delegacias de polícia caindo aos pedaços; unidades de saúde onde falta desde material de consumo a equipamentos e melhorias físicas.

E tudo isso é resultado, sim, da irresponsabilidade de Jatene e da sua falta de compromisso com a coletividade.

Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, de humanidade até, perceberia que anos e anos seguidos de baixo investimento, em um estado como o nosso, acabaria gerando esse caos que vemos hoje.

E tão ou mais doloroso: nestes anos todos de Jatenismo, com suas idéias mirabolantes, megalomaníacas, perdemos um período de ouro de desenvolvimento do Brasil.

Um período no qual a quase totalidade dos estados melhorou significativamente, enquanto que o Pará foi ficando cada vez mais para trás.

Daí o fato de disputarmos, hoje, as lanternas dos indicadores sociais com estados desde sempre miseráveis: Alagoas, Maranhão, Piauí.

O novo governador terá, portanto, a tarefa hercúlea de investir somas bilionárias e crescentes, não só para reativar a economia, mas, também, para devolver as estruturas públicas a um patamar, pelo menos, aceitável.

E a grande questão é: de onde virá o dinheiro para isso, já que o Jatenismo também criou complicados nós políticos, econômicos e gerenciais, que podem até custar a cabeça do governante que ousar fazer frente a eles?

Um desses nós é a política de incentivos fiscais, que mais parece um negócio de mãe pra filho: o Estado abre mão de milhões, bilhões, em impostos, em troca de promessas de investimentos; de um retorno em termos de emprego e renda, que nem Hercule Poirot sabe dizer se, de fato, se concretizaram, ou se tudo não passou de um estratagema para a formação de grandes fortunas pessoais e de caixa dois eleitoral.

No entanto, como mudar essa política sem provocar uma quebradeira dessas empresas e sem deixar o Pará com uma fama tão péssima que acabe até fazendo com que outros empreendimentos pensem duas vezes antes de se instalar aqui?

Outro sorvedouro de dinheiro público é a rede de tráfico de influência, para garantir o silêncio de procuradores e promotores de Justiça, de magistrados, jornalistas, veículos de comunicação, conselheiros de contas, deputados...Ou seja: dos integrantes de qualquer instituição que pudesse frear a bandalheira que se estabeleceu neste estado.

Essa rede sobreviveu até mesmo durante o governo petista, tão fortemente entranhada está nas nossas instituições. E a questão é: como um governante poderá desmontar, ou ao menos minimizar essa rede, sem se tornar alvo de investigações e processos a rodo, ou até de um impeachment?

Outro problema é o baixíssimo retorno da atividade mineradora e de grandes projetos em geral.

Trata-se de uma questão histórica, agravada não apenas pela Lei Kandir, mas, também, pela postura subserviente do Jatenismo.

Como lidar com o Governo Federal, para o qual somos uma fabulosa fonte de recursos hídricos, mas sem que isso se tenha traduzido nem mesmo na melhoria dos serviços e no barateamento das contas de luz?

Como estabelecer uma relação republicana, democrática, com o Poder Central, habituado a nos ver como simples colônia?

Como criar um novo marco nessa relação, frente aqueles tão acostumados a sapatear em nossas cabeças que, no maior despudor, até nos afanaram bilhões com a Lei Kandir - contra a qual, aliás, o governador Simão Jatene, na época o todo poderoso secretário de Planejamento do Pará, não foi capaz de dizer nem mesmo um ai.

Como lidar com a super-mega-ultra-poderosa Vale, sem que isso resulte em uma guerra de consequências imprevisíveis?

Como desarmar essas bombas que o Jatenismo entranhou ou ajudou a entranhar em nossas estruturas públicas?

O Jatenismo, caro leitor, é a pior praga que se abateu sobre o Pará. É o sistema mais corrupto, corruptor e absolutamente descomprometido com a população que este estado já viu.

No segundo semestre de 2017, entre 25 de julho e 10 de agosto, ou seja, em menos de um mês, só um dos filhos do governador Simão Jatene  movimentou R$ 13 milhões, em pagamentos a uma seguradora (http://pererecadavizinha.blogspot.com/2018/05/filho-de-jatene-paga-r-13-milhoes-uma.html ).

Veja bem: Só ele. E esse dinheiro era apenas o que ele tinha livre, disponível, para tais pagamentos – fora, portanto, o que ele possuía em imóveis, carros, postos de combustíveis, clubes noturnos e sabe-se lá mais o quê.

Muitas empresas financeiramente saudáveis não possuem R$ 13 milhões livres, para pagamentos em um único mês.

Muitos profissionais de classe média alta, ou até de famílias ricas, trabalham a vida inteira, sem conseguir acumular tamanha fortuna.

Então, de onde é que veio tanto dinheiro?

E o que é feito dos processos que envolvem Beto Jatene?

E por que o promotor e o procurador de Justiça que tentaram investigar o filho do governador acabaram se tornando vítimas de toda a sorte de represálias?

Mas como se tudo isso não bastasse ainda há outras bombas difíceis de desarmar, como é o caso da milionária propaganda, cujos recursos fazem uma falta danada à melhoria das nossas escolas, estradas e hospitais.

Como quebrar essa relação promíscua entre o Governo e a imprensa (veículos e jornalistas)?

Como cortar, ou ao menos reduzir, as “ajudas” a que tantas “boas almas” foram habituadas pelo Jatenismo, sem que isso resulte em uma campanha orquestrada contra o governante?

Como quebrar esse modelo que vê a crítica como algo insuportável, até porque incompatível com a criação de uma Ilha da Fantasia?

Como, depois de 8 anos de propaganda mentirosa, vendilhona de banha de cobra, recolocar a crítica no papel que ela precisa ter em qualquer Democracia, que é o de incentivar a participação e o comprometimento dos cidadãos na gestão da coisa pública?

Nada pior do que o silêncio da coletividade, quando se pretende, de fato, construir uma sociedade melhor.

O silêncio, o descompromisso, acaba por se traduzir tanto no lixo que é jogado nas calçadas, quanto na roubalheira do dinheiro público. Não há uma sensação de pertencimento, de nós em relação a uma coletividade, e da coisa pública em relação a nós.

E essa postura autoritária do Jatenismo, de tentar silenciar toda a crítica e até de buscar sufocar, esmagar, todo e qualquer adversário, é não apenas uma bomba que o novo governador precisará desarmar, mas, também, uma tentação à qual, espera-se, ele não venha a sucumbir.

No entanto, a pior herança que nos deixará o Jatenismo é o avanço do crime organizado, de forma nunca vista, no estado do Pará.

São estruturas criminosas a dominar bairros inteiros, até na nossa capital, e que já vitimaram milhares de pessoas, inclusive, policiais.

São traficantes e milicianos colocando a nossa população, todo santo dia, no meio de um fogo cruzado – literalmente! É o terror, a ausência do Estado, a barbárie, a lei do mais forte.

E essa será, possivelmente, a batalha mais dramática que o novo governador e a nossa população enfrentarão, devido à irresponsabilidade, à insensibilidade, à preguiça e à incompetência do Jatenismo.

O fato de o crime organizado ter encontrado um terreno fértil em vários bairros; o fato de muitos dos que matam e morrem em nossas ruas serem jovens com bem menos de 30 anos, são provas, aliás, da falta de políticas públicas realmente massivas e eficazes, por todo esse período.

Pura balela a linda e sonora “cultura da paz”! Pura balela as tais de políticas para a juventude, de geração de emprego e renda, de Pará 2030 – e por aí vai. A realidade que vemos em nossas ruas é a prova mais eloquente do quão mentiroso, acanalhado e incompetente é o Jatenismo. 

Ao longo desses quase 20 anos, que findam nesse histórico 1 de janeiro, os nossos tucanos, inspirados ou conduzidos pelo Jatenismo, simplesmente se “esqueceram” de todos os ideais que levaram à fundação do PSDB.

Preocuparam-se, apenas, em satanizar os Barbalho, como se fossem eles os culpados por todos os males deste estado, apesar de afastados do comando do Pará desde 1995 – ou seja, há 23 anos!

Não viram, ou fingiram não ver, ou até caíram num grande conto do paco. Afinal, tal estratégia servia apenas aos interesses do próprio Jatene, de enriquecer com o dinheiro público e de se perpetuar no poder, a partir da destruição da única liderança capaz de derrotá-lo: Jader Barbalho.

Os Barbalho viraram até verbo, sinônimo de tudo o que não presta. Tornaram-se os inimigos “superpoderosos e onipresentes” de toda essa “essência sublime”, de toda essa “candura e bondade” que sempre moveu Simão Jatene, não é?

E hoje, com toda essa herança de corrupção, violência e incompetência deixada pelo Jatenismo, e que será Helder Barbalho a enfrentar, a História como que recoloca os pingos nos is, a mostrar quem é, de fato, o verdadeiro satanás.

Que Deus ilumine e proteja o novo governador e a nossa população, porque terríveis são as batalhas que vêm por aí.

E que Deus tenha misericórdia dos nossos tucanos, a fim de que consigam compreender esta ironia: o doutor Almir, ao tentar combater aquilo que ele considerava o “grande mal”, acabou por embalar e colocar no poder uma criatura infinitamente pior.

FUUUIII!!!!

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Em tempo: li, no Diário do Pará, que Jatene não comparecerá à posse de Helder.
Não fará falta alguma.
Aliás, é até melhor que não compareça: pelo menos, não irá emporcalhar, uma última vez, a faixa de governador.

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