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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Incrível! Bloqueador solar comprado pelo Corpo de Bombeiros do Pará custou 12 vezes menos do que o do Detran. Bombeiros pagaram R$ 5,28 a unidade. Detran vai pagar R$ 60,71.

Jatene e Mário Couto, "uma dupla de dois": bloqueador comprado pelo
Detran é 12 vezes mais caro do que o adquirido pelos Bombeiros.

Em 21 de junho do ano passado, o Corpo de Bombeiros do Pará realizou um Pregão Eletrônico, o de número 05/2011, para a compra de vários artigos de proteção, para os policiais que participariam do Serviço de Guarda-Vidas nos balneários paraenses, durante a Operação Verão/2011.
 
Entre os produtos comprados estavam 1.230 bloqueadores solar e 1.230 protetores labiais.

 
Quem ganhou os lotes com tais produtos foi a Empresa Luvex, que fabrica cremes de proteção, para uso profissional, e que tem entre seus clientes verdadeiros gigantes do mercado: Vale, Samarco, Gerdau, Varig, CSN, Embraer, Usiminas, Petrobras.

 
Pois muito bem: os protetores labiais comprados pelos Bombeiros saíram a R$ 6,17 a unidade, ou R$ 7.589,10 no total.

 
Já os 1.230 bloqueadores solar, Fator de Proteção 40, filtros UVA/UVB, resistentes à água, em embalagens de 120 ml, ficaram ainda mais baratos: apenas R$ 5,28 a unidade, ou R$ 6.494,40 no total.

 
Quer dizer: cada bloqueador solar comprado pelo Corpo de Bombeiros, aqui mesmo do Pará, custou quase 12 vezes menos do que os R$ 60,71 que serão pagos pelo Detran (Clique aqui para ler a reportagem anterior).



E clique no quadro abaixo, extraído do Comprasnet, para ver o valor do bloqueador comprado pelos Bombeiros: 


É verdade que os bloqueadores adquiridos pelo Detran têm Fator de Proteção 60 – mas essa é, basicamente, a única diferença entre os dois produtos. 
 
E com um abismo de preços tão gritante é quase impossível que os bloqueadores da Luvex, de Fator 60, chegassem a custar ao menos um terço do que será pago pelo Detran, especialmente, se adquiridos em igual quantidade (4.200 unidades).

 
Isso fica claríssimo, aliás, na reportagem anterior da Perereca: o Governo de Sergipe pagou, em 27 de junho do ano passado, apenas R$ 14,25 por  unidade dos bloqueadores da marca Luvex, com Fator de Proteção 60, filtros UVA/UVB, resistente à água, em embalagens de 120 ml – ou seja, com características extremamente parecidas ao produto comprado pelo Detran.

 
E o Pregão do Detran, vale salientar, foi realizado em 2 de dezembro – ou seja, menos de seis meses depois.

 
Os bloqueadores  comprados pelos Bombeiros deixam, também, uma dúvida: por que, afinal, os agentes de trânsito do Detran precisarão de um Fator de Proteção 60, quando os Bombeiros, expostos ao solzão de verão o dia inteiro – e em plena praia – puderam passar com um bloqueador de 40, que fica bem mais barato?

 
E mais: a empresa Luvex, que ganhou a licitação dos Bombeiros, acabou desclassificada na licitação do Detran.

 
No Pregão do Detran, ela ofereceu 4.200 bloqueadores com Fator de Proteção 100, por um total de R$ 70.980,00 – ou R$ 16,90 a unidade. Mas, sabe-se lá por que, não teria encaminhado proposta para análise técnica no prazo estipulado pelo pregoeiro.

 
Esse, porém, não foi o único fato estranho, nesse estranhíssimo Pregão do Detran.


Como você leu na reportagem anterior, para que a Lance Norte Distribuidora de Equipamentos Eletro-Eletrônicos (isso mesmo, uma distribuidora de produtos eletrônicos...) pudesse ganhar esse Pregão e fornecer ao Detran bloqueador solar a R$ 60,71 a unidade (ou quase R$ 255 mil no valor total), foi preciso desclassificar 22 empresas – e 13 delas com propostas que representavam a metade do preço que foi finalmente oferecido pela Lance Norte.


Mas, por incrível que pareça, não houve um único recurso apresentado nesse Pregão: nenhuma licitante recorreu ao Pregoeiro pelo fato de ter sido desclassificada; ninguém, absolutamente ninguém, tentou impugnar a vencedora, apesar do alto valor envolvido no fornecimento de bloqueador solar. É como se, simplesmente, nem existissem, o que é um comportamento espantoso para certames desse tipo, nos quais as empresas costumam apontar até a unha encravada da concorrente, para tentar desclassificá-la.


Há mais, porém.


Como você viu nas postagens anteriores, no Diário Oficial do último 27 de janeiro, o Detran apontou como base legal para o contrato com a Lance Norte o Pregão Eletrônico 1/2011 – que, no entanto, havia anulado a compra de bloqueador solar.

 
E só depois de um dia de buscas no Google é que o blog conseguiu localizar o verdadeiro Pregão em que foi licitada a compra desses bloqueadores: o de número 3/2011.


No entanto, esse não foi o único “equívoco” do Detran: no Diário Oficial de 18 de novembro de 2011, caderno 2, página 3, o Detran publicou o Aviso do Pregão 001/2011 para a compra de bloqueador solar. Ocorre que, naquela data, o verdadeiro Pregão 1/2011 já havia sido até homologado, inclusive com a menção ao cancelamento da compra de bloqueador (Diário Oficial do Estado de 25 de maio, caderno 2, página 10).


Já no Diário Oficial de 23 de dezembro de 2011, caderno 1, página 10, o que o Detran homologou, para a compra de bloqueador solar, foi o resultado do Pregão 03/2011.

 
Mas, ao publicar o contrato com a Lance Norte, em 27 de janeiro, voltou a citar como base legal o Pregão 1/2011.


Veja nos quadros abaixo: 


4 comentários:

Anônimo disse...

Vai ver que Couto e Jatene querem que acreditamos que o aumento do valor é por causa da inflação do periodo.

Anônimo disse...

Bandos de patifes, só vão mandar cancelar a Licitação, em razão da denuncia da Perereca. Agora,apurar responsabilidades, neca neca.
João Costa

Anônimo disse...

E agora senhor Alvaro Ayres, Diretor omisso, que não para no Detran e deixa um tal de Frencisco dar as cartas. Vais levar essa pro resto da tua vida.

Anônimo disse...

Apurar responsabilidades é o que fazem governos sérios.Governos midiáticos reagem de forma pontual e só quando descobertos os erros.Aí suspendem as licitações e nada fazem com quem armou a tentativa do dano.Pelo número de vezes que isso ocorre já é característica do governo Jatene principalmente na SESPA e DETRAN.