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terça-feira, 20 de abril de 2010

Jader revela: PT deve apresentar “leque de motivações” ao PMDB ainda nesta semana

“Acho que foi um gesto espontâneo da parte dela, em conseqüência da visita do José Eduardo Dutra (presidente nacional do PT), que deve ter conversado com ela e ela deve ter decidido estabelecer um canal de conversação. Creio que o Dutra deve ter recomendado que ela conversasse comigo, para retomar as conversações, com vistas às próximas eleições”.


A declaração foi feita há pouco à Perereca da Vizinha, pelo presidente regional do PMDB, deputado federal Jader Barbalho, acerca da conversa que manteve, na manhã de ontem, com a governadora Ana Júlia Carepa – que quebrou o protocolo e foi à casa do deputado, para um cara a cara com ele, durante cerca de uma hora (leia a postagem anterior).


Jader evitou entrar em detalhes em relação ao que Ana ofereceu ao PMDB, para a repactuação da aliança vitoriosa de 2006. Disse, apenas, que Ana ficou de lhe apresentar “um leque de motivações”, para que ele discuta com seus correligionários.


Ele não soube dizer ao certo a data de apresentação dessas propostas pela governadora, mas acredita que isso ocorrerá ainda nesta semana.


O morubixaba peemedebista negou que tenha ficado sem reação, tamanha a surpresa, na manhã de ontem, ao receber a visita da governadora em sua casa, no condomínio Cristal Ville.


“Não fiquei sem saber o que dizer. Ela é minha vizinha, afinal de contas. Nunca tive dificuldades pessoais com ela, em nenhum momento houve indelicadeza, falta de educação. As conversas sempre foram cordiais entre nós. É natural que, na política, haja momentos de atritos e de inconveniências. Mas nunca houve, no meu relacionamento com ela, indelicadezas”, afiançou.


Jader contou que, durante o encontro, disse à governadora mais ou menos o seguinte: “Vocês conversem e proponham, façam uma proposta de participação e eu vou conversar com os companheiros do PMDB”.


E acrescentou ao blog: “Sim, porque eu não sou dono do partido. Eu converso com os meus companheiros”.


Perguntei-lhe se é verdade que há grande resistência entre os peemedebistas em relação a uma aliança com os petistas, para as eleições do próximo outubro.


A resposta de Jader: “Existe hoje no PMDB entusiasmo em relação a uma candidatura minha ao Governo, em razão até das pesquisas. O que existe é isso. O sonho de um partido é ter candidatura própria. E evidentemente que entre uma candidatura ao Governo e apoiar outro partido, a simpatia é mais pela candidatura própria”.


O deputado deixou claro, porém, que ainda não decidiu seu futuro político – se será candidato ao Governo ou ao Senado:


_Estamos examinando essas questões com muita calma. Até porque são questões políticas; não podem ser examinadas como projeto pessoal. Como líder do partido, tenho obrigação de examinar todos os ângulos.


Perguntei-lhe, então, se hoje o PMDB estaria mais próximo de Ana Júlia ou do tucano Simão Jatene. A resposta: “hoje, estamos distantes de todos dois”.


Indaguei-lhe, ainda, o que existe de verdade, nas especulações da blogosfera, acerca do distanciamento ou reaproximação com o PT.


A resposta dele: “O que existe é diálogo, principalmente fomentado pela direção nacional e por setores locais do PT”.


Apertei: perguntei quais as chances, numa escala de 1 a 10, de retomada da aliança com os petistas.


A resposta: “Fica difícil estabelecer, porque a política é profundamente dinâmica. Acho que o importante é não amesquinhar essas questões. Vamos analisar e aí ver o caminho que vamos tomar, evitando posturas preconceituosas. Não existe isso, especialmente num comandante de longo curso, como é o meu caso. Já vi muita noite de luar e já enfrentei muitas tempestades. Temos que ter tranqüilidade para isso, para não assumir posturas precipitadas. Isso fica para os iniciantes, que é um direito que eles têm. Aliás, até li um dia desses uma frase que considerei fantástica: Não sou tão jovem para saber tudo”.


Jader também confirmou o encontro que deverá manter, possivelmente no meio da próxima semana, em Brasília, com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra: “O Dutra me fez um pedido nesse sentido, que a gente sente para conversar”.


Perguntei-lhe, por fim, se as propostas que serão apresentadas pelo PT ao PMDB incluirão, além de participação no governo, também na campanha eleitoral. A resposta dele: “A essa altura, vamos discutir é a campanha eleitoral. Qualquer outro tipo de tema é perda de tempo”.

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