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quarta-feira, 7 de abril de 2010

A farra do 192:

PMDB leva mais de 60% das ambulâncias distribuídas no Pará






No final do mês passado, o Ministério da Saúde entregou o primeiro lote das 2.312 ambulâncias do SAMU/192, que serão repassadas aos municípios brasileiros até agosto deste ano.


Foram 650 ambulâncias novinhas em folha, 58 delas para o Pará – o terceiro estado mais bem aquinhoado com a primeira leva desses veículos, atrás, apenas, de São Paulo e Bahia.


O presentão ensejaria até festa, não fosse um detalhe: mais de 60% dos municípios paraenses contemplados com as novas ambulâncias do SAMU/192 são administrados pelo PMDB.


Pior: segundo informações repassadas na noite de ontem à Perereca, muitas dessas cidades não teriam nem pessoal, nem estrutura, para botar o serviço pra funcionar.


A própria lista dos municípios contemplados atiça a curiosidade em relação aos critérios adotados na escolha.


Na listagem, há municípios grandes, como é o caso de Ananindeua, Castanhal, Parauapebas e Cametá, que são pólos de suas microrregiões e possuem, presume-se, uma rede de saúde capaz de dar suporte ao atendimento emergencial do SAMU.


No entanto, a relação também inclui cidades com menos de 10 mil habitantes, como é o caso de Santarém Novo e Bannach – essa última com exatas 3.947 almas, segundo o IBGE.


Mas o que salta aos olhos é mesmo a concentração do bolo pelo PMDB.


As 58 ambulâncias foram destinadas a 55 municípios paraenses.


E, desses municípios, nada menos que 34 são de prefeitos filiados à legenda – e um deles, Ananindeua, abocanhou quatro veículos.


Outro dado interessante é que o PMDB possui 39 prefeituras no estado.


Em outras palavras, apenas cinco cidades administradas pelo partido foram, a bem dizer, “barradas no baile”: Cachoeira do Piriá, Oeiras do Pará, Peixe-Boi, Senador José Porfírio e Terra Santa.


Tal concentração, por mais que se procure, não possui explicação matemática.


As 39 prefeituras do PMDB representam menos de 30% dos municípios paraenses.


Os 789.814 votos obtidos pelo partido, em 2008, representam menos de 25% dos 3,376 milhões de eleitores que votaram para prefeito, naquele ano


Também não dá para explicar a concentração em termos populacionais: afinal, só a capital possui quase 1,5 milhão de habitantes.


E, a exemplo de Belém, cujo prefeito pertence ao PTB, outras grandes cidades paraenses (Santarém, Marabá, Castanhal) também não são administradas pelo PMDB.


Daí a perguntinha incômoda: qual, afinal, a lógica da distribuição desses veículos?


Segundo o site do Ministério da Saúde (http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11168
 ) essas 650 ambulâncias custaram R$ 75,8 milhões – ou mais de R$ 116,6 mil cada uma.


Todas são unidades de suporte básico (USB)


O que quer dizer, segundo publicação daquele ministério sobre o SAMU, que são destinadas “ao transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida desconhecido, não classificado com potencial de necessitar de intervenção médica no local e/ou durante transporte até o serviço de destino”.


Daí que necessitem, além do motorista, de um técnico ou auxiliar de enfermagem.


Mas não só.


O serviço não se esgota na ambulância: precisa de uma central de regulação, municipal ou regional, com pelo menos um médico e uma telefonista por plantão – e o funcionamento do 192, vale lembrar, é 24 horas por dia, sete dias por semana.


Além disso, toda essa equipe – da ambulância e da central – tem de receber treinamento específico em atendimento emergencial.


Daí a pergunta da fonte que, na noite de ontem, contatou o blog: será que os municípios paraenses contemplados com as ambulâncias do SAMU/192, especialmente os menores, possuem pessoal e estrutura para esse tipo de serviço?


Só para se ter idéia da estrutura de que se está a falar: segundo a portaria 2.657, de 16/12/2004, do Ministério da Saúde, a sala de regulação médica do SAMU tem de ser dimensionada “levando-se em conta o tamanho da equipe e o número de postos de trabalho, conforme recomendações técnicas desta Portaria, considerando que cada posto de trabalho utiliza 2m² de área, projetando-se, além disso, os espaços dos corredores de circulação e recuos, além das portas e janelas”.


Além disso, a sala deve ter isolamento acústico, iluminação e temperatura adequadas; sistema de telefonia e de comunicação direta entre os rádio-operadores, as ambulâncias e outras unidades, por exemplo; banheiros, área administrativa, de esterilização de materiais, de guarda de medicamentos controlados, garagem, refeitório, alojamento, etc...


Mais: o SAMU também precisa de “portas de saída” – quer dizer, de uma rede de saúde pronta para receber o paciente que, claro está, não será “hospitalizado” na ambulância, caso necessite de internação; nem poderá ser submetido a determinadas consultas e exames ali mesmo.


É claro que municípios pequenos podem desenvolver “projetos regionalizados”, em parceria com cidades que já possuem o 192, conforme prevê o próprio Ministério da Saúde.


Mas aí fica outra pergunta: quantas cidades paraenses já possuem o SAMU?


Para custear os serviços previstos com a entrega dessas 650 ambulâncias, o MS repassará aos estados e municípios R$ 97,5 milhões por ano.


E a estimativa ministerial é que esses veículos reforcem em mais de 43% a frota nacional de ambulâncias, beneficiando mais de 24 milhões de pessoas.


Ao fim e ao cabo, a idéia é universalizar o SAMU, que, no entanto, como já visto, não é um serviço isolado, mas, parte integrante da rede pública de saúde.


O Ministério, que é cota do PMDB no Governo Federal, garante que priorizou, na entrega desse primeiro lote de ambulâncias, “as cidades que apresentaram projetos avançados para a expansão e implantação de centrais de atendimento do SAMU/192; as áreas beneficiadas pelo Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil (região Amazônica e Nordeste); e Territórios de Cidadania, regiões de baixo índice de desenvolvimento, que apresentam agricultura familiar, população quilombola ou indígenas”.


Abaixo, a relação dos municípios paraenses que receberam esses 58 veículos, bem como os partidos que administram essas cidades e os quantitativos populacionais.


Peço, apenas, que os leitores me perdoem se a reportagem não ficou melhor, já que foi realizada em apenas uma noite:






Abaetetuba – PSDB – 139.819 habitantes


Água Azul do Norte – PMDB – 31.216 habitantes


Alenquer – DEM – 57.067 habitantes


Altamira – PSDB – 98.750 habitantes


Ananindeua – PMDB – 505.512 habitantes


Augusto Corrêa – PMDB - 39.317 habitantes


Bannach – PSB – 3.947 habitantes


Bragança – PMDB – 107.060 habitantes


Brejo Grande do Araguaia –PMDB – 7.688 habitantes


Breves – PMDB – 101.094 habitantes


Bujaru – PMDB – 23.654 habitantes


Cachoeira do Ararí – PMDB – 20.401 habitantes


Cametá – DEM – 117.099 habitantes


Castanhal – PR – 161.497 habitantes


Conceição do Araguaia – PT – 47.237 habitantes


Curionópolis – PMDB – 17.944 habitantes


Curuçá – PMDB – 36.748 habitantes


Dom Elizeu – PMDB – 39.088 habitantes


Garrafão do Norte – PMDB – 25.538 habitantes


Goianésia – PMDB – 29.164 habitantes


Inhangapi – PMDB – 10.377 habitantes


Itaituba – PR – 127.848 habitantes


Maracanã – PMDB – 29.417 habitantes


Marapanim – PMDB – 28.011 habitantes


Moju – PMDB – 68.600 habitantes


Monte Alegre – PMDB – 63.941 habitantes


Muaná – PMDB – 30.568 habitantes


Ourém – PMDB – 15.841 habitantes


Ourilândia do Norte – PDT – 21.327 habitantes


Paragominas – PSDB – 97.350 habitantes


Parauapebas – PT – 152.777 habitantes


Pau d’Arco – PDT – 6.522 habitantes


Portel – PMDB – 48.945 habitantes


Prainha – PMDB – 26.570 habitantes


Redenção – PTB – 67.064 habitantes


Rondon do Pará – PMDB – 47.772 habitantes


Rurópolis – PMDB – 36.068 habitantes


Salinópolis – PT – 39.184 habitantes


Santa Izabel do Pará – PMDB – 55.570 habitantes


Santana do Araguaia – PSDB – 55.033 habitantes


Santarém Novo – PMDB – 6.347 habitantes


Santo Antonio do Tauá – PMDB – 26.855 habitantes


São Caetano de Odivelas – PMDB – 16.862 habitantes


São Félix do Xingu – PTB – 67.208 habitantes


São Geraldo do Araguaia – PMDB – 25.027 habitantes


São João de Pirabas – PMDB – 19.900 habitantes


São João do Araguaia – PMDB – 11.923 habitantes


Tomé-Açu – PMDB – 48.607 habitantes


Tracateua** - 27.825 habitantes


Traírão – PMDB – 17.134 habitantes


Tucuruí – PPS – 96.010 habitantes


Uruará – PMDB – 59.881 habitantes


Vigia – PSL – 46.205 habitantes


Viseu – PR – 55.512 habitantes


Xinguara – PT – 40.529 habitantes






**Em Tracateua, o prefeito eleito, Jonas Barros, do PMDB, foi cassado. Waldeth Gomes Costa, do PTB, assumiu o cargo e acabou cassado também. No ano passado, a cidade foi administrada pela presidenta da Câmara, Maria da Glória Silveira da Silva (PMDB). Agora, exerce o cargo o novo presidente da Câmara, Nelson Pinheiro Silva, do PT do B.






Quantidade de ambulâncias por partido e quantidade de prefeitos eleitos, em 2008.






PMDB – 34 ambulâncias (de 39 prefeitos eleitos)


PSDB – 4 ambulâncias (de 12 prefeitos)


DEM – 2 (de 6 prefeitos eleitos)


PSB – 1 (de 4 prefeitos eleitos)


PDT – 2 (de 9 eleitos)


PR – 3 (de 17 prefeitos eleitos)


PT – 4 (de 27 prefeitos eleitos)


PTB – 2 (de 13 prefeitos eleitos)


PSL – 1 (de 1 prefeito eleito)


PPS – 1 (de 3 prefeitos eleitos)






Na relação acima não foi incluída Tracateua.






Os cinco prefeitos do PMDB paraense que não ganharam ambulâncias do SAMU:






Albenor Bezerra Pontes – Cachoeira do Piriá – 18.777 habitantes


Edivaldo Nabiça Leão – Oeiras do Pará 26.796 habitantes


Elia Jacques Rodrigues – Peixe-Boi – 7.916 habitantes


Cleito José Alves da Silva – Senador José Porfírio – 14.434 habitantes


Marcílio Costa Picanço – Terra Santa – 10.580 habitantes.

6 comentários:

Osorio Pacheco disse...

Os pleitos ao Ministério da Saúde são feitos por intermédio de um sistema informatizado, com bastante antecedência, em um período específico.
Os prefeitos do PMDB foram mais ageis e competentes e colocaram seus pleitos, tenho conhecimento que muitos nem pleitearam.
Mas o eleitor pode ver que, entre outras coisas, é melhor votar no PMDB,

André Carim disse...

Parabéns aos Deputados que receberam votos nesses Município, pois estão honrando os compromissos assumidos com o povo, levando recursos e insumos para elevar as condições de saúde da população. O PMDB, que levou a maior fatia, merece os maiores aplausos pela competência nas ações e principalmente pela preocupação com a saúde dos nossos interioranos.

Mariana disse...

Pelo visto veremos muitos furgões com sirenes estridentes e a toda velocidade cortando as estradas do nosso grandioso estado, portando quebrados, atirados, acidentados e doentes afins, em direção aos grandes "centros hospitalares" e consequentemente à capital em busca de atendimento. Ao menos uma melhora aparente, os doentes terão mais conforto no transpote intermunicipal.

Anônimo disse...

Querida perereca, analise o que foi publicado pela professora Edilza Fontes:
"A relação das cidades paraenses que receberão ambulâncias foi acertada junto a SAMU nacional, pela FAMEP e pela coordenação de Urgência e Emergência da SESPA"

Isso prova que a escolha foi a mão livre.

Nos corredores do poder e nas prefeituras, diz-se que o sr. Josenir, funcionário da FAMEP cobrou a título de "ajuda partidária" a bagatela de 10 mil reais por prefeito do PMDB que recebeu a unidade do SAMU.

Ao contrário do que prega o Osorio Pacheco, nao existe sistema para cadastrar previamente e receber a unidade.
Prove o que fala, osório!

Esta foi a mais irresponsável distribuição de unidades móveis.

E tudo patrocinado pela FAMEP, cm justificativa de levantar fundos para a campanha estadual.

Carmen Américo disse...

Hum, este tal de Caixa2....

Anônimo disse...

perereca, só em relação a marabá o prefeito lá não é do PR?