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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Puty e o “Rei Sol”


Do Blog da Professora Edilza:





"A fabricação do rei II



Neste domingo, foi publicado como capa da revista Troppo, no jornal Liberal, a foto do chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, e no interior da revista, fomos “contemplados” com uma matéria de pessoas que saíram do estado para aprimorar seus conhecimentos e voltaram para o Pará.


Lembrei de um livro de Peter Burke, chamado “A fabricação do Rei”, cujo objeto formal é o famoso personagem de Luis XIV, o Rei Sol, que reinou durante 72 anos, e que se tornou quase um emblema da monarquia absolutista europeia, tão marcada pelo luxo e por demonstração de riquezas, uma figura pública, conscientemente construída.

A novidade do livro de Burke, foi mostrar como os monarcas foram os inventores do “marketing político”, e neste sentido fizeram escola.

No centro de sua análise, está a noção de estratégia, na qual a propaganda surge como meio de assegurar a submissão ou sentimento a um poder. O livro privilegia a imagem criada do rei, em detrimento do homem. Sua imagem é esculpida de maneira cuidadosa. Trata-se de projetar a imagem de um homem público. Tal qual, um evento multimídia, o rei está presente em todos os lugares e será cantado em verso e prosa.


O Rei torna-se exemplo radical do exercício e da manipulação simbólica do poder. A monarquia francesa, no livro, é um bom pretexto para discussão de política e manipulação do imaginário simbólico, ou mesmo para verificação de como a política se faz com a lógica “da razão prática, mas também com a força da persuasão da razão simbólica”. No livro fica evidente como a propaganda e a política mantiveram relação de profunda e estreita afinidade.


Sem dúvida um livro atual e uma leitura imperdível para aqueles que pretendem fabricar o rei. Eu lembrei do livro, depois de ver a revista Troppo. Por que será que o jornal privilegiou o tema de volta para casa?

E mais, por que colocou a foto do secretário?

E pensei... A vida do deputado federal Paulo Rocha, merecia uma edição desta. Menino pobre, estudou na escola Salesiano do Trabalho, foi gráfico, líder da oposição sindical no Pará, fundou a CUT, um dos fundadores do PT e se elegeu deputado federal em 1990, só com o apoio dos movimentos sociais.

Hoje, é reconhecidamente um bom parlamentar. Claro que não é um Deus e teve seus erros, mas todos o reconhecem como um construtor do partido. Não merecia uma capa da Troppo?

É só mudar o tema da revista.

Mas ai entram as relações entre politica, poder e propaganda. Afinal ele é o candidato do PT ao senado. O poder pode dar uma ajuda na propaganda e talvez nas próximas edições da revista, vejamos o deputado Paulo Rocha na capa. O PT ficaria agradecido".

Tem mais aqui:
http://edilzafontes.blogspot.com/

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