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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um terror cotidiano dentro e ao redor das nossas salas de aula.

Impressionante a história desse maluco que abriu fogo numa escola do Rio de Janeiro, tirando a vida a mais de uma dezena de crianças.
Lembro que há uns 15 anos, talvez, tivemos outro maluco que entrou num cinema de São Paulo e saiu atirando contra pessoas indefesas.
É o tipo de situação que se costuma ver nos Estados Unidos e que a gente imagina que nunca vai acontecer no Brasil.
É claro que esses episódios são “sensacionais”, se é que se pode usar tal palavra numa tragédia dessas.
E é claro que as autoridades precisam estar atentas, porque casos assim costumam “animar” outros psicopatas.
Mas tão ou mais preocupante é a violência que ronda cotidianamente a comunidade escolar e a violência que até nasce dentro dela.
Hoje mesmo o Diário do Pará noticia o esfaqueamento de um estudante dentro da escola Orlando Bitar, por um colega.
Colega que teria sido espancado por outros jovens, no dia anterior.
Em setembro do ano passado, entreguei um rápido levantamento para a campanha de Jatene ao Governo, acerca do acirramento da violência, ao redor e dentro das nossas escolas.
Até deixei de lado o bullying e me limitei a homicídios, tentativas de homicídios e espancamentos daqueles que chamam a atenção.
Mesmo assim, o resultado foi impressionante: em menos de três anos, entre outubro de 2007 e agosto de 2010, foram pelo menos 09 casos gravíssimos de violência dentro das nossas escolas, três deles de homicídio (e mais três esfaqueamentos, dois espancamentos e uma tentativa de invasão).
Todos, vale salientar, resultantes apenas de rixas internas. Algumas simplesmente inacreditáveis, pela banalidade do motivo.
Houve o caso de um menino de 15 anos que matou a tiros o porteiro da escola onde estudava, na Marambaia, simplesmente porque o porteiro o colocara pra fora, dias antes, quando ele tentava brincar com alguns colegas na quadra da escola.
Houve o caso de uma estudante que matou a facadas uma colega de apenas 15 anos, num colégio de Val de Cans, em plena sala de aula, por causa, vejam só, de uma disputa em torno de um alisante de cabelo.
E também em plena sala de aula, numa escola na Cremação, um menino de 15 anos matou a facadas outro menino de apenas 13.
Houve o caso de um estudante de 17 anos esfaqueado várias vezes por um colega, na porta do colégio Paes de Carvalho, um dos mais tradicionais do Pará, de onde saíram governadores, advogados, jornalistas, artistas e por aí vai.
E para que ninguém pense que a questão atinge apenas as escolas públicas, houve o caso de uma garota de 16 anos, que desferiu sete facadas numa colega de 15, também em plena sala de aula, numa escola particular do Jurunas.
Além dessa violência “endógena” (e nem sei se cabe esse termo aqui), foi possível detectar, também, nesse rápido levantamento, uma violência externa, “ao redor”, e que por vezes consegue “arrombar” as portas das nossas escolas.
Entre agosto de 2008 e junho de 2010, foram 02 homicídios, 02 baleamentos e 11 assaltos ou invasões e “arrastões”, cometidos por pessoas de fora da comunidade escolar, contra professores, estudantes e funcionários – e isso só em se tratando do que teve grande repercussão na imprensa.
Houve o caso do rapaz assassinado a tiros por assaltantes, na calçada do colégio Augusto Meira, um dos maiores do estado do Pará.
Houve “arrastão” por homens fortemente armados, dentro de uma escola de Icoaraci, com roubo e agressões violentas a estudantes, funcionários, professores.
Houve arrastão, também, numa escola do Tapanã.
Houve aluna mantida como refém, num banheiro, e colega dela que teve arma apontada contra a cabeça, num colégio no Ariri-Bolonha.
Mas o caso mais espantoso foi o de um estudante que foi arrancado de dentro da sala de aula, por um grupo de rapazes, e assassinado a tiros, na porta de uma escola no bairro da Cabanagem.
Tudo somado – a violência que vem de dentro e a violência que vem de fora da comunidade escolar - o resultado desse levantamento foi estarrecedor.
Apenas na Região Metropolitana de Belém, entre outubro de 2007 e junho de 2010 - e considerando apenas os casos de grande repercussão na imprensa - foram 5 homicídios, 3 esfaqueamentos, 2 baleamentos, 2 espancamentos, 12 assaltos, invasões ou tentativas de invasão a escolas, além de 2 arrastões.
E é claro que, nas estatísticas policiais, e apesar da subnotificação, essa violência exógena deve chegar, em verdade, a centenas de casos.
Não sei se há paralelo disso na história do Pará. Realmente que não me recordo, nestas três décadas de jornalismo, de um problema tão grave a atingir a comunidade escolar.
É um fenômeno que precisa ser devida e urgentemente estudado – e sem esse negócio de partidarização.
Porque pobreza, negação da Cidadania a parcelas expressivas da população, sempre existiu no estado do Pará. Violência, criminalidade e até o tráfico de drogas também não são de hoje.
Agora, essa violência, até onde me recordo, nunca chegou de forma tão aguda, tão grave às portas das nossas escolas e até mesmo nas salas de aula.
Então, o que é que pode estar por trás desse fenômeno, em que meninos e meninas matam outros meninos e meninas, num local onde deveriam era estar, na verdade, se preparando para o futuro?
Tenho de sair por causa do meu processo. Avorto mais tarde.
FUUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!

22 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela postagem.

Santiago fernandes (Acadêmico de Direito) disse...

Célia, não sei o que realmente está acontecendo com esta juventude, não querem mais estudar, respeitar e planejar um futuro, é só conversar com um adolescente e logo vc verifica se estou mentindo, a nova dos adolescentes e jovens é frequentar conveniências de postos de gasolinas espalhados pelas cidade e se embriagarem até altas horas da madrugada. Triste fim do futuro do Brasil.

Anônimo disse...

Os pais não educam e o resultado é este: jovens violentos, preguiçosos, tendenciosos à prática de crimes e invejando as coisas alheias.

Anônimo disse...

Santiago, eu sou mãe e avó, já tenho um pouquinho de experiência para afirmar que nossos jovens são vítimas da falta de exemplos, quer de pais, professores, da justiça que é malevolente, da polícia e da classe política. Não podemos imaginar educação sem exemplo cotidiano. Quem deveria educar a garotada é, muitas vezes, o primeiro a não fazer. Deixar os jovens ao Deus dará vai contribuir para que malucos, traficantes, bandidos, enfim, tudos os que não prestam se aproximem de nossos jovens. Não podemos ser permissivos e passar a mão pela cabeça quando o certo é conversar, cobrar , pedir explicação e colocar de castigo. Quem dá o pão é responsável pela a educação. Ainda há tempo de refletir-mos para mudar esse quadro de violência que nos apavavora diariamente.
Maria Moura

Olho de Boto disse...

O mal estar na nossa vida social tem uma dose alta de intolerãncia em quase todas as faixas etárias, o que é extremamente preocupante. Ninguém pode falar ou olhar pro outro diferente, que é motivo de agressão. Tristes tempos...

Anônimo disse...

A sociedade em que vivemos referencia as pessoas pelo o que elas tem, nao pelo que sao, assim sendo, as pessoas, os jovens em especial, que nada ou pouco tem se utilizam dos intrumentos que dispôem para aparecer, e aí cabe a força ou fisica, a maior capacidade de ser violento e até o fato de ter o cabelo alissado.

denunciei a censura a qual voce está sendo imposta, no seminário sobre ditadura militar promovido pelo C.A. de Direito da FACI, e as pessoas foram muito receptivas, tevemos todos denunciar esses Mubaraks e Gadafis brasileiros.

Rosângela e Wendell.

ANTONIO Valentim, disse...

Meu Deus. Assim, nunca haverá jeito mesmo e a tendência - infelizmente - é piorar esse estado de coisas.
É claro, Ana Célia, que você ficou apenas no período fora Almir e Jatene, por razões óbvias. Mas isso é outra história.

DOS COMENTÁRIOS acima ninguém, mas ninguém até agora - nem mesmo a mãe e avó Maria Moura, que já é vivida - mencionou a principal razão para isso tudo:
a família está sendo destruída.
O mundo moderno está fazendo isso com a gente. Para fazer frente ás despesas cada vez maiores da família, a mulher (é um direito, claro, não digo o contrário) se obriga a se ausentar do lar, e uma coisa sagrada na família - a fé, a religiosidade, a ética, DEUS, enfim - não tem mas nenhum valor. Quem dita as normas é o carro novo, é a roupa de marca, é a novela da Globo, é o Big Brother Brasil.
A família está cada vez mas decadente.
Ora, não fique zangada comigo, estou apenas respondendo a sua pergunta:

"Então, o que é que pode estar por trás desse fenômeno, em que meninos e meninas matam outros meninos e meninas, num local onde deveriam era estar, na verdade, se preparando para o futuro?"

Isso tudo, que eu escrevi aqui, é a resposta. PODE CRER, e falar ao Jatene que é isso.

ANTONIO Valentim, disse...

Outro comentário, se você me permite:

Reblogarei (se não existe o verbo, crie-o agora) esta postagem no meu blogue pessoal:
http://bloguedovalentim.blogspot.com

Acrescentarei os comentários. Obrigado!

Anônimo disse...

Criança e adolescentes escravizadas pelas conteúdos fúteis e apelativos e até criminosos de consumo, a exemplo de mulheres vulgarizando a sexualidade, da violência gratuita, do apelo, da banalização, todos imbutidos na caixinhas satanicas: computador e televisao. Um mix explosivo agravado pelo consumo de drogas e ausência da família. Numa num modelo perverso de relações sociais em que o egoísmo e a ganância imperam, só podem resultar na deformação e caráter desses jovens .

Anônimo disse...

Noooossaaaa, q. "mala" esse Antonio Valetim!

Anônimo disse...

Eta povinho dependente de ratos politicos, Célia, tem cada figura né,,, kkkkkkkkkkk

Blog da Gal disse...

adorei seu blog. ja to seguindo. muito bom mesmo. conheça tbm o meu. bjs grande. www.oblogdagal.blogspot.com
e se der siga-o ficarei feliz demaissssssssss... que honra

Anônimo disse...

Égua, esse Antônio Valentim é um mala e ainda é um verdadeiro "coquinho de Pupunha", não é "crie-o" e sim "criei-o".

Anônimo disse...

Perereca vê se tinha entre as vítimas algum filho de Politico????.

Anônimo disse...

E haja festas de aparelhagens. As farras demoniacas e cacôfonas, que reúnem a nata do crime organizado. Tudo isso com as bençãos midiáticas do canal de televisao (RBA) dos Barbalhos. Sao nelas que a juventude é encontrada "sendo preparada para o futuro".

ANTONIO Valentim, disse...

PREFIRO ser assim mesmo, meu caro 'anônimo', esse 'mala'. No entanto, devido à seriedade e profundidade do assunto, não creio que esteja errado nas minhas opiniões.
Desculpe se o ofendo com elas, amigo; pelo menos não me escondo atrás do anonimato.

Fique com o bom Deus.

ANTONIO Valentim, disse...

Talvez estejamos assim exatamente por isso:
a dificuldade que temos de ouvir e de seguir os conselhos dos mais experientes.

Anônimo disse...

CÉLIA, SOU PROFESSOR E SEI DA REALIDADE DE NOSSA EDUCAÇÃO.TODOS OS DIAS SOMOS AGREDIDOS EM NOSSAS SALAS DE AULA.E NADA SE FAZ PRA MUDAR ESSA SITUAÇÃO.
ÓBERTI MESQUITA

Anônimo disse...

Acho incrível como tem gente que adora desmoralizar os outros em blogs, inclusive aqui no seu, Ana Célia, por meio de outros comentários. O senhor Antonio Valentim tem o direito dele de se manisfestar sobre a matéria da Ana Célia. Esse anônimo das 9h35 é totalmente sem noção e garanto que não sabe nem o que é direito à liberdade de expressão. Ela não implica direito de ofender os outros,como o anônimo fez. Tem de haver mesmo "seleção". É por isso que o mundo está do jeito que está: repleto de mediocridade.
Seu blog é dez! Continue assim!

Anônimo disse...

Não..............
o Antônio Valentim não é mala.
É exagerado.............
mas família é fundamental.Seja lá da forma que for constituída.
mas deve ensinar respeito, responsabilidade e as outras coisas fundamentais para a vida.
deve ensinar que o respeito se baseia no amor ao ser humano seja ele rico, pobre, negro, branco, basta ser HUMANO, basta ter vida.
também.
Se eu não respeito a vida, eu não posso ensinar ninguém respeitar.
Não precisa ser cientista social.
Basta ter amor aos serers humanos, já está de bom tamanho.

Ana Luna disse...

Acredito que o que falta para os nosos jovens, são limites. Estes limites devem serem colocados amorosamente , primeiramente pela Família,através dos pais. A criança precisa desde cedo saber respeitar seus pais,pois, no momento em que ela começa a sair do âmbito familiar,e começar a frequentar a escola, que é o segundo núcleo social, se ela não recebeu as orientações de respeito pelas outras pessoas, certamente que ela vai repetir na escola o mesmo comportamento de casa.É necessário que a família tenha alguma referência pelo menos religiosa, para transmitir para os filhos, independente de credo , pois a Regra de Ouro que diz" Não façais aos outros o que não gostaria que fizessem com você" se encontra em todas as grandes religiões. LIMITES, é o que está faltando para nossas crianças e jovens. Um grande pensador já dizia"Eduquem-se os meninos de hoje,e não será preciso castigar os Homens de amanhâ". Vamos pensar nisso?

ANTONIO Valentim, disse...

Obrigado aos leitores que se solidarizaram comigo. Sei que ninguém é dono da verdade, e que ninguém sabe tudo. Digito na hora, sem parar para uma boa revisão de texto então, por isso, acabo por cometer alguns erros de digitação. Isso, todavia, não invalida a nossa opinião. Família ainda é fundamental.
Tem pessoas que admitem nenhuma repreensão, que o pai, mãe, professora, porteiro da escola, lhe digam um 'ai' se quer, então, se ele tem uma faca ou um revolver nessa ocasião acaba fazendo uso dele. Falta-lhe Deus.
Obrigado, e o blog é DEZ. Eu o sigo no meu blogue pessoal.