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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Renúncia de Jader cria fato político

A renúncia de Jader Barbalho não altera em nada o quadro político paraense.


Também é absolutamente inócua do ponto de vista da condição política dele, já que o seu mandato de deputado federal se encerra daqui a 31 dias.


Do ponto de vista da tramitação dos processos judiciais que correm contra ele, a decisão também nada significa – afinal, trata-se de apenas 31 dias, como já se disse.


Mas a renúncia cria um fato político extraordinário, com ampla repercussão na imprensa nacional.


E talvez o mais interessante para Jader, neste momento, seja isto mesmo: criar fatos.


Para, ao menos, fazer pensar, equilibrar o jogo na chamada “opinião pública”.


Sem isso, dificilmente conseguirá fazer frente ao “clamor popular” midiático, que manterá emparedado qualquer ministro ou tribunal que, ao menos, pense em reverter a cassação branca de seu mandato de senador.


No que a criação desse fato realmente altera o jogo, só o tempo poderá dizer.


Afinal, se mexe com os formadores de opinião e leva a refletir sobre os absurdos criados pela aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano, talvez não seja suficiente para ensejar uma vigorosa defesa de Jader, tendo em vista os muitos rolos em que se envolveu.


Mas é possível que o deputado aposte, ao menos, no silêncio ou na redução das vozes que se opõem ao seu retorno ao Congresso.


O que, na atual conjuntura, já seria um enorme ganho.

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Tenho de sair, para uma entrevista. Só à noite poderei, talvez, retornar a esse assunto. FUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!!

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Em tempo: a carta-renúncia de Jader está aqui: http://www.jaderbarbalho.com/site/media/renuncia_jader.pdf

4 comentários:

Anônimo disse...

Pôxa Ana, a primeira renúncia e eu perdoei, mas a segunda não. A partir de agora não votarei mas no JADI e vou pedir para ninguém o fazê-lo. Não confio mais. Não quero mais perder meu voto. Ele não respeitou minha decisão na urna. Ele só pensou nele, somente nele. Assim não dá!

Anônimo disse...

O mandato do deputado federal Jader Barbalho iria até 31 de janeiro. Nesse caso são mais 31 dias. Não é nada, não é nada, mas são mais 31 dias, o dobro do tempo que você postou.

Ana Célia Pinheiro disse...

Oi, anônimo das 12:46:

Você está certíssimo; eu é que me equivoquei, porque estava com muita, muita pressa para sair para uma entrevista.
De fato, ainda faltavam 60 dias para o término do mandato de El Barbalhon.
No entanto, penso que isso não altera em nada o quadro. Afinal, o que são 60 dias para uma Justiça entupida de processos, como a brasileira?
Minha avaliação, portanto, continua a mesma: a renúncia apenas cria um fato político, tão somente isso.
Mas agradeço a sua atenção, em relação a mim e aos leitores deste blog, ao apontar o equívoco. Muito obrigada mesmo. Abs, Ana Célia

Prof. Alan disse...

Ana, são poucos dias (sejam 31 ou 60...), mas o certo é que Jader não contava com isso: ele achava que ia vencer a Lei da Ficha Limpa no STF e seguir no Parlamento, agora como Senador.

Apostar que o movimento não se deve aos processos judiciais a que ele responde, isso é meio temerário. Até porque se você for olhar existem duas ações penais com trâmites que sugerem uma finalização:

1) A Ação Penal 397 - teve vista ao PGR em 29/10/2010. Após longo trâmite, está com toda cara de conclusão de trabalho, pra ser mandada ao Plenário;

2) A Ação Penal 549: o PGR devolveu ao STF em 23/11/2010, opinando pelo improvimento da apelação. Estava conclusa ao relator, min. Ricardo Lewandowski - que já votou duas vezes contra Jader.

Por fim, dizer que a renúncia criou um "fato político extraordinário", com "ampla repercussão na imprensa nacional", é algo que eu não vi. Nenhum jornal ou portal de mídia grande deu destaque, só notinhas de meio de página. Boa parte dos blogs de política simplesmente ignorou. Jader renunciou e quase ninguém fora do Pará notou, essa é a grande verdade.