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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um grande cidadão: Luís Inácio Lula da Silva

Recebi um e-mail sobre essa discussão entre o Lúcio Flávio Pinto e o Itajaí Albuquerque, do Flanar.
Penso que Itajaí foi vítima de um anônimo mal intencionado, que realizou uma montagem com trechos do artigo do Lúcio.
Daí que, no lugar do Itajaí, eu já teria recuado, porque, sinceramente, querer enxergar higienismo racial, nazismo, no que o Lúcio está a dizer acerca do Lula simplesmente não faz sentido.
Creio que o Lúcio não merece esse tipo de comentário: é um intelectual brilhante, um jornalista combativo que está aí, fumado, por defender a liberdade de imprensa, num estado em que isso praticamente inexiste.
Por isso, quero me solidarizar com o Lúcio.
Mas também quero dizer que divirjo dele.
Li e reli o artigo do Lúcio. Matutei, matutei e, sinceramente, não consigo enxergar o Lula como um ditador.
Aliás, creio que até já escrevi aqui sobre isso: graças a Deus que o Lula tem, sim, um enorme apreço pela Democracia.
Porque outro no lugar dele, com 80% de aprovação popular, nem pensaria duas vezes para tratorar a Constituição e impor um terceiro mandato – e quem é que conseguiria impedi-lo?
Não creio que Lula possa ser “acusado” por sua enorme popularidade, a maior de um político brasileiro da história recente, nem possa ser considerado “culpado” pelo fato de a oposição se encontrar “esmigalhada”, digamos assim.
E também não acho que essa situação dramática da oposição se deva ao simples “adesismo”.
Penso que a explicação para o fenômeno Luís Inácio Lula da Silva – e até para a situação em que se encontra a oposição – deve ser buscada na extraordinária capacidade que ele possui de se comunicar com as massas populares.
Lula teve a luminosidade de perceber que existe enorme distância entre inteligência e Educação formal.
Ele sabe que essa nossa população “inculta” é muito mais inteligente do que a maioria das nossas elites imagina.
Lula sabe que se você tiver a humildade de adequar o seu vocabulário a esse universo restrito da nossa população, em termos de palavras, ela vai entender perfeitamente o que você está a dizer. Ela vai raciocinar em cima disso e vai compreender a opressão em que vive.
Além disso, a enorme inteligência de Lula também lhe permitiu como que dissecar a alma popular; os anseios, os sonhos, as esperanças, de quem vive lá embaixo, como ele um dia viveu.
E aí eu tiro o chapéu para o Lula, porque um sujeito com essa inteligência, com esse domínio da linguagem popular, com essa capacidade de entender a “alma” da nossa população, poderia era estar ganhando tubos de dinheiro.
Fazia um “ejazinho”, uma universidade fuleira de três ou quatro anos e em pouco tempo estaria mais rico e famoso do que o Duda Mendonça.
Mas Lula preferiu usar esse enorme talento em favor do Brasil. Ao contrário de muita gente, não se esqueceu de onde veio. E faz tudo para arrancar da miséria essa massa de brasileiros que vivem como ele, um dia, já viveu.
Daí que também não acho que a questão do Lula seja simplesmente de “poder”.
Poder ele teria até mais facilmente se trilhasse esse caminho que referi.
E sem um décimo das humilhações que já enfrentou. Afinal de contas, Lula já foi tachado de tudo: burro, bêbado, ignorante, ladrão. E até o acidente horroroso que sofreu, e que lhe custou um dedo da mão, já serviu para piadinhas de mau gosto.
E eu vejo é Lula como um grande Cidadão, ao qual o Brasil deve muito, sim, assim como deve ao grande Fernando Henrique Cardoso.
E é claro que vejo defeitos no Lula e no PT.
E o principal, a meu ver, é essa mania de querer aparelhar o Estado, além dessa arrogância de querer se colocar como “criador do Universo”.
Mas nem essa mania lamentável, nem essa coisa abominável do “nunca antes” anulam o que o PT tem feito pelo Brasil. Assim como os muitos erros dos tucanos também não anulam o que o PSDB já fez, faz e ainda fará por este país.
Pelo contrário: apesar até mesmo dessas histórias escabrosas de caixa dois, nas quais se enrolaram tanto o PT quanto o PSDB, tucanos e petistas estabeleceram, sim, um marco, uma virada social, na história do Brasil.
Também na minha opinião, a culpa pela situação aflitiva em que se encontram os tucanos, a nível nacional, deve ser buscada nos próprios tucanos – e não no Lula e no PT.
Além do domínio da linguagem popular e do profundo conhecimento da alma popular, Lula também possui uma enorme capacidade adaptativa.
E isso não é demérito, não é defeito. É, antes, uma qualidade: a capacidade de entender as circunstâncias e continuar a jogar, apesar delas; a dialogar com todas as forças em conflito, para tentar manter o rumo de um projeto no qual se acredita.
Mas o que foi que fizeram os tucanos diante desse animal político extraordinário chamado Luís Inácio Lula da Silva?
Longe de “aderir” ou de “imitar”, não tiveram é a humildade de tentar aprender com esse grande doutor em comunicação de massa.
Não tentaram traduzir programa de governo em linguagem acessível. Não conseguiram nem mesmo abandonar o blazer e o salto alto, para apostar na inserção no movimento popular.
Como que aceitaram pacificamente o PT como “dono” dos movimentos sociais, preferindo apostar, apenas, na manipulação dos grandes veículos de comunicação.
Taí o resultado. A maioria da nossa população vê o PSDB como um “estranho”, um “extraterrestre”, e não consegue entender o que ele diz.
E eu tenho esperança é que essa experiência do Jatene “nos braços do povo” consiga levar o PSDB a refletir acerca disto: que partido não é feito só de técnico e de doutor; é feito de massa, é feito pela dona Maria e pelo seu José.
Por tudo isso é que também não acho que a popularidade do Lula assente apenas em políticas assistencialistas.
E nem acho políticas assistencialistas de todo condenáveis num país miserável como o Brasil.
Acho que a Bolsa Família vira Bolsa Esmola quando ela se torna perene.
Mas não há como arrancar da miséria essa massa excluída de brasileiros se você não arranjar uma ajuda, por seis meses, um ano, um ano e meio, para que o sujeito que está lá fumado possa se qualificar e se inserir no mercado de trabalho.
Tem de proteger, tem de ajudar; dar bolsa, qualificação, crédito, estabelecer cota, sim.
Não dá pra deixar o sujeito simplesmente morrer de fome enquanto a gente espera a revolução. E não dá para imaginar que essas pessoas vão conseguir escapar dessa segregação econômica sem um empurrão – e um empurrão bacana.
Também não acho que a nossa Democracia está à beira de um naufrágio.
Pelo contrário: vejo é o avanço da Democracia, pelo fato de milhões de brasileiros estarem conquistando o acesso à Cidadania.
Há questões complicadas como essa aplicação retroativa da Lei da Ficha Limpa e até esses constantes bate-bocas do Lula com o Ministério Público e o Judiciário.
Acho que o Lula extrapola ao bater boca com promotor, com procurador, porque as instituições têm mais é de funcionar. E ele tem, sim, de dar o exemplo de respeito às instituições.
Mas fora esses “esperneios” públicos do Lula, não vejo o que ele tenha feito de tão antidemocrático para ser chamado de ditador.
Tá errado ele usar a máquina? Tá sim. Mas eu não me arriscaria a dizer que ele foi o sujeito que mais usou a máquina.
E se as instituições não o punem como deveriam, também não dá pra dizer que a culpa é só dele: a culpa é, também, da lassidão das nossas instituições, que estão aí, pagas com o nosso dinheirinho, justamente para colocar ordem nesse mafuá.
Para mim, o que não se pode é projetar no Lula e no PT esse comportamento ditatorial – aí, sim, ditatorial – da Democracia Socialista (DS).
Não dá para confundir o PT com a DS. E o grande problema dos petistas paraenses foi terem chegado ao Poder através dessa corrente minoritária e complicada, capitaneada por “doutores” que não entendem patavina de política, e que acham que podem “prender e arrebentar” quem não pensa igual a eles.
O próprio PT sofreu que nem sovaco de aleijado nas mãos da DS. E tenho certeza de que muitos petistas, que arriscaram a própria vida na luta pela redemocratização, não concordam com o fechamento da Rádio Tabajara.
Então, isso não é uma coisa do PT: é coisa de uma corrente minoritária e ditatorial, que não tem condições de governar, porque não tem compromisso com a Democracia - e não entende patavina de política.
Quanto a essa questão da suposta violação do sigilo bancário da filha e do genro de Serra, por uma questão ética, só vou me manifestar depois da campanha.
Vou deixar aqui parte do artigo do Lúcio e o comentário do Itajaí, bem como os links para a íntegra de ambos, para que vocês se inteirem dessa discussão e possam formar opinião.

“Lula, o bom ditador


Lúcio Flávio Pinto


Lula merece fazer Dilma Roussef sua sucessora. O brasileiro está satisfeito com o seu governo. Mas o resultado que se anunciará será bom para o país? É o Brasil verdadeiro que sairá ganhando desta eleição? Ou o futuro é ameaçador?
Da presunção à convicção do absoluto: é este o passo da democracia ao fascismo. É o passo em que o Brasil está. A direção foi dada por Luiz Inácio Lula da Silva. Como todos sabem, Lula pouco ou quase nada lê. Seu aprendizado sempre foi na prática, empírico e pragmático. Mas foi um aprendizado profundo. Sobreviveu à condição de imigrante nordestino em São Paulo, ao peleguismo sindical, à corrupção política, à tutela intelectual, aos adversários e aos inimigos
Inteligente, perspicaz, audacioso e pertinaz, aprendeu o máximo que sua tão vasta experiência lhe possibilitou. É o mais preparado dos políticos brasileiros de todos os tempos, o único que fez a escola da vida para a carreira política. Durante duas décadas não teve mandato (renunciou ao que conquistou, de deputado federal; na sua versão, por não conseguir conviver com os 300 picaretas do parlamento; na verdade, por não conseguir dividir o poder), não precisou garantir a própria sobrevivência e da família, foi tendo cada vez mais tudo “do bom e do melhor”. Circulou pelo Brasil inteiro e pelo mundo.
Pôde se dedicar integralmente a cinco campanhas eleitorais para presidente da república. Perdeu três (sua sorte é tão imensa que perdeu as três primeiras: não saberia o que fazer então com os mandatos em disputa) e ganhou duas, ambas na hora certa. Nenhum político brasileiro tem cartel semelhante – nem provavelmente terá. A estrela de Lula é de primeira grandeza. Combinada com seus instintos, sua inteligência e sua identificação com o povo, resultou numa biografia realmente notável.
Contradição ambulante, conforme a auto-definição, é um ser que se modifica e se adapta ao ambiente quando o cenário ainda está em mutação, graças à sua incrível capacidade de antever o momento imediatamente seguinte ao vigente, Lula é aquilo que, abusando do jargão, se passou a chamar de “força da natureza”. É uma esplêndida culminação de instintos vitais. Mas sem a menor condição de autoconhecimento, de reflexão e de análise. Uma vocação inocente de ditador, com a melhor das aparências, sem consciência de culpa.
A expressão “nunca antes” é contumaz no seu discurso porque ele só consegue reconstituir os fatos dos quais participou, a história que vivenciou – e sempre através da sua ótica, impermeável à interferência externa, sobretudo à crítica. Tudo mais que exigir esforço cognitivo, pesquisa documental ou checagem factual escapa aos seus domínios. Ele se considera marco demarcatório da história do Brasil porque tem a si como eixo de tudo, o que não é de espantar nem pode legitimar críticas: é só isso o que Luiz Inácio Lula da Silva vê.
A dificuldade para criticá-lo com honestidade, sem preconceitos, está na circunstância de que nunca mesmo nenhum político foi tão popular quanto ele – nem tão poderoso. A oposição foi varrida do mundo real no Brasil. Não agora, de súbito, embora só agora tenha chegado ao fundo do poço, numa extinção melancólica e vil. Ela começou a desaparecer quando se deixou alcançar pela osmose. Todos viraram Lulas, imitações dele, suas sombras, suas marionetes.
O Brasil sofre os efeitos de um antiintelectualismo sem igual, sutil e corrosivo, imperceptível e devastador. Se o símbolo dos instintos vitais deu certo como nunca antes, por que pensar? Por que contestar? Por que contrapor? Por que, até mesmo, dialogar? É aderir e copiar.
Ali estava a fórmula do sucesso, simples e ao alcance de todos, já que permitiu ao apedeuta se tornar ídolo internacional, subir além do alcance de estadistas de várias partes do mundo, que lhe estenderam enormes tapetes vermelhos, fazer e acontecer – e, ao fim e ao cabo, como gostam de dizer os portugueses, símbolos do que é básico e elementar, tudo resultar em mais dividendos para o mago das circunstâncias.
O povo está feliz e votaria de novo em Lula se a constituição admitisse três eleições seguidas para presidente da república. Se Dilma passou dos 50%, tendo começado quase no nada (o “nonada” de Guimarães Rosa), Lula passaria dos 80%. Colocaria no chinelo o Jânio Quadros de exatamente meio século atrás, na eleição dos 5.6 milhões de votos de 1960 contra 3,8 milhões do marechal Lott.
O “poste eleitoral” de 2009 se tornou sucesso retumbante em 2010. Mas não só por causa do carisma e da popularidade de Lula. Também pelo uso mais abusivo da máquina pública de que se tem notícia em 80 anos de eleição no Brasil, a partir da revolução de 1930. Lula transformou as leis em potocas, ampliando para a cena nacional a chacota paroquial do caudilho paraense Magalhães Barata. Zombou das normas e dos seus aplicadores. Pisou sobre os papéis sagrados que rasgou. Fez de si um absoluto. O passado evaporou, como se fora antediluviano. Dele, todos perderam a memória, num Alzheimer coletivo, com dezenas de milhões de enfermos.
Não, Lula não é o pai da pátria (logo, Dilma não lhe pode ser a mãe putativa). Antes dele, centenas de cidadãos conceberam, colocaram em prática e administraram um plano de combate à inflação (e, a rigor, de criação da nova moeda brasileira, feita para durar) do qual só se tem algo comparável naquele que Hjalmar Schacht pôs em prática na Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial e faria o país renascer (infelizmente, para resultar em Adolf Hitler). Uma façanha que honra a cultura brasileira no mundo.
Ninguém que tenha nascido depois do Plano Real pode ter idéia do que era a deterioração dos valores econômicos no Brasil, a crueldade da anarquia inflacionária, sobretudo para os que vivem da renda (ou da venda da força) do seu trabalho. Acostumados a uma moeda forte (embora cambialmente enviesada), são levados a crer (ou mesmo partem da premissa) que sempre foi assim, que a estabilidade atual não deve ser creditada a ninguém nem é penhor de alguém. No entanto, ela tem uma origem datada e nomes que a personificam. Foi o grande legado de Fernando Henrique Cardoso.
Lula e o PT, que equiparavam o Plano Real ao Plano Collor e ao Cruzado de Sarney como manobras oportunistas e eleitoreiras, que não foram capazes de ver com isenção a criatura e segui-la com acuidade, hoje se beneficiam dessa grande aventura intelectual, que mobilizou talentos de várias pessoas excepcionais e o discernimento do seu comandante, quando ministro da fazenda de Itamar Franco e, depois, como presidente. Se tivesse chegado ao poder em 1989 ou em 1994, Lula e o PT não conseguiriam dar ao Brasil a moeda que hoje ele tem e a estabilidade de que usufrui.
É claro que os tucanos do príncipe dos sociólogos acumularam a partir daí desastres e vilanias, das privatizações (umas que não deviam ter sido feitas, outras que jamais podiam ser feitas pelos valores praticados) à imoralidade da reeleição, passando por uma visão elitista e predadora da administração pública, e uma incapacidade congênita de porosidade social. Os tucanos criaram as políticas compensatórias, mas não as abriram aos deserdados. Apenas as toleraram porque a primeira dama, a maior de todas, Ruth Cardoso, as patrocinou.
O grande lance de Lula foi exatamente dar densidade às criações sociais que os tucanos lançaram como decoração, como aplique nas suas fantasias empavonadas. Cinquenta milhões de brasileiros são clientes desse benefício, que, como o próprio nome diz, é compensatório, remediador, paliativo. Não projeta essas pessoas, não lhes dá condições para o futuro, não as tornam espinhas dorsais do progresso brasileiro. A lamentável situação da educação, da saúde e da segurança é uma advertência de que não se trata, ao contrário do que diz o catecismo, de desenvolvimento sustentável.
Os brasileiros estão felizes, compram como nunca, constroem como nunca, andam sobre quatro (ou duas) rodas como nunca, têm imóveis como nunca. Papai Lula abriu-lhes o cofre, mas abriu-lhes uma estreita passagem apenas de um lado do erário. Do outro lado, há larga avenida para banqueiros e empresários, para investidores da bolsa, para tomadores dos papéis oficiais, que lucram – como nunca, nem sob FHC, seu par – em bilhões e bilhões de reais, para companheiros e aderentes, para a “nova classe” trabalhadora, reprodução da “velha classe” elitista e não sua contrafação, como devia – e se dizia – ser”.

O restante do artigo do Lúcio está aqui:
http://blogdoestado.blogspot.com/2010/09/lula-o-bom-ditador.html

E aqui está o comentário do Itajaí e, depois, o link para lá:


“Em comentário à postagem As Fúrias Tropicais, pediram-me opinião sobre o seguinte texto: Lula é aquilo que, abusando do jargão, se passou a chamar de “força da natureza”. É uma esplêndida culminação de instintos vitais. Mas sem a menor condição de autoconhecimento, de reflexão e de análise. Sua maior malignidade está em se infiltrar sem ser percebido. E, mesmo sendo impossível, passar a ser aceito como normal.
Eu não sei exatamente a procedência do texto, mas qualquer que seja a origem dele é de pouca importância para responder o que me foi solicitado. De cara observamos que o parágrafo apresentado exemplifica um viés ideológico do autor (a), ao apresentar uma visão estereotipada do presidente Lula. Chamam a atenção os elementos textuais que tem correspondência com às idéias dos higienistas raciais que contaminaram vergonhosamente a ciência desde os meados século XIX e levaram aos desvios éticos da eugenia no século XX. Os termos "força da natureza" e "culminação de instintos vitais", "malignidade", "infiltrar", "normal" remetem com força à linguagem própria dessas disciplinas que deram sustentáculo ao nacional-socialismo alemão e seus conhecidos crimes contra a Humanidade.
Para clarificar melhor o conteúdo narrativo do texto, cito Roso e colaboradores*, que descrevem de forma aguda a fisiologia do estereótipo: estereotipar faz parte da manutenção da ordem social e simbólica, estabelecendo uma fronteira entre o “normal” e o “desviante”, o “normal” e o “patológico”, o “aceitável” e o “inaceitável”, o que “pertence” e o que “não pertence”, o “nós” e o “eles”. Estereotipar reduz, essencializa, naturaliza e conserta as ‘diferenças’, excluindo ou expelindo tudo aquilo que não se enquadra, tudo aquilo que é diferente.
Podemos contextualizar os elementos dessa explicação no exemplo a seguir, extraído de "Minha Luta" (Mein Kampf), opera omnia de Adolf Hitler: As qualidades intelectuais do judeu formaram-se no decorrer de milênios, Ele passa hoje por "inteligente" e o foi sempre até um certo ponto. Somente, sua compreensão não é o produto de evolução própria, mas de pura imitação.
Minha opinião, portanto, quanto ao parágrafo que me foi solicitado comentar, é a constatação do quanto a paixão política pode levar as pessoas ao exercício das mais baixas inspirações ideológicas.

*Cultura e Ideologia: A Mídia Revelando Estereótipos Raciais de Gênero. Psicologia & Sociedade; 14 (2): 74-94; jul./dez.2002 .
http://blogflanar.blogspot.com/2010/09/um-curioso-exemplo-de-higienismo-na.html

http://blogflanar.blogspot.com/2010/09/pontos-e-contrapontos.html

7 comentários:

Anônimo disse...

Adorei o post! Vale ler, na íntegra, os dois posts que deram origem aos teus comentários. Fica a dica para os visitantes.
Parabéns, Ana Célia!

Anônimo disse...

De tanto apanhar dos Maiorana, Lucio Flavio acabou pirando.
Acontece.

Anônimo disse...

Queridíssima Perereca, Lula não precisa rasgar a constituição para um terceiro mandato. Dilma não é Dilma, é um poste! Um poste com o cartaz do Lula. Então Dilma é o Lula no terceiro mandato. Lula ditatorial sim na medida em que determina o que tem que ser feito e "Ponto" usando como vc mesma difere o poder da comunicação com as massas - mérito de um líder orgânico, que bem poderia estar usando esse seu poder a favor de uma nação inteira, e não de um partido político, muito menos de uma facção. Lula senta na cadeira de Presidente, e como tal, usa o meu, o seu, o nosso suado, fodido, extorquido dinheiro em abusivos impostos abusivos ( e vc que tanto defende o público), para sair por este país como cabo eleitoral sustentando pelo poder público. Tivesse ele respeito e não cinismo teria se incompatibilizado do cargo. Lula é sim um ditador popular, que criamos, mantemos e alimentamos. Rimos do que ele diz, com deboche. Lula debocha das Instituições deste país. Lula debocha do povo brasileiro. Ainda haverá um momento em que não precisaremos de ditadores travestidos de robin hood tupiniquim. Haverá um dia em que no meu país as pessoas terão acesso a educação formal sim,ao conhecimento sim, ao Saber para ter condições de no mínimo diferir aquele que lhe dá um miseravel prato de comida daquele que lhe proporciona emprego e renda. Saudações, querida

Anônimo disse...

Olá, Ana Célia!
Antecipadamente agradeço a publicação do que se segue...

Eu goftaria de dizer a cupanheira perereca que nunca dantes na hiftoria defe país tantos tiveram tanta vontade de xingar tanto o mesmo previdente por tanto tempo, mas vc deu uma inflada legal no ego dele.
Agora tem gente dizendo que "o Lula é ditador, que o Lula é ifo, é aquilo..." a cumpanheira perereca sabe que o Lula não pode ditar pq mal sabe ler e se não lê, num dita.
O Lula, diz-que, cumprô a dinig.. niguid... a guinid... mas o que eu quero dizê, mermo, cupanheira perereca, é que se cumprô, tá pagando com as bolfa que se criaram prá colocá e botá a cumida no prato do pobre, que afim recebe aquele impurrãozinho bacana que vofê dife, embora a gente saiba que é uma queftão de tempo p/ efe empurrãozinho bacana jogar todo o país no chão e o cuplicado, "cupanheira perereca" é que será vc, eu e as pessoas que realmente trabalham que pagarão a conta dos curativos.
Desculpe, Ana Célia, mas não resisti a pilhéria...
Tenho muito a agradecer a vc, por essa maneira impar e muito peculiar de mostrar ângulos das coisas que ainda não tinha visto. No entanto, o outro lado de certas moedas só nos mostra zinabre e limo. No caso do presidente mais popular da história desse país (que o tempo passe rápido p/ que a história possa esquecê-lo e eu tbm) tal moeda está na mão de um prestidigitador de 5ª categoria, cujo único mérito foi habilmente esconder seu valor de meia pataca e que a mesma se encontra furada e sem nenhum poder de compra.
Discordo dos que dizem que Dilma é um poste e que Lula através dela terá um 3º mandato ou até mesmo um 4º, pois, quando olho p/ Dilma, sinto que ela mal e mal consegue esconder o ante-gozo que sente de, brevemente, poder mostrar ao Brasil que o cão começará a rosnar acabando por morder a mão que o alimentou.
Ai, Ana Célia, boquiabertos de espanto e tristeza - como o motorista bêbado que se acidentou - teremos a certeza de que “O POSTE DESCEU DO MEIO-FIO”...

Edson Pantoja.

Herbert Marcus disse...

Interessante notar que tanto Itajaí quanto Lúcio Flávio chegam a uma mesma conclusão: fascismo.

Itajaí a partir da análise de um fragmento de texto e Lúcio ao opinar sobre a personalidade de Lula em relação à política brasileira.

A exegese feita por Itajái peca pela descontextualização e a de Lúcio pela indignação visível em seu texto, que o leva a ver ameaças na trajetória de Lula e do PT.

Por razões bem diferentes, Lúcio repete a cantilena da direita do olha o lobo! olha o lobo!

Em textos produzidos pelos ideólogos da direita, principlamente os do PIG, o tema é recorrente - com Lula e o PT estamos caminhando para o facismo, ou para a ditadura comunista, ou simplesmente para a merda.

Não sou eleitor do PT, sequer votei em Lula nas útlimas eleições, mas atribuir todos o males do Brasil à ascensão de Lula ao poder é ficar no nunca antes na história desse país, e haja saco para suportar o refrão.

É como se corrupção, aparelhamento do Estado, uso da máquina pública et caterva passassem a existir com Lula. Não, Lúcio Flávio não afirma isso, mas faz uma diferença de grau, ressalvando que caberia ao PT pôr fim nisso.

Afirmar que o PT aparelhou o Estado e que faz (para eleger Dilma) o "uso mais abusivo da máquina pública de que se tem notícia em 80 anos de eleição no Brasil" é precisamente desconsiderar o passado histórico do Estado brasileiro, do uso do aparelho estatal que as elites sempre fizeram para a reprodução e manutenção do poder, pelo simples fato do Estado existir em função disso e para isso.

Cientelismo, populismo, e patrimonialismo (+etc) são marcas registradas da ainda pré-república brasileira. Que o PT não tenha concretizado outro tipo de República, tal como muitos desejavam, é fato. E creio que o Lúcio já escreveu sobre isso.

Mas fica nos devendo uma análise mais aprofundada, outra que não tenha esse tom aborrecido, uma certa "rabugice" de intelectual indignado com os rumos que o lulismo e o petismo estão tomando.

Que, a meu ver, é quase o mesmo caminho trilhado pela social-democracia francesa, e européia.

E, quem sabe, Lula não terá o mesmo declínio e fim de Miterrand, que chorou diante das câmeras, pedindo perdão pelos seus "erros de juventude", após as denúncias de colaboracionismo com o governo de Vichy durante a ocupação alemã.
(de forma alguma estou igualando as duas personalidades, bem distintas, por sinal)

Não sou profeta nem vidente, se o fosse já teria faturado a Sena sozinho, mas vejo exageros nos textos de Itajaí e de Lúcio Flávio.

Saudações, Herbert Marcus

Anônimo disse...

Herbet Marcos foi feliz no seu comentário sensato e completo. Parabéns!

claudia disse...

Meia passagem intermunicipal começa a valer na 2ª:


A partir de segunda-feira (20), a comunidade estudantil paraense contará com um novo benefício: a meia passagem intermunicipal. A cerimônia de lançamento aconteceu na manhã de ontem, no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), no município de Castanhal.

Terão direito ao serviço estudantes dos ensinos médio, técnico e superior (inclusive pós-graduação) das redes pública e privada que não estudam no mesmo município em que residem. A medida abrange os serviços de transportes rodoviário e aquaviário intermunicipais de passageiros do estado.

Durante o ato de lançamento, três estudantes receberam, simbolicamente, as primeiras carteiras de meia passagem. O primeiro lote com 1.140 documentos será entregue nos próximos dias às instituições da região. A previsão é de que, até o fim do ano, 5.000 estudantes de todo o estado recebam suas carteiras.

Representando a União Paraense dos Estudantes Secundaristas (Upes), Jaide Sousa afirmou que a conquista do direito à meia passagem intermunicipal é fruto de 20 anos de luta do movimento estudantil paraense. O projeto de lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado, transformando-se na Lei Estadual 7.327/09, sancionada em novembro passado pela governadora Ana Júlia.