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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

2010(2)

O tabuleiro de 2010 (II)

“Frentão” e PMDB podem reeleger
Ana Júlia no primeiro turno. Será?



No PT, trabalha-se até com a hipótese (herética, aos olhos oposicionistas) de morrer a disputa pelo Governo do Estado já no primeiro turno.


É pouco provável, pelas pesquisas que já circularam até agora.


Mas, também não dá para subestimar os armamentos governistas, para o próximo pleito.


O primeiro é um amplo leque de alianças, a envolver a maioria dos partidos com algum peso na política paraense (PR, PTB, PDT, PP).


E, se conseguir, além de consolidar o “frentão”, pacificar as relações com o PMDB, restarão, praticamente isolados, PSDB e DEM.


PSDB tem militância, realizações administrativas para “vender” ao eleitorado e possibilidade de atrair muitos prefeitos e cabos eleitorais que, aparentemente, perfilariam com o PT, no bojo do “frentão” governista.


DEM possui tempo de TV e uma liderança carismática como Valéria.


Mas, ainda que juntos, eles equivaleriam a um PMDB?


O outro armamento governista atende pelo nome de máquina – um coringa que, se sempre teve peso extraordinário nas eleições, mais ainda nesses tempos bicudos para o financiamento de campanha.


E o que a máquina se prepara para conceber, no ano que vem, é um conjunto de realizações de tirar o fôlego – pelo menos é isso o que prometem os petistas.


Desde obras visíveis – asfalto, por exemplo – até aquelas “invisíveis”, que nem são lembradas após alguns anos – saneamento, ampliação de serviços – mas que podem, sim, fazer uma diferença danada, se a memória do eleitor estiver bem fresquinha.


Canteiro de obras


“Diante da crise, vamos ter notícias boas” – anuncia o líder do Governo, deputado Aírton Faleiro – “Há a possibilidade de um empréstimo de R$ 300 milhões do BNDES, para investimento em diversas áreas, e de um financiamento de R$ 500 milhões do Basa, para a aquisição de 100 patrulhas mecanizadas, que vão recuperar vicinais e ruas, em vários municípios”.


O Governo ainda pleiteia junto ao presidente Lula R$ 70 milhões para o programa “Asfalto Participativo” e já conta com R$ 1 bilhão em verbas federais, para saneamento.


No ano que vem, será intensificada a abertura de frentes de asfaltamento na Transamazônica e na Santarém-Cuiabá. E prevê-se, ainda, a conclusão das eclusas de Tucuruí.


Na parte de eletrificação, já está em andamento o linhão que levará a energia de Tucuruí ao Marajó. E deve ser dado o pontapé inicial do linhão Tucuruí/Calha Norte.


Há, ainda, o programa “Minha Casa, Minha Vida”, na área de Habitação; regularização fundiária e ambiental, para 200 mil famílias, que deve ser acelerada; as obras do programa “Metrópole em Movimento”, como o elevado da avenida Júlio César, em Belém; massificação do “Navega Pará”, para a informatização de escolas e comunidades interioranas; e até a abertura de 74 agências do INSS, no Pará – coisa que pode parecer “pequena”, mas que vai revolucionar a vida de milhares de aposentados e pensionistas, muitos deles responsáveis pelo sustento familiar.


Faleiro não soube precisar, na noite de ontem, o total de recursos envolvidos nessas obras e serviços – e de muitos outros, com início ou entrega prevista para o ano que vem.


“Como já disse a governadora, o Pará vai se transformar em um verdadeiro canteiro de obras” - comemora.


E parece não estar nem aí para quem aponte a vertente, digamos assim, eleitoreira dessas realizações.


“Muitas dessas obras e serviços já começaram neste ano, e o que nós vamos fazer é acelerar para entregar”, explica.

O que Faleiro não diz é que o balaio petista de bondades colocará à oposição dois problemas difíceis de resolver, para que se articule o discurso da mudança – até agora calcado na “falta de obras” do atual governo.


O primeiro é que, embora muitas dessas obras sejam de origem federal, a verdade é que, para o eleitor médio, isso não significa rigorosamente nada.


Quer dizer, não adianta acusar o governo estadual de acenar com o chapéu alheio: o que o cidadão quer é a luz na casa dele, o saneamento da rua onde mora, o título de propriedade da terra, a casa própria, a agência do INSS para receber o benefício, sem ter de se deslocar, todo mês, uns 800 quilômetros - e por aí vai.


O segundo é que a aceleração de obras para a entrega no último ano do mandato da governadora nem pode ser “vendida” como ilegal: afinal, isso é o que deveriam fazer todos os administradores públicos, até a luz da Lei – entregar suas obras até a conclusão do mandato.


Naquela da musiquinha “deixa que diguem, que pensem, que falem”, o líder do governo revela que o PT trabalha com a hipótese de mudança do discurso eleitoral dos tucanos.


Raciocina que o PSDB deve abandonar o “discurso da moralidade”, ou seja, as acusações de corrupção contra os petistas, e as críticas ao governo Lula – o nosso “Gegê”, em que nada de ruim parece colar.


“Eles vão trabalhar para mostrar que podem fazer mais do que nós” – prevê Faleiro – “E, aqui no Pará, vão tentar dizer que a Ana Júlia só está fazendo o que eles começaram. Mas, nós vamos mostrar que começamos é a resolver os problemas estruturais do estado, coisa que eles não conseguiram fazer”.


O “Casamento” com o PMDB


Faleiro também acredita que o “acordo pré-nupcial” em torno de Dilma deve ter repercussão direta, sim, nas relações entre petistas e peemedebistas locais.


É uma avaliação oposta a do líder do PMDB, Parsifal Pontes (leia a matéria 2010 (1).


E explica: “Temos de pensar a eleição como um todo. Na medida em que PT e PMDB foram a principal aliança da governabilidade do Brasil e do Pará, e repetem isso nacionalmente, é uma sinalização clara da importância de continuidade no estado”


Embora, no Pará, os dois partidos ainda não tenham “batido o martelo”, Faleiro aponta “fatores conjunturais” que colaboram nesse sentido.


Um deles é a consolidação de um amplo arco nacional de alianças em torno de Dilma Rousseff, “o que dá mais segurança da continuidade de um projeto nacional”.


Daí a hipótese de que a “parada” ao Governo do Estado seja resolvida ainda no primeiro turno. Ou, no segundo, mas tendo o PMDB como aliado. “Num cenário de segundo turno, no Pará, dificilmente o PMDB se juntará ao PSDB, se o projeto nacional for vitorioso”.


Há dois problemas, porém, no raciocínio de Faleiro.


O primeiro é que nada autoriza a imaginar a vitória de qualquer candidato à Presidência da República já no primeiro turno – e muito menos de Dilma, em relação à qual se prepara até um plano B.


O segundo é que, goste-se ou não de Jader, a verdade é que ele se tornou muito maior do que o Pará.


Quer dizer, mesmo na hipótese (muito, mas muito remota) da vitória de Dilma no primeiro turno, é quase impossível que ela viesse a se indispor com um aliado peemedebista importantíssimo para a articulação da governabilidade, por causa dessa política paraense de fundo de quintal...


Bem mais razão tem Faleiro quando diz que haverá uma interferência nacional (leia-se, o presidente Lula) na mediação entre petistas e peemedebistas no Pará, a fim de que haja um só palanque para Dilma Rousseff.


“A tendência é que o PMDB se junte ao PT. Além do mais, o Pará não será um estado em que apenas as forças estaduais definirão as alianças”, observa.


A seu ver, é preciso dar tempo ao tempo: “A aliança nacional deve acelerar as negociações. Mas, acho que isso só será definido no começo do ano que vem, porque não é só a decisão sobre o governo: envolve, também, o Senado e as chapas a deputado estadual e a deputado federal”.


Segundo ele, a pretensão sinalizada pelo PMDB, para a recomposição da aliança, é a Sespa e a Vice-Governadoria, na chapa à reeleição de Ana Júlia.


O problema é que o PT acredita que é melhor entregar a Vice ao bloco PR/PTB e ceder ao PMDB uma das vagas ao Senado: “Tanto o PR como o PTB não têm um nome de maior projeção. Mas, com o Paulo Rocha e o Jader Barbalho teríamos chance de eleger os dois”.


E garante: “Se o acordo for fechado e estivermos juntos no palanque, o voto do PT (em Jader) é automático. Só ficará de fora uma minoria, o pessoal mais radical, que, em boa parte, já foi para o PSOL ou o PSTU”.


E o que é que falta, então, para o Governo entregar a Sespa ao PMDB? “Não conseguiremos resolver problemas por partes. Temos de resolver o todo”, desconversa Faleiro.


Ao fim e ao cabo é possível que a maior barreira à recomposição local seja a tarefa de convencer Jader a embarcar nas juras de amor petistas, em relação ao Senado, e a abrir mão de uma Vice-Governadoria – para Hildegardo Nunes, por exemplo, que é bastante palatável aos petistas e muito, muito próximo do prefeito de Ananindeua, Helder Barbalho.

6 comentários:

MARCIO VASCONCELOS disse...

Jader vem para o governo e a Ana Julia deve vir para o Senado

Anônimo disse...

So sei de uma coisa acabou para os tucanos.

Ricardo Charone disse...

Ana,
Tem outras cartas na manga do Jader. Objetivando minimizar a presença política de Priante, Jader já conversou em off com o Zeca Pirão indicando a possibilidade dele (Zeca) vir como vice da Ana...

Anônimo disse...

O acordão deverá ser fechado Ana, e tem uma questão que ninguem está comentando, que é a do candidato tucano, como alguns andam dizendo que ja esta fechado q o candidato dos tucanos é o MarioTapiocouto, a aliança com o PMDB fica muito mais dificil, pois este foi apoiado pelo Almir que odeia Jader e vice versa. Se fosse o Jatene as coisas poderiam mudar de figura!!! E o PT rindo para as paredes..... MRC

Anônimo disse...

Só se o Jader for "besta" em acreidtar novamente na governadora...

Bia disse...

Bom dia, Ana:

uma síndrome grave que ataca parlamentares - na ALEPA conheço quatro exceções - é esquecerem quem foram e de onde vieram.

O Deputado Airton não foge à regra e agora é um falacioso, ao invés de um Faleiro, aquele que foi um dia presidente da FETAGRI.

Ele deveria saber responder o montante dos recursos destinados ao estado pela União, pois essa é uma consulta simples no orçamento do Senado. Mas, é constrangedor ter que afirmar que dos R$ 1.407.920.183 destinados ao estado em 2009, até dia 20 passado só foram pagos R$ 728.414.210.

Isso explica em parte a "aceleração" das obras em 2010No ano que vem, estaremos "comemorando" as obras que não foram realizadas neste ano. Se isso é um jogo eleitoral ou um desprestígio do estado do Pará, deixo a ele a resposta.

Como exemplo uso a reiterada fala dele sobre as agências do INSS: das 15 previstas em 2009 no interior do Pará, ao custo de 500 mil cada uma, NENHUMA teve a despesa autorizada.

Um abraço pra você.