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domingo, 30 de novembro de 2008

tacacá

Uma pausa para o tacacá



Há uma imagem que nunca me esqueci, daqueles tempos bicudos da ditadura militar.


E que vi apenas em fotografia (pois, que não sou tão velhinha assim, visse?)


É a imagem daquele gigante que era Ulysses Guimarães, a romper, sozinho, um verdadeiro “corredor polonês” de soldados do Exército, quando se encaminhava ao palanque de um comício.


Ele, tão franzino... Mas, imenso, enorme naquilo que representava...


Pois, que naquele momento o nosso Ulisses, muito, mas muito maior que o de Tróia, era a própria Cidadania, a própria Democracia.


A Cidadania e a Democracia que faziam com que aquele “corredor polonês”, aparentemente inexpugnável, se reduzisse à pequenez do Estado diante da Sociedade.


Nunca me esquecerei dessa imagem. Que é, também, a de Antígona.


O cidadão que não se rende, a clamar pelo Direito, diante desse monstro, dessa coisa sombria em que se transforma o Estado, quando gerido, apenas, no interesse de alguns.


Quando não respeita, democraticamente, o Direito à contestação.


Quando não é, de fato, de todos e para todos.


Por isso, vou dedicar a música abaixo aqueles que lutam por um Brasil melhor - de verdade!


Por um Brasil e um Pará com um mínimo de Decência.


Com um mínimo de Justiça Social.


Com um mínimo de Democracia.


Com um mínimo de Felicidade, para o seu José e a dona Maria.


A todos aqueles cujos cabelos já até branquearam, de tanto que já viram, de tanto que lutaram, de tanto que sonharam, de tanto que esperaram...


Com vocês, o grande “companheiro” Chico Buarque...




Vai Passar



Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais


Num tempo,
Página infeliz da nossa história,
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações


Seus filhos
Erravam cegos pelo continente,
Levavam pedras
Feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal,
Tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval,
O carnaval, o carnaval


(Vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar,
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear


Ai que vida boa, ô lerê,
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral...
Vai passar


(Chico Buarque/ Francis Hime)

4 comentários:

Anônimo disse...

Uma sugestão de pauta pra você, no Liberal:
a prestação de contas dos candidatos a prefeito, nessas eleições.
Vamos ter boas surpresas, e você vai deitar e rolar com tantas surpresas.
Vai dar uma polemica bem legal.

Anônimo disse...

Perereca, não sei se tem a ver com a pausa para o tacacá, mas como essa coisa de diploma de jornalista é do tempo da ditadura, e a turminha da Fenaj, e por consequência as meninas do sindicato paraense, insiste como sendo a oitava maravilha do mundo, aqui vai um artigo de Igor Ribeiro, do Portal Imprensa.
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Colunistas » Igor Ribeiro

Publicado em: 28/11/2008 14:55

O perigo exclusivista

Só mesmo um jornalista muito antipático ao universo digital para não saber a quantidade de gente que hoje produz informação e nunca cursou comunicação - e muitas vezes, sequer fez faculdade. Eu mesmo cheguei a idealizar um blog sobre música anos atrás, no qual era o único com formação em jornalismo, entre os três colaboradores. Nada de novo. Mas, recentemente, ao conduzir a apuração de uma pauta complexa sobre tecnologia de informação, que envolvia fontes em diversas cidades do país, me dei conta de que essa popularização da notícia é muito maior do que eu imaginava.

Gente que mora no sertão, numa pequena fazenda ou numa vila de pescadores. Gente das periferias das cidades ou das áreas nobres, em suas mais variadas especialidades. Crianças, adolescente, idosos. Porteiros, executivos, estilistas, bailarinos, contadores, vendedores, estudantes, escultores, atletas. Deficientes físicos, visuais e auditivos. É formidável. Por meio de telecentros, pontos de cultura, lan houses, do próprio computador ou do PC do amigo, algumas vezes com imagens, áudios, vídeos, bem editadas, muitas vezes feitos pelo celular. Outras vezes mal-escritas, mas de uma sensibilidade enorme. É um conteúdo vasto e riquíssimo, não há como ser ignorado.

Essa monumental, crescente e fascinante realidade nos diz, basicamente, que a briga de certas entidades a favor do diploma obrigatório é uma batalha contra moinhos. Pense bem: algumas centenas de milhares de jornalistas reivindicando qualquer espécie de exclusividade de trabalho ou de direito contra milhões de brasileiros que a cada dia, hora e minuto conhecem, por meio da internet, a possibilidade de divulgar ao mundo suas histórias sem o intermédio de ninguém. Se em veículos impressos altamente segmentados ainda há, por exemplo, a obrigatoriedade formal e hipócrita do "jornalista responsável", nada nunca vai obrigar um internauta de uma comunidade quilombola a incluir a mesma premissa em seu site. E quem vai dizer que o que eles produzem não é informação ou jornalismo?

Antes que as tochas se acendam e as cruzes se aproximem, preciso fazer uma ressalva. Um dos poucos redutos educacionais onde ainda se ensinam as premissas básicas de jornalismo são as faculdades de comunicação. O que é um grande mérito. Pois, antes de entrar no mercado de trabalho, é saudável discutir necessidades fundamentais do bom jornalismo, como fonte, outro lado, pesquisa, padrões e estilos. Mas, convenhamos, não é uma faculdade de jornalismo que vai ensinar estatística, economia, história, filosofia, ciências políticas ou sociais. Até ética é algo que não cabe ser jogada no balaio jornalístico. Parafraseando Cláudio Abramo, ética é ética: pode-se estudar as raízes mais profundas do debate filosófico num curso específico, mas não existe "ética jornalística", "ética médica", "ética gastronômica" (isso mereceria um texto próprio, futuramente). O importante é observar que a teoria atrelada ao jornalismo só tem razão de ser em escola específica - o seu entendimento enquanto ciência é superficial num curso regular de comunicação. Nesse momento, para defender novamente o curso, viria a imposição técnica: a escola de jornalismo ensinaria o que é um lide de jornal, um switcher de TV, o manuseio de um fotômetro, a sangria de uma página. Mas a verdade é que alguém que adora escrever, ou ama televisão, ou alguém que curte fotografia ou design nunca conseguiria dominar a especificidade técnica da qual gosta num curso de jornalismo regular, de quatro anos, com a concorrência de outras disciplinas. O sujeito, para dominar a língua escrita, tem que estudar letras; para a televisão, recomendada-se rádio e TV; para os candidatos à fotógrafo, há cursos específicos e no mínimo um universitário; o mesmo para os fãs de design. Tira-se a técnica e a teoria, há algo muito pontual que realmente vale o ensino jornalístico, espécie de "malícia" da profissão, que se pega na faculdade e se aprimora no trabalho.

Além disso, o avanço e a inclusão tecnológica tem reduzido ainda mais a necessidade técnica. Por meio da internet, qualquer um pode aprender conceitos básicos da língua; aprender por meio de tutoriais como funciona edição de vídeo; estudar o mecanismo de uma câmera fotográfica; baixar programas gratuitos para design; etc. Não que isso seja melhor ou pior, mas simplesmente existe, é possível, e só acontece porque há disseminação de informação, que muitas vezes não passou pelas mãos de um jornalista. Ilustrativamente, o sujeito que disponibilizou um tutorial sobre edição de vídeo costuma ser um profissional da área, raramente um jornalista. E se for, é bom desconfiar do conteúdo.

Os jornalistas que admitem não terem controle sobre informações de especialistas, ou que se dizem "especialistas em generalidades" estão um passo adiante - pelo menos desceram do pedestal. Mas, de forma geral, orgulham-se do domínio sobre a língua e da interface que fazem entre o especialista e o cidadão comum. Em primeiro lugar, essa história de domínio da língua é uma imensa falácia. Jornalistas abominam erros de português, mas vivem cometendo seus deslizes. Quando o fazem, dificilmente assumem: preferem culpar o revisor, o editor, o barulho da redação. Pesa sobre eles a incoerência de abominar algo ao qual estão todos submetidos - principalmente eles próprios - e a herança ignorante de sacrilizar deslizes como erros. Esta não é uma defesa de um português mal escrito ou mal falado, mas uma defesa da tolerância lingüística, um alerta contra o perigo que a idolatria à forma padrão da língua pode causar ao estigmatizar o cidadão comum e aumentar nosso calabouço social.

Para a mesma reportagem citada no início da matéria, a repórter Ana Ignácio colheu um depoimento valioso de Maurício Falavigna, diretor do Sampa.org. Este explicou como teve origem um projeto chamado Capão OnLine, no qual auxiliaram uma comunidade da periferia paulistana a se organizar e montar uma agência de notícias. Montaram um curso de jornalismo simples e funcional. Sobre o trato do português, Falavigna detalhou, sem pudores infantis, que primeiro incentivaram as pessoas a escrever como quisessem, sobre peculiaridades do seu bairro:

"Questões como língua portuguesa, por exemplo, a gente resolveria ao longo do tempo. Primeiro porque a língua oficial é a coisa mais excludente do mundo. É um dos mecanismos de exclusão mais poderoso que existe porque você não deve ter 10% da população que consiga manusear ela com alguma propriedade. A gente resolveu corrigir esses problemas depois, porque percebemos que o importante era eles contarem histórias, entender o processo da coisa, de construção de uma notícia. Podia cada um escrever 'exceção' de um jeito mas ninguém ia corrigir o outro porque ninguém saberia qual era o certo, mas iam entender a história, iam ler até o fim. A gente chegou a publicar com erro de português para evitar qualquer tipo de constrangimento e individualmente íamos dando aula de português. E outra coisa que calculamos e que realmente aconteceu é que quanto mais eles se interessassem por escrever, contar uma história, ir atrás de uma notícia, relatar aquilo, é natural que eles passem a ler muito mais. Passando a ler mais, eles vão errar muito menos e é realmente o que acontecia. Com o tempo, aqueles erros iam diminuindo consideravelmente, a gente só corrigia pontuação e concordância para que todo mundo pudesse ler, mesmo com a ortografia errada."

Falavigna não é um iletrado irresponsável. Chegou a estudar comunicação, formou-se em história pela USP e dedicou boa parte da sua vida ao jornalismo. Para os interessados em se aprofundar sobre o tema específico que ele coloca, é importante conhecer os conceitos por trás das variações lingüísticas, lendo os estudos de mestres como Marcos Bagno, Sírio Possenti e Carlos Alberto Faraco.

Os "especialistas em generalidades" também trocam os pés pelas mãos ao acharem que são capazes de traduzir para um grande público assuntos complexos das mais variadas especialidades, seja medicina, filosofia, economia ou tricô. Optar pela generalização não é errado, é até saudável que gente treinada na ferramenta escrita, televisiva ou digital tenha sua especialidade nela, de forma que consiga com facilidade disponibilizar conteúdo ao público em geral. Mas no momento de adaptar o conteúdo de um especialista, deve-se redobrar o cuidado, verificar e reverificar tudo que se escreve, certificar-se de que um simples sinônimo, naquele ramo específico da ciência, não quer dizer algo completamente diferente. Editei, há pouco tempo, revistas educativas cujos textos eram prioritariamente escritos por especialistas. Demorei muito quase dois anos para conseguir atingir um equilíbrio entre um trabalho que fundisse a inteligibilidade para o público e originalidade do autor. Bati muito a cabeça, mas persisti. Ouvi algumas reclamações dos leitores e, principalmente, dos acadêmicos, porém nunca me esquivei da conversa e da admissão do erro. Posso dizer que, ao fim de três anos desse processo, aprendi muito.

Este não é um chamado às transformações radicais ou a um grito revoltado contra a ordem vigente. Cursos de comunicação, sindicatos e associações empresariais são livres para articularem seus interesses como quiserem. Da mesma forma, os jornalistas viciados nesse sistema podem continuar tratando o vernáculo como o último bastião nacional e tomarem para si exclusivamente o direito de comunicação. Tudo pode continuar como está, mas a profissão paga um preço pela manutenção desse sistema e do comportamento conseqüente, que é o afunilamento das idéias. Enquanto isso, os guardiões da grandiloqüência jornalística deixam de participar de modo mais expressivo do maior evento cultural já acontecido neste planeta: a democratização das tecnologias de informação. E o ingresso dessa festa custa infinitamente menos do que o afunilamento das idéias. Para entrar, basta estar desarmado e cheio de disposição.

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A reportagem citada neste artigo estampará a capa de dezembro da revista IMPRENSA, edição 241. Convido todos a lerem e refletirem sobre o assunto.

* Igor Ribeiro, editor-executivo da revista IMPRENSA, é jornalista com passagens por diversos veículos nacionais, incluindo Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e editora Escala Educacional.

Anônimo disse...

Eita que a perereca está com os caralhos, mete a porrada, remexe a vida boa desses ricaços. A função
do jornalista é essa mesmo: denunciar. Quem fala mal é quem não tem fonte e não levanta a bunda da cadeira da redação.

Anônimo disse...

Bem, pelo menos não é isso que podemos falar do joranlista Igor Ribeiro, que há pouco tempo levantou a bunda (como foi dito) da cadeira para ir até o Amazonas... e não se sabe se foi lá mesmo que adquiriu hepatite...
Deste tipo de joranlismo temos que nos orgulhar!