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sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Sobre o palanque paraguaio da bondade

A Honestidade de R$ 1,99


Sinceramente, não sei se rio ou se choro dessa mania tucana de satanizar os adversários. Quem não conhece os meandros do tucanato paraense, acaba até acreditando que está diante da quintessência da Moralidade: é tudo querubim ungido!

Mas, no que consiste, de fato, essa “ética” tucana?

É fato que o palanque paraguaio da bondade deles tem bem poucos algemados. Mas também é fato que eles ergueram, em 12 anos, uma autêntica muralha de impunidade, a impedir a investigação de inúmeros escândalos.

Veja-se o exemplo de Eduardo Salles, o sobrinho do governador Simão Jatene, com a fortuna que acumulou à sombra do tio – e cuja reportagem completa, aliás, está arquivada neste blog.

Vejam-se os mais de 20 parentes de Jatene, nomeados para o Governo do Estado, num autêntico “condomínio de contracheques”, como classificou um advogado.

Veja-se a Prev Saúde, a empresa da mulher e do filho do secretário de Saúde, Fernando Dourado, com os quase R$ 8 milhões que já faturou junto ao Executivo, justamente, na área da Saúde.

Vejam-se as denúncias de superfaturamento de remédios pela Sespa – e só a Controladoria Geral da União, na única inspeção realizada ali, flagrou um rombo de cerca de R$ 14 milhões.

Vejam-se os R$ 10 milhões adquiridos pela mesma Sespa junto a KM Empreendimentos, uma empresa enrolada até o pescoço, nas investigações sobre a máfia dos sanguessugas.

Vejam-se as inúmeras denúncias de superfaturamento de obras públicas, como a Estação das Docas e o Centro de Convenções – cujo metro quadrado, a R$ 3.400,00, é seis vezes mais caro que o mais alto custo do metro quadrado do país.

Veja-se o Hospital Metropolitano, cuja construção consumiu R$ 28 milhões, o dobro do inicialmente previsto, e onde só uma pracinha ficou em quase R$ 1 milhão.

Veja-se o caso Cerpasa – e só aí “sumiram” R$ 45 milhões em dívidas fiscais.

Veja-se a Clean Service, ligada a Marcelo Gabriel, filho do ex-governador Almir Gabriel, que já faturou, pelo menos, R$ 15,1 milhões junto ao Governo do Estado.

Veja-se o autêntico “laranjal” do empresário Chico Ferreira e os contratos milionários que abocanhou, nos últimos 12 anos, também do Governo do Estado – e que ultrapassam, largamente, os R$ 50 milhões.

Vejam-se os R$ 450 milhões da venda da Celpa, que até hoje os paraenses se perguntam onde foram parar.

Mas, de quanto é que estamos falando, mesmo? Qual o total de recursos públicos que desapareceram em tais escândalos?

Será que o saque se torna “menor” porque praticado pelo “Midas da Moralidade”?

Será que a impunidade torna o infrator menos rapace?

Ou será que falta é a Justiça agir, de fato, como Justiça?

Quantas algemas os “mocinhos”, os querubins ungidos desse palanque paraguaio da bondade estão a merecer?

Mas permanecem, todos, livres, leves e soltos, não é mesmo? A apontar o dedão acusador para tudo e todos, acionistas que são da Perobal S/A.

E seguem assim porque a “ética” que apregoam é, simplesmente, a da varrição da sujeira para debaixo do tapete. É o amordaçamento das instituições que têm a obrigação de acabar com essa festança.

No fundo, a “ética” do tucanato tem por alicerces a censura, o aliciamento e a perseguição. É um autêntico Bataclan, no qual se corrompe, até, o chefe de polícia. Daí inexistirem, entre os tucanos, as algemas que tanto aplaudem nos pulsos alheios.

Falam em despreparo de Ana Júlia. Mas, quem tem preparo? Valéria Pires Franco? Vic?

Falam em palanque da maldade. Mas, quem são os mocinhos deles? Marcelo Gabriel? Chico Ferreira? Eduardo Salles? Fernando Dourado? Raimundo Santos? Duciomar Costa? O algemado cidadão Flexa Ribeiro?

É engraçado. Nesse palanque paraguaio da bondade, nessa honestidade de R$ 1,99, há gente acusada de ligação com o crime organizado, de envolvimento no escândalo dos sanguessugas, de receptação e até de estupro e de corrupção de menores. Há bacanagens para todos os gostos: todo tipo de fraudes licitatórias e de malversação do dinheiro público que se possa imaginar.

No entanto, dizem eles, os bandidos somos nós. Vai ver que é porque se esqueceram de olhar de perto a própria latrina.

5 comentários:

Anônimo disse...

Mina cara perereca esqueceste de elencar no rol das "mãos limpas" do impoluto Almir Gabriel o ex "senador do Governador", o quase xará teu, Pepéca, o atual senador eleito, Mário "que bicho que deu" Couto, o facilmente comprável Wlad, o padrinho político Jáder Barbalho, etc. etc. etc.

Pedro H. disse...

Ana, leio sempre seu blog, ele é muito bom e esse post é de arrasar. Tomei a liberdade de reproduzi-lo no Blog da Guerreira. Um abraço. Rumo a mudança no domingo.

Chico disse...

Pergunte pro Paulo Rocha, Ana Júlia, Marcíli e Waldir Ganzer quem é Chico Ferreira. E depois se olhe no espelho...

xipaia disse...

Discurso de um eleitor Paraense.
Nestas eleições estamos divididos, de um lado um partido e uma candidata, (Ana Julia), que nunca provou sua capacidade de administrar, de outro (Dr. Almir), um candidato que comanda junto com seu grupo a 12 anos o destino do nosso estado.
É certo que este grupo que está no poder, avançou na modernização da maquina pública, realizou obras que são vitais para o desenvolvimento do estado, além do que, ajudou a melhorar a “cara de Belém”.
Nunca votei no PT, sempre olhei com desconfiança suas lideranças, que sempre pregaram a ética na política, e quando assumiram o governo federal, se igualaram a todos os outros, que passaram pelo poder, mas e bem verdade, que nenhum presidente investiu na causa social como Lula.
Mas dentro desse contexto e para melhor embasar esse meu discurso, recorro a este pensamento: O Rio. Para se proteger ou salvar o seu patrimônio, você constrói um dique. Em breve, porém, as águas ficam lodosas e pestilentas. Só as formas mais repulsivas de vida conseguem viver nessas águas estagnadas; nada trafega sobre elas, todo o comércio fica interrompido. Destrua o dique. A água flui e circula, gera abundância, riqueza e poder em círculos cada vez maiores. O rio deve causar inundações periodicamente, para que boas coisas possam florescer.
Portanto não tenho dúvida, neste dia 29 de outubro de 2006, colocarei o medo da mudança de lado e entregarei o destino deste nosso promissor, mas estagnado estado do Pará, nas mãos de uma mulher, confiando na força de uma guerreira, para verdadeiramente, alavanca o potencial de um estado tão rico e seu povo, não menos guerreiro, mas pobre.

Pedro disse...

Escreves muito bem, mas sem nenhum dado que possa ser levado a sério. onde estao as provas do dizes? Pra mim nao passa de informaçao falsa afim de ludibriar estudantes. E deve ter até funcionado, infelizmente estamos nas maos dos corruPTos agora..