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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Carta aberta aos eleitores de Éder Mauro e de Zenaldo





Eu queria conversar com você, que odeia as esquerdas, apoiou esse golpe que afastou a presidenta Dilma e até votou no Éder Mauro ou no Zenaldo, pra prefeito de Belém, no primeiro turno.

Sei que não temos nada em comum, em termos políticos.

Mas penso que isso não pode impedir a gente de conversar, principalmente quando o que está em jogo é essa cidade que tanto amamos.

O que você vai escolher, nestas eleições, é apenas um administrador para Belém, pelos próximos quatro anos.

E é isto que tem que pesar, principalmente, na sua decisão: a competência administrativa do candidato.

Portanto, esse negócio de ficar dizendo pra você não votar no Edmilson só porque ele apoiou a Dilma, não passa de papo furado: é uma tentativa de lhe enganar, arquitetada pelo Orly Bezerra, que é o marqueteiro do Zenaldo.

O mesmo Orly, que foi o marqueteiro do Duciomar e enganou toda a Belém, nas eleições de 2008 – ou você já se esqueceu daquela propaganda enganosa e do resultado dela?

Não vou lhe dizer que o Zenaldo é um sujeito ruim.

Muito pelo contrário: o Zenaldo é um sujeito que sempre se preocupou com as pessoas mais pobres.

Além disso, é um político raro, porque, mesmo depois de décadas de política, nunca se ouviu falar que andasse envolvido em maracutaias.

Mas o problema é que nada disso importa, neste momento: a simpatia do Zenaldo, aquele sorriso maravilhoso que ele sempre tem no rosto, a honestidade dele, a preocupação sincera com os mais pobres.

O que realmente importa é que o Zenaldo já demonstrou, nestes quatro anos, que não tem competência para administrar Belém.

E você, caro leitor, sabe disso tão bem quanto eu.

Porque, cada vez que sai de casa, você dá de cara com ruas imundas, esburacadas e até alagadas.

Dá de cara com seres humanos tratados pior do que bicho, nas unidades de saúde.

Dá de cara com praças abandonadas e prédios históricos destruídos.

Dá de cara com um trânsito caótico, que é capaz de tirar do sério até a mais paciente das criaturas.

E, sobretudo, dá de cara com essa violência aterradora, que nos leva a viver trancados, atrás de grades e cadeados.

É essa a Belém de verdade na qual você vive – e não essa Belém toda “bonitinha”, da propaganda da TV.

E a grande pergunta é: você aguenta mais quatro anos de uma Belém assim?

Há cinco anos, mudei-me de Belém, onde nasci e vivi por quase 50 anos.

Vim morar em Ananindeua, que, por incrível que pareça, ainda está menos pior do que Belém.

No entanto, a minha filha casou e voltou pra Belém. E eu vivo numa angústia danada, por causa da segurança dela.

A sensação que tenho, cada vez que vou a Belém, pra visitar a minha filha ou pra trabalhar, é que a nossa cidade bateu no fundo do poço, depois de oito anos de Duciomar, e quatro de Zenaldo.

Simplesmente não dá mais pra Belém continuar assim.

Simplesmente, não dá.

Quem me conhece sabe que não morro de amores pelo Edmilson.

Já até votei no Duciomar, pra não votar no Ed.

Aliás, fui até pra rua, toda vestida de amarelo, pra fazer campanha pro Dudu.

Essa não é uma coisa de que me orgulhe, não. Pelo contrário: é uma soda cáustica na minha biografia, digamos assim.

Mas estou lhe contando isso só pra você saber o quanto já fui cega, fanática, com essa história de partido (na época, era alucinada pelo PSDB).

E é por isso, também, que resolvi fazer esta postagem, pra que você perceba que nenhum partido vale a entrega da nossa cidade, nas mãos de alguém que não tem competência para administrá-la.

O Edmilson é o “candidato dos meus sonhos”? Nem perto disso.

É verdade que, da mesma forma que o Zenaldo, o Edmilson é um sujeito honesto, trabalhador e preocupado com os mais pobres.

No entanto, o Edmilson também é um sujeito autoritário, antipático, demasiado partidário; um sujeito que não consegue nem rir, de tanto que vive encruado com essa história de luta de classes... Além disso, ele tem um “quê” de birutice, andando por aí num fusca velho, apesar do salário que recebe como deputado.

Mas é inegável que o Edmilson é um administrador muito melhor do que o Zenaldo.

E se você tem mais ou menos a minha idade (vou fazer 56), deve se lembrar de como Belém era muito mais bacana, na época do Edmilson.

Com muito menos dinheiro do que a prefeitura tem hoje, o Edmilson saneou e asfaltou áreas paupérrimas, no Jurunas e Cremação, por exemplo, nas quais nenhum prefeito colocara nem mesmo uma carrada de aterro. Fez o pronto socorro do Guamá (sem precisar de incêndio) e melhorou a atenção básica na periferia, que é o grande nó da saúde pública. Revitalizou o Ver o Peso e deu uma guaribada geral nas nossas praças, que até ganharam serestas. Fez ciclovias e deixou Belém muito mais humana, arborizada, limpa e iluminada.

As duas administrações dele foram só flores? É claro que não! Também teve muita doidice, como aquela tal de “escola-circo” e esse viaduto famoso, que vai do nada pra lugar nenhum.

Mas você há de convir que perto do BRT e do inferno em que se transformou Belém, com a dupla “Dudu e Zezé”, as despirocadas do Edmilson não passam de café pequeno.

Além disso, como o Edmilson era do PT e o governador era do PSDB, os dois ficavam disputando, pra ver quem fazia mais por Belém, que viveu, digamos assim, uma “época de ouro”.

E essa foi, aliás, outra enganação na qual Belém caiu, em 2012: achar que esse negócio de governador e prefeito do mesmo partido seria bom pra cidade.

Pelo contrário: o que a gente viu, nesses quatro anos, é que o Jatene deitou e rolou, pelo fato de ter um prefeito do PSDB, na capital.

Porque aí não houve quem o peitasse, para frear essa violência que tomou conta de Belém.

E não houve quem o peitasse, também, para obrigá-lo a melhorar a saúde, no interior, e evitar essa leva de pacientes, que entopem os prontos socorros da capital.

A verdade, caro leitor, é que nenhum prefeito do mesmo partido de um governador preguiçoso, incompetente e desonesto, como é o Jatene, conseguirá fazer alguma coisa por Belém.

E o fato de o Edmilson ter votado a favor da Dilma, mesmo quando a maioria esmagadora estava contra ela, só demonstra o quanto ele é firme e corajoso, na defesa daquilo em que acredita. É o sujeito certo, na hora certa, pra confrontar o Jatene e obrigá-lo a sair dessa inércia.

Por isso, acho que você tem que ser muito frio, pragmático, neste segundo turno.

Porque a escolha é a seguinte: ou um sujeito antipático, quase insuportável, como é o Edmilson, mas que consegue colocar ordem nesse caos que é Belém; ou um sujeito simpático, bacana, como é o Zenaldo, mas que, infelizmente, não tem vocação nenhuma pro Executivo.

O Zenaldo é bom no parlamento, fazendo projetos, negociando com os deputados, ajudando entidades. Mas quando se trata de comandar uma prefeitura, Deus nos livre e guarde.

Portanto, esqueça esse negócio de Dilma, Lula, PT, PSDB, impeachment, golpe: o que você vai escolher é simplesmente um administrador pra Belém.

É o sujeito que vai mandar recolher o lixo, limpar os bueiros, organizar o trânsito e os postos de saúde, guaribar praças e escolas, tirar animalzinho abandonado das ruas, melhorar a iluminação pública, fazer saneamento e melhorar a nossa qualidade de vida.

É só isso que faz um prefeito: administra a cidade.

Mas esse “só isso”, se for bem feito, terá um impacto enorme pra diminuir essa angústia em que você vive hoje.

Esquerda, direita ou partido político algum vão lhe safar, se um bandido lhe apontar um “três-oitão”.

E a Belém que você escolher nas urnas, é ela que você terá.

FUUUUIIIIIII!!!!!!  

2 comentários:

Luiz Mário de Melo e Silva disse...

A campanha eleitoral é como se fosse o momento de apresentação da mercadoria que, depois de comprada e aberto o pacote, pode ter gato por lebre ou peixe podre. Dito isso, podemos avaliar quem realmente dá as cartas: o sujeito eleito ou o partido, que bancou sua campanha. Partindo dessa premissa, podemos dizer que há partidos que fazem a festa e douram a cereja enquanto o bolo apodrece. Os exemplos estão às claras, com os bons-moços, diga-se!

luiz carlos disse...

cada vez que leio um artigo escrito por um petista tenho Mais convicção que odeio e Muito a Esqueda Não sou de direita mais aprendi a odiar esse discurso furado do século passado