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segunda-feira, 30 de julho de 2012

A alquimia pode transformar o BRT de Belém em porcaria pública. Por José Carlos Lima



Meu amigo chama o prefeito Duciomar de alquimista. Por que alquimista, perguntei? Tudo nas mãos da administração dele, inclusive coisas positivas,  tende a virar problemas para a cidade.

É o caso do BRT, um excelente sistema de transporte de massas pensado por Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, para ser uma alternativa bem mais barata ao caríssimo metrô. 

O BRT é um sistema de transporte vantajoso sobre os demais. Chega a custar até 20 vezes menos que os transportes de massas sobre trilho.

Em Curitiba e Bogotá o BRT foi pioneiramente implantado e funciona perfeitamente, tanto que está sendo copiado e implantado em cidades de quase todos os continentes. 

Ele ainda tem a vantagem de poder ser implantado por módulos e adaptado a cada realidade. 

O BRT ajuda a integrar os diversos modais, incluindo a bicicleta e o barco.

Duciomar fez a escolha certa quando optou pelo BRT, mas seus dotes de alquimista estão colocando o sistema em risco, com possibilidade de graves prejuízos para o povo de Belém.

Pelo andar da carruagem, Duciomar está correndo para entregar apenas um trecho da obra, deixando o resto e os problemas para a próxima administração.  

O prefeito faz a obra deixando de considerar as pessoas e a boa técnica, pensando apenas no calendário eleitoral da sua sucessão.

O rol de desacertos do BRT inclui problemas com a licitação, desacerto com o Estado, financiamento, cronograma da obra e problemas técnicos.

A licitação internacional está repleta de questões controversas, com graves suspeitas de irregularidades, tudo aguardando uma decisão do Poder Judiciário.

O BRT que a prefeitura adotou e o BRT desenhado pela agência japonesa JICA em colaboração histórica com o Governo do Estado (por falar em Governo do Estado, até agora o projeto estadual não saiu das pranchetas das agências de propaganda...) não era o mesmo. Os dois projetos, aliás, até se chocavam em muitos pontos. 

O BRT que o Estado estava negociando e que até já tinha financiamento garantido integrava toda a região metropolitana. 

Isso porque o sistema de transportes de Belém não funcionará isoladamente. As pessoas moram em Ananindeua, Marituba, mas trabalham em Belém. Por isso, dependem do transporte que circula na nossa cidade.

O prefeito Duciomar, querendo desconhecer essa realidade, tratava apenas do transporte em Belém. 

A polêmica entre Governo e Prefeitura impediu o inicio da obra. 

Foram necessárias várias rodadas de negociações até que um acordo fosse celebrado entre as partes, ficando cada um com um pedaço do projeto.

A Prefeitura de Belém ficou com a Augusto Montenegro e com a Almirante Barroso, do Entroncamento até São Braz. O Estado ficou com a BR 316. 

Mas até hoje ninguém explicou aos passageiros que vierem dos outros municípios como eles farão para entrar nos ônibus do BRT depois do Entroncamento. 

Descerão em um terminal e pagarão outra passagem? 

Vocês que fizeram o acordo, nos expliquem, merecemos ser informados.

Duciomar anunciou, e até mostrou em propaganda, que o Governo Federal estava apoiando e aprovando o seu projeto, mas a verdade é que até agora o Governo Federal não liberou uma só parcela de recursos para a implantação do BRT Belém. 

Duciomar deixará a dívida para o próximo prefeito logo no início do próximo mandato?

Os dois pontos mais preocupantes dessa polêmica ação do prefeito Duciomar são, sem dúvida, o cronograma e os detalhes técnicos do projeto. 

O final do mandato e o tempo da obra teimam em não se coadunar. 

Todos os que observam o ritmo  das obras na Almirante Barroso e na Augusto Montenegro e o comparam ao tic tac do relógio do mandato percebem que não haverá tempo para que a obra fique pronta como deve ser, no curto espaço que resta para que Duciomar desça as escadarias do Palácio Antonio Lemos.

Duciomar vai criar um cenário de obra pronta e inaugurá-la apenas para favorecer seu candidato, fazendo-a funcionar uns poucos dias antes das eleições. 

E, depois do dia 07 de outubro, o sistema terá as suas operações interrompidas para consertar os erros oriundos da irresponsabilidade eleitoral.

É possível concordar com tamanha irresponsabilidade?

No caso dos detalhes técnicos, a coisa é mais grave, pois pode significar a cruz que o povo de Belém irá carregar pelo resto da vida. 

O BRT só funciona bem se for construído atendendo a regras técnicas oriundas de erros e acertos cometidos em Curitiba e Bogotá, que serviram a estudos dos quais surgiram soluções que não podem ser desprezadas agora.

A sociedade  belemense, que vai pagar a conta final do BRT, tem o direito de exigir que os pontos obscuros dessa obra sejam esclarecidos urgentemente.

E quais são esses pontos?

O sistema é aberto ou fechado?
Usará troncos alimentadores ou serviços diretos?
Utilizará o serviço expresso ou o de paradas reduzidas?

Capacidade e velocidade são as características que o colocam o BRT à frente dos sistemas de ônibus convencionais. 

Mas, para ser eficiente, o sistema deve atingir metas mínimas de capacidade e velocidade.

1. A capacidade ideal é de 13000 passageiros por hora e por sentido;
 2. A velocidade média é de 23 a 39 quilômetros por hora.

Para conseguir um sistema de alta capacidade e de alta velocidade é necessário que o BRT garanta:

Múltiplas posições de paradas nas estações;
Serviços expressos e de poucas paradas;
Veículos articulados com múltiplas portas, portas largas;
Pagamento e controle de pagamento fora dos ônibus;
Plataformas de embarque em nível;
Bons espaços nas estações.

Será que o BRT do Prefeito alquimista atenderá a essas especificações necessárias? 

Para esses e outros esclarecimentos não será possível contar com a fiscalização da Câmara Municipal de Belém, composta, na sua maioria, de vereadores subservientes, que não honram o mandato que o povo lhes concedeu. 

Com exceção dos poucos vereadores aguerridos da oposição, os demais sempre estiveram contra os interesses dos eleitores de Belém.

A nossa única salvação é a imprensa, isso se ela resolver nos ajudar.

A imprensa séria, comprometida, investigativa, bem que poderia perguntar, investigar, debater, antes que Duciomar opere a química e nos deixe de herança uma bela e caríssima porcaria pública.


3 comentários:

Osorio Pacheco disse...

O Dulciomar está fazendo do BRT seu passaporte para futuras investidas políticas.
A pressa até poderá causar alguns dos problemas elencados pelo Zé Carlos.
Entretanto, quem é esse oportunista do Zé Carlos, para dizer qualquer coisa do Dudu, de onde ele já se fartou.
Não sou partidário do Dudu, mas o Zé Carlos é muito pior que ele e não tem oral para critica-lo.

Mestre Chico Barão disse...

BRT “BELEM RECICLA TRANSTORNO”


Essa do BRT só na base da mágica afinal para existir uma única estação de embarque e desembarque ao longo da Almirante Barroso só se o RR ( Refugo de Reciclagem) utilizar as PASSARELAS como acesso!

Porque o BRT não utilizou as laterais em vez do centro da via?

Porque o BRT não utilizou a Almirante na ida e João Paulo na volta evitando redução da Almirante e João Paulo ao demolir os canteiros centrais e usar o espaço lateral mantendo as mesmas plataformas de escoamento?

Onde é o maior gargalo para quem vai pela Almirante ao centro ?

Qual é o custo de implantação de transporte fluvial saindo do Mosqueiro passando por Icoaraci e indo até a Ceasa?

Só espero que o estado utilize a João Paulo desde a Alça Viária evitando usar a BR!

Perguntas para quem de direito “Cadê as estruturas metálicas do antigo Iate Club, quem esta explorando financeiramente embarque e desembarque na área do Iate!

Será que ninguém com poder de fazer algo para impedir tais situações constrangedoras não sente nojo de si ao permitir ações desse tipo?

Graças ao meu bom Deus isso esta chegando ao FIM !

MCB

Anônimo disse...

Ana Célia acreditando na sua responsabilidade jornalistica e honestidade com os fatos, gostaria de alertar para a farra que está ocorrendo no TCM. Tudo para eleger o fiho do presidente vereador em Belém. Se tiver uma fonte lá dentro busque saber. Parabéns pelo trabalho.