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sábado, 27 de novembro de 2010

Ping-pong Jader IX: “Eu sou cristão; a reconciliação, para mim, é um ato de quem é cristão”


Perereca: O senhor acha que havia uma articulação política. Naquela época, o governador era o Almir Gabriel. E, no entanto, o senhor agora aceitou o apoio dele ao PMDB. O senhor o recebeu!... E agora está de novo nos braços dos tucanos. Isso não é uma contradição?
Jader: Veja bem: o que foi que ocorreu naquele ano? Eu fui candidato a deputado federal e fui o mais votado, proporcionalmente, do Brasil. Qual foi a resposta do povo do Pará? De que serviu a violência? Agora, não vou responsabilizar pessoas que eu desconheço se tiveram participação ou não na construção daquele episódio; não vou. Também não trabalho de forma preconceituosa. Eu sou um cristão; a reconciliação, para mim, é um ato de quem é cristão (risos). Afinal de contas, não tenho ódio no coração. E não trabalho com o fígado: trabalho com a cabeça, com o raciocínio e com o sentimento de construir.  Então, não faço como as mulheres de Sodoma e Gomorra: não faço política olhando pra trás. E não tenho postura preconceituosa. Se há pessoas preconceituosas – e eu acho que esse é um dos maiores defeitos do ser humano, o preconceito, porque é um julgamento antecipado e quase que invariavelmente injusto. Principalmente no processo político, em que você condena o adversário e depois arma a acusação. Aliás, há uma bela página de Rui Barbosa sobre o julgamento de Danton, no tribunal revolucionário. Ele diz que, no processo político, a primeira providência não é o processo em si, mas, a condenação – depois se arma o processo, depois se inventam as acusações. Como se inventou em relação a Danton – que ele estava negociando a restauração da Monarquia, ele que havia sido um dos grandes líderes revolucionários. E ele foi parar na guilhotina. Ainda bem que, no momento atual, não há guilhotinas... (risos). As violências que praticaram em relação a mim, não incluíram a guilhotina (risos)... Então, eu quero dizer pra você que isso não, absolutamente. Eu sou um homem conciliado comigo. Porque acho que a primeira preocupação que um ser humano deve ter é estar conciliado consigo. E com um detalhe: sinto que o povo do Pará continua conciliado comigo. Então, é aquela história do provérbio árabe: enquanto a caravana passa, que os cães continuem ladrando (risos).  

(continua)

       

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