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terça-feira, 3 de julho de 2007

Crise II

A crise nos quartéis (2)

I

Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, na aposentadoria, a toque de caixa, de 12 coronéis da Polícia Militar do Estado.

Fonte petista garante que foi o próprio governo a criar o boato da iminência de um decreto, que revogaria o adicional de inatividade dos militares paraenses.

O problema é que o governo já não sabia o que fazer para se livrar desses oficiais, quase todos ligadíssimos aos tucanos e com uma mentalidade muito distante daquela que se pretende estimular na PM – a de uma polícia mais cidadã.

Além do que os coronéis teriam chiado ante a mera possibilidade de se mexer no adicional, o que ainda está em estudos e não será consumado antes do ano que vem – se for.

Daí a decisão do governo de criar o boato. “Foi uma estratégia arriscada. Só que os oficiais alinhados conosco, ajudaram a isolar os coronéis” – observa a fonte. “Eles (os coronéis) contavam fazer um movimento massivo, para levar o governo a recuar”.

E completa, ao lembrar os pedidos de aposentadoria, apresentados em bloco, na quinta-feira passada, por esses oficiais: “Eles deram uma cartada para pressionar, mas ficaram sós”.

Para a fonte, “são muito favoráveis os ventos de mudança na PM”, a partir da ascensão de oficiais mais jovens. “O que desejávamos era uma renovação. Precisamos criar uma nova geração na PM, para torná-la mais próxima da comunidade”.

Pouquíssimas pessoas do governo sabiam dessa estratégia, para conduzir os velhos coronéis em direção ao pijama. “Até porque” – observa a fonte – “o sucesso dela dependia do sigilo absoluto”.

Agora, acrescenta, o governo vai estudar, com toda a calma do mundo, se mexe ou não no adicional de inatividade. “Nem sabemos, ainda, se vamos retirar ou reduzir. Mas, o que quer que façamos, só valerá à pena se pudermos, de fato, reverter esses recursos em benefício dos militares que se encontram na ativa”.


II

A grande incógnita que permanece, em toda a história, é quanto à participação – ou não – do comandante-geral da PM, coronel Luiz Ruffeil, na tentativa de seus camaradas de pressionar a governadora.

Ninguém tem dúvidas – nem no governo, nem entre a jovem oficialidade – de que Ruffeil participou, de fato, da fatídica reunião da manhã da quinta-feira, na qual os coronéis teriam traçado as estratégias para pressionar Ana Júlia: além da ameaça de aposentadoria em bloco, a disseminação da boataria acerca de uma debandada maciça da tropa, que teria atingido, naquele mesmo dia, mais de mil homens.

Para integrantes do governo e alguns oficiais é possível que Ruffeil tenha sido, simplesmente, chamado a participar do encontro.

Até porque, apostam jovens oficiais, o verdadeiro sentimento do comandante, neste momento, apesar da solidariedade aos demais coronéis, deve ser de alívio.

Oficiais superiores relatam que os antigos coronéis vinham “peitando”, sistematicamente, o comandante-geral, por ser mais jovem e possuir menos tempo de patente.

Ruffeil, desde janeiro, estaria até conseguindo ensaiar um sapateado básico de catita. Mas as afrontas seriam tantas, que já teriam extrapolado as reuniões do alto comando, para se espalhar entre oficiais que nem participam delas.

“Eu acho até que o comandante estava esperando por isso (a aposentadoria desses coronéis). Os antigões estavam dando muito trabalho, contestando algumas coisas do governo. O comandante dava uma ordem e eles, por serem mais antigos, contestavam, apesar da hierarquia” – revela um oficial.

“Eles estavam peitando, não estavam querendo aceitar ordens dele (de Ruffeil). Apesar do comandante ser uma pessoa muito tranqüila, eles estavam até tentando boicotá-lo” – acrescenta outro militar.

Entre os oficiais superiores – da ativa e da reserva – ouvidos pela Perereca, não houve nenhum que se mostrasse descontente com a aposentadoria desses coronéis – muito pelo contrário.

Uns manifestavam euforia diante da agilidade da governadora, em fazer publicar os pedidos de baixa, para torná-los irreversíveis. “Foi The Flash” – disse, rindo, um deles.

Outro, que demonstra indisfarçável simpatia pelos governos tucanos, chama a atenção para o fato de esses coronéis insistirem em permanecer na ativa, apesar de ganharem mais, em tese, na inatividade. “Tem um deles que já estava há 38 anos na PM. O salário de coronel, que é de R$ 7 mil, aumenta, na reserva, em 50%. O que o levava a continuar?” – indaga.

Todos acharam muito boa a aposentadoria, que, ao desafogar o topo, permitirá tão sonhadas promoções, nos vários níveis da hierarquia.

E alguns, ao contrário dos velhos comandantes, já até suspeitavam que a boataria do decreto não passava de uma estratégia do governo, para obrigar os “antigões” a, finalmente, vestirem o pijama.


III

Um oficial da PM chama a atenção, também, para a impossibilidade temporal de algum desses coronéis ser ligado ao ex-governador Jader Barbalho – ou “jaderista”, como chegou a ser noticiado por um jornal local.

É que o tempo máximo de permanência, no posto de coronel, é de oito anos. E os mais antigos nessa patente emplacariam esse tempo, segundo um oficial, apenas em 25 de setembro de 2010. “Quer dizer, todos foram subindo e chegaram a coronel nos governos de Almir e Jatene” – observa.

Almiristas, jatenistas, jaderistas, petistas ou o que quer que valha, o fato é que os coronéis demonstraram uma incapacidade estratégica acachapante.

E sobre isso você pode ler no post abaixo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Que ao final dessa "paelha", os PMs que dioturnamente arriscam suas vidas em favor da sociedade, e na medida do possível combatem a violência e a criminalidade gerada pelos sucessivos desgovernos públicos... Enfim, q ao final não prejudiquem a tropa no seu soldo.

Pois nada está tão ruim q não possa ficar pior. E se a PM parar, o bicho vai pegar!!!

Eduardo André Risuenho Lauande disse...

ESsa é Perereca que eu gosto!!!

Anônimo disse...

Pergunta:
Será q esse governo do PT gosta da PM? ou se importa com o bem estar dos policiais? Com o futuro da Instituição? Desde quando?

Resposta:
Não conheço nenhuma corporação militar (federal ou estadual) que tenha melhorado, muito pelo contrário, com governos do PT.

Afirmação:
O PT vai delapidar a PM, sacanear os PMs e gerar o caos! Talvez isso seja até bom pra PM.