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domingo, 23 de julho de 2006

Eu, em xeque!

Uma Carta de Amor


Que coisa estranha essa, que derramas à tua passagem!
Um delírio, um sortilégio... Que é isso, afinal?
Reviro toda a poesia e nada há que a defina.
Dou de ombros. Não... As palavras não podem expressá-la!...
Talvez, nem mesmo o peito.
Que ela não palpita e nem dói...

A que, então, compará-la?
À luz? Sim!... Mas, não à luz como a vemos.
Quem sabe, assim, a uma transluz...
...À idéia para além de tudo o que há!
A desvendar o sublime, em cada canto do mundo!

Não, não...Incompreensível e dramático demais.
Não há dor. Já te disse que não há dor...

Ah, já sei! Ao concreto!
Aquilo que os corpos entendem.

E aí eu poderia dizer-te que essa coisa que derramas
Eu quisera transpirá-la em cada poro
Em cheiro, em saliva, em suor...

Não, não...Demasiado lascivo... Grosseiro, até.

Mas que será dos corpos, para além da obscenidade?
Duma necessidade fisiológica, que nada pode santificar?

...Vês? Esse teu mistério vai dar em Metafísica!
Inapelavelmente!...

E eu me pergunto onde começas e findas.
Por que em ti se concretiza tudo o que pode haver.
Do caos à eternidade.
Do ventre que se abre, à terra que recebe...

Mas deixemos a Filosofia aos filósofos e a Poesia aos poetas.
Que esses têm musas, em lugar de coração.

E eu sou, apenas, aquela que tenta descobrir o que é isso que derramas.
E que revela magia em tudo o que é comum.

À tua passagem, as flores são para além das flores.
Aliás, floresce um mundo inteiro!
Aliás, um universo inteiro!
Com mundos e mundos e mundos a desvendar!

E o perfume que impregnas em tudo o que tocas
É a essência de tudo o que vive.
Por ele, a alma suspira, como se fora ao encontro de Deus!

Não, não... Novamente, dramático.
E eu insisto: não há dor!

É uma exegese, uma tese...Uma verdade!...

A minha mente (lúcida) a tentar apreender o Absoluto.
O Absoluto, que és tu, afinal!...

(Posso dizer-te algo, entre nós dois: és uma pessoa muito lamentável! Não mereces o poema que estava tentando fazer-te, quando me interrompeste. Assim, transcrevo até aonde fui) FUUUUUIIIIIIII!

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