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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Documentos de Lauro Sodré compõem acervo raro do Centur e estão à disposição do público.


Guardadas em pastas na seção de obras raras da Biblioteca Pública Arthur Vianna, no Centur, um punhado de cartas – repletas de letras quase desenhadas – retrata fatos sociais, pessoais e políticos da passagem do século XIX para o século XX. Fatos relatados por um dos principais personagens da história paraense, o político Lauro Sodré.

São 145 cartas escritas por Lauro Sodré e 62 outros volumes de materiais diversos (como recortes de jornais e cartas recebidas pelo político), todas disponíveis para consulta do público e boas opções para pesquisadores e estudiosos que queiram conhecer um pouco mais da vida deste personagem marcante da história paraense e brasileira. 

Além dos manuscritos pessoais, a seção de obras raras também guarda 1.450 livros que pertenceram à biblioteca de Lauro Sodré.

As cartas e recortes de jornais datam de 1895 a 1933, período inicial da República brasileira, e abordam desde temas pessoais até comentários sobre a situação política do país. 
 
Outras cartas tratam de assuntos pessoais, a maior parte destinada ao amigo “Doutor Luiz Barreiros”, que recebe constantemente orientações políticas de Lauro Sodré, como a recepção de um ilustre pianista na cidade, ou é correspondente de temáticas como a construção da Estrada de Ferro de Bragança.

Lauro Nina Sodré e Silva nasceu em Belém, em 17 de outubro de 1858. 

Caçula de cinco irmãos, veio de uma família pobre e humilde. 

Estudou no colégio Lyceu Paraense, com atuações na revista ginasial “Esperança” e no jornal “A regeneração”. 

Orador e discursador em comícios estudantis, já esboçava, desde jovem, traços do político que seria futuramente aclamado pelo povo paraense.

República - Pela origem humilde, não pôde ingressar em uma das poucas faculdades de direito existentes no Brasil na época, trilhando então o caminho que muitos jovens de origem pobre seguiam: a vida militar. 

Aos 18 anos, no ano de 1876, Lauro Sodré alista-se no 4º Batalhão de Artilharia, quando ainda faltava mais de uma década para que os vultos da mudança republicana tomassem as rédeas do país.

No entanto, os ideais republicanos e positivistas que marcariam uma geração de jovens militares brasileiros chegaram a Lauro Sodré ainda na época que em ele cursava a Escola Militar, localizada em Praia Vermelha (RJ), por meio das aulas do professor Benjamin Constant.

Esse contato inicial com o republicanismo faria de Lauro Sodré um defensor ferrenho desses ideais (como é visível na carta escrita por Floriano Peixoto): Sodré foi, por exemplo, um dos fundadores do Clube Republicano, em Belém, em abril de 1986, juntamente com Justo Chermont e Paes de Carvalho, dentre outras figuras históricas.

O político fez parte da Constituinte Nacional, como deputado pelo Pará, responsável pela criação da Constituição de 1981, primeira carta magna do Brasil republicano. 

Aos 33 anos, foi eleito o primeiro governador constitucional do Pará, em 24 de junho de 1891, após a Promulgação da Constituição do Estado.

Lauro Sodré governou o Pará por cinco anos, sete meses e oito dias, e foi um dos governadores contrários ao golpe de Estado aplicado por Deodoro da Fonseca, logo no primeiro ano da República. 

Por essa linha ideológica, torna-se próximo politicamente e amigo do sucessor de Deodoro, o presidente Floriano Peixoto.

Ao fim de um governo marcado por uma grande aprovação popular e por uma “arquirrivalidade” com Antônio Lemos, Lauro Sodré declara: “Ato meu nunca levou a dor e a humilhação aos lares de minha terra”, como descreve o historiador Ricardo Borges, no livro “Vultos notáveis do Pará”. 

O político morreu em 16 de junho de 1944.

Serviço:

As cartas de Lauro Sodré e os livros da biblioteca pessoal do político estão disponíveis ao público na seção Obras Raras (terceiro andar do Centur), da Biblioteca Pública Arthur Vianna.

Contato: 3202-4344.

(Fonte: Ascom FCPTN/Hélio Granado)

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