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domingo, 17 de maio de 2009

Priante I



Após a entrevista do Priante na Rádio Tabajara (e que veículo de comunicação bacana é aquele!) ficaram-me várias impressões que estou a “ruminar” (até porque, naquela entrevista morna, creio que foram deixadas de lado várias coisas que é preciso, enfim, dizer)




Estou enrolada com o trabalho, com uns “freelas” bem bacanas. Mas, mesmo assim, comecei a escrever alguma coisa sobre essa entrevista, o que espero postar amanhã ou depois.





Pra já, gostaria de deixar um desagravo à auditora geral do Estado, Tereza Cordovil.




Não tenho procuração de ninguém para isso e já faz muito tempo que não falo com ela.




Mas, apesar de ninguém ter me pedido e de alguns até poderem olhar com desconfiança o que vou dizer, quero deixar registradas algumas cositas.





O que me ficou da doutora Tereza, do parco relacionamento que tivemos no passado, foi a imagem de uma técnica muito, muito competente e, sobretudo, honesta.




Uma pessoa pela qual eu meteria a mão no fogo – e num meio como esse, em que, dificilmente, a gente pode dizer isso de alguém...




Lembro de uma entrevista que fiz com ela, em 2007, quando a AGE ainda passava a limpo as gestões tucanas.




E Tereza me dizia da preocupação de terminar logo aquela tarefa; de parar de olhar para trás e começar, rapidamente, a olhar para a frente, para o governo que integra, já que a detecção precoce de “impropriedades” ainda é a melhor maneira de combatê-las e de evitar que se multipliquem.




De evitar, portanto, que recursos mal utilizados deixem os cofres públicos, aos quais, muito dificilmente, retornarão...




Por isso, até pela compreensão que demonstra em relação à importância de seu trabalho, dessa fiscalização, desse controle permanente que tem de haver sobre as ações do governo – de qualquer governo que seja! – Tereza Cordovil tornou-se, aos meus olhos, a melhor auditora geral deste estado; um exemplo a ser seguido pelos que vierem depois dela.




O problema é que esse tipo de trabalho, num país como o Brasil, e mais ainda num estado como o Pará, é pra lá de ingrato.




Porque as pessoas, os mandatários, os eleitores, os cidadãos como um todo não conseguem enxergar o Poder e a máquina pública como coisas que pertencem a todos.




Vêem tudo isso, antes, como extensão de um quintal qualquer; de um partido ou até de uma liderança que detém Poder.




Trata-se de uma cultura que está entranhada em nós.




E se a gente pegar a História do Brasil vai perceber que essa cultura já estava no nascedouro desta Nação: as estruturas públicas existentes, já então, foram paridas como um simples apêndice das famílias que dominavam o pedaço.





Mesmo hoje, com toda a enormidade que já avançamos em termos de Cidadania e Democracia, ainda continuamos a ver o Público, as estruturas e o dinheiro públicos, como coisa de que uns poucos cidadãos podem se apropriar.




Daí, também, que as pessoas não consigam entender muito bem esse trabalho de fiscalizar, de controlar a utilização da máquina pública.





Tudo o que é novo assusta, espanta.





E, numa democracia imatura como a brasileira, tende a ser visto por um viés político-partidário, quando, na verdade, o controle do Estado, dessa monstruosidade chamada Estado, está muito além de quaisquer disputas político-partidárias...





Tenho certeza que Tereza e a sua AGE não estão fiscalizando, apenas, os “espaços do PMDB”.





Tenho certeza de que essa fiscalização, até pelo perfil técnico de Tereza, está sendo realizada no conjunto dos organismos que compõem o Governo.





Sei, também, que, por isso mesmo, nem Tereza nem outros bons amigos da AGE me permitirão, alguma vez, ter acesso a tais relatórios...





É mais ou menos como me perguntou certa vez um jornalista, quando eu investigava o Hangar: “mas eles não te mostraram tais documentos?”





E eu respondi: “Mas aooooonnnnde!... Se eles fizessem isso, aí eu é que teria de perguntar pra eles: vocês andaram bebendo, é?”.





São informações públicas? São sim. Uma vez que a produção delas foi custeada com dinheiro público, dizem respeito ao uso do dinheiro público e a resultados de interesse público.





Mas, como diria o Gianotti, tão detonado pelo PT e pela Marilena Chauí por tal constatação, há uma zona cinzenta, na política, onde sobejam bicudas e catiripapos...





De sorte que seria ingenuidade, de ambos os lados, imaginar, hoje, tamanha acessibilidade a tais informações.





No futuro, talvez, quando todos estivermos mais habituamos à Democracia e à Cidadania...





E quando o “jogo”, e todo este grande cassino que é a política brasileira, girar em torno, de fato, do interesse coletivo...





Porém, mesmo isso, hoje, ainda é um grande sonho - tanto que a gente ainda tem de aprender o básico: a identificar os verdadeiros aliados.






E penso que, neste ponto, já consegui avançar um bocadinho.






Porque, apesar de estarmos em barcos opostos, consigo enxergar a doutora Tereza Cordovil como uma gigantesca aliada num projeto maior, bem maior que o simples revezamento entre tucanos e petistas.





E faço-lhe esse desagravo pelo muito que essa cidadã extraordinária tem sido massacrada, até pela imprensa, que deveria era apoiar o trabalho que vem fazendo.





Aos poucos, naquele passo de formiguinha que sabe até aonde pode ir com o peso que carrega nas costas, Tereza tem conseguido dar a AGE a real dimensão que a AGE precisa ter num governo democrático.





Já conseguiu, para a AGE, uma nova sede, a nomeação de vários auditores concursados, a ampliação orçamentária, a montagem do Portal da Transparência e por aí vai.





E eu penso: infeliz do governo que imagina que não precisa ser auditado, avaliado, acompanhado, controlado pari passu pela sociedade...





(E aqui eu me refiro especificamente a tucanos e petistas, que são, de fato, os governos que me importam, que me interessam!...)





Infeliz do Governo que imagina que não precisa se conhecer, e especialmente aos próprios erros, para, enfim, melhorar!




E é por isso que volto, aqui, a louvar a minha xará – o que não significa, obviamente, que vou deixar de pegar no pé dela...





A informação que tenho, dos poucos amigos petistas que me restaram, é que Tereza Cordovil goza da confiança da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa.





E eu penso: ponto (e ponha ponto nisso!) para a minha xará, pela inteligência de perceber que, na posição em que se encontra, é bem difícil desencavar preciosidades como a doutora Tereza Cordovil.





Ponto para a minha xará, que quer saber, de fato, em primeira mão, de tudo o que acontece na imensidão do Estado que comanda.





Até para poder corrigir. Até para poder acertar.






FUUUUUIIIIIIII!!!!!



15 comentários:

Anônimo disse...

Prezada jornalista Ana Célia, são belas as suas palavras em relação à titular da Auditoria Geral do Estado. Contudo, não ficam claras as razões para ausência da AGE em relação a diversas irregularidades óbvias ocorridas nesta gestão estadual. Pelo menos, o que é publicado (à conveniência de quem? obedecendo que critério para publicação na mídia?) dos relatórios da AGE. Por exemplo, somente quando o diretor exonerado do IML criticou o próprio governo, apareceu parte de um relatório da AGE, apontando irregularidades passadas na gestão do referido diretor; do mesmo modo seletivo, a direção demissionária (por litígio bas relações PMDB-PT), logo mereceu a publicação de um "devastador" relatório de "irregularidades" feito pela AGE. Diga-se, com destaque, "irregularidades" essas que são as mesmíssimas que ocorrem na Santa Casa e muito menores que os absurdos que ocorrem no Hospital Regional de Santarém. Daí que achei seu texto belo, mas de conteúdo confuso, como aliás, é o governo da sua xará...

Anônimo disse...

Ana, você não deixa de ter razão, mas não achei depreciativa as colocações do Priante a Tereza Cordovil, creio até que ela deve estar arrepiada com tantas Diabruras cometidas pelos Cumpanheiros do PT, mas também creio que embora sua intimidade com a Ana, jamais teria a permissão de divulgar Auditorias feitas na SEDUC, na Bila Galo, e no Hangar , na Cumadre PHD Joana Pessoa. Quem dera para nós meros mortais que alguém nos brindasse com essas duas Auditorias nos Jornais, mesmo que fosse o do Lúcio Flávio, ai sim estariamos diante de um Governo Sério e não Cério como vemos .
Abs Aninha que não é a Carepa

Anônimo disse...

Ana um governo q usa de dois pesos e duas medidas não merece credibilidade.Sinto pela Sra Cordovíl,técnica competente mas q é pautada pelos interesses da DS,qnd apura apenas fatos de interesse do governo.Fica claro q a AGE aje de maneira direcionda,apurando fatos q visam tão somente chantagear parceiros aliados,nos diversos orgãos do Estado.Lamentável!!
Dick Facão

Anônimo disse...

Acho que suas palavras traduzem sua gratidão pelo fato da Sra. Tereza Cordovil,Auditora Geral do Estado, não ter divulgado as auditorias feitas nas contas da administração tucana da qaul vc Ana Célia é remanescente

Anônimo disse...

Vc deu uma escorregada na bola - defender a AGE...

Anônimo disse...

Elogiar a AGE... Sinceramente...

Anônimo disse...

Quando te elogio, vc publica; quando discordo, vc se nega a publicar o comentário. Que vergonha!

Anônimo disse...

Quando te elogio, vc publica; quando discordo, vc se nega a publicar o comentário. Que vergonha!

Anônimo disse...

Quando te elogio, vc publica; quando discordo, vc se nega a publicar o comentário. Que vergonha!

Anônimo disse...

Quando te elogio, vc publica; quando discordo, vc se nega a publicar o comentário. Que vergonha!

Anônimo disse...

Ei perereca, porque sua "amiga" não vai fazer uma auditoria no HANGAR? Ou investigar os kit´s? Pergunte a ela....e terá como resposta...não fui porque me mandaram não ir! Mas assim!

Charles Alcantara disse...

Querida Ana Célia,
O seu desagravo à Tereza Cordovil (Teka) é justo e oportuno.
Trata-se de uma extraordinária servidora pública e uma mulher admirável, proba e autêntica.
Abs,
Charles Alcantara

Anônimo disse...

Olha Ana, lhe admiro, desde a sua coragem até seu equilíbrio, mas francamente, até gosto da Dra Teka, mas ser elogiada pelo Charles Alcântara eu acho até uma ofença para ela . Esse sr não merece credibilidade nem nos elogios .
Jorge Silva

Anônimo disse...

E por falar em mudanças,
bem-vindo Sr. Secretário

Pena que seja tarde! Em um dos raros momentos de lucidez do “governo” Ana Júlia acontece a mudança no comando da Secretária de Governo. A SEGOV, órgão ambíguo, cuja missão não se sebe ao certo, desde o início do governo petista é uma grande confraria de militantes, digamos assim, ilustres. Sem dúvida que a cúpula desta Secretaria e seus prepostos deram uma contribuição significativa para a derrocada da administração petista no Pará. Cargos que deveriam ser preenchidos por gestores competentes e com credencial, dada a sua pretensa importância, foram entregues a apaniguados, sem nenhum gabarito, cujo conhecimento de administração pública é tão notório quanto o conhecimento que um néscio tem de física quântica.
A estrutura central da SEGOV é formada por Câmaras Setoriais, que supostamente deveriam atuar como articuladoras dos órgão responsáveis pela execução das ações de governo nas seis áreas estratégicas: Infra-estrutura, Desenvolvimento Sócio-econômico, Políticas Sociais, Sócio-Cultural, Defesa e Gestão. Acontece que, em alguns casos, o coordenador de Câmara é uma pessoas sem nenhum compromisso com o governo, que não conhece o mínimo necessário nem do geral, no que diz respeito a Administração Pública, muito menos daquilo que é peculiar a sua área. Que conhecimento um cantor de banda folclórica, por exemplo, tem para lidar com políticas e programas de governo voltados para a área de educação? O que faz um arquiteto canastrão na área de infra-estrutura. Um gringo meio bilolado e seus assessores não menos dementes na Defesa Social? E por ai vai...
Uma coisa é ser militante de um partido, outra coisa é ser um técnico competente, e a primeira situação jamais leva a segunda sem algum, ou melhor, sem muito esforço. A mudança de secretario por si só ainda não diz nada, vamos aguardar as mudanças que a mudança fará. Antes tarde do que nunca!

Anônimo disse...

Ana,
Ortega entrega o lugar não aguenta mais tanta pressão do PT paraense.
Assume Ainibal Picanço do IBAMA.