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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O retorno

Olá, gentalha!



I


Finalmente, estou de volta a Belém – à nossa amada, fantástica, inesquecível Belém.


Sei que essa foi, realmente, uma ausência prolongada. Por isso, até agradeço a insistência da gentalha extraordinária que freqüenta este cafofo.


Pelo que vi vocês continuaram entrando religiosamente na Perereca, né mermo? (Ah, o que não faz a força desse velho hábito, tão antigo quanto à humanidade...)


Muitos de vocês até cravaram comentários na Perereca, que, agora, vou tratar de postar.


Obrigada, gentalha! Vocês nem imaginam o quanto a atenção de vocês me envaidece!


(Embora eu continue achando que a insistência de vocês em entrar neste blog tem, sim, algo de subliminar...).


II


Foi bacana a campanha que coordenei, no interior do estado, onde o meu candidato – um sujeito pra lá de gente boa – acabou se elegendo com mais de 63% dos votos válidos.


Foi uma proeza e tanto, tendo em vista o quadro político: o outro candidato tinha o apoio da máquina municipal, do Governo do Estado e até do Barbalho-mor.


E eu, sinceramente, que até senti uma dor no coração pela minha xará!...


Afinal, ela, governadora do Estado, teve de pagar o mico de comparecer a um comício com menos de cem gatos pingados – entre bandeiretes deles, olheiros nossos e uns 50 passantes e moradores incomodados...


Aliás, que até me postei bem em frente ao palanque – coisa que nem era difícil, porque havia tão pouca gente que dava até pra dançar carimbó...


Mas, quis mostrar a minha xará que, pelo menos eu, estava a seguir atentamente o seu discurso. Sabe como é: é tudo uma questão de sensibilidade feminina...




III



Quanto ao Barbalho-mor, nos limitamos a veicular o depoimento que ele deu, em 2004, no qual rasgava elogios ao nosso candidato.


“Um jovem e competente empresário”, dizia ele, observando que bastava a população comparar a qualidade desse jovem com a “de quem já foi, de quem está junto, de quem é” – e o nosso oponente era um ex-prefeito, que estava aliado ao alcaide atual.


Quer dizer: mesmo passados quatro anos, o depoimento do Barbalho-mor parecia, incrivelmente, recém saído do forno!...


Mas, a euforia da vitória foi tamanha que até nos esquecemos de agradecer a Jader, pelas palavras tão sinceras e apropriadas...


Afinal, ele como que “abriu o coração”...


Fica aqui, portanto, o agradecimento, embora que tardio, ao Barbalho-mor...


IV



Cheguei do interior e fui passando direto para as águas belíssimas da minha Algodoal.


Foi lá que passei o Círio, bem longe da agitação que, nesta época, toma conta de Belém.


E cada vez que vou a Algodoal fico com a certeza de que, um dia, ainda vou me mudar pra lá.


Pra viver eternamente de céu e de mar...


A velejar, em pensamento, entre as ondas do Sublime...




V



Mas, como sou uma fumada, tive de voltar pra Belém.


E cá estou, novamente, a pensar no que vou fazer da vida.


Nos próximos dias, penso publicar algumas crônicas e poesias.


Mas, na verdade, vou é decidir se acabo com este blog ou se o reformulo.


Talvez que volte a fazer reportagens. Ou talvez que encerre essa fase da minha vida.


Vou pensar, enquanto saboreio um Ice, em plena tarde de quarta-feira.


A ouvir umas músicas bem bacanas.


E com uma preguiça rrrealmente “macunaímica”.


Em outras palavras: morrrram de inveja!


E antes que eu me esqueça: Gentalha, gentalha, gentalha!!!...



FUUUUIIIIII!!!!!!!




Na Carreira


Pintar, vestir
Virar uma aguardente
Para a próxima função
Rezar, cuspir
Surgir repentinamente
Na frente do telão
Mais um dia, mais uma cidade
Pra se apaixonar
Querer casar
Pedir a mão


Saltar, sair
Partir pé ante pé
Antes do povo despertar
Pular, zunir
Como um furtivo amante
Antes do dia clarear
Apagar as pistas de que um dia
Ali já foi feliz
Criar raiz
E se arrancar


Hora de ir embora
Quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir
Arte de deixar algum lugar
Quando não se tem pra onde ir


Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem-querer
O turbilhão


Bocas, quantas bocas
A cidade vai abrir
Pruma alma de artista se entregar
Palmas pro artista confundir
Pernas pro artista tropeçar


Voar, fugir
Como o rei dos ciganos
Quando junta os cobres seus
Chorar, ganir
Como o mais pobre dos pobres
Dos pobres dos plebeus
Ir deixando a pele em cada palco
E não olhar pra trás
E nem jamais
Jamais dizer
Adeus


(Chico Buarque e Edu Lobo)

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