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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Navegadores I




Vira Virou

Vou voltar na primavera
E era tudo que eu queria
Levo terra nova daqui
Quero ver o passaredo
Pelos portos de Lisboa
Voa, voa que eu chego já

Ai se alguém segura o leme
Dessa nave incandescente
Que incendeia minha vida
Que era viajante lenta
Tão faminta da alegria
Hoje é porto de partida

Ah! Vira virou
Meu coração navegador
Ah! Gira girou
Essa galera.

(Kleiton e Kledir)




Os navegadores I

É preciso ouvir o horizonte que bate à porta.
E tão docemente, misteriosamente, convida a dançar.
A descobrir-se pele e sangue nas mãos do infinito.
A amanhecer em cada céu, embriagados de amanhã.
Ser a alma que se abre ao mundo.
Os sonhos que se deleitam nas nuvens.
O olhar de Deus a cobiçar a vida.
A mergulhar na vida, para explodir em luz.
Ser na terra, o ventre da terra.
O bicho encantado na imensidão da floresta.
Um caçador. Um eterno caçador.
Como um espírito que buscasse a própria essência.
A poesia que rasgasse a carne, para traduzir-se em coração.
Ver além da tempestade como quem desenha estrelas. A parir estrelas. Incessantemente.
Ver o pó. Sem medo de voltar ao pó.
Ver a vida. Ser a vida. Ser em vida. Ser.

(Belém 25/01/2007)

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