domingo, 10 de maio de 2020

Sobre a “lei” das Fake News







Essa “lei” das Fake News tem de entrar nos anais do anedotário paraense. 

Porque é um troço tão absurdo, mas tão absurdo que a gente tem de pensar muito, expandir a mente, pra encontrar uma explicação. 

Até porque, paradoxalmente, isso partiu de companheiros que estão a defender a Democracia contra o avanço do fascismo. 

Mas não se preocupe, caro leitor, porque nem seria preciso um longo tratado em defesa da Liberdade de Expressão, pra detonar essa tal de “lei”. 

Ela é tão inconstitucional, tão ilegal e até ilógica, que qualquer advogado de porta de cadeia (e bebum), entraria na Justiça e derrubaria na hora – na hora! 

Além disso, o governador voltou atrás e decidiu vetá-la. 

E a questão que permanece é a seguinte: como é possível que um troço desses tenha precisado de 41 cabeças, além de um batalhão de assessores, pra ser concebido? 

Confesso, caro leitor, que só tomei conhecimento dessa “coisa” às 4 da madrugada deste sábado, quando concluí um trabalho e finalmente consegui me deitar. 

Vi uma postagem no Face, mas deixei pra ler o texto da “lei” depois de dormir e de cuidar das coisas aqui em casa (e pra você ter ideia, só quase às 11 da noite deste sábado, é que pude, finalmente, abrir este bendito computador). 

E desde então não consigo parar de rir – estou escrevendo e rindo, é sério! 

Porque cada vez que me lembro dessa “coisa”, começo a imaginar que ela saiu da Câmara de Vereadores de Sucupira... 

No fundo, estamos diante é do mais puro desespero e de uma enorme trapalhada. 

A tal da “lei” chegava a proibir até mesmo a divulgação de opiniões “sem a devida comprovação da veracidade”. 

Mano, isso já não é mais nem censura: é burrice mesmo! 

Desde quando alguém comprova opinião? 

Opinião é um ponto de vista, uma crença, uma ideia acerca de. 

Se tem “comprovação da veracidade”, passa a ser Conhecimento, Verdade, Saber. 

Ou seja: conseguiu-se a proeza de censurar até mesmo o que não existe!... 

Mas agora, falando sério. 

Eu entendo a angústia dos nossos deputados e do nosso governador. 

Estamos diante da maior tragédia de saúde pública que o estado do Pará já viu – e ela está apenas começando. 

E a verdade é que é muito improvável que a gente consiga evitar a maioria dessas mortes anunciadas, dadas as circunstâncias do Brasil e do Pará. 

O Brasil, como é público e notório, está sob o comando de um psicopata, que não mede esforços para empurrar o maior número possível de seres humanos para a morte. 

No Pará, temos milhões de irmãos paraenses que sobrevivem em favelas, condições subumanas, aglomerados em cubículos, sem água potável, sem saneamento, o que dificulta extremamente a adoção das únicas medidas capazes de conter esse vírus: a higienização, e o isolamento e o distanciamento sociais. 

E as nossas unidades públicas de saúde, que sempre foram desumanas (é essa é que a palavra mesmo) se encontram, hoje, em condições inimagináveis - e ainda nem atingimos o pico dessa epidemia. 

Penso que aqueles que têm plena consciência do furacão que se aproxima devem estar profundamente angustiados e até com alguma dificuldade de raciocínio: é a mente tentando escapar!... 

Então, queria fazer um apelo ao governador, ao prefeito de Belém, aos nossos deputados, aos nossos prefeitos e vereadores de todas as cidades paraenses: tirem uns 30 minutos por dia pra esquecer esse vírus. 

Sei que é difícil, mas deletem, durante meia horinha, essa tragédia que estamos vivendo: ouçam umas músicas que lembrem coisas boas da vida de vocês; vejam um programa curto de comédia; leiam uns contos bacanas; meditem; ouçam uns mantras; cantem uns hinos e se conectem com Deus: lembrem de todas as coisas boas que Deus já fez por vocês e agradeçam a Ele. Agradeçam, também, por todas as maravilhas que Ele criou! 

Não há nada de errado no que vocês estão sentindo: é humano! 

Afinal, vocês estão no comando de um estado atingido por uma tempestade. 

Sei que vocês, muitas vezes, devem se sentir até impotentes. 

Porque conhecem muita gente e estão vendo muitos amigos e conhecidos adoecendo gravemente, e até morrendo, e talvez, pela primeira vez na vida, não conseguem fazer nada em relação a isso. 

Vocês, assim como os nossos médicos, enfermeiros, policiais, jornalistas, estão na linha de frente desta guerra. 

Uma guerra em que não é possível bater em retirada, ou ao menos recuar um passo, pra tentar se reorganizar: é preciso continuar firme na linha de frente, custe o que custar. 

No entanto, entendam o seguinte: tudo o que a gente MENOS PRECISA neste momento é que vocês percam a noção. 

As Fake News têm, sim, de ser combatidas: elas estão literalmente matando o nosso povo, ao fazerem com que ele minimize os perigos desse vírus. 

Mas não é com leis enlouquecidas, inconstitucionais, ditatoriais e burras que se vai resolver isso. 


Mas se ainda assim vocês quiserem fazer uma lei estadual sobre isso, nem que seja “só pra assustar”, talvez seja o caso de usar como modelo a Lei Eleitoral. 

E focar nas Fake News relacionadas à Saúde Pública, deixando o resto pra mais adiante, a partir de um amplo debate social. 

E enquanto isso, botem o pessoal de vocês pra contra-atacar. 

Como tive o cuidado de não me fechar em uma bolha, sei muito bem o que circula nas redes sociais... 

Penso, no entanto, que APENAS a polícia e as leis não resolverão o problema. 

O mais importante é a informação – coisa que, aliás, essa “lei” acabaria por prejudicar. 

Usem as lideranças comunitárias, sindicais e religiosas, para esclarecer o nosso povo. 


Esse vírus, companheiros, não infecta apenas o corpo: se a gente permitir, ele contamina até a alma, com o medo e o desespero, sensações que atordoam, paralisam e até nos levam a perder a noção das coisas. 

Até porque esta guerra acontece em meio a uma onda de ódio poucas vezes vista neste país. 

Tenham Fé! 

Aquele que a tudo criou e que a todos consola está, sim, ao nosso lado.  

E se é verdade que muitos morrerão, também é verdade que conseguiremos salvar milhares e milhares de vidas! 

FUUUIIIII!!!!!

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