sábado, 12 de dezembro de 2009

Chicão deixa Seop, mas cargo continua à disposição do PMDB


Ao que parece, a saída de Francisco das Chagas, o Chicão, da Secretaria Estadual de Obras (Seop) tem a ver, sim, com as relações travosas entre o PT e o PMDB, mas, é um caso à parte nessa nova rodada de negociações do casal-problema da política paraense.




A exoneração dele foi decidida antes do café da manhã entre Ana e Jader, mais precisamente no dia anterior, quando um resoluto Chicão sentou com o morubixaba peemedebista, para avaliar a situação.


Seriam dois os motivos da decisão.

O primeiro, a intenção de Chicão de se recandidatar a deputado estadual no ano que vem – e ele já teria até comprado um ônibus para as suas andanças pelo interior.

O segundo, o enorme descontentamento em relação à escassez de recursos da Seop.

“O Chicão é um sujeito muito calmo, mas, já vinha em sofrimento, há algum tempo, na Seop. 2009 foi um ano muito difícil para o governo todo (em virtude da crise). E o governo ainda resolveu priorizar as secretarias comandadas pelos irmãos Maurílio e Marcílio Monteiro. Não bastasse isso, ainda secaram a Seop”, conta um parlamentar.

Segundo ele, dos R$ 46 milhões colocados no orçamento da Seop para investimentos neste ano, o governo contingenciou R$ 42 milhões. E, dos R$ 4 milhões restantes, só liberou, até o mês passado, R$ 700 mil.

Por conta disso, a penúria da secretaria era tamanha que Chicão teve de suspender vários contratos de prestação de serviços, inclusive para o fornecimento de combustível. Na verdade, teria ficado sem dinheiro até para pagar as contas de água e luz.


Dinheiro carimbado e irritação


A gota d’água para Chicão teria sido, no entanto, um episódio complicadíssimo, na semana passada.

Chicão recebeu telefonemas de três empreiteiras que lhe informaram sobre o repasse iminente, pelo governo, de R$ 1,9 milhão à secretaria, exclusivamente para o pagamento delas.

Dois dias depois, telefonou-lhe o secretário estadual de Governo, Edilson Rodrigues, informando o repasse e a destinação.

Como fizera em relação aos empresários, Chicão tentou argumentar que não poderia entregar o dinheiro às empreiteiras, porque havia dívidas mais antigas e urgentes a serem quitadas.

O resultado foi um diálogo ríspido.

Edilson teria dito que não repassaria o dinheiro, caso Chicão não o destinasse às empreiteiras.

Chicão teria, então, respondido: “Faça como quiser”.

E o fato é que o dinheiro acabou, mesmo, bloqueado.

Ontem, Chicão entregou o cargo através de uma carta de três páginas, em formato A4, na qual relata esse episódio, a escassez de recursos e o esvaziamento da secretaria.

A carta deve ser publicada na edição do Diário do Pará de hoje. Nela, um irônico Chicão chega a sugerir a extinção da Seop.

A Seop, no entanto, permanecerá à disposição do PMDB, embora o partido, a priori, não pretenda indicar ninguém para o cargo. “O problema é encontrar quem queira ir para lá”, diz-me um peemedebista.

Furo bombástico e surpresa

A saída de Chicão foi noticiada, na tarde de ontem, em primeira mão, pelo blog do Marcelo Marques, o Bacana.


Segundo aquele blog, Chicão assumirá a vaga de deputado na AL. Com isso, Dr. Soares deixará a Casa. Parsifal Pontes permanecerá na liderança da bancada.

Na noite de ontem, o governo, ainda surpreso, tentava minimizar o episódio.

“Li a carta e não acho que seja bombástica. O que me pareceu é que isso não tem a ver com problemas de política, mas, com as dificuldades que ele (Chicão) enfrentou, por problemas da crise econômica. Tudo o que está na carta diz respeito à gestão”, afirmou à Perereca o chefe da Casa Civil, Cláudio Puty.

Ele negou que o contingenciamento da Seop decorra de questões políticas: “Isso aconteceu devido à crise, mesmo. Aqui na Casa Civil, o contingenciamento atingiu 70% e eu fiquei sem dinheiro até para pagar passagem de avião”.

Observou que só será possível “descontingenciar” recursos da Seop após a liberação do empréstimo de R$ 366 milhões que o governo tenta aprovar na AL, “simplesmente porque não há dinheiro”.

Disse que ainda não conversou com Edilson Rodrigues, para ouvir a versão dele acerca do episódio narrado na carta de Chicão. E cogitou que o que pode ter acontecido é a priorização natural de determinadas obras. “Pode ser que tenha sido uma determinação para tocar uma obra”, arriscou.

Puty informou que apesar de Chicão dizer que o seu pedido de exoneração é irrevogável, a governadora Ana Júlia Carepa tentará conversar com ele, por telefone, para demovê-lo da idéia, antes mesmo de retornar de viagem – ela viajou ontem para a Dinamarca, para uma conferência das Nações Unidas.

Na semana que vem, já de retorno a Belém, Ana sentará com Chicão. “Há boas perspectivas para a Seop e não há interesse que ele sai”, afiançou Puty.

Até lá, o lugar dele será ocupado por um “pro-tempore, um adjunto, mas continua a vaga aberta do PMDB”, garantiu o chefe da Casa Civil.

Vice: o pomo da discórdia

Nos bastidores do Governo, dizia-se ontem que a saída de Chicão tem muito mais a ver com as suas pretensões eleitorais.

“Faz tempo que ele ameaça sair. Uma vez a Ana até ligou para ele para saber por que ela só sabia das coisas pelos jornais, uma vez que isso já havia até saído na imprensa”, contou um assessor palaciano.

Segundo a fonte, “isso não é sinal de nada, embora, certamente, o PMDB venha a alegar isso. Pelo contrário: as conversações entre o PMDB e o PT, tanto aqui, quanto em Brasília, estão bastante adiantadas”.

Outro integrante do governo disse que os problemas com Chicão “e outros secretários-candidatos” tiveram início quando o dinheiro, em função da crise, começou a rarear, e o governo foi obrigado a centralizar as prioridades.

“Muitos secretários-candidatos foram abrindo obras em vários locais. E aí, quando o dinheiro foi reduzido, muitos deles entraram em pânico, especialmente diante dessa centralização”, confidenciou.

O fato é que o cabo de guerra entre o PT e o PMDB vai prosseguir, tendo como cerne a Vice-Governadoria, na chapa à reeleição de Ana Júlia, no ano que vem.

Tanto o PMDB quanto o Governo negam que os peemedebistas tenham, alguma vez, transformado a Secretaria de Saúde (Sespa) em cavalo de batalha.

Mas ambos admitem que a Vice é a carta da hora, na mesa de negociações.

E, segundo uma fonte governista, Ana não vê problemas na cessão da Vice ao PMDB – mas desde que isso aconteça no bojo de uma discussão, “num contexto mais amplo”, a fim de que também o PR possa ser contemplado nessa aliança.

Um comentário:

Anônimo disse...

SERIA INTERESSANTE SABER QUAIS SÃO AS TRÊS EMPRESAS QUE O SECRETÁRIO DE GOVERNO QUE DAR PRIORIDADE NO REPASSE , DÁ PARA MONITORAR ?

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